Péssima notícia: O governo brasileiro quer tirar as Ciências Humanas do “Ciências sem Fronteiras”.

Em resumo eles alegam que as Ciências Biológicas e Exatas são mais úteis para o desenvolvimento do nosso país, desta forma, não existe problema algum em retirar as Humanas. Entre as ciências que estão dentro das “Ciências Humanas” está a Arqueologia.

O “Ciências sem Fronteiras” concede bolsas que auxiliam financeiramente em estudos no exterior. Muitos dos alunos brasileiros de Arqueologia já não conseguem facilmente auxílio de instituições de fomento para escavar ou estudar fora do país e agora o governo nos aparece com esta novidade. Isto é um grande retrocesso, principalmente no que diz respeito a se fazer ciência.

O engraçado é que na hora de tomar o crédito de uma pesquisa os nossos governantes são os primeiros a anunciar “Um brasileiro escavando no país ‘x’” ou “Cresce o número de brasileiros Doutores com formação no exterior”, mas quantos destes alunos precisaram contar com o velho apoio de familiares, enquanto o governo vira as costas?

Na matéria é dito em um momento que existe mais demanda nas Ciências Humanas do que nas demais ciências, mas a meu ver, principalmente no que diz respeito a outros casos de arqueólogos que vi por aí, creio que isto tem relação com a forma como o governo trata as Ciências Humanas: como algo inútil, irrelevante.

Será que o governo acredita que medimos “buracos”, separamos peças “velhas”, caminhamos horas fazendo entrevistas com moradores, passamos semanas em sítios que raramente tem um banheiro decente, trabalhamos com pessoas com línguas e/ou discursos ideológicos diferentes só por pura diversão? Ou que é divertido para nós alunos e para os nossos professores pagarmos nossos campos com o dinheiro do nosso próprio bolso?

Creio que para o governo fazemos quadriculas em Arqueologia porque achamos que assim o sítio fica mais bonito, já que a nossa ciência não é relevante para o país. – Imagem meramente ilustrativa. Sítio Corded Ware. República Checa. Imagem disponível em < http://www.diggingthedirt.com/2012/06/20/archaeology-side-bar-of-shame/ >. Acesso em 22 de dezembro de 2012.

 

Não sei até que ponto esta medida será maléfica para a Arqueologia, mas vendo o desdém que o nosso governo tem por nós e por nossas pesquisas, não estou muito otimista.

Link da notícia: Ciências humanas sem vez: Governo briga para excluir área do programa Ciência sem Fronteiras e sofre críticas. disponível em < http://oglobo.globo.com/educacao/ciencias-humanas-sem-vez-7121547 >. Acesso em 22 de dezembro de 2012.

Gente famosa morre de “maldição da múmia”, eu pego resfriado!

Depois de publicar o último texto sobre a minha dissertação parece que milagrosamente encontrei um livro perdido aqui em casa que me auxiliou a dar continuidade. Não é 100%, mas já foi uma boa evolução, me encontrar com o meu orientador também foi extremamente esclarecedor e após falar com ele fiquei olhando o esquema da minha dissertação e pensando que se eu tivesse conversado antes muita coisa teria fluído mais facilmente.

A pesquisa retornou como dizem “indo de vento em popa”, mas contraí mais um resfriado (tive um na penúltima semana de novembro) e exatamente hoje completei uma semana doente e avançar na dissertação que é bom? Nada! Também deixei de publicar no Arqueologia Egípcia (tanto site como a página no Facebook).

Que coisa mais desagradável é um resfriado.

É terrível, por mais que nos programemos sempre tem algo que pode dar errado, mas tudo bem, antes resfriado do que tifo. Felizmente não preciso pegar campo ao contrário de alguns colegas, pensem bem, meu imprevisto não é nada comparado com o de um ou outro que tem que esperar liberação para a escavação (qualquer intervenção arqueológica no solo precisa de autorização legal do IPHAN – para o Brasil -).

Hoje foi o dia de separar algumas informações acerca do valor da água – no sentido simbólico e político – para os egípcios faraônicos. Este é um assunto interessante, embora eu nunca tivesse imaginado que chegaria a abordá-lo, na verdade em princípio estas observações eram irrelevantes para mim.

Homem utilizando um "shaduf" para retirar água de um canal para uma residência.

Para uma população que vive no meio do deserto a água é um bem extremamente precioso, mas no caso do Egito em alguns momentos o ambiente aquático chegou a ser humanizado, além de ser um espaço para a interação social. É um tema bem fascinante.

Hoje já é 16/12, espero mesmo melhorar logo.