(Resenha – livro) “Procura-se um marido”, de Carina Rissi

Procura-se um marido - resenhaTítulo: Procura-se um marido

Autora: Carina Rissi

Gênero: Chick Lit

Editora: Editora Verus

Nº de páginas: 474

ISBN: 978-85-7686-198-0

Este livro foi para mim um grande exemplo de obra comprada por conta da autora, neste caso a Carina Rissi, do que pelo próprio enredo em si. Quando iniciei a leitura da sinopse comecei a imaginar que a proposta do livro era bem machista, com a trama da jovem e inconsequente protagonista Alicia que por ser irresponsável e pouco interessada nos negócios milionários da família recebe a notícia de que o seu avô, o Narciso, determinou que ela deveria se cassar, porque somente um marido poderia ajustá-la. Entretanto dei uma chance mesmo assim, já que eu tinha lido um título anterior da Carina, o “Perdida“, que realmente foi uma leitura divertida.

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Acabei levando o tal livro para casa ainda cheia de preocupações, imaginando se valia a pena investir na leitura, até que a iniciei de fato; Alicia é uma garota de 24 anos extremamente irresponsável, que após a morte dos pais em sua infância passa a ser criada pelo o seu avô Narciso, dono da L&L Cosméticos, que muito doente e aborrecido pelas imprudências da neta e sua insistência em não querer trabalhar determina que ela só herdará seus negócios após apresentar um esposo — com o qual ela deveria estar casada há mais de um ano —, caso contrário ela não poderia mais ter acesso ao dinheiro da família. Como não tinha um namorado ou amigo que poderia tomar como um marido temporário ela resolve deixar um anúncio no jornal com a seguinte proposta:

Procura-se um marido por curta temporada. Homem entre 21 e 35 anos, que tenha imóvel próprio e emprego estável, disponível para matrimônio. Boa aparência não é exigida. Apresentação de antecedentes criminais obrigatória. Casamento de aparência. Sexo está excluído do acordo. Paga-se bem no término do contrato. Tratar com Lili pelo telefone… — Procura-se um Marido; pág 76.

Alguns dos pretendentes que aparecem em resposta ao anúncio definitivamente dão espaço para muitas gargalhadas…

Acerca da minha preocupação inicial, a ver com o fato de que a protagonista Alicia estava sendo obrigada a se casar para “criar juízo”, o que é um absurdo, posso alertar que com o passar da leitura esta determinação do Narciso tem um motivo oculto e inclusive desperta fortes críticas por parte de alguns dos personagens. Também temos o elemento do conto de fadas, no sentido da magia mesmo, uma das características das obras da Carina, onde ela mistura o real com a fantasia e nesta obra em questão ela abre este espaço colocando-o como um elemento chave.

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Acerca do protagonista masculino, o Max, não o achei tão interessante. Toda vez que eu lia alguma descrição sobre o aspecto físico dele só lembrava do Fabio Lanzoni, famoso modelo que estampou várias capas daqueles romances que vendem (ou vendiam?) em bancas de jornais e revistas… O que criou na minha cabeça um personagem de aspecto exageradamente sensual, forçosamente um deus grego dos romances e da mulherada, mas não é nada que desmereça o livro. Ainda sobre ele podemos notar a inspiração na civilização romana: o nome dele na verdade é Maximus, o seu pai chama-se  Julius e o seu irmão Marcus.

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Uma das pouquíssimas coisas que me desagradou no livro foi o uso do termo “vagabunda”. Para algumas pessoas a utilização desta palavra é normal para designar mulheres que são suas “rivais” (seja no trabalho ou — principalmente — na vida amorosa), mas este termo possui uma carga histórica e social muito pesada (meu lado arqueóloga aflorando!), já que é usado para chamar qualquer mulher que não se enquadra no papel ao qual ela foi designada, seja a ver com os “códigos dos bons costumes” ou a de submissão, passividade etc.

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Achei em alguns momentos o livro um pouco massante, mas no geral é uma obra divertida e acredito que será um presente para as (os) fãns de Chick lit.

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Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia.

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