Relíquias faraônicas submersas com o Titanic: egiptólogo quer recuperá-las

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Sugestão enviada por Fernanda Libório, via Facebook.

Uma recente notícia sobre a existência de artefatos egípcios dentro dos destroços do RMS Titanic surpreendeu algumas pessoas. De acordo com uma matéria do Egypt Independent, um egiptólogo egípcio chamado Bassam al-Shammaa explicou, durante um simpósio intitulado Egypt: the Future of the Past (“Egito: o Futuro do Passado”), que uma mulher chamada Margarida Touban, que sobreviveu ao afundamento, possuía uma pequena coleção de artefatos egípcios. Ainda de acordo com a matéria ele solicitou ao governo do seu país que pegasse um mapa do filme do diretor James Cameron para poder salvar as antiguidades submersas, para que elas possam ser exibidas em museus.

Titanic. Foto: F.G.O. Stuart (1843-1923)

O naufrágio do RMS Titanic, ocorrido em 15 de abril de 1912, onde, das 2.200 pessoas a bordo, apenas 705 conseguiram sair com vida, ficou muito mais famoso nos últimos anos graças ao filme “Titanic” de Cameron, lançado em 1997. Nele, imagens reais do sítio do naufrágio são utilizadas, o que instigou a imaginação de várias pessoas ao redor do mundo.

— Quer saber mais sobre sítios arqueológicos que estão em baixo da água? Assista: Um mergulho da Arqueologia Subaquática.

Existiam artefatos egípcios no Titanic?

Ushabit de Brown. Foto: autor desconhecido.

Ushabit de Brown [1]. Foto: autor desconhecido.

De fato, algumas peças datadas do Egito Antigo naufragaram junto com o navio. Contudo, ao contrário do apresentado por Bassam al-Shammaa, de que a passageira seria uma mulher chamada Margarida Touban, a história que conheço é de que a dona da pequena coleção era a Margaret Brown (1867 – 1932), uma das sobreviventes mais famosas. No Molly Brown House Museum, em Denver, existe uma lista de itens que Brown embarcou no navio e nele estão apontados artefatos egípcios. Eles também foram citados no pedido de indenização que Brown entregou a White Star Line, companhia que construiu o navio. Contudo, não se sabe exatamente o que acabou ficando no oceano [1][2].

Do desastre só se salvou um pequeno ushabti, que a Margaret carregava no bolso do seu casaco quando entrou no bote salva-vidas. O egiptólogo Paul Boughton saiu em busca dos passos seguintes deste artefato e descobriu que na atualidade está no Titanic-Branson Museum, no Missouri [1][2].

Isso me leva a crer que essa notícia carece de mais esclarecimentos. Talvez isso seja feito nos próximos dias, dependendo da notoriedade que receber.

 

Fonte:

Pharaonic relics submerged with Titanic must be recovered: Egyptologist. Disponível em < http://www.egyptindependent.com/news/pharaonic-relics-submerged-titanic-must-be-recovered-egyptologist >. Acesso em 12 de fevereiro de 2017.

[1] EXCLUSIVE: Servant of the Deep: The mystery of the Titanic Shabti. Disponível em < http://egyptologynewsnetwork.blogspot.com.br/2011/01/servant-of-deep-mystery-of-titanic.html >. Acesso em 12 de fevereiro de 2017.

[2] Mystery of the Titanic Ushabti: Molly Brown’s Egyptian Good Luck Charm. Disponível em < http://titanicon.blogspot.com.br/2012/04/molly-browns-egyptian-good-luck-charm.html >. Acesso em 12 de fevereiro de 2017.

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]