Links de Arqueologia: manicômio brasileiro como centro de extermínio, quem formou as favelas

Este é um assunto que eu queria abordar com vocês já faz alguns meses, que é o uso de hospícios no Brasil para isolar as pessoas não quistas da sociedade, aliás, esta não era uma pratica comum somente no nosso país, EUA que o diga. Dentre os indivíduos que não eram bem vistos para viver entre os “cidadãos de bem” estavam aqueles com deficiências mentais, comunistas, mulheres que “perderam” a virgindade antes do casamento, órfãos, prostitutas, homossexuais ou alguém que simplesmente teve alguma desavença com algum politico forte.

☥ O Holocausto manicomial: trechos da história do maior hospício do Brasil!

Mais sobre o assunto:

☥ Antecâmara da morte: manicômio brasileiro exterminou 60 mil pessoas
☥ Holocausto brasileiro: 50 anos sem punição (Hospital Colonia) Barbacena-MG

Vale muito a pena ler também o próximo artigo para entender um dos primeiros passos para a criação das favelas cariocas e o quanto estudar a história tanto da formação delas, como das questões sociais a elas vinculadas (como a venda de drogas) é importante para conhecer o nosso passado e presente. No texto em questão é citada a Favela da Providência e, para quem for curioso, existe até um samba do João da Baiana chamado “Cabide de Molambo”, onde ele fala “As botinas foi de um velho da revolta de Canudos”, uma possível relação com a história dos ex-combatentes de Canudos e que formaram a primeira favela no Rio.

☥ Conheça a história da 1ª favela do Rio, criada há quase 120 anos

A reportagem seguinte mostra um documento chocante: um exemplo de contrato voltado para mulheres. Vale ressaltar que esta reportagem foi inspirada em um artigo cientifico que está disponível para a leitura por parte de todos os públicos.

☥ Contrato de professora em 1923 proibia de casar, frequentar sorveterias e andar com homens

Mais sobre o assunto:

☥ Indícios do sistema coeducativo na formação de professores pelas escolas normais durante o regime republicano em São Paulo (1890/1930)

Este link divulga o documentário brasileiro “São Sebastião do Rio de Janeiro: a formação de uma cidade”, que estreará no segundo semestre deste ano e que conta com animações gráficas para ilustrar o surgimento e crescimento da cidade do Rio de Janeiro. Um livro sobre o tema foi publicado ano passado.

Documentário resgata a formação da cidade do Rio de Janeiro através de animações

Mais sobre o assunto:

☥ Ciência e Letras – São Sebastião do Rio de Janeiro: A Formação de uma Cidade

Links da semana: descoberta de uma armadura feita de ossos, artefatos encontrados em obras de metrô etc

Esta semana recebi muitos links legais relacionados com descobertas arqueológicas ao redor do mundo. Uma delas foi a da armadura feita de ossos (provavelmente de alces, veados e cavalos) encontrada na Sibéria, próximo ao rio Irtysh em Omsk (na Rússia). O interessante da notícia é que esta é um tipo de descoberta incomum, já que neste território as armaduras eram bens de luxo, não era algo que simplesmente enterravam, mesmo em cerimônias funerárias.

The Siberian Times. 2014.

Reconstrução de como deve ter sido a armadura de ossos, feita pelos pesquisadores Yuri Gerasimov e A.Solovyev.

A equipe de arqueologia responsável pela pesquisa acredita que o artefato tem entre 3.000 e 3.900 A.E.C. Segue o link:

Arqueólogos encontram armadura feita de ossos com 3.900 anos na Rússia


O segundo link na verdade saiu semana passada e fala da descoberta de um poço funerário próximo à cidade de Macapá (AP). O que achei interessante é que o sítio é constituído por várias câmaras mortuárias.

Uma das urnas funerárias encontradas nas câmaras mortuárias (Foto: John Pacheco/G1).

O local provavelmente foi construído entre 1.000 e 1.300 d.E.C e os corpos foram sepultados dentro de urnas de cerâmicas (e que urnas!):

☥ Pesquisadores do Amapá encontram poço funerário construído há quase mil anos por povos indígenas

E tem mais links com boas fotos:

Escavação arqueológica no Amapá revela funeral inédito de indígenas

Arqueólogos do Amapá encontram urnas funerárias inéditas no Brasil

 


No Rio de Janeiro foi realizada a descoberta de artefatos indígenas, europeus e africanos em camadas sucessivas de ocupação. No local acredita-se que viveu Salvador Correia de Sá, primo de Estácio de Sá e famoso vendedor de africanos escravizados.

Arqueólogos encontram sinais do século XVI em terreno no Centro do Rio

A descoberta foi datada como pertencente ao século 16:

Arqueólogos encontram sinais do século XVI em terreno no Centro do Rio

 


Também no Rio de Janeiro, peças arqueológicas foram descobertas durante as obras do metrô da Linha 4 que ligará a Barra da Tijuca, zona oeste, à Tijuca, zona norte. De acordo com a investigação em documentos históricos, esta área antes era composta por cerca de 100 chácaras. Naturalmente uma visão bem diferente da paisagem de hoje. Dentre os artefatos encontrados estão talheres, tigelas, moedas, vidro (tudo o que normalmente encontramos em sítios de caráter histórico), trilhos do antigo bonde que funcionou no local a partir de 1902 e até penicos ainda com matéria fecal.

O governo do estado já conversa com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para que as peças que eles considerarem mais relevantes sejam exibidas em estações da Linha 4. O projeto seria semelhante ao do metrô de Atenas, que exibe objetos históricos em suas estações. Uma iniciativa assim não agregaria somente valor artístico ao metrô, mas também irá relembrar aos transeuntes que o que está sob os nossos pés pode ser uma grande surpresa vinda do passado.

Relíquias históricas no caminho do metrô. Foto: Gustavo Stephan / Agência O Globo. 2014.

Todos os objetos foram datados como pertencentes ao final do século 19 e início do 20.

Peças arqueológicas são descobertas em obras do metrô no Rio

Links com mais fotografias:

Peças encontradas em escavação do metrô contam história de Ipanema e Leblon
Relíquias históricas no caminho do metrô