Ainda acerca dos manifestos

Continuando o texto que escrevi na semana passada, resolvi por aqui praticamente na integra uma mensagem que deixei no mural do meu Facebook e que acredito ser relevante também para vocês. É uma breve explicação sobre o que é ser “politizado”, termo que o pessoal está usando muito de forma equivocada. Por exemplo, tem gente que acha que ser politizado é distribuir santinhos de políticos em época de eleição. Segue o texto:

Protesto em Aracaju. Autor desconhecido. 20 de junho de 2013.

Protesto em Aracaju. Autor desconhecido. 20 de junho de 2013.

Ser politizado não deve se resumir a quem vamos dar o nosso voto futuramente, mas se empenhar em tentar entender o nosso contexto social.  Até mesmo o interesse repentino de muitos usuários em procurar ler textos na internet ou ver vídeos para saber por que das manifestações é se politizar.

É tanto que bem no início do texto da semana passada eu mencionei o comentário de uma certa mídia que de fato não quer que sejamos politizados, só que separemos “manifestantes pacíficos que estão construindo uma grande festa” dos “Manifestantes perversos que estão manchando a cara da festa” e que no final não pensemos muito em compreender nossas relações sociais, ou seja, as relações de poder.

Na verdade quando as pessoas insistem em não serem politizadas (ou seja, que abram um debate para questionar porque tudo está do jeito que está) só viram um bando de bolas de bilhar jogadas de um lado do outro. No final todos se cansarão e voltaremos para casa para curtir mais um carnaval.

O que me preocupa nestas passeatas e me inspirou a escrever o texto explicando os termos são os gritos de “Sem partidos” terem surgido, claro que eu sou contra ao pessoal que aproveita o bonde para tentar se candidatar, mas fiquei sabendo que atacaram pessoas de grupos de esquerdas sem saber do que se tratavam. Assim, eram aquelas pessoas que ficavam fazendo passeatas por melhorias de vida enquanto ficávamos (vírgula, porque sou a favor de passeatas, mas como expliquei no texto até então não tive nem a decência de participar de uma) acomodados navegando na internet ou assistindo TV reclamando daqueles “vagabundos” que estão atrapalhando o trânsito.

Protesto em Aracaju. Autor desconhecido. 20 de junho de 2013.

Ótima mensagem no protesto ocorrido em Aracaju. Autor desconhecido. 20 de junho de 2013.

Não sou muito de assistir TV aberta e nem de ler matérias de jornais e revistas de grande circulação, mas creio (olhando o Facebook) que a concepção que as pessoas possuem de se “politizar” é de ter que se filiar a um partido político e andar com a carteirinha de ingresso na carteira e não é isto. É você dar as caras, mostrar que sabe quais são os seus direitos e deveres como cidadão e exigir que estas coisas sejam cumpridas. Por isto que é uma contradição a pessoa comentar que não é politizada, mas está participando das passeatas com afinco ou realizando o cyber-ativismo.

Agora sabem a caca que deu agora? Muitos integrantes de grupos organizados de Esquerda estão abandonando os protestos, isto porque tudo se resumiu a usar a máscara do Guy Fawkes, se enrolar na bandeira do Brasil e sair gritando variedades de coisas. Não estou criticando o Anonymous, na verdade eles estão ajudando muito, estou criticando alguns que os seguem e que estão perpetuando discursos reacionários (que anulam mudanças sociais), usando toda esta subjetividade que foi criada em prol do seu próprio discurso. Nesta brincadeira grupos a favor da conservação da pobreza, contra o direito da mulher, contra a inclusão de negros na Universidade (e sociedade no geral) estão aproveitando toda a situação. Daí quando você não é politizado não sabe nem sequer identificar um reacionário abraçado na bandeira nacional. Por exemplo, alguém que usa a frase “Sou nacionalista” pega muito mal, discursos nacionalistas têm sido utilizados inúmeras vezes contra a integridade de estrangeiros ou pessoas que não seguem a religião oficial. Ou a “Deus, pátria e família”, esta frase de fato foi utilizada aqui no meu estado por um reacionário que é contra o casamento gay, um homem/garoto que participa de um grupo de ódio que tenta perpetuar que a mulher é só um pedaço de carne para o deleite sexual do homem e um depósito para crianças, cujo prazo de validade é até os trinta anos ou menos.

Protesto em Aracaju. Autor Infonet. 20 de junho de 2013.

Protesto em Aracaju. Autor Infonet. 20 de junho de 2013.

Foi basicamente isto o que escrevi no Facebook, mas devo complementar com mais algumas informações: Estou feliz por saber que muitos professores, não só de História, estão dando aulas sobre protestos tanto no Brasil, como no mundo. Espero que estejam ensinando para os alunos acerca da origem de alguns termos. Comentei em meu texto anterior sobre uma escola em que estudei e coincidentemente semana passada vi uma mensagem sendo veiculada denunciando que outra escola, onde cursei o Ensino Médio, demitiu um professor que estava dando uma aula sobre as manifestações. Sua demissão causou comoção entre alguns pais que ficaram revoltados.

Dentre muitas notícias tristes que andei lendo algumas foram acerca das agressões verbais e sexuais contra algumas mulheres. As manifestações estão virando um imenso palco para a misoginia (desprezo contra indivíduos do sexo feminino) praticada por alguns policiais e por civis, pessoas que aproveitam os distúrbios das manifestações para agredir especificamente mulheres. E isto deve ser levado muito a sério.

Para variar denuncias de distúrbios orquestrados então se espalhando, ou seja, pessoas que se reúnem exclusivamente para causar transtornos nos protestos. Por tanto, sempre tentem filmar estas cenas de violência ou vandalismo (mas procurando sempre manter a sua segurança, claro), elas podem ajudar a identificar infratores e até mesmo estes grupos de que focam realizar os distúrbios orquestrados.

Uma pausa para os manifestos

Fui ao protesto do dia 20 de junho (2013) em minha cidade, foi lindo, mas algo me incomodou profundamente: a maioria esmagadora não era politizada e trataram, em parte, as manifestações como “uma grande festa”, como um determinado veículo de imprensa “x” andou difundindo.

Caros, isto não é uma grande festa, esqueçam isto, é uma oportunidade de mostrar que o povo tem o poder em exigir mudanças. Porém o rumo em que as coisas estão seguindo é bem preocupante.

Protesto em Aracaju. Autor desconhecido. 20 de junho de 2013.

Protesto em Aracaju. Autor desconhecido. 20 de junho de 2013.

Vamos primeiramente ao problema das ideias de Esquerda e Direita, duas palavras que provocam desconforto em muitas pessoas, mas que não deveriam. De uma forma geral e simples estas duas palavras definem o seu tipo de pensamento político, inclusive no que diz respeito ao nosso lado ético: ser de Esquerda é pedir por direitos iguais, ser de Direita é totalmente o contrário.

A Esquerda é definida pelas lutas sociais, ou seja, direitos iguais entre gêneros e etnias (estou sendo bem simplista aqui). É constituída por aqueles (as) que procuram não deixar que uma classe absorva seus lucros em cima do bem estar de um grupo social.

A Direita é definida pela a exploração de classe e a imposição de valores. Onde um pequeno grupo controla de forma opressiva um grupo totalmente maior e menos instruído.

A Direita não gosta de protestos, isto é histórico.

Ou seja, se você está participando dos protestos em razão dos motivos abaixo [1]:

(1)    Aumento abusivo das passagens de ônibus em todo o Brasil;

(2)    A ausência de hospitais e escolas enquanto estádios luxuosos estão/foram edificados;

(3)  As propostas de investimento do dinheiro público em projetos que visam ideais de uma determinada religião, o que não condiz com o que se espera de um país que se diz laico;

(4)    O desrespeito ao piso salarial de alguns profissionais enquanto senadores e deputados votam, sem nenhum pudor, o valor dos seus próprios salários;

(5)    As taxas absurdas de vários serviços públicos que são extremamente deficientes.

Parabéns, você tem ideais de Esquerda.

Agora ser esquerdista não quer dizer que você tem que levar a culpa porque tem político que se diz de Esquerda fazendo merda por aí.

Já notei que algumas pessoas têm asco ao escutar a palavra “de Esquerda”, talvez seja devido a uma atitude reacionária do próprio indivíduo ou desconhecimento mesmo do que “ser de Esquerda” significa.

Eu já tive meu pensamento equivocado sobre o que seria ser “de Esquerda”, afinal, na minha escola, ao lado do Hino Nacional, aprendi que ser esquerdista é ser anarquista, vândalo, pobre cretino e subversivo, mas ninguém explicava a origem destes termos e o que de fato insinuavam.

Não estou aqui para ajudar na submissão de um (a) político (a) “x” ou “y”, mas para explicar no que implicam estas palavras.

Só para vocês terem uma ideia: até mesmo a oportunidade de escrever em um site sem ter que depender de uma “Grande Mídia” para revisar os assuntos que repasso para vocês pode ser considerado um juízo de Esquerda (ok, exagerei um pouco). O próprio Anonymous é um grupo de Esquerda, isto não quer dizer eles (as) possuem intenções de concorrer a algum cargo na política.

Foram graças aos conceitos de Esquerda que, por exemplo, o ex-presidente/ditador Mubarak foi retirado do poder no Egito e que os estrangeiros começaram a serem tratados com dignidade nos Estados Unidos.

 

E qual o motivo de estar escrevendo isto aqui:

Primeiro porque sou uma cidadã brasileira e o mínimo que quero é ser tratada com respeito. Como muitas pessoas estive na beira do conformismo: os impostos aumentam cada vez mais, assim como o valor de vários produtos do nosso dia a dia e eu acreditava, mesmo conhecendo vários exemplos históricos, que ou pagava ou ficava sem nada.

Eu, na minha imensa cara de pau, auxiliei com o cyber-ativismo a repassar mensagens dos protestos no Egito e até traduzindo alguns acontecimentos para o português, mas em relação ao Brasil eu até que fazia alguma coisa, mas nunca fui a nenhuma passeata contra o aumento das passagens, contra o salário abusivo de políticos, contra a ausência do aumento do salário dos professores ou mesmo contra o direito de ir e vir das mulheres… Nem isto!

A minha ficha só caiu definitivamente quando mais uma vez as tarifas dos ônibus tinham aumentado. Moro atualmente em Aracaju (a qual também é minha cidade natal) e não estou brincando quando digo que aqui é uma cidade pequena. Há muito tempo atrás nossa passagem foi inferior a R$1,00. No inicio do ano foram R$2,25, atualmente naturalmente são R$2,45 (até ontem paguei este valor, não sei se reduziram hoje). Mas não acaba por aí! A Universidade em que eu estudava é no interior, e era outro valor que também aumentou. Ou seja, eu pagava uma passagem na cidade e outra para chegar ao interior. No início do ano eram R$2,10, atualmente são R$2,30, se não me engano. Agora somem estas passagens ida e volta.

Ou seja, no início do curso eu pagava todos os dias R$8,70 para estudar. No final eu comecei a pagar R$9,50. Como no início eu ia todos os dias eu tinha que pagar toda semana R$45,50, fora a minha alimentação.

Para variar, se vocês acham que os ônibus de São Paulo e do Rio de Janeiro são uma sucata, é porque definitivamente não chegaram a ver os de Aracaju. São vergonhosos.

Para mim o fim foi ao observar um dos nossos principais terminais de ônibus em um dia de chuva. Tinha tantos buracos no teto que era melhor retirá-los logo se não era para proteger ninguém da água. No mesmo instante olhei para as pessoas e todos com um olhar conformado como se tudo aqui fosse “normal”. Não mentirei, eu fiquei revoltada.

Por isto eu peço para você que teve a paciência de ler este post até aqui que se for para a rua para protestar que seja com firmeza e com vontade de mudar algo na nossa nação. Também tentem não agredir os grupos de Esquerda, eles têm feito muito coisa enquanto o Gigante esteve dormindo. Eram eles que iam para as ruas protestar enquanto ficamos, como diria o Raul Seixas, sentados “com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”.

1 a 1 a a a a pro brasil acordou

E por favor, não tratem as manifestações como uma festa, porque não é! É coisa séria! Eu sei que é divertido tirar fotos para por no Facebook – o que não condeno, tem que por mesmo! Especialmente porque este é um feito histórico -, mas não deve se resumir a isto.

Outra coisa, impeachment não irá resolver. Olhem bem para trás, depois do nosso primeiro impeachment, quantos presidentes escolhidos de forma democrática resolveram nossos problemas mais básicos? Fora que está ocorrendo esta vontade por um impeachment sendo que ninguém lembra que existem pessoas no Senado que jamais deveriam estar lá.

Antes que alguém venha dizer que sou a favor da Presidenta Dilma e blá blá blá eu só escrevo uma coisa: Ela está ferrando com a Arqueologia. E é ferrando em vários sentidos. Este “progresso” dela tem passado por cima de muito sítio arqueológico. A coisa é uma loucura!

Mas eu não quero que ela seja retirada, da mesma forma que não quero isto para o Morsi no Egito, mas não é por simpatia (já perdi alguma simpatia por políticos faz tempos), é porque nossos presidentes precisam levar a sério as nossas necessidades, todos têm governado quase que totalmente de acordo com o que uma minoria quer. Fora que os brasileiros andam procurando por um messias da política, o que só mostra a nossa imaturidade nesta questão.

Nesta brincadeira os protestos estão se resumindo a isto:

1004433_626592324020756_79908571_n

Um Gigante sem foco algum.

O que me deixa feliz é que em detrimento do “oba oba” tem muita gente debatendo e procurando soluções, alguns (mas) que eu nem sabia que se interessavam por política aprenderam vários termos e não saem por aí gritando tal qual um cão enfurecido pagando de idiota.

Fazem tempos que o nosso país está uma bagunça. Isto é fato! E nós não estamos ajudando muito com a nossa falta de foco nos protestos. Estou até com medo que palavras como estas deste pai sejam esquecidas:

Ou que nos conformemos em ligar a TV nos finais de semana para ver o sonho de alguém em ter uma casa só ser resolvido por algum apresentador famoso.

 [1] Na verdade são tantos problemas que é difícil até escolher algum para listar.

(Jogo) Grand Fantasia: Ilha Siwa

Vocês são capazes de reconhecer este nome? É desta forma que um dos oásis egípcios é atualmente chamado, o Siwa, o mais distante do Nilo e para onde Alexandre Magno (356 – 323 a. E. c.) foi buscando aprovação do oráculo de Amon para governar o Egito tal qual um faraó.

A imagem abaixo pertence ao jogo Grand Fantasia, cujo primeiro mapa é nesta ilha. Além desta relação entre os nomes, o que chamou minha atenção foi uma leve coincidência: na minha conclusão de curso um dos métodos de análise que utilizei foi a comparação do “isolamento” dos oásis líbios (ou seja, os egípcios) com ilhas oceânicas.

 

Entrada da Ilha Siwa. Print: Márcia Jamille. 2013.

Entrada da Ilha Siwa. Print: Márcia Jamille. 2013.

 

Mas se querem saber do jogo: trata-se de um MMORPG online, ou seja, não interessa o que você estará fazendo, sempre existirá muita movimentação próxima e pessoas querendo duelar, falando besteira ou procurando uma namorada, neste até me surpreendi, existe um mural e lá tinha um recardo de um char pedindo por uma. Em relação a jogabilidade ela é bem enfadonha, achei um dos aspectos mais tediosos, o (a) jogador (a) precisa decorar os comandos do teclado que não são nada difíceis, mas quando se está acostumado com comandos primordiais no mouse e skills no teclado você se perde um pouco.

Quando baixei o jogo, que por acaso é gratuito, fiquei interessada no gráfico que lembra um pouco Tales of the Abyss, a diferença é que o impacto inicial é de tantas cores vindas do chat e do mural de quests que você se sente como se estivesse voltado uns dezessete anos no tempo e aberto um site no Windows 98. Depois seus olhos se acostumam.

Se quiserem um pouquinho mais de Egito, aparentemente existe um lay do jogo que possui uma figura baseadas no Egito Antigo (imagem abaixo), mas não cheguei nem a ver, no mesmo dia em que baixei o desinstalei. Como escrevi anteriormente não gostei muito da jogabilidade e além disto não consegui ver diversão em matar monstros com nomes do tipo “Siri Sorridente” (ou era “risonho”), era no mínimo perturbador. Porém, infelizmente desinstalei o jogo sem tirar um print da minha personagem que, em detrimento da roupa (que lembra a de uma colegial), consegui fazê-la em uma versão “egípcia”, dei para ela então o nome de Nwt e para o animalzinho guardião dela dei o nome de Geb… Ok, é que estou em meu momento ocioso gente, posso fazer isto.

 

Grand Fantasia. Imagem disponível me . Acesso em 02 de Junho de 2013

Grand Fantasia. Imagem disponível em < http://clube-de-jornalismoo.blogspot.com.br/2013/04/guia-emissarios.html >. Acesso em 02 de Junho de 2013

 

P.S: Caso algum de vocês acabe baixando o jogo me avisa, eu o reinstalo e montamos a guilda “AEgípcia” para “tocarmos o terror” em Siwa. 😀 … Ok, brinquei agora, não tenho mais interesse neste jogo.