Um livro sobre hieróglifos egípcios e outro sobre guerras no Egito Antigo

Hoje no canal do AE no YouTube liberei mais um unboxing. A vez foi de uma caixa da Chiado Editora, que é parceira da gente. Ela já tinha enviado para a minha Caixa-Postal o livro “Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico”, do Ronaldo Guilherme Gurgel Pereira, que já está na sua segunda edição.

A Chiado é uma editora especializada na publicação de livros de portugueses e brasileiros. Encontrar seus títulos nas grandes lojas (como a Amazon, Livraria Cultura e Saraiva, por exemplo) não é a coisa mais comum, contudo, também não é difícil encomendar uma das suas obras: eles possuem um site onde vendem os produtos tanto em Euro como em Real. Muito simples.

A caixa 😀

Fiquei interessada novamente pela gramática porque alguns leitores começaram a enviar mensagens perguntando quais eram as diferenças entre a 1ª e a 2ª edição, então a solicitei. Porém, a Chiado também me ofereceu um outro livro que eu não conhecia, mas cujo tema é sobre a guerra na antiguidade egípcia. O Aceitei. Abaixo o unboxing:

Algumas fotos:

Estou muito empolgada para começar a ler “Fortificar o Nilo: A ocupação militar egípcia na Núbia na XII Dinastia”, do Eduardo Ferreira, uma vez que é um assunto que sou muito interessada. Mas, só o farei depois de terminar a ficção “Nefertiti”, do Nick Drake.

Espero que a Chiado Editora continue a publicar mais títulos acadêmicos voltados para a Egiptologia, algo que é ainda tão raro em português.

Caso queira comprar esses títulos estes são os links:

A gramática: https://www.chiadoeditora.com/livraria/gramatica-fundamental-de-egipcio-hieroglifico

Fortificar o Nilo: https://www.chiadoeditora.com/livraria/fortificar-o-nilo-a-ocupacao-militar-egipcia-da-nubia-na-xii-dinastia-1980-1790-a-c

Quer ver o que mais chegou na minha Caixa Postal? Então clique aqui.

 

Meu endereço:

Márcia Jamille

Caixa Postal 1702

CEP 49046970

Aracaju – SE

A “Maldição da Múmia” e o Halloween

Que o Halloween é uma festa peculiar isso ninguém tem dúvidas. Possuindo raízes entre os celtas, atravessando a Idade Média na Europa, cruzando o Oceano Atlântico e chegando ao Novo Mundo na bagagem dos Puritanos, essa festividade tinha como objetivo comemorar uma passagem de estação, mas, ao ser incorporada pela Igreja Católica, passou a celebrar o “Dia de Todos os Santos”, antecedendo o “Dia de Finados” (2 de Novembro).

É difícil datar todas as brincadeiras comuns desse dia, mas certamente o costume de vestir fantasias assustadoras tornou-se mais popular no século XX, quando o folguedo ganhou um caráter cada vez mais comercial. Foi nessa época também que as múmias foram incorporadas como fantasias. Essa inclusão tem paralelo com o uso do tema “maldição da múmia” por Hollywood, como já comentei no post “Múmias, múmias e mais múmias no cinema”.

Só publiquei esta foto porque achei legal.

E foi com esse assunto em mente que gravei o vídeo “A Maldição da Múmia” para o especial de Halloween deste ano. Espero muito que vocês gostem 😀 Aproveitem para compartilhá-lo com os seus amigos 👻

Tem um determinado momento em que mostro uma foto muito especial. Por culpa dela demorei alguns dias para gravar (eu realmente gostaria de tê-la presente). Bom, só digo que valeu a pena ter passado três dias procurando a fia.

Eu, Tutankhamon e o Howard Carter

Quem passeia pelos muitos fóruns, comunidades, páginas ou grupos de discussão e divulgação do Antigo Egito já deve ter percebido que o tema de assunto começou a mudar drasticamente: o que gradativamente está tornando-se o interesse do momento são as pesquisas relacionadas com o faraó Tutankhamon e existe uma explicação para isto: em breve, no dia 4 de novembro, serão comemorados os 92 anos de descoberta da sua tumba.

O achado se deu graças ao trabalho do arqueólogo Howard Carter e o patrocínio do Lorde Carnarvon, nobre inglês que gastou rios de dinheiro bancando as escavações no Vale dos Reis que muitos acreditavam estar findada ao fracasso, até que após nove anos de busca, em 1922, foi encontrado o túmulo praticamente intacto do “faraó-menino” Tutankhamon.

Lorde Carnarvon (esquerda) e Howard Carter (direita). Foto disponível em < http://www.thetimes.co.uk/tto/magazine/article3650205.ece >. Acesso em 05 de outubro de 2014.

79 anos depois lá estava eu assistindo a aula de História e vejo pela primeira vez um documentário sobre a Antiguidade Egípcia. Ele era iniciado com a descoberta da tumba de Tutankhamon e quando vi o rosto dele em seu ataúde senti que algo tinha sido preenchido dentro de mim, como se alguma coisa tivesse mudado, mas para melhor, é uma sensação difícil de explicar, era como se tudo ao meu redor fosse preto e branco e o ambiente mudasse igual ao efeito colorido dos filmes “O pássaro azul” (The Blue Bird; 1940)  e “O Mágico de Oz” (The Wizard of Oz; 1939).

Bom, o que posso dizer é que esse evento mudou totalmente o rumo da minha vida porque fiquei tão animada que decidi naquele mesmo momento que queria ser arqueóloga e pesquisadora do Egito Antigo e dediquei os anos seguintes ao estudo da antiguidade egípcia, tudo com o apoio da minha mãe que sempre comprava revistas e livros. Eu nem tinha 14 anos na época, ou seja, acho que já está meio óbvio que não tive uma infância lá muito convencional.

Carter e um assistente limpando o ataúde de Tutankhamon. Foto disponível em < http://www.thetimes.co.uk/tto/magazine/article3650205.ece >. Acesso em 05 de outubro de 2014.

Bom, a questão é que em virtude de ler tanta coisa sobre o Tutankhamon eu comecei a ficar com vontade de escrever o meu próprio livro sobre ele e o iniciei finalmente na virada entre o ano de 2011 e 2012… Literalmente. Como no ano novo eu era a única pessoa acordada fui fazer o que normalmente eu faço quando não tenho nada para fazer, que é ler algo sobre o antigo Egito (sim, eu sei, que vida interessante hem!) e foi quando partiu a ideia de por um livro sobre o Tutankhamon no papel, mas o engavetei um mês depois, porque tinha acabado de ingressar no mestrado.

Em 2013 o peguei novamente e precisei sacrificar cerca de seis meses de produtividade acadêmica para cuidar integralmente dele. Claro que logo depois eu quis publicá-lo, mas por algum motivo desisti e coloquei “Uma viagem pelo Nilo” na frente (que foi lançado somente em 2014 devido a alguns atrasos de serviços).

Depois do “Uma viagem pelo Nilo” resolvi submeter a minha publicação do Tutankhamon para algumas editoras, mais como um teste para saber qual seria a recepção e as criticas do quê uma esperança de assinar um contrato. Creio que ao todo recebi a resposta de quatro ou cinco: uma delas escreveu falando que gostaram do tema, mas que não tinham interesse de publicar no momento e a outra falou que tinha interesse e que em vez da espera de dois anos para publicar — que é o prazo convencional da editora — queriam lançá-lo já em no mês de novembro.

Esta editora é um selo grande, imagina que incrível seria! Excerto pelo o fato da minha pessoa ser uma “escritora iniciante” e consequentemente teria que pagar uma bagatela de R$14,000. Moço! Com este dinheiro eu posso pagar uma escola de campo no Egito incluindo parte da passagem de avião ida e volta! Eu não aceitei, aliás, não deu nem tempo de não aceitar, já que eu tinha o prazo de um dia para dar a resposta… Ah o capitalismo…

Carter e Lorde Carnarvon.

Bola para outra, o livro já está prontinho só falta incluir alguns detalhes pontuais e ver quais imagens serão disponibilizadas para a publicação. Infelizmente ele não sairá em novembro… Já imaginaram sair justamente no dia 04/11? Dia da descoberta da tumba do Tutankhamon? Ia ser legal, entretanto não vai rolar, mas não ligo, o importante é curtir a jornada, sempre!

O título? Ele já tinha sido escolhido no final de 2010! É “Tutankhamon, 1922 e o Vale dos Reis”. Ele já tem sua página no Facebook e Tumblr. Tentarei deixar vocês a par de tudo.

Para aqueles que tem Instagram e/ou Twitter usarei sempre que possível a tag #TutEOValeDosReis, assim ficará mais fácil ver as atualizações referentes ao livro.

E o tema? No livro eu realizo um passeio pela a história do Vale dos Reis e mostro alguns dos principais passos do Howard Carter para tornar-se arqueólogo até finalmente descobrir a KV-62, o sepulcro de Tutankhamon. Comento algumas curiosidades relacionadas aos trabalhos na tumba e por fim acerca da existência do próprio Tutankhamon, este garoto que teve uma vida cheia de altos e baixos, uma morte prematura e uma “pós-vida” bem agitada, devido ao mito criado graças à Arqueologia Egípcia e principalmente a Egiptomania.

Ressalto que ele ainda não tem uma data de lançamento prevista, mas vocês podem seguir as novidades sobre ele através dos links que disponibilizo abaixo:

https://www.facebook.com/tutankhamoneovaledosreis
http://tutankhamoneovaledosreis.tumblr.com/

Hieróglifos, hieróglifos e hieróglifos

Sexta-feira passada (26/09) foi o último dia do curso de hieróglifos da UFS. Foram somente cinco dias e aprendi muito ao ponto de ocorrer o que eu nem imaginava que iria fazer em tão pouco tempo: já consigo ler algumas coisas.

Ok é fato que preciso ainda me instruir muito — muito mesmo —, mas esta semana me animou a continuar a treinar (o que, ao menos até agora, estou fazendo todos os dias).

Introdução à língua egípcia I. Foto Nicolas Santos. 2014.

Eu já tinha esquecido o quanto era doloroso ir e voltar da UFS, levo duas horas para chegar ao campus e tinha dias em que eu levava três longas horas para chegar em casa. Tudo bem, valeu o esforço em nome do conhecimento.

Ocorreu muita procura pelo curso o que me levou a acreditar — erroneamente — que eu não conseguiria entrar. Veja bem, eram vinte e cinco vagas e quase uma centena de pessoas tinha se inscrito. Minha preocupação era bem legítima.

Infelizmente, como em qualquer atividade de extensão gratuita, sempre existe alguém que se inscreve e acaba não indo e foi este o caso: algumas pessoas nem sequer chegaram a aparecer, o que é uma situação chata porque se inscrever e não comparecer é tirar a vaga de outras pessoas que realmente gostariam de participar.

Apostila do curso.

Espero que futuramente ocorram outros cursos como este e com certeza estarei lá novamente para prestigiar e para aprender.

Erros de gravação do vídeo “5 indicações de livros de Egiptologia”

Gravei mais um vídeo para vocês, mas desta vez com uma iluminação melhorzinha, ao contrário do vídeo anterior. O material ficou com 10 min e já publiquei lá no site, mas não custa nada por aqui também.

No vídeo eu comento cinco livros que eu acho que podem dar uma boa base acerca da história do Antigo Egito para quem está planejando se tornar egiptóloga (o).

O material original tem cerca de uma hora de duração e infelizmente precisei cortar muitos comentários interessantes, até mesmo acerca da morte do prof. Ciro (somente depois de publicado foi que percebi isto). Dentre tantas falas ocorreram alguns momentos cômicos, então resolvi fazer um vídeo com estas partes (clique na imagem abaixo para ver; Um link para o vídeo no Facebook será aberto):

Márcia Jamille.

Youtube | Facebook | Instagram Twitter

Esta camiseta que aparece no vídeo pode ser adquirida clicando aqui.

Entrevista comigo e anuncio do tema do meu livro

Saiu esta semana a entrevista que dei para o Arqueologia em Ação, um projeto em que participo paralelamente ao Arqueologia Egípcia. O idealizador do canal é o João Carlos Moreno, que é aluno da pós-graduação em Arqueologia do MAE-USP.

Eu já tinha dado uma entrevista antes, mas foi para uma TV local para comentar acerca da inauguração do Campus de Laranjeiras (SE), onde hoje funcionam os cursos de Graduação e Pós-Graduação em Arqueologia da UFS.  Mas foi algo rápido, nada que ficasse focado em mim o tempo todo.

O convite para participar do piloto surgiu quando o João veio para Aracaju, creio que duas semanas antes da reunião nacional e congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB) e comentou que planejava fazer algumas entrevistas e queria tentar uma comigo. Recusei na hora, mas ele pediu para que ao menos eu experimentasse e fizemos um “ensaio” na casa de uma amiga em comum e também arqueóloga e atualmente estudante da pós-graduação em Arqueologia na UFS, a Fernanda Libório, para ver como eu me saia.

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A questão é que assim que começou o ensaio com direito a câmera e gravação de voz acabei ficando tagarela e por fim percebendo que talvez a experiência não seria traumática. Foi resolvido então que eu seria entrevistada no Museu da Gente Sergipana e o resultado foi um ótimo trabalho da equipe que compôs o projeto piloto do Arqueologia em Ação naquele momento.

Na entrevista eu comento acerca de assuntos bem diferentes, desde como surgiu a ideia da criação do site Arqueologia Egípcia até a divulgação do tema do meu livro, o qual fiz segredinho até agora.

Na ordem: Ms. Márcia Jamille, João Carlos Moreno e Thobias Cerqueira. Foto: Fernanda Libório. 2013.

Na ordem: Ms. Márcia Jamille, João Carlos Moreno e Thobias Cerqueira. Foto: Fernanda Libório. 2013.

Só posso dizer que a equipe fez algo espetacular, que foi me convencer a aparecer em frente a uma câmera. Sou extremamente tímida, mas no final acabou tudo saindo bem.

Abaixo a entrevista:

Link do Canal: http://www.youtube.com/arqueologiaemacao

Uma vida nada mole escrevendo um livro

Comentei no dia 19 de julho (2013) sobre a publicação do meu primeiro livro. Estou achando menos complicado do que uma monografia ou uma dissertação, mas somente nos últimos meses foi que comecei a escrever mais tranquila, já que no início do ano eu estava acordando em meio a um desespero noturno exigindo para mim mesma que terminasse logo. Mas agora relaxei. Uma coisa ótima que existe é a divisão de tempo, embora ainda sou extremamente capaz de focar em uma coisa e esquecer completamente de outra. Chega até um nível em que esqueço, inclusive, de olhar os post it com as atividades que devo realizar.

Uma das melhores partes da experiência de escrever um material voltado para a área da Arqueologia é que depois de tanto tempo estou lendo livros que em nada tem a ver com a ciência. Desde os meus treze anos até o ano em que ingressei na Universidade a maioria dos livros e revistas que li foram voltados especificamente para o Antigo Egito. Algumas pessoas podem achar isto legal (tá, eu acho super legal), mas quando comecei a pegar livros que não tinham relação com a antiguidade egípcia percebi o quanto é gostoso ler outros tipos de coisas (foi uma epifania?).

O engraçado é que olhando agora para o passado lembro-me que eu pensava que comprar um livro que em nada tinha analogia com o Egito Antigo era perda de tempo. Assim, foram poucos pelos quais eu paguei, dentre eles está a trilogia “Millennium” entre 2011 e 2012. Na época da escola, de todos pedidos pelos professores, só adquiri dois (“Viagem ao centro da Terra” e “O Médico e o Monstro”, ambos clássicos e ótimos por sinal) e depois de uma das aulas de literatura me interessei em ler “Noites na Taberna”, de Álvares de Azevedo o qual li na internet. Quaisquer outros livros pertenciam a pessoas da casa e que eu pegava para ler, mas os quais jamais compraria e não é nem porque eram ruins, é porque eu realmente achava que investir nos meus conhecimentos para a futura Universidade era mais importante. Não me arrependo desta visão, mesmo porque finalmente tomei consciência de que é bom também investir em livros sem similitudes com o Antigo Egito.

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Lembro-me também que entre uns treze e dezesseis anos comprei com a minha mesada três livros “versão para bolso” que eram bem baratos, um o título era “Rama” (nunca li) e os outros dois eram “A Arte da Guerra” e “Bhagavad Gita”, mas nunca consegui ler ambos integralmente, sempre os perco (neste mesmo momento não faço nem ideia de onde estão). É por isto que não gosto de versões para bolso. Também já gastei uma grana preta em mangás, eu acho que conta. Enfim…

Retomado o assunto do post, tenho mais outros materiais para serem editados para a publicação. Quem sabe não faço isto ainda este ano, mas não é fácil. Com esta experiência definitivamente comecei a respeitar infinitamente os profissionais que trabalham com revisão, diagramação e confecção de capas de livro… É muito trabalhoso, você tem que ter paciência e pés no chão, caso contrário você começa a surtar.

Meu primeiro livro será publicado em breve

 

 

“Terei um espaço no lar de alguns de vocês e não mais somente nos seus computadores”.

“Terei um espaço no lar de alguns de vocês e não mais somente nos seus computadores”.

Alguns, especialmente meus amigos, já devem ter percebido que estive sumida mais do que o meu normal e dentre alguns leitores nos últimos meses comuniquei que em breve revelaria uma novidade.

Como explana o título finalmente publicarei meu primeiro livro \o/. Sairei do mudo do armazenamento em nuvens e irei para o papel. O site Arqueologia Egípcia ganhará um primo impresso. Terei um espaço no lar de alguns de vocês e não mais somente nos seus computadores.

A publicação será independente ao estilo Egyptian Religious Calendar (Que por acaso estou muito interessada em ler).

Infelizmente não posso liberar ainda o título, não até que esteja tudo tranquilo com o registro. Também estou esperando sair a permissão para uso da imagem que será utilizada na capa. E o tema dele? Prefiro também não comentar, será surpresa. :3

É tudo um pouco assustador, mas ao mesmo tempo emocionante. Acho que sai um pouco do meu campo de blogueira/arqueóloga para blogueira/arqueóloga/empreendedora, já que o livro será responsabilidade do A.E., com direito a investimento de capital. #medo

Ele não está finalizado, mas talvez ele venha a ser entregue já semana que vem para a revisora que além das correções necessárias observará se a minha linguagem ficou clara para o público comum, não só acadêmico.

A esperança é que o livro esteja disponível até o final de agosto e espero muito cumprir este prazo e existe uma possibilidade de que ele seja disponibilizado também em inglês até o final do ano, mas não existe uma previsão para uma versão dele em espanhol¡ Yo siento mucho!

Por enquanto é só isto, em breve estarei escrevendo aqui mais acerca.

Dicas para escolher um bom livro de Egiptologia

O Brasil possui um sério problema no que diz respeito a títulos de livros ligados a Arqueologia Egípcia. O nosso país é extremamente inexperiente no ramo e são poucos os títulos escalados para fazerem parte do nosso repertório nacional e para variar, em sua maioria, não são de cunho acadêmico.

Particularmente já comprei livros muito ruins, mas isto é porque me vejo na obrigação de conhecer sobre o tipo de escrita de cada autor, porém nem todos se encontram nesta minha situação e nem podem esbanjar com a compra de livros, afinal, o mercado impresso é muito caro (por sinal isto é uma vergonha) e quando o assunto é Egiptologia a coisa vai para outra proporção, já vi livros com menos de cinco anos esgotados na editora custarem mais de R$1.500.00, o que é um absurdo já que nem se trata de um clássico (por acaso não comprei o material… Claro!). Mas não se assuste, nem todos os livros são caros, já encontrei alguns bons por menos de R$50.00 e a busca em sebos também é uma boa.

Existem vários livros sobre Antigo Egito no mercado, mas são poucos os que realmente valem o preço. Foto: Márcia Jamille Costa. 2012.

No caso de quem se interessa em seguir a carreira de egiptólogo deve se preparar e investir em sua educação e isto principalmente diz respeito aos seus livros, que são os companheiros inseparáveis dos acadêmicos. Desta forma darei aqui algumas dicas para que você possa escolher livros interessantes e que possam ser utilizados em pesquisas científicas:

(1) Pesquise sobre o autor antes de tudo: No que ele é formado? Qual o grau acadêmico? O que tem em seu currículo? Quanto de experiência ele tem no assunto? Tudo isto conta para saber se não é um pesquisador especialista em análise de líticos de Papua Nova Guiné que caiu de paraquedas na Egiptologia ou é um dono de casa que um dia pensou em escrever sobre Antigo Egito;

(2) “Amador” não é arqueólogo ou historiador: É crime assumir uma identidade que não é sua. Se alguém que é só curioso sobre os aspectos do Antigo Egito e se diz egiptólogo formado denuncie, isto é crime. Para se intitular como arqueólogo ou historiador com experiência em Egiptologia ele deve ser formado como tal. Se a pessoa for só uma curiosa deve se apresentar como tal, e não como “Egiptólogo amador”. Por acaso você já viu alguém em sã consciência contratar um “pedreiro amador”, um “mecânico amador”, “piloto amador” ou “ginecologista amador”? Por que com as Ciências Humanas teria que ser diferente?

(3) Pesquise sobre a editora: observe qual a linha editorial que ela adota, afinal, o que ela publica é o espelho do que ela é.

(4) Desconfie sempre dos temas sensacionalistas: Um livro sobre mais uma teoria de qual é a causa da morte de Tutankhamon é um bom exemplo. Os temas sensacionalistas são utilizados única e exclusivamente para vender, eles brincam com a nossa ignorância, o melhor a fazer é ignorá-los e se dedicar ao que realmente é relevante para a sociedade.

(5) Um autor famoso não quer dizer que é um autor bom (ou um cientista bom): ele pode servir para um público amador que está interessado em uma leitura light e sem compromisso com a ciência (ou seja, que quer conhecer um pouco mais sobre o assunto e não necessariamente tornar-se um profissional na área), porém muitos destes livros não vêm com referencias bibliográficas no meio dos textos, o que não possibilita a confirmação do que está escrito. Muitos egiptólogos se dedicam a escrever livros voltados para amadores com o exato fim de apresentar a ciência, porém existem casos de autores que mesmo pertencendo a um corpo de alguma Universidade podem escrever bizarrices (acontece até nas melhores famílias, lembre-se sempre disto).  Em caso de dúvidas sobre a credibilidade do cientista siga o passo (1), pesquise por seu currículo.

(6) Não julgue o livro pela capa… Literalmente: Livros relacionados ao Antigo Egito são uma maquina de gerar dinheiro, desta forma as editoras investem pesado nas capas, porém o conteúdo escrito nem sempre é um dos melhores.

(7) Questione até mesmo os autores citados no livro: o autor pode ser maravilhoso escritor e acadêmico, mas pode ter péssimas escolhas de pesquisadores para citar, e isto não é raro de ocorrer.

(8) Não ponha jamais sua crença/religião acima de tudo: livros relacionados a crenças religiosas jamais devem ser usados como fonte de pesquisa científica a não ser que o seu objetivo seja inferir acerca das pessoas que seguem tais crenças e como elas influenciam a sociedade. Se você for espírita ou segue a seita do E.T. Verde com Cara de Laranja e gosta de comprar e ler livros relacionados a estes temas guarde consigo. Além disto, a ciência moderna não se utiliza de “dados espectrais” como subsídio.

(9) Desconfie dos livros com muitas imagens e poucos textos: normalmente eles são só um “enche linguiça”. Se não for um catálogo com informações precisas ele é totalmente inútil para um pesquisador… É praticamente um livro de figurinhas.

(10) Não confie na opinião de quem não é da área: esta aprendi recentemente, o que é bom para um editor do New York Times não quer dizer necessariamente que é bom para a Arqueologia. Um dos piores livros de “Egiptologia” que já li foi extremamente elogiado por grandes jornais dos Estados Unidos.