(Resenha – Livro) “Erros Fantásticos: o discurso ‘Faça Boa Arte'”, de Neil Gaiman

Erros Fantasticos- o Discurso 'Faça Boa Arte'

Título: Erros Fantásticos: o discurso “Faça Boa Arte”
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
I.S.B.N.978-85-8057-499-9
Ano: 2014

Sendo uma transcrição em português do discurso do autor e desenhista Neil Gaiman, “Erros Fantásticos: o discurso ‘Faça Boa Arte'” é um pedido modesto, mas apresentado de forma profunda durante a sua alocução para os recém-formados da turma de 2012 da University of the Arts na Filadélfia e conseguinte mostrado graficamente neste livro pelo artista Chip Kidd.

Seguindo a linha dos discursos motivacionais usualmente apresentados por grandes nomes (vide o famoso discurso de Steve Jobs para dos formandos da University of Stanford em 2005), o discurso de Gaiman é uma tentativa de inspirar o receptor a aproveitar sua jornada de aprendizado, sua busca pelo reconhecimento e principalmente, assim que alcançar seus objetivos, tentar desfrutar do momento.

(…) relaxar e curtir a caminhada, porque a jornada o leva a alguns lugares memoráveis e inesperados.

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Rememorando suas experiências, ele afirma que até por trás das moléstias do competitivo e por vezes pouco rentável mundo dos freelances existe sempre um lado positivo:

Se vocês estão cometendo erros, significa que vocês estão por aí fazendo algo. E os erros em si podem ser úteis. Uma vez escrevi Caroline errado, em uma carta, trocando o A e o O, e eu pensei, “Coraline parece um nome real…”

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Em uma das passagens mais famosas ele explica que se algo der profundamente errado, que seja feita uma boa arte:

O marido fugiu com uma política(o)? Faça boa arte. Perna esmagada e depois devorada por uma jibóia mutante? Faça boa arte. IR te rastreando? Faça boa arte. Gato explodiu? Faça boa arte. Alguém na internet pensa que o que você faz é estúpido ou mau ou já foi feito antes? Faça boa arte. Provavelmente as coisas se resolverão de algum modo, e eventualmente o tempo levará a dor mais aguda, mas isso não importa. Faça apenas o que você faz de melhor. Faça boa arte.
Faça-a nos dias bons também.

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O discurso completo em si está disponível para a leitura e visualização em várias plataformas da internet, mas o livro, além de ter um designer lindo, pode ser uma recordação visual sempre à disposição, rememorando as palavras de Gaiman.

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(Resenha – Livro) “Perdida: um amor que ultrapassa as barreiras do tempo”, de Carina Rissi

Perdida um amor que ultrapassa as barreiras do tempo+resenha

Título: Perdida: um amor que ultrapassa as barreiras do tempo

Autora: Carina Rissi

Gênero: Chick Lit (Time-Travel Lit)

Editora: Editora Verus

Nº de páginas: 364

ISBN: 978-85-7686-244-4

Comentei há alguns meses no #AEgípcia que eu não lia muitos livros de ficção, e os poucos que li não raramente tinha alguma relação com o Antigo Egito. Comprometi-me assim a ler diferentes livros com variados temas. Então em um dos meus muitos passeios pelo Skoob vi um sorteio do livro “Perdida” e me interessei instantaneamente pela a capa: é composta uma garota com um vestido longo e bufante usando um All Star vermelho. Poucos sabem, mas durante a maior parte da minha adolescência um bom e velho par de All Star azul com cadarços vermelhos foi o meu companheiro de aventuras e então, consequentemente, não foi difícil a associação. Confesso que a sinopse não me impressionou muito, lembrem-se, na época em que o vi eu não estava acostumada a outros tipos de literatura além de coisas a ver com Antigo Egito.

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Coincidentemente, na semana seguinte eu estava — como sempre — fuçando alguns livros em uma livraria e dei de cara com “Perdida”. Li novamente a sinopse, mas o fato é que o comprei sem raciocinar muito. Sim, sou uma o tipo de consumidora que se impressiona muito com a capa, não é a toa que com o meu próprio livro fui extremamente exigente. A questão é que levei quatro dias para ler o dito e no alto da minha ignorância descobri que é possível rir muito com literatura (vamos lá, o máximo de livro engraçado que já li foi “Viagem ao centro da Terra” do Júlio Verne… Se é que podemos chamá-lo de uma obra engraçada). Fiquei tão envolvida com ele que nem me dei conta do subtítulo “Um amor que ultrapassa as barreiras do tempo” e ainda bem que não o vi antes, caso contrário nem sequer passaria perto do livro, provavelmente por meu preconceito infundado com Chick lits, que felizmente não existe mais, especialmente porque muitos são ótimos e se eu for fazer uma previsão acredito que este gênero e o de ficção serão os que mais irão prosperar aqui no Brasil e o melhor, assinados por autores nacionais.

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Outra questão é que li “Perdida” totalmente com olhar de arqueóloga, o que seria impossível não fazer, já que o livro conta a estória de Sofia, uma típica jovem do século XXI absorvida pela tecnologia e que, após comprar um misterioso celular, vai parar no Brasil do século XIX. O que acabou fixando a minha atenção mesmo é que a autora faz uma reflexão — breve, todavia — sobre a mudança da paisagem: Sofia reconhece o rio (que nos tempos modernos está poluído) e uma árvore centenária do seu bairro. Tem até o detalhe da estradinha de terra que no futuro se tornará uma rua asfaltada. Fiquei tão empolgada com este detalhe que fui correndo comentar o livro com alguns colegas da Arqueologia.

Dado ao choque cultural entre a Sofia e a família Clark, que a acolhe, naturalmente ocorrem alguns debates que na época eram considerados tabus (até hoje ainda são) como as questões de gênero e sexuais. Já a escravatura brasileira não é abordada, na verdade ela foi totalmente excluída da estória, porque este fato além de hediondo, é muito vergonhoso para a nossa história, nas palavras da própria autora, em sua nota de esclarecimento no final do livro e embora eu tenha ficado um pouco revoltada com isso, afinal é um passado que jamais devemos esquecer, eu não tiro a razão dela, já que ela queria contar um conto de fadas e nesse mundo de fantasia seria impossível sonhar em um cenário onde existe tal sofrimento.

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Em relação ao protagonista masculino, o Ian Clark, eu senti que ele é uma mistura do Ian Somerhalder e Mr. Darcy, ou seja, o cara só não é mais perfeito porque simplesmente não existe.

Fiquei absorvida pelo livro de tal forma que não consigo olhar a foto da autora, a brasileira Carina Rissi, sem dar um sorriso. Eu realmente jamais tinha imaginado que iria me interessar por este gênero literário, é tanto que acabei me inspirando e comprando outro Chick lit de uma escritora diferente.

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O “Perdida” inicialmente foi lançado de forma independente, mas acabou fazendo tanto sucesso que chamou a atenção da Editora Verus e já existe um projeto em andamento agora em 2015 de captação de recursos para adaptá-lo em filme. Outra novidade é que em 2014 foi lançada uma continuação, “Encontrada”, mas a a proposta é que “Perdida” seja uma série com seis livros. Ambas as notícias animaram muito os fãs da Carina Rissi, que a esta altura deve estar sorrindo à toa.

Lançamento de livro sobre o Antigo Egito: A Divina Adoradora

A Divina Adoradora: A Vingança dos Deuses – Vol.2 (Christian Jacq)

a divina adoradoraBode expiatório num gigantesco golpe de Estado, o escriba Kel foi injustamente acusado de assassinar seus colegas do escritório de intérpretes como parte de um plano para ameaçar o governo do faraó Amásis. Para provar sua inocência e fugir da perseguição policial, Kel conta apenas com o fiel amigo Bébon, o astuto burro Vento do Norte e a jovem sacerdotisa Nitis, por quem se apaixona perdidamente. Mas, quando sua amada é sequestrada, não é somente a vida de Kel que está em risco. Determinado a salvar Nitis, ele está disposto a enfrentar todos os perigos e pedir ajuda inclusive à Divina Adoradora, poderosa ritualista e guardiã dos grandes tesouros egípcios.

Em A Divina Adoradora – segundo e último volume da série A Vingança dos Deuses –, Christian Jacq conclui esse emocionante thriller egípcio, repleto de reviravoltas e segredos muito bem-guardados até as últimas páginas. (Sinopse:Skoob)

O Arqueologia Egípcia: O que aprendi com esta semana de Campus Party (#CPBR8)

Esta semana que passou assisti via streaming as conferências da Campus Party e ontem bati um papinho com outros blogueiros e leitores de blogs em um dos chats e foi tão legal! A discussão foi sobre a suposta morte iminente dos blogs, isto durante a palestra do Nick Ellis que é dono de três grandes blogs (“Digital Drops”, “Meio Bit” e “Blog de Brinquedo”) e que levantou justamente esta questão bem no início.

O engraçado é que o Ellis está seguindo um caminho o qual comecei, mas que deixei de lado ano passado, que foi o de transformar um blog pessoal em um de colaboração. Antigamente o Arqueologia Egípcia, quando foi convertido no formato de blog, tinha a ideia de ser de colaboração entre acadêmicos, mas não estava dando muito certo porque algumas pessoas estavam — e estão! — se comportando de forma bastante infantil e então liguei o “foda-se”. Sinceramente o Arqueologia Egípcia está bem melhor agora.

Foi ano passado também que resolvi abrir espaço para guest posts, que está aberto para o envio de textos por parte de não autores do AE. Infelizmente teve pouca participação, mas é uma ferramenta que existe e as pessoas podem contribuir. Clique aqui e veja quem colaborou.

Então vendo o caso do Ellis finalmente percebi que cada caso é um caso e não existe uma fórmula para um blog dar certo, o que funcionou para um pode não funcionar para outros.

Sobre o tema de blogueiros que escrevem livros, que foi abordado em outra conferência, percebi a grande vantagem em que estou, porque quando você assina contrato com uma editora você tem que dividir os lucros com ela e com as livrarias. No final por capa o(a) autor(a) ganha pouquíssimo, vocês não fazem ideia do quão pouco é!

Mas no meu caso como o “Uma viagem pelo Nilo” saiu pelo próprio Arqueologia Egípcia e o site é o responsável por uma parte das vendas dele eu recebo TODO o lucro (menos na Amazon, lá não é o integral), mas não estou ryka e phyna tá? Como tuitei para o Ellis: “rica não, mas ao menos fina”.

Porém não se enganem! Eu ainda planejo um dia assinar contrato com uma editora, mas com um contrato realmente justo.

Neste link separei as palestras que mais gostei de assistir. Algumas, claro, a ver com CEO de blogs, mas serão interessantes (como a da Bel Pesce) e algumas até bem divertidas (a de Paul Zaloom, conhecido por muitos pelo nome Beakman, está muito hilária) para vocês também: Palestras interessantes que rolaram na Campus Party 8.

Participar via streaming é muito prático e igualmente divertido, mas estou pensando seriamente em uma próxima versão ir pessoalmente, quem sabe.

Eventos de Arqueologia: fevereiro a abril de 2015

A pesquisa arqueológica na Rodovia SE-100, Pirambu e Pacatuba, Sergipe

Está agendada mais uma palestra online organizada pela Contextos Arqueologia, mas não serei a ministrante, desta vez serão os mestres Fernanda Libório e Luis Felipe, que comentarão sobre a pesquisa de Arqueologia realizada em Pacatuba e Pirambu. Abaixo mais sobre o evento:

“Dessa vez o tema está inserido na temática Arqueologia Brasileira. Iremos apresentar os resultados e discussões obtidos em um projeto de Arqueologia Preventiva realizado pela Contextos Arqueologia em 2014.

Foram identificados 17 sítios no litoral norte sergipano, alguns em ambientes dunares.

Será transmitido um resumo de todas as etapas realizas e interpretações decorrentes. Quem se interessar por Arqueologia da Paisagem, Arqueologia litorânea, geoarqueologia, povoamento do estado de Sergipe e história de Sergipe, não pode perder!!

Acessem o link abaixo e já podem enviar suas perguntas! A transmissão será ao vivo pelo Youtube Live e as perguntas serão respondidas durante a transmissão.

Marquem na agenda: 25/02/2015, às 19:00 (horário de Brasília). Para quem estiver em Aracaju, existem 7 vagas presenciais na sede da Contextos Arqueologia. Venham conhecer como funciona o projeto Contextos Live para ajudar a difundir essa proposta!

Ajudem a divulgar! A participação de todos é muito importante, somente juntos podemos construir uma Arqueologia democrática e responsável.

https://m.youtube.com/watch?v=yNgraJF1s8E


Arqueologia e Antropologia: outros tempos, outros mundos

Já este esvento não trata-se de uma palestra, é um curso presencial que ocorrerá no Rio de Janeiro e será ministrado pelo Dr. Leonarno Carvalho e pela Me. Marina Buffa. Valor: R$150,00
Segue as informações:

“Gostaria de divulgar o curso “Arqueologia e Antropologia: Outros Tempos, Outros Mundos” que vou ministrar nas quintas-feiras de março e abril no Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, centro do Rio, com a arqueóloga Marina Buffa. A ideia é conversar com os alunos inscritos apresentando a partir de sete sessões temáticas questões que propõem interseções entre teorias/etnografias antropológicas e arqueológicas. São elas:

05/03 Do Exótico ao Outro do Outro: Diferenças Antropológicas
12/03 O Lixo da História: A Invenção da Arqueologia
19/03 O Estatuto das Coisas: Antropologia, Objetos e Pessoas
26/03 Entre a “Diferonça” e o Estado: Povos Indígenas do/no Brasil
02/04 Memórias do Rio Antigo: Ruínas da Arqueologia Fluminense
09/04 Museus Etnográficos: De Templos Tribais a Fóruns Globais
16/04 Artefatos da Morte: Cosmologias do Egito Antigo

As inscrições já estão abertas e se encerram assim que as 30 vagas forem completadas. Informações e inscrições no e-mail: archeccjf@gmail.com.”


II Segunda Semana de Arqueologia “História e Cultura Material: desafios da contemporaneidade”

“Entre os dias 23 e 28 de Março de 2015, realizar-se-á na Universidade Estadual de Campinas a Segunda Semana de Arqueologia “História e Cultura Material: desafios da contemporaneidade”, promovida pelo Laboratório de Arqueologia Pública Paulo Duarte, e cuja direção científica e administrativa está a cargo do prof. Pedro Paulo A. Funari. A Segunda Semana passa a contar com comissão científica de renome e com o apoio de órgãos de fomento à pesquisa, como a Fapesp e o Faepex/Unicamp. O evento será uma reunião científica de cinco dias que contará com especialistas do país e algumas personalidades estrangeiras. Nesse evento, os alunos de graduação e pós-graduação, bem como jovens pesquisadores, poderão participar de comunicações, mesas-redondas, mini-cursos e oficinas, quer como ouvintes, quer como palestrantes ou proponentes de posters, estimulando debates, divulgando trabalhos de pesquisa e estabelecendo laços profissionais”.

Viagem: Castelo de Garcia D’Avila

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Capela do Castelo de Garcia D’Avila.

 

Quando rememoro as viagens que realizei em 2014 não tem como não pensar na Bahia, especificamente na visita que fiz ao Castelo de Garcia D’Avila (também chamado de Casa da Torre Garcia D’Avila ou simplesmente Casa da Torre). Construído em 1551 na Mata de São João, durante o reinado de João III de Portugal, por Garcia D’Avila, provável filho de Tomé de Sousa, este edifício é um dos mais antigos do Brasil.

O castelo está dividido em duas partes: a primeira é a capela que é muito interessante, porque além de podermos observar as prospecções nas paredes que mostram a cor anterior do local é possível ver os desenhos feitos pelos antigos viajantes que vinham em embarcações, mas não pichem paredes em sítios arqueológicos, é crime!

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Área das ruínas ao lado da capela.

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Dentro do retângulo, a cor vermelha é a original.

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Entrada da capela.

A segunda é a área das ruínas onde há escadas para o primeiro andar.

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Na minha opinião esta é uma das partes mais bonitas.

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