Escrevi um capítulo para o livro “Género y Ciencias Sociales: Arqueologías y cartografías de fronteras”

Faz um tempinho que comentei em vídeo que eu tinha sido convidada para escrever um capítulo para um livro colombiano que visa debater questões de gênero. Pois bem, ontem fui informada que a capa do livro foi liberada:

Como vocês podem observar este livro, “Género y Ciencias Sociales: Arqueologías y cartografías de fronteras“, foi escrito a várias mãos e adianto que por pesquisadores de diferentes Universidades e países. É uma obra bilíngue, contendo alguns artigos em espanhol e outros em português.

No meu caso fui convidada para falar sobre as mulheres na antiguidade egípcia, mas optei em ir por um caminho levemente diferente, debatendo sobre a insistência dos (as) pesquisadores (as) em dar para as mulheres egípcias que viveram no faraônico sempre um papel secundário, enquanto que a cultura material mostra um cenário diferente.

Em livros de coletâneas usualmente é realizada uma introdução sobre cada autor. Aí está a que fizeram para mim:

Desegmentar arqueológicamente las relaciones de poder para dar paso a lecturas de visibilización de mujeres egipcias, sus actividades y respectivos roles em el pasado, es el propósito de Márcia Jamille Nascimento en el que presenta a las mujeres del Antiguo Egipto carentes de una identidad señalando cómo la arqueología ha minimizado y cambia la participación tanto de grandes líderes de Egipto como de las mujeres comunes en la historia valiéndose de conceptos androcéntricos como marco estratégico y así beneficiar la función de género de la jerarquía de las antigüedades faraónicas.

O meu capítulo é o 7º, “Gênero Invisível? Como a Arqueologia tem minimizado a participação histórica das mulheres egípcias durante a Antiguidade faraônica”, e nele falo sobre mulheres no poder e as comuns, oficio dos faraós, as diferenças pensadas para homens e mulheres durante as pesquisas arqueológicas e Arqueologia de gênero.

Género y Ciencias Sociales: Arqueologías y cartografías de fronteras foi editado pela Ediciones Universidad Simón Bolívar. É um livro pensado para ser distribuído gratuitamente, por isso vocês podem baixar meu capítulo clicando aqui ou ler a obra completa clicando aqui.

Boa leitura!

Conhecendo Campinhos, a casa mais antiga de Umbaúba

Quando eu estava procurando o tal livro com a história de Umbaúba fui até a Casa de Cultura da cidade com um colega de equipe e fomos apresentados ao Diretor de Cultura de Umbaúba, o Edvânio Alves, a gentileza em pessoa, e que nos mostrou fotos antigas de eventos e residências da cidade, contou sobre os aspectos principais da memória oral e se ofereceu para nos levar para a casa mais antiga de Umbaúba que ainda está de pé. Naturalmente ficamos muito felizes e agradecidos pela proposta.

Eu em frente da Casa Grande do antigo Engenho Campinhos; Umbaúba (SE). Foto: Evaney Simões. 2015.

Coincidentemente a outra parte da equipe também recebeu semelhante convite, mas por parte do Secretário de Educação, o Joaquim Francisco Soares Guimarães e acabou que resolvemos ir todos juntos.

Fomos no horário da tarde (pela manhã visitamos o povoado Guararema… Tema para outro post) e a expectativa era enorme, já que era uma antiga casa de engenho, uma das marcas da economia sergipana no século XIX. Quando chegamos estava lá, a residência de Campinhos, em pé, só não saudável. O edifício possui muitos problemas estruturais e a família está fazendo o que pode para manter a memória do local viva.

A presença de vidro nas janelas é um dos sinais da grande distinção econômica desta casa entre os séculos XIX e início do XX.

Infelizmente foi aproveitando essa fragilidade que um dos artefatos históricos guardados no local sofreu um furto (daí tem gente que ainda escreve para mim perguntando como comprar artefatos arqueológicos… Tenha dó! Alguns destes objetos não são furtados somente de sítios, mas também da casa de pessoas indefesas, como é o caso da dona Maria), mas que felizmente foi recuperado pela polícia.

Os cabelos desta imagem são humanos.

Fragmento de faiança fina encontrada na área onde existia o grande salão.

Lá é genuinamente um sítio arqueológico, deste a própria estrutura da casa principal até artefatos encontrados fragmentados no chão. Eu realmente fiquei assombrada com a qualidade da residência, naturalmente ela recebeu algumas intervenções modernas, mas foi interessante esbarrar em alguma coisa ou outra do XIX… Inteira!

Uma das paredes da cozinha.

Uma das paredes da cozinha.

O grande salão do casario não existe mais, ele colapsou na contemporaneidade, assim como a Igreja centenária da propriedade, uma pena… Dela só sobraram ruínas; observamos o local (eu filmei um pouco, verei como mostrarei para vocês) e deu para saber como ocorreu o evento do desmoronamento, só não pudemos ver o que sobrou embaixo, afinal ali é um sítio arqueológico, não iremos sair por aí remexendo em tudo sem permissão.

O que sobrou em pé da Igreja.

Vista das ruínas da Igreja.

Depois sentamos para entrevistar a dona Maria de Lourdes que falou de muitos detalhes de sua infância e até de um eclipse solar em sua juventude. Demos também uma passada pelo terreno e catalogamos o antigo cemitério (que já está desativado há anos) onde identificamos um pedaço de tíbia humana.

Dona Maria de Lourdes.

Foi uma tarde extremamente agradável e todas as pessoas que conheci ficarão na minha memória, mas não somente pela simpatia do Joaquim, a gentileza do Edvânio, a receptividade da dona Maria e do Neuzito,  mas pela jaca que ganhei 😀

Parte da equipe da Contextos Arqueologia que está participando deste trabalho. Foto: Evaney Simões. 2015.


*Todas as fotografias sem referência ao autor foram batidas por mim.

Em busca do livro perdido: Parte 1*

Como avisei na página do Arqueologia Egípcia no Facebook, neste exato momento estou realizando com a Contextos o diagnóstico, e em breve a prospecção, da área da adutora de água de Santa Luzia, Itabaianinha e Tomar do Geru, sendo os três município do interior de Sergipe. Ao decorrer das pesquisas realizaremos a educação patrimonial e Umbaúba (SE) também será contemplada com a atividade. Outra das nossas propostas nesse município é registrar ao máximo informações históricas da cidade e apresentar para a população a importância da Arqueologia, por isso estamos sediados temporariamente aqui.

Igreja Matriz de Umbaúba. Antes dela neste local existia uma capela dedicada a Nossa Sra. da Guia.

No nosso primeiro dia viramos a novidade do momento (o bom de trabalhar no interior é que no primeiro dia existe um estranhamento, mas no segundo praticamente todo mundo já sabe o que estamos fazendo) e até duas pessoas se aproximaram e puxaram assunto sobre a Arqueologia. Fizemos um reconhecimento do local e batemos papo com os idosos da “Praça é Nossa”, um espaço onde eles se reúnem para conversar.

Um dos entrevistados do primeiro dia.

No segundo dia de trabalho (12/03) dividimos a equipe em dois trios e enquanto um saiu para realizar as entrevistas o outro – onde eu estava – seguiu para a pesquisa em documentos históricos, livros etc. Entretanto, e é necessário deixar isto claro, em cidades do interior e povoados não é incomum que os documentos antigos sejam jogados fora ou enviados para a capital, mas tentamos a sorte mesmo assim e como não sabíamos onde ficava a biblioteca resolvemos ir para a prefeitura para pegar informações acerca.

Entrevistar estes senhores foi uma experiencia maravilhosa… Nem parecia que estávamos trabalhando.

Ao chegar fomos informados que existia somente um livro sobre a história da cidade e que estava justamente na tal biblioteca, para onde fomos encaminhados e muito bem recebidos, entretanto para a nossa surpresa lá não encontramos o referido livro, pelo contrário, ele estava perdido, não sabiam onde ele estava, o que foi um pouco surreal, mas são os percalços da Arqueologia…


*Escrevi este texto no dia 13/03, mas somente hoje foi que notei que o título ficou meio “Indiana Jones”, mas na segunda parte este texto creio que ficará mais obvio que encontrar este livro foi no final uma mini aventura (entretanto sem nativos raivosos, espiões, nazistas etc).

**Todas as fotos que estão neste post são da minha autoria.

Trabalhos que apresentarei este ano na SAB

cropped-tut_arq_egipcia.jpgCaros, como anunciei previamente no Arqueologia Egípcia ocorrerá entre os dias 25 e 30 de agosto o XVII Congresso Internacional da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), em Aracaju – SE. Nele estarei apresentando dois trabalhos, um oral intitulado “A guerra ao modo egípcio nos anos finais da XVIII Dinastia: As investidas militares de Tutankhamon e Horemheb. Novo Império, declínio do Período Amarniano (c. 1352 até 1319 a.E.C.)” no Simpósio Temático “21. Diálogos Arqueológicos 3: estudos de Arqueologia Clássica no Brasil” e um em formato banner intitulado “Observando as sociedades do Egito Faraônico (c. 3000 e 30 a. E. C.) do ponto de vista da Arqueologia de Ambientes Aquáticos”.

Congressos científicos como os da SAB sempre reúnem vários profissionais (neste caso especificamente da Arqueologia e áreas afins) para prestigiar e conhecer os trabalhos uns dos outros, as novas pesquisas que estão em pauta ou a divulgação de resultados de estudos, além de reuniões para debates.

O site do evento: http://www.xviicongresso.sabnet.com.br