Grande geoglifo foi destruído no Acre: o que sabemos até agora?

E mais uma vez lá no Arqueologia pelo Mundo falei da destruição de um patrimônio arqueológico brasileiro. Trata-se do geoglifo do sítio arqueológico Fazenda Crixá II, em Capixaba, no Acre.

Geoglifos, falando de forma extremamente básica, são grandes imagens feitas no solo. Os mais famosos são as linhas de Nazca, no Peru. Os espécimes daqui do Brasil possuem formas geométricas como quadrados, losangos e círculos. Alguns são do tamanho de um campo de futebol e suas valas podem ter até 2 metros de profundidade.

Não se sabe os motivos para os antigos povos indígenas terem feito essas imagens. A proposta é de que os geoglifos tenham sido espaços ritualísticos e de socialização e tenham sido feitos a partir de uns 2 mil anos e suas construções tenham se seguido até o século 16 ou 17.

No caso desse da Fazenda Crixá II, a sua destruição foi descoberta por um paleontólogo chamado Alceu Ranzi. E sabe como ele descobriu? Checando imagens de satélites. O pior é que nós estamos sabendo disso só agora, mas a destruição ocorreu no final de 2019!

Imagem: comparativo da destruição do geoglifo do sítio Fazenda Crixá II.

A National Geographic entrou em contato com o dono da fazenda: Trata-se do pecuarista Assuero Doca Veronez, que é o presidente a Federação da Agricultura e Agropecuária do Acre. De acordo com a reportagem realizada, Assuero defende a expansão da conversão de novas áreas de florestas para o agronegócio. Em declaração para a reportagem ele disse o seguinte “o sítio arqueológico é semelhante a centenas de outros existentes na região. Se existem centenas de geoglifos semelhantes, no meu entendimento a gravidade do fato tem uma importância relativa.”. Bom, isso não é verdade! Uma vez que cada geoglifo conta um pedaço da história e da multiplicidade de povos que existiram no nosso território antes da invasão portuguesa.

Como resposta a essa destruição, no último dia 11/09/20 o Museu Universitário da Universidade Federal do Acre (UFAC), em conjunto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a Universidade de São Paulo (USP) realizaram uma reunião onde decidiram de qual forma esperam preservar os geoglifos. A reunião foi coordenada pelo diretor do museu universitário, o professor Gerson Albuquerque e a ideia é criar uma frente de defesa composta por pesquisadores, assim como a construção de um observatório permanente.

Paralelamente, o Ministério Público Federal no Acre (MPF-AC) instaurou um inquérito civil público para investigar os danos causados aos sítios arqueológicos da Fazenda Crixa II e a Polícia Federal no Acre (PF-AC) também abriu um inquérito.

Para você saber mais:

O que são os geoglifos milenares destruídos por trator na Amazônia acreana

https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/08/o-que-sao-os-geoglifos-milenares-destruidos-por-trator-na-amazonia-acreana

Pesquisadores montam frente para evitar destruição de geoglifos e querem observatório permanente: ‘nossa memória’

https://g1.globo.com/ac/acre/natureza/amazonia/noticia/2020/09/14/pesquisadores-montam-frente-para-evitar-destruicao-de-geoglifos-e-querem-observatorio-permanente-nossa-memoria.ghtml