Eu, meu livro e Arqueologia no programa “Expressão”

No dia 11/07/2014 (já faz um tempinho né) fui convidada pelo o programa “Expressão” da TV Aperipê para falar sobre Arqueologia e o meu livro publicado na época: o “Uma viagem pelo Nilo”. Foi algo da noite para o dia: recebi alguns telefonemas durante a tarde e no dia seguinte eu já estava me arrumando para ir ao programa.

Raramente assisto TV aberta e não seria novidade alguma eu não conhecer de fato o canal TV Aperipê, não tem problemas eu falar isso na internet porque eles sabiam disso. Então fui com a cara e a coragem.

Gente, é sério! Tem lugares para onde já fui que eu simplesmente perdi a oportunidade de mostrar para vocês e a TV Aperipê é um deles. Todos os funcionários que me atenderam foram extremamente atenciosos comigo. Como acompanhante levei a minha própria irmã e eles também fizeram o máximo para deixá-la confortável. Também tive a oportunidade de conversar com os outros entrevistados. Foi bem legal.

Eu nunca tinha ido para um programa de estúdio (nunca fui para programa algum, para início de conversa) e só posso dizer que é bem legal. Minha irmã tirou algumas fotos pelo o celular, por isso a qualidade não é a das melhores, mas dá para vocês terem uma ideia:

O Pasqual também foi muito legal. Quando sentei eu estava extremamente desconcertada e ele começou a puxar assunto enquanto não começavam as gravações. A gente falou sobre várias coisas.

Já a entrevista acabou saindo muito da pauta, o que me assustou bastante. A nossa conversa informal antes das gravações tinha mais a ver com a proposta original do que a entrevista em si (eu até recebi mensagens de dois colegas/amigos reclamando depois), mas mesmo assim foi bacana. Abaixo está a entrevista na integra (podem pular a parte dos golfinhos, porque é looooonga):

Bom, no dia em que a entrevista foi ao ar eu não poderia assistir porque coincidia com o horário do lançamento do meu livro em Aracaju, porém, disponibilizei um link para os leitores poderem assistir “ao vivo” pela internet. E no dia seguinte ao lançamento eu tinha que pegar a estrada para ir a um trabalho de campo (ainda lembro da minha pessoa morrendo de sono precisando assinar livros em casa enquanto tinha que arrumar as malas). Passei semanas quase que totalmente incomunicável até agosto! Foi quando pude ver o resultado. 

Eu não achei este vídeo listado no Youtube (acho que ele não está disponível para a busca 🙁 ), então eu resolvi publicá-lo no Facebook cortado, tirando aquela parte dos golfinhos.

Conheça a Arandu Arakuaa, uma banda de metal indígena

A cultura indígena está tão presente em nós, mas incrivelmente é sumariamente ignorada. Ela está na farinha de mandioca de cada dia, no pirão, tapioca, beiju, nos nomes de cidades — Aracaju (SE), Arapiraca (AL), Araraquara (SP), Araxá (MG), Bauru (SP), Guarulhos (SP), Ipiranga (PR), Jacarepaguá (RJ), etc —, nos nomes próprios — Jacir, Moacir, Janaina, Yara, Maiara… — e até o icônico Saci Pererê, cujo dia será comemorado no próximo 31 de outubro, tem um pé — com o perdão da expressão — nas lendas indígenas.

Contudo, mesmo com esses exemplos simples (existem muito mais coisas que herdamos) indivíduos indígenas são postos de lado pelo o restante da sociedade brasileira e perseguidos à luz do dia.

Mas nem todos os brasileiros fazem do nosso país um cenário ruim, recentemente vi uma reportagem no Facebook falando sobre o novo CD de uma banda de metal indígena. Cliquei na hora morrendo de curiosidade e torcendo para que o som fosse incrível. Não me arrependi. A banda chama-se Arandu Arakuaa e mistura Heavy Metal com instrumentos e línguas indígenas.

Imagem do clipe “Hêwaka Waktû”. Na ordem: Adriano Ferreira, Nájila Cristina, Zândhio Aquino e Saulo Lucena.

Fiquei muito empolgada e os convidei para uma entrevista com o intuito de mostrar para os simpatizantes da Arqueologia e estudantes da mesma que a cultura indígena não está morta, muito pelo contrário, estando muito mais próxima da nossa realidade [1] e não sendo somente aquele pote cerâmico ou um cachimbo encontrado em escavações arqueológicas.

A banda é composta por Nájila Cristina (vocais/maracá), Zândhio Aquino (guitarra/viola caipira/ vocais/teclado/maracá), Saulo Lucena (contrabaixo/vocais de apoio/maracá) e Adriano Ferreira (bateria/percussão). O visual dos integrantes não é homogêneo o que é bom porque eles não caem no estereótipo de que para ser ou descender de indígenas o indivíduo deve obrigatoriamente ter penachos e viver despido;  usar uma calça jeans ou coturnos não tira a qualidade de alguém de ser indígena. Abaixo a entrevista. Quem respondeu as perguntas foi o Zândhio Aquino, idealizador da banda:

1 — Qual a ligação da banda com a cultura indígena? É somente artística ou leva em consideração questões como ancestralidade?

Zândhio: Ancestralidade, identificação e compromisso em dar nossa contribuição para ajudar a preservar e divulgar as culturas e lutas dos Povos Indígenas do Brasil.

2 — Através dos vídeos no Youtube e algumas fotos observei que vocês utilizam elementos tais como pintura corporal e alguns acessórios indígenas e inclusive que cantam em línguas nativas. Como foi que surgiu a ideia de montar a banda se utilizando justamente desses componentes, especialmente a adoção da língua?

Zândhio: Está intimamente ligado com o lugar onde nasci e morei até os 24 anos de idade, nas proximidades da Terra Indígena Xerente no estado do Tocantins. Desde cedo fui agraciado pelos espíritos dos meus ancestrais com o dom da arte, em especial de compor músicas e chegou um momento em que notei que precisaria usar esse dom para honrá-los e a favor da nossa luta. Aqui no Distrito Federal encontrei meus parceiros de banda que também estavam prontos para darem sua contribuição.

Imagem do clipe “Hêwaka Waktû”. Saulo Lucena.

As línguas indígenas, as referências musicais, as pinturas, os acessórios, bem como o cuidado com a consistência do trabalho é justamente para emocionar e despertar as pessoas para nossa cultura raiz. Nossa forma de contribuir é usando a música, então é necessário que ela seja verdadeira e bem feita.

3 — E como tem sido a aceitação do público nesse aspecto? Sobretudo pelo fato de que o nosso país ao longo dos séculos tem criado uma imagem tão pejorativa para os índios.   

Zândhio: Varia de acordo com o nível de informação e gosto musical de cada um. Temos um público bem diversificado, desde o fã de rock/heavy metal a pessoas que apenas têm interesse pelas culturas indígenas como pesquisadores e praticantes de xamanismo. Acaba que apresentamos a cultura nativa ao público do rock e o rock às pessoas ligadas às culturas indígenas. O que é lindo, pois sempre foi essa a nossa intenção e estamos aqui pra quebrar paradigmas.

No geral até mesmo quem não se identifica com a temática ou com a parte musical respeita e admite que fazemos um bom trabalho. Somos o tipo de banda que toca em qualquer espaço que respeite nossa arte e nossa causa.

4 — E vocês já receberam algum feedback de alguma comunidade indígena?

Zândhio: Vários, temos amigos indígenas que nos apoiam. No segundo álbum “Wdê Nnãkrda” um amigo Xerente nos ajudou com correções para as músicas em sua língua, bem como um amigo Xavante fez o mesmo para as músicas no idioma Xavante.

Nossa ideia é cada vez mais expandir e usar mais idiomas indígenas e estamos abertos a colaborações e parcerias com amigos indígenas. Obviamente quando rolar será de forma espontânea e por afinidades, é assim que funciona tanto nas comunidades indígenas quanto nas bandas de rock.

Imagem do clipe “Hêwaka Waktû”. Nájila Cristina.

5 — A internet tem sido de grande ajuda na hora de espalhar conhecimento — e infelizmente estereótipos e com eles preconceitos —. O que você enxerga de positivo e negativo nessa ferramenta do ponto de vista da divulgação da cultura nativa?

Zândhio: A internet tem sido a forma mais acessível para se ter contato com a cultura nativa. No nosso caso de banda independente quase toda a divulgação se concentra na internet. Vejo que tem mais pontos positivos que negativos, obviamente que a mesma ferramenta que leva conhecimento e mensagem positiva também é usada para disseminar o preconceito e ódio, mas isso dependente do que cada usuário está buscando e gente assim iria fazer merda mesmo se não tivesse a internet (risos).

6 — Os Bandeirantes são mostrados em muitos livros didáticos como heróis nacionais e os massacres a tribos inteiras são descritas em poucas linhas como se fosse algo sem muita importância. Ainda temos o chamado “Relatório Figueiredo”, que foi escrito há cerca de 45 anos em plena Ditadura Militar, e que denunciava vários crimes de violação aos direitos humanos contra povos indígenas. Em suas páginas é descrito um verdadeiro genocídio, mas foi e continua sendo sumariamente ignorado pelo o governo brasileiro. Como você sente-se em relação a isso?

Zândhio: Invadiram as terras dos indígenas, matavam seus homens, violentavam e estupravam suas mulheres. Quando criança ouvia as histórias que minha avó contava, dentre elas uma que os invasores mantavam as mulheres grávidas, jogavam o feto pra cima e aparavam na ponta do fação.

Esse genocídio continua até hoje e apenas ganhou formulas mais “sofisticadas”. A história do Brasil foi e está sendo escrita com sangue indígena. Não teria palavras pra expressar minha dor e indignação.

7 — Como foi fazer uma ponte entre o rock e os instrumentos tradicionais brasileiros? Ocorreu uma pesquisa anterior para ver o que combinava ou vocês tentaram encaixar de alguma forma o que tinham em mãos?

Zândhio: Não houve qualquer pesquisa, as músicas já nasceram dessa forma. Durante muito tempo em outros projetos fui pressionado a deixar de lado as referências indígenas e de música tradicional brasileira, esse tipo de pressão gerava um bloqueio criativo. Quando comecei a compor pro Arandu Arakuaa tudo fluiu naturalmente e meus parceiros de banda trouxeram também outras influências pra diversificar ainda mais nossa música. Em algumas músicas não usamos viola caipira ou instrumentos indígenas, mas essas referências de melodias, ritmos, climas e temática continuam lá.

Imagem do clipe “Hêwaka Waktû”. Adriano Ferreira.

Também temos nossas limitações de banda de rock com apenas quatro, cinco pessoas e gravamos o que é possível ser reproduzido ao vivo.

8 — No Brasil nós arqueólogas e arqueólogos devemos adotar atividades chamadas de Educação Patrimonial e Arqueologia Pública, que têm como objetivo despertar o interesse das pessoas para o passado brasileiro. Entre os nossos pares realizamos congressos e reuniões para discutir nossas descobertas. Mas eu quero saber de você: caso já tenha se interessado pelo o tema, já existiu ou ainda existe alguma dificuldade em ter acesso a artigos ou conclusões de cursos que relatam trabalhos em sítios arqueológicos indígenas?

Zândhio: A impressão que tenho é que muitas informações ficam presas no âmbito acadêmico dificultando o acesso do público em geral. Diariamente pessoas nos procuram para auxiliá-las com pesquisa sobre culturas indígenas e é assustador notar que a grande maioria não faz ideia por onde começar.

Infelizmente o sistema educacional brasileiro sempre deixou de lado a história dos povos originários dessa terra. Algumas iniciativas vão produzindo uma sensível mudança, mas ainda estamos distante do ideal.

9 — A capa do CD Wdê-Nnâkrda é belíssima. Qual foi a inspiração?

Zândhio: O próprio conceito do álbum. Wdê Nnãkrda (tronco de árvore no idioma Akwẽ Xerente), em um sentido amplo seria origem, raiz, base, ancestralidade, conexão com a mãe terra. Na capa é possível ver uma índia com a pintura corporal dos indígenas Akwẽ Xerente com traços verticais fortes e unitários como uma tora.

Capa do CD Wdê-Nnâkrda.

As responsáveis pela arte e projeto gráfico foram as gêmeas Bianca Duarte e Natalie Duarte, idealizadoras e ilustradoras de um projeto lindo sobre mitologia brasileira chamado Brasil Fantástico, super indico a todos conhecerem. Demos total liberdade criativa para elas e estamos muito felizes com o resultado e a parceria.

10 — Qual são os planos para o futuro?

Zândhio: Divulgar ao máximo o novo disco e cada vez mais solidificar nosso trabalho e honrar nossa cultura nativa.

Escute a música “Hêwaka Waktû”:

Saiba mais sobre a Arandu Arakuaa:

Siga as novidades da banda: https://www.facebook.com/aranduarakuaa
Veja vídeos: youtube.com/aranduarakuaa
Escute algumas músicas: https://soundcloud.com/aranduarakuaa


[1] Inclusive há alguns dias ocorreu o I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas no Tocantins.

(Entrevista) Múmias egípcias: Esse tema dá trabalho!

Recentemente a bióloga e mestra em ecologia Cassiana Purcino convidou-me para responder algumas questões para um blog cujo intuito é realizar a divulgação cientifica para crianças. Quando eu respondi as perguntas estava tão cansada que esqueci completamente que o alvo é o público infantil e por isso ela precisou adaptar as minhas respostas, cortar algumas coisas, ou seja, dei um pouquinho de trabalho para ela e para a colega de postagens, a Cláudia Carnevalli. Ambas escrevem no blog Criança ComCiência. O tema da entrevista é sobre o estudo de múmias e foi publicada no dia 10 de janeiro (2015).

Como o texto é grande (contando com dicas para leituras e algumas palavras do professor Antonio Brancaglion Junior) coloquei aqui somente a minha parte, mas quem quiser ler o artigo completo é só clicar aqui.

Esse tema dá trabalho!

O que você acha de trabalhar pesquisando as múmias egípcias? Pois saiba que, mesmo no Brasil, a milhares de quilômetros de distância do Egito, é possível seguir essa carreira. Abaixo, você pode ler nossa conversa com Márcia Jamille Costa, arqueóloga especialista no estudo do Antigo Egito, autora do livro Uma Viagem pelo Nilo e do blog Arqueologia Egípcia, que deu algumas dicas para quem se interessa pela profissão.

Criança ComCiência (CCC): Para quem quer pesquisar as múmias e os processos de mumificação, que carreira deve seguir?

Márcia Jamille Costa (MJC): Antigamente, os profissionais que estudavam as múmias eram

Ilustração de Marek Jaguck.

Ilustração de Marek Jaguck.

aqueles cuja formação estava ligada a alguma área das ciências médicas e com pouca ou nenhuma ligação com a Arqueologia, isto quando as dissecações (ato de desenfaixar o corpo) de muitas múmias não eram feitas por aventureiros ou colecionadores de peças antigas. Felizmente, nos dias atuais o cenário é bem diferente. Os profissionais de áreas médicas, como Medicina, Biologia, Veterinária, ainda estão presentes, mas agora com especialização em Bioarqueologia (disciplina que estuda os restos mortais de seres vivos que viveram no passado) ou dentro de uma equipe que inclui vários profissionais, entre eles o arqueólogo.

CCC: Quais características e habilidades alguém que quer trabalhar nessa área precisa ter?

Ilustração de Marek Jagucki.

Ilustração de Marek Jagucki.

MJC: O fundamental é conhecer sobre esqueleto, sabendo como identificar a partir dos ossos características como o sexo, a idade e a possível causa da morte da pessoa. Também é bom conhecer um pouco sobre a estrutura muscular e a localização dos principais órgãos do corpo. Além disso, é preciso entender sobre Tanatologia, que é o estudo das mudanças físicas nos corpos, causadas pela morte; e sobre Tafonomia, que é o estudo dos processos pelo qual o corpo passou após a morte e que vai ajudar a definir o que de fato provocou a mumificação. Também acredito que o profissional tem que ter ética e consideração com os mortos. Não tem coisa mais triste e infantil durante um trabalho de campo ou laboratório do que ver um colega ou aluno brincando com partes de um corpo, como se fosse somente um objeto para a curiosidade e não o que sobrou de uma pessoa que no passado respirou, amou, odiou e que até mesmo pode ter caminhado um dia pela área do sítio arqueológico pesquisado.

CCC: Quais são os maiores desafios e as maiores alegrias no trabalho em Arqueologia Egípcia?

MJC: Alguns dos principais desafios, no caso do nosso país, ainda é a fraca união entre os pesquisadores brasileiros e o aparecimento e desaparecimento de grupos de estudos. Já em um contexto mundial é insistir em manter os estudos sobre o Antigo Egito usando técnicas e conhecimentos já muito antigos. Nesse sentido, a Egiptologia precisa se atualizar, mas poucos fazem algo de fato para mudá-la.

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Ilustração de Marek Jagucki.

Já as alegrias são muitas, mas a principal é estar em uma posição de poder conhecer a história de um ponto de vista privilegiado. Parte da minha infância e adolescência, eu passei lendo sobre a vida no Antigo Egito, mas agora sou eu quem está escrevendo e discutindo esta história e outras pessoas estão no meu antigo lugar, saciando sua curiosidade. Fora a oportunidade que tive de conversar com pessoas que eu via em documentários e admirava o trabalho. É muito legal! De vez em quando, escuto ou leio histórias de crianças ou adolescentes que ganharam o meu livro e ficaram muito felizes. É bastante satisfatório saber que o meu amor pela profissão está influenciando na educação de alguns meninos e meninas espalhados por este Brasil.

CCC: Você já foi ao Egito? É possível trabalhar com Arqueologia Egípcia sem sair do Brasil?

MJC: Nunca fui ao Egito. Tive a oportunidade de ir estudar lá uma vez, em Amarna (local onde o famoso faraó Tutankhamon nasceu e a rainha Nefertiti e o faraó Akhenaton viveram), mas optei por permanecer no Brasil e terminar meus estudos. A viagem ao Egito seria muito cara e escolhi investir meu dinheiro em outras coisas. Claro que planejo ir escavar no Egito um dia, mas não como uma estudante que precisa pagar, quero ir como arqueóloga! Quem sabe até futuramente como coordenadora de escavação… (risos)

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Ilustração de Marek Jagucki.

Sobre se é possível trabalhar com Arqueologia Egípcia sem sair do Brasil? Sim, é possível e deve ser feito. Algumas pessoas, especialmente quem está começando agora na Arqueologia, costumam acreditar que a profissão de arqueólogo se faz só escavando a areia, procurando objetos… Mas a realidade é bem diferente. Em verdade, tanto para o Egito, como para o restante do mundo, seria mais interessante aproveitar os objetos que estão em universidades e museus. Existem teorias e metodologias novas que podem ser aplicadas e proporcionar novas interpretações para o passado. As revisões de antigas traduções também são necessárias e até as análises de diários de campo podem ser desenvolvidas por arqueólogos! No meu caso, por exemplo, fiz um trabalho de discussão do uso simbólico e físico da água durante o Egito faraônico através da perspectiva da Arqueologia de Ambientes Aquáticos e isso sem precisar tocar em um grão de areia, mas aproveitando o que já foi escavado e documentado por outros colegas arqueólogos.