O faraó Ramsés II tirou um passaporte 3.000 anos após sua morte?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Ramsés II. Foto: Creative Commons

O Egito Antigo parece possuir um dom, que é sempre nos abrilhantar com notícias de teor no mínimo… Único. Perto do final do ano passado, por exemplo, viralizou, juntamente com a imagem abaixo, a notícia de que o faraó Ramsés II teria um passaporte. Na imagem em questão podemos ver o nome “Ramsés II”, ao lado de uma fotografia da múmia do rei. Ambos acompanhados por outros dados como nacionalidade, data de aniversário (1303 Antes da Era Cristã) e ocupação, que aqui é descrita como “Rei (morto)”.

Naturalmente as redes sociais do Arqueologia Egípcia receberam várias e várias vezes esta imagem, o que me levou a publicar o seguinte vídeo (onde, inclusive explico um pouco sobre quem é Ramsés II:

Bom, a questão é que juntamente com o viral surgiu uma outra imagem do suposto passaporte do faraó, que é a seguinte:

Esta é muito mais convincente contendo alguns códigos e marca d’água. Entretanto, esta imagem, como bem explico no vídeo, é falsa.

Contudo, a história de que Ramsés II teria um passaporte é verdadeira. Ele recebeu um quando a múmia do rei precisou ser enviada para França em 26 de setembro de 1976. Isso porque corpos transportados por empresas aéreas precisam de uma identificação e múmias, antes de curiosidades históricas que vocês visitam em museus, são corpos de pessoas mortas.

Múmia de Ramsés II. Fotos: G. Elliot Smith

O motivo da tal viagem é porque a múmia estava se decompondo e exalando um mau cheiro, coisas que não são muito comuns em múmias egípcias. Em sua chegada ao Museu do Homem de Paris foi descoberto que o que estava causando este transtorno era uma colônia de fungos que foram devidamente exterminados com raios gama. A causa da morte rei também foi descoberta, assim como o estado de saúde dele. Estas e outras curiosidades vocês podem conferir em nosso vídeo.

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]