(Resenha – Livro) “Perdida: um amor que ultrapassa as barreiras do tempo”, de Carina Rissi

Perdida um amor que ultrapassa as barreiras do tempo+resenha

Título: Perdida: um amor que ultrapassa as barreiras do tempo

Autora: Carina Rissi

Gênero: Chick Lit (Time-Travel Lit)

Editora: Editora Verus

Nº de páginas: 364

ISBN: 978-85-7686-244-4

Comentei há alguns meses no #AEgípcia que eu não lia muitos livros de ficção, e os poucos que li não raramente tinha alguma relação com o Antigo Egito. Comprometi-me assim a ler diferentes livros com variados temas. Então em um dos meus muitos passeios pelo Skoob vi um sorteio do livro “Perdida” e me interessei instantaneamente pela a capa: é composta uma garota com um vestido longo e bufante usando um All Star vermelho. Poucos sabem, mas durante a maior parte da minha adolescência um bom e velho par de All Star azul com cadarços vermelhos foi o meu companheiro de aventuras e então, consequentemente, não foi difícil a associação. Confesso que a sinopse não me impressionou muito, lembrem-se, na época em que o vi eu não estava acostumada a outros tipos de literatura além de coisas a ver com Antigo Egito.

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Coincidentemente, na semana seguinte eu estava — como sempre — fuçando alguns livros em uma livraria e dei de cara com “Perdida”. Li novamente a sinopse, mas o fato é que o comprei sem raciocinar muito. Sim, sou uma o tipo de consumidora que se impressiona muito com a capa, não é a toa que com o meu próprio livro fui extremamente exigente. A questão é que levei quatro dias para ler o dito e no alto da minha ignorância descobri que é possível rir muito com literatura (vamos lá, o máximo de livro engraçado que já li foi “Viagem ao centro da Terra” do Júlio Verne… Se é que podemos chamá-lo de uma obra engraçada). Fiquei tão envolvida com ele que nem me dei conta do subtítulo “Um amor que ultrapassa as barreiras do tempo” e ainda bem que não o vi antes, caso contrário nem sequer passaria perto do livro, provavelmente por meu preconceito infundado com Chick lits, que felizmente não existe mais, especialmente porque muitos são ótimos e se eu for fazer uma previsão acredito que este gênero e o de ficção serão os que mais irão prosperar aqui no Brasil e o melhor, assinados por autores nacionais.

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Outra questão é que li “Perdida” totalmente com olhar de arqueóloga, o que seria impossível não fazer, já que o livro conta a estória de Sofia, uma típica jovem do século XXI absorvida pela tecnologia e que, após comprar um misterioso celular, vai parar no Brasil do século XIX. O que acabou fixando a minha atenção mesmo é que a autora faz uma reflexão — breve, todavia — sobre a mudança da paisagem: Sofia reconhece o rio (que nos tempos modernos está poluído) e uma árvore centenária do seu bairro. Tem até o detalhe da estradinha de terra que no futuro se tornará uma rua asfaltada. Fiquei tão empolgada com este detalhe que fui correndo comentar o livro com alguns colegas da Arqueologia.

Dado ao choque cultural entre a Sofia e a família Clark, que a acolhe, naturalmente ocorrem alguns debates que na época eram considerados tabus (até hoje ainda são) como as questões de gênero e sexuais. Já a escravatura brasileira não é abordada, na verdade ela foi totalmente excluída da estória, porque este fato além de hediondo, é muito vergonhoso para a nossa história, nas palavras da própria autora, em sua nota de esclarecimento no final do livro e embora eu tenha ficado um pouco revoltada com isso, afinal é um passado que jamais devemos esquecer, eu não tiro a razão dela, já que ela queria contar um conto de fadas e nesse mundo de fantasia seria impossível sonhar em um cenário onde existe tal sofrimento.

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Em relação ao protagonista masculino, o Ian Clark, eu senti que ele é uma mistura do Ian Somerhalder e Mr. Darcy, ou seja, o cara só não é mais perfeito porque simplesmente não existe.

Fiquei absorvida pelo livro de tal forma que não consigo olhar a foto da autora, a brasileira Carina Rissi, sem dar um sorriso. Eu realmente jamais tinha imaginado que iria me interessar por este gênero literário, é tanto que acabei me inspirando e comprando outro Chick lit de uma escritora diferente.

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O “Perdida” inicialmente foi lançado de forma independente, mas acabou fazendo tanto sucesso que chamou a atenção da Editora Verus e já existe um projeto em andamento agora em 2015 de captação de recursos para adaptá-lo em filme. Outra novidade é que em 2014 foi lançada uma continuação, “Encontrada”, mas a a proposta é que “Perdida” seja uma série com seis livros. Ambas as notícias animaram muito os fãs da Carina Rissi, que a esta altura deve estar sorrindo à toa.

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Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia.

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