Whindersson Nunes e a campanha #SalveASerraDaCapivara

Esta madrugada tive o prazer de assistir a um vídeo do youtuber Whindersson Nunes sobre uma viagem que fez ao Chile. E não é que fui surpreendida ao vê-lo falando sobre a importância de se preservar os sítios arqueológicos do Parque Nacional Serra da Capivara? E ele ainda pediu para a sua audiência levantar a hashtag #SalveASerraDaCapivara.

Whindersson tem mais de 12 milhões de inscritos — o que o torna o segundo maior canal do Youtube no Brasil —. No vídeo ele comenta a viagem que fez a dois países estrangeiros e sobre os sítios arqueológicos que visitou. É então quando começa a lamentar o descaso com que o Parque Nacional Serra da Capivara (Piauí) tem sido tratado e ainda enfatiza a importância da nossa cultura. Assista o vídeo abaixo:

Contextualizando: O Parque Nacional Serra da Capivara está com problemas econômicos graves. Graças a isso a arqueóloga Niéde Guidon comunicou para a UNESCO a sua saída de lá. E o pior é que mesmo com o parque sendo abandonado sumariamente pelo governo ele ainda foi homenageado durante o encerramento da Rio 2016.

#SalveASerraDaCapivara

Revista sobre pesquisas arqueológicas no Egito na década de 80

Quando chega aqui algo enviado por vocês eu sempre sinto muita ansiedade porque eu sei que cada correspondência está recheada de sentimentos, seja de respeito ou gratidão. Foi assim quando recebi o pacote do leitor Elvis Monteiro, que logo desconfiei que se tratava de uma revista e ao abrir e sentir o cheirinho de papel antigo notei que poderia ser algo muito especial. Eu nem esperei o dia de gravações, o abri assim que cheguei em casa.

E realmente é uma revista muito legal, afinal, ela é uma “O Correio da UNESCO” e foi publicada em 1980, ou seja, nem tinha se passado uma década da transposição dos templos de Assuã, tais como Abu Simbel, Philae, dentre outros. Exatamente por isso resolvi gravar um vídeo para vocês:

Espero usá-la em muitos posts para o Arqueologia Egípcia, principalmente porque possui algumas fotografias históricas, além de ter sido escrita por pesquisadores especialistas na história egípcia e sudanesa. Abaixo algumas fotografias:

Na época também foram estudadas estes lindos murais bizantinos encontrados na Catedral de Faras, na Núbia:

A fotografia abaixo mostra a transposição de colossos de tebas para Cartum:

Quando pensamos nestas transposições não é difícil lembrar especificamente do complexo de templos de Abu Simbel, que foi construído na divisa entre as terras do Egito e o antigo território núbio (hoje Sudão), por Ramsés II. Tratam-se de estruturas gigantes cavadas nas rochas na margem ocidental do Nilo: uma menor dedicada à rainha Nefertari e uma maior, para o próprio Ramsés II.

É dentro do Templo de Ramsés II que ocorre duas vezes no ano um famoso evento solar onde o Sol ilumina um trio de estátuas onde a do próprio rei está inclusa. É um acontecimento muito interessante que já cheguei a citar em um vídeo do Arqueologia Egípcia.

— Assista também: Alinhamento Solar no Templo de Abu Simbel.

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Vamos conhecer mais sobre a esposa de Tutankhamon?

Tutankhamon já uma figura bem versada entre os amantes da civilização egípcia, mas incrivelmente a sua esposa, a rainha Ankhesenamon, não é tão conhecida assim. Neta do faraó Amenhotep III com a rainha Tiye, Ankhesenamon foi filha de Akhenaton com Nefertiti.

Nos últimos 10 anos algumas notáveis pesquisas acerca desta rainha foram realizadas, infelizmente algumas nem sequer foram apresentadas para o público de fora do meio acadêmico.
No próximo dia 13 de setembro (2016) estará disponível online a palestra “A rainha Ankhesenamon: Neta, filha e esposa de faraós”. Nela comentarei sobre os estudos da posição das mulheres no Egito (do ponto de vista da Arqueologia), a vida de Ankhesenamon e algumas pesquisas relacionadas a ela.

Os leitores inscritos receberão uma senha que irá funcionar do dia 13 de setembro até o dia 19 do mesmo mês.

As inscrições irão até o domingo (11/09). Para participar vocês podem fazê-lo por aqui ou diretamente aqui.

Lugares Amaldiçoados: sítios arqueológicos, fantasmas e um programa de TV

Eu trabalhava sozinha em um museu do interior, era o meu primeiro emprego. O prédio era da época dos engenhos e não tinha nenhum segurança. Nós guias ficávamos sozinhos. Certa tarde, enquanto eu estava sentada na varanda, comecei a escutar uns passos dentro da casa. Parecia que alguém caminhava arrastando correntes. Fui dar uma olhada e não vi ninguém. Olhei a porta do quintal e ela estava trancada. Voltei correndo para a varanda e esperei até o próximo guia chegar. Assim que ele chegou entreguei as chaves e disse que jamais voltaria para lá. E realmente não voltei. Procurei emprego em outro lugar. Eu não tinha medo de fantasmas, mas pensar que naquela casa poderia ter o espírito de um escravo me assustou. [1]

Este foi o relato que escutei de uma guia turística na época em que eu cursava o meu primeiro semestre do bacharelado em Arqueologia. Foi eu, muito curiosa, quem puxou o assunto sobre assombrações; perguntei se ela já tinha visto um fantasma e ela, depois de um aparente constrangimento, cotou-me este ocorrido. Apesar de jamais ter levado muitas destas narrativas a sério, eu sempre as achei fascinantes do ponto de vista de como o espaço de um sítio arqueológico desperta os mais diferentes sentimentos. Foi por conta disso que fiquei interessada pelo programa “Lugares Amaldiçoados” (I Wouldn’t Go In There, no original), da National Geographic. Apresentado pelo blogueiro e explorador urbano Robert Joe, o programa possui somente uma temporada e oito capítulos e em cada um ele viaja para lugares da Ásia, a maioria sítios arqueológicos.

Robert Joe

O interessante é que não se trata de um programa de “caçadores de fantasmas”, mas uma série de documentários sobre História, mais especificamente sobre lugares cuja história real se misturou a mitos de cunho fantasmagóricos. Mitos esses que muitas vezes não têm relação alguma com acontecimentos reais, mas somente com folguedos locais que ganharam grandes proporções. Entretanto, em sua jornada, Joe acaba mostrando para nós que a história real consegue ser mais sinistra do que as mais tenebrosas histórias de fantasmas. Um grande bônus para o show, que humaniza o passado de pessoas comuns.

Não é raro em trabalhos de campo nos depararmos com histórias de fantasmas e sinceramente não cabe a nós acadêmicos julgar se são verdadeiras ou não (ao menos não na frente do entrevistado). Certa vez escutei de um simpático senhor, o João, o relato de seu encontro com um lobisomem. Embora eu tivesse certeza que tal memória fosse o resultado do uso de alguma substância alucinógena — o próprio comentou que tinha fumado um cigarrinho para espairecer —, perguntei vários detalhes do tal encontro.

Um dos sítios visitados pelo programa.

Para alguns isso pode parecer banal, mas o imaginário popular de países e mesmo de estados diferentes tendem a criar fantasmas ou outras criaturas fantásticas de acordo com a percepção de determinados grupos sociais em relação ao seu meio. Além de explicar o surgimento de alguns medos e superstições.

Observemos, por exemplo, que em filmes de horror/terror europeus ou norte-americanos os fantasmas usualmente são vencidos por rezas cristãs, enquanto que em produções asiáticas, a exemplo do Japão, são rezas budistas. Ou questionemos o motivo dos fantasmas vingativos tenderem a ser mulheres [2].

É esta a beleza das histórias de fantasmas: elas contam muito mais sobre a nossa sociedade porque mostra não somente medos enraizados, mas os pontos de vista do senso-comum, além de, claro, paradigmas religiosos. Pensemos, por exemplo, no relato que compartilhei com vocês aqui no início deste post e dos motivos da guia ter interpretado que o fantasma seria justamente um escravo. Correntes arrastando no chão poderia ser tantas coisas diferentes…

Cena do filme Hellraiser 👻

Eu gostaria que “Lugares Amaldiçoados” tivesse tido mais temporadas, ou que o Joe tivesse investido em um blog ou vlog. Mas infelizmente na atualidade ele só se dedica a uma modesta conta de Twitter. Nem a página dele no Facebook é atualizada mais.

E você? Tem uma boa história de fantasma para compartilhar?


[1] Esta nota remetendo à memória da guia é o conceito geral do que eu consigo lembrar da nossa conversa.

[2] Infelizmente é devido a uma cultura plenamente sexista que sugere que, ao contrário dos homens, este gênero tende a ser vil.