Feliz dia Internacional das Mulheres!

Eu planejava escrever um post acerca das mulheres da antiguidade e do passado recente cuja existência foi “manchada” pela historiografia, mas que nos dias de hoje são frutos de debates e em alguns casos de homenagens, como está sendo com a Hipátia, cujo caso citei ano passado neste mesmo dia na página do Facebook. Mas como ocorreu um incidente triste na minha família, não pude me dedicar de forma ampla ao tema. Mesmo assim eu não poderia deixar este dia passar em branco. Não mesmo! E sabe o motivo? Neste dia em vez de olharmos umas para as outras e relembramos nossas conquistas, de refletirmos sobre o “silêncio” que foi imposto ao nosso gênero seja por movimentos políticos ou religiosos ou pela discriminação contra mulheres que ainda existe (e de forma nada velada) e os crimes de misoginia que são tratados como casos comuns, estamos nos preocupando em trocar flores e cartões ou palavras com frases usualmente sexistas. Isto é triste.   

Ahmes-Nefertari, Tiye, Nefertiti e Hipátia de Alexandria.

Hoje temos mulheres jornalistas, pilotos, âncoras, astronautas, reitoras, escritoras, etc, mas é necessário muito mais! Isto porque mulheres em algumas atividades ainda são vistas como uma excentricidade e quando obtemos sucessos usualmente somos julgadas por nossa aparência.

Boudica, Hua Mulan, Tomoe Gozen e Emilia Plater.

Quantas (os) de nós somos filhas (os) de mães solteiras? Quantos de nós já vimos as nossas mães sofrerem algum tipo de violência verbal ou física? Quantos de nós, na inocência da nossa infância, vimos nossas mães se debruçarem sobre o emprego na esperança de dar um futuro para nós e mesmo depois de voltar de um trabalho injustamente remunerado (ainda existem muitas profissões em que mulheres recebem bem menos que homens, felizmente a Arqueologia não é uma delas) e ainda têm que exercer trabalhos domésticos?

Muitos podem não saber, mas cada uma destas mulheres – nossas avós, mães, irmãs, primas -, dia após dia, de alguma forma fizeram história na sociedade ocidental. É um fato pouco conhecido, mas nos EUA, por exemplo, com a exigência de direitos ao trabalho e estudo para mulheres, casos de assassinatos e estupros contra este gênero eram utilizados pela imprensa como propaganda contra a liberdade de ir e vir. Mas muitas destas moças se negaram a parar de trabalhar e a estudar e graças a elas hoje posso escrever aqui, pude entrar em uma Universidade, tirar meus títulos e trabalhar.

Leymah Gbowee, Sampat Pal Devi, Aung San Suu Kyi e Malala Yousafzai.

Mas muitas delas não esperavam mudar o mundo, não achavam que tinham esta força, mas foram sonhadoras, como muitas de nós. Por isto temos que agradecer a elas, moças do passado e do presente, porque a cada centelha de consciência e mudança da nossa atual condição é um grande passo para a nossa humanização.

Neste dia eu não quero flores, não quero cursos de maquiagens, não quero um especial de filmes intitulados “TPM” (obrigada Telecine pela mancada!), não quero ser chamada de rainha do lar, o que eu quero é um aperto de mão e ser chamada de colega, amiga e ter o direito de manter a minha integridade.

 

[Vídeo] Livro “Tutankhamun” de Jaromir Malek [Comentários]

Finalmente vídeo novo! Estou aí dando o ar da graça após uma noite com febre. Desta vez não ocorreram erros de gravação… Além de ter dito “Médio Império” e não “Novo Império”. Como estou com o tempo um pouco mais apertado não irei fazer a resenha deste livro, mas em breve ela estará disponível lá no A.E., e com mais imagens deste material.

 

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