A maldição das maldições

Comentei recentemente aqui sobre o meu segundo livro, Tutankhamon, 1922 e o Vale dos Reis. Como alguns de vocês bem sabem ele já está praticamente pronto deste 2013 e este ano fiz algumas revisões em alguns assuntos. Entretanto nas últimas semanas resolvi realizar a adição de um novo capítulo cujo tema é a famosa “maldição de Tutankhamon”.

“O medo da maldição dos faraós leva nobre idoso para a morte”

Já cheguei a comentar em entrevistas e no próprio Arqueologia Egípcia sobre o fascínio causado pelo assunto. Independente de qual o nível de interesse pelo o Antigo Egito, qualquer pessoa provavelmente já conhece o mito. Contudo, por levar somente em consideração que a lenda da maldição só se alimenta da curiosidade frívola, em 2013 a julguei desnecessária para o conhecimento arqueológico, ou seja, a deixei de fora do material, mas atualmente, depois de uma breve ponderação, resolvi inclui-la no livro.

Confesso que foi ridículo ter acreditado que seria um tema banal, justamente esse relacionado tanto com as práticas orientalistas como com a egiptomania (se bem que é difícil dissociar uma coisa da outra), mas amadurecimento acadêmico é assim, gradual.

Tutankhamon. Foto: Harry Burton.

Conhecer sobre como foi criada e como se desenvolveu a “maldição de Tutankhamon” nos auxilia a entender muito dos aspectos que o senso comum costuma associar com a antiguidade egípcia. Imaginem que se os jornais não tivessem inventado e propagado a estória da maldição não teríamos nenhum dos filmes de terror/aventura clássicos tais como “A Múmia” de 1932 ou “A Múmia” de 1999 (um reboot do de 1932). Ou mesmo as populares fantasias de Halloween.

“A Múmia” de 1932.

Estou muito feliz por ter notado a importância da inclusão deste capítulo a tempo. Imagino que o meu livro ficaria bem vazio se eu não resolvesse tecer uma análise sobre o fenômeno do “mau agouro” que teria matado aqueles que tiveram algum envolvimento com as pesquisas realizadas na tumba do faraó Tutankhamon. Sinceramente fiquei bem satisfeita com o resultado e vou confessar que até olhando a lista de mortes no fundo quase acreditei que o falecimento daquelas pessoas realmente estavam associadas ao faraó. Mas acho que faz parte do deslumbre acreditar que de alguma forma os deuses egípcios ainda estão com seus olhos vigilantes de olho na modernidade.

Clube do livro + reunião de blogueiras (os): especial Bruna Vieira

Pois é, meu último sábado foi bem agitado. Quem me acompanha pelo meu instagram (@marciajamille) ficou sabendo que no dia 18/10 fui para o clube do livro da Fun Party, cujo tema foi a autora Bruna Vieira. Lá também rolou a reunião de blogueiras (os) que ocorreu na Livraria Saraiva do Shopping Riomar.

Os leitores que compraram o meu livro Uma viagem pelo Nilo verá que eu cheguei a usar uma citação da Bruna Vieira para ilustrar o capítulo 06, onde comento acerca dos sonhos e dificuldades de alguns alunos em tornarem-se egiptólogos. Coincidentemente no mês passado ela veio para a cidade em que moro para lançar o livro dela e logicamente fui para conhecê-la pessoalmente. Exatamente um mês depois foi realizada esta reunião literária e ela foi o foco.

Como cheguei meia hora atrasada aproveitei para passar um tempo no Café Feito a Grão, já que ouvi falar muito bem de lá e nunca me dignei a ir. Rolou até uma situação engraçada porque vi na internet que eles fazem desenhos especiais no capuccino à grão, o que me deixou louca de vontade de comprar um com um tema egípcio, claro! O problema é que o cozinheiro responsável pelos desenhos não foi justamente naquele dia, mas a garçonete prometeu que iria tentar fazer um cachorrinho para mim… Ok… Cachorrinho… Anúbis… Dava para enrolar. Entretanto, quando chegou senti a confusão ao tentar entender o que era o tema da ilustração. Cachorro com certeza não era:

A photo posted by @marciajamille on

Para quem imaginou que poderia ser um dinossauro eu também pensei que poderia ser, mas não, é um beija-flor tá! O resultado foram boas gargalhadas, sem maldade.

Finalmente com a barriga cheia fui para as reuniões, que já estava na parte em que cada blogueira (o) estava se apresentando. Daí só foi muita rizada o resto da tarde começando da hora em que me apresentei: as reações foram no mínimo interessantes, com direito a eu me levantar para mostrar minhas tattoos para o pessoal.

Seguidamente fui sorteada para participar do quiz sobre dois dos livros da Bruna Vieira da série “Meu primeiro blog” e acertei a maioria das perguntas, mas ao errar uma fui desclassificada.

Foto retirada do blog Leitura 3D

Foto retirada do blog Ta Permitido.

A garota que me substituiu venceu a competição e ganhou uma camiseta personalizada com temas dos livros. Não sou uma má perdera, mas eu deixei claro que ia postar uma foto dela para vocês, meu queridos leitores e leitoras, encherem a casa da moça de gafanhotos e rãs. Fiquem a vontade, por favor!

Depois ocorreram sorteios e eu ganhei uma ecobag do blog www.tapermitido.com em parceria com o www.trajetoaleatorio.com.br, justamente a que eu queria, já que a alça dela lembra uma estampa de leopardo e sabe como é né… Vou usá-la para dizer que faz parte do meu seten. Estão pensando o quê? Moda egípcia faz sucesso até hoje!

Só acho que eu devia ter disfarçado mais minha felicidade…

E rolou também pose a la egípcios com a bolsa do Ta Permitido e do Trajeto Aleatório:

Sinceramente achei que eu e o Arqueologia Egípcia íamos ficar deslocados, mas preciso reiterar o que comentei no Instagram, que o pessoal foi muito carinhoso e simpático comigo.

E conheci até uma Ísis lá, com direito a colar e tattoo de Ankh (cliquem porque vocês precisam ver a foto das tattoos):

A jornalista mais louca (no sentido bom) que já conheci:

E estes fofos. A garota chama-se Jamille também:

Já fiquei sabendo que existem até vídeos… Inclusive do meu quiz. Nossa, eu espero não ter dito muito palavrão…

Quem organizou a reunião foi a Fun PartyBangerz Conteúdo Criativo e os blogs Amantes por Livros, Trajeto Aleatório e Ta Permitido.

As demais fotografias sem legendas foram tiradas por mim e pela Márcia Sandrine.

Lançamento de livros sobre o Antigo Egito: Christian Jacq e Tutancâmon

Caça ao Homem: A Vingança dos Deuses – Vol.1 (Christian Jacq)

Quando Kel, um jovem e promissor escriba do escritório de intérpretes, descobre que seus colegas de equipe foram misteriosamente assassinados, seu pânico é geral. Em desespero, ele foge do prestigioso local com um documento codificado, sem desconfiar que isso pode fazer com que ele se torne o principal suspeito de um grave caso de Estado. Para piorar, o Egito está num momento crucial de sua história. O beberrão e preguiçoso faraó interessa-se apenas pela Grécia e não vê crescer em suas fronteiras a preocupante ameaça dos persas. Nesse clima deletério, alguém maquinou um plano contra o jovem Kel. Sozinho e perseguido pela polícia do reino, ele precisa decifrar o código do misterioso papiro para provar sua inocência. Suas possibilidades de sair vivo da aventura parecem ínfimas. A menos que os deuses finalmente o ajudem! (Sinopse:Cia dos Livros)


Tutancâmon (Nick Drake)

Com apenas 18 anos, o jovem rei Tutancâmon está disposto a pôr um fim à instabilidade política do Egito. Ao lado da esposa, a rainha Ankhesenamon, ele é o herdeiro de um império que deveria estar no auge de seu poder e glória, mas sofre com guerras e conspirações internas. Porém, o plano de reafirmar a autoridade de sua dinastia fica seriamente ameaçado quando “presentes” bizarros começam a aparecer no Palácio Real. Agravando ainda mais a crise, vários corpos brutalmente mutilados são encontrados nos arredores da cidade de Tebas. Para investigar esses estranhos eventos, o experiente detetive Rahotep é convocado pela rainha. Mas, quando as conexões entre os crimes o levam a descobrir segredos no obscuro coração do poder, a vida de Rahotep e de todos a quem ama serão colocadas em grande risco (Sinopse: Livraria Travessa).

MEU COMENTÁRIO: Eu já tenho o primeiro livro da série, que é o “Nefertiti” (e que por sinal me custou o olho da cara), não o li todo, mas por enquanto estou gostando. Irei comprar com certeza o “Tutankhamon”.

Conhece algum livro de Arqueologia ou que fala sobre o Antigo Egito e que está sendo lançado? Manda a sua sugestão para mim através deste endereço: sitearqueologiaegipcia@gmail.com.

Eu, Tutankhamon e o Howard Carter

Quem passeia pelos muitos fóruns, comunidades, páginas ou grupos de discussão e divulgação do Antigo Egito já deve ter percebido que o tema de assunto começou a mudar drasticamente: o que gradativamente está tornando-se o interesse do momento são as pesquisas relacionadas com o faraó Tutankhamon e existe uma explicação para isto: em breve, no dia 4 de novembro, serão comemorados os 92 anos de descoberta da sua tumba.

O achado se deu graças ao trabalho do arqueólogo Howard Carter e o patrocínio do Lorde Carnarvon, nobre inglês que gastou rios de dinheiro bancando as escavações no Vale dos Reis que muitos acreditavam estar findada ao fracasso, até que após nove anos de busca, em 1922, foi encontrado o túmulo praticamente intacto do “faraó-menino” Tutankhamon.

Lorde Carnarvon (esquerda) e Howard Carter (direita). Foto disponível em < http://www.thetimes.co.uk/tto/magazine/article3650205.ece >. Acesso em 05 de outubro de 2014.

79 anos depois lá estava eu assistindo a aula de História e vejo pela primeira vez um documentário sobre a Antiguidade Egípcia. Ele era iniciado com a descoberta da tumba de Tutankhamon e quando vi o rosto dele em seu ataúde senti que algo tinha sido preenchido dentro de mim, como se alguma coisa tivesse mudado, mas para melhor, é uma sensação difícil de explicar, era como se tudo ao meu redor fosse preto e branco e o ambiente mudasse igual ao efeito colorido dos filmes “O pássaro azul” (The Blue Bird; 1940)  e “O Mágico de Oz” (The Wizard of Oz; 1939).

Bom, o que posso dizer é que esse evento mudou totalmente o rumo da minha vida porque fiquei tão animada que decidi naquele mesmo momento que queria ser arqueóloga e pesquisadora do Egito Antigo e dediquei os anos seguintes ao estudo da antiguidade egípcia, tudo com o apoio da minha mãe que sempre comprava revistas e livros. Eu nem tinha 14 anos na época, ou seja, acho que já está meio óbvio que não tive uma infância lá muito convencional.

Carter e um assistente limpando o ataúde de Tutankhamon. Foto disponível em < http://www.thetimes.co.uk/tto/magazine/article3650205.ece >. Acesso em 05 de outubro de 2014.

Bom, a questão é que em virtude de ler tanta coisa sobre o Tutankhamon eu comecei a ficar com vontade de escrever o meu próprio livro sobre ele e o iniciei finalmente na virada entre o ano de 2011 e 2012… Literalmente. Como no ano novo eu era a única pessoa acordada fui fazer o que normalmente eu faço quando não tenho nada para fazer, que é ler algo sobre o antigo Egito (sim, eu sei, que vida interessante hem!) e foi quando partiu a ideia de por um livro sobre o Tutankhamon no papel, mas o engavetei um mês depois, porque tinha acabado de ingressar no mestrado.

Em 2013 o peguei novamente e precisei sacrificar cerca de seis meses de produtividade acadêmica para cuidar integralmente dele. Claro que logo depois eu quis publicá-lo, mas por algum motivo desisti e coloquei “Uma viagem pelo Nilo” na frente (que foi lançado somente em 2014 devido a alguns atrasos de serviços).

Depois do “Uma viagem pelo Nilo” resolvi submeter a minha publicação do Tutankhamon para algumas editoras, mais como um teste para saber qual seria a recepção e as criticas do quê uma esperança de assinar um contrato. Creio que ao todo recebi a resposta de quatro ou cinco: uma delas escreveu falando que gostaram do tema, mas que não tinham interesse de publicar no momento e a outra falou que tinha interesse e que em vez da espera de dois anos para publicar — que é o prazo convencional da editora — queriam lançá-lo já em no mês de novembro.

Esta editora é um selo grande, imagina que incrível seria! Excerto pelo o fato da minha pessoa ser uma “escritora iniciante” e consequentemente teria que pagar uma bagatela de R$14,000. Moço! Com este dinheiro eu posso pagar uma escola de campo no Egito incluindo parte da passagem de avião ida e volta! Eu não aceitei, aliás, não deu nem tempo de não aceitar, já que eu tinha o prazo de um dia para dar a resposta… Ah o capitalismo…

Carter e Lorde Carnarvon.

Bola para outra, o livro já está prontinho só falta incluir alguns detalhes pontuais e ver quais imagens serão disponibilizadas para a publicação. Infelizmente ele não sairá em novembro… Já imaginaram sair justamente no dia 04/11? Dia da descoberta da tumba do Tutankhamon? Ia ser legal, entretanto não vai rolar, mas não ligo, o importante é curtir a jornada, sempre!

O título? Ele já tinha sido escolhido no final de 2010! É “Tutankhamon, 1922 e o Vale dos Reis”. Ele já tem sua página no Facebook e Tumblr. Tentarei deixar vocês a par de tudo.

Para aqueles que tem Instagram e/ou Twitter usarei sempre que possível a tag #TutEOValeDosReis, assim ficará mais fácil ver as atualizações referentes ao livro.

E o tema? No livro eu realizo um passeio pela a história do Vale dos Reis e mostro alguns dos principais passos do Howard Carter para tornar-se arqueólogo até finalmente descobrir a KV-62, o sepulcro de Tutankhamon. Comento algumas curiosidades relacionadas aos trabalhos na tumba e por fim acerca da existência do próprio Tutankhamon, este garoto que teve uma vida cheia de altos e baixos, uma morte prematura e uma “pós-vida” bem agitada, devido ao mito criado graças à Arqueologia Egípcia e principalmente a Egiptomania.

Ressalto que ele ainda não tem uma data de lançamento prevista, mas vocês podem seguir as novidades sobre ele através dos links que disponibilizo abaixo:

https://www.facebook.com/tutankhamoneovaledosreis
http://tutankhamoneovaledosreis.tumblr.com/

“Atraídos pelo Egito”, matéria comigo

O tempo passa rápido não é? Parece que foi ontem que dei uma entrevista para o “Almanaque” (encarte estudantil do jornal O Popular de Goiânia), mas não, já faz um tempão. Esta reportagem é especial para mim porque eu já tinha sido entrevistada outras vezes, mas foi a primeira vez que uma delas foi feita exclusivamente para ser publicada e ainda em um almanaque para crianças (foi em um destes que tive um dos meus primeiros contatos com o Antigo Egito).

Quem me entrevistou foi o repórter Marco Aurélio Vigário, que foi extremamente finíssimo comigo e provavelmente paciente, já que anotei toneladas de coisas para ele sobre aspectos do Antigo Egito e sobre o Tutankhamon. Ele poderia ter organizado uma tese em vez de uma reportagem, já que escrevi muita coisa mesmo. Ele também foi legal ao retomar contato, enviar o resultado e me deixar liberar para vocês baixarem.

A reportagem foi publicada no dia 23 de março (2014) e foi em um momento legal porque na mesma semana eu tinha recebido outro convite para entrevista, mas que infelizmente eu não poderia participar porque seria em São Paulo. Esta tinha uma pauta tão legal quanto: queriam fazer um tour comigo em uma exposição itinerante para falar sobre peças egípcias. Imaginem! Eu na TV falando sobre o que mais gosto!

Mesmo não podendo ir a sensação de aceitação é muito boa. É muito gratificante saber que tem gente interessada no seu tema de trabalho.

Acerca de “Atraídos pelo Egito” eu respondi perguntas desde como pode ter ocorrido a construção da Grande Pirâmide até a Maldição de Tutankhamon. É difícil definir qual questão eu gostei mais de responder, mas da matéria claro que curti muito a parte em que falam um pouco sobre como foi a minha infância. Quando a leio relembro aquela época com muito mais carinho que o usual. O Marco Aurélio encaixou a minha fala de tal forma que ficou até mais saudosa:

Márcia decidiu que seguiria esse caminho desde criança. O pai colecionava matérias sobre história antiga e a mãe a incentivava a ler. “Certa tarde ela levou para casa um almanaque do Indiana Pateta, personagem da Disney que é arqueólogo”, lembra. “Esses fatores foram fundamentais a minha escolha, mas o que contou mesmo foi a minha admiração pela profissão. Existe algo mágico em poder escavar e tocar algo que estava ‘escondido’ por tanto tempo e dar voz a pessoas que nem sequer conhecemos”, conclui.

Eu nem imaginei que soava tão bonito!

Quem quiser ler ou baixar a matéria é só clicar aqui

Lançamentos de livros de Arqueologia e sobre o Antigo Egito

Uma arte para sempre: arte no Egito Antigo (Denise Rochael)

Os egípcios antigos tinham uma preocupação com o culto dos mortos. Os túmulos egípcios, revestidos de hieróglifos e imagens simbólicas, investiam em uma vida eternamente feliz para os privilegiados merecedores de tais regalias, em absoluto para o poderoso faraó. À serenidade do seu conceito de morte, juntou-se uma espécie de julgamento, além da sua surpreendente capacidade de trabalho e planejamento, expressa tão magnificamente na qualidade técnica de sua arquitetura e de sua arte.


Arqueologia Indígena: protagonismo indígena, interlocução cultural e ciência contemporânea (Luciano Pereira da Silva)

Os indígenas estiveram, por muito tempo, alijados e excluídos. Nas últimas décadas, a diversidade étnica e cultural passou para o centro das políticas públicas, no plano internacional e brasileiro. A participação indígena na construção do conhecimento representou uma ampliação significativa dos horizontes. O livro de Luciano Silva narra uma experiência original, no âmbito do Ensino Superior Indígena. Os indígenas tornam-se protagonistas, como autores, a pleno título, das suas próprias experiências culturais. A Arqueologia apresenta-se como disciplina engajada, questionadora das relações de poder, por meio da cultura material. Esta Arqueologia Pública mostra a relevância da pesquisa científica para a ação social afirmativa. (Sinopse: Livrarias Online)

MEUS COMENTÁRIOS: Eu recebi do autor uma cópia do livro, desta forma pude ler muitas coisas interessantes acerca da cultura indígena, como, por exemplo, sobre a posição dos dedos durante do uso do arco e flecha, o que estas comunidades acham do que se trata a Arqueologia e o dilema de arqueólogos (as) acerca do uso da definição “pré-história” na Arqueologia Indígena, já que não deixa de ser um termo pejorativo que beneficia a visão eurocêntrica da história do Brasil. Contudo, de forma geral o livro fala sobre as políticas de inclusão social e a educação escolar de indígenas, que gradualmente estão tendo a oportunidade de serem autores de sua história, não necessitando amplamente de autores/pesquisadores não-indígenas para escrever sobre o seu passado e presente.

Este não é um material que eu indicaria para amadores (embora eles sejam bem vindos)  já que é necessária uma leitura antecipada de textos científicos de Arqueologia para entender aspectos teóricos-metodológicos. A ausência deste conhecimento prévio pode dificultar o entendimento de alguns assuntos. Entretanto, é um ótimo convite para conhecer acerca da participação da sociedade indígena na educação e gestão de seu próprio patrimônio arqueológico.


Descobrindo a arqueologia: o que os mortos podem nos contar sobre a vida? (Luis Pezo Lanfranco, Cecília Petronilho e Sabine Eggers)

Entre as histórias de um avô-arqueólogo, seus netos e algumas das Histórias da humanidade, esse é um livro que se passa em muitos tempos. As crianças Luísa e Felipe viveram a perda de sua jabuti Cristal e procuram respostas para tantas questões que surgiram. Vô Roberto convida os netos a descobrir, através de histórias arqueológicas, como povos de diferentes épocas e lugares viviam, e como eram seus rituais de sepultamento. Juntos deles, vamos desenterrar mistérios muito antigos, do Brasil e de bem longe daqui. Têm histórias trágicas e de amor, de escravo, de guerreiro, de princesa, de pirata. Têm histórias de deserto, de floresta e outra ainda bem gelada. Falamos de caçadores-coletores, de gente que vivia do mar e de enormes impérios. Vamos descobrir o quanto podemos viajar com a arqueologia? (Sinopse: Editora Cortez)