Coletânea de vídeos para entender os trabalhos de Arqueologia

O que mais adoro na internet é a incrível oportunidade que ela nos dá para aprender com pessoas que estão distantes de nós. Ao contrário de uns 15 anos atrás, na atualidade podemos acessar materiais em diversas línguas e até mesmo trocar algumas ideias com pesquisadores.

Imagem da Revista de Arqueologia, volume 25, número 1, Junho de 2012. Artigo: “Construindo histórias: cadeia operatória e história de vida dos machados líticos amazônicos”, de Tallyta Suenny Araujo da Silva.

Desde 2008 venho dedicando-me a usar a internet como uma ferramenta para a difusão do conhecimento e fico bastante feliz toda vez que vejo materiais audiovisuais de qualidade sendo distribuídos. Querem alguns exemplos? Estão logo abaixo:

12000 anos de História: o ofício do arqueólogo:

Produzido pela UFRGS TV, este é um ótimo vídeo introdutório sobre os trabalhos de Arqueologia e parte do dia-a-dia de profissionais da área. São ditos alguns termos técnicos, mas nada que uma breve pesquisa no Google não resolva. A participação que mais gostei foi a do Pe. Pedro Ignácio Schmitz.

Profissões: Arqueólogo:

Nesse capítulo do programa “Profissões” do canal da Univesp TV somos apresentados às etapas de pesquisa na Arqueologia, desde o trabalho de campo ao laboratório.

Arqueologia Re-produzindo nosso passado (Museu Nacional/UFRJ)

Neste vídeo desenvolvido pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro, ouvimos os depoimentos de profissionais e alunos da Arqueologia. Vale a pena assistir para conhecer algumas das muitas áreas dessa disciplina. A fala da Gina Bianchine foi uma das mais interessantes.

PS: Creio que uma leitora do Arqueologia Egípcia fez uma breve participação. 😀

Aproveite e veja também:

— Ser arqueólogo no Brasil (Vídeo)

Conheça a Arandu Arakuaa, uma banda de metal indígena

A cultura indígena está tão presente em nós, mas incrivelmente é sumariamente ignorada. Ela está na farinha de mandioca de cada dia, no pirão, tapioca, beiju, nos nomes de cidades — Aracaju (SE), Arapiraca (AL), Araraquara (SP), Araxá (MG), Bauru (SP), Guarulhos (SP), Ipiranga (PR), Jacarepaguá (RJ), etc —, nos nomes próprios — Jacir, Moacir, Janaina, Yara, Maiara… — e até o icônico Saci Pererê, cujo dia será comemorado no próximo 31 de outubro, tem um pé — com o perdão da expressão — nas lendas indígenas.

Contudo, mesmo com esses exemplos simples (existem muito mais coisas que herdamos) indivíduos indígenas são postos de lado pelo o restante da sociedade brasileira e perseguidos à luz do dia.

Mas nem todos os brasileiros fazem do nosso país um cenário ruim, recentemente vi uma reportagem no Facebook falando sobre o novo CD de uma banda de metal indígena. Cliquei na hora morrendo de curiosidade e torcendo para que o som fosse incrível. Não me arrependi. A banda chama-se Arandu Arakuaa e mistura Heavy Metal com instrumentos e línguas indígenas.

Imagem do clipe “Hêwaka Waktû”. Na ordem: Adriano Ferreira, Nájila Cristina, Zândhio Aquino e Saulo Lucena.

Fiquei muito empolgada e os convidei para uma entrevista com o intuito de mostrar para os simpatizantes da Arqueologia e estudantes da mesma que a cultura indígena não está morta, muito pelo contrário, estando muito mais próxima da nossa realidade [1] e não sendo somente aquele pote cerâmico ou um cachimbo encontrado em escavações arqueológicas.

A banda é composta por Nájila Cristina (vocais/maracá), Zândhio Aquino (guitarra/viola caipira/ vocais/teclado/maracá), Saulo Lucena (contrabaixo/vocais de apoio/maracá) e Adriano Ferreira (bateria/percussão). O visual dos integrantes não é homogêneo o que é bom porque eles não caem no estereótipo de que para ser ou descender de indígenas o indivíduo deve obrigatoriamente ter penachos e viver despido;  usar uma calça jeans ou coturnos não tira a qualidade de alguém de ser indígena. Abaixo a entrevista. Quem respondeu as perguntas foi o Zândhio Aquino, idealizador da banda:

1 — Qual a ligação da banda com a cultura indígena? É somente artística ou leva em consideração questões como ancestralidade?

Zândhio: Ancestralidade, identificação e compromisso em dar nossa contribuição para ajudar a preservar e divulgar as culturas e lutas dos Povos Indígenas do Brasil.

2 — Através dos vídeos no Youtube e algumas fotos observei que vocês utilizam elementos tais como pintura corporal e alguns acessórios indígenas e inclusive que cantam em línguas nativas. Como foi que surgiu a ideia de montar a banda se utilizando justamente desses componentes, especialmente a adoção da língua?

Zândhio: Está intimamente ligado com o lugar onde nasci e morei até os 24 anos de idade, nas proximidades da Terra Indígena Xerente no estado do Tocantins. Desde cedo fui agraciado pelos espíritos dos meus ancestrais com o dom da arte, em especial de compor músicas e chegou um momento em que notei que precisaria usar esse dom para honrá-los e a favor da nossa luta. Aqui no Distrito Federal encontrei meus parceiros de banda que também estavam prontos para darem sua contribuição.

Imagem do clipe “Hêwaka Waktû”. Saulo Lucena.

As línguas indígenas, as referências musicais, as pinturas, os acessórios, bem como o cuidado com a consistência do trabalho é justamente para emocionar e despertar as pessoas para nossa cultura raiz. Nossa forma de contribuir é usando a música, então é necessário que ela seja verdadeira e bem feita.

3 — E como tem sido a aceitação do público nesse aspecto? Sobretudo pelo fato de que o nosso país ao longo dos séculos tem criado uma imagem tão pejorativa para os índios.   

Zândhio: Varia de acordo com o nível de informação e gosto musical de cada um. Temos um público bem diversificado, desde o fã de rock/heavy metal a pessoas que apenas têm interesse pelas culturas indígenas como pesquisadores e praticantes de xamanismo. Acaba que apresentamos a cultura nativa ao público do rock e o rock às pessoas ligadas às culturas indígenas. O que é lindo, pois sempre foi essa a nossa intenção e estamos aqui pra quebrar paradigmas.

No geral até mesmo quem não se identifica com a temática ou com a parte musical respeita e admite que fazemos um bom trabalho. Somos o tipo de banda que toca em qualquer espaço que respeite nossa arte e nossa causa.

4 — E vocês já receberam algum feedback de alguma comunidade indígena?

Zândhio: Vários, temos amigos indígenas que nos apoiam. No segundo álbum “Wdê Nnãkrda” um amigo Xerente nos ajudou com correções para as músicas em sua língua, bem como um amigo Xavante fez o mesmo para as músicas no idioma Xavante.

Nossa ideia é cada vez mais expandir e usar mais idiomas indígenas e estamos abertos a colaborações e parcerias com amigos indígenas. Obviamente quando rolar será de forma espontânea e por afinidades, é assim que funciona tanto nas comunidades indígenas quanto nas bandas de rock.

Imagem do clipe “Hêwaka Waktû”. Nájila Cristina.

5 — A internet tem sido de grande ajuda na hora de espalhar conhecimento — e infelizmente estereótipos e com eles preconceitos —. O que você enxerga de positivo e negativo nessa ferramenta do ponto de vista da divulgação da cultura nativa?

Zândhio: A internet tem sido a forma mais acessível para se ter contato com a cultura nativa. No nosso caso de banda independente quase toda a divulgação se concentra na internet. Vejo que tem mais pontos positivos que negativos, obviamente que a mesma ferramenta que leva conhecimento e mensagem positiva também é usada para disseminar o preconceito e ódio, mas isso dependente do que cada usuário está buscando e gente assim iria fazer merda mesmo se não tivesse a internet (risos).

6 — Os Bandeirantes são mostrados em muitos livros didáticos como heróis nacionais e os massacres a tribos inteiras são descritas em poucas linhas como se fosse algo sem muita importância. Ainda temos o chamado “Relatório Figueiredo”, que foi escrito há cerca de 45 anos em plena Ditadura Militar, e que denunciava vários crimes de violação aos direitos humanos contra povos indígenas. Em suas páginas é descrito um verdadeiro genocídio, mas foi e continua sendo sumariamente ignorado pelo o governo brasileiro. Como você sente-se em relação a isso?

Zândhio: Invadiram as terras dos indígenas, matavam seus homens, violentavam e estupravam suas mulheres. Quando criança ouvia as histórias que minha avó contava, dentre elas uma que os invasores mantavam as mulheres grávidas, jogavam o feto pra cima e aparavam na ponta do fação.

Esse genocídio continua até hoje e apenas ganhou formulas mais “sofisticadas”. A história do Brasil foi e está sendo escrita com sangue indígena. Não teria palavras pra expressar minha dor e indignação.

7 — Como foi fazer uma ponte entre o rock e os instrumentos tradicionais brasileiros? Ocorreu uma pesquisa anterior para ver o que combinava ou vocês tentaram encaixar de alguma forma o que tinham em mãos?

Zândhio: Não houve qualquer pesquisa, as músicas já nasceram dessa forma. Durante muito tempo em outros projetos fui pressionado a deixar de lado as referências indígenas e de música tradicional brasileira, esse tipo de pressão gerava um bloqueio criativo. Quando comecei a compor pro Arandu Arakuaa tudo fluiu naturalmente e meus parceiros de banda trouxeram também outras influências pra diversificar ainda mais nossa música. Em algumas músicas não usamos viola caipira ou instrumentos indígenas, mas essas referências de melodias, ritmos, climas e temática continuam lá.

Imagem do clipe “Hêwaka Waktû”. Adriano Ferreira.

Também temos nossas limitações de banda de rock com apenas quatro, cinco pessoas e gravamos o que é possível ser reproduzido ao vivo.

8 — No Brasil nós arqueólogas e arqueólogos devemos adotar atividades chamadas de Educação Patrimonial e Arqueologia Pública, que têm como objetivo despertar o interesse das pessoas para o passado brasileiro. Entre os nossos pares realizamos congressos e reuniões para discutir nossas descobertas. Mas eu quero saber de você: caso já tenha se interessado pelo o tema, já existiu ou ainda existe alguma dificuldade em ter acesso a artigos ou conclusões de cursos que relatam trabalhos em sítios arqueológicos indígenas?

Zândhio: A impressão que tenho é que muitas informações ficam presas no âmbito acadêmico dificultando o acesso do público em geral. Diariamente pessoas nos procuram para auxiliá-las com pesquisa sobre culturas indígenas e é assustador notar que a grande maioria não faz ideia por onde começar.

Infelizmente o sistema educacional brasileiro sempre deixou de lado a história dos povos originários dessa terra. Algumas iniciativas vão produzindo uma sensível mudança, mas ainda estamos distante do ideal.

9 — A capa do CD Wdê-Nnâkrda é belíssima. Qual foi a inspiração?

Zândhio: O próprio conceito do álbum. Wdê Nnãkrda (tronco de árvore no idioma Akwẽ Xerente), em um sentido amplo seria origem, raiz, base, ancestralidade, conexão com a mãe terra. Na capa é possível ver uma índia com a pintura corporal dos indígenas Akwẽ Xerente com traços verticais fortes e unitários como uma tora.

Capa do CD Wdê-Nnâkrda.

As responsáveis pela arte e projeto gráfico foram as gêmeas Bianca Duarte e Natalie Duarte, idealizadoras e ilustradoras de um projeto lindo sobre mitologia brasileira chamado Brasil Fantástico, super indico a todos conhecerem. Demos total liberdade criativa para elas e estamos muito felizes com o resultado e a parceria.

10 — Qual são os planos para o futuro?

Zândhio: Divulgar ao máximo o novo disco e cada vez mais solidificar nosso trabalho e honrar nossa cultura nativa.

Escute a música “Hêwaka Waktû”:

Saiba mais sobre a Arandu Arakuaa:

Siga as novidades da banda: https://www.facebook.com/aranduarakuaa
Veja vídeos: youtube.com/aranduarakuaa
Escute algumas músicas: https://soundcloud.com/aranduarakuaa


[1] Inclusive há alguns dias ocorreu o I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas no Tocantins.

Links de Arqueologia: manicômio brasileiro como centro de extermínio, quem formou as favelas

Este é um assunto que eu queria abordar com vocês já faz alguns meses, que é o uso de hospícios no Brasil para isolar as pessoas não quistas da sociedade, aliás, esta não era uma pratica comum somente no nosso país, EUA que o diga. Dentre os indivíduos que não eram bem vistos para viver entre os “cidadãos de bem” estavam aqueles com deficiências mentais, comunistas, mulheres que “perderam” a virgindade antes do casamento, órfãos, prostitutas, homossexuais ou alguém que simplesmente teve alguma desavença com algum politico forte.

☥ O Holocausto manicomial: trechos da história do maior hospício do Brasil!

Mais sobre o assunto:

☥ Antecâmara da morte: manicômio brasileiro exterminou 60 mil pessoas
☥ Holocausto brasileiro: 50 anos sem punição (Hospital Colonia) Barbacena-MG

Vale muito a pena ler também o próximo artigo para entender um dos primeiros passos para a criação das favelas cariocas e o quanto estudar a história tanto da formação delas, como das questões sociais a elas vinculadas (como a venda de drogas) é importante para conhecer o nosso passado e presente. No texto em questão é citada a Favela da Providência e, para quem for curioso, existe até um samba do João da Baiana chamado “Cabide de Molambo”, onde ele fala “As botinas foi de um velho da revolta de Canudos”, uma possível relação com a história dos ex-combatentes de Canudos e que formaram a primeira favela no Rio.

☥ Conheça a história da 1ª favela do Rio, criada há quase 120 anos

A reportagem seguinte mostra um documento chocante: um exemplo de contrato voltado para mulheres. Vale ressaltar que esta reportagem foi inspirada em um artigo cientifico que está disponível para a leitura por parte de todos os públicos.

☥ Contrato de professora em 1923 proibia de casar, frequentar sorveterias e andar com homens

Mais sobre o assunto:

☥ Indícios do sistema coeducativo na formação de professores pelas escolas normais durante o regime republicano em São Paulo (1890/1930)

Este link divulga o documentário brasileiro “São Sebastião do Rio de Janeiro: a formação de uma cidade”, que estreará no segundo semestre deste ano e que conta com animações gráficas para ilustrar o surgimento e crescimento da cidade do Rio de Janeiro. Um livro sobre o tema foi publicado ano passado.

Documentário resgata a formação da cidade do Rio de Janeiro através de animações

Mais sobre o assunto:

☥ Ciência e Letras – São Sebastião do Rio de Janeiro: A Formação de uma Cidade

Em busca do livro perdido: conclusão

Em um dos posts anteriores relatei para vocês nossa dificuldade para encontrar o único livro que conta a história de Umbaúba, cidade que apesar de não entrar no nosso mapa de prospecções vai entrar no nosso levantamento histórico. Ao visitar a única biblioteca da cidade e descobrir que o tal livro estava sumido fomos convidados para retornar à prefeitura no dia seguinte uma vez que eles queriam nos ajudar a procurar.

Fomos lá e eles realmente foram bem prestativos, porque depois de alguns telefonemas nos indicaram ir para a Casa de Cultura para procurar Sônia (que não estava disponível para nos atender) e o Edvânio Alves (Diretor de Cultura de Umbaúba), que foi totalmente simpático. Ele nos informou que o “tal livro” não estava lá, mas bateu um papo com a gente e comentou sobre a sua disposição em tentar historiar ao máximo o passado do município e se ofereceu para nos levar para a antiga casa grande do engenho Campinhos (cuja visita já comentei aqui).

Algumas antigas fotografias mostradas pelo Edivânio.

Ele também entrou em contato com o pesquisador Joaquim Francisco Soares Guimarães (Secretário de Educação), que coincidentemente estava falando com outra parte da equipe. Ambos marcaram um horário para aquele mesmo dia para visitar Campinhos.

Durante nosso trabalho de reconhecimento da área do sítio arqueológico de Campinhos e a entrevista da Dona Maria de Lourdes soubemos que não era um livro sobre a história de Umbaúba que estava desaparecido, mas dois, fora a conclusão de curso do próprio Joaquim que ainda não estava na lista. Fomos informados também que as obras eram na verdade dois TCCs, ambos em capa dura, escritos respectivamente pelo hoje arqueólogo Marcel Raely Fontes Gonçalves Nascimento e pela historiadora Ivonete de Jesus Clemente.

Felizmente o Marcel disponibilizou a pesquisa dele antes mesmo de começarmos os trabalhos e já está sabendo do sumiço da cópia doada por ele.

Casa da fazenda Sabiá, onde existia o engenho Sabiá (Umbaúba).

O Joaquim e o Edivânio então marcaram para nos encontrar novamente, mas desta vez na escola Benedito Barreto do Nascimento (BBN) e com a presença da Ivonete, a qual entrevistamos e que nos informou que ela tinha feito várias cópias da sua pesquisa e as distribuído pela cidade… E todas estão sumidas atualmente, sobrando somente uma, a que pertence a ela, nem mesmo a versão digital existe mais. Contudo ela irá disponibilizar a obra para tirarmos uma cópia, só precisamos definir quando.

O que falar sobre uma cidade que engole sua própria história e depois bate na tecla de que não tem uma? É difícil apontar um culpado, esta é a verdade! E não adianta generalizar porque neste pouco tempo que ficamos lá vimos exemplos de pessoas que têm se esforçado para registrar o seu passado.

Parece um canavial, mas provavelmente existe um sítio arqueológico aí: se a memória oral estiver correta aí estão os restos da casa grande do engenho Triunfo (Umbaúba).

E qual o meu interesse em contar para vocês este malabarismo em busca deste livro (que agora são “os livros”)? A priori é passar a mensagem de que na Arqueologia nem sempre é fácil encontrar registros históricos de determinadas cidades, independente do seu tamanho, mas depois de uma breve reflexão acredito que também é importante que vocês saibam que se já é difícil passar para as pessoas informações sobre o seu passado é pior ainda quando situações como essas acontece. Tanto a Ivonete como o Marcel fizeram dois trabalhos impares (um em História e o outro em Arqueologia) e tentaram organizar e depois repassar o conhecimento deles acerca de Umbaúba, mas infelizmente foram tratados de forma tão descortês.

A conclusão é que não cheguei até nenhuma conclusão. Acho que ainda preciso de mais vivências em trabalhos de campo para tentar entender como funcionam estes mecanismos de desvalorização do passado por parte de uma parcela da população. Eu já li e reli sobre o assunto na Universidade, mas ao vivo é outra história, mas uma coisa eu já sei: as vezes não é por maldade; eu cresci sabendo que devemos valorizar nosso patrimônio (seja ele edificado ou um artefato contemporâneo a nós, como um livro), mas muitas destas pessoas não tiveram as mesmas oportunidades que eu tive ou que os pesquisadores citados tiveram.

O que podemos fazer para resolver isso? Organizar um banco de dados online não é a solução, afinal nem todos têm acesso a internet. O que fazer? Eu realmente não sei!


Todas as fotos são de minha autoria. 2015.

O Senado aprovou a regulamentação da profissão de arqueólogo, mas…

No dia 25/03 o senador Romário Faria (PSB-RJ) nos brindou com a notícia de que a Comissão de Assuntos Sociais tinha naquele mesmo dia aprovado o projeto que regulamenta a profissão de arqueólogo, algo que a categoria vem lutando há muitos anos e sem sucesso, mas que desta vez foi encabeçado pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Veja abaixo o vídeo do momento da votação (vale a pena assistir, principalmente para entender algumas questões relacionadas com a profissão):

O projeto está indo agora (ou já foi) para a Câmara de Deputados*, para depois receber a assinatura da presidenta, foi nesta fase que no passado, quando o projeto quase foi aprovado, que o presidente Fernando Henrique Cardoso vetou o mesmo se baseando na inconstitucionalidade por vício de iniciativa, porque existiam planos para se criar conselhos federais para fiscalizar os profissionais, o que é inconstitucional.

Foto: João Carlos Moreno de Sousa. 2013.

Mas agora excluído tais planos, com um maior esclarecimento da população (em comparação com aquela época), cada vez mais multas sendo aplicadas para aqueles que andam destruindo sítios arqueológicos (principalmente as grande empreiteiras) e um posicionamento mais político da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), começamos a acreditar que desta vez a regulamentação seria aprovada. Mas a surpresinha veio poucas horas depois.

Escrevi a pouco que as grandes empreiteiras estavam recebendo multas por destruir patrimônios arqueológicos. Guardem esta informação; Ainda no dia 25/03 saiu a Instrução Normativa nº 1, de 25 de Março de 2015 (IN-01) que derruba a Portaria 230 do IPHAN de 17 de dezembro de 2002. Essa Portaria, explicando de modo bem simples, determina que a obtenção da licença em qualquer empreendimento no território nacional deve se adequar aos parâmetros do patrimônio arqueológico, ou seja, deve ser feita uma avaliação arqueológica antes de por as máquinas para funcionar porque nós podemos avaliar o potencial arqueológico de um lugar e trabalhando antes podemos evitar muitos desastres como tem ocorrido no país desde sempre: sítios arqueológicos sendo destruídos por tratores.

E agora esta IN-01 revoga, ou seja, cancela a Portaria 230 do IPHAN, vocês podem observá-la no CAPITULO VI, Artigo 62 (clique aqui e leia o documento na integra).

Foto: Márcia Jamille. 2010.

Foi uma atitude sinistra e baixa e que pegou muitos de surpresa. A SAB já analisou o documento e lançou uma carta para os sócios no dia 30/04 que transcrevo abaixo na integra (grifo meu):

Caros/as Sócios/as,

30/03/2015

Entre os dias 25 e 26 de março fomos surpreendidos com a publicação de dois documentos que impactam, de maneira significativa, a preservação do patrimônio arqueológico e a prática profissional da arqueologia no país: a Portaria Interministerial nº 60, de 24 de Março de 2015, que estabelece procedimentos administrativos que disciplinam a atuação dos órgãos e entidades da administração pública federal em processos de licenciamento ambiental de competência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA e revoga a Portaria Interministerial nº 419/2011; e a Instrução Normativa nº 1, de 25 de Março de 2015, que estabelece procedimentos administrativos a serem observados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional nos processos de licenciamento ambiental dos quais participe, revogando a Portaria nº 230/2002.

Como é de conhecimento de todos, o processo de construção da Instrução Normativa nº 1, de 25 de Março de 2015, conduzido pelo Estado, provocou forte reação por parte de nossa comunidade e de outros segmentos da sociedade civil, o que culminou na convocação, por parte do Ministério Público, da Audiência Pública Patrimônio Cultural no Licenciamento Ambiental, realizada no dia 13 de outubro de 2014, na sede da Procuradoria da República do Rio de Janeiro. Anteriormente, a SAB havia encaminhado considerações da Diretoria e de arqueólogos de todo o país sobre o documento, como resultado de nossa reivindicação de participação na discussão e elaboração da IN.

Embora reconheçamos no texto publicado da IN a incorporação de algumas das contribuições enviadas pela SAB, por diversos arqueólogos e pelo Ministério Público Federal para o Iphan, lamentamos profundamente o fato de o Poder Executivo, mais uma vez, ao invés de valorizar e promover a aproximação e o diálogo com a principal comunidade que implementará na prática as novas normativas, ter optado por não compartilhar conosco a versão final do documento e sequer ter se importado em nos comunicar sobre a sua iminente publicação.

O descaso do Poder Executivo com relação à construção democrática das políticas públicas voltadas para a arqueologia e o desrespeito com a comunidade arqueológica é decepcionante e revela o desinteresse em aproveitar esta oportunidade para consolidar relações simétricas entre instituições e comunidades envolvidas no estudo e na gestão do patrimônio arqueológico.

Contudo, lembramos que nosso amadurecimento político, nossa coesão e nossa capacidade de articulação mostraram uma capacidade de união que nos dá mais força para enfrentar problemas semelhantes no futuro. Nesse sentido, agradecemos a todos pelo apoio, pelas críticas e, sobretudo, pela demonstração de união nos últimos meses. Precisamos continuar unidos e organizados em prol da arqueologia e da preservação do patrimônio arqueológico, uma vez que as mudanças provocadas com essas normativas fragilizam a proteção do patrimônio arqueológico brasileiro, favorecendo a implantação de empreendimentos sem qualquer avaliação profissional sobre os riscos à sua preservação.

Por isso, conclamamos a todos que compareçam em massa à assembleia da SAB que ocorrerá durante o nosso XVIII Congresso, entre os dias 27 de setembro e 02 de outubro, no campus da PUC-Goiás, em Goiânia. Vamos todos juntos avaliar e refletir sobre os rumos da Arqueologia no Brasil e sobre o nosso papel enquanto comunidade científica perante o Estado, o qual, evidentemente, quer nos manter afastados das decisões que afetam diretamente a nossa prática profissional e, por conseguinte, o patrimônio arqueológico.

Só fiquei sabendo da revogação da Portaria Interministerial nº 419/2011 neste texto e para vocês terem uma ideia a anulação da 230 tem como consequência beneficiar mais (ou seria exclusivamente?) as empreiteiras do que a cultura. A população precisa de hidrelétricas sim, de adutoras, metrôs, sistema de esgoto descente, casas comunitárias etc, mas precisam saber também que possuem uma identidade e um passado incrível que deve ser valorizado.

UPDATE – Errata – 06/04/2015

Mensagem enviada pelo o Manuel Rolph Cabeceiras:

Márcia (ou Jamille ou Márcia Jamille, como prefere?) na forma como vc deu a notícia da regulamentação da profissão do arqueólogo há algum equívoco. Não é por ter sido aprovado na CAS do Senado que vai o projeto para a Câmara dos Deputados e depois para sanção da Presidente. Temos de ver no sítio do Congresso o trâmite para saber para onde foi encaminhado o projeto se para outra comissão (duvido) ou plenário do Senado (se já passou por todas comissões). Como o Projeto nasceu no Senado, só após a aprovação em plenário do Senado é que vai para a Câmara dos Deputados e, caso esta faça alterações, deve retornar ao Senado. Da Câmara vai direto à Presidente, apenas se a Câmara não fizer alterações.

Quem quiser acompanhar o andamento do projeto é só seguir por este endereço (não o inclui antes no post porque o link estava quebrado): PLS 1/2014  http://www.senado.leg.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=115983

Conhecendo Campinhos, a casa mais antiga de Umbaúba

Quando eu estava procurando o tal livro com a história de Umbaúba fui até a Casa de Cultura da cidade com um colega de equipe e fomos apresentados ao Diretor de Cultura de Umbaúba, o Edvânio Alves, a gentileza em pessoa, e que nos mostrou fotos antigas de eventos e residências da cidade, contou sobre os aspectos principais da memória oral e se ofereceu para nos levar para a casa mais antiga de Umbaúba que ainda está de pé. Naturalmente ficamos muito felizes e agradecidos pela proposta.

Eu em frente da Casa Grande do antigo Engenho Campinhos; Umbaúba (SE). Foto: Evaney Simões. 2015.

Coincidentemente a outra parte da equipe também recebeu semelhante convite, mas por parte do Secretário de Educação, o Joaquim Francisco Soares Guimarães e acabou que resolvemos ir todos juntos.

Fomos no horário da tarde (pela manhã visitamos o povoado Guararema… Tema para outro post) e a expectativa era enorme, já que era uma antiga casa de engenho, uma das marcas da economia sergipana no século XIX. Quando chegamos estava lá, a residência de Campinhos, em pé, só não saudável. O edifício possui muitos problemas estruturais e a família está fazendo o que pode para manter a memória do local viva.

A presença de vidro nas janelas é um dos sinais da grande distinção econômica desta casa entre os séculos XIX e início do XX.

Infelizmente foi aproveitando essa fragilidade que um dos artefatos históricos guardados no local sofreu um furto (daí tem gente que ainda escreve para mim perguntando como comprar artefatos arqueológicos… Tenha dó! Alguns destes objetos não são furtados somente de sítios, mas também da casa de pessoas indefesas, como é o caso da dona Maria), mas que felizmente foi recuperado pela polícia.

Os cabelos desta imagem são humanos.

Fragmento de faiança fina encontrada na área onde existia o grande salão.

Lá é genuinamente um sítio arqueológico, deste a própria estrutura da casa principal até artefatos encontrados fragmentados no chão. Eu realmente fiquei assombrada com a qualidade da residência, naturalmente ela recebeu algumas intervenções modernas, mas foi interessante esbarrar em alguma coisa ou outra do XIX… Inteira!

Uma das paredes da cozinha.

Uma das paredes da cozinha.

O grande salão do casario não existe mais, ele colapsou na contemporaneidade, assim como a Igreja centenária da propriedade, uma pena… Dela só sobraram ruínas; observamos o local (eu filmei um pouco, verei como mostrarei para vocês) e deu para saber como ocorreu o evento do desmoronamento, só não pudemos ver o que sobrou embaixo, afinal ali é um sítio arqueológico, não iremos sair por aí remexendo em tudo sem permissão.

O que sobrou em pé da Igreja.

Vista das ruínas da Igreja.

Depois sentamos para entrevistar a dona Maria de Lourdes que falou de muitos detalhes de sua infância e até de um eclipse solar em sua juventude. Demos também uma passada pelo terreno e catalogamos o antigo cemitério (que já está desativado há anos) onde identificamos um pedaço de tíbia humana.

Dona Maria de Lourdes.

Foi uma tarde extremamente agradável e todas as pessoas que conheci ficarão na minha memória, mas não somente pela simpatia do Joaquim, a gentileza do Edvânio, a receptividade da dona Maria e do Neuzito,  mas pela jaca que ganhei 😀

Parte da equipe da Contextos Arqueologia que está participando deste trabalho. Foto: Evaney Simões. 2015.


*Todas as fotografias sem referência ao autor foram batidas por mim.

Em busca do livro perdido: Parte 1*

Como avisei na página do Arqueologia Egípcia no Facebook, neste exato momento estou realizando com a Contextos o diagnóstico, e em breve a prospecção, da área da adutora de água de Santa Luzia, Itabaianinha e Tomar do Geru, sendo os três município do interior de Sergipe. Ao decorrer das pesquisas realizaremos a educação patrimonial e Umbaúba (SE) também será contemplada com a atividade. Outra das nossas propostas nesse município é registrar ao máximo informações históricas da cidade e apresentar para a população a importância da Arqueologia, por isso estamos sediados temporariamente aqui.

Igreja Matriz de Umbaúba. Antes dela neste local existia uma capela dedicada a Nossa Sra. da Guia.

No nosso primeiro dia viramos a novidade do momento (o bom de trabalhar no interior é que no primeiro dia existe um estranhamento, mas no segundo praticamente todo mundo já sabe o que estamos fazendo) e até duas pessoas se aproximaram e puxaram assunto sobre a Arqueologia. Fizemos um reconhecimento do local e batemos papo com os idosos da “Praça é Nossa”, um espaço onde eles se reúnem para conversar.

Um dos entrevistados do primeiro dia.

No segundo dia de trabalho (12/03) dividimos a equipe em dois trios e enquanto um saiu para realizar as entrevistas o outro – onde eu estava – seguiu para a pesquisa em documentos históricos, livros etc. Entretanto, e é necessário deixar isto claro, em cidades do interior e povoados não é incomum que os documentos antigos sejam jogados fora ou enviados para a capital, mas tentamos a sorte mesmo assim e como não sabíamos onde ficava a biblioteca resolvemos ir para a prefeitura para pegar informações acerca.

Entrevistar estes senhores foi uma experiencia maravilhosa… Nem parecia que estávamos trabalhando.

Ao chegar fomos informados que existia somente um livro sobre a história da cidade e que estava justamente na tal biblioteca, para onde fomos encaminhados e muito bem recebidos, entretanto para a nossa surpresa lá não encontramos o referido livro, pelo contrário, ele estava perdido, não sabiam onde ele estava, o que foi um pouco surreal, mas são os percalços da Arqueologia…


*Escrevi este texto no dia 13/03, mas somente hoje foi que notei que o título ficou meio “Indiana Jones”, mas na segunda parte este texto creio que ficará mais obvio que encontrar este livro foi no final uma mini aventura (entretanto sem nativos raivosos, espiões, nazistas etc).

**Todas as fotos que estão neste post são da minha autoria.

Eventos de Arqueologia: fevereiro a abril de 2015

A pesquisa arqueológica na Rodovia SE-100, Pirambu e Pacatuba, Sergipe

Está agendada mais uma palestra online organizada pela Contextos Arqueologia, mas não serei a ministrante, desta vez serão os mestres Fernanda Libório e Luis Felipe, que comentarão sobre a pesquisa de Arqueologia realizada em Pacatuba e Pirambu. Abaixo mais sobre o evento:

“Dessa vez o tema está inserido na temática Arqueologia Brasileira. Iremos apresentar os resultados e discussões obtidos em um projeto de Arqueologia Preventiva realizado pela Contextos Arqueologia em 2014.

Foram identificados 17 sítios no litoral norte sergipano, alguns em ambientes dunares.

Será transmitido um resumo de todas as etapas realizas e interpretações decorrentes. Quem se interessar por Arqueologia da Paisagem, Arqueologia litorânea, geoarqueologia, povoamento do estado de Sergipe e história de Sergipe, não pode perder!!

Acessem o link abaixo e já podem enviar suas perguntas! A transmissão será ao vivo pelo Youtube Live e as perguntas serão respondidas durante a transmissão.

Marquem na agenda: 25/02/2015, às 19:00 (horário de Brasília). Para quem estiver em Aracaju, existem 7 vagas presenciais na sede da Contextos Arqueologia. Venham conhecer como funciona o projeto Contextos Live para ajudar a difundir essa proposta!

Ajudem a divulgar! A participação de todos é muito importante, somente juntos podemos construir uma Arqueologia democrática e responsável.

https://m.youtube.com/watch?v=yNgraJF1s8E


Arqueologia e Antropologia: outros tempos, outros mundos

Já este esvento não trata-se de uma palestra, é um curso presencial que ocorrerá no Rio de Janeiro e será ministrado pelo Dr. Leonarno Carvalho e pela Me. Marina Buffa. Valor: R$150,00
Segue as informações:

“Gostaria de divulgar o curso “Arqueologia e Antropologia: Outros Tempos, Outros Mundos” que vou ministrar nas quintas-feiras de março e abril no Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, centro do Rio, com a arqueóloga Marina Buffa. A ideia é conversar com os alunos inscritos apresentando a partir de sete sessões temáticas questões que propõem interseções entre teorias/etnografias antropológicas e arqueológicas. São elas:

05/03 Do Exótico ao Outro do Outro: Diferenças Antropológicas
12/03 O Lixo da História: A Invenção da Arqueologia
19/03 O Estatuto das Coisas: Antropologia, Objetos e Pessoas
26/03 Entre a “Diferonça” e o Estado: Povos Indígenas do/no Brasil
02/04 Memórias do Rio Antigo: Ruínas da Arqueologia Fluminense
09/04 Museus Etnográficos: De Templos Tribais a Fóruns Globais
16/04 Artefatos da Morte: Cosmologias do Egito Antigo

As inscrições já estão abertas e se encerram assim que as 30 vagas forem completadas. Informações e inscrições no e-mail: archeccjf@gmail.com.”


II Segunda Semana de Arqueologia “História e Cultura Material: desafios da contemporaneidade”

“Entre os dias 23 e 28 de Março de 2015, realizar-se-á na Universidade Estadual de Campinas a Segunda Semana de Arqueologia “História e Cultura Material: desafios da contemporaneidade”, promovida pelo Laboratório de Arqueologia Pública Paulo Duarte, e cuja direção científica e administrativa está a cargo do prof. Pedro Paulo A. Funari. A Segunda Semana passa a contar com comissão científica de renome e com o apoio de órgãos de fomento à pesquisa, como a Fapesp e o Faepex/Unicamp. O evento será uma reunião científica de cinco dias que contará com especialistas do país e algumas personalidades estrangeiras. Nesse evento, os alunos de graduação e pós-graduação, bem como jovens pesquisadores, poderão participar de comunicações, mesas-redondas, mini-cursos e oficinas, quer como ouvintes, quer como palestrantes ou proponentes de posters, estimulando debates, divulgando trabalhos de pesquisa e estabelecendo laços profissionais”.

Links de Arqueologia: 17 novos sítios arqueológicos em Sergipe, castelo de Anchieta, cela em Igreja e crianças na guerra

Este texto ficou guardado como rascunho por um bom tempo (por isso algumas notícias aqui serão um pouco antigas), mas mesmo assim não custa nada repassar estes links para vocês.

Para abrir o post está a divulgação da descoberta de 17 sítios arqueológicos em Sergipe, trabalho o qual participei por um período (lembro das picadas dos insetos como se fosse hoje!). A maioria das peças são de caráter indígena, mas encontramos algumas faianças (louças) que “usualmente” (entre aspas porque existem casos e mais casos) significam presença europeia.

☥ Ana Lúcia parabeniza Governo de Sergipe pela descoberta de sítios arqueológicos

O segundo link é sobre o achado de uma cela eclesiástica no porão da Igreja e Convento de Santa Maria dos Anjos, localizada no centro histórico de Penedo (AL). Por acaso Penedo é um local lindíssimo, vale a visita e o potencial arqueológico é de cair o queixo.

☥ Arqueólogos acham prisão eclesiástica do século 17 em igreja de Penedo (AL)

Já no próximo link temos o Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro (Ipharj) como um dos possíveis destaques culturais durante dos jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 e que também está concorrendo ao prêmio Aga Khan.

☥ Em castelo de arquitetura islâmica, museu em Anchieta tem mais de 60 mil itens arqueológicos

O último link é sobre os adolescentes (para mim crianças) que lutaram na 1ª Guerra Mundial. Estes grupos de meninos se alistavam esperando fugir do desemprego e com um deturpado senso de dever para com o seu país. Acerca deste assunto acho que a citação abaixo, retirada de uma carta de um destes garotos para a mãe, já responde muito o que poderia significar a ida para o campo de batalha:

“Querida mãe, eu estive nas trincheiras quatro vezes e saí em segurança. Nós descemos às trincheiras por seis dias e depois recebemos seis dias de descanso. Querida mãe, eu não gosto das trincheiras. Nós vamos descer a elas novamente nesta semana”.

☥ Os adolescentes de 14 anos que lutaram nas trincheiras da 1ª Guerra

Páginas de Arqueologia no Facebook interessantes para seguir

Graças à internet muita gente está podendo apresentar os seus trabalhos ou ideias com mais facilidade. Hoje vocês podem ler sobre pesquisas da Arqueologia diretamente com o próprio profissional ou equipe que realizou a mesma e até tirar dúvidas ou trocar informações. Pensando nisso resolvi indicar algumas páginas que talvez seja do interesse de vocês:

Almir Brito Jr Photography: Esta é do meu colega e amigo Almir Brito Jr., que além de arqueólogo é fotografo. Ele sempre está registrando as paisagens por onde passa quando está trabalhando, então esta é uma oportunidade de ver o mundo pelo os olhos de um arqueólogo. Guardem bem este nome porque quem sabe um dia ele estará fotografando para alguma matéria da National Geographic. Clique aqui e curta a página.


Movimento Mulheres na Arqueologia: Esta é uma página bem bacana voltada para mostrar a presença das mulheres na Arqueologia, que embora sejam muitas ainda tem quem insista que esta disciplina trata-se de uma profissão masculina.  O que acho excelente é que alguns dos posts trazem perfis de arqueólogas. Clique aqui e curta a página.


Contextos Arqueologia: Já participei de dois trabalhos nesta empresa e ela foi um dos organizadores do lançamento do meu livro “Uma viagem pelo Nilo”. Constantemente eles realizam oficinas de especialização e possuem muito interesse pela Arqueologia Pública, então vale a pena dar uma olhada. Clique aqui e curta a página.


Laboratório de Arqueologia Pública “Paulo Duarte” (LAP): Este laboratório tem várias propostas de eventos bem interessantes e o melhor é que são voltados tanto para o público acadêmico como o comum. Outra coisa que gosto muito é que eles abrem sempre vagas para estágio. Clique aqui e curta a página.