Arqueologia e meus amigos da época da escola

Raramente nego um pedido de amizade no Facebook, já que a esmagadora maioria das vezes aqueles rostinhos que me são desconhecidos são de leitores do site ou do livro que só querem ficar “por perto”, mas dentre tantos em algumas raras oportunidades cheguei a ver carinhas conhecidas, amigos dos tempos da escola, pessoas das quais tenho ótimas lembranças.

Contudo raramente eu converso com eles, posso apontar somente três com quem cheguei a trocar algumas palavras e as vezes imagino se eles pensam que fiquei arrogante, que sou mesquinha ou algo do tipo. Fico preocupada pensando se estou fazendo pouco caso, enquanto que a verdade é que eu não tenho coragem de puxar conversa — ainda mais somado com o fato de que não suporto conversar via chat — e nem assunto para falar com eles. Vamos cair na real, há anos não falo com muitos deles, não consigo rememorar quais as nossas conversas e nem sei mais quais são os seus gostos pessoais.

Um dos meus cadernos dos tempos da escola. Tem como tema a antiguidade egípcia, representada por estas três flores de lótus. Ele está recheado de boas lembranças, por isso espero guardá-lo por muitos anos.

Sempre recordo coisas que fiz na minha adolescência a qual muitos desses amigos preencheram com momentos especiais. Todos acompanharam o meu interesse pelo o Egito antigo e todos acreditaram em meu desejo de ser arqueóloga especialista em antiguidade egípcia cegamente. Não eram cheios de questionamentos e julgamentos como “Tem certeza que é isso o que quer fazer?”, “Não sei se dará certo.”, “Você tem que se dedicar mais”, pelo contrário. Acho que era por isso que jamais me senti insegura naquela época, mas sempre motivada.

Sempre recordo coisas que fiz na minha adolescência e todos preencheram os momentos mais especiais. Todos acompanharam o meu interesse pelo o Egito antigo e todos acreditaram em meu desejo de ser arqueóloga especialista em antiguidade egípcia cegamente.

— Clique aqui e assista-me falar de um episódio com os meus amigos da época da escola. 

Os anos passaram e cada um foi seguindo o seu caminho. A internet foi de grande ajuda, mas a minha vida começou a sofrer tanto impacto por conta do site e da Universidade que já era tarde quando percebi que eu não estava indo mais para nenhuma festa, para nenhuma confraternização, que eu não passava uma tarde divertida com os meus amigos ouvindo música, vendo filmes ou jogando papo fora. Eu me via dando uma entrevista, indo entrar em um avião partindo para um congresso, prestes a dar uma palestra sem ter um amigo daqueles bons tempos para falar que vai ficar tudo bem.

Por um tempo isto me deixou deprimida, principalmente em uma época em que as pessoas só começaram a se aproximar de mim para pedir favores. Era incrivelmente horrível! Certa vez eu estava em um evento e um leitor se aproximou e começou a falar o quando ama o site e se eu podia assinar o seu livro, então um “amigo” se aproximou e pediu a atenção para que o leitor em questão conhecesse o seu trabalho também e o chamou de lado. E não foi a primeira vez que isso tinha ocorrido. Com tantos episódios como esse comecei a pensar que não seria mais capaz de ter boas amizades, que as pessoas só se aproximariam porque queriam ter um pouco da mítica “fama” que tenho — Por favor! Não sou famosa e pouco provavelmente serei um dia!!! —.

Certa vez eu estava em um evento e um leitor se aproximou e começou a falar o quando ama o site e se eu podia assinar o seu livro, então um “amigo” se aproximou e pediu a atenção para que o leitor em questão conhecesse o seu trabalho também e o chamou de lado. E não foi a primeira vez que isso tinha ocorrido.

Tenho saudades dos meus amigos da época da escola, muitos deles nutriam por mim sentimentos verdadeiros. Mas tenho alguns — pouquíssimos — amigos hoje também, pessoas que tratam o meu site como “algo divertido”, “uma aventura”, que brincam pedindo para enviar beijos nos vídeos, que comentam, que enviam uma mensagem falando de um texto que escrevi e que amaram (os mais sacanas enviam de madrugada para o meu celular… A zoeira realmente não tem limites!), que ficam empolgados e participam de alguns dos projetos do site comigo, tem também aqueles que passam bem longe, que estão em algumas das minhas redes sociais, mas nunca leram uma linha do que escrevi — apoio moral é tudo nos dias de hoje —. Outros que moram em outras cidades e que leem meu blog para saber como estão as coisas; Foi com enorme prazer que escutei um deles dizer que se sentia mais próximo quando lê meus posts. Também tive bons exemplos de amigos que se negaram a dar informações pessoais minhas para alguns leitores mais invasivos.

Imagino se eu negligenciarei futuramente minhas atuais amizades. Realmente estou tentando não me focar muito no meu trabalho e acabar deixando alguns dos meus amigos de lado, mas confesso que tem sido uma tarefa complicada conciliar as duas coisas.