Chá e dança árabe

 

 

Nos dias 27, 28 e 29 de abril ocorreu o primeiro Chá Árabe de 2012 do Portal Hanna Belly (Sergipe), tal evento que já é praticamente uma tradição do Portal.

 

Chá Árabe do Portal Hanna Belly em 2011 (Sou a segunda moça da direita para a esquerda). Foto: Matheus Batalha. 2011.

 

Fui a um dia do chá no ano passado e adorei, foi uma noite bem diferente em Aracaju, embora para a minha felicidade não sejam tão raras as noites árabes na cidade (ao menos não como a maioria dos sergipanos imaginam). Apesar de todos os festivais serem encantadores, o que torna os do Hanna Belly especiais é o próprio ambiente do edifício da escola (além das coreografias, claro), que possui quadros e objetos que remetem a cultura oriental.

Cecilia Calvacante dança usado Véu Wings no Chá Árabe de 2012. Foto: Jane Feitosa.

Agora em 2012 frequentei dois dos dias do chá e confesso que se pudesse teria frequentado os três dias já que o espetáculo deste ano superou o do ano passado (que por acaso também foi ótimo, então imaginem), inclusive adotei duas coreografias como favoritas, dentre elas a do Véu Wings, interpretada por Cecilia Calvacante, dona e uma das professoras do Hanna Belly.

 

Capturando um momento de descontração das moças que estavam sentadas na mesa da frente. Foto: Márcia Jamille Costa. 2012.

 

Uma luminária para vela com a foto de uma das estrelas do chá, a Cecilia Cavalcante. Era nela que estava a lista das danças da noite. Foto: Márcia Jamille Costa. 2012.

 

A outra estrela da noite... O próprio chá. Quem não curte muito esta bebida pode optar por refrigerante para acompanhar o jantar. Foto: Márcia Jamille Costa. 2012.

 

Já no final da última noite minha irmã observando o público se despedindo. Foto: Márcia Jamille Costa. 2012.

 

Ano passado o Portal realizou o espetáculo “O Oriente no Ventre do Ocidente” que foi uma mostra do Orientalismo através de coreografias e imagens (logo se vê pelo cartaz do espetáculo). O DVD poderá estará disponível em breve.

 

Cartaz do espetáculo “O Oriente no Ventre do Ocidente”. 2011. Portal Hanna Belly.

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Google homenageia o arqueólogo Howard Carter

O Luis Felipe, um dos alunos (e colega) do mestrado em Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe me apontou esta manhã o doodle do Google de hoje (09/05) e para a minha surpresa está uma homenagem ao aniversário do arqueólogo britânico Howard Carter, responsável pela descoberta da tumba de Tutankhamon.

A imagem:

Homenagem do Google ao 138° aniversário de Howard Carter

Abaixo uma matéria do site da BAND (tem até um e-mail, por favor, escrevam agradecendo pelo texto):

Google homenageia o arqueólogo Howard Carter

O egiptólogo britânico ficou conhecido por ter descoberto a tumba do faraó Tutankhamon no Vale dos Reis

Da Redação noticias@band.com.br

O Google homenageia o arqueólogo e egiptólogo britânico Howard Carter, que caso estivesse vivo completaria 138 anos nesta quarta-feira. Ele ficou conhecido por ter descoberto a tumba do faraó Tutankhamon no Vale dos Reis – localizado no Egito – e por inovar os métodos de análise dos túmulos.

Conhecedor de vários dialetos árabes, aos 27 anos tornou-se inspetor-chefe dos monumentos do Alto Egito e Núbia.

Sua primeira missão foi em Bani Hassan, onde foi incumbido de gravar e copiar as cenas nas paredes dos túmulos dos príncipes do Médio Egito. Dizem que ele trabalhava ao longo do dia e dormia com os morcegos nos túmulos durante a noite.

Em 1922, Carter encontrou os degraus que o levou ao túmulo de Tutankhamon. O arqueólogo descobriu o túmulo faraónico melhor preservado que já havia sido encontrado. Os meses seguintes foram dedicados a catalogar o conteúdo de antiguidades do Egito. Já em 1923, ele encontrou uma casa mortuária e o sarcófago de Tutankhamon.

(…)

 

No mural do Arqueologia Egípcia uma leitora (Nati Lerda)  deixou até uma mensagem:

 

♥♥ Hoy Howard Carter cumpliria 138 años… lo felicito por ser el arqueólogo en encontrar esa hermosa tumba de tutankamon… =)… dia especial para todos los arqueólogos en el mundo… FELICIDADES EGIPTO POR DARNOS MARAVILLAS COMO ESTAS… ♥♥ Márcia Jamille – Arqueologia Egípcia… hay que seguir descubriendo… =)

 

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A Estranha Tribo dos Arqueólogos

 

Infelizmente não consigo lembrar o nome do arqueólogo que escreveu isto, mas ele tinha um blog bem interessante, é uma pena que tenha fechado a página. O endereço era http://colunistas.ig.com.br/indianasilva/ e exista um texto, inclusive, em que ele falava da diferença entre os homens e as mulheres em campo e as relações dos arqueólogos (as) com suas famílias ao longo dos anos. Eram artigos com visões pessoais das quais algumas eu não concordava, mas eram divertidos de ler.

O texto abaixo é o único que deixei salvo, ele fala um pouco sobre os “novatos” em campo e as aspirações de jovens no mundo “louco” da Arqueologia:

 

A Estranha Tribo dos Arqueólogos

 

Todos os anos, em verdade a cada semestre, centenas de jovens em idade universitária desembarcam no centro oeste do país, nas florestas amazônicas, no sertão nordestino, nas praias de Santa Catarina. Seu objetivo imediato: passar algumas semanas numa escavação arqueológica de verdade, entre trincheiras, sondagens, aparelhos GPS, pás, peneiras, baldes, trenas, metros, barro e mosquitos, muitos mosquitos.

Aqueles que estão ali pela segunda vez talvez tenham aprendido algumas lições práticas e tenham providenciado também roupas longas – mesmo sob o sol escaldante – largos chapéus de palha, protetor solar, repelente de insetos, botas resistentes, capas de chuva, aparelhos tocadores de MP3.

Mas boa parte deles estará ali pela primeira vez e, mesmo com os demais sabendo do sofrimento alheio, terão de passar sozinhos pelas provações de seu primeiro campo.

Por incrível que pareça as garotas – em geral mais inteligentes do que os rapazes – gostam tanto dessa experiência quanto eles e chegam em quantidade equivalente. Todas muito meninas, tanto quanto os rapazes (embora alguns exibam vastas cabeleiras e barbas, conquistadas a custo durante seus primeiros anos de curso universitário em humanidades).

Com algum tempo vão aprender também que barbas e cabelos longos tem benefícios e desvantagens. Se estiver sendo atacado por insetos ou sob um sol de rachar mamona a barba e o cabelo vão te proteger e diminuir a área exposta. Por outro lado, o calor será maior e se trombar com um cacho de formigas, carrapatos, micuins ou qualquer coisa que entranhe em seus pelos se arrependerá amargamente de não ter raspado até o último fio do seu corpo.

Pergunto a um deles: O que te fez buscar a arqueologia?

“Nenhuma outra atividade me ofereceria a oportunidade de conhecer lugares tão distantes sem ter de gastar nada, aprendendo e ainda ganhando alguma coisa. Além do mais os campos de arqueologia são o mais próximo que você terá de uma experiência comunitária com gente da sua idade.”

A verdade é que alguém que sobreviva aos dois primeiros anos da arqueologia tem grandes chances de se tornar um grande conhecedor do país e mesmo de lugares mais distantes, como América Latina, Oriente Médio, Grécia. E isso sem ter que depender dos recursos familiares.

Mas há sempre num acampamento de arqueólogos – ou mesmo numa pensãozinha pouco recomendável perdida no oco do mundo – muita gente que foi atraída pelos filmes de aventura. Tesouros, templos escondidos, canibais e coisas do tipo ainda povoam as cabecinhas juvenis de muitos que chegam as salas de aula de arqueologia, mas, mesmo depois de um ou dois semestres de aula, os sonhos não se dissipam totalmente. Nunca vi nenhum destes jovens não ficar absolutamente eufórico diante da escavação de uma urna funerária, de um enterramento. Sem contar os que se dedicam à arqueologia clássica, à egiptologia ou à subaquática, escavando navios afundados, resgatando “tesouros de pirata” (embora não possam ficar com um dobrãozinho sequer).

Eles levantam de manhã, por volta das seis da matina, põem roupa surrada, tomam café, passam protetor nas partes expostas, arruma ma roupa de modo a não deixar espaço para insetos entrarem, tomam um banho de repelente, arrumam a mochila, preparam o lanche, conferem o equipamento pessoal, as anotações, metem o chapéu na cabeça e vão para o transporte coletivo, em geral uma Kombi caindo aos pedaços. Muito tempo sacolejando até o ponto mais próximo da escavação, dividindo espaço com trabalhadores braçais contratados na região, para fazerem o esforço mais bruto. Chegam ao lugar, e então mais uma longa caminhada, que pode durar até hora ou mais. Por volta das oito ou nove da manhã estão finalmente escavando.

 

†Leia o restante da matéria clicando aqui.

 

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Dicas para escolher um bom livro de Egiptologia

 

O Brasil possui um sério problema no que diz respeito a títulos de livros ligados a Arqueologia Egípcia. O nosso país é extremamente inexperiente no ramo e são poucos os títulos escalados para fazerem parte do nosso repertório nacional e para variar, em sua maioria, não são de cunho acadêmico.

Particularmente já comprei livros muito ruins, mas isto é porque me vejo na obrigação de conhecer sobre o tipo de escrita de cada autor, porém nem todos se encontram nesta minha situação e nem podem esbanjar com a compra de livros, afinal, o mercado impresso é muito caro (por sinal isto é uma vergonha) e quando o assunto é Egiptologia a coisa vai para outra proporção, já vi livros com menos de cinco anos esgotados na editora custarem mais de R$1.500.00, o que é um absurdo já que nem se trata de um clássico (por acaso não comprei o material… Claro!). Mas não se assuste, nem todos os livros são caros, já encontrei alguns bons por menos de R$50.00 e a busca em sebos também é uma boa.

 

Existem vários livros sobre Antigo Egito no mercado, mas são poucos os que realmente valem o preço. Foto: Márcia Jamille Costa. 2012.

 

No caso de quem se interessa em seguir a carreira de egiptólogo deve se preparar e investir em sua educação e isto principalmente diz respeito aos seus livros, que são os companheiros inseparáveis dos acadêmicos. Desta forma darei aqui algumas dicas para que você possa escolher livros interessantes e que possam ser utilizados em pesquisas científicas:

 

(1) Pesquise sobre o autor antes de tudo: No que ele é formado? Qual o grau acadêmico? O que tem em seu currículo? Quanto de experiência ele tem no assunto? Tudo isto conta para saber se não é um pesquisador especialista em análise de líticos de Papua Nova Guiné que caiu de paraquedas na Egiptologia ou é um dono de casa que um dia pensou em escrever sobre Antigo Egito;

(2) “Amador” não é arqueólogo ou historiador: É crime assumir uma identidade que não é sua. Se alguém que é só curioso sobre os aspectos do Antigo Egito e se diz egiptólogo formado denuncie, isto é crime. Para se intitular como arqueólogo ou historiador com experiência em Egiptologia ele deve ser formado como tal. Se a pessoa for só uma curiosa deve se apresentar como tal, e não como “Egiptólogo amador”. Por acaso você já viu alguém em sã consciência contratar um “pedreiro amador”, um “mecânico amador”, “piloto amador” ou “ginecologista amador”? Por que com as Ciências Humanas teria que ser diferente?

(3) Pesquise sobre a editora: observe qual a linha editorial que ela adota, afinal, o que ela publica é o espelho do que ela é.

(4) Desconfie sempre dos temas sensacionalistas: Um livro sobre mais uma teoria de qual é a causa da morte de Tutankhamon é um bom exemplo. Os temas sensacionalistas são utilizados única e exclusivamente para vender, eles brincam com a nossa ignorância, o melhor a fazer é ignorá-los e se dedicar ao que realmente é relevante para a sociedade.

(5) Um autor famoso não quer dizer que é um autor bom (ou um cientista bom): ele pode servir para um público amador que está interessado em uma leitura light e sem compromisso com a ciência (ou seja, que quer conhecer um pouco mais sobre o assunto e não necessariamente tornar-se um profissional na área), porém muitos destes livros não vêm com referencias bibliográficas no meio dos textos, o que não possibilita a confirmação do que está escrito. Muitos egiptólogos se dedicam a escrever livros voltados para amadores com o exato fim de apresentar a ciência, porém existem casos de autores que mesmo pertencendo a um corpo de alguma Universidade podem escrever bizarrices (acontece até nas melhores famílias, lembre-se sempre disto).  Em caso de dúvidas sobre a credibilidade do cientista siga o passo (1), pesquise por seu currículo.

(6) Não julgue o livro pela capa… Literalmente: Livros relacionados ao Antigo Egito são uma maquina de gerar dinheiro, desta forma as editoras investem pesado nas capas, porém o conteúdo escrito nem sempre é um dos melhores.

(7) Questione até mesmo os autores citados no livro: o autor pode ser maravilhoso escritor e acadêmico, mas pode ter péssimas escolhas de pesquisadores para citar, e isto não é raro de ocorrer.

(8) Não ponha jamais sua crença/religião acima de tudo: livros relacionados a crenças religiosas jamais devem ser usados como fonte de pesquisa científica a não ser que o seu objetivo seja inferir acerca das pessoas que seguem tais crenças e como elas influenciam a sociedade. Se você for espírita ou segue a seita do E.T. Verde com Cara de Laranja e gosta de comprar e ler livros relacionados a estes temas guarde consigo. Além disto, a ciência moderna não se utiliza de “dados espectrais” como subsídio.       

(9) Desconfie dos livros com muitas imagens e poucos textos: normalmente eles são só um “enche linguiça”. Se não for um catálogo com informações precisas ele é totalmente inútil para um pesquisador… É praticamente um livro de figurinhas.

(10) Não confie na opinião de quem não é da área: esta aprendi recentemente, o que é bom para um editor do New York Times não quer dizer necessariamente que é bom para a Arqueologia. Um dos piores livros de “Egiptologia” que já li foi extremamente elogiado por grandes jornais dos Estados Unidos.

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Um dia trágico não só para a Egiptologia…

 

Há pouco mais de 2.000 anos…

Ilustração fictícia da Biblioteca de Alexandria destruída em 48 a.C por um incêndio provocado pelo exército romano. Fonte da imagem < http://www.baltimoreegypt.org/Library.htm

Quando o general e futuro Imperador de Roma, Caio Júlio César, atracou em Alexandria encontrou uma contenda entre irmãos. Cleópatra e Ptolomeu não se entendiam e nem planejavam reinar juntos. Roma, uma das potencias na época, se viu na obrigação de resolver a situação, porém um acordo justo para ambas as partes estava findado ao fracasso. Tendo Cleópatra caído nas graças do general, Ptolomeu armou uma batalha civil contra a sua irmã/rainha/consorte nas ruas da cidade. Os motins e aglomerações resultaram em um dos maiores incêndios criminosos da capital que culminou na destruição do acervo da Biblioteca de Alexandria na qual acreditamos, por meio de relatos, que possuía todos os tipos de pergaminhos sobre os mais variados temas, inclusive o celebre “História do Egito” escrito pelo historiador egípcio Manetho, o criador da lista de faraós que usamos até hoje.

 

Há pouco mais de uma semana…

L’Institut d’Egypte antes do incêndio. Imagem disponível em < http://cairobserver.com/post/14358165423/destruction-alert-institut-degypte-burned?c98230e8 >. Acesso em 18/12/2011.

Quando os generais do Conselho Supremo das Forças Armadas se posicionaram na liderança do governo provisório do Egito após a queda do presidente/ditador Hosni Mubarak, nem o Exército e nem parte dos civis se entendiam e não mais planejavam trabalhar juntos, assim, semana após semana no Cairo embates entre ambos ocorreram nas ruas da cidade. Os motins e aglomerações resultaram em vários incêndios criminosos e um deles culminou na destruição do acervo do Institut d’Égypte (Instituto do Egito) no qual sabemos que possuía todos os tipos de manuscritos e livros sobre os mais variados temas, inclusive uma cópia da celebre Description de l’Egypte escrito por várias mãos e que é considerada a primeira coletânea de artigos científicos acerca da cultura egípcia. Felizmente o original encontra-se na França, mas muitos dos primeiro trabalhos amplos da ciência Egiptologia que arqueólogos, historiadores, artistas e literatos deixaram para nós sucumbiram nas chamas.  

 

Saque no Museu do Iraque.

Ainda que este espaço de milênios separe ambos os incêndios, a semelhança entre as situações é gritante e nos mostram um quadro alarmante: Embora a queima dos arquivos que ocorreu no dia 17/12 tenha sido terrível, não é a primeira vez que insurreições, motins ou batalhas destruíram parte de um patrimônio em institutos, museus, bibliotecas ou reservas técnicas. Lembremos por exemplo dos ataques dos EUA ao Iraque em que durante as ondas de arrastões em 2003 o Museu do Iraque foi parcialmente destruído e muito do que sobrou em ruínas foi saqueado e ainda ronda no mercado negro de peças arqueológicas. Estima-se que mais de 10 mil peças tenham sumido [1]. Um número consideravelmente assombroso, mas que hoje poucos fazem nota. As duas grandes guerras do século XX também foram palcos de destruição tanto do próprio patrimônio arqueológico como o alheio, assim como o de saques como o ocorrido na Etiópia quando as tropas do ditador Benito Mussolini roubaram o Obelisco de Axum em 1937 durante sua invasão ao país [2]. Outros países da Europa seguiram com sua política de saques e o mais bizarro é que é apoiado por uma parcela da população como um ato nobre para poupar os artefatos da destruição em seus países de origem. Isto é tão nobre quanto um estranho tomar uma criança dos braços da mãe alegando que ela não é capaz de cuidar de seu próprio filho por ser uma mulher pobre proveniente do 3º Mundo. Porém se a criança pertence a uma potencial família violenta a coisa se inverte, no entanto, e se temos somente um tio violento e o restante da família é compadecida com a boa educação da criança? Coisa semelhante ocorre com o Institut d’Égypte: temos em foco a imagem de pessoas se vangloriando pela destruição, mas ignoramos ao tempo todo quem passou horas ou dias tentando recuperar algo em meio ao que foi perdido. Assim o dia 17/12 não foi trágico só para a ciência, nem para os adoradores do passado egípcio acomodados em casa colecionando Wallpapers de pirâmides e ignorando o fato de que existem pessoas fazendo propaganda para a destruição do Cine Belas Artes de São Paulo alegando este ser o símbolo de um passado decadente. O dia 17/12 foi trágico também para os egípcios que têm o seu orgulho intelectual ferido a cada sítio arqueológico saqueado, a cada museu invadido e principalmente pela falta do auxilio do governo em fazer o que é necessário para proteger estes lugares. Durante este ano de 2011 vi mais imagens de egípcios chorarem por uma série de artefatos destruídos do que durante todos os meus anos de graduação em Arqueologia vi brasileiros chorarem pela destruição de parques de grafismos rupestres, pelos fósseis retirados do nosso país e vendidos em leilões internacionais ou pelos saques em nossos sítios arqueológicos submersos. Não quero atirar uma pedra em meus conterrâneos, mas estes são os exemplos mais próximos da minha realidade que tenho, porém ao redor do planeta existem atos peculiares de extremo descuido, a destruição do Palácio de Verão na China é um bom apontamento. Posso fazer um mapa de todos os países que dia após dia destruíram e destroem o seu próprio patrimônio arqueológico, porém somente o Egito atualmente é apontado como um mau exemplo. Resta-nos refletir acerca dos motivos.

 

No Arqueologia Egípcia escrevi sobre o incêndio:

Mais uma perda para a Egiptologia

Alerta: Instituto do Egito queimado

Fotos do que sobrou do Instituto

Boas notícias sobre o Instituto

 

Fonte:

[1] Quanto vale uma obra roubada?. Época. Edição: 9 de março de 2009. São Paulo: Ed. Globo, n º 564.

[2] Quero minha múmia. Veja. Edição: 17 de dezembro de 2003. São Paulo: Ed. Abril.

 

Veja também:

Cine Belas Artes, em SP, não poderá ser tombado

 

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Feliz Natal e a seção de “enigmas das Esfinges”

 

Até o dia 28/12/2011 está aberto o envio de questões para o quadro “Perguntas de final de ano” desenvolvido para o site Arqueologia Egípcia. Ano passado fiz a primeira versão e foi bem interessante responder. Clique aqui e veja quais foram as perguntas de 2010.

Será legal se as questões não forem sobre aspectos da cultura egípcia (Como explicar quem foi o deus Bés, ou quais os nomes de Rá), façam indagações sobre coisas que normalmente não se vê no site, sejam criativos.

Neste link tem um formulário para poder enviar sua questão. Você poderá escrever seu próprio nome ou assinar como “anônimo”.

Aproveito e desejo um feliz Natal (ou um “Mummy Christmas”) para todos os leitores do Arqueologia Egípcia. O meu aproveitei bem comendo muito bolo (tem bolo até na minha consciência agora):

 

After Christmas: Cakes and Sarcophagus (Depois do Natal: Bolos e sarcófagos)!. Foto: Márcia Jamille. Dezembro. 2011.

 

Um feliz e belo Mummy Xmas para vocês!

 

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Ação e reação: qual o motivo de se investir na Arqueologia?

Esta é a pergunta que muitos os quais ouviram falar ou tiveram algum contato com a disciplina já se fizeram em algum momento de sua vida. Mais qual o sentido de investir nela e seus estudos dos acontecimentos do que “já passou”? São varias as respostas, algumas mais satisfatórias que as outras, mas a mais clássica é, sem dúvida alguma, “porque é só estudando o passado que conhecemos o nosso futuro”. Porém é possível melhorar um pouquinho a resposta: porque é estudando estes acontecimentos passados que nós podemos entender muitos dos aspectos do nosso presente.

O que nós somos hoje é conseqüência de algo que ocorreu em algum ponto do passado, e é aí onde entra a nossa ação e reação, mas, diga-se de passagem: em termos de Arqueologia isto pode ocorrer em um espaço de décadas ou centenas de anos. Obviamente estudar a antiguidade egípcia não explica qual o motivo da atual situação social do seu tio ou vizinha, mas traz a luz para muitos aspectos da história das sociedades africanas ou a idealização de algumas crenças religiosas ocidentais. Porém, acreditar que a Arqueologia só trabalha com o “muito antigo” (a lei do “quanto mais velho melhor”) é uma ilusão, afinal, vários dos seus trabalhos mais efetivos estão ocorrendo com sítios ou acontecimentos praticamente contemporâneos, ou seja, a partir do momento que estamos gerando cultura material estamos criando um sítio.

Para finalizar este breve texto, ponho abaixo uma cena interessante do primeiro capítulo da série “Bonekickers” (“Os Escavadores” aqui no Brasil) onde o personagem do acadêmico Dr Ben Ergha (Adrian Lester) explica de forma figurativa a importância do trabalho do arqueólogo:

 

Cara, você sabe o que a história é? São camadas… Os romanos construíram camadas. Os saxões, os medievais, georgianos, vitorianos, sua mãe, minha mãe. Mas nos dias de hoje camadas necessitam de formas para mostrar para você que não está construindo sobre antigas camadas. Então temos que pegar uma amostra… Das camadas.

 

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Caçador de Múmias: 01 – Presa

“Este é o Dr. Zahi Hawass. Egiptólogo e uma lenda. Os amigos de Zahi o chamam de faraó e você vai ver por quê!”, são com estas palavras que Leslie Greif, produtor do programa “Caçador de Múmias” (Chasing Mummies, no original, e produtor também da famosa série “Gene Simmons: Family Jewels” que passa no canal A&E) do The History Channel começa a descrever o arqueólogo, egiptólogo, ex-secretário do Supremo Conselho de Antiguidades do Egito e ex-ministro das antiguidades, Zahi Hawass.

Caçador de Múmias com Zahi Hawass na The History Channel. Imagem divulgação.

 

Veja abaixo o Trailer do programa:

 

 

O programa tinha tudo para ser um sucesso: um famoso arqueólogo que trabalha no Egito seria seguido dia e noite pelas sempre atentas câmeras do canal que filmariam seus passos e estudos, porém, o que era para ser um Reality Show soou como forçado e sem muito sentido, como é o caso das câmeras incrivelmente bem posicionadas em momentos dramáticos. E o Hawass, que corriqueiramente era visto como uma figura carismática entre os seus fãs acabou demonstrando um ar perverso (embora nunca tenha sido ocultado de ninguém a sua fama de esquentado para com os seus funcionários, como foi mostrado no documentário “Zahi Hawass” da National Geographic Channel, que foi produzido e posto no ar faz alguns anos) e equivocado no que diz respeito a como tratar os artefatos arqueológicos.

 

Agora alguém me diz: Quantos arqueólogos apareceram em um Outdoor? O programa “Caçador de Múmias” tinha tudo para ser um ótimo canal para divulgar a Arqueologia, mas já no primeiro capítulo virou piada entre os pesquisadores e alguns fãs da disciplina.

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A criança que um dia quer ser arqueóloga

Dizem que os motivos que te levaram a escolher uma determinada profissão são os mesmos que influenciam nas suas escolhas pelo resto da sua carreira. Talvez isto seja verdade. O que influenciou na minha escolha por querer me sustentar com a Arqueologia só foi um misto de coincidências e afinidade: Quando pequena eu tinha assistido a um documentário sobre os egípcios da era faraônica na escola, era o primeiro que eu via sobre o assunto e simplesmente achei linda a dedicação que os egípcios tinham em manter sua memória para ninguém mais e ninguém menos que… Nós! Mas o que prendeu de fato minha atenção para o documentário foi Tutankhamon e o fato de que alguém tinha se importado com aquele rapaz. Peguei a o VHS emprestado com a professora e o assisti o maximo que pude durante uma semana, quando logo depois saiu a revista Egiptomania que trazia réplicas de pequenas estátuas egípcias onde, por coincidência, foi o Tutankhamon quem veio com a primeira edição.

O motivo que está me levando a comentar isto é que muitos me escrevem relatando que sonham em ser arqueólogos, mas os pais não deixam. Infelizmente a maioria são adolescentes que passaram parte do tempo ansiando por esta profissão e quando estão prontos para prestar o vestibular procuram por outra coisa que acreditam que “dá mais dinheiro”. Isto é muito desolador.

Então fica aqui meu recado para vocês, mas não só para as crianças e adolescestes que visitam o Arqueologia Egípcia, mas para os adultos que acabaram desistindo deste sonho.

Lembrem-se: os motivos que te levaram a escolher uma determinada profissão são os mesmos que entusiasmam nas suas escolhas no percurso de sua carreira, mas esta decisão é muito mais importante do que podemos imaginar, já que esta é a decisão que vai refletir e definir a sua vida.

Abaixo o documentário que influenciou na minha escolha de seguir a Arqueologia:

 

 “A primeira coisa que viram foram aqueles enormes tronos de cerimoniais, aqueles em forma de touro e de tigre com as incrustações de vidro azul ainda intactas. Ninguém jamais vira nada semelhante nem aqueles relevos e pinturas no túmulo, na parecido.” (Thomas Hoving no documentário “Em busca do Egito imortal” da Discovery Channel)

 

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