Conheça a Arandu Arakuaa, uma banda de metal indígena

A cultura indígena está tão presente em nós, mas incrivelmente é sumariamente ignorada. Ela está na farinha de mandioca de cada dia, no pirão, tapioca, beiju, nos nomes de cidades — Aracaju (SE), Arapiraca (AL), Araraquara (SP), Araxá (MG), Bauru (SP), Guarulhos (SP), Ipiranga (PR), Jacarepaguá (RJ), etc —, nos nomes próprios — Jacir, Moacir, Janaina, Yara, Maiara… — e até o icônico Saci Pererê, cujo dia será comemorado no próximo 31 de outubro, tem um pé — com o perdão da expressão — nas lendas indígenas.

Contudo, mesmo com esses exemplos simples (existem muito mais coisas que herdamos) indivíduos indígenas são postos de lado pelo o restante da sociedade brasileira e perseguidos à luz do dia.

Mas nem todos os brasileiros fazem do nosso país um cenário ruim, recentemente vi uma reportagem no Facebook falando sobre o novo CD de uma banda de metal indígena. Cliquei na hora morrendo de curiosidade e torcendo para que o som fosse incrível. Não me arrependi. A banda chama-se Arandu Arakuaa e mistura Heavy Metal com instrumentos e línguas indígenas.

Imagem do clipe “Hêwaka Waktû”. Na ordem: Adriano Ferreira, Nájila Cristina, Zândhio Aquino e Saulo Lucena.

Fiquei muito empolgada e os convidei para uma entrevista com o intuito de mostrar para os simpatizantes da Arqueologia e estudantes da mesma que a cultura indígena não está morta, muito pelo contrário, estando muito mais próxima da nossa realidade [1] e não sendo somente aquele pote cerâmico ou um cachimbo encontrado em escavações arqueológicas.

A banda é composta por Nájila Cristina (vocais/maracá), Zândhio Aquino (guitarra/viola caipira/ vocais/teclado/maracá), Saulo Lucena (contrabaixo/vocais de apoio/maracá) e Adriano Ferreira (bateria/percussão). O visual dos integrantes não é homogêneo o que é bom porque eles não caem no estereótipo de que para ser ou descender de indígenas o indivíduo deve obrigatoriamente ter penachos e viver despido;  usar uma calça jeans ou coturnos não tira a qualidade de alguém de ser indígena. Abaixo a entrevista. Quem respondeu as perguntas foi o Zândhio Aquino, idealizador da banda:

1 — Qual a ligação da banda com a cultura indígena? É somente artística ou leva em consideração questões como ancestralidade?

Zândhio: Ancestralidade, identificação e compromisso em dar nossa contribuição para ajudar a preservar e divulgar as culturas e lutas dos Povos Indígenas do Brasil.

2 — Através dos vídeos no Youtube e algumas fotos observei que vocês utilizam elementos tais como pintura corporal e alguns acessórios indígenas e inclusive que cantam em línguas nativas. Como foi que surgiu a ideia de montar a banda se utilizando justamente desses componentes, especialmente a adoção da língua?

Zândhio: Está intimamente ligado com o lugar onde nasci e morei até os 24 anos de idade, nas proximidades da Terra Indígena Xerente no estado do Tocantins. Desde cedo fui agraciado pelos espíritos dos meus ancestrais com o dom da arte, em especial de compor músicas e chegou um momento em que notei que precisaria usar esse dom para honrá-los e a favor da nossa luta. Aqui no Distrito Federal encontrei meus parceiros de banda que também estavam prontos para darem sua contribuição.

Imagem do clipe “Hêwaka Waktû”. Saulo Lucena.

As línguas indígenas, as referências musicais, as pinturas, os acessórios, bem como o cuidado com a consistência do trabalho é justamente para emocionar e despertar as pessoas para nossa cultura raiz. Nossa forma de contribuir é usando a música, então é necessário que ela seja verdadeira e bem feita.

3 — E como tem sido a aceitação do público nesse aspecto? Sobretudo pelo fato de que o nosso país ao longo dos séculos tem criado uma imagem tão pejorativa para os índios.   

Zândhio: Varia de acordo com o nível de informação e gosto musical de cada um. Temos um público bem diversificado, desde o fã de rock/heavy metal a pessoas que apenas têm interesse pelas culturas indígenas como pesquisadores e praticantes de xamanismo. Acaba que apresentamos a cultura nativa ao público do rock e o rock às pessoas ligadas às culturas indígenas. O que é lindo, pois sempre foi essa a nossa intenção e estamos aqui pra quebrar paradigmas.

No geral até mesmo quem não se identifica com a temática ou com a parte musical respeita e admite que fazemos um bom trabalho. Somos o tipo de banda que toca em qualquer espaço que respeite nossa arte e nossa causa.

4 — E vocês já receberam algum feedback de alguma comunidade indígena?

Zândhio: Vários, temos amigos indígenas que nos apoiam. No segundo álbum “Wdê Nnãkrda” um amigo Xerente nos ajudou com correções para as músicas em sua língua, bem como um amigo Xavante fez o mesmo para as músicas no idioma Xavante.

Nossa ideia é cada vez mais expandir e usar mais idiomas indígenas e estamos abertos a colaborações e parcerias com amigos indígenas. Obviamente quando rolar será de forma espontânea e por afinidades, é assim que funciona tanto nas comunidades indígenas quanto nas bandas de rock.

Imagem do clipe “Hêwaka Waktû”. Nájila Cristina.

5 — A internet tem sido de grande ajuda na hora de espalhar conhecimento — e infelizmente estereótipos e com eles preconceitos —. O que você enxerga de positivo e negativo nessa ferramenta do ponto de vista da divulgação da cultura nativa?

Zândhio: A internet tem sido a forma mais acessível para se ter contato com a cultura nativa. No nosso caso de banda independente quase toda a divulgação se concentra na internet. Vejo que tem mais pontos positivos que negativos, obviamente que a mesma ferramenta que leva conhecimento e mensagem positiva também é usada para disseminar o preconceito e ódio, mas isso dependente do que cada usuário está buscando e gente assim iria fazer merda mesmo se não tivesse a internet (risos).

6 — Os Bandeirantes são mostrados em muitos livros didáticos como heróis nacionais e os massacres a tribos inteiras são descritas em poucas linhas como se fosse algo sem muita importância. Ainda temos o chamado “Relatório Figueiredo”, que foi escrito há cerca de 45 anos em plena Ditadura Militar, e que denunciava vários crimes de violação aos direitos humanos contra povos indígenas. Em suas páginas é descrito um verdadeiro genocídio, mas foi e continua sendo sumariamente ignorado pelo o governo brasileiro. Como você sente-se em relação a isso?

Zândhio: Invadiram as terras dos indígenas, matavam seus homens, violentavam e estupravam suas mulheres. Quando criança ouvia as histórias que minha avó contava, dentre elas uma que os invasores mantavam as mulheres grávidas, jogavam o feto pra cima e aparavam na ponta do fação.

Esse genocídio continua até hoje e apenas ganhou formulas mais “sofisticadas”. A história do Brasil foi e está sendo escrita com sangue indígena. Não teria palavras pra expressar minha dor e indignação.

7 — Como foi fazer uma ponte entre o rock e os instrumentos tradicionais brasileiros? Ocorreu uma pesquisa anterior para ver o que combinava ou vocês tentaram encaixar de alguma forma o que tinham em mãos?

Zândhio: Não houve qualquer pesquisa, as músicas já nasceram dessa forma. Durante muito tempo em outros projetos fui pressionado a deixar de lado as referências indígenas e de música tradicional brasileira, esse tipo de pressão gerava um bloqueio criativo. Quando comecei a compor pro Arandu Arakuaa tudo fluiu naturalmente e meus parceiros de banda trouxeram também outras influências pra diversificar ainda mais nossa música. Em algumas músicas não usamos viola caipira ou instrumentos indígenas, mas essas referências de melodias, ritmos, climas e temática continuam lá.

Imagem do clipe “Hêwaka Waktû”. Adriano Ferreira.

Também temos nossas limitações de banda de rock com apenas quatro, cinco pessoas e gravamos o que é possível ser reproduzido ao vivo.

8 — No Brasil nós arqueólogas e arqueólogos devemos adotar atividades chamadas de Educação Patrimonial e Arqueologia Pública, que têm como objetivo despertar o interesse das pessoas para o passado brasileiro. Entre os nossos pares realizamos congressos e reuniões para discutir nossas descobertas. Mas eu quero saber de você: caso já tenha se interessado pelo o tema, já existiu ou ainda existe alguma dificuldade em ter acesso a artigos ou conclusões de cursos que relatam trabalhos em sítios arqueológicos indígenas?

Zândhio: A impressão que tenho é que muitas informações ficam presas no âmbito acadêmico dificultando o acesso do público em geral. Diariamente pessoas nos procuram para auxiliá-las com pesquisa sobre culturas indígenas e é assustador notar que a grande maioria não faz ideia por onde começar.

Infelizmente o sistema educacional brasileiro sempre deixou de lado a história dos povos originários dessa terra. Algumas iniciativas vão produzindo uma sensível mudança, mas ainda estamos distante do ideal.

9 — A capa do CD Wdê-Nnâkrda é belíssima. Qual foi a inspiração?

Zândhio: O próprio conceito do álbum. Wdê Nnãkrda (tronco de árvore no idioma Akwẽ Xerente), em um sentido amplo seria origem, raiz, base, ancestralidade, conexão com a mãe terra. Na capa é possível ver uma índia com a pintura corporal dos indígenas Akwẽ Xerente com traços verticais fortes e unitários como uma tora.

Capa do CD Wdê-Nnâkrda.

As responsáveis pela arte e projeto gráfico foram as gêmeas Bianca Duarte e Natalie Duarte, idealizadoras e ilustradoras de um projeto lindo sobre mitologia brasileira chamado Brasil Fantástico, super indico a todos conhecerem. Demos total liberdade criativa para elas e estamos muito felizes com o resultado e a parceria.

10 — Qual são os planos para o futuro?

Zândhio: Divulgar ao máximo o novo disco e cada vez mais solidificar nosso trabalho e honrar nossa cultura nativa.

Escute a música “Hêwaka Waktû”:

Saiba mais sobre a Arandu Arakuaa:

Siga as novidades da banda: https://www.facebook.com/aranduarakuaa
Veja vídeos: youtube.com/aranduarakuaa
Escute algumas músicas: https://soundcloud.com/aranduarakuaa


[1] Inclusive há alguns dias ocorreu o I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas no Tocantins.

Princesa Isabel, astecas, aeroporto e hieróglifos: tudo no mesmo pacote

Então, vocês sabem que recentemente estive em São Paulo (clique aqui e leia um post no Café Néftis onde conto mais detalhes sobre alguns passeios que fiz lá). Passei cerca de uma semana, mas sinceramente não deu para visitar muita coisa…

Bom, como o nosso dia de volta seria todo em aeroportos (primeiro em Guarulhos, depois uma eternidade em Salvador) resolvi procurar por algum livro interessante para comprar, nunca se sabe o que podemos achar. Acabou que comprei um livro sobre a civilização asteca. Há anos não leio nada sobre o tema, mas como li na bio do autor, o Marco Antônio Cervera Obregón, falando que ele é arqueólogo, resolvi arriscar e comprar a obra.

Também comprei “A história da Princesa Isabel”, da Renata Echeverria. Os livros biográficos de personalidades históricas brasileiras são tão cheios de sensacionalismo e complexo de vira-lata que fiquei muito desconfiada se eu comprava ou não (eu poderia dar dois exemplos bem famosinhos e que fazem historiadores se contorcerem de tristeza, mas não… Prefiro não dar ibope). Para variar, muitos materiais que escrevem sobre a Isabel usam discursos anti-monarquistas (pera lá, não vá achando que sou monarquista ok? Mas acho feio ficar usando discursos ideológicos preconceituosos para denegrir as pessoas) e as vezes extremamente misóginos, vendendo uma imagem de uma princesa manipulável e fanática religiosa. Entretanto, dei uma passada no Skoob para ver se existia alguma resenha e vi somente uma, a de um senhor que falou muito bem do material e fez questão de exaltar que o livro não tem a velha bobagem de querer sujar a imagem da monarca. Então comprei. Espero muito que esse moço tenha sido sincero.

E ao chegar em casa ainda tinha um pacote esperando a fia aqui (Uhuu!). Era da nossa parceira, a Chiado Editora. A cortesia é o livro “Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico para o estudo do estágio inicial da língua egípcia (de 3000 a 1300 a.C.)”, do Ronaldo Gurgel Pereira (já comentei sobre ele aqui). Em breve escreverei uma resenha sobre o mesmo. Aguardem.

Tudo isso e mais está no vídeo abaixo e não esqueçam de inscrever-se no meu canal. Ele é independente do Arqueologia Egípcia. É só clicar aqui e ser feliz <3 .

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Bate e volta em São Paulo

A minha semana em São Paulo foi curtíssima, deixando-me com a sensação de que partindo de lá eu tinha quebrado alguma parte importante da viagem, especialmente pelo o fato de que os últimos dois dias foram perdidos: eu e a minha irmã ficamos doentes. :/

Quando chegamos nem de longe o clima nos ajudou: assim que pousamos estava um calor horroroso. Fiquei realmente com pena dos paulistanos porque o problema não é só o Sol acabando com você, é a sensação térmica. Eu desidratei muito rápido, fiquei com a garganta inflamada e tinha dias em que o meu nariz ardia tanto que parecia que eu estava tendo algum ataque alérgico constante.

No sábado no horário da tarde realizei uma reunião com alguns dos leitores do Arqueologia Egípcia em um encontro intimista que ocorreu na Casa das Rosas, na Avenida Paulista, e que por mais incrível que pareça deu certo. Eu estava muito ansiosa em saber como seria o encontro, mas ocorreu tudo bem. Todos os que compareceram foram ótimos e gravamos o vídeo que esta disponível no canal do Arqueologia Egípcia.

No encontro com os leitores a Iara, garota que comentei no vídeo em que anuncio os motivos da ida para São Paulo, também compareceu e até participou das conversas 😀

No mesmo dia eu tinha ido mais cedo para a Livraria Cultura que não me encanta unicamente pelo o espaço e acervo, mas por sua história: tudo começou com uma moça e origem alemã chamada Eva Herz (1911-2001) que operava um minusculo negócio de empréstimos de livros na sala de sua própria casa. Aparentemente essa mulher tinha jeito para a coisa porque dois anos depois abriu a primeira Livraria Cultura na Rua Augusta onde desta vez vendia as obras. O seu filho herdou o negócio e ampliou o universo da mãe abrindo uma loja na Paulista e sendo o pioneiro no mercado brasileiro a vender livros pela a internet; quem contou-me esta história foi a minha mãe, quando externei para ela a minha preocupação em ter que gerenciar as vendas dos meus livros através do Arqueologia Egípcia. <3

Foto @marciasandrine

O domingo foi reservado para o show do VAMPS que, nossa… Foi incrivelmente esmagador. CLARO que comentarei mais em um vídeo a parte. E na segunda-feira reencontrei a Iara para nos despedir e choramingar rememorando o maravilhoso show. Escolhi a Starbucks da Av. Paulista, próximo da Consolação para reencontrá-la (o ambiente é lindo e livre do cheiro de cigarro) e pedi um Refreshers de Frutas Vermelhas e um muffin de chocolate. Péssima escolha! Tudo ficou muito doce então deixei o muffin de lado e fiquei somente com o refreshers que estava ótimo.

No dia seguinte passei pelo MASP (e com tristeza ver que a estátua da deusa Hygéia não estava exposta desta vez… Minha peça favorita). Escolhi a terça-feira porque é o dia em que a entrada é franca e desta vez tive o raro prazer de não ver os vendedores de antiguidades tão típicos na entrada do MASP. Sou totalmente contra a venda de antiguidades por uma série de motivos e me revolta muito que o governo brasileiro seja tão maleável em relação a isso. E digo mais, eu já vi peças falsas serem vendidas por lá e sinceramente bem feito para quem compra.

Foto @marciasandrine

Mais tarde fui para o Bairro Liberdade ( <3 ) onde aproveitei para conhecer a lanchonete vegana Broto de Primavera. Como gosto muito de “hambúrguer” de soja pedi a especialidade da casa, mas acabou não sendo do meu agrado. Mas o ambiente é bem agradável e o atendente super atencioso. Eles fazem cursinho para quem quer aprender sobre a culinária vegana. Se alguém tiver interesse em conhecer fica na Rua São Joaquim, 295.

Foto @marciasandrine

Passeei pelo o bairro, mas não encontrei muita novidade: muitas lojas comercializavam a mesma coisa pelo o mesmo preço, as galerias (a exemplo da Sogo) com produtos de animes estavam vendendo figures das séries mais populares por preços altos (embora muitas tenham sido importadas da China mais baratas). Só comprei algumas besteirinhas (que mostrarei num vídeo que fiz no aeroporto).

Foi nesse dia que os sintomas do resfriado tornaram-se mais fortes e precisei ficar de cama, o que me levou a cancelar a ida para a USP e outras atividades reservadas para os dias seguintes. Como dizem: o que é bom dura pouco!

Lançamento de livros sobre Arqueologia: Arqueologia Subaquática

Arqueologia Subaquática em Cananéia de Gilson Rambelli

O autor nos convida a fazer um mergulho na Arqueologia Subaquática, chamando atenção para o potencial do patrimônio cultural subaquático brasileiro, enquanto testemunhos únicos de diferentes atividades humanas que se encontram, por diversos motivos, submersos. Ressaltando que esta percepção sobre os sítios arqueológicos subaquáticos é nova e ainda é mal compreendida pelo senso comum, que os compreendem pela ótica especulativa dos sonhos e lendas dos tesouros submersos.
Buscando concretizar a Arqueologia Subaquática no Brasil, a cidade de Cananéia (cidade histórica do litoral sul paulista) e seus arredores, como a Ilha do Cardoso, a Ilha do Bom Abrigo e parte da Ilha Comprida serviram de cenário para a realização desses estudos. Para tal, a região, considerada importante do ponto de vista arqueológico, por ter uma ocupação humana desde a pré-história, comprovada por seus numerosos sambaquis e por seus casarios remanescentes desde o período colonial, passou a ser pesquisada em seu entorno submerso.
Para tanto, o livro traz os sítios arqueológicos subaquáticos, de diferentes tipos e datas, que foram registrados sistematicamente visando à elaboração de uma Carta Arqueológica Subaquática regional, para a gestão e proteção dos mesmos; o estudo de um sítio arqueológico de naufrágio realizado por arqueólogos mergulhadores, inédito no Brasil, buscando servir de exemplo sobre a potencialidade desses tipos de sítios, que ainda são vítima de constantes depredações em nosso país; e muita discussão sobre os conceitos que envolvem a complexidade do tema, ultrapassando assim, as fronteiras da pesquisa arqueológica, propriamente dita, chegando aos aspectos sociais e públicos referentes ao patrimônio cultural, e, sobretudo, à preservação do patrimônio cultural subaquático no Brasil, que legislativamente caminha na direção contrária da Convenção da UNESCO de 2001, ou seja, na contramão do mundo.
Trata-se de um livro de divulgação científica transdisciplinar que pode ser aproveitado por estudantes e estudiosos de diferentes áreas do conhecimento, como Arqueologia, História, Antropologia, Direito, Museologia, Biologia, Oceanografia, entre outras, e também por todos apaixonados pela temática.
Boa leitura! (Sinopse: Editora Prismas)

Sob as Profundezas: A Arqueologia Subaquática no Brasil de Keitty de Oliveira Silva

Provavelmente, muitos já se perguntaram como é o fundo do mar. Já se questionaram sobre o que se esconde nas profundezas de rios e lagos, imaginaram, ainda crianças, como seria respirar debaixo dágua, fantasiaram com aventuras difíceis, heróicas e, com certeza, vitoriosas. A Arqueologia, por si só, se apresenta no imaginário em cenários maravilhosos, inóspitos e perigosos. Somada com tubos de oxigênio e trajes de borracha, torna-se ainda mais incrível aos olhos. Quando a Arqueologia Subaquática nasce, junto, surgem novos mundos, novos mistérios. Com base em uma pesquisa historiográfica em documentações e legislações patrimoniais, Sob as Profundezas traz um panorama da especialidade da Arqueologia Subaquática em nosso país, além de abordar os profissionais que atuam nessa área e como se deu a origem do mergulho. Neste livro, o leitor encontrará uma história, onde haverão vários heróis e vilões não tradicionais, além de obstáculos ainda não superados e novas trilhas a serem seguidas. Encontrará apenas seu início e caberá ao interessado escrever sua continuação. (Sinopse: Editora Prismas)

Então, eu não deveria estar agora no Egito?

Olá viventes! Quem acompanha o Arqueologia Egípcia tanto aqui no #AEgípcia como no site central sabe que a esta altura do campeonato eu deveria estar no Egito viajando com a Ortega, mas os mais atentos já viram que há mais ou menos um mês ou um mês e meio a chamada para a mesma lá na área da agenda (sim, existe uma, está no menu lateral, olha lá e fique sabendo quais serão as minhas próximas atividades :D) daqui do blog e do AE está riscada, ou seja, ela foi cancelada (*coro de tristeza*).

Mas calma! Ela será remarcada. Neste vídeo explico (aproveitem e inscrevam-se):

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Demorei um pouquinho para gravar este vídeo, eu sei, mas o tempo para gravações é mínimo gente, não é fácil assim não.

Uma tarde agradável com os leitores em São Paulo

Certa vez li que o brasileiro Paulo Freire, educador, pedagogo e filósofo, escreveu a seguinte frase:

Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem ‘águias’ e não apenas ‘galinhas’.

Qual educador que ama a sua profissão não deseja isso? O mesmo serve para os divulgadores de ciência na internet, grupo ao qual faço parte. Muitos de nós não divulgamos o nosso trabalho por simples deleite, porque é legal (embora exista sim uma magia aí) ou porque acordamos um dia e resolvemos ligar a câmera e passar o tempo. Queremos que as pessoas tornem-se mais esclarecidas, que entendam o mundo e no caso da Arqueologia que entendam porque o mundo está como se encontra hoje.

Todos os dias é uma luta trabalhar com a divulgação da ciência na internet. Só trabalho com o Arqueologia Egípcia até hoje porque amo o que faço, o site já faz parte da minha identidade, mas seria mentira se eu falasse que eu não já tinha pensado em deixar tudo para lá, fechar o AE e voltar para a solidão das bibliotecas.

Mas tem algo que motiva-me a escrever textos, procurar fotos, realizar traduções, organizar roteiros, madrugar gravando e editando vídeos: São os leitores do AE, indivíduos advindos de diferentes contextos sociais e até de países distintos. É muito acalentador receber uma mensagem cheia de afeto e consideração e é extremamente divertido saber que um leitor de longa data entra em contato para avisar que acabou de passar no vestibular, que está trabalhando na Arqueologia ou que, sei lá, acabou de ter um bebê. É nesses momentos que percebemos que fazemos alguma diferença na vida das pessoas.

Viajar para São Paulo este ano foi um “acidente de percurso” e como eu estava indo para lá somente para curtir resolvi ver se tinha como encaixar em pouco tempo um miniencontro com leitores. Lancei a ideia no AE e surgiram alguns interessados.

Mas o que pouca gente sabe é que eu sou PÉSSIMA para organizar coisas, é tanto que sempre choramingo para meus amigos me ajudarem (não sei, mas tenho a impressão que admitir isso no blog pode afastar propensos empregadores). Sério! Só que em São Paulo desta vez eu estava levando somente a Sandrine (camerawomen e puxadora de orelhas) e mais ninguém. Foi assustador.

Porém, contrariando as minhas preocupações foi tudo extremamente tranquilo e me assustei ao ver que alguns leitores tinham chegado com uma hora de antecedência.

O dia estava muito abafado e minha garganta estava inflamada (mais cedo naquele mesmo dia acordei sem voz), mas consegui superar e curtir o momento batendo um papo descontraído e respondendo perguntas.

O encontro foi no café da Casa das Rosas, na Avenida Paulista. Fiquei sabendo dias depois que o atendimento no local pode ser um pouco deprimente e de fato presenciamos levemente isso, entretanto dois funcionários foram extremamente simpáticos e ao perceberem que estávamos gravando nos deixaram à vontade, retornando somente quando viram que a câmera estava desligada (há! pensaram que eu não notei isso hem!!!).

Na ordem: Juliana, Carol, Simone e Edna.

Tiago.

Foi muito cativante ver personalidades tão diferentes unidas pela mesma paixão, que é a antiguidade egípcia. Foi um diferente aprendizado para mim: observar de fato o poder da internet; parece uma coisa óbvia, mas não é de forma alguma! O mundo e as experiências que ela nos proporciona definitivamente são únicos.

Máscara do Tamer utilizada para entreter as crianças em palestras… Mas que foi a estrela do encontro.

Fael e eu segurando um presente do Tamer.

Soseriana que sou evocando meu patrono.

Um dos catálogos presenteados pela Contextos Arqueologia para o sorteio entre os participantes. Obrigada Contextos!

E ainda tem gente que insiste no argumento de que jovem não lê.

Agora eu quero mais encontros gente! Gostei de poder ver cara a cara as pessoas por trás da tela do computador. Escutar o que elas têm a dizer, suas aspirações e curiosidades.

Por fim, segue o vídeo especial do encontro:

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Agradecimentos:

A Contextos Arqueologia (www.contextosarqueologia.com.br) por ter disponibilizado duas cópias do “Catálogo do acervo arqueológico e histórico da reserva técnica da superintendência do IPHAN em Sergipe” para um sorteio e flyers “Conhecendo a Arqueologia” para distribuir entre os presentes.

Ao Tamer Brazily, por também ter cedido itens para sorteio (marcadores de livros feitos de papiro).

E a todos que compareceram: a Iara (que é uma amiga que conheci no Chile), Juliana, Carol, Simone, Leialdo, Fael, Tiago, Tamer e Edna.

Lançamento de livro sobre Arqueologia: Arqueologia de gênero

Arqueologia de gênero:

Arqueologia de gênero_Karla Fredel“Arqueologia de Gênero nas cidades de Pelotas – RS – Brasil E Habana Vieja – Habana – Cuba / Século XIX”. É o título da tese de doutorado de Karla Maria Fredel. Assim as cidades envolvidas no trabalho, abrigavam as unidades domésticas onde estavam o material arqueológico, a louça colonial, objeto de estúdio da autora. Em Pelotas , a residência Francisco Antunes Maciel e em Habana Vieja, a casa Prat Puig. Para este trabalho, Karla Fredel definiu como objetivo geral,a obtenção de entendimento sobre a vida cotidiana de sociedades oitocentistas situadas nas localidades citadas, através de analises de sua louça doméstica. Neste sentido foram analisados os artefatos pertencentes a cada segmento humano, bem como os espaços pertinentes aos mesmos dentro das edificações, caracterizando esta ultima abordagem, em uma pratica da Arqueologia da Arquitetura. Ainda, dentro da contextualização histórica, a obra traz enfoques sobre as realidades socioeconômicas e culturais da época, quando ambas sociedades iniciavam-se em uma nova etapa dentro da ótica capitalista.

Dentro desta realidade histórica, a autora definiu alguns aspectos como temas importantes, como:

  • Sociedades edificadas/patrimônio edificados /poder (arqueologia da arquitetura);
  • Diversidades sociais (estratificação social);
  • Códigos e comportamentos sociais e culturais;
  • Realidades femininas e subalternas dentro das sociedades patriarcas;
  • Realidades domésticas e cotidianas;
  • Sistemas produtivas e consumistas;
  • Características das espacialidades internas e externas das edificações.

A obra, portanto, contribui na interação da história e da arqueologia nas sociedades modernas dentro das realidades temporais e espaciais das localidades contextualizadas (Sinopse: Habilispress).

E em homenagem ao Halloween…

Entramos no mês do Halloween, data que aqui no Brasil comemoramos o nosso icônico Saci-pererê e que nos EUA é comemorado o Dia dos Mortos, inspirado no Samhain (“Fim do Verão”… Tudo a ver…), uma antiga celebração celta (olha a Arqueologia aí!).

Não sou a pessoa mais indicada para falar sobre as origens do Halloween, mas esse evento religioso, e hoje comercial, teve muita influência na popularização da antiguidade egípcia, afinal, foi graças a ele que atualmente conhecemos estórias de múmias que voltam a vida, amuletos amaldiçoados, armadilhas mortais em sepulturas, ou seja, muito da antiguidade egípcia presente na cultura pop advém das fantasias e especiais de Halloween.

E foi exatamente por isso que disponibilizei lá no perfil do Arqueologia Egípcia na VitrinePix uma camiseta inspirada neste evento:

Sério, muito linda! E tem a logo do Arqueologia Egípcia nas costas.

Para quem tem boa memória este desenho é do topo do #AEgípcia do Halloween do ano passado. Sim gente, eu gosto de ser nostálgica. Essa camiseta estará disponível somente até o dia 30 de outubro (2015). Veja melhor os detalhes (ela virá sem a minha assinatura):

Caso queira comprar este é o link da camiseta http://goo.gl/NNsBtR, também tem a versão econômica a qual você pode consultar o preço navegando no menu ao lado onde tem fotos de outros modelos, logicamente a qualidade do material é diferente:

Quem comprar envia uma foto para mim que eu quero ver vocês vestidos 😀

Em caso de duvidas acerca da forma de pagamento, tecido, prazo de envio, etc, entre em contato com a própria VitrinePix.

Vamos falar sobre animais e antiguidade egípcia?

Este sábado será liberada a segunda palestra do Arqueologia Egípcia e o tema desta vez é relacionado com os tratamentos que os animais recebiam durante o faraônico. Nela falarei tanto do uso de animais no dia a dia (trabalhos domésticos, alimentação, afeição) como no sentido religioso.

Múmias de crocodilos são as mais estilosas 😀

Os leitores inscritos receberão uma senha que irá funcionar do dia 10 de outubro até o dia 16 do mesmo mês.

As inscrições irão até a quinta-feira (08/10). Para participar vocês podem fazê-lo por aqui ou diretamente aqui.

Lançamento de livro sobre o Antigo Egito: O Despertar do Príncipe; Deuses do Egito – Livro I

O Despertar do Príncipe: Deuses do Egito – Livro I

O despertar  do principe - Deuses do Egito - Livro I - Colleen HouckQuando a jovem de dezessete anos, Lilliana Young, entra no Museu Metropolitano de Arte certa manhã, durante as férias de primavera, a última coisa que esperava encontrar é um príncipe egípcio ao vivo com poderes divinos, que teria despertado após mil anos de mumificação.E ela realmente não poderia imaginar ser escolhida para ajudá-lo em uma jornada épica que irá levá-los por todo globo para encontrar seus irmãos e completar uma grande cerimônia que salvará a humanidade.Mas o destino tem tomado conta de Lily, e ela, juntamente com seu príncipe sol, Amon, deverá viajar para o Vale dos Reis, despertar seus irmãos e impedir um mal em forma de um deus chamado Seth, de dominar o mundo (Sinopse:Skoob).