Você já ajudou a digitalizar documentos históricos… E nem sabia disso!

A internet é um ambiente incrível. Quando usada da maneira certa ela nos proporcionará coisas maravilhosas. Amo tanto essa ferramenta que apesar de tudo (haters e stalkers) eu ainda enxergo um grande potencial nela para a educação. Por isso estou até hoje na batalha.

Recentemente emocionei-me ao saber que eu, você, seu vizinho, mãe, avó, etc, em algum momento das nossas vidas no meio digital já ajudamos a digitalizar um livro ou documento antigo. A forma vai surpreender vocês: sabem as irritantes CAPTCHA? Aquelas letras tortas e com riscos que aparecem quando vamos submeter alguns formulários para enviar e-mails, comentários, respostas de enquetes, cadastros, etc. Pois bem, além da sua utilidade principal, que é evitar que máquinas tentem se passar por humanos (não cara, não estou falando do “Exterminador do Futuro”) e roubar dados, toda vez que respondemos um determinado tipo de CAPTCHA (vocês verão qual mais abaixo) nossa resposta é armazenada em um banco de dados.

Paralelamente existem programas que “leem” documentos de textos digitalizados. Por exemplo, você tem um arquivo como uma certidão de nascimento e quer digitar as informações que estão nela, mas por algum motivo você não quer sentar em frente a um computador para digitar. Então você digitaliza esse documento e o joga em um OCR, que nada mais é que uma ferramenta que reconhece caracteres a partir de um arquivo de imagem. Seria muito simples, mas isso não funciona muito bem com documentos antigos ou avariados, como é o caso deste abaixo:

Recibo datado de 1825. Via.

Os computadores não conseguem distinguir algumas palavras, da mesma forma que os programas não conseguem desvendar uma CAPTCHA (ao menos em teoria, porque na prática não é bem assim…). E é aí onde entra a sacada genial dos criadores da CAPTCHA. Olhem o exemplo que selecionei:

Excerto do original de “O Exército de um Homem Só”. Foto: Delfos/Pucrs. Via.

Detalhe:

Não parece com algo que você já viu em algum lugar?

Via.

Assim, toda vez que desvendamos este tipo de CAPTCHA a nossa resposta é comparada com a de outros usuários e aquela que mais tiver repetições subtende-se que é a resposta correta. Depois tudo é unido com o texto já “desvendado” pelos programas. Centenas de livros e cópias de documentos antigos estão guardados no meio digital por conta disso. Não é legal?

Para saber como surgiu a ideia, veja a palestra do Luis Von Ahn para o TED, “Colaboração online em escala massiva”. Habilite a legenda do vídeo para assistir com a tradução. Ou clique aqui.

(Resenha – Livro) “Muito mais que cinco minutos”, da Kéfera Buchmann

Muito mais que cinco minutos da Kéfera BuchmannTítulo: Muito mais que cinco minutos

Autora: Kéfera Buchmann

Gênero: Autobiografia

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 144

Ano: 2015

ISBN: 9788584390113

Entrando na aposta (certeira) de autobiografias de youtubers, a Companhia das Letras lançou agora em 2015 “Muito mais que cinco minutos”, de autoria da Kéfera Buchmann. Um sucesso absoluto e que em pouco tempo entrou para a lista dos mais vendidos do país.

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Kéfera é uma das maiores celebridades da internet, possuindo milhares de fãs espalhados em diferentes redes sociais. Seu sucesso teve início com o seu canal do Youtube, “5 Minutos”, criado em 2010 e que até hoje é um dos líderes em acessos no Brasil.

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O livro é bem ilustrado com fotografias da autora e a arte é linda. O li em pouco tempo porque o texto fluiu muito bem. As histórias narradas na obra são extremamente cômicas (não tenho palavras para o caso da depiladora), ao mesmo tempo que a Kéfera tem a preocupação de abordar assuntos mais sérios, como é o caso do bullying.

“(…) se você tem um amigo verdadeiro, valorize. É raro a gente conseguir achar pessoas que torçam sinceramente por nós. De verdade mesmo”

— Muito mais que cinco minutos; Kéfera Buchmann.

Na obra podemos observar um outro lado da autora que raramente é mostrado no Youtube, como os seus momentos de desespero, constrangimento, extrema tristeza na infância e adolescência e como dia após dia ela conseguiu contornar muitos dos seus problemas.

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Para mim, o único ponto negativo é que não são contadas suas experiências pós criação do seu canal, entretanto, ao final do “Muito mais que cinco minutos” a Kéfera sugere que esse será o tema de um suposto segundo livro.

(Vídeo) Presentes dos leitores do Arqueologia Egípcia

Escrever para o Arqueologia Egípcia tem proporcionado momentos bem especiais. Um deles é conhecer as pessoas que o visitam. E cada leitor demonstra seu carinho e companheirismo de formas diferentes; alguns escrevem e-mails, outros vão aos eventos para ver alguma comunicação minha. Entretanto, este post é para falar daqueles que enviam coisas para mim, desde produções próprias — como desenhos e livros —, fotos — de suas viagens e até mesmo em família — e coisas com temas inspirados no Antigo Egito.

Quer dizer, citei anteriormente as coisas normais, mas também já ganhei pedras calcária, seixos e moedas (contemporâneas). Adorei tudo :D. É quase certo que ainda receberei uma múmia, mas não façam isso! É ilegal.

Antes eu ficava muito encabulada quando alguém me oferecia algum presente. Era tão embaraçoso que eu nem sabia o que falar para a pessoa, mas com o tempo fui percebendo (com a ajuda de uma leitora, todavia) que o ato de presentear está muito mais no campo simbólico: é a forma de agradecer por algo. Certa vez uma moça enviou uma mensagem para mim agradecendo porque eu sempre estava atualizando o site e que por isso ela podia saber novidades sobre o amado Egito dela. Esse acontecimento foi logo depois que fui pega de surpresa ao abrir uma caixa cheia de coisas lindas enviadas pela mesma.

Com o tempo foram chegando mais objetos. Alguns entregues pessoalmente, outros pelos Correios e foi por conta desse último que resolvi criar uma Caixa Postal (o endereço está no final do post).

Sinceramente não sei como agradecer o carinho de vocês. Tem dias que penso em largar o site porque é muito estressante lhe dar com uma série de coisas ruins que vêm com a responsabilidade de cuidar dele. Já ocorreu um determinado episódio em que eu pensei seriamente em vendê-lo e lavar minhas mãos. Porém, certa noite enquanto pensava no assunto coincidentemente uma leitora escreveu uma linda mensagem agradecendo pela a existência dele, que tinha a inspirado a prestar vestibular para Arqueologia. Ela estava escrevendo naquele momento para avisar que tinha passado.

Eu já tinha prometido para algumas pessoas que iria mostrar os presentes de alguma forma para os demais leitores. Foi assim que surgiu a ideia de gravar um vídeo. O mais louco é que eu não tinha consciência de quanta coisa eu já ganhei. Isso sem contar os materiais enviados para divulgação, etc. Veja abaixo alguns exemplos e não esqueçam de inscreverem-se no canal.

Ah! Enviem cartinhas gente! Nunca recebi cartas. Podem enviar seus desenhos também porque os digitalizados se perdem fácil. Já perdi um após uma reformatação de um computador.

Esse aqui é o endereço da Caixa Postal:

Caixa Postal 1702
CEP 49046970
Aracaju – SE

E Feliz Natal… Adiantado 😀

A Arqueologia está na National Geographic Brasil de dezembro

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Mais uma vez a Arqueologia Brasileira foi contemplada pela National Geographic. Agora em dezembro (2015) a revista publicou uma matéria sobre algumas pesquisas arqueológicas que ocorreram em Santarém. O texto foi escrito pelo Prof. Dr. Eduardo Goes Neves, um dos maiores especialistas brasileiros em Arqueologia Amazônica e que já colaborou com a revista em uma outra oportunidade.

A National Geographic é um dos poucos títulos que trazem matérias de Arqueologia com seriedade e é distribuída para todo o Brasil. Então, se você gosta do tema certamente valerá a pena.

(Resenha – Livro) “Não faz sentido: por trás da câmera” do Felipe Neto

Não faz sentido por trás da câmeraTítulo: Não faz sentido: por trás da câmera
Autor: Felipe Neto
Gênero: Auto-biograia
Editora: Casa da Palavra
Páginas: 272
Ano: 2013
ISBN-13: 9788577343935
ISBN-10: 8577343936

Ler este livro foi quase um acidente: só o separei devido a um misto de curiosidade e tentativa de olhar o Felipe Neto de uma forma diferente, afinal, quando conheci o trabalho dele eu via um cara oportunista que queria chamar atenção fazendo vídeos criticando o que era popular no momento (confesso envergonhada que parte desta minha opinião foi moldada pela imprensa). Depois comecei a vê-lo como um rapaz que amadureceu e pediu desculpas por muitas besteiras que falou e, por fim, como alguém que criou um personagem icônico, mas que o usou para dar sua opinião acima da dos outros (embora o próprio Felipe insista para a sua audiência não usar o que ele diz como verdade absoluta).

Apesar de tê-lo separado, deixei o livro encostado por muito tempo, já que não estava muito inclinada a lê-lo. É tanto que eu tinha até esquecido da sua existência. Contudo, certa noite eu estava olhando de forma despretensiosa a minha lista de títulos e o vi lá no meio. Como o canal do Arqueologia está na sua fase de embrião para girino, e eu realmente tenho poucas referências sobre como lhe dar com o público, resolvi pegá-lo para ler.

Meu primeiro julgamento foi com a capa. Lá estava ele, aquele cara arrogante e os famosos óculos escuros me encarando. Não me levem a mal, eu já assisti vídeos do Felipe Neto e dei muitas gargalhadas com alguns deles, mas o ar prepotente do personagem sempre incomodou, o que, como consequência, não me dava espaço para simpatizar com o próprio Felipe.

Contudo, ainda temos o Felipe empresário, que é um cara que soube investir na internet e era esse o Felipe que eu queria conhecer mais, então resolvi fazer uma leitura.

A obra faz um passeio até o seu passado, nos apresentando algumas das situações que o levou a criar um canal no Youtube, seu estrondoso sucesso em visualizações e nos levando ao momento em que ele torna-se empresário. É uma leitura simples, despretensiosa, onde o Felipe abre o jogo e escreve de forma livre suas frustrações, sucessos e medos, e foi exatamente esse último ponto que mais gostei: a sua disposição em ser aberto com o leitor, falando sobre os seus problemas pessoais resultante do sucesso do “Não faz sentido”, a exemplo da sua depressão e dificuldades com ansiedade.

Também o vemos explicar como foi encontrar cara a cara seus “desafetos”, a exemplo da Preta Gil e o Fiuk, duas pessoas as quais ele reconhece que te deram lições para entender o sucesso e como sobreviver a todas as coisas negativas que vêm com ele.

Porém não creio que o autor tenha entendido bem o seu papel no mundo do entretenimento ou ele estava ainda imaturo quanto a isso na época em que escreveu sua auto-biografia, porque no próprio “Não faz sentido: por trás da câmera” ele fala que entretenimento não educa, mas em várias passagens ele explica a gratidão de alguns professores que usam/usavam seus vídeos em sala de aula. Foi contraditório.

Contudo, embora ele seja conflitante e algumas vezes até agressivo, para quem quer conhecer a história do Youtube no Brasil vale a leitura. Por mais que o trabalho dele não me agrade é inegável a importância da história do Felipe para o desenvolvimento na criação de conteúdo para a internet.

No geral, é uma leitura interessante, mas não está entre as melhores que fiz neste ano de 2015. Acredito que o Felipe e o seu editor deveria dar uma repaginada no material. Ele tem muitas histórias interessantes para contar, mas por hora “Não faz sentido: por trás da câmera” é só uma leitura satisfatória e com algumas boas curiosidades.

Já para quem é fã certamente será um prato cheio.

O “diário secreto” de uma ARQUEOtuber

Gravar um vídeo para o Youtube não é uma tarefa fácil. Ao contrário do que muitas pessoas pensam não é somente ligar uma câmera e falar o que dá na telha, é muito mais do que isso. Dependendo do tipo de protejo existe toda uma preparação onde pode estar incluso o roteiro, ajuste de iluminação, preparação do espaço, horário… As vezes tudo isso e mais.

Uma pessoa que fala que youtuber não é trabalho definitivamente não sabe do que está falando: mesmo um vlog, que parece algo simples, exige atenção.

Cena de um vlog feito na Baía de Todos-os-Santos, “Vento forte ≠ enjoo e mergulho em naufrágio“. Nele mostrei os bastidores do vídeo “Um mergulho na Arqueologia Subaquática”, que neste momento está em edição e vai para o Arqueologia Egípcia. Para assistir ao vlog clique aqui.

Para a maioria esmagadora de nós o nosso trabalho requer por muita coisa em risco (especialmente o nosso dinheiro) e trabalhar em horários irreais com orçamentos apertadíssimos enquanto que para o público a dificuldade maior está em assistir o vídeo até o final e nos julgar com um “like” ou “dislike”, talvez uma mensagem positiva ou negativa daquelas que te fazem questionar se continuar como criador (a) de conteúdo vale todo o esforço.

Cena do vlog “Visitando o Museu Egípcio Itinerante”. Clique aqui para assistir.

Foi para contar um pouco sobre como é ser Youtube (e para descontrair) que resolvi responder a TAG “Diário secreto de uma Youtuber” e compartilhar aqui com vocês.

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Coletânea de vídeos para entender os trabalhos de Arqueologia

O que mais adoro na internet é a incrível oportunidade que ela nos dá para aprender com pessoas que estão distantes de nós. Ao contrário de uns 15 anos atrás, na atualidade podemos acessar materiais em diversas línguas e até mesmo trocar algumas ideias com pesquisadores.

Imagem da Revista de Arqueologia, volume 25, número 1, Junho de 2012. Artigo: “Construindo histórias: cadeia operatória e história de vida dos machados líticos amazônicos”, de Tallyta Suenny Araujo da Silva.

Desde 2008 venho dedicando-me a usar a internet como uma ferramenta para a difusão do conhecimento e fico bastante feliz toda vez que vejo materiais audiovisuais de qualidade sendo distribuídos. Querem alguns exemplos? Estão logo abaixo:

12000 anos de História: o ofício do arqueólogo:

Produzido pela UFRGS TV, este é um ótimo vídeo introdutório sobre os trabalhos de Arqueologia e parte do dia-a-dia de profissionais da área. São ditos alguns termos técnicos, mas nada que uma breve pesquisa no Google não resolva. A participação que mais gostei foi a do Pe. Pedro Ignácio Schmitz.

Profissões: Arqueólogo:

Nesse capítulo do programa “Profissões” do canal da Univesp TV somos apresentados às etapas de pesquisa na Arqueologia, desde o trabalho de campo ao laboratório.

Arqueologia Re-produzindo nosso passado (Museu Nacional/UFRJ)

Neste vídeo desenvolvido pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro, ouvimos os depoimentos de profissionais e alunos da Arqueologia. Vale a pena assistir para conhecer algumas das muitas áreas dessa disciplina. A fala da Gina Bianchine foi uma das mais interessantes.

PS: Creio que uma leitora do Arqueologia Egípcia fez uma breve participação. 😀

Aproveite e veja também:

— Ser arqueólogo no Brasil (Vídeo)