(Resenha – Documentário) A Maldição de Tutankamon, da Discovery

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram Desde mais nova sempre fui aficionada por documentários, mas raramente eu podia assistir algum. Quando comecei a ter acesso à internet procurava saber o que estava passando nas TVs por assinatura para, quem sabe, um dia ter a sorte de encontrar algum deles à venda. Um desses materiais que fizeram parte do meu sonho de consumo foi “A Maldição de Tutankamon” (The Curse of Tutankhamun), da Discovery, que tinha logo no início da sua sinopse a incrível descrição: Nas margens do Nilo, um rapaz está morto e um homem está morrendo. Duas mortes separadas por mais de 30 séculos e, ainda assim, agourentamente ligadas. O rapaz, um faraó, sepultado com uma fortuna incalculável. O homem, um nobre inglês, no ímpeto de encontrá-lo. Sua busca disparou a maior caça ao tesouro da História e uma reação de mortes em cadeia. Um a um, aqueles que perturbaram a tumba do faraó pereceram. Até hoje, as casualidades crescem. A Ciência segue um assassino esquivo de três mil anos de idade. Era difícil, como o é hoje, não ficar curiosa depois de ler isso. Contudo, só cheguei a assistir esse documentário quando ingressei na graduação em Arqueologia e anos depois finalmente consegui comprá-lo. Faz muito tempo que me desgostei de documentários, especialmente os ligados à figura de Tutankhamon por sempre romancear as circunstâncias da sua causa de morte, o que, para mim, desgastou e banalizou muito o assunto.  Felizmente, para a minha sorte e paciência, “A Maldição de Tutankamon” ainda não faz parte da belle époque dos documentários sensacionalistas, apesar do assunto abordado, que é a falaciosa maldição da múmia que teria matado uma série de pessoas ligadas ao achado da sepultura. A produção tenta mostrar que a suposta praga não seria um evento espiritual, mas algo que teria sido perfeitamente evitável. Tutankhamon foi um rei da 18ª Dinastia (Novo Império) e um dos sucessores de Akhenaton, faraó conhecido por sua tentativa de reforma religiosa. Tutankhamon morreu entre seus 18 e 19 anos e foi sepultado no Vale dos Reis. Sua tumba permaneceu praticamente intacta até a sua descoberta, realizada por um arqueólogo, em 1922. A fita se inicia apesentando o contexto da época da abertura do túmulo, o papel do Lorde de Carnarvon (patrocinador da empreitada) e Howard Carter (arqueólogo responsável pelo achado). É narrado também o episódio da entrada fortuita de Carter, Carnarvon, Mace e da Lady Evelyn no sepulcro na calada da noite e a morte de Carnarvon nas semanas seguintes, circunstância que deu espaço para os tabloides ingleses afirmarem a existência de uma maldição. O documentário também aponta a morte da turista Sheryl Munson, em 1995, após sua viajem para o Egito. É narrado que, ignorando as ordens de segurança, ela tocou uma pintura parietal de uma tumba acreditando que aquela era uma oportunidade única. Contudo, após retornar para casa ela desenvolveu um quadro de tosse aguda, fraqueza e falta de ar. Com a piora da sua saúde uma biopsia do seu pulmão … Continue lendo (Resenha – Documentário) A Maldição de Tutankamon, da Discovery