Caixões coloridos de plebeus são estudados pelo Amarna Project

 

 

Márcia Jamille Costa | @MJamille

Desde 2006, a equipe do Amarna Project tem investigado um cemitério destinado para pessoas não pertencentes a elite de Aketaton, cidade fundada pelo faraó Akhenaton, durante da 18ª Dinastia (Novo Império).

Nos últimos anos eles encontraram seis caixões decorados, cuja maioria possui um formato antropoide. Em suas paredes estão cenas de figuras que fazem oferendas e colunas de textos hieroglíficos, feitos em creamish ou desenhos em amarelo com um fundo escuro, com detalhes adicionados em vermelho e azul.

Estes artefatos são os únicos caixões decorados não pertencentes a realeza encontrados em 100 anos de escavações em Amarna e se constituem por ser uma oportunidade de conhecer as crenças dos cidadãos de Akhetaton. Porém, eles estão extremamente frágeis e deteriorados, para tal necessitam passar por um restauro, para que depois possam ser estudados. Para tal o Amarna Project estão necessitando de doações, para poder tratar estas peças. Abaixo as imagens dos caixões e dos trabalhos da equipe:

 

Um dos caixões decorados durante a temporada de 2010. Imagem disponível em < http://www.facebook.com/photo.php ?fbid=406815 736006033&set=a.406815146006092. 93723.178713395482936&type=3&theater >. Acesso em 01 de maio de 2013.

 

Lado de um dos caixões sobre um suporte. Imagem disponível em < http://www.facebook.com/photo.php ?fbid=571722629515342&set=a.406815 146006092.93723.178713395482936& ;type=3&theater >. Acesso em 01 de maio de 2013.

 

Trabalho de escavação no caixão descoberto em 2011. Imagem disponível em < http://www.facebook.com/photo.php ?fbid=406815822672691&set=a.406815146006092. 93723 .178713395482936&type=3&theater >. Acesso em 01 de maio de 2013.

 

Julie Dawson, coordenadora do projeto de restauro, retira os detritos e a areia solta de um dos caixões em 2012. Imagem disponível em < http://www.facebook.com/photo.php?fbid=571722799515325&set=a. 406815146006092.93723.178713395482936&type=3&theater >. Acesso em 01 de maio de 2013.

 

Julie Dawson em maio de 2012. Imagem disponível em < http://www.facebook.com/photo.php?fbid=40 7433795944227&set=a.406815146006092.937263. 178713395482936&type=3&theater>. Acesso em 01 de maio de 2013.

 

Trabalho de restauro em 2012. Imagem disponível em < http://www.facebook.com/photo.php ?fbid=407433725944234&set=a. 406815146006092.93723.178713395482936& type=3&theater >. Acesso em 01 de maio de 2013.

 

Trabalho de restauro em 2012. Imagem disponível em < http://www.facebook.com/photo.php ?fbid=406815416006065&set=a. 406815146006092.93723. 178713395482936&type=3&theater >. Acesso em 01 de maio de 2013.

 

Trabalho de restauro em 2012. Imagem disponível em < http://www.facebook.com/photo.php ?fbid=406815309339409&set=a. 406815146006092. 93723.178713395482936&type=3&theater >. Acesso em 01 de maio de 2013.

 

Trabalho de restauro em 2013. Imagem disponível em < http://www.facebook.com/photo.php ?fbid=571722389515366&set=a. 406815146006092.93723.1 78713395482936&type=3&theater >. Acesso em 01 de maio de 2013.

 

Imagens e notícia disponível em < http://www.facebook.com/media/set/?set=a.406815146006092.93723.178713395482936&type=1 >. Acesso em 01 de maio de 2013.

 

 

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]

3 comentários sobre “Caixões coloridos de plebeus são estudados pelo Amarna Project

  1. Essa notícia me levantou uma dúvida e uma questão, porque tocou no assunto de restauro. Então como esse tema é debatido na arqueologia egípcia? É uma prática comum e bem aceita para qualquer tipo de artefato encontrado lá?

    Obrigado pela atenção e continue assim, minha orientadora! 🙂

    • Mas olha! Meu orientando aqui!

      Bom Nicolas, na verdade os trabalhos de restauro e conservação dentro das missões de Arqueologia são um dos mais pedidos atualmente pelo Ministério de Antiguidades do Egito, especialmente porque um dos capitais do Egito sai do turismo e turista não quer ver “coisa feia”, quer painéis bonitos para visitar, mas este não é o único motivo, cobra-se muito pela preservação dos artefatos e qualquer problema que ocorre é promovida toda uma comoção (ainda bem).

      Outro motivo para ampla instituição do restauro e conservação são os danos proporcionados no passado pelos primeiros pesquisadores (quebra dos relevos em tumbas ou templos, fuligem de tochas, etc) ou mesmo na antiguidade (também fuligem de tochas, derrubada de muros, etc) que dificultam o entendimento de um sítio e a própria antiguidade dos artefatos, alguns dos quais, se não receberem os cuidados de um profissional podem acabar perdidos.

      A prática é instituída para todo e qualquer artefato lá (o problema é a hierarquização do mesmo: algo relacionado aos faraós é mais importante do que a um plebeu, por exemplo), desde os que estão em terra como os submersos (pelos motivos discutidos nas aulas de Arqueologia Subaquática).

      Alguns problemas acerca deste assunto são de caráter teórico: (1) O restauro por vezes é tão perfeito que até parece que a peça nunca sofreu algum dano e isto é muito discutido na academia porque alguns acreditam que o certo seria deixar algo que mostre que o artefato passou por problemas e precisou de mãos contemporâneas. (2) Outra questão é a mesma que o Campus de Laranjeiras vem sofrendo: cria-se um cenário bonito, mas não é “real”, existem aquelas colunas que lembram ruínas, mas elas foram recriadas. É o que ocorre em Amarna, tijolos novos estão sendo feitos para criar as estruturas para as futuras “ruínas” da cidade, para melhorar o fluxo de turistas.

      Abraços, até breve e estude muito!! U.u

      • Obrigado pelas explicações. Tenho essas dúvidas porque transfiro também essa discussão para o patrimônio arqueológico em geral, envolvendo tanto construções, estátuas como artefatos cerâmicos. Pessoalmente, acho que deve-se ter cuidados e motivos para fazer restauros no patrimônio arqueológico, como entendi agora os motivos para se fazer isso no universo material egípcio. Para não ocorrer o que acontece justamente lá no Campus, constituindo uma descaracterização do ambiente, criando-se um nova imagem que não é completamente “real”, como bem disse!

        Muito obrigado, e estudar é comigo mesmo, haha! lol

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