Quais são alguns dos livros que tenho na minha estante?

Nas últimas semanas levei vocês para um passeio por uma das minhas estantes de livros lá no canal do Arqueologia Egípcia no Youtube. A ideia de mostrar algumas das obras que tenho em um vídeo para a internet foi da leitora Lohana Oliveira (beijos Lohana!) e o resultado vocês podem conferir mais abaixo. Não esqueçam de deixar o “curtir” de vocês ou escrever um comentário lá.

Nessa segunda parte praticamente todos os livros estão em português 

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Livro que estou interessada em ler: História militar do mundo antigo; Vol 1

O estudo da História da Guerra tem passado ao longo dos anos por enormes mudanças, onde se destaca uma maior busca pela compreensão dos efeitos do sistema militar na realidade sócio-política das sociedades passadas, incluindo questões étnicas, culturais e de gênero.

Em várias comunidades antigas, seja no Oriente ou Ocidente, a guerra tem sido utilizada como uma forma de demarcar território e de obtenção de matérias-primas, através de conflitos armados ou “psicológicos”. Neste sentido este livro procurar reunir pesquisadores de áreas que permeiam desde o Antigo Oriente até a História Clássica.

O material foi organizado pelo arqueólogo e historiador Pedro Paulo Abreu Funari, a historiadora Margarida Maria de Carvalho, o arqueólogo e historiador Claudio Umpierre Carlan e a historiadora Érica Cristhyane Morais da Silva.

Esta é uma coletânea de 11 artigos, dentre eles está a participação do historiador egiptólogo Ciro Flamarion Cardoso (1942 — 2013). São ao todo 3 volumes:

1- História militar do mundo antigo: guerras e identidades
2- História militar do mundo antigo: guerras e representações
3- História militar do mundo antigo: guerras e culturas

Ao contrário do Arqueologia da Guerra e do Conflito, este livro consegui comprar. Ele está disponível nas grandes livrarias.

Erros de gravação do vídeo “5 indicações de livros de Egiptologia”

Gravei mais um vídeo para vocês, mas desta vez com uma iluminação melhorzinha, ao contrário do vídeo anterior. O material ficou com 10 min e já publiquei lá no site, mas não custa nada por aqui também.

No vídeo eu comento cinco livros que eu acho que podem dar uma boa base acerca da história do Antigo Egito para quem está planejando se tornar egiptóloga (o).

O material original tem cerca de uma hora de duração e infelizmente precisei cortar muitos comentários interessantes, até mesmo acerca da morte do prof. Ciro (somente depois de publicado foi que percebi isto). Dentre tantas falas ocorreram alguns momentos cômicos, então resolvi fazer um vídeo com estas partes (clique na imagem abaixo para ver; Um link para o vídeo no Facebook será aberto):

Márcia Jamille.

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Esta camiseta que aparece no vídeo pode ser adquirida clicando aqui.

Livro que estou interessada em ler: Arqueologia da Guerra e do Conflito

livro - Arqueologia da Guerra e do Conflito - Funari e LinoOs campos de batalhas não são somente locais onde ocorreram conflitos bélicos, mas também sítios com depósitos arqueológicos importantes que revelam um pouco sobre um passado tortuoso de dominação versus a subversão.

As pesquisas sobre a Arqueologia da Guerra e do Conflito no Brasil, América Latina e Península Ibérica fazem parte deste livro organizado pelo arqueólogo e historiador Pedro Paulo Abreu Funari e pelo arqueólogo Jaisson Teixeira Lino.

O material está dividido em 11 capítulos, escritos por 19 autores, brasileiros e estrangeiros, que apresentam em termos gerais questões como logísticas, geografias e patrimônios remanescentes destas batalhas.

De acordo com o site da UNICAMP o livro deveria ser lançado no dia 9 de outubro, mas até agora não o encontrei disponível para o comércio.

Dicas para escolher um bom livro de Egiptologia

O Brasil possui um sério problema no que diz respeito a títulos de livros ligados a Arqueologia Egípcia. O nosso país é extremamente inexperiente no ramo e são poucos os títulos escalados para fazerem parte do nosso repertório nacional e para variar, em sua maioria, não são de cunho acadêmico.

Particularmente já comprei livros muito ruins, mas isto é porque me vejo na obrigação de conhecer sobre o tipo de escrita de cada autor, porém nem todos se encontram nesta minha situação e nem podem esbanjar com a compra de livros, afinal, o mercado impresso é muito caro (por sinal isto é uma vergonha) e quando o assunto é Egiptologia a coisa vai para outra proporção, já vi livros com menos de cinco anos esgotados na editora custarem mais de R$1.500.00, o que é um absurdo já que nem se trata de um clássico (por acaso não comprei o material… Claro!). Mas não se assuste, nem todos os livros são caros, já encontrei alguns bons por menos de R$50.00 e a busca em sebos também é uma boa.

Existem vários livros sobre Antigo Egito no mercado, mas são poucos os que realmente valem o preço. Foto: Márcia Jamille Costa. 2012.

No caso de quem se interessa em seguir a carreira de egiptólogo deve se preparar e investir em sua educação e isto principalmente diz respeito aos seus livros, que são os companheiros inseparáveis dos acadêmicos. Desta forma darei aqui algumas dicas para que você possa escolher livros interessantes e que possam ser utilizados em pesquisas científicas:

(1) Pesquise sobre o autor antes de tudo: No que ele é formado? Qual o grau acadêmico? O que tem em seu currículo? Quanto de experiência ele tem no assunto? Tudo isto conta para saber se não é um pesquisador especialista em análise de líticos de Papua Nova Guiné que caiu de paraquedas na Egiptologia ou é um dono de casa que um dia pensou em escrever sobre Antigo Egito;

(2) “Amador” não é arqueólogo ou historiador: É crime assumir uma identidade que não é sua. Se alguém que é só curioso sobre os aspectos do Antigo Egito e se diz egiptólogo formado denuncie, isto é crime. Para se intitular como arqueólogo ou historiador com experiência em Egiptologia ele deve ser formado como tal. Se a pessoa for só uma curiosa deve se apresentar como tal, e não como “Egiptólogo amador”. Por acaso você já viu alguém em sã consciência contratar um “pedreiro amador”, um “mecânico amador”, “piloto amador” ou “ginecologista amador”? Por que com as Ciências Humanas teria que ser diferente?

(3) Pesquise sobre a editora: observe qual a linha editorial que ela adota, afinal, o que ela publica é o espelho do que ela é.

(4) Desconfie sempre dos temas sensacionalistas: Um livro sobre mais uma teoria de qual é a causa da morte de Tutankhamon é um bom exemplo. Os temas sensacionalistas são utilizados única e exclusivamente para vender, eles brincam com a nossa ignorância, o melhor a fazer é ignorá-los e se dedicar ao que realmente é relevante para a sociedade.

(5) Um autor famoso não quer dizer que é um autor bom (ou um cientista bom): ele pode servir para um público amador que está interessado em uma leitura light e sem compromisso com a ciência (ou seja, que quer conhecer um pouco mais sobre o assunto e não necessariamente tornar-se um profissional na área), porém muitos destes livros não vêm com referencias bibliográficas no meio dos textos, o que não possibilita a confirmação do que está escrito. Muitos egiptólogos se dedicam a escrever livros voltados para amadores com o exato fim de apresentar a ciência, porém existem casos de autores que mesmo pertencendo a um corpo de alguma Universidade podem escrever bizarrices (acontece até nas melhores famílias, lembre-se sempre disto).  Em caso de dúvidas sobre a credibilidade do cientista siga o passo (1), pesquise por seu currículo.

(6) Não julgue o livro pela capa… Literalmente: Livros relacionados ao Antigo Egito são uma maquina de gerar dinheiro, desta forma as editoras investem pesado nas capas, porém o conteúdo escrito nem sempre é um dos melhores.

(7) Questione até mesmo os autores citados no livro: o autor pode ser maravilhoso escritor e acadêmico, mas pode ter péssimas escolhas de pesquisadores para citar, e isto não é raro de ocorrer.

(8) Não ponha jamais sua crença/religião acima de tudo: livros relacionados a crenças religiosas jamais devem ser usados como fonte de pesquisa científica a não ser que o seu objetivo seja inferir acerca das pessoas que seguem tais crenças e como elas influenciam a sociedade. Se você for espírita ou segue a seita do E.T. Verde com Cara de Laranja e gosta de comprar e ler livros relacionados a estes temas guarde consigo. Além disto, a ciência moderna não se utiliza de “dados espectrais” como subsídio.

(9) Desconfie dos livros com muitas imagens e poucos textos: normalmente eles são só um “enche linguiça”. Se não for um catálogo com informações precisas ele é totalmente inútil para um pesquisador… É praticamente um livro de figurinhas.

(10) Não confie na opinião de quem não é da área: esta aprendi recentemente, o que é bom para um editor do New York Times não quer dizer necessariamente que é bom para a Arqueologia. Um dos piores livros de “Egiptologia” que já li foi extremamente elogiado por grandes jornais dos Estados Unidos.