Gente famosa morre de “maldição da múmia”, eu pego resfriado!

Depois de publicar o último texto sobre a minha dissertação parece que milagrosamente encontrei um livro perdido aqui em casa que me auxiliou a dar continuidade. Não é 100%, mas já foi uma boa evolução, me encontrar com o meu orientador também foi extremamente esclarecedor e após falar com ele fiquei olhando o esquema da minha dissertação e pensando que se eu tivesse conversado antes muita coisa teria fluído mais facilmente.

A pesquisa retornou como dizem “indo de vento em popa”, mas contraí mais um resfriado (tive um na penúltima semana de novembro) e exatamente hoje completei uma semana doente e avançar na dissertação que é bom? Nada! Também deixei de publicar no Arqueologia Egípcia (tanto site como a página no Facebook).

Que coisa mais desagradável é um resfriado.

É terrível, por mais que nos programemos sempre tem algo que pode dar errado, mas tudo bem, antes resfriado do que tifo. Felizmente não preciso pegar campo ao contrário de alguns colegas, pensem bem, meu imprevisto não é nada comparado com o de um ou outro que tem que esperar liberação para a escavação (qualquer intervenção arqueológica no solo precisa de autorização legal do IPHAN – para o Brasil -).

Hoje foi o dia de separar algumas informações acerca do valor da água – no sentido simbólico e político – para os egípcios faraônicos. Este é um assunto interessante, embora eu nunca tivesse imaginado que chegaria a abordá-lo, na verdade em princípio estas observações eram irrelevantes para mim.

Homem utilizando um "shaduf" para retirar água de um canal para uma residência.

Para uma população que vive no meio do deserto a água é um bem extremamente precioso, mas no caso do Egito em alguns momentos o ambiente aquático chegou a ser humanizado, além de ser um espaço para a interação social. É um tema bem fascinante.

Hoje já é 16/12, espero mesmo melhorar logo.

Estes oásis egípcios estão dando um trabalho…

 

E eu achando que organizar as minhas ideias na graduação é que seria difícil, mas pensando bem agora é que estou me sentindo em uma situação desconfortável. Não sei se estou tendo alguma reação psicológica onde o meu cérebro só quer funcionar na base da procrastinação e que quando chegar no final de fevereiro de 2013 é que minha dissertação estará completa e sem lacunas, ou sou eu quem está morrendo de véspera, bem ao estilo peru de Natal.

Estou trabalhando com o potencial do uso da água nos oásis egípcios (Os que se encontram no Deserto Líbio, ao norte de Assuã), mas não só no que diz respeito ao aspecto físico, mas simbólico também.

Oásis Kharga. Foto: Hanne Siegmeier. Disponível em < http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Kharga_ Oasis_by_Hanne_Siegmeier.jpg> Acesso em 31 de Janeiro de 2011.

 

Meu plano é entregar a dissertação completa no final de dezembro deste ano (2012) para o meu orientador, mas está difícil, eu tinha que escolher um tema tão complicado, amplo e por vezes até confuso. Tem horas em que eu me pego pensando onde é que eu estava com a cabeça quando resolvi trabalhar com este objeto de pesquisa, não falo os oásis em si, mas Antigo Egito. Não que seja de todo difícil, mas é um tema amplo e por vezes cansativo com períodos sobre períodos, ascensão e queda de invasores, artefatos interpretados e reinterpretados e a pior parte, mas paradoxalmente a mais fascinante: os diferentes discursos de pesquisadores de países e disciplinas diferentes.

Em alguns momentos me vejo com um sorriso amarelo na madrugada pensando onde mais posso pesquisar e ler, só para descobrir mais tarde que o pesquisador que estava falando sobre o Fayum passou seu trabalho todinho debatendo sobre os retratos funerários do período Greco-Romano. Como se não bastasse os oásis não são lá o tema favorito dos colegas, a maioria prefere o “Vale do Nilo” e o Delta, tem gente que até chegou a escrever em livro que os oásis não fazem parte da história do Egito… Magoou hem!

 

Colher representando uma nadadora encontrada em Fayum. Este tipo de artefato era encontrado com bastante frequência nesta região e felizmente tem relação com o meu tema. Fonte da imagem: EINAUDI, Silvia. Coleção Grandes Museus do Mundo: Museu Egípcio Cairo (Tradução de Lúcia Amélia Fernandez Baz). 1º Título. Rio de Janeiro: Folha de São Paulo, 2009. p. 74.

 

Se alguém tiver o remédio para o desespero, por favor, me avisa.

P.S: Não, não estou tão desesperada, mas eu ficaria bem feliz se surgissem mais artigos sobre os oásis egípcios. Minha dissertação agradece (haha)!

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