Estes bebês foram sepultados “coroados” com ossos de outras crianças

Uma descoberta arqueológica raríssima foi feita no Equador: dois bebês foram sepultados, cada um, usando uma espécie de “capacete” feito com o crânio de outras crianças. Na falta de uma boa referência visual: os bebês foram vestidos com uma segunda cabeça… Ou seja, em cada sepultura foram encontrados dois indivíduos — o bebê e a cabeça de uma criança mais velha —. 

Os arqueólogos que realizaram a descoberta e as análises dizem que não existem precedentes deste tipo de sepultamento nem no Equador e nem em toda América.

Não se sabe os motivos por trás deste enterro, em verdade as pesquisas ainda estão em andamento.

Porém, algumas informações importantes foram obtidas tais como as idades aproximadas das quatro crianças e a possibilidade de que ao menos os bebês tenham falecido por conta de uma anemia.

Quer saber mais? No vídeo abaixo eu explico alguns detalhes desta descoberta 

Fiz um passeio por uma casa da Roma Antiga! Usando óculos de realidade virtual, claro…

Recentemente visitei o Laboratório de Arqueologia Romana Provincial (LARP-USP), que trabalha com a elaboração de aplicativos interativos que visam levar até o público um pouco da história do império e república romana. Durante esta visita tive a oportunidade de gravar como os trabalhos são realizados lá, assim como quais são as ferramentas utilizadas pelos pesquisadores. O que posso dizer é que foi uma tarde de aprendizados e fico feliz em levar um pouco destas informações para vocês.

Já durante a primeira parte da visita fui apresentada a uma impressora 3D que, como bem o nome indica, imprime objetos em 3D, neste caso artefatos arqueológicos. A proposta é simples: a ideia é scanear um artefato arqueológico para criar um modelo tridimensional e então enviá-lo para a impressora 3D que fará uma cópia dele.

Esta cópia — feita normalmente com plástico ABS — servirá como base para um molde de silicone, que por sua vez servirá de bandeja para a criação de um modelo em resina que poderá ser utilizado em programas educativos onde os visitantes poderão manipulá-lo a vontade. E eu pude ver pessoalmente uma destas peças — no caso um ushabit (um tipo de estatueta funerária egípcia) — sendo impressa.

Mas, ter um modelo tridimensional ou uma cópia 3D de uma peça arqueológica vai muito além de poder ser manipulada por curiosos em um passeio por um museu. Serve também — especialmente os modelos tridimensionais — para a pesquisa por parte de um acadêmico que, por algum motivo, não têm possibilidade de acesso a peça. É importante também para se manter um registro do objeto no caso de se perder o original.

Também fui apresentada a alguns dos jogos que foram elaborados pelos pesquisadores do laboratório. Naturalmente todos têm um uso educacional e possuem um fundo histórico arqueologicamente apurado. Dentre os tipos de jogos que eles já criaram está o “Domus” (onde visitamos uma antiga casa romana), que está disponível em diferentes versões, inclusive em realidade virtual a qual cheguei a experimentar lá no laboratório mesmo.

Espero que vocês curtam esta tarde que passei lá e quem sabe se encantem também por este mundo da Arqueologia Digital.

Fiz um tour por um museu de arqueologia

Sabem um museu bonitão daqueles que você se sente bem visitando e fica com vontade de convidar seus amigos para conhecer? Para mim este é o caso do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA, o qual recebi da direção carta branca para realizar algumas filmagens. Na minha opinião, o que cria toda a atmosfera dele é o fato de que está dentro de um antigo edifício jesuíta, com direito inclusive a uma “saída secreta” (se vocês assistirem ao vídeo que coloquei ao final deste post irão entender).

Conjunto de urnas funerárias. Foto: Márcia Jamille.

Entretanto, embora seja um prédio jesuíta, o museu é dedicado a sociedades indígenas e lá vocês encontrarão dezenas de artefatos instigantes em exposição, a exemplo de algumas urnas funerárias. Bem, explicando brevemente: em algumas destas urnas foram realizados o que chamamos de “sepultamento secundário”. Um sepultamento secundário é literalmente um “segundo sepultamento”, ou seja, um indivíduo é enterrado a priori em um lugar e após um tempo os seus restos são movidos. Quando enterramos alguém em um caixão e depois o colocamos em um ossário isso é o que denominamos de “sepultamento secundário”. 

Urnas funerárias. Foto: Márcia Jamille
Urna funerária. Foto: Márcia Jamille.

E caso um dia um de vocês visitem o museu, um dos meus artefatos favoritos é um colar de ossos de macaco. Não se sabe se ele possuía algum significado simbólico, religioso ou se só era um adorno banal, mas é uma curiosidade interessante para quem curte zooarqueologia. 

No centro está um colar feito com ossos de macaco. Foto: Márcia Jamille
Antiga cisterna. Foto: Márcia Jamille

Ah! E tem a famosa cisterna, que está localizada no centro do edifício. Os monitores que me acompanharam durante as gravações me contaram algumas curiosidades sobre esta estrutura — sobre como provavelmente a água era coletada —. O vídeo: 

Como estudei o Egito Antigo morando no Brasil?

Quantos de nós não crescemos imaginando quando finalmente iremos alcançar a profissão dos nossos sonhos? E com ela a liberdade financeira, a felicidade, o sucesso? Porém, infelizmente a realidade tende a ser mais cruel e áspera. Comigo, por exemplo, está sendo assim.

Caso tenha caído de paraquedas aqui e não conheça a mim ou ao meu trabalho: meu nome é Márcia Jamille, sou bacharel e mestre em arqueologia e meu foco de estudo é o Egito Antigo. Desde os treze anos sonho com esta profissão e sabia que as coisas seriam bem difíceis para mim.

Em primeiro lugar não existe uma cadeira em egiptologia no nosso país, então, se você quiser se formar egiptólogo precisa arranjar uma grana — que não é pouca — para estudar em alguma universidade do exterior.

Mas, sejamos francos: são poucos os capazes de ter dinheiro para pagar uma universidade no Brasil, então imagina no exterior, onde entra aqui não só a despesa da universidade, mas aluguel, alimentação, transporte, saúde…

Uma alternativa são as bolsas de estudo, que estão cada vez mais escassas — vide o que está ocorrendo com as bolsas Capes —, mas que nem todo mundo tem acesso por “n” motivos… Sem contar que é necessário um contato prévio com algum acadêmico da universidade visada.

Mas, uma alternativa para quem não pode sair do Brasil é entrar em um curso de Arqueologia, História — ou outra disciplina afim — e tentar associar um tema a ver com o Egito Antigo com algo da área do seu orientador. É o indicado? Em um contexto mundial não, mas funciona. É por isso que não me considero egiptóloga — embora a imprensa e algumas pessoas tenham se convencionado a me chamar assim —, prefiro que me chamem de “arqueóloga especialista na história do Egito Antigo”.

E para quem está curioso em saber qual foi a pesquisa que realizei na faculdade: trabalhei com a Arqueologia de Ambientes Aquáticos aplicada ao contexto do Egito Antigo. Gravei até um vídeo explicando isso melhor e dando alguns exemplos:

Mas, esta minha mini batalha não acabou no mestrado já que há anos sonho com um doutorado. Onde o farei? Ainda não sei, não tenho planejado muito do meu futuro. Na verdade, quando eu era bem novinha, acreditava que quando eu crescesse iria viver meus dias em escavações arqueológicas, mas o que ocorreu foi totalmente o contrário. Por motivos de saúde nem trabalhar em campo posso. Acho que é isso que chamam de “ironia da vida”.

Mas, óbvio que não desisti. Hoje me dedico ao site/canal Arquelogia Egípcia e ao canal Descobrindo o Passado e quem sabe que que virá por aí.

Fantasias de Carnaval: 7 ideias inspiradas no Egito Antigo

Estamos em época de Carnaval, período de muitas festividades para muitos brasileiros. É tanto que existe aquela velha piada: “O ano começa somente depois do Carnaval”. E caso você esteja meio perdido(a) no tempo: o Carnaval neste ano de 2019 começa neste sábado, 2 de março e segue até terça-feira, dia 5.

Mas, caso você seja um(a) procrastinador(a) e ainda não decidiu a sua fantasia para cair nos bloquinhos de rua e ao mesmo tempo gosta do Egito Antigo, trouxe para vocês algumas ideias do que vestir. Contudo, antes de dar continuidade, preciso explicar que para alguns egípcios da atualidade fantasias de “egípcios antigos” são um tanto ofensivas. Lembrem-se que a herança cultural e histórica do Egito é deles e como descendentes — sim gente… Eles são os descendentes — eles estão em seu direito.

Por isto as sugestões que estou apresentando aqui são de múmias. Meio macabro? Sim, mas tem quem goste.

Este casal resolveu misturar uma “rainha” e um “rei” egípcios com roupas costuradas imitando bandagens criando algo mais lúdico. Um dos aspectos legais é que as meias deles combinam com os cabelos dela.

Esta criança improvisou sua fantasia com um tecido qualquer em tira e esta coroa enfeitada com pedras coloridas.

Já esta moça resolveu usar algo mais simples como pintura facial.

Estas três abaixo colocaram tiras brancas por cima das suas roupas. Daí qual modelo você pode usar? Depende do que a sua criatividade permitir.

Por fim temos o velho e bom papel higiênico. Em tempos de crise vai que né!!!

6 dicas de presentes de Natal para quem AMA a Arqueologia

Final de ano é aquele período em que muitas pessoas ficam com dúvidas do que comprar para os seus conhecidos durante as festividades de Natal ou Ano Novo. Para alguns é quase um martírio pensar em algo interessante. Contudo, se você possui algum parente ou amigo que ama a Arqueologia e não sabe qual o presente certo para dar a ele, aqui estão algumas dicas.

1 – Jogo “Assassin’s Creed Oringins”: Se quiser ter uma experiência imersiva na Antiguidade esse jogo é um dos melhores no momento com ótimos cenários e um fundo histórico que abrange a cultura egípcia, grega e romana. Ele já foi comentado no canal Arqueologia Egípcia.

2 – Eternizando suas mensagens do Twitter… Em cuneiforme: Você leu corretamente! Para um ávido usuário do Twitter e que ao mesmo tempo gosta de tudo o que envolva a Arqueologia vai amar os serviços do DumbCuneiform. Este é um site de tradução em que você envia a sua mensagem para a equipe e eles transcreverão em cuneiforme — uma técnica de escrita cunhada, muito popular entre povos da antiguidade — em um pedaço de barro.

3 – Livro “Arqueologia” de Pedro Paulo Funari: Esta é uma aquisição interessante para quem tem curiosidade em saber um pouco sobre os trabalhos de Arqueologia e as implicações politicas e sociais que os envolvem. Funari é um arqueólogo bastante reconhecido e já publicou dezenas de livros e artigos relacionados aos mais variados temas históricos. Já fiz resenha dele no Descobrindo o Passado

4 – Livro “Uma Viagem pelo Nilo”… O qual é de minha autoria, por acaso. Meio narcisista? Nem tanto! Eu tenho um motivo para indicá-lo: Ao contrário da indicação anterior, esta obra fala especificamente sobre a civilização egípcia explicando aos leitores os aspectos gerais desta civilização milenar. Porém, tem como bônus algumas explicações sobre os trabalhos de Egiptologia e como nasceu a Arqueologia Egípcia.

5 – Colar com ponta de flecha: Esta dica é voltada para aqueles que amam tanto a Arqueologia que quer um pedaço do passado por perto. A venda ou posse de artefatos arqueológicos é, na maioria dos casos, ilegal, por isto que a solução encontrada por muitos é a compra de cópias. Você poderá conferir alguns exemplos no site Arqueo Réplicas.

5 – Réplica de avião North American P-51 Mustang: Para os curiosos ou estudiosos da 2ª Guerra Mundial o avião North American P-51 Mustang é um velho conhecido. Sua atuação em combate foi registrada através de fotografias e vídeos históricos. Este é da Coleções Del Prado.

Gostou destas dicas? Compartilhe entre os seus amigos ou nos envie algumas sugestões também! Neste blog também já listei produtos inusitados envolvendo o Egito Antigo

Mergulhando cada vez mais no Inferno em Layers of Fear!

E aqui estamos de volta com “Layers of Fear”, um jogo de terror psicológico que se passa em um casarão do século XIX. Estou realizando gameplays dele desde novembro e agora disponibilizo aqui mais dois capítulos.

Cada vez mais mergulhamos no mundo sombrio da mente do nosso pintor e conhecemos mais detalhes sobre sua convivência com sua família, alguns deles são bem perturbadores.

E agora focando na nossa série de gameplays: senhores… AI SIM DIGO QUE ESTE É UM GAMEPLAY DE RESPONSSA! Até usei um microfone bacana! O pior é que estou falando sério! Achei que este 3º capítulo ficou bem legal.

E este é o 4º capítulo! A história do jogo começa a se aprofundar mais e teremos um momento tocante em relação a filha do nosso personagem:

Em breve postarei aqui os dois últimos capítulos! 🙂

Paisagens que a Arqueologia me proporcionou

Quando eu era criança o meu único interesse em ser arqueóloga estava no fato de que eu iria escavar “coisas antigas”. Eu sabia que ia precisar fazer “grandes reflexões sobre o passado”, mas não sabia que a maior parte seria baseada em discussões teóricas ou realizando revisões bibliográficas. Naturalmente na cabeça de uma criança a Arqueologia é mais simplória e romântica.

Visita ao MASP (SP)

Foi quando ingressei na graduação que comecei a ter uma ideia da dimensão de pessoas e lugares que eu poderia conhecer pessoalmente. Tudo bem que é um grande fato que o meio acadêmico pode limitar nossas experiências — quantos de vocês não já ouviram “não leiam este livro”, “esta revista não é tão boa”, “não vai para o campo deste cara, não gosto dele”, “esquece este site e vai pensar em algo útil”… Sim, este último foi comigo —, mas ao mesmo tempo, se você souber como aproveitar, passará por coisas incríveis.

Fazenda São Félix em Santa Luzia. Foto: Evaney Simões. 2015.

Na época da universidade conheci alguns lugares que eu jamais imaginei que iria pisar um dia e com o fim dela e o crescimento do Arqueologia Egípcia os meus horizontes se expandiram mais ainda com trabalhos de campo e os vídeos que andei gravando por aí para o canal do A.E. Isso só me empolga e me faz imaginar o que mais virá pela frente.

“Visitando ao Museu Egípcio Itinerante”, vídeo para o canal do A.E.

“Um mergulho da Arqueologia Subaquática”, vídeo para o canal do A.E.

Visita ao povoado Crasto (SE).

Visita à Casa da Torre Garcia D’Avila.

Atualmente tenho me divertido também conhecendo o público que assiste aos meus vídeos. A internet é um espaço realmente maravilhoso e é interessante notar que mesmo não tendo relação alguma com a mídia tradicional o Arqueologia Egípcia não só virou espaço para a obtenção de conhecimento para algumas pessoas, mas de entretenimento também.

Um casarão antigo e um pintor desnorteado!

Quem segue o canal “Márcia Jamille” está tendo a oportunidade de acompanhar a série de gameplays de “Layers of Fear”, um jogo de terror psicológico que se passa em um casarão do século XIX. Nele somos um pintor que deve desbravar o casarão enquanto descobre pouco a pouco o que ocorreu lá de tão terrível para ele estar abandonado.

Espero que vocês se divirtam com os meus sustos porque… Meu deus… Se tive cagaço com este jogo, imagina se eu fosse jogar “Outlast 2″… Ou seja, eu não iria jogar, morreria de infarto antes disto!

Abaixo está o 1º Capítulo da série, o qual consegui a proeza de salvar com a câmera ao contrário (vocês irão entender!). Isso não irá comprometer sua experiencia, exceto, claro, que você tenha toc. Desculpa seriozão caso você tenha toc! 😕 E estas thumbnails foram feitas pela Márcia Sandrine (clique aqui para ver o Instagram dela). A ideia era “me colocar” no ambiente do jogo.

E este é o 2º capítulo da série. Nele já estou mais esperta com a câmara. Quase uma profissional do mundo das gameplays! Eu deveria até receber um Oscar de melhor gameplay do Youtube!

Espero vê-los nos próximos capítulos! 🙂

Produtos inusitados envolvendo o Egito Antigo

A civilização egípcia é uma das mais encantadoras e por isso alvo do comércio. Assim sendo, ela foi adotada por diferentes empresas, sendo aplicada em seus produtos. Eu já falei várias vezes sobre esse assunto no Arqueologia Egípcia (tanto o site, como canal), em especial em relação ao cinema e games, assim como colecionáveis (para conhecer alguns, clique aqui). Contudo, e quando são produtos que envolvem o dia a dia? Coisas que você poderá usar com frequência… Ou não? Fiz uma lista de produtos interessantes que tem como tema o Egito Antigo. Alguns são criativos, outros são inusitados. Espero que vocês gostem da lista*.

Ornamentos para aquário:

O primeiro produto que selecionei é este ornamento para aquário que nada mais é que uma cabeça de faraó com a sua clássica serpente wadjet na testa.

Alguns podem até achar que Egito Antigo e um fundo de aquário podem nem combinar, mas é só lembrar das descobertas feitas no Mar Mediterrâneo, nas ruínas da cidade de Alexandria.

E mais lúdico ainda é esta esfinge ao lado de uma pirâmide. Particularmente consigo imaginar os peixinhos saindo da tumba e passeando pelo aquário.

Já aqui temos o famoso Templo de Ramsés II em Abu Simbel. O que é uma ironia do destino, já que a transposição dele na década de 1970 foi para justamente salvá-lo das águas retidas pela represa de Assuã.

Porta trecos:

Aqui o sarcófago do faraó Tutankhamon, cuja tumba foi encontrada praticamente intacta em 1922, está servindo como uma caixinha para guardar pequenos abjetos…

Esta é a mesma situação desta arca do deus Anúbis, senhor das necrópoles e da mumificação.

Base para garrafas de vinho:

Estão lembrados que falei que alguns objetos eram inusitados? Apresento para vocês essas bases para garrafas de vinho. A primeira é uma esfinge. Nesta foto não é possível ver, mas a cabeça dela e sua parte traseira são um pouco abertas para permitir o encaixe da garrafa.

E mais uma vez temos o deus Anúbis, que mostrando a sua força irá carregar uma garrafa em suas costas. A vida não está fácil para ele.

E você? Desta lista possui algum favorito?


*São lojas de exportação.  não serão informadas.