Estes bebês foram sepultados “coroados” com ossos de outras crianças

Uma descoberta arqueológica raríssima foi feita no Equador: dois bebês foram sepultados, cada um, usando uma espécie de “capacete” feito com o crânio de outras crianças. Na falta de uma boa referência visual: os bebês foram vestidos com uma segunda cabeça… Ou seja, em cada sepultura foram encontrados dois indivíduos — o bebê e a cabeça de uma criança mais velha —. 

Os arqueólogos que realizaram a descoberta e as análises dizem que não existem precedentes deste tipo de sepultamento nem no Equador e nem em toda América.

Não se sabe os motivos por trás deste enterro, em verdade as pesquisas ainda estão em andamento.

Porém, algumas informações importantes foram obtidas tais como as idades aproximadas das quatro crianças e a possibilidade de que ao menos os bebês tenham falecido por conta de uma anemia.

Quer saber mais? No vídeo abaixo eu explico alguns detalhes desta descoberta 

Coletânea de vídeos para entender os trabalhos de Arqueologia

O que mais adoro na internet é a incrível oportunidade que ela nos dá para aprender com pessoas que estão distantes de nós. Ao contrário de uns 15 anos atrás, na atualidade podemos acessar materiais em diversas línguas e até mesmo trocar algumas ideias com pesquisadores.

Imagem da Revista de Arqueologia, volume 25, número 1, Junho de 2012. Artigo: “Construindo histórias: cadeia operatória e história de vida dos machados líticos amazônicos”, de Tallyta Suenny Araujo da Silva.

Desde 2008 venho dedicando-me a usar a internet como uma ferramenta para a difusão do conhecimento e fico bastante feliz toda vez que vejo materiais audiovisuais de qualidade sendo distribuídos. Querem alguns exemplos? Estão logo abaixo:

12000 anos de História: o ofício do arqueólogo:

Produzido pela UFRGS TV, este é um ótimo vídeo introdutório sobre os trabalhos de Arqueologia e parte do dia-a-dia de profissionais da área. São ditos alguns termos técnicos, mas nada que uma breve pesquisa no Google não resolva. A participação que mais gostei foi a do Pe. Pedro Ignácio Schmitz.

Profissões: Arqueólogo:

Nesse capítulo do programa “Profissões” do canal da Univesp TV somos apresentados às etapas de pesquisa na Arqueologia, desde o trabalho de campo ao laboratório.

Arqueologia Re-produzindo nosso passado (Museu Nacional/UFRJ)

Neste vídeo desenvolvido pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro, ouvimos os depoimentos de profissionais e alunos da Arqueologia. Vale a pena assistir para conhecer algumas das muitas áreas dessa disciplina. A fala da Gina Bianchine foi uma das mais interessantes.

PS: Creio que uma leitora do Arqueologia Egípcia fez uma breve participação. 😀

Aproveite e veja também:

— Ser arqueólogo no Brasil (Vídeo)

Links da semana: descoberta de uma armadura feita de ossos, artefatos encontrados em obras de metrô etc

Esta semana recebi muitos links legais relacionados com descobertas arqueológicas ao redor do mundo. Uma delas foi a da armadura feita de ossos (provavelmente de alces, veados e cavalos) encontrada na Sibéria, próximo ao rio Irtysh em Omsk (na Rússia). O interessante da notícia é que esta é um tipo de descoberta incomum, já que neste território as armaduras eram bens de luxo, não era algo que simplesmente enterravam, mesmo em cerimônias funerárias.

The Siberian Times. 2014.

Reconstrução de como deve ter sido a armadura de ossos, feita pelos pesquisadores Yuri Gerasimov e A.Solovyev.

A equipe de arqueologia responsável pela pesquisa acredita que o artefato tem entre 3.000 e 3.900 A.E.C. Segue o link:

Arqueólogos encontram armadura feita de ossos com 3.900 anos na Rússia


O segundo link na verdade saiu semana passada e fala da descoberta de um poço funerário próximo à cidade de Macapá (AP). O que achei interessante é que o sítio é constituído por várias câmaras mortuárias.

Uma das urnas funerárias encontradas nas câmaras mortuárias (Foto: John Pacheco/G1).

O local provavelmente foi construído entre 1.000 e 1.300 d.E.C e os corpos foram sepultados dentro de urnas de cerâmicas (e que urnas!):

☥ Pesquisadores do Amapá encontram poço funerário construído há quase mil anos por povos indígenas

E tem mais links com boas fotos:

Escavação arqueológica no Amapá revela funeral inédito de indígenas

Arqueólogos do Amapá encontram urnas funerárias inéditas no Brasil

 


No Rio de Janeiro foi realizada a descoberta de artefatos indígenas, europeus e africanos em camadas sucessivas de ocupação. No local acredita-se que viveu Salvador Correia de Sá, primo de Estácio de Sá e famoso vendedor de africanos escravizados.

Arqueólogos encontram sinais do século XVI em terreno no Centro do Rio

A descoberta foi datada como pertencente ao século 16:

Arqueólogos encontram sinais do século XVI em terreno no Centro do Rio

 


Também no Rio de Janeiro, peças arqueológicas foram descobertas durante as obras do metrô da Linha 4 que ligará a Barra da Tijuca, zona oeste, à Tijuca, zona norte. De acordo com a investigação em documentos históricos, esta área antes era composta por cerca de 100 chácaras. Naturalmente uma visão bem diferente da paisagem de hoje. Dentre os artefatos encontrados estão talheres, tigelas, moedas, vidro (tudo o que normalmente encontramos em sítios de caráter histórico), trilhos do antigo bonde que funcionou no local a partir de 1902 e até penicos ainda com matéria fecal.

O governo do estado já conversa com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para que as peças que eles considerarem mais relevantes sejam exibidas em estações da Linha 4. O projeto seria semelhante ao do metrô de Atenas, que exibe objetos históricos em suas estações. Uma iniciativa assim não agregaria somente valor artístico ao metrô, mas também irá relembrar aos transeuntes que o que está sob os nossos pés pode ser uma grande surpresa vinda do passado.

Relíquias históricas no caminho do metrô. Foto: Gustavo Stephan / Agência O Globo. 2014.

Todos os objetos foram datados como pertencentes ao final do século 19 e início do 20.

Peças arqueológicas são descobertas em obras do metrô no Rio

Links com mais fotografias:

Peças encontradas em escavação do metrô contam história de Ipanema e Leblon
Relíquias históricas no caminho do metrô