A “Maldição da Múmia” e o Halloween

Que o Halloween é uma festa peculiar isso ninguém tem dúvidas. Possuindo raízes entre os celtas, atravessando a Idade Média na Europa, cruzando o Oceano Atlântico e chegando ao Novo Mundo na bagagem dos Puritanos, essa festividade tinha como objetivo comemorar uma passagem de estação, mas, ao ser incorporada pela Igreja Católica, passou a celebrar o “Dia de Todos os Santos”, antecedendo o “Dia de Finados” (2 de Novembro).

É difícil datar todas as brincadeiras comuns desse dia, mas certamente o costume de vestir fantasias assustadoras tornou-se mais popular no século XX, quando o folguedo ganhou um caráter cada vez mais comercial. Foi nessa época também que as múmias foram incorporadas como fantasias. Essa inclusão tem paralelo com o uso do tema “maldição da múmia” por Hollywood, como já comentei no post “Múmias, múmias e mais múmias no cinema”.

Só publiquei esta foto porque achei legal.

E foi com esse assunto em mente que gravei o vídeo “A Maldição da Múmia” para o especial de Halloween deste ano. Espero muito que vocês gostem 😀 Aproveitem para compartilhá-lo com os seus amigos 👻

Tem um determinado momento em que mostro uma foto muito especial. Por culpa dela demorei alguns dias para gravar (eu realmente gostaria de tê-la presente). Bom, só digo que valeu a pena ter passado três dias procurando a fia.

Múmias, múmias e mais múmias no cinema

Existe uma coisa que o Halloween e a Arqueologia Egípcia têm muito em comum: as múmias. Foi graças a esta festividade, que ocorre no dia 31 de outubro em especial nos EUA e na Inglaterra, que os corpos mumificados ao estilo faraônico foram integrados à cultura popular, ao lado de uma das ferramentas de comunicação mais efetivas que temos desde o século XIX: os filmes.

Eu sou Ankhsenamon, mas eu sou também outra pessoa.

— Personagem Helen Grosvenor em The Mummy (1932)

Quando o cinema surgiu, isso lá na década de 1890, as pessoas já tinham sido apresentadas para a imagem — equivocada, todavia — da antiguidade egípcia graças a invasão napoleônica ao Egito em 1798, situação que propiciou a criação do Description de l’Égypte (Descrição do Egito), obra considerada como o pivô de uma febre chamada “Egiptomania”, que até hoje é muito forte.

Egiptomania é a reinterpretação e reuso de traços da cultura do Egito Antigo e graças a ela pessoas de fora do meio acadêmico puderam ter uma ideia, mesmo que básica, da antiguidade egípcia. Por isso o Egito e o seu exotismo antigo foram bem recebidos (ou tolerados) em algumas das primeiras obras cinematografias tais como The Haunted Curiosity Shop (A loja de curiosidades assombrada; 1901), Cleopatra (1917) e Egyptian Melodies: Silly Symphony (Melodias egípcias: Sinfonia Tolas; 1931). Paralelamente, temos a literatura, que bebeu muito da proposta de espíritos malignos advindos da antiguidade egípcia, capazes de deferir o mal a qualquer um que passasse por seu caminho.

Estas obras criaram no inconsciente coletivo a ideia de que o mal poderia ser desperto a qualquer momento nas areias do Egito. E a morte do Lorde Carnarvon, em 1923, poucos meses após a descoberta da tumba de Tutankhamon só fez criar uma histeria ao redor do tema, isso graças a uma mídia sensacionalista.

— Para saber mais assista: A Maldição de Tutankhamon.

Assim, a imagem de uma múmia vingativa levantando-se do túmulo virou um prato cheio para Hollywood e a Universal Studios soube aproveita isso muito bem.

Lemax Spooky Town Village Collection The Mummy’s Curse Table Piece #73614

A Universal já tinha lançado alguns filmes envolvendo monstros tais como The Phantom Of The Opera (O fantasma da ópera; 1925), Dracula (1931) e Frankenstein (1931). Então em 1932 foi a vez de The Mummy (A Múmia) com Boris Karlof e Zita Jonahn. Que, por acaso, é o meu filme favorito da temática. 😀

Capa de “The Mummy”.

O Legado de “A Múmia” (1932):

Após o sucesso de “The Mummy” muitos outros filmes que aproveitam a temática de “múmias que voltam à vida” foram lançados, seja no terror, aventura ou na comédia. Alguns exemplos: “The Mummy’s Hand” (1940), “The Mummy’s Tomb” (1942), “The Mummy’s Ghost” (1944), “The Mummy’s Curse” (1944), “The Mummy” (1959) “The Curse of the Mummy’s Tomb” (1964), “The Mummy’s Shroud” (1967), “Blood from the Mummy’s Tomb” (1971), “The Awakening” (1980), “O Segredo da Múmia” (1982), “The Tomb” (1986), “Bram Stoker’s Legend of the Mummy” (1998), “The Mummy” (1999), “The Mummy Returns” (2001), “Les aventures extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec” (2010), “Frankenstein vs. The Mummy” (2015) e muitos outros.

“Blood from the Mummy’s Tomb”. Divulgação.

Ah! E ainda tem o novo “The Mummy” cuja estreia está prevista para 2017.

Gravei ano passado um vídeo falando um pouco sobre o uso do Egito Antigo em obras de terror. Então confiram abaixo. Fiz um resumão bem bacana, tenho orgulho deste vídeo até hoje:

Wishlist: cenário para o Arqueologia Egípcia

Desde que comecei a me dedicar mais ao Youtube eu sempre olho para todos os lugares como uma probabilidade de cenário. Inclusive, quando penso em um pesquisador para filmar sempre imagino “Ah! Seria interessante filmar a fulana em um cenário x”, “Acho que com o tema do fulano o local y seria o ideal”. E creio que esta é uma das partes divertidas.

Gosto bastante de coisas antigas (nem é possível perceber né? Até virei arqueóloga!), ao mesmo tempo que não sou nenhuma saudosista — amo o século XXI, obrigada! — e prefiro sinceramente comprar replicas que possam, por ventura, possuir composições modernas.

Bom, voltando ao tema deste post: ultimamente tenho pesquisado referencias para um futuro cenário para o canal do A.E. Uma coisa que sempre digo é que é muito, mas muito trabalhoso gravar vídeos para o Youtube, mas, ao mesmo tempo, é extremamente divertido ver o vídeo já pronto e receber mensagens das pessoas com dúvidas, sugestões de temas ou falando que o conteúdo ajudou em alguma atividade da escola. Isso, definitivamente, não tem preço. O apoio dessa galera é tão fantástico que me vejo motivada a melhorar mais e mais. Por isso me pego imaginando composições legais para o cenário e aparelhos novos.

Alguém pode até perguntar se eu não tenho medo que alguém “furte” minhas referências. Vamos levar pelo lado bom: ao menos eu postei primeiro 😀 Fora que como muitas destas coisas são caras é pouco provável que eu consiga reuni-las um dia, reconheço.

(1) Abajur de chão, só que feito com um tripé. Eu encontrei este da imagem vendendo, mas eu penso em um tripé com uma rosca lateral entendem? Vi uma referência no Pinterest e fiquei simplesmente apaixonada. Este da foto encontrei na Elo 7.

(2) Um teodolito antigo também ficaria lindo em um cenário. Eu sei usar? Não. Na verdade nem faço a menor ideia de como se mexe neste troço. Mas, qual garota não quer um modelo antigo de teodolito para chamar de seu? Infelizmente não encontrei nenhuma loja vendendo um bonitão assim 🙁

(3) Eu gosto muito de mapas-mundi, em especial os que imitam temas antigos. Então quando vi este globo terrestre de metal dourado da Esprecione foi amor à primeira vista. Este está disponível na Shopfácil.

(4) Um apoiador de livros com a deusa Bastet como enfeite é o meu sonho de consumo há anos! Estes da imagem são somente duas estátuas mantendo os livros unidos (por acaso vocês podem encontrá-las na loja Atelie Arma-Zen), mas já vi apoiadores de livros, com uma lateral de fato, com esta temática.

(5) Desde que assisti aos snapstories do Josh Bernstein as poltronas chesterfield entraram para a minha modesta lista de sonho de consumo. Elas são lindas. No Ebay dá para encontrar tanto essa, como outros moletos e cores fácil, fácil. O problema são os preços…

Já dá para começar a imaginar o meu cenário dos sonhos? 😀