Vídeo: Engenhos e prospecção arqueológica

O projeto de diagnóstico e prospecção arqueológica da área de influência da adutora de água em Tomar do Geru, Itabaianinha e a área da barragem do riacho Guararema em Santa Luzia do Itanhy (SE) finalmente acabou! Estou moída, meus horários de sono estão malucos, estou com um bronzeado muito, mas muuuito bizarro (com direito a um X amarelado nas costas), o que está me obrigando a andar com blusas de costas fechadas.

Mas eu tenho uma grande novidade: eu não me queimei muito ao ponto da minha pele empolar, ou seja, não tive mais nenhuma reação alérgica, isso porque usei luvas e a Contextos tem um chapéu que protege a nuca.

Já estou com saudades da cidade de Umbaúba e Itabaianinha. Eu vi muitas paisagens bonitas e histórias únicas e para me despedir de forma descente gravamos (eu e a minha amiga Eva) algumas imagens do trabalho. Vale lembrar que não mostrei a pesquisa em si, até porque… Bem, nossa atividade não é lá muito mole e sob um Sol horroroso é difícil lembrar de gravar algo. As imagens na verdade são um resumão da minha experiência neste trabalho.

Youtube | Facebook | Instagram Twitter

Estou torcendo muito para que vocês curtam assistir e tenham um gostinho dos lugares que visitei 😀

As histórias que os manuais de Arqueologia não nos preparam para entender

Nas últimas postagens tanto daqui do #AEgípcia como do Café Néftis comentei brevemente sobre algumas das atividades que realizei a serviço da Contextos Arqueologia. Foram atividades realmente enriquecedoras profissionalmente, mas somente uma me enriqueceu como pessoa e foi a visita e entrevista que fizemos com a dona Maria do Carmo no povoado Guararema em Umbaúba (SE).

Tudo indicava que seria um dia como outro qualquer; chegamos até a residência onde mora a dona Maria e como muitos outros ela ficou receosa achando que não tinha nada com o que colaborar para a nossa pesquisa, até que finalmente sentou conosco para responder nossas questões. Eram perguntas breves como “Qual a sua idade?”, “Há quanto tempo a senhora mora aqui?”, “Seus pais eram daqui?”, “Quais as brincadeiras da sua infância?”, “Já ouviu falar de história de índio?”, até que chegamos a questão final, que é “O que você preservaria como um patrimônio a ser lembrado?”. Ela não pestanejou e respondeu “nada”, insistimos um pouco e ela respondeu algo como “do passado não quero preservar nada”. Eu tentei dar um estímulo e comentei “Nem mesmo a sua casa?” (pessoalmente esta é a minha resposta para esta pergunta) e ela respondeu “Esta casa não é minha”.

A dona Maria foi muito simpática nos mostrando ao final da entrevista o local onde ela processa mandioca.

A dona Maria então narrou brevemente o seu infortúnio: A casa em que mora é de uma irmã dela. A sua antiga casa foi invadida por bandidos pouco tempo depois dela ter sido abandonada com os quatro filhos pequenos pelo o marido, que foi viver com uma vizinha (e moram em frente a sua residência desde então). Estes homens quebraram tudo o que encontraram pela frente e um deles arremessou uma cadeira de madeira contra a sua cabeça. Depois simplesmente partiram sem levar coisa alguma.

Escutá-la comentar sobre esta história foi tão embaraçoso e chocante que mal conseguíamos esconder o nosso espanto. Permanecemos em silêncio por alguns segundos, já eu tentei digerir o teor e a importância desta resposta. Ali não era a narração de um ato heroico de um negro que fugiu, ou de um europeu que construiu um forte. Não era a história do cangaceiro que tocou o terror pelo nordeste ou o dono de fazenda que escondeu uma botija, era a história de uma mulher tão anônima como muitas outras que sofreu um ato de terrorismo e que ficou tão desestabilizada que se desligou de sua identidade. O trauma foi tamanho que a fez desejar não rememorar ou preservar qualquer coisa do seu passado. Não consigo nem imaginar como foi para ela se sentir impotente ao ver suas coisas destruídas e depois apanhar na frente dos seus próprios filhos.

Quando voltei para casa fui falar com a minha mãe sobre o assunto e ela comentou que antigamente ocorria muito isso, de grupos de homens invadirem a casa de mulheres separadas ou que foram abandonadas pelos maridos e comecei a notar que o fato de não roubarem nada após quebrarem tudo tinha como principal interesse deixar um recardo, mas qual recardo? É difícil não especular.

A dona Maria achou que suas memórias não poderiam contribuir em nada, mas fez muito, ao menos para mim, pois me fez perceber na prática que os manuais de Arqueologia não nos preparam para entender histórias sofridas como a dela e vejam só, embora ela seja invisível para a maior parte da sociedade futuramente nós arqueólogas (os) trataremos os artefatos encontrados na casa dela tal qual ouro.

Prensa para processar mandioca.

Mesa (desmontada) para ralar mandioca.

Mesa montada para ralar mandioca.

E alguns de nós aplicaremos o discurso do nosso velho arqueólogo Ian Hodder de que não existe um passado único, mas múltiplos. Entenderemos que pessoas sofreram repressão, de que outras viveram na extrema miséria, mas até onde conseguiremos compreender estas pessoas de fato, a exemplo da Maria?

A Arqueologia tem tentado ser democrática, nós em congressos temos insistido nisso, mas depois de escutar a história dessa senhora definitivamente senti que muitos dos nossos discursos ainda andam meio vazios.

Em busca do livro perdido: conclusão

Em um dos posts anteriores relatei para vocês nossa dificuldade para encontrar o único livro que conta a história de Umbaúba, cidade que apesar de não entrar no nosso mapa de prospecções vai entrar no nosso levantamento histórico. Ao visitar a única biblioteca da cidade e descobrir que o tal livro estava sumido fomos convidados para retornar à prefeitura no dia seguinte uma vez que eles queriam nos ajudar a procurar.

Fomos lá e eles realmente foram bem prestativos, porque depois de alguns telefonemas nos indicaram ir para a Casa de Cultura para procurar Sônia (que não estava disponível para nos atender) e o Edvânio Alves (Diretor de Cultura de Umbaúba), que foi totalmente simpático. Ele nos informou que o “tal livro” não estava lá, mas bateu um papo com a gente e comentou sobre a sua disposição em tentar historiar ao máximo o passado do município e se ofereceu para nos levar para a antiga casa grande do engenho Campinhos (cuja visita já comentei aqui).

Algumas antigas fotografias mostradas pelo Edivânio.

Ele também entrou em contato com o pesquisador Joaquim Francisco Soares Guimarães (Secretário de Educação), que coincidentemente estava falando com outra parte da equipe. Ambos marcaram um horário para aquele mesmo dia para visitar Campinhos.

Durante nosso trabalho de reconhecimento da área do sítio arqueológico de Campinhos e a entrevista da Dona Maria de Lourdes soubemos que não era um livro sobre a história de Umbaúba que estava desaparecido, mas dois, fora a conclusão de curso do próprio Joaquim que ainda não estava na lista. Fomos informados também que as obras eram na verdade dois TCCs, ambos em capa dura, escritos respectivamente pelo hoje arqueólogo Marcel Raely Fontes Gonçalves Nascimento e pela historiadora Ivonete de Jesus Clemente.

Felizmente o Marcel disponibilizou a pesquisa dele antes mesmo de começarmos os trabalhos e já está sabendo do sumiço da cópia doada por ele.

Casa da fazenda Sabiá, onde existia o engenho Sabiá (Umbaúba).

O Joaquim e o Edivânio então marcaram para nos encontrar novamente, mas desta vez na escola Benedito Barreto do Nascimento (BBN) e com a presença da Ivonete, a qual entrevistamos e que nos informou que ela tinha feito várias cópias da sua pesquisa e as distribuído pela cidade… E todas estão sumidas atualmente, sobrando somente uma, a que pertence a ela, nem mesmo a versão digital existe mais. Contudo ela irá disponibilizar a obra para tirarmos uma cópia, só precisamos definir quando.

O que falar sobre uma cidade que engole sua própria história e depois bate na tecla de que não tem uma? É difícil apontar um culpado, esta é a verdade! E não adianta generalizar porque neste pouco tempo que ficamos lá vimos exemplos de pessoas que têm se esforçado para registrar o seu passado.

Parece um canavial, mas provavelmente existe um sítio arqueológico aí: se a memória oral estiver correta aí estão os restos da casa grande do engenho Triunfo (Umbaúba).

E qual o meu interesse em contar para vocês este malabarismo em busca deste livro (que agora são “os livros”)? A priori é passar a mensagem de que na Arqueologia nem sempre é fácil encontrar registros históricos de determinadas cidades, independente do seu tamanho, mas depois de uma breve reflexão acredito que também é importante que vocês saibam que se já é difícil passar para as pessoas informações sobre o seu passado é pior ainda quando situações como essas acontece. Tanto a Ivonete como o Marcel fizeram dois trabalhos impares (um em História e o outro em Arqueologia) e tentaram organizar e depois repassar o conhecimento deles acerca de Umbaúba, mas infelizmente foram tratados de forma tão descortês.

A conclusão é que não cheguei até nenhuma conclusão. Acho que ainda preciso de mais vivências em trabalhos de campo para tentar entender como funcionam estes mecanismos de desvalorização do passado por parte de uma parcela da população. Eu já li e reli sobre o assunto na Universidade, mas ao vivo é outra história, mas uma coisa eu já sei: as vezes não é por maldade; eu cresci sabendo que devemos valorizar nosso patrimônio (seja ele edificado ou um artefato contemporâneo a nós, como um livro), mas muitas destas pessoas não tiveram as mesmas oportunidades que eu tive ou que os pesquisadores citados tiveram.

O que podemos fazer para resolver isso? Organizar um banco de dados online não é a solução, afinal nem todos têm acesso a internet. O que fazer? Eu realmente não sei!


Todas as fotos são de minha autoria. 2015.

Conhecendo Campinhos, a casa mais antiga de Umbaúba

Quando eu estava procurando o tal livro com a história de Umbaúba fui até a Casa de Cultura da cidade com um colega de equipe e fomos apresentados ao Diretor de Cultura de Umbaúba, o Edvânio Alves, a gentileza em pessoa, e que nos mostrou fotos antigas de eventos e residências da cidade, contou sobre os aspectos principais da memória oral e se ofereceu para nos levar para a casa mais antiga de Umbaúba que ainda está de pé. Naturalmente ficamos muito felizes e agradecidos pela proposta.

Eu em frente da Casa Grande do antigo Engenho Campinhos; Umbaúba (SE). Foto: Evaney Simões. 2015.

Coincidentemente a outra parte da equipe também recebeu semelhante convite, mas por parte do Secretário de Educação, o Joaquim Francisco Soares Guimarães e acabou que resolvemos ir todos juntos.

Fomos no horário da tarde (pela manhã visitamos o povoado Guararema… Tema para outro post) e a expectativa era enorme, já que era uma antiga casa de engenho, uma das marcas da economia sergipana no século XIX. Quando chegamos estava lá, a residência de Campinhos, em pé, só não saudável. O edifício possui muitos problemas estruturais e a família está fazendo o que pode para manter a memória do local viva.

A presença de vidro nas janelas é um dos sinais da grande distinção econômica desta casa entre os séculos XIX e início do XX.

Infelizmente foi aproveitando essa fragilidade que um dos artefatos históricos guardados no local sofreu um furto (daí tem gente que ainda escreve para mim perguntando como comprar artefatos arqueológicos… Tenha dó! Alguns destes objetos não são furtados somente de sítios, mas também da casa de pessoas indefesas, como é o caso da dona Maria), mas que felizmente foi recuperado pela polícia.

Os cabelos desta imagem são humanos.

Fragmento de faiança fina encontrada na área onde existia o grande salão.

Lá é genuinamente um sítio arqueológico, deste a própria estrutura da casa principal até artefatos encontrados fragmentados no chão. Eu realmente fiquei assombrada com a qualidade da residência, naturalmente ela recebeu algumas intervenções modernas, mas foi interessante esbarrar em alguma coisa ou outra do XIX… Inteira!

Uma das paredes da cozinha.

Uma das paredes da cozinha.

O grande salão do casario não existe mais, ele colapsou na contemporaneidade, assim como a Igreja centenária da propriedade, uma pena… Dela só sobraram ruínas; observamos o local (eu filmei um pouco, verei como mostrarei para vocês) e deu para saber como ocorreu o evento do desmoronamento, só não pudemos ver o que sobrou embaixo, afinal ali é um sítio arqueológico, não iremos sair por aí remexendo em tudo sem permissão.

O que sobrou em pé da Igreja.

Vista das ruínas da Igreja.

Depois sentamos para entrevistar a dona Maria de Lourdes que falou de muitos detalhes de sua infância e até de um eclipse solar em sua juventude. Demos também uma passada pelo terreno e catalogamos o antigo cemitério (que já está desativado há anos) onde identificamos um pedaço de tíbia humana.

Dona Maria de Lourdes.

Foi uma tarde extremamente agradável e todas as pessoas que conheci ficarão na minha memória, mas não somente pela simpatia do Joaquim, a gentileza do Edvânio, a receptividade da dona Maria e do Neuzito,  mas pela jaca que ganhei 😀

Parte da equipe da Contextos Arqueologia que está participando deste trabalho. Foto: Evaney Simões. 2015.


*Todas as fotografias sem referência ao autor foram batidas por mim.

Em busca do livro perdido: Parte 1*

Como avisei na página do Arqueologia Egípcia no Facebook, neste exato momento estou realizando com a Contextos o diagnóstico, e em breve a prospecção, da área da adutora de água de Santa Luzia, Itabaianinha e Tomar do Geru, sendo os três município do interior de Sergipe. Ao decorrer das pesquisas realizaremos a educação patrimonial e Umbaúba (SE) também será contemplada com a atividade. Outra das nossas propostas nesse município é registrar ao máximo informações históricas da cidade e apresentar para a população a importância da Arqueologia, por isso estamos sediados temporariamente aqui.

Igreja Matriz de Umbaúba. Antes dela neste local existia uma capela dedicada a Nossa Sra. da Guia.

No nosso primeiro dia viramos a novidade do momento (o bom de trabalhar no interior é que no primeiro dia existe um estranhamento, mas no segundo praticamente todo mundo já sabe o que estamos fazendo) e até duas pessoas se aproximaram e puxaram assunto sobre a Arqueologia. Fizemos um reconhecimento do local e batemos papo com os idosos da “Praça é Nossa”, um espaço onde eles se reúnem para conversar.

Um dos entrevistados do primeiro dia.

No segundo dia de trabalho (12/03) dividimos a equipe em dois trios e enquanto um saiu para realizar as entrevistas o outro – onde eu estava – seguiu para a pesquisa em documentos históricos, livros etc. Entretanto, e é necessário deixar isto claro, em cidades do interior e povoados não é incomum que os documentos antigos sejam jogados fora ou enviados para a capital, mas tentamos a sorte mesmo assim e como não sabíamos onde ficava a biblioteca resolvemos ir para a prefeitura para pegar informações acerca.

Entrevistar estes senhores foi uma experiencia maravilhosa… Nem parecia que estávamos trabalhando.

Ao chegar fomos informados que existia somente um livro sobre a história da cidade e que estava justamente na tal biblioteca, para onde fomos encaminhados e muito bem recebidos, entretanto para a nossa surpresa lá não encontramos o referido livro, pelo contrário, ele estava perdido, não sabiam onde ele estava, o que foi um pouco surreal, mas são os percalços da Arqueologia…


*Escrevi este texto no dia 13/03, mas somente hoje foi que notei que o título ficou meio “Indiana Jones”, mas na segunda parte este texto creio que ficará mais obvio que encontrar este livro foi no final uma mini aventura (entretanto sem nativos raivosos, espiões, nazistas etc).

**Todas as fotos que estão neste post são da minha autoria.

Como foi trabalhar em frente a um Patrimônio Mundial da Humanidade

Nos últimos meses trabalhei com a Contextos Arqueologia na requalificação do acervo arqueológico da Superintendência do IPHAN locada em São Cristóvão (SE). A última vez que estive na cidade foi em 2007, então foi interessante voltar para lá e ver o que mudou. Ela é muito linda, mas a pena é que apesar da ideia do Projeto Monumenta em tentar beneficiar a sociedade de alguma forma através do restauro do patrimônio edificado (e assim favorecer o turismo), a população continua muito maltratada.
Localizada a cerca de 25 km de Aracaju, São Cristóvão ganhou notoriedade internacional quando a Praça São Francisco, que se encontra no Centro Histórico, recebeu da UNESCO, em 1º de agosto de 2010, o título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, ao estilo das Pirâmides do Platô de Gizê (Egito) ou o Teatro romano em Djémila (Argélia). Nesta praça está o edifício da Igreja de São Francisco, o Convento de Santa Cruz, a capela da Ordem Terceira (atual Museu de Arte Sacra), a antiga Santa Casa de Misericórdia e o Palácio dos Governadores (atual Museu Histórico de Sergipe).

Praça São Francisco. São Cristóvão (SE). Foto: Márcia Jamille. 2014.

No geral, a arquitetura histórica predominante tem influência espanhola da época da União Ibérica (1580-1640), mas naturalmente com estes mais de 400 anos de existência os interessados em realizar uma visita encontrará um lugar cheio de contrastes em termos de habitações.
Em meio a esta paisagem arqueológica está a “Casa do Ouvidor”, atual superintendência do IPHAN, que está em um dos pontos mais importantes da cidade, não somente no passado como hoje: exatamente em frente da Praça São Francisco (clique aqui e veja um vídeo da vista da praça a partir de uma das janelas da Casa do Ouvidor).

Casa do Ouvidor. São Cristóvão (SE). Foto: Márcia Jamille. 2014.

Nossa equipe, composta no principio por quatro arqueólogos e um estagiário de Arqueologia (que se formou neste meio tempo), iniciou o trabalho de requalificação do acervo arqueológico da “Casa do Ouvidor” no final de fevereiro, atendendo a um TAC (Termo de Ajuste de Conduta [1]) de uma empresa aracajuana. Explicando de modo simples, a nossa missão foi reorganizar a coleção de artefatos advinda de escavações realizadas anos antes por outras equipes e que estavam armazenados sem uma limpeza e/ou análise, com ausência de contexto e guardado de forma inadequada.
Uma das coisas mais fascinantes desta pesquisa, com certeza, foi trabalhar dentro de um sobrado datado possivelmente do final do século XVIII. Quando eu era pequena sempre quis morar em um casarão ou um sobrado, então este foi, particularmente, um detalhe divertido. Especialmente pela presença do “quarto vermelho”, um cômodo lindo.

Casa do Ouvidor: Quarto Vermelho. São Cristóvão (SE). Foto: Márcia Jamille. 2014.

Casa do Ouvidor: Quarto Vermelho. São Cristóvão (SE). Foto: Márcia Jamille. 2014.

Coisas interessantes sobre a “Casa do Ouvidor”:
Uma pesquisa anterior a nossa revelou que este edifício não se tratava da residência de nenhum Ouvidor, mas sim de uma senhora chamada Adriana Francisca Freire, avó de Felisberto de Oliveira Freire (o Barão de Laranjeiras) e uma ligeira antepassada de Felisberto Freire, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros na presidência de Floriano Peixoto, além de escritor e jornalista que atuou tanto em Sergipe como no Rio de Janeiro. Logo já dá para imaginar o peso da história oficial nas nossas costas.

Existem três detalhes muito interessantes da história da Adriana: o primeiro é que ela viveu em algum ano antes de 1850 e era uma divorciada, o que chamou imediatamente a nossa atenção. O segundo detalhe é que o sobrado pertencia anteriormente ao ex-marido dela e quando ele faleceu ela recebeu a residência como herança. O terceiro é que a equipe anterior, durante suas pesquisas nos arquivos da cidade, encontrou uma lista de compras dela e em meio aos artefatos escavados foram encontrados alguns dos objetos listados.

[1] “Os termos de ajustamento de Conduta ou TACs, são documentos assinados por partes que se comprometem, perante os procuradores da República, a cumprirem determinadas condicionantes, de forma a resolver o problema que estão causando ou a compensar danos e prejuízos já causados. Os TACs antecipam a resolução dos problemas de uma forma muito mais rápida e eficaz do que se o caso fosse a juízo”. ( http://www.prba.mpf.mp.br/paraocidadao/pecas-juridicas/termos-de-ajustamento-de-conduta )