Os 35 anos da Sociedade de Arqueologia Brasileira

Atualmente estou em São Paulo tentando acompanhar a reunião da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB) pelas poucas coisas que estão publicando na internet (o que sinceramente não está ajudando muito).

Contudo, foi disponibilizado um link para assistir ao vídeo em comemoração aos 35 anos da SAB, lançado na abertura do XVIII Congresso da SAB, no último dia 27/09. Nele a história da Sociedade é narrada pelos (as) antigos (as) diretores (as). Abaixo o vídeo:

Bastidores do vídeo “Um mergulho na Arqueologia Subaquática”

No dia 20 de setembro estive na Baía de Todos-os-Santos, Salvador (BA), para gravar um vídeo para o Arqueologia Egípcia que estará disponível em breve no canal do próprio (inclusive inscrevam-se clicando aqui). O intuito deste material é mostrar para vocês um pouco do que é a Arqueologia Subaquática através de uma entrevista que fiz com o meu colega e amigo Luis Felipe Freire, além de apresentar um dos tipos de sítios mais populares da Subaquática: um sítio de naufrágio; não sei quando sairá esse vídeo, mas postarei lá no AE assim que possível.

Já fazia alguns meses que eu estava interessada em gravar com o Felipe e há algumas semanas comentei isso com ele. Felizmente ele tinha um mergulho marcado para os dias seguintes e convidou-me para ir junto. Com o equipamento em mãos tomamos a embarcação que nos levou para a praia de Boa Viagem, lá na Baía de Todos-os-Santos, onde está naufragado o cliper Blackadder, navio europeu que veio a pique no dia 05 de novembro de 1905, após ser agitado por fortes ventanias e se chocar contra os corais da praia.

Peter e Carlos.

A manhã estava bem nublada, o que me preocupou; sabe como é, tempo nublado é sinal de chuva, chuva é sinal de muito vento e muito vento é sedimento do mar revolvido o que prejudica a visibilidade da água, ou seja, fica mais difícil observar o sítio. Contudo, todos os mergulhadores presentes pareciam bem otimistas de que iriam conseguir ver bem o naufrágio.

Infelizmente eu não poderia mergulhar, já que ainda não tirei minha credencial, então tive que ficar na embarcação com o condutor enquanto os mergulhadores, inclusive dois deles pesquisadores (o Felipe e Orlando) submergiam para dar uma olhada no sítio arqueológico; naturalmente nada foi removido já que não aprovamos esse tipo de prática de retirada de objetos de sítios submersos sem um projeto e a autorização dos órgãos competentes. A ideia foi realizar fotografias para auxiliar na pesquisa do Orlando, além de registrar algumas imagens subaquáticas.

Estruturas do Blackadder. Luis Felipe Freire. 2015.

Já em relação a minha pessoa a preocupação principal foi a possibilidade de que eu tivesse algum enjoo, algo que pode ocorrer com qualquer pessoa que sai para navegar, mas felizmente não senti nada, mesmo após comer pão com maionese e sardinha (Sim! Muito bom!). Foi um passeio extremamente tranquilo e com pessoas agradáveis. Para vocês terem uma ideia eu gravei para o meu canal pessoal algumas coisas lá:

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O tempo abriu um pouco no final das nossas atividades. Foi um passeio muito cansativo, mas bastante divertido. Amei conhecer todos os mergulhadores e o Carlos, condutor da embarcação. Tenho certeza que ainda vamos todos mergulhar muito por aí.

Já a entrevista que cito no final do vídeo acima foi realizada em terra no dia seguinte. Fiquei um pouco nervosa porque desta vez eu estava indo sozinha para gravar tudo (eu sempre vou com a Sandrine e usamos duas câmeras), entretanto a Fernanda, também minha amiga, igualmente arqueóloga e esposa do Felipe, estava lá e virou minha nova camerawoman em terra. 😀

Eu e o Felipe durante a entrevista. Fernanda Libório. 2015.

Espero muito que vocês curtam o trabalho final, mas por hora fiquem só com o vlog mesmo 😀

São Paulo, já já chego aí!

Sexta-feira que vem estarei retornando para São Paulo e passar uma semana lá. Estou bastante empolgada para rever a cidade e apesar de passar somente alguns dias lá reservei uma sábado para poder dar um “olá” para alguns leitores do Arqueologia Egípcia.

Bom, o motivo da minha ida para Sampa é porque… Espera! Tenho que contar uma breve historinha antes: De dois e dois anos ocorre a reunião da Sociedade de Arqueologia Brasileira, uma delas caiu nesse ano, porém resolvi não ir (pesar de ter partido o meu coração). Foi quando ocorreu algo que vocês podem chamar de “destino” (prefiro chamar de cagada, ou talvez dar uma de educada: coincidência), porque há um mês fiquei sabendo que a minha banda favorita virá para o Brasil. A parte do destino/cagada/coincidência é que o show será no dia 27 de setembro, dia da abertura da reunião da SAB. Meu queixo caiu quando eu soube. Imagina a depressão em que eu iria ficar se eu tivesse me inscrito na SAB? Contudo, sem a SAB no meu caminho poderei
ir para São Paulo feliz da vida. Beijos SAB! Te amo mas…

Bah Márcia, então você prefere sua banda do que a Arqueologia? Bom… Então… Não posso simplesmente escolher uma, mas entre escolher ir para um evento da SAB e ir ver a minha banda do coração a qual não sei quando terei a oportunidade de ver novamente é CLARO que escolho a segunda opção.

Confiram o vídeo abaixo onde comento mais sobre o assunto e o que espero do encontro com os leitores 😀 Não esqueçam de se inscrever no meu canal solo (clique aqui).

Pessoas de São Paulo, estou louca de ansiedade para conhecer vocês. Aos demais: tentarei gravar ao máximo todos os detalhes.

Quero que vocês viagem comigo 😀

Arqueologia e ficção: tudo vale em nome do entretenimento?

Há alguns meses escrevi um texto sobre a novela “Os dez mandamentos” — leia aqui: (Comentários) Novela “Os 10 Mandamentos” (Brasil) — e como já era de se esperar recebi algumas mensagens indignadas de pessoas incomodadas por minhas palavras, utilizando o argumento de que a obra, que ainda faz parte da grade de atrações da Record, é somente entretenimento e que por isso não precisa ter compromisso algum com a verdade. Aos que utilizaram esse argumento: discordo totalmente.

Vale lembrar que “Os dez mandamentos” tem como base um mito religioso que, todavia tem como plano de fundo a civilização egípcia e que a partir do momento em que produtores se prontificam a lançar tal material em uma rede nacional aberta está atingindo muito mais pessoas do que documentários da National Geographic ou uma Discovery Channel (embora nem mesmo estes sejam dignos de confiança) e consequentemente educando-as. Ou seja, infelizmente a novela alcança um público infinitamente mais amplo que educadores especializados na Antiguidade egípcia podem alcançar. Como consequência vemos estereótipos e ideias errôneas sendo repassadas para as (os) brasileiras (os) comuns, aqueles que muitas vezes nem sequer têm ou teve acesso a uma educação básica de qualidade e que agora é apresentado a um Egito lúdico, fora da realidade.

Mas não se enganem achando que sou contra a criação de obras inspiradas em fatos históricos, pelo contrário! Eu sou totalmente a favor e ainda gosto de divulgar. Contudo me incomoda muito esse argumento de que com entretenimento tudo pode, que nós pesquisadores deveríamos parar de ser chatos por sempre corrigir os erros. Ora, então qual o sentido da nossa profissão? Ficarmos enfornados em nossos laboratórios ou grupos de estudos debatendo entre pares enquanto uma obra nacional passa para a população uma série de maluquices sobre a antiguidade?

Também recebi vários comentários em redes sociais falando que existe um lado bom: o público agora está interessado em aprender mais sobre a Antiguidade egípcia; Até certo ponto sim. Posso ver que algumas poucas pessoas começaram a ter interesse e a pedir indicações de livros, mas a maioria só quer saber que fim teve a “safada” da mãe da Nefertari (a identidade da mãe da rainha é ainda desconhecida para nós), se Seti I foi assassinado daquela forma (não existe nada que sugira que Seti I foi assassinado) e como deus matou Ramsés II. Eu recebi e-mails até de pessoas que só querem saber spoiler da novela.

Para quem não está convencido de que por ser entretenimento existe sim problemas em passar ideia equivocadas, deixo abaixo um vídeo do Canal do Pirula que irá complementar as minhas palavras:

Lançamento de livro sobre o Antigo Egito: Ramsés II, o Deus vivo, conquistador de terras e de corações

“Ramsés II, o Deus vivo, conquistador de terras e de corações (2015)”, de Maria Helena Trindade Lopes

Ramsés II, o Deus vivo, conquistador de terras e de coraçõesRamsés II foi o mais emblemático de todos os reis egípcios.
A edificação da «lenda de Ramsés», criada e sustentada por sua mãe, a rainha Tuya – o grande amor da sua vida -, permitiu-lhe dominar o mundo à sua volta e restaurar o velho orgulho imperial egípcio.
Viveu noventa e dois anos, e reinou mais anos do que qualquer outro faraó, festejou catorze jubileus reais, deixou a sua marca gravada na pedra de norte a sul do Império, mas não se soube defender do maior de todos os mistérios – o Amor -, nunca tendo conseguido «domar» e seduzir Mérit, a cantora de olhos negros rasgados, que transportava consigo um terrível segredo do passado. No entanto, ao longo da sua extensa vida conquistou várias mulheres que lhe deram mais de uma centena de filhos.
A História, como sempre, é representada por vários atores. Aqueles que aparecem em primeiro plano, como Ramsés II, e os outros que, nos bastidores, vão urdindo o enredo e manipulando os atos. Mérit e Ísis, neste caso, foram as verdadeiras autoras desta intriga tão extraordinária que nos permite conhecer o homem profundamente sensual e afetivo que se oculta por detrás do grande guerreiro, do «deus maior», que os livros persistem em apresentar (Sinopse: m.wook.pt).

(Resenha) “A menina que colecionava borboletas”, de Bruna Vieira

A menina que colecionava borboletas

Título: A menina que colecionava borboletas

Autora: Bruna Vieira

Editora: Gutenberg

Nº de páginas: 152

ISBN: 978-85-8235-122-2

Hora ficção, hora um lapso da vida da autora, este livro é uma antologia de alguns sentimentos femininos em alguns momentos enfadonhos, em outros curiosos. Confesso que tive uma relação de amor e ódio com esta obra e precisei conversar com outra garota para poder entendê-la.

A principio eu não tinha interesse alguma por “A menina que colecionava borboletas”, a única coisa que me parecia verdadeiramente curiosa era a capa que é de uma beleza notável, contudo passei por um certo período de grande atividade com o meu site e eu precisava “escutar” o que uma “amiga” teria para me falar sobre o assunto, dar concelhos de como lhe dar com a popularidade que estava começando a ficar incomoda. Estacionei em uma livraria e em um breve passeio reencontrei esse livro e resolvi dar uma lida.

Já na apresentação a Bruna fala sobre aniversário e tentar não levar a sério as expectativas alheias. Parecia perfeito para mim não somente para entender outra pessoa que tinha passado por algo parecido comigo, mas porque em poucas semanas eu estaria aniversariando e aniversário sempre é uma data tensa para mim não por conta da nova idade, mas porque parece que todos os anos todos fazem competição para me irritar, enquanto eu só gostaria de ficar quieta em um canto.

Levei o livro para casa e não poderia estar mais enganada sobre o conteúdo.

O que eram crônicas interessantes tornaram-se em uma coletânea de choro angustiado adolescente e foi quase um martírio chegar até a metade da obra. Um misto de arrependimento e tentativa de finalizar o livro me preencheu até que fui desabafar com uma das minhas irmãs. Eu precisava “por para fora” o quanto aquelas crônicas eram ridículas, até que ela esclareceu que apesar de parecer situações surreais muito do que a Bruna estava citando em seus textos ocorriam com pessoas reais, muitas delas meninas ainda confusas com a própria maturidade sexual ou atordoadas pela expectativa da sociedade do que seria o seu “papel como mulher”.

Ter essa conversa abriu meus olhos, comecei a entender as dificuldades, inseguranças e anseios pelos quais as meninas eram obrigadas a passar por simples convenção social de “ter que amar” ou por pura imaturidade. Como muitas delas idealizam e superestimam o amor enquanto a realidade é muito mais crua. Caiu a ficha de que a autora é uma ótima observadora e isso explicou porque ela faz tanto sucesso entre o público adolescente.

Estar no comando da própria vida é uma das melhores sensações que o ser humano consegue experimentar. A melhor, até onde sei, ainda é o amor. Viver as duas coisas ao mesmo tempo não é tão simples quanto parece, como descrevem os filmes e livros. É raro. Muito raro. Nossa sorte é que tentar também é divertido — A menina que colecionava borboletas; pág. 15.

O livro foi escrito de forma bem impessoal onde encontramos termos como “sabe”, “né”, etc, como se ela estivesse conversando com alguém com quem tem grande amizade ou em seu diário. A obra também é composta por ilustrações da artista Malena Flores, a mesma desenhista que fez a capa.

Bruna, em um vídeo do seu canal, chegou a comentar o que estava planejando ao usar o termo “borboletas” no título. Ela queria fazer uma analogia com sentimentos e sentimentalismo é o que não falta nessa obra, o que pode incomodar um pouco as (os) leitoras (es) mais duras (os). Contudo, entre um texto e outro ela oscila entre aceitação da aparência, vida amorosa e trabalho. Em momento algum ela descreve garotas perfeitas, somente reais, então acho um livro válido para ler, especialmente se o (a) leitor (a) tiver interesse em ler vários recortes de reflexões em formato de crônicas somando ao fato de que a Bruna Vieira é uma autora que está crescendo cada vez mais, o que nos dá margem para imaginar no que ela se transformará em um futuro próximo. Mas já deixarei logo claro: alguns dos textos são tão melosos que dará vontade de arrancar os fios dos cabelos.

Sim, eu também desenho!

Marcia Jamille

“Prazer! Jamillinha!”… Nome dado por meu amigo João Moreno.

E também sei fazer malabarismo… Somente com duas laranjas, todavia, mas é um talento notável para alguém que é incapaz de realizar duas ações ao mesmo tempo.

Aprendi a desenhar na minha adolescência com uma garota mais nova do que eu e que tinha a maior paciência do Universo. Ela ensinou para mim as noções básicas dos traços de mangá. Hoje ela tem um estúdio de ilustrações.

Sempre desenhei como um hobby (mas isso é trabalho de muita gente, então respeitem hem!) e o meu material favorito no início foi o lápis, sem uma arte final, o que me levou a ser alvo de críticas por parte de um carinha metido a “editor de revistas” (sim gente, é sério, entre aspas porque ele tinha delírios de grandeza).

Por alguns anos fui bastante influenciada pelos traços da Érica Horita, desenhista brasileira que até hoje tenho vontade de conhecer e trocar algumas palavras, mas que provavelmente jamais verei na minha frente. Ela ilustrava a revista Ethora, a qual nunca li o final (snif).

Eu nunca desenvolvi meus desenhos e de qualquer forma nem sei se eu teria avançado porque parei de praticar. Foi quando aprendi em uma noite qualquer a vetorizar e desde então minhas madrugadas de insônia raramente são as mesmas.

desenho_marcia_jamille_esquema

Não sei desenhar cenários e nem tenho mesmo muita paciência (*desculpa esfarrapada*), por isso minhas ilustrações raramente possuem um fundo lindo e maravilhoso.

Meu tipo de personagem favorito de retratar são garotas pequenas e magrinhas, embora eu tenha muita vontade de desenhar as mais cheinhas também (sim, eu procrastino).

A maioria dos leitores do Arqueologia Egípcia provavelmente não sabem que eu desenho, mas já viram um trabalho meu centenas e centenas de vezes ao abrirem o blog #AEgipcia. Quem desenhou a “Jamillinha” foi eu, assim como o tema de Halloween de 2014 do mesmo blog onde além de me retratar vestida como uma egípcia estou acompanhada pelo Jack-o’lantern e faço uma singela homenagem ao VAMPS.

marcia_jamille_desenho_halloween_VAMPS

Só que eu ainda não contei para vocês que depois que comecei a colorir com vetores eu caguei com o meu desenho a lápis e faço agora rabiscos também com caneta bique e se brincar rola até carvão. Abaixo está o rabisco da imagem anterior. Vocês podem observar que o Jack está menor, a personagem tem cílios e a bandeira mais próxima; isso porque no computador eu mudei uma série de coisas.

marcia_jamille_desenho_halloween_VAMPS_rascunho

Desenhar é divertidíssimo: posso inventar pessoas novas, criar roupas, brincar com cores. Entretanto requer pâciencia também, não é algo que se aprende da noite para o dia.