4ª Turnê Intrínseca: um pouco do que rolou em Aracaju

Por esta turnê quase chorei sangue! Isto mesmo! Dias antes eu estava em trabalho de campo e sem esperanças de poder voltar a tempo de ao menos tentar conseguir uma senha. Mas felizmente nós (a equipe) conseguimos terminar o trabalho mais cedo, o que encerrou meu pequeno drama.

O evento ocorreu no domingo, dia 29. A entrega das senhas estava marcada para começar as 12h00 na Saraiva, exceto pelo “porém” de que o a área do shopping onde fica a loja só abre a partir das 13h00.

Cheguei lá umas 11h30, praticamente já aceitando que eu não tinha conseguido a senha para entrar, mas felizmente o pessoal já estava se organizando pondo nos ouvintes o número da ordem de chegada e me surpreendi quando vi que eu era a participante número 162.

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Não demorou muito tempo até que a primeira leva de senhas começassem a ser distribuídas, momento em que recebemos um cartão da editora pedindo alguns dados nossos e depois nos liberaram para fazer outros afazeres até as 14h00 (horário de início das atividades). Também fomos avisados de que o evento não seria na Saraiva (eles já tinham deixado isto claro na internet, só não liberaram onde seria de fato), mas no Quality Hotel.

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Estava um calor desgraçado, mas não tirou a diversão da turnê. Os representantes da Intrínseca apresentaram slides mostrando os lançamentos da editora, booktrailers, trailers de filmes e responderam uma rodada de perguntas. Alguns pontos eu achei interessante compartilhar:

● Se eles aceitam originais: Foi respondido que ainda não porque apesar da aparência a Intrínseca possui um quadro de somente 50 funcionários, o que não dá suporte para atender a demanda de envio de originais, mas este é um objetivo futuro deles.

● Por que as editoras (inclusive da própria Intrínseca) insistem em vender livros com capas de filmes: Trata-se de uma parceria entre as editoras e as distribuidoras dos filmes para a divulgação de ambos os materiais. Vale lembrar que o público de filmes é imensamente maior que o público leitor. Entretanto, ao contrário de outras editoras, a Intrínseca faz somente algumas tiragens com a capa do filme, ou seja, a capa do livro como a do filme rodam juntas. Para comprar a do seu interesse é só buscar pelo ISBN.

● Se a editora dá “pitaco” no material do autor, ou se ele tem plena liberdade em por o que quiser: Sim, a editora pode dar sugestões (mudar frases, desenvolver tal personagem, tentar esclarecer ideias etc), mas que são postas na obra somente se o autor aprovar.

As outras perguntas eram mais relacionadas com lançamentos, continuações de séries etc.

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Para finalizar eles fizeram duas rodadas de sorteio (sortearam livros, kits com camisetas, marcadores, bandaninhas etc) e eu não ganhei nada (lágrimas correm soltas). Também fomos informados que receberíamos descontos na Saraiva comprando qualquer livro da Intrínseca e que ao final receberíamos um kit da editora com uma bolsinha, marcadores, um pin da turnê, bootons, um colar para crachá…

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… E um lápis com gírias de todas as cidades por onde a turnê passou. No meu infelizmente veio o do Rio de Janeiro… Eu queria pegar o de Sergipe.

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Pedi para trocar, mas não deixaram já que a ideia era ocorrer a interação entre os vários públicos… Mesmo assim eu queria Sergipe, então prometi a eles um twitter com a minha lamentação (mesmo assim não consegui trocar o lápis):

Apesar do calor dos infernos deu para curtir muito o evento. Ano que vem estarei presente novamente (se der).

Feirinha da Gambiarra 2015

Aproveitei meu último dia de folga para ir prestigiar a 6ª edição da Feirinha da Gambiarra que ocorreu desta vez na Biblioteca Pública Epifânio Dorea (SE). Explicando rapidamente esta feirinha tem o formato de uma feira convencional, reunindo tendas com produtos variados, mas a diferença é que ela é dedicada a vender coisas artesanais, doces, livros de sebos e artigos retrô.

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Acredito que participei de ao menos três versões deste evento e curti bastante todas, entretanto, ao contrário das demais, desta vez cheguei no início da noite e não sei se teve algo a ver com a popularidade da feira ou se em todos os outros anos foi a mesma coisa neste horário, mas o evento estava muito lotado e em um dado momento até mesmo meio claustrofóbico. Claro que isto não é necessariamente ruim, mas foi sim desconfortável no sentido de que várias pessoas se esbarravam uma nas outras… Algumas na pura falta de educação, só para ter uma ideia: em ao menos três situações a minha câmera quase foi derrubada e sem direito a um pedido de “desculpa”.

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Eu amo comer cupcakes neste evento, mas nas duas últimas versões (contando com esta) não tive muita sorte, não encontrei nenhum com boa aparência, ou melhor, tinha o da ADASFA (Associação Defensora dos Animais São Francisco de Assis), mas deixei de pegar o de lá para comprar um de uma barraca com três meninas, todas de 15 anos (uma cena muito fofa de quebra). Era gostoso, mas não era “o cupcake”, se é que vocês me entendem.

Falando na ADASFA, esta associação de proteção aos animais estava lá marcando presença e vendendo alguns objetos como almofadas, livros antigos, doces, bolsas artesanais etc. Os lucros tinham como fim pagar as despesas com a criação dos animais acolhidos por ela. Comprei então um livro que eu estou louca para ler faz anos, “A Cabana”, de William Young (Editora Arqueiro). Pensei em escolher mais algumas coisinhas, mas não tive cara para pechinchar… Sabe… Estas pessoas cuidam de animais carentes… Que tipo de gente pechincharia com elas? Ao final deste post deixarei os contatos da ADASFA.

Em outra barraca (seria “Sebo dos Anjos”?) comprei mais dois livros, “As Valkírias” do Paulo Coelho (Editora Rocco) (este mais pela curiosidade de saber o que afinal fala o enredo do quê algum sonho de consumo) e “A Ilha do Tesouro Perdido” do Robert Louis Stevenson (Editora Eu Leio). Escolhi esse na verdade depois de ler o nome do escritor, por algum motivo me lembrou algo bom. Só hoje pela manhã foi que me liguei que ele é o autor de “O Médico e o Monstro”, uma das minhas obras da ficção favoritas.

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Também rolou uma exposição de carros antigos, mas infelizmente eu não estava na vibe para dar uma olhada mais demorada, o que foi uma pena da minha parte porque tinha alguns modelos bem interessantes com direito a donos (as) bem animados (as).

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No geral a feirinha como sempre estava bem bonita e organizada, a pena é que muitas coisas realmente estavam muito caras, mas foi possível encontrar “tribos” diferentes e eu sou do tipo que presa pela pluralidade.

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Tinha algumas pessoas com os seus pets também. Não resisti e pedi permissão para eu tirar uma foto desta coisinha mais apertável do universo:

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Gamei nestas caveiras mexicanas da barraca da “Chá de fita”, se eu pudesse levava cada uma de cada cor:

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Rolaram alguns shows também, igualmente a outras versões. Só não pesquei quais foram os artistas, me pergunto se eram todos sergipanos.

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Meus pés doeram, me perdi da minha irmã e do meu ex-cunhado, mas valeu ir e com certeza irei na próxima. Abaixo o contato das barracas que mais gostei e as quais algumas ilustram as fotografias postadas aqui:

ADASFA

Eles aceitam doações de ração (para cães ou gatos), arroz (específico para cães), carne, materiais de limpeza para limpar o abrigo, produtos para o banho dos cães, medicamentos, materiais hospitalares ou doações em dinheiro (qualquer valor ajuda).

https://www.adasfa.com.br
adasfa.se@gmail.com

Ladoludens
Não cheguei a tirar uma foto, mas no site deles têm vários exemplos de produtos. Trata-se de bonequinhos feitos a mão. Os meus favoritos são uns que possuem um botão no lugar dos olhos.

http://loja.ladoludens.com.br
http://www.facebook.com/ladoludens
http://instagram.com/ladoludens

Sri Alkemy
Loja especializada em artigos de couro. Não sou chegada em comprar coisas feitas de couro (só comprei um sapato uma vez por puro acidente), mas tem umas coisas bem bacanas para quem curte coisas étnicas. A 10ª foto com o Buda e Ganesha é de parte da tenda deles.

https://www.facebook.com/sri.alkemy
sri.alkemy@gmail.com

Atelier Ju Krieger
Na banca dela tinha várias caixas organizadoras bem coloridas e de ótima qualidade. Só não comprei nenhuma por pura distração.
https://www.facebook.com/atelierjukrieger
https://instagram.com/AtelierJuKrieger/
atelierjukrieger@gmail.com

Muamba
Só para explicar de forma simples: eles fizeram uma almofada do Chapolin… <3
As fotos 12ª e 13ª são da barraca deles.

https://www.facebook.com/muambasday

Alelier de Doces
Eu não experimentei nenhum dos doces de lá (pela carinha acho que eu acabaria devorando tudo), o que chamou minha atenção mesmo foi a barraca em si que tinha muitos detalhes e produtos tão fofos. Por exemplo, aqueles coelhinhos da 9ª foto. As fotografias 7, 8 e 9 foram tiradas na tenda deles.

https://www.facebook.com/atelierdedocesym
https://instagram.com/atelierdedocesym

Conhecendo Campinhos, a casa mais antiga de Umbaúba

Quando eu estava procurando o tal livro com a história de Umbaúba fui até a Casa de Cultura da cidade com um colega de equipe e fomos apresentados ao Diretor de Cultura de Umbaúba, o Edvânio Alves, a gentileza em pessoa, e que nos mostrou fotos antigas de eventos e residências da cidade, contou sobre os aspectos principais da memória oral e se ofereceu para nos levar para a casa mais antiga de Umbaúba que ainda está de pé. Naturalmente ficamos muito felizes e agradecidos pela proposta.

Eu em frente da Casa Grande do antigo Engenho Campinhos; Umbaúba (SE). Foto: Evaney Simões. 2015.

Coincidentemente a outra parte da equipe também recebeu semelhante convite, mas por parte do Secretário de Educação, o Joaquim Francisco Soares Guimarães e acabou que resolvemos ir todos juntos.

Fomos no horário da tarde (pela manhã visitamos o povoado Guararema… Tema para outro post) e a expectativa era enorme, já que era uma antiga casa de engenho, uma das marcas da economia sergipana no século XIX. Quando chegamos estava lá, a residência de Campinhos, em pé, só não saudável. O edifício possui muitos problemas estruturais e a família está fazendo o que pode para manter a memória do local viva.

A presença de vidro nas janelas é um dos sinais da grande distinção econômica desta casa entre os séculos XIX e início do XX.

Infelizmente foi aproveitando essa fragilidade que um dos artefatos históricos guardados no local sofreu um furto (daí tem gente que ainda escreve para mim perguntando como comprar artefatos arqueológicos… Tenha dó! Alguns destes objetos não são furtados somente de sítios, mas também da casa de pessoas indefesas, como é o caso da dona Maria), mas que felizmente foi recuperado pela polícia.

Os cabelos desta imagem são humanos.

Fragmento de faiança fina encontrada na área onde existia o grande salão.

Lá é genuinamente um sítio arqueológico, deste a própria estrutura da casa principal até artefatos encontrados fragmentados no chão. Eu realmente fiquei assombrada com a qualidade da residência, naturalmente ela recebeu algumas intervenções modernas, mas foi interessante esbarrar em alguma coisa ou outra do XIX… Inteira!

Uma das paredes da cozinha.

Uma das paredes da cozinha.

O grande salão do casario não existe mais, ele colapsou na contemporaneidade, assim como a Igreja centenária da propriedade, uma pena… Dela só sobraram ruínas; observamos o local (eu filmei um pouco, verei como mostrarei para vocês) e deu para saber como ocorreu o evento do desmoronamento, só não pudemos ver o que sobrou embaixo, afinal ali é um sítio arqueológico, não iremos sair por aí remexendo em tudo sem permissão.

O que sobrou em pé da Igreja.

Vista das ruínas da Igreja.

Depois sentamos para entrevistar a dona Maria de Lourdes que falou de muitos detalhes de sua infância e até de um eclipse solar em sua juventude. Demos também uma passada pelo terreno e catalogamos o antigo cemitério (que já está desativado há anos) onde identificamos um pedaço de tíbia humana.

Dona Maria de Lourdes.

Foi uma tarde extremamente agradável e todas as pessoas que conheci ficarão na minha memória, mas não somente pela simpatia do Joaquim, a gentileza do Edvânio, a receptividade da dona Maria e do Neuzito,  mas pela jaca que ganhei 😀

Parte da equipe da Contextos Arqueologia que está participando deste trabalho. Foto: Evaney Simões. 2015.


*Todas as fotografias sem referência ao autor foram batidas por mim.

Brincando de “Orgulho e Preconceito” e “Downton Abbey”

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Fazenda São Félix em Santa Luzia. 2015.

Anunciei na página do Facebook do Arqueologia Egípcia que recentemente estou trabalhando no diagnóstico e prospecção arqueológica da área da adutora de água de Santa Luzia, Itabaianinha e Tomar do Geru (SE) (resumindo: estamos estudando a área e realizando “pequenas escavações” para saber qual o potencial arqueológico do lugar) e durante os trabalhos nós visitamos também lugares históricos da região — Leia aqui o primeiro texto que escrevi acerca no #AEgípcia —.

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Fazenda São Félix em Santa Luzia. 2015.

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Fazenda São Félix em Santa Luzia. 2015.

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Fazenda São Félix em Santa Luzia. Foto: Evaney Simões. 2015.

Claro que graças ao trabalho, que pega muito tempo e energia, eu estou negligenciando todas as atualizações relacionadas com o Arqueologia Egípcia. Entretanto o Café Neftís foi o que recebeu o maior impacto porque trata de assuntos variados (e a coisa mais “variada” pela a qual passei foi quase ser atropelada por várias vacas), mas como ainda possui um público consideravelmente menor não doeu tanto nas estatísticas.

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Fazenda Campinhos em Umbaúba (município onde estamos sediados). Os cabelos desta santa são feitos com fios humanos. 2015.

Mas apesar de não estar gerando muito material escrito estou fotografando tudo o que posso! Vi muita cena inusitada e em uma determinada situação me senti até a Elizabeth Bennet entrando na casa do Darcy (a casa do antigo engenho Felix é linda e com uma vista muito “uau”!) e também notei que os antigos engenhos usualmente eram tanto um ponto de referência espacial (antigas descrições apontam tais residências como “delimitadores” de territórios e alguns possivelmente formaram atuais povoados… Por isso muita gente ainda hoje comenta sobre eles), centros culturais e locais de acontecimentos sociais importantíssimos (bailes, chegadas de bispos etc), ao estilo de Downton Abbey. Eu andava por algumas destas casas e só pensava “Oh nossa, esta gente tinha muito dinheiro!”.

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Fazenda Antas. Santa Luzia. 2015.

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“Orange is the new black” na Fazenda Castelo, em Santa Luzia. Foto: Fernanda Libório. 2015.

Gravei alguns vídeos, mas como o canal do AE é somente sobre o Egito os carregarei em outro espaço, só preciso pensar onde, mas irá demorar de qualquer forma porque segunda que vem (23/03) já estou pegando a estrada novamente. Aparentemente tempo mesmo só terei depois do dia 03/04, mas enquanto é isso fiquem com essas fotos.

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Cadela com heterocromia que encontramos em Estância.  2015.

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Santuário Santa Luzia. Neste terreno, de acordo com a memória oral, foi realizada em 1575 a primeira missa de Sergipe. 2015.

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Santuário Santa Luzia. Edição: Almir Brito Jr. 2015.

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Embarcações no Rio Piauí, povoado Crasto em Santa Luzia. 2015.

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Crasto. 2015.


*Todas as fotografias sem referência ao autor foram batidas por mim.

Em busca do livro perdido: Parte 1*

Como avisei na página do Arqueologia Egípcia no Facebook, neste exato momento estou realizando com a Contextos o diagnóstico, e em breve a prospecção, da área da adutora de água de Santa Luzia, Itabaianinha e Tomar do Geru, sendo os três município do interior de Sergipe. Ao decorrer das pesquisas realizaremos a educação patrimonial e Umbaúba (SE) também será contemplada com a atividade. Outra das nossas propostas nesse município é registrar ao máximo informações históricas da cidade e apresentar para a população a importância da Arqueologia, por isso estamos sediados temporariamente aqui.

Igreja Matriz de Umbaúba. Antes dela neste local existia uma capela dedicada a Nossa Sra. da Guia.

No nosso primeiro dia viramos a novidade do momento (o bom de trabalhar no interior é que no primeiro dia existe um estranhamento, mas no segundo praticamente todo mundo já sabe o que estamos fazendo) e até duas pessoas se aproximaram e puxaram assunto sobre a Arqueologia. Fizemos um reconhecimento do local e batemos papo com os idosos da “Praça é Nossa”, um espaço onde eles se reúnem para conversar.

Um dos entrevistados do primeiro dia.

No segundo dia de trabalho (12/03) dividimos a equipe em dois trios e enquanto um saiu para realizar as entrevistas o outro – onde eu estava – seguiu para a pesquisa em documentos históricos, livros etc. Entretanto, e é necessário deixar isto claro, em cidades do interior e povoados não é incomum que os documentos antigos sejam jogados fora ou enviados para a capital, mas tentamos a sorte mesmo assim e como não sabíamos onde ficava a biblioteca resolvemos ir para a prefeitura para pegar informações acerca.

Entrevistar estes senhores foi uma experiencia maravilhosa… Nem parecia que estávamos trabalhando.

Ao chegar fomos informados que existia somente um livro sobre a história da cidade e que estava justamente na tal biblioteca, para onde fomos encaminhados e muito bem recebidos, entretanto para a nossa surpresa lá não encontramos o referido livro, pelo contrário, ele estava perdido, não sabiam onde ele estava, o que foi um pouco surreal, mas são os percalços da Arqueologia…


*Escrevi este texto no dia 13/03, mas somente hoje foi que notei que o título ficou meio “Indiana Jones”, mas na segunda parte este texto creio que ficará mais obvio que encontrar este livro foi no final uma mini aventura (entretanto sem nativos raivosos, espiões, nazistas etc).

**Todas as fotos que estão neste post são da minha autoria.

(Resenha – livro) O Castelo Animado, de Diana Wynne Jones

livro O Castelo Animado + ResenhaTítulo original: Howl’s Moving Castle

Autora: Wynne Jones

Editora: Galera Record

Nº de páginas: 320

ISBN: 978-85-0107-546-8

“O Castelo Animado”, cujo o título original é Howl’s Moving Castle (“O Castelo Móvel de Howl”), foi publicado pela primeira vez em 1986. A autora do livro é a Diana Wynne Jones, uma britânica que infelizmente faleceu em 2011. A história de como ela idealizou a obra é interessante: quando estava visitando uma escola infantil para promover suas publicações um garoto se aproximou dela e sugeriu que em sua próxima estória ela escrevesse sobre um castelo que pudesse caminhar. Ela seguiu o conselho e, claro, dedicou o título ao garoto:

“Este é para o Stephen

A ideia para este livro me foi sugerida, numa escola que eu visitava, por um menino que me pediu que escrevesse um livro chamado O castelo animado. Anotei o nome dele e o guardei num lugar tão seguro que até hoje não consegui encontrá-lo. Gostaria de agradecer muito a ele.”

O livro narra as aventuras de Sophie, uma garota de 17 anos herdeira de uma chapelaria que em um determinado dia, durante seu expediente de trabalho, recebe a visita de uma mulher misteriosa que se identifica como a temível Bruxa das Terras Desoladas e que a transforma em uma idosa de cerca de 90 anos. Transtornada e com medo da reação das suas familiares (sua madrasta e duas irmãs mais novas), Sophie foge de sua cidade natal e encontra abrigo no castelo móvel do mago Howl, cuja fama de devorador de corações de jovens moças corre por todo o reino.

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Dentro do castelo ela conhece um demônio do fogo chamado Calcifer que propõe-lhe um acordo: caso ela consiga destruir a ligação dele com o mago Howl, Calcifer poderá usar seus próprios poderes para acabar com a maldição dela. Assim a Sophie começa a morar no local e passa por experiências que ela jamais sonhou um dia que passaria, caso vivesse isolada, cuidando da chapelaria.

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O livro é narrado em terceira pessoa e a estória é uma graça, muito divertida de acompanhar, mas algumas partes foram para mim um pouco maçantes, como a viagem com a bota-de-sete-léguas e a caça às estrelas cadentes, mas acho que o meu tédio tem relação com o fato de que o filme “O Castelo Animado”, produzido pelo estúdio Ghibli é um dos meus favoritos e estas cenas são algumas das muitas que não existem na adaptação para os cinemas. Aproveito para explicar que exitem algumas diferenças cruciais entre o livro e o filme, são assuntos que merecem um post só para eles, mas darei alguns exemplos: como já escrevi a Sophie tem duas irmãs e não uma como no filme, Michael é um pouco mais velho na obra escrita e a maga Suliman… Bem, no livro ela é um homem e está desaparecido.

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Agora, o que falar do protagonista masculino, o Howl? De toda a história ele é o personagem mais egocêntrico, imaturo e esquivo, mas apesar dessas características negativas ele é extremamente carismático, o que é bem estranho já que no mundo real ele seria uma pessoa extremamente difícil de conviver. Existe até uma frase famosa da Jones acerca da opinião de algumas leitoras acerca do Howl:

“The one big, strange fact about Howl is that almost every young woman who reads about him wants to marry him”. — Diana Wynne Jones

“O único fato mais estranho acerca do Howl é que quase todas as moças jovens que lê sobre ele querem casar com ele”. — Diana Wynne Jones

Publicado pela Galera Record, a capa da versão brasileira é uma das mais bonitas já escolhidas. Ela foi ilustrada pelo Rafael Nobre, que já trabalhou com outros títulos também. Clique aqui e confira o site dele.

A youtuber Emily Graslie fala sobre o sexismo e canais de ciência apresentados por mulheres

Recentemente assisti ao vídeo Where My Ladies At? da Emily Graslie do The Brain Scoop e me enxerguei em muitas das coisas que ela comentou. É verdadeiramente muito difícil você gravar um vídeo para a internet porque a partir do momento que se torna público você está exposto a todo e qualquer tipo de comentários, seja de pessoas que realmente querem aprender e tirar dúvidas como também de haters e assediadores. Felizmente eu nunca recebi nenhuma mensagem cruel no Youtube, mas através do site e Facebook já recebi mensagens de gosto extremamente questionável onde estão inclusas aquelas com conteúdos xenofóbicos e assédio sexual.

Emily Graslie. Screenshot do vídeo do Youtube “Recommended Reading“. 2013.

Como hoje é dia Internacional da Mulher, uma data que foi criada para a reflexão acerca dos crimes de misoginia, o sexismo e de que o nosso gênero não deve ser minimizado por esteriótipos — e não para entregar rosas, cursinhos de maquiagem, liquidação de lingerie e outras coisas tão fúteis quanto —, resolvi transcrever os comentários da Emily abaixo e vale muito a pena ler, principalmente para as meninas e mulheres que planejam um dia ter ou possuem um canal no Youtube ou Vimeo. A transcrição foi feita a partir da legenda disponibilizada pelo próprio Youtube, com algumas leves modificações minhas. Abaixo o vídeo e a seguir as falas dela:

Recentemente eu recebi uma pergunta para um episódio de “Ask Emily” sobre se eu já tinha tido ou não experiência com sexismo na minha área e eu meio que deixei de lado, porque o Field Museum é bem encorajador para mulheres na ciência. Nós até temos um grupo aqui chamado “Mulheres na Ciência”, usado tanto por homens quanto por mulheres, membros da comunidade em que nós nos unimos para pensar em maneiras para promover o trabalho de pesquisadoras nessa área dominada por homens. Mas quanto mais eu pensava nisso, junto com a questão de se há alguma parte do meu trabalho de que eu não gosto, eu tenho que dizer que são os comentários frustrantemente negativos e sexistas com que eu tenho que lidar nas minhas várias caixas de entrada diariamente.

Reprodução The Brain Scoop.

Não me entendam mal: a grande maioria dos comentários que eu recebo é positiva e encorajadora, mas ainda existe um momento de negatividade com que eu tenho que lidar todo dia enquanto tento fazer vídeos positivos e encorajadores. Isso é especialmente óbvio quando apresento um episódio ou co-apresento com outra pessoa no canal da mesma com uma audiência que não é tão familiarizada comigo, com meu trabalho ou com o Soon Raccoon. Me faz pensar “Tem mais alguém passando por isso?”, “Quem são as outras mulheres que têm canais STEM (Science, Technology, Engineering e Math)?”.

Passei um tempo longo demais só tentando pensar em um grupo dessas pessoas. O que eu descobri foi que enquanto há pelo menos 13 canais STEM de homens com mais de 400,000 inscritos — e 7 desses 13 passaram de um milhão — só existem 4 canais apresentados por mulheres que têm mais de 160,000. Nenhuma de nós possui mais de um milhão.

Quando pedi aos meus seguidores do Twitter para citar suas mulheres STEM favoritas, eles disseram: “Existem outras além de você e a Vi Hart? Hum, preciso pesquisar!” e “Você e a Vi Hart são ambas incríveis, mas infelizmente são as únicas que conheço”.

Reprodução Geek Puff.

Isso não é um “nós” contra “eles” e não é um jogo de números. Só estou tentando mostrar que existem de forma significativa menos mulheres fazendo canais educacionais com temas de ciência e tecnologia no YouTube. Não estou dizendo também que os homens que eu vi não merecem os números que eles têm porque eu acho que o conteúdo deles é ótimo e deve ser celebrado. Mas o que está impedindo mulheres de alcançar o mesmo número de pessoas? Eu acho que, em geral, mulheres não têm tanto tempo para fazer essas coisas por causa da pressão de que cada episódio deve ser perfeito na execução. Isso pode impedir tanto homens quanto mulheres, mas eu acho que mulheres vão desistir mais facilmente por causa de comentários como esse: “Eu ainda transaria com ela”.

Nós temos medo do feedback de nossos inscritos e de comentadores porque temos medo que nossa audiência esteja focada na nossa aparência do que na qualidade de nosso conteúdo. Mas que isso, não estamos convencidas de que o conteúdo tem que ser bom ou factual porque não estamos convencidas de que as pessoas estejam assistindo pelo conteúdo para começar:

“Finalmente eu vi o corpo dela… Oh meu deus!!! Como uma mulher pode ser mais gostosa que a Emily?”

“Se você algum dia precisar de um local seguro para ficar quando estudar a Patagônia na Argentina, por favor… Sinta-se à vontade para entrar em contato comigo, eu patrocinaria sua viagem inteira só para te encarar!!!”

Reprodução @castoridae.

Há um medo do incômodo que vem com estar na tela com mais alguém porque alguns presumem que deve existir um relacionamento pessoal acontecendo o que deixa trabalhar com a pessoa depois embaraçoso. E além disso me deixa incomodada ter alguém no meu programa porque eu tenho medo que eles vejam esse tipo de comentário: “Esse é um pornô lésbico mais estranho que eu já vi. Nos primeiros 7 minutos eu pensei em como a Emily e o Hank deveriam transar, daí a garota do Animal Wonders chegou e pensei em como eles com certeza deveriam transar a três”.

Reprodução @tmichaelmartin.

Isso traz autocrítica, eu não sou inteligente ou engraçada ou interessante o suficiente sozinha?

“Ela só precisa de óculos mais sexy”.

“Não consigo parar de olhar para o nariz dela. É tão estranho. Faz ela parecer meio que como um porco nerd“.

Existe uma pressão para ser o pacote completo. Não só você tem que ser inteligente e articulada, mas também atraente:

“Emily, mesmo que as roupas que você usa escondam você parece ser bem gostosa embaixo delas. Talvez você devesse considerar usar roupas um pouco mais provocativas. Além de obviamente agradar homens hétero e mulheres homossexuais, ainda pode aumentar sua autoestima”.

“Ela é bem bonita, mas é como se ela ficasse feia de propósito”.

“Ela poderia facialmente chamar nossa atenção só mudando as roupas… Eu gostaria muito de vê-la de novo com novos visuais”.

Reprodução @castoridae.

A falta de reconhecimento dos outros ao seu redor a respeito desses comentários negativos é tipo “Ah, é só YouTube”, “São só comentários anônimos. Não ouça eles”. Mas quando eles são tão pessoais…:

“Não sei que tipo de pessoa fica ofendida ou se sente insultada por elogios”.

“Talvez ele devesse ter dito que ela é feia e deveria morrer”.

E aí há o sexismo em geral e óbvio:

“Isso é trabalho de homem, não de duas mulheres bonitas”.

“Curti pela referência a Skyrim, me fez rir. Presumo que foi escrita pelo Michael?”

E eu ouvi de colegas homens que mesmo que eles certamente não apoiem o sexismo e que achem péssimo, eles não acham que têm algo para contribuir com a conversa. Mas começa com o reconhecimento de homens e mulheres de que esses são problemas sérios e de que precisam ser discutidos. Não podemos sentar tranquilamente e tolerar bullying na internet em qualquer forma. Porque é isso que é, bullying na internet.

Reprodução @castoridae.

Ajude-nos a espalhar que esse tipo de atitude apática é prejudicial e inaceitável. Temos que ter certeza que estamos tornando possível para que pessoas de todos os gêneros se sintam reconhecidas por suas contribuições e não se sentirem restritas por algo tão arbitrário como sua genética ou aparência.

Mas como encorajamos mais mulheres e serem criadoras de conteúdo? Começa com apoiar nossas colegas criadoras, reconhecer que todos vamos passar por um processo de aprendizado no começo e não deixar acabar aí por causa de pressão e negatividade desnecessárias. No fim, estamos comprometidos com uma missão de fazer conteúdo educacional de qualidade para que mais mulheres preencham esses espaços. E garotas, isso melhora.

Aproveitem e assistam ao vídeo do Neil Tyson explicando sobre a ausência de mulheres na ciência.

Copy desk de Tutankhamon e o Vale dos Reis

Ontem continuei a realizar a revisão do meu livro e modéstia a parte ele está tão lindo! Estou muito apaixonada por ele, a minha única tristeza é que ele não tem as fotos que eu mais gostaria (O Griffith Institute Archive não manteve mais contato comigo. O motivo? Até hoje não sei), mas ele está ilustrado com belas fotografias.

A capa está dando mais trabalho; não sei o que fazer, tenho alguns modelos, mas nenhum está me convencendo 100%. Não é que sou perfeccionista, nem de longe, mas sou uma amante de livros e se uma capa não consegue me agradar como poderá agradar outros?

E esta capa? Mistérios…

E esqueci completamente que o site tinha que ser liberado esta semana, mas foi por um motivo justo, eu estava terminando um artigo para a revista Labirinto (não sei ainda quando sairá) cujo tema é sobre a minha pesquisa durante a minha graduação e pós-graduação em Arqueologia. De qualquer forma só posso deixá-lo disponível depois de escolher a capa do livro e… Bem… Como vocês já devem ter notado estou com um leve problema…

Estou me esforçando muito por ele (quem o dera, olhem o tempo que levei até anuncia-lo para vocês) e com certeza é o tipo de livro que eu gostaria de ler sobre o Tutankhamon bem lá no início, quando eu estava aprendendo sobre a antiguidade Egípcia.

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