Lançamento de livro: Sacralizando o Solo: O uso simbólico e prático dos Geoglifos Sul-Americanos

Sacralizando o Solo: O uso simbólico e prático dos Geoglifos Sul-Americanos (Dalton Delfini Maziero)

Os geoglifos da América do Sul constituem um dos maiores mistérios da arqueologia mundial. Como entender os motivos que levaram homens do passado a desenharem gigantescas figuras e linhas no solo? Esse fenômeno social ocorreu em grande profusão no Peru, mas também no Chile, Brasil e outros países vizinhos. Desvendar esse mistério é entregar-se a um complexo jogo da mente humana, que mistura rituais sofisticados, manipulação da natureza e necessidades básicas de sobrevivência. Afinal, por que os antigos povos das Américas precisavam dos geoglifos?

Esta obra é resultado de uma monografia de pós-graduação. Mas, para compreender o incrível fenômeno dos geoglifos, não basta apenas pesquisar livros e textos. Torna-se necessário conhecer os geoglifos em seu contexto natural. O entorno geográfico diz muito ao pesquisador nesse caso específico. Então, posso dizer que esta obra é também resultado de longas viagens pelo deserto, montanhas e altiplanos sul-americanos. O leitor não vai encontrar nada parecido com esse texto, que se propôs ser inédito em sua abordagem, comparando três grandes grupos de geoglifos de nosso continente: os de Nazca (Peru), Acre (Brasil) e Atacama (Chile). O resultado foi uma pesquisa original, que lançou novas ideias sobre o tema. Somem-se a isso as conversas e trocas de correspondências com pesquisadores locais. Mesmo encontrando respostas factíveis para esse enigma da arqueologia, sinto que os geoglifos ainda irão fascinar as futuras gerações por muitos anos! Um tema inesgotável de pesquisa, que nos leva diretamente a um mundo repleto de ritos complexos e necessidades distantes de nossa realidade. Boa leitura!

MEU COMENTÁRIO: O Dalton é o autor do blog Arqueologia Americana e foi a pessoa que me apoiou quando iniciei o Arqueologia Egípcia.

E clique aqui para ler uma entrevista com o autor.

 

Agora também estou com o Grupo de Estudos Kemet (GEKemet)

Agora também estou com o pessoal do GEKemet. Para quem ainda não sabe do que estou falando: trata-se de um grupo de estudos voltado para o debate histórico e arqueológico do Egito Antigo e que eu tenho o orgulho de dizer que está se desenvolvendo bem.

Fico feliz em dizer que quando recebi o convite para ser uma das pesquisadoras colaboradoras do grupo aceitei prontamente. Em parte porque em conversas anteriores com alguns dos membros notei um grande interesse pelo o desenvolvimento do estudo da Antiguidade egípcia não somente como uma disciplina, mas em termos educacionais; eles usualmente fazem chamadas públicas para agregar ao grupo membros da comunidade (que devem, claro, se disporem a realizar as leituras recomendadas para poder acompanhar as reuniões). Inclusive a deste ano já está aberta: http://www.ceia.uff.br/gekemet/2016/03/15/chamada-de-novos-membros-2016/

 A lista também é composta por alguns queridíssimos colegas como o Ian, Júlio Gralha, Margaret Bakos e o Ronaldo Gurgel. Para conferir a lista completa acesse o seguinte link: http://www.ceia.uff.br/gekemet/colaboradores/

E este é o Facebook do grupo: https://www.facebook.com/gekemet/

Escrevi um capítulo para o livro “Género y Ciencias Sociales: Arqueologías y cartografías de fronteras”

Faz um tempinho que comentei em vídeo que eu tinha sido convidada para escrever um capítulo para um livro colombiano que visa debater questões de gênero. Pois bem, ontem fui informada que a capa do livro foi liberada:

Como vocês podem observar este livro, “Género y Ciencias Sociales: Arqueologías y cartografías de fronteras“, foi escrito a várias mãos e adianto que por pesquisadores de diferentes Universidades e países. É uma obra bilíngue, contendo alguns artigos em espanhol e outros em português.

No meu caso fui convidada para falar sobre as mulheres na antiguidade egípcia, mas optei em ir por um caminho levemente diferente, debatendo sobre a insistência dos (as) pesquisadores (as) em dar para as mulheres egípcias que viveram no faraônico sempre um papel secundário, enquanto que a cultura material mostra um cenário diferente.

Em livros de coletâneas usualmente é realizada uma introdução sobre cada autor. Aí está a que fizeram para mim:

Desegmentar arqueológicamente las relaciones de poder para dar paso a lecturas de visibilización de mujeres egipcias, sus actividades y respectivos roles em el pasado, es el propósito de Márcia Jamille Nascimento en el que presenta a las mujeres del Antiguo Egipto carentes de una identidad señalando cómo la arqueología ha minimizado y cambia la participación tanto de grandes líderes de Egipto como de las mujeres comunes en la historia valiéndose de conceptos androcéntricos como marco estratégico y así beneficiar la función de género de la jerarquía de las antigüedades faraónicas.

O meu capítulo é o 7º, “Gênero Invisível? Como a Arqueologia tem minimizado a participação histórica das mulheres egípcias durante a Antiguidade faraônica”, e nele falo sobre mulheres no poder e as comuns, oficio dos faraós, as diferenças pensadas para homens e mulheres durante as pesquisas arqueológicas e Arqueologia de gênero.

Género y Ciencias Sociales: Arqueologías y cartografías de fronteras foi editado pela Ediciones Universidad Simón Bolívar. É um livro pensado para ser distribuído gratuitamente, por isso vocês podem baixar meu capítulo clicando aqui ou ler a obra completa clicando aqui.

Boa leitura!

Como seremos estudados pelos arqueólogos do futuro? Estamos fadados ao esquecimento?

Recentemente li uma interessante reportagem da BBC intitulada “Como seremos estudados pelos arqueólogos do futuro?”, onde é apresentada a sugestão do uso de uma tecnologia que torna possível preservar dados de DNA em “fósseis sintéticos”, o que possibilitará a leitura de códigos genéticos, porém o problema seria escolher o que registrar de acordo com a sua importância, afinal, o que definiria o que é “importante”? O Status social do espécime em vida? Sua raridade? Antiguidade?

Ler esta matéria me rememorou uma questão que apareceu em alguma aula, creio que a de teoria arqueológica, sobre o que será estudado pelos arqueólogos no futuro, uma vez que em um mundo quase totalmente dominado por redes sociais e armazenamentos em “nuvem” muitas pessoas se perguntam se não estamos deixando o planeta tão vazio que os arqueólogos do futuro não terão nada para analisar.

Já outros sugerem que como tudo está na “nuvem” nem será necessário tecer interpretações sobre a vida de determinadas sociedades.

Em ambas essas situações as sugestões são simplistas: no caso da primeira não é certo sugerir que estamos tão sedentários e vidrados na internet que não estamos produzindo nada “para o futuro”, até porque estamos gerando cultura material, seja móveis, eletrodomésticos, artesanatos, roupas, etc, e ainda produzimos lixos.

Etiquetamento e limpeza de remanescentes ósseos. Foto: Almir Brito Jr. 2014

Lixeiras, sejam “pré-históricas” ou históricas, independente da sociedade, ainda são um ótimo espaço para arrecadar dados acerca de sociedades passadas e presentes, porque ao contrário de edificações ou artefatos que foram feitos para algum fim específico (e este fim usualmente foi pensado para passar uma mensagem elaborada com antecedência), o lixo é um descarte e é nele onde estão as informações mais pessoais dos indivíduos. Tais informações, por vezes, são coisas que quem jogou fora não tinha a intenção de preservar ou mostrar para outros indivíduos do seu meio social.

Na referida reportagem que citei é comentado sobre se seria possível o nosso lixo sobreviver por milênios, mas a verdade é que mesmo entre sociedades cuja a cultura material é bem conservada (ao menos do ponto de vista arqueológico), tais como aquelas que viveram às margens do rio Nilo, o que chegou até nós é uma mínima fração do que realmente existiu. Ou quando pensamos na “pré-história” e vemos que o que encontramos em sua maioria são artefatos feitos em pedra (os chamados líticos), não é incomum pensar que só existia esse tipo de coisa, enquanto que a verdade é que poderiam ter existido artefatos feitos com matérias orgânicos, mas que não sobreviveram ao tempo. Por isso, pensar se o nosso lixo sobreviverá aos séculos é na verdade uma preocupação até que pífia.

As fotografias impressas tal como antigamente, são escarças. Foto: photographium.com

E para aqueles que acreditam que como a nossa atual sociedade se predispõe a dar dados sobre si mesma na internet e que exatamente por isso não é necessário que arqueólogos atuem no futuro, devemos ter em mente que nem tudo que está na internet é real. Uma boa parte do que é compartilhado na rede são sugestões de como queremos que o mundo nos note. Quando postamos fotos, vlogs, podcasts, etc, estamos mostrando somente o que queremos mostrar e usualmente é a parte mais bonita ou culta.

Mas algo que é legal de se pensar é que muitas destas coisas, se não sumirem da “nuvem” ou dos HDs, servirão como documentos históricos de diversas formas; seja sendo exibindo o posicionamento político de uma época, ações individuais a despeito das ordens religiosas, ou para mostrar a arquitetura ou organização urbanística de um determinado espaço; sabe aquele vlog do seu Youtuber favorito em um shopping, parque ou museu? Pois é!.

Então não existe motivo para ver o futuro de forma pessimista. Os seres humanos não ficarão menos interessantes ou menos “autores” da história mundial.

Referência:

Como seremos estudados pelos arqueólogos do futuro? Estamos fadados ao esquecimento?. Disponível em < http://www.bbc.com/portuguese/revista/vert_fut/2016/02/160219_vert_fut_arqueologia_futuro_fd >. Acesso em 18 de março de 2016.

Esse texto não é um “post resposta” à reportagem da BBC, mas uma forma de mostrar que o futuro não é tão sombrio como alguns acreditam.

Dicas de livros que foram adaptados para o cinema

Recentemente gravei um vídeo mostrando alguns livros que foram adaptados para o cinema. Falei sobre “Orgulho e Preconceito” (Jane Austen), “Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (Stieg Larsson), “O Castelo Animado” (Diana Wynne Jones), “Jurassic Park” (Michael Crichton) e “Hellraiser” (Clive Barker).

Para ver os outros vídeos do canal clique aqui.