Fiz um passeio por uma casa da Roma Antiga! Usando óculos de realidade virtual, claro…

Recentemente visitei o Laboratório de Arqueologia Romana Provincial (LARP-USP), que trabalha com a elaboração de aplicativos interativos que visam levar até o público um pouco da história do império e república romana. Durante esta visita tive a oportunidade de gravar como os trabalhos são realizados lá, assim como quais são as ferramentas utilizadas pelos pesquisadores. O que posso dizer é que foi uma tarde de aprendizados e fico feliz em levar um pouco destas informações para vocês.

Já durante a primeira parte da visita fui apresentada a uma impressora 3D que, como bem o nome indica, imprime objetos em 3D, neste caso artefatos arqueológicos. A proposta é simples: a ideia é scanear um artefato arqueológico para criar um modelo tridimensional e então enviá-lo para a impressora 3D que fará uma cópia dele.

Esta cópia — feita normalmente com plástico ABS — servirá como base para um molde de silicone, que por sua vez servirá de bandeja para a criação de um modelo em resina que poderá ser utilizado em programas educativos onde os visitantes poderão manipulá-lo a vontade. E eu pude ver pessoalmente uma destas peças — no caso um ushabit (um tipo de estatueta funerária egípcia) — sendo impressa.

Mas, ter um modelo tridimensional ou uma cópia 3D de uma peça arqueológica vai muito além de poder ser manipulada por curiosos em um passeio por um museu. Serve também — especialmente os modelos tridimensionais — para a pesquisa por parte de um acadêmico que, por algum motivo, não têm possibilidade de acesso a peça. É importante também para se manter um registro do objeto no caso de se perder o original.

Também fui apresentada a alguns dos jogos que foram elaborados pelos pesquisadores do laboratório. Naturalmente todos têm um uso educacional e possuem um fundo histórico arqueologicamente apurado. Dentre os tipos de jogos que eles já criaram está o “Domus” (onde visitamos uma antiga casa romana), que está disponível em diferentes versões, inclusive em realidade virtual a qual cheguei a experimentar lá no laboratório mesmo.

Espero que vocês curtam esta tarde que passei lá e quem sabe se encantem também por este mundo da Arqueologia Digital.

Fiz um tour por um museu de arqueologia

Sabem um museu bonitão daqueles que você se sente bem visitando e fica com vontade de convidar seus amigos para conhecer? Para mim este é o caso do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA, o qual recebi da direção carta branca para realizar algumas filmagens. Na minha opinião, o que cria toda a atmosfera dele é o fato de que está dentro de um antigo edifício jesuíta, com direito inclusive a uma “saída secreta” (se vocês assistirem ao vídeo que coloquei ao final deste post irão entender).

Conjunto de urnas funerárias. Foto: Márcia Jamille.

Entretanto, embora seja um prédio jesuíta, o museu é dedicado a sociedades indígenas e lá vocês encontrarão dezenas de artefatos instigantes em exposição, a exemplo de algumas urnas funerárias. Bem, explicando brevemente: em algumas destas urnas foram realizados o que chamamos de “sepultamento secundário”. Um sepultamento secundário é literalmente um “segundo sepultamento”, ou seja, um indivíduo é enterrado a priori em um lugar e após um tempo os seus restos são movidos. Quando enterramos alguém em um caixão e depois o colocamos em um ossário isso é o que denominamos de “sepultamento secundário”. 

Urnas funerárias. Foto: Márcia Jamille
Urna funerária. Foto: Márcia Jamille.

E caso um dia um de vocês visitem o museu, um dos meus artefatos favoritos é um colar de ossos de macaco. Não se sabe se ele possuía algum significado simbólico, religioso ou se só era um adorno banal, mas é uma curiosidade interessante para quem curte zooarqueologia. 

No centro está um colar feito com ossos de macaco. Foto: Márcia Jamille
Antiga cisterna. Foto: Márcia Jamille

Ah! E tem a famosa cisterna, que está localizada no centro do edifício. Os monitores que me acompanharam durante as gravações me contaram algumas curiosidades sobre esta estrutura — sobre como provavelmente a água era coletada —. O vídeo: