Links de Arqueologia: 17 novos sítios arqueológicos em Sergipe, castelo de Anchieta, cela em Igreja e crianças na guerra

Este texto ficou guardado como rascunho por um bom tempo (por isso algumas notícias aqui serão um pouco antigas), mas mesmo assim não custa nada repassar estes links para vocês.

Para abrir o post está a divulgação da descoberta de 17 sítios arqueológicos em Sergipe, trabalho o qual participei por um período (lembro das picadas dos insetos como se fosse hoje!). A maioria das peças são de caráter indígena, mas encontramos algumas faianças (louças) que “usualmente” (entre aspas porque existem casos e mais casos) significam presença europeia.

☥ Ana Lúcia parabeniza Governo de Sergipe pela descoberta de sítios arqueológicos

O segundo link é sobre o achado de uma cela eclesiástica no porão da Igreja e Convento de Santa Maria dos Anjos, localizada no centro histórico de Penedo (AL). Por acaso Penedo é um local lindíssimo, vale a visita e o potencial arqueológico é de cair o queixo.

☥ Arqueólogos acham prisão eclesiástica do século 17 em igreja de Penedo (AL)

Já no próximo link temos o Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro (Ipharj) como um dos possíveis destaques culturais durante dos jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 e que também está concorrendo ao prêmio Aga Khan.

☥ Em castelo de arquitetura islâmica, museu em Anchieta tem mais de 60 mil itens arqueológicos

O último link é sobre os adolescentes (para mim crianças) que lutaram na 1ª Guerra Mundial. Estes grupos de meninos se alistavam esperando fugir do desemprego e com um deturpado senso de dever para com o seu país. Acerca deste assunto acho que a citação abaixo, retirada de uma carta de um destes garotos para a mãe, já responde muito o que poderia significar a ida para o campo de batalha:

“Querida mãe, eu estive nas trincheiras quatro vezes e saí em segurança. Nós descemos às trincheiras por seis dias e depois recebemos seis dias de descanso. Querida mãe, eu não gosto das trincheiras. Nós vamos descer a elas novamente nesta semana”.

☥ Os adolescentes de 14 anos que lutaram nas trincheiras da 1ª Guerra

Links da semana: descoberta de uma armadura feita de ossos, artefatos encontrados em obras de metrô etc

Esta semana recebi muitos links legais relacionados com descobertas arqueológicas ao redor do mundo. Uma delas foi a da armadura feita de ossos (provavelmente de alces, veados e cavalos) encontrada na Sibéria, próximo ao rio Irtysh em Omsk (na Rússia). O interessante da notícia é que esta é um tipo de descoberta incomum, já que neste território as armaduras eram bens de luxo, não era algo que simplesmente enterravam, mesmo em cerimônias funerárias.

The Siberian Times. 2014.

Reconstrução de como deve ter sido a armadura de ossos, feita pelos pesquisadores Yuri Gerasimov e A.Solovyev.

A equipe de arqueologia responsável pela pesquisa acredita que o artefato tem entre 3.000 e 3.900 A.E.C. Segue o link:

Arqueólogos encontram armadura feita de ossos com 3.900 anos na Rússia


O segundo link na verdade saiu semana passada e fala da descoberta de um poço funerário próximo à cidade de Macapá (AP). O que achei interessante é que o sítio é constituído por várias câmaras mortuárias.

Uma das urnas funerárias encontradas nas câmaras mortuárias (Foto: John Pacheco/G1).

O local provavelmente foi construído entre 1.000 e 1.300 d.E.C e os corpos foram sepultados dentro de urnas de cerâmicas (e que urnas!):

☥ Pesquisadores do Amapá encontram poço funerário construído há quase mil anos por povos indígenas

E tem mais links com boas fotos:

Escavação arqueológica no Amapá revela funeral inédito de indígenas

Arqueólogos do Amapá encontram urnas funerárias inéditas no Brasil

 


No Rio de Janeiro foi realizada a descoberta de artefatos indígenas, europeus e africanos em camadas sucessivas de ocupação. No local acredita-se que viveu Salvador Correia de Sá, primo de Estácio de Sá e famoso vendedor de africanos escravizados.

Arqueólogos encontram sinais do século XVI em terreno no Centro do Rio

A descoberta foi datada como pertencente ao século 16:

Arqueólogos encontram sinais do século XVI em terreno no Centro do Rio

 


Também no Rio de Janeiro, peças arqueológicas foram descobertas durante as obras do metrô da Linha 4 que ligará a Barra da Tijuca, zona oeste, à Tijuca, zona norte. De acordo com a investigação em documentos históricos, esta área antes era composta por cerca de 100 chácaras. Naturalmente uma visão bem diferente da paisagem de hoje. Dentre os artefatos encontrados estão talheres, tigelas, moedas, vidro (tudo o que normalmente encontramos em sítios de caráter histórico), trilhos do antigo bonde que funcionou no local a partir de 1902 e até penicos ainda com matéria fecal.

O governo do estado já conversa com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para que as peças que eles considerarem mais relevantes sejam exibidas em estações da Linha 4. O projeto seria semelhante ao do metrô de Atenas, que exibe objetos históricos em suas estações. Uma iniciativa assim não agregaria somente valor artístico ao metrô, mas também irá relembrar aos transeuntes que o que está sob os nossos pés pode ser uma grande surpresa vinda do passado.

Relíquias históricas no caminho do metrô. Foto: Gustavo Stephan / Agência O Globo. 2014.

Todos os objetos foram datados como pertencentes ao final do século 19 e início do 20.

Peças arqueológicas são descobertas em obras do metrô no Rio

Links com mais fotografias:

Peças encontradas em escavação do metrô contam história de Ipanema e Leblon
Relíquias históricas no caminho do metrô

 

Visitando a Bahia: turismo arqueológico e Projeto Tamar

Semana passada fui convidada a passar alguns dias na Bahia, no Canto do Sol, e claro que aceitei! Fiquei lá desde o dia 01/05 até 04/05. Conheci lugares interessantes, mas o meu dia favorito definitivamente foi no qual fiz um passeio em Mata de São João e na Praia do Forte, dois lugares com uma história incrível, tanto em termos arqueológicos como ecológicos.

O primeiro lugar do dia foi a Casa da Torre Garcia D’Avila (também chamada de Castelo de Garcia D’Avila), na Mata de São João. O passeio foi extremamente gratificante, não somente para quem tem interesse unicamente no turismo arqueológico, como também na Arqueologia Histórica.

Maquete da Casa da Torre Garcia D’Avila. Foto: Márcia Jamille. 2014.

Material construtivo da Casa da Torre Garcia D’Avila. Foto: Márcia Jamille. 2014.

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