Ação e reação: qual o motivo de se investir na Arqueologia?

Esta é a pergunta que muitos os quais ouviram falar ou tiveram algum contato com a disciplina já se fizeram em algum momento de sua vida. Mais qual o sentido de investir nela e seus estudos dos acontecimentos do que “já passou”? São varias as respostas, algumas mais satisfatórias que as outras, mas a mais clássica é, sem dúvida alguma, “porque é só estudando o passado que conhecemos o nosso futuro”. Porém é possível melhorar um pouquinho a resposta: porque é estudando estes acontecimentos passados que nós podemos entender muitos dos aspectos do nosso presente.

O que nós somos hoje é conseqüência de algo que ocorreu em algum ponto do passado, e é aí onde entra a nossa ação e reação, mas, diga-se de passagem: em termos de Arqueologia isto pode ocorrer em um espaço de décadas ou centenas de anos. Obviamente estudar a antiguidade egípcia não explica qual o motivo da atual situação social do seu tio ou vizinha, mas traz a luz para muitos aspectos da história das sociedades africanas ou a idealização de algumas crenças religiosas ocidentais. Porém, acreditar que a Arqueologia só trabalha com o “muito antigo” (a lei do “quanto mais velho melhor”) é uma ilusão, afinal, vários dos seus trabalhos mais efetivos estão ocorrendo com sítios ou acontecimentos praticamente contemporâneos, ou seja, a partir do momento que estamos gerando cultura material estamos criando um sítio.

Para finalizar este breve texto, ponho abaixo uma cena interessante do primeiro capítulo da série “Bonekickers” (“Os Escavadores” aqui no Brasil) onde o personagem do acadêmico Dr Ben Ergha (Adrian Lester) explica de forma figurativa a importância do trabalho do arqueólogo:

 

Cara, você sabe o que a história é? São camadas… Os romanos construíram camadas. Os saxões, os medievais, georgianos, vitorianos, sua mãe, minha mãe. Mas nos dias de hoje camadas necessitam de formas para mostrar para você que não está construindo sobre antigas camadas. Então temos que pegar uma amostra… Das camadas.