Entrevistei a escritora Babi Dewet!

Quem me segue há alguns anos sabe que tenho desenvolvido um grande apresso por autores nacionais, se não um vício: de 2014 até hoje acredito que a maioria dos livros que comprei são de escritores brasileiros. Eu acho, sinceramente, que quem não está lendo uma obra nacional por puro preconceito está perdendo um ótimo momento de lazer.

Foi nessas andanças minhas pela a internet que conheci o blog da Babi Dewet, que chamou imediatamente a minha atenção porque ela tinha publicado um livro de forma independente. E depois de ter acompanhado muito o trabalho dela (e da Carina Rissi, que começou como independente também) foi que juntei coragem para publicar o meu primeiro livro, então sou muito grata a ambas.

Ano passado falei para vocês que a Babi foi o meu amuleto da sorte, porque foi graças a uma tarde de autógrafos dela que acabei sendo chamada para expor o meu livro na Flise (como isso aconteceu? Eu falei aqui). Então, é com grande alegria que conto para vocês que este ano eu a entrevistei! Foi no mês passado, durante a turnê de lançamento do livo livro dela, o Sonata em Punk Rock (2016). Vocês sabem que eu já entrevistei um bocadinho de gente, desde arqueólogo famoso à banda de metal. Mas, como sou uma grande admiradora do trabalho da Babi (tenho todos os livros lançados por ela… E autografados!), me senti até levemente intimidada, mas foi tudo ok.

Infelizmente o áudio ficou um pouco comprometido por conta do som ambiente, porém, disponibilizei legendas para vocês. Abaixo a entrevista:

O Sonata em Punk Rock:

Lançado este ano (2016) pela Gutemberg, o “Sonata em Punk Rock” é o mais recente lançamento da Babi. Essa sonseriana, fã de k-Pop e fanfics convenhamos não é nenhuma estreante. Em seu currículo como autora ela tem quatro publicações (cinco se contarmos com a sua capa independente, mas que depois foi revisada por uma editora) e um livro escrito a quatro mãos, o super bem sucedido “Um Ano Inesquecível” (Gutemberg).

“Sonata em Punk Rock” conta a história da Tim, uma amante do Rock and Roll que é admitida em uma famosa escola de música, mas não demora muito para perceber que o seu estilo punk rock não é o favorito do lugar, que presa por uma educação elitista, adotando principalmente a música clássica como grade.

Paralelamente temos o personagem Kim, um coreano naturalizado brasileiro que é um grande pianista e, consequentemente, extremamente admirado na academia. Entretanto, ao contrário do garoto perfeito imaginado por seus admiradores, Kim tem sérios problemas para se socializar, além de um quadro psicológico pouco estável.

Demorei exatamente três dias para ler o Sonata e finalizei a última página com um baita orgulho no coração e falando para quem estivesse disposto a ouvir que a Babi mandou bem. Não entrarei no mérito da narrativa ou da criação dos personagens, somente que a autora fechou um ótimo livro para a gente e que certamente irei ler novamente. Foi legal ver referências musicais que eu já conhecia e curiosidades, tal como  foi o caso da música “O Guarani”.

Este é o primeiro livro da série “Cidade da Música”, cujas continuações teremos histórias à parte das de Tim e Kim. A autora não liberou detalhes sobre os próximos enredos, mas estou torcendo para rever ao menos o Kim passando emburrado pelos corredores. 😀

Aproveitem para conferir o livro no Skoob.

Obrigada a Livraria Escariz e a própria autora (e a sua representante) por tornar possível a realização dessa entrevista 💜. E ao Amantes por Livros e Filmes também! Minha cameragirl não chegou a tempo, então a Emanuela me ajudou 😀

Múmias, múmias e mais múmias no cinema

Existe uma coisa que o Halloween e a Arqueologia Egípcia têm muito em comum: as múmias. Foi graças a esta festividade, que ocorre no dia 31 de outubro em especial nos EUA e na Inglaterra, que os corpos mumificados ao estilo faraônico foram integrados à cultura popular, ao lado de uma das ferramentas de comunicação mais efetivas que temos desde o século XIX: os filmes.

Eu sou Ankhsenamon, mas eu sou também outra pessoa.

— Personagem Helen Grosvenor em The Mummy (1932)

Quando o cinema surgiu, isso lá na década de 1890, as pessoas já tinham sido apresentadas para a imagem — equivocada, todavia — da antiguidade egípcia graças a invasão napoleônica ao Egito em 1798, situação que propiciou a criação do Description de l’Égypte (Descrição do Egito), obra considerada como o pivô de uma febre chamada “Egiptomania”, que até hoje é muito forte.

Egiptomania é a reinterpretação e reuso de traços da cultura do Egito Antigo e graças a ela pessoas de fora do meio acadêmico puderam ter uma ideia, mesmo que básica, da antiguidade egípcia. Por isso o Egito e o seu exotismo antigo foram bem recebidos (ou tolerados) em algumas das primeiras obras cinematografias tais como The Haunted Curiosity Shop (A loja de curiosidades assombrada; 1901), Cleopatra (1917) e Egyptian Melodies: Silly Symphony (Melodias egípcias: Sinfonia Tolas; 1931). Paralelamente, temos a literatura, que bebeu muito da proposta de espíritos malignos advindos da antiguidade egípcia, capazes de deferir o mal a qualquer um que passasse por seu caminho.

Estas obras criaram no inconsciente coletivo a ideia de que o mal poderia ser desperto a qualquer momento nas areias do Egito. E a morte do Lorde Carnarvon, em 1923, poucos meses após a descoberta da tumba de Tutankhamon só fez criar uma histeria ao redor do tema, isso graças a uma mídia sensacionalista.

— Para saber mais assista: A Maldição de Tutankhamon.

Assim, a imagem de uma múmia vingativa levantando-se do túmulo virou um prato cheio para Hollywood e a Universal Studios soube aproveita isso muito bem.

Lemax Spooky Town Village Collection The Mummy’s Curse Table Piece #73614

A Universal já tinha lançado alguns filmes envolvendo monstros tais como The Phantom Of The Opera (O fantasma da ópera; 1925), Dracula (1931) e Frankenstein (1931). Então em 1932 foi a vez de The Mummy (A Múmia) com Boris Karlof e Zita Jonahn. Que, por acaso, é o meu filme favorito da temática. 😀

Capa de “The Mummy”.

O Legado de “A Múmia” (1932):

Após o sucesso de “The Mummy” muitos outros filmes que aproveitam a temática de “múmias que voltam à vida” foram lançados, seja no terror, aventura ou na comédia. Alguns exemplos: “The Mummy’s Hand” (1940), “The Mummy’s Tomb” (1942), “The Mummy’s Ghost” (1944), “The Mummy’s Curse” (1944), “The Mummy” (1959) “The Curse of the Mummy’s Tomb” (1964), “The Mummy’s Shroud” (1967), “Blood from the Mummy’s Tomb” (1971), “The Awakening” (1980), “O Segredo da Múmia” (1982), “The Tomb” (1986), “Bram Stoker’s Legend of the Mummy” (1998), “The Mummy” (1999), “The Mummy Returns” (2001), “Les aventures extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec” (2010), “Frankenstein vs. The Mummy” (2015) e muitos outros.

“Blood from the Mummy’s Tomb”. Divulgação.

Ah! E ainda tem o novo “The Mummy” cuja estreia está prevista para 2017.

Gravei ano passado um vídeo falando um pouco sobre o uso do Egito Antigo em obras de terror. Então confiram abaixo. Fiz um resumão bem bacana, tenho orgulho deste vídeo até hoje:

Sim, eu também desenho!

Marcia Jamille

“Prazer! Jamillinha!”… Nome dado por meu amigo João Moreno.

E também sei fazer malabarismo… Somente com duas laranjas, todavia, mas é um talento notável para alguém que é incapaz de realizar duas ações ao mesmo tempo.

Aprendi a desenhar na minha adolescência com uma garota mais nova do que eu e que tinha a maior paciência do Universo. Ela ensinou para mim as noções básicas dos traços de mangá. Hoje ela tem um estúdio de ilustrações.

Sempre desenhei como um hobby (mas isso é trabalho de muita gente, então respeitem hem!) e o meu material favorito no início foi o lápis, sem uma arte final, o que me levou a ser alvo de críticas por parte de um carinha metido a “editor de revistas” (sim gente, é sério, entre aspas porque ele tinha delírios de grandeza).

Por alguns anos fui bastante influenciada pelos traços da Érica Horita, desenhista brasileira que até hoje tenho vontade de conhecer e trocar algumas palavras, mas que provavelmente jamais verei na minha frente. Ela ilustrava a revista Ethora, a qual nunca li o final (snif).

Eu nunca desenvolvi meus desenhos e de qualquer forma nem sei se eu teria avançado porque parei de praticar. Foi quando aprendi em uma noite qualquer a vetorizar e desde então minhas madrugadas de insônia raramente são as mesmas.

desenho_marcia_jamille_esquema

Não sei desenhar cenários e nem tenho mesmo muita paciência (*desculpa esfarrapada*), por isso minhas ilustrações raramente possuem um fundo lindo e maravilhoso.

Meu tipo de personagem favorito de retratar são garotas pequenas e magrinhas, embora eu tenha muita vontade de desenhar as mais cheinhas também (sim, eu procrastino).

A maioria dos leitores do Arqueologia Egípcia provavelmente não sabem que eu desenho, mas já viram um trabalho meu centenas e centenas de vezes ao abrirem o blog #AEgipcia. Quem desenhou a “Jamillinha” foi eu, assim como o tema de Halloween de 2014 do mesmo blog onde além de me retratar vestida como uma egípcia estou acompanhada pelo Jack-o’lantern e faço uma singela homenagem ao VAMPS.

marcia_jamille_desenho_halloween_VAMPS

Só que eu ainda não contei para vocês que depois que comecei a colorir com vetores eu caguei com o meu desenho a lápis e faço agora rabiscos também com caneta bique e se brincar rola até carvão. Abaixo está o rabisco da imagem anterior. Vocês podem observar que o Jack está menor, a personagem tem cílios e a bandeira mais próxima; isso porque no computador eu mudei uma série de coisas.

marcia_jamille_desenho_halloween_VAMPS_rascunho

Desenhar é divertidíssimo: posso inventar pessoas novas, criar roupas, brincar com cores. Entretanto requer pâciencia também, não é algo que se aprende da noite para o dia.

Neil Gaiman: Por que o nosso futuro depende de bibliotecas, leitura e sonhar acordado

Este texto é uma tradução do artigo do The Guardian, “Neil Gaiman: Why our future depends on libraries, reading and daydreaming“, que foi feita pela Dora do blog www.indexadora.wordpress.com e que repasso aqui na integra. Tomei a liberdade de mudar as ilustrações:   

Neil Gaiman CoralineÉ importante para as pessoas dizerem de que lado estão e por que, e se elas podem ou não ser tendenciosas. Um tipo de declaração de interesse dos membros. Então eu estarei conversando com vocês sobre leitura. Direi à vocês que as bibliotecas são importantes. Vou sugerir que ler ficção, que ler por prazer, é uma das coisas mais importantes que alguém pode fazer. Vou fazer um apelo apaixonado para que as pessoas entendam o que as bibliotecas e os bibliotecários são e para que preservem ambos.

E eu sou óbvia e enormemente tendencioso: sou um escritor, muitas vezes um autor de ficção. Escrevo para crianças e adultos. Por cerca de 30 anos tenho ganhado a minha vida através das minhas palavras, principalmente por inventar as coisas e escrevê-las. Obviamente está em meu interesse que as pessoas leiam, que elas leiam ficção, que bibliotecas e bibliotecários existam para nutrir amor pela leitura e lugares onde a leitura possa ocorrer.

Então sou tendencioso como escritor. Mas eu sou muito, muito mais tendencioso como leitor. E sou ainda mais tendencioso enquanto cidadão britânico.

E estou aqui dando essa palestra hoje a noite sob os auspícios da Reading Agency: uma instituição filantrópica cuja missão é dar a todos as mesmas oportunidades na vida, ajudando as pessoas a se tornarem leitores entusiasmados e confiantes. Que apoia programas de alfabetização, bibliotecas e indivíduos e arbitrária e abertamente incentiva o ato da leitura. Porque, eles nos dizem, tudo muda quando lemos.

E é sobre essa mudança e este ato de leitura que quero falar hoje a noite. Eu quero falar sobre o que a leitura faz. O porquê de ela ser boa.

Howl’s Moving CastleUma vez eu estava em Nova York e ouvi uma palestra sobre a construção de prisões particulares – uma ampla indústria em crescimento nos Estados Unidos. A indústria de prisões precisa planejar o seu futuro crescimento – quantas celas precisarão? Quantos prisioneiros teremos daqui 15 anos? E eles descobriram que poderiam prever isso muito facilmente, usando um algoritmo bastante simples, baseado em perguntar a porcentagem de crianças entre 10 e 11 anos que não conseguiam ler. E certamente não conseguiam ler por prazer.

Não é um pra um: você não pode dizer que uma sociedade alfabetizada não tenha criminalidade. Mas existem correlações bastante reais.

E eu acho que algumas destas correlações, a mais simples, vem de algo muito simples. Pessoas alfabetizadas leem ficção.

A ficção tem duas utilidades. Primeiramente, é uma droga que é uma porta para leituras. O desejo de saber o que acontece em seguida, de querer virar a página, a necessidade de continuar, mesmo que seja difícil, porque alguém está em perigo e você precisa saber como tudo vai acabar… Este é um desejo muito real. E te força a aprender novos mundos, a pensar novos pensamentos, a continuar. Descobrir que a leitura por si é prazerosa. Uma vez que você aprende isso, você está no caminho para ler de tudo. E a leitura é a chave. Houve um burburinho brevemente há alguns anos atrás sobre a ideia de que estávamos vivendo em um mundo pós-alfabetizado, no qual a habilidade de fazer sentido através de palavras escritas estava de alguma forma redundante, mas esses dias acabaram: as palavras são mais importantes do que jamais foram: nós navegamos o mundo com palavras, e uma vez que o mundo desliza para a web, precisamos seguir, comunicar e compreender o que estamos lendo. As pessoas que não podem entender umas às outras não podem trocar ideias, não podem se comunicar e apenas programas de tradução vão tão longe.

A forma mais simples de ter certeza de que educamos crianças alfabetizadas é ensiná-los a ler, e mostrarmos a eles que a leitura é uma atividade prazerosa. E isso significa, na sua forma mais simples, encontrar livros que eles gostem, dar a eles acesso a estes livros e deixar que eles os leiam.

A profecia de SamsaraEu não acho que exista algo como um livro ruim para crianças. Vez e outra se torna moda entre alguns adultos escolher um subconjunto de livros para crianças, um gênero, talvez, ou um autor e declará-los livros ruins, livros que as crianças devem parar de ler. Eu já vi isso acontecer repetidamente; Enid Blyton foi declarado um autor ruim, R. L. Stine também, assim como dúzias de outros. Quadrinhos tem sido acusados de promover o analfabetismo.

É tosco. É arrogante e é burro. Não existem autores ruins para crianças, que as crianças gostem e querem ler e buscar, porque cada criança é diferente. Eles podem encontrar as histórias que precisam, e eles levam a si mesmos nas histórias. Uma ideia banal e desgastada não é banal nem desgastada para eles. Esta é a primeira vez que a criança a encontrou. Não desencoraje uma criança de ler porque você acha que o que eles estão lendo é errado. A ficção que você não gosta é uma rota para outros livros que você pode preferir. E nem todo mundo tem o mesmo gosto que você.

Adultos bem intencionados podem facilmente destruir o amor de uma criança pela leitura: parar de ler pra eles o que eles gostam, ou dar a eles livros ‘chatos mas que valem a pena’ que você gosta, os equivalentes “melhorados” da literatura Vitoriana do século XXI. Você acabará com uma geração convencida de que ler não é legal e pior ainda, desagradável.

Precisamos que nossas crianças entrem na escada da leitura: qualquer coisa que eles gostarem de ler irá movê-las, degrau por degrau, à alfabetização. (Além disso, não faça o que eu fiz quando a minha filha de 11 anos estava gostando de ler R. L. Stine, que foi pegar uma cópia de Carrie do Stephen King e dizer que se você gosta deste, adorará isto! Holly não leu nada além de histórias seguras de colonos em pradarias pelo resto de sua adolescência e até hoje me dá olhares tortos quando o nome de Stephen King é mencionado).

E a segunda coisa que a ficção faz é construir empatia. Quando você assiste TV ou vê um filme, você está olhando para coisas acontecendo a outras pessoas. Ficção de prosa é algo que você constrói a partir de 26 letras e um punhado de sinais de pontuação, e você, você sozinho, usando a sua imaginação, cria um mundo e o povoa e olha através dos olhos de outros. Você sente coisas, visita lugares e mundos que você jamais conheceria de outro modo. Você aprende que qualquer outra pessoa lá fora é um eu, também. Você está sendo outra pessoa e quando você volta ao seu próprio mundo, você estará levemente transformado.

Supernova - O encantador de flechasEmpatia é uma ferramenta para tornar pessoas em grupos, que nos permite que funcionemos como mais do que indivíduos obcecados consigo mesmos.

Você também está descobrindo algo enquanto lê que é de vital importância para fazer o seu caminho no mundo. E é isto:

O mundo não precisa ser assim. As coisas podem ser diferentes.

Eu estive na China em 2007 na primeira convenção de ficção científica e fantasia aprovada pelo partido na história da China. E em algum momento eu tomei um alto oficial de lado e perguntei a ele “Por quê? A ficção científica foi reprovada por tanto tempo. Por que isso mudou?”. É simples, ele me disse. Os chineses eram brilhantes em fazer coisas se outras pessoas trouxessem os planos para eles. Mas eles não inovavam e não inventavam. Eles não imaginavam. Então eles mandaram uma delegação para os Estados Unidos, para a Apple, para a Microsoft, para o Google e perguntaram às pessoas de lá que estavam inventando seu próprio futuro. E descobriram que todos eles leram ficção científica quando eram meninos e meninas. A ficção pode te mostrar um outro mundo. Pode te levar para um lugar que você nunca esteve. E uma vez que você tenha visitado outros mundos, como aqueles que comeram a fruta da fada, você pode nunca mais ficar completamente satisfeito com o mundo no qual você cresceu.

Descontentamento é uma coisa boa: pessoas descontentes podem modificar e melhorar o mundo, deixá-lo melhor, deixá-lo diferente. E enquanto ainda estamos nesse assunto, eu gostaria de dizer algumas palavras sobre escapismo. Eu ouço o termo utilizado por aí como se fosse uma coisa ruim. Como se ficção “escapista” fosse um ópio barato utilizado pelos confusos, pelos tolos e pelos desiludidos e a única ficção que seja válida, para adultos ou crianças é a ficção mimética, espelhando o pior do mundo em que o leitor ou a leitora se encontra.

Se você estivesse preso em uma situação impossível, em um lugar desagradável, com pessoas que te quisessem mal e alguém te oferecesse um escape temporário, por que você não ia aceitar isso? E ficção escapista é apenas isso: ficção que abre uma porta, mostra o sol lá fora, te dá um lugar para ir onde você esteja no controle, esteja com pessoas com quem você queira estar (e livros são lugares reais, não se enganem sobre isso); e mais importante, durante o seu escape, livros também podem te dar conhecimento sobre o mundo e o seu predicamento, te dar armas, te dar armaduras: coisas reais que você pode levar de volta para a sua prisão. Habilidades, conhecimento e ferramentas que você pode utilizar para escapar de verdade.

The lord of the ringsComo J. R. R. Tolkien nos lembrou, as únicas pessoas que fazem injúrias contra o escape são prisioneiros.

Outra forma de destruir o amor de uma criança pela leitura, claro, é se assegurar de que não existam livros de nenhum tipo por perto. E não dar a elas nenhum lugar para que leiam estes livros. Eu tive sorte. Eu tive uma biblioteca local excelente enquanto eu cresci. Eu tive o tipo de pais que podiam ser persuadidos a me deixar na biblioteca no caminho do trabalho deles nas férias de verão, e o tipo de bibliotecários que não se importavam que um menino pequeno e desacompanhado ficasse na biblioteca das crianças todas as manhãs e ficasse mexendo no catálogo de cartões, procurando por livros com fantasmas ou mágica ou foguetes neles, procurando por vampiros ou detetives ou bruxas ou fantasias. E quando eu terminei de ler a biblioteca de crianças eu comecei a de adultos.

Eles eram ótimos bibliotecários. Eles gostavam de livros e eles gostavam dos livros que estavam sendo lidos. Eles me ensinaram como pedir livros das outras bibliotecas em empréstimo inter-bibliotecas. Eles não eram arrogantes em relação a nada que eu lesse. Eles pareciam apenas gostar do fato de existir esse menininho de olhos arregalados que amava ler e conversariam comigo sobre os livros que eu estava lendo, achariam pra mim outros livros em uma série deles, eles me ajudariam. Eles me tratavam como outro leitor – nem mais, nem menos – o que significa que eles me tratavam com respeito. Eu não estava acostumado a ser tratado com respeito aos oito anos de idade.

Mas as bibliotecas tem a ver com liberdade. A liberdade de ler, a liberdade de ideias, a liberdade de comunicação. Elas tem a ver com educação (que não é um processo que termina no dia que deixamos a escola ou a universidade), com entretenimento, tem a ver com criar espaços seguros e com o acesso à informação.

Eu me preocupo que no século XXI as pessoas entendam errado o que são bibliotecas e qual é o propósito delas. Se você perceber uma biblioteca como estantes com livros, pode parecer antiquado e datado em um mundo no qual a maioria, mas não todos, os livros impressos existem digitalmente. Mas pensar assim é errar o ponto fundamentalmente.

Tempestade de Areia - Crônicas de MyríadeEu acho que tem a ver com a natureza da informação. A informação tem valor, e a informação certa tem um enorme valor. Por toda a história humana, nós vivemos em escassez de informação e ter a informação desejada era sempre importante, e sempre valia alguma coisa: quando plantar sementes, onde achar as coisas, mapas e histórias e estórias – eles eram sempre bons para uma refeição e companhia. Informação era uma coisa valorosa, e aqueles que a tinham ou podiam obtê-la podiam cobrar por este serviço.

Nos últimos anos, nos mudamos de uma economia de escassez da informação para uma dirigida por um excesso de informação. De acordo com o Eric Schmidt do Google, a cada dois dias agora a raça humana cria tanta informação quanto criávamos desde o início da civilização até 2003. Isto é cerca de cinco exobytes de dados por dia, para vocês que mantém a contagem. O desafio se torna não encontrar aquela planta escassa crescendo no deserto, mas encontrar uma planta específica crescendo em uma floresta. Precisaremos de ajuda para navegar nesta informação e achar a coisa que precisamos de verdade.

Bibliotecas são lugares que pessoas vão para obter informação. Livros são apenas a ponta do iceberg da informação: eles estão lá, e bibliotecas podem fornecer livros gratuitamente e legalmente. Crianças estão emprestando livros de bibliotecas hoje mais do que nunca – livros de todos os tipos: de papel e digital e em áudio. Mas as bibliotecas também são, por exemplo, lugares onde pessoas que não tem computadores, que podem não ter conexão à internet, podem ficar online sem pagar nada: o que é imensamente importante quando a forma que você procura empregos, se candidata para entrevistas ou aplica para benefícios está cada vez mais migrando para o ambiente exclusivamente online. Bibliotecários podem ajudar estas pessoas a navegar neste mundo.

Eu não acredito que todos os livros irão ou devam migrar para as telas: como Douglas Adams uma vez me falou, mais de 20 anos antes do Kindle aparecer, um livro físico é como um tubarão. Tubarões são velhos: existiam tubarões nos oceanos antes dos dinossauros. E a razão de ainda existirem tubarões é que tubarões são melhores em serem tubarões do que qualquer outra coisa que exista. Livros físicos são durões, difíceis de destruir, resistentes à banhos, operam a luz do sol, ficam bem na sua mão: eles são bons em serem livros, e sempre existirá um lugar para eles. Eles pertencem às bibliotecas, bem como as bibliotecas já se tornaram lugares que você pode ir para ter acesso à e-books, e áudio-livros e DVDs e conteúdo na web.

onmyoji - reiko okanoUma biblioteca é um lugar que é um repositório de informação e dá a cada cidadão acesso igualitário a ele. Isso inclui informação sobre saúde. E informação sobre saúde mental. É um espaço comunitário. É um lugar de segurança, um refúgio do mundo. É um lugar com bibliotecários. Como as bibliotecas do futuro serão é algo que deveríamos estar imaginando agora.

Alfabetização é mais importante do que nunca, nesse mundo de mensagens e e-mail, um mundo de informação escrita. Precisamos ler e escrever, precisamos de cidadãos globais que possam ler confortavelmente, compreender o que estão lendo, entender as nuances e se fazer entender.

As bibliotecas realmente são os portais para o futuro. É tão lamentável que, ao redor do mundo, nós observemos autoridades locais apropriarem-se da oportunidade de fechar bibliotecas como uma maneira fácil de poupar dinheiro, sem perceber que eles estão roubando do futuro para serem pagos hoje. Eles estão fechando os portões que deveriam ser abertos.

De acordo com um estudo recente feito pela Organisation for Economic Cooperation and Development, a Inglaterra é o “único país onde o grupo de mais idade tem mais proficiência tanto em alfabetização quanto em capacidade de usar ou entender as técnicas numéricas da matemática do que o grupo mais jovem, depois de outros fatores, tais como gênero, perfis socioeconômicos e tipo de ocupações levados em consideração”.

Colocando de outro modo, nossas crianças e netos são menos alfabetizados e menos capazes de utilizar técnicas de matemática do que nós. Eles são menos capazes de navegar o mundo, de entendê-lo e de resolver problemas. Eles podem ser mais facilmente enganados e iludidos, serão menos capazes de mudar o mundo em que se encontram, ser menos empregáveis. Todas essas coisas. E como um país, a Inglaterra ficará para trás em relação a outras nações desenvolvidas porque faltará mão de obra especializada.

Livros são a forma com a qual nós nos comunicamos com os mortos. A forma que aprendemos lições com aqueles que não estão mais entre nós, que a humanidade se construiu, progrediu, fez com que o conhecimento fosse incremental ao invés de algo que precise ser reaprendido, de novo e de novo. Existem contos que são mais velhos que alguns países, contos que sobreviveram às culturas e aos prédios nos quais eles foram contados pela primeira vez.

Cronicas dos KaneEu acho que nós temos responsabilidades com o futuro. Responsabilidades e obrigações com as crianças, com os adultos que essas crianças se tornarão, com o mundo que eles habitarão. Todos nós – enquanto leitores, escritores, cidadãos – temos obrigações. Pensei em tentar explicitar algumas dessas obrigações aqui.

Eu acredito que temos uma obrigação de ler por prazer, em lugares públicos e privados. Se lermos por prazer, se outros nos verem lendo, então nós aprendemos, exercitamos nossas imaginações. Mostramos aos outros que ler é uma coisa boa.

Temos a obrigação de apoiar bibliotecas. De usar bibliotecas, de encorajar outras pessoas a utilizarem bibliotecas, de protestar contra o fechamento de bibliotecas. Se você não valoriza bibliotecas então você não valoriza informação ou cultura ou sabedoria. Você está silenciando as vozes do passado e você está prejudicando o futuro.

Temos a obrigação de ler em voz alta para nossas crianças. De ler pra elas coisas que elas gostem. De ler pra elas histórias das quais já estamos cansados. Fazer as vozes, fazer com que seja interessante e não parar de ler pra elas apenas porque elas já aprenderam a ler sozinhas. Use o tempo de leitura em voz alta para um momento de aproximação, como um tempo onde não se fique checando o telefone, quando as distrações do mundo são postas de lado.

Temos a obrigação de usar a linguagem. De nos esforçarmos: descobrir o que as palavras significam e como empregá-las, nos comunicarmos claramente, de dizer o que estamos querendo dizer. Não devemos tentar congelar a linguagem, ou fingir que é uma coisa morta que deve ser reverenciada, mas devemos usá-la como algo vivo, que flui, que empresta palavras, que permite que significados e pronúncias mudem com o tempo.

Harry Potter e a Pedra FilosofalNós escritores – e especialmente escritores para crianças, mas todos os escritores – temos uma obrigação com nossos leitores: é a obrigação de escrever coisas verdadeiras, especialmente importantes quando estamos criando contos de pessoas que não existem em lugares que nunca existiram – entender que a verdade não está no que acontece mas no que ela nos diz sobre quem somos. A ficção é a mentira que diz a verdade, afinal. Temos a obrigação de não entediar nossos leitores, mas fazê-los sentir a necessidade de virar as páginas. Uma das melhores curas para um leitor relutante, afinal, é uma estória que eles não são capazes de parar de ler. E enquanto nós precisamos contar a nossos leitores coisas verdadeiras e dar a ele armas e dar a eles armaduras e passar a eles qualquer sabedoria que recolhemos em nossa curta estadia nesse mundo verde, nós temos a obrigação de não pregar, não ensinar, não forçar mensagens e morais pré-digeridas goela abaixo em nossos leitores como pássaros adultos alimentando seus bebês com vermes pré-mastigados; e nós temos a obrigação de nunca, em nenhuma circunstância, escrever nada para crianças que nós mesmos não gostaríamos de ler.

Temos a obrigação de entender e reconhecer que enquanto escritores para crianças nós estamos fazendo um trabalho importante, porque se nós estragarmos isso e escrevermos livros chatos que distanciam as crianças da leitura e de livros, nós estaremos menosprezando o nosso próprio futuro e diminuindo o deles.

Todos nós – adultos e crianças, escritores e leitores – temos a obrigação de sonhar acordado. Temos a obrigação de imaginar. É fácil fingir que ninguém pode mudar coisa alguma, que estamos num mundo no qual a sociedade é enorme e que o indivíduo é menos que nada: um átomo numa parede, um grão de arroz num arrozal. Mas a verdade é que indivíduos mudam o seu próprio mundo de novo e de novo, indivíduos fazem o futuro e eles fazem isso porque imaginam que as coisas podem ser diferentes.

Olhe à sua volta: eu falo sério. Pare por um momento e olhe em volta da sala em que você está. Eu vou dizer algo tão óbvio que a tendência é que seja esquecido. É isto: que tudo o que você vê, incluindo as paredes, foi, em algum momento, imaginado. Alguém decidiu que era mais fácil sentar numa cadeira do que no chão e imaginou a cadeira. Alguém tinha que imaginar uma forma que eu pudesse falar com vocês em Londres agora mesmo sem que todos ficássemos tomando uma chuva. Este quarto e as coisas nele, e todas as outras coisas nesse prédio, esta cidade, existem porque, de novo e de novo e de novo as pessoas imaginaram coisas.

Temos a obrigação de fazer com que as coisas sejam belas. Não de deixar o mundo mais feio do que já encontramos, não de esvaziar os oceanos, não de deixar nossos problemas para a próxima geração. Temos a obrigação de limpar tudo o que sujamos, e não deixar nossas crianças com um mundo que nós desarrumamos, vilipendiamos e aleijamos de forma míope.

Temos a obrigação de dizer aos nossos políticos o que queremos, votar contra políticos ou quaisquer partidos que não compreendem o valor da leitura na criação de cidadãos decentes, que não querem agir para preservar e proteger o conhecimento e encorajar a alfabetização. Esta não é uma questão de partidos políticos. Esta é uma questão de humanidade em comum.

Uma vez perguntaram a Albert Einstein como ele poderia tornar nossas crianças inteligentes. A resposta dele foi simples e sábia. “Se você quer que crianças sejam inteligentes”, ele disse, “leiam contos de fadas para elas. Se você quer que elas sejam mais inteligentes, leia mais contos de fadas para elas”. Ele entendeu o valor da leitura e da imaginação. Eu espero que possamos dar às nossas crianças um mundo no qual elas possam ler, e que leiam para elas, e imaginar e compreender.

• Esta é uma versão editada da palestra do Neil Gaiman para a Reading Agency, realizada dia 14 de outubro de 2013 (segunda-feira) no Barbican em Londres. A série anual de palestras da Reading Agency começou em 2012 como uma plataforma para que escritores e pensadores compartilhassem ideias originais e desafiadoras sobre a leitura e as bibliotecas.

4ª Turnê Intrínseca: um pouco do que rolou em Aracaju

Por esta turnê quase chorei sangue! Isto mesmo! Dias antes eu estava em trabalho de campo e sem esperanças de poder voltar a tempo de ao menos tentar conseguir uma senha. Mas felizmente nós (a equipe) conseguimos terminar o trabalho mais cedo, o que encerrou meu pequeno drama.

O evento ocorreu no domingo, dia 29. A entrega das senhas estava marcada para começar as 12h00 na Saraiva, exceto pelo “porém” de que o a área do shopping onde fica a loja só abre a partir das 13h00.

Cheguei lá umas 11h30, praticamente já aceitando que eu não tinha conseguido a senha para entrar, mas felizmente o pessoal já estava se organizando pondo nos ouvintes o número da ordem de chegada e me surpreendi quando vi que eu era a participante número 162.

4ª Turnê Intrínseca um pouco do que rolou em Aracaju 01

Não demorou muito tempo até que a primeira leva de senhas começassem a ser distribuídas, momento em que recebemos um cartão da editora pedindo alguns dados nossos e depois nos liberaram para fazer outros afazeres até as 14h00 (horário de início das atividades). Também fomos avisados de que o evento não seria na Saraiva (eles já tinham deixado isto claro na internet, só não liberaram onde seria de fato), mas no Quality Hotel.

4ª Turnê Intrínseca um pouco do que rolou em Aracaju 02

Estava um calor desgraçado, mas não tirou a diversão da turnê. Os representantes da Intrínseca apresentaram slides mostrando os lançamentos da editora, booktrailers, trailers de filmes e responderam uma rodada de perguntas. Alguns pontos eu achei interessante compartilhar:

● Se eles aceitam originais: Foi respondido que ainda não porque apesar da aparência a Intrínseca possui um quadro de somente 50 funcionários, o que não dá suporte para atender a demanda de envio de originais, mas este é um objetivo futuro deles.

● Por que as editoras (inclusive da própria Intrínseca) insistem em vender livros com capas de filmes: Trata-se de uma parceria entre as editoras e as distribuidoras dos filmes para a divulgação de ambos os materiais. Vale lembrar que o público de filmes é imensamente maior que o público leitor. Entretanto, ao contrário de outras editoras, a Intrínseca faz somente algumas tiragens com a capa do filme, ou seja, a capa do livro como a do filme rodam juntas. Para comprar a do seu interesse é só buscar pelo ISBN.

● Se a editora dá “pitaco” no material do autor, ou se ele tem plena liberdade em por o que quiser: Sim, a editora pode dar sugestões (mudar frases, desenvolver tal personagem, tentar esclarecer ideias etc), mas que são postas na obra somente se o autor aprovar.

As outras perguntas eram mais relacionadas com lançamentos, continuações de séries etc.

4ª Turnê Intrínseca um pouco do que rolou em Aracaju 03

Para finalizar eles fizeram duas rodadas de sorteio (sortearam livros, kits com camisetas, marcadores, bandaninhas etc) e eu não ganhei nada (lágrimas correm soltas). Também fomos informados que receberíamos descontos na Saraiva comprando qualquer livro da Intrínseca e que ao final receberíamos um kit da editora com uma bolsinha, marcadores, um pin da turnê, bootons, um colar para crachá…

4ª Turnê Intrínseca um pouco do que rolou em Aracaju 04

4ª Turnê Intrínseca um pouco do que rolou em Aracaju 05

4ª Turnê Intrínseca um pouco do que rolou em Aracaju 06

… E um lápis com gírias de todas as cidades por onde a turnê passou. No meu infelizmente veio o do Rio de Janeiro… Eu queria pegar o de Sergipe.

4ª Turnê Intrínseca um pouco do que rolou em Aracaju 07

Pedi para trocar, mas não deixaram já que a ideia era ocorrer a interação entre os vários públicos… Mesmo assim eu queria Sergipe, então prometi a eles um twitter com a minha lamentação (mesmo assim não consegui trocar o lápis):

Apesar do calor dos infernos deu para curtir muito o evento. Ano que vem estarei presente novamente (se der).

Feirinha da Gambiarra 2015

Aproveitei meu último dia de folga para ir prestigiar a 6ª edição da Feirinha da Gambiarra que ocorreu desta vez na Biblioteca Pública Epifânio Dorea (SE). Explicando rapidamente esta feirinha tem o formato de uma feira convencional, reunindo tendas com produtos variados, mas a diferença é que ela é dedicada a vender coisas artesanais, doces, livros de sebos e artigos retrô.

feirinha da cambiarra - 2015 - 01

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Acredito que participei de ao menos três versões deste evento e curti bastante todas, entretanto, ao contrário das demais, desta vez cheguei no início da noite e não sei se teve algo a ver com a popularidade da feira ou se em todos os outros anos foi a mesma coisa neste horário, mas o evento estava muito lotado e em um dado momento até mesmo meio claustrofóbico. Claro que isto não é necessariamente ruim, mas foi sim desconfortável no sentido de que várias pessoas se esbarravam uma nas outras… Algumas na pura falta de educação, só para ter uma ideia: em ao menos três situações a minha câmera quase foi derrubada e sem direito a um pedido de “desculpa”.

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Eu amo comer cupcakes neste evento, mas nas duas últimas versões (contando com esta) não tive muita sorte, não encontrei nenhum com boa aparência, ou melhor, tinha o da ADASFA (Associação Defensora dos Animais São Francisco de Assis), mas deixei de pegar o de lá para comprar um de uma barraca com três meninas, todas de 15 anos (uma cena muito fofa de quebra). Era gostoso, mas não era “o cupcake”, se é que vocês me entendem.

Falando na ADASFA, esta associação de proteção aos animais estava lá marcando presença e vendendo alguns objetos como almofadas, livros antigos, doces, bolsas artesanais etc. Os lucros tinham como fim pagar as despesas com a criação dos animais acolhidos por ela. Comprei então um livro que eu estou louca para ler faz anos, “A Cabana”, de William Young (Editora Arqueiro). Pensei em escolher mais algumas coisinhas, mas não tive cara para pechinchar… Sabe… Estas pessoas cuidam de animais carentes… Que tipo de gente pechincharia com elas? Ao final deste post deixarei os contatos da ADASFA.

Em outra barraca (seria “Sebo dos Anjos”?) comprei mais dois livros, “As Valkírias” do Paulo Coelho (Editora Rocco) (este mais pela curiosidade de saber o que afinal fala o enredo do quê algum sonho de consumo) e “A Ilha do Tesouro Perdido” do Robert Louis Stevenson (Editora Eu Leio). Escolhi esse na verdade depois de ler o nome do escritor, por algum motivo me lembrou algo bom. Só hoje pela manhã foi que me liguei que ele é o autor de “O Médico e o Monstro”, uma das minhas obras da ficção favoritas.

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Também rolou uma exposição de carros antigos, mas infelizmente eu não estava na vibe para dar uma olhada mais demorada, o que foi uma pena da minha parte porque tinha alguns modelos bem interessantes com direito a donos (as) bem animados (as).

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No geral a feirinha como sempre estava bem bonita e organizada, a pena é que muitas coisas realmente estavam muito caras, mas foi possível encontrar “tribos” diferentes e eu sou do tipo que presa pela pluralidade.

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Tinha algumas pessoas com os seus pets também. Não resisti e pedi permissão para eu tirar uma foto desta coisinha mais apertável do universo:

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Gamei nestas caveiras mexicanas da barraca da “Chá de fita”, se eu pudesse levava cada uma de cada cor:

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Rolaram alguns shows também, igualmente a outras versões. Só não pesquei quais foram os artistas, me pergunto se eram todos sergipanos.

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Meus pés doeram, me perdi da minha irmã e do meu ex-cunhado, mas valeu ir e com certeza irei na próxima. Abaixo o contato das barracas que mais gostei e as quais algumas ilustram as fotografias postadas aqui:

ADASFA

Eles aceitam doações de ração (para cães ou gatos), arroz (específico para cães), carne, materiais de limpeza para limpar o abrigo, produtos para o banho dos cães, medicamentos, materiais hospitalares ou doações em dinheiro (qualquer valor ajuda).

https://www.adasfa.com.br
adasfa.se@gmail.com

Ladoludens
Não cheguei a tirar uma foto, mas no site deles têm vários exemplos de produtos. Trata-se de bonequinhos feitos a mão. Os meus favoritos são uns que possuem um botão no lugar dos olhos.

http://loja.ladoludens.com.br
http://www.facebook.com/ladoludens
http://instagram.com/ladoludens

Sri Alkemy
Loja especializada em artigos de couro. Não sou chegada em comprar coisas feitas de couro (só comprei um sapato uma vez por puro acidente), mas tem umas coisas bem bacanas para quem curte coisas étnicas. A 10ª foto com o Buda e Ganesha é de parte da tenda deles.

https://www.facebook.com/sri.alkemy
sri.alkemy@gmail.com

Atelier Ju Krieger
Na banca dela tinha várias caixas organizadoras bem coloridas e de ótima qualidade. Só não comprei nenhuma por pura distração.
https://www.facebook.com/atelierjukrieger
https://instagram.com/AtelierJuKrieger/
atelierjukrieger@gmail.com

Muamba
Só para explicar de forma simples: eles fizeram uma almofada do Chapolin… <3
As fotos 12ª e 13ª são da barraca deles.

https://www.facebook.com/muambasday

Alelier de Doces
Eu não experimentei nenhum dos doces de lá (pela carinha acho que eu acabaria devorando tudo), o que chamou minha atenção mesmo foi a barraca em si que tinha muitos detalhes e produtos tão fofos. Por exemplo, aqueles coelhinhos da 9ª foto. As fotografias 7, 8 e 9 foram tiradas na tenda deles.

https://www.facebook.com/atelierdedocesym
https://instagram.com/atelierdedocesym

Brincando de “Orgulho e Preconceito” e “Downton Abbey”

São felix 3 - 2015

Fazenda São Félix em Santa Luzia. 2015.

Anunciei na página do Facebook do Arqueologia Egípcia que recentemente estou trabalhando no diagnóstico e prospecção arqueológica da área da adutora de água de Santa Luzia, Itabaianinha e Tomar do Geru (SE) (resumindo: estamos estudando a área e realizando “pequenas escavações” para saber qual o potencial arqueológico do lugar) e durante os trabalhos nós visitamos também lugares históricos da região — Leia aqui o primeiro texto que escrevi acerca no #AEgípcia —.

São felix 2 - 2015

Fazenda São Félix em Santa Luzia. 2015.

São felix 1 - 2015

Fazenda São Félix em Santa Luzia. 2015.

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Fazenda São Félix em Santa Luzia. Foto: Evaney Simões. 2015.

Claro que graças ao trabalho, que pega muito tempo e energia, eu estou negligenciando todas as atualizações relacionadas com o Arqueologia Egípcia. Entretanto o Café Neftís foi o que recebeu o maior impacto porque trata de assuntos variados (e a coisa mais “variada” pela a qual passei foi quase ser atropelada por várias vacas), mas como ainda possui um público consideravelmente menor não doeu tanto nas estatísticas.

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Fazenda Campinhos em Umbaúba (município onde estamos sediados). Os cabelos desta santa são feitos com fios humanos. 2015.

Mas apesar de não estar gerando muito material escrito estou fotografando tudo o que posso! Vi muita cena inusitada e em uma determinada situação me senti até a Elizabeth Bennet entrando na casa do Darcy (a casa do antigo engenho Felix é linda e com uma vista muito “uau”!) e também notei que os antigos engenhos usualmente eram tanto um ponto de referência espacial (antigas descrições apontam tais residências como “delimitadores” de territórios e alguns possivelmente formaram atuais povoados… Por isso muita gente ainda hoje comenta sobre eles), centros culturais e locais de acontecimentos sociais importantíssimos (bailes, chegadas de bispos etc), ao estilo de Downton Abbey. Eu andava por algumas destas casas e só pensava “Oh nossa, esta gente tinha muito dinheiro!”.

antas-2015

Fazenda Antas. Santa Luzia. 2015.

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“Orange is the new black” na Fazenda Castelo, em Santa Luzia. Foto: Fernanda Libório. 2015.

Gravei alguns vídeos, mas como o canal do AE é somente sobre o Egito os carregarei em outro espaço, só preciso pensar onde, mas irá demorar de qualquer forma porque segunda que vem (23/03) já estou pegando a estrada novamente. Aparentemente tempo mesmo só terei depois do dia 03/04, mas enquanto é isso fiquem com essas fotos.

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Cadela com heterocromia que encontramos em Estância.  2015.

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Santuário Santa Luzia. Neste terreno, de acordo com a memória oral, foi realizada em 1575 a primeira missa de Sergipe. 2015.

Santuário santa luzia_edição Almir Brito

Santuário Santa Luzia. Edição: Almir Brito Jr. 2015.

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Embarcações no Rio Piauí, povoado Crasto em Santa Luzia. 2015.

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Crasto. 2015.


*Todas as fotografias sem referência ao autor foram batidas por mim.