O que mais você precisa saber sobre o Egito Antigo em Overwatch

Lançado pela Blizzard Entertainment, Overwatch é um game onde os jogadores competem entre si em equipes usando heróis com diferentes características e origens, que exercem funções de defesa, ataque ou cura. A exemplo de muitos outros jogos ele traz algumas inspirações relacionadas com a antiguidade egípcia e foi isso o comentado no post “O Egito Antigo em Overwatch: um dos maiores games do momento” (clique aqui para ler). Depois de ter sido publicado, a leitora Isabella Czamanski pontuou alguns detalhes do jogo que não foram comentados. Abaixo o texto dela:  

Antes de mais nada, adorei sua iniciativa de falar de Overwatch no AE, principalmente por existirem até cenários bem inspirados na antiguidade egípcia no jogo. Mas, como jogadora eventual de Overwatch (mas muito, muito fã), me sinto na obrigação de fazer alguns adendos à sua matéria.

Além da skin normal da Pharah, existem mais duas inspiradas no Anúbis (mudando apenas a cor entre uma e outra, gosto particularmente da preta).

Além disso, existe mais uma personagem egípcia, a Ana, que é mãe da Pharah e também possui uma tatuagem do Olho de Hórus em seu próprio olho.

Fora isto, existe uma skin para o personagem Zenyatta (que é um robô zen) claramente inspirada em Rá e com alguns detalhes muito interessantes, como o nemes e o uso de azul e dourado.

Eu realmente acho interessante a forma como a Blizzard conseguiu inserir história em Overwatch, mesmo se tratando de um futuro distópico. Podemos ver alta tecnologia em meio a cenários outrora históricos, como o templo de Anúbis, sem que pareça forçado ou irreal. As skins dos personagens também foram muito bem construídas.

(Guest Post) O Egito Antigo nos livros e filmes de terror

Este Guest Post foi enviado pela Joelza Ester Domingues, historiadora e autora do blog “Ensinar História Joelza”. Nele ela pontua alguns dos títulos literários e do cinema que usaram a Antiguidade egípcia como tema. Esse assunto já foi abordado aqui no Arqueologia Egípcia em um outro momento através do vídeo “O Egito Antigo nos filmes de terror” (caso queira conferir também clique aqui). Quem também tiver interesse em escrever um Guest Post é só entrar em contato.  Espero que apreciem a leitura:

O Antigo Egito sempre exerceu, desde a Antiguidade, uma forte atração sobre os povos do Ocidente. Mas foi a partir do século XIX, especialmente com o avanço da arqueologia,  que o impacto desse fascínio tomou proporções ainda maiores sobre a imaginação das pessoas, dando origem à Egiptomania que atingiu as artes e o cinema, e que chegou aos nossos dias.

A Egiptomania do século XIX aos nossos dias

A expedição de Napoleão Bonaparte ao Egito (1798-1801) não se limitou à conquista militar, mas deu os primeiros passos à arqueologia egípcia inaugurando a Egiptologia, a ciência encarregada de estudar o Egito dos faraós, a história da cultura egípcia.  O general francês levou consigo estudiosos que fizeram anotações e desenhos minuciosos que resultaram em dois catálogos. Um deles é a Description de l’Egyte, que logo despertou o interesse dos europeus pelas maravilhas e exotismos dos monumentos egípcios antigos.

A decifração dos hieróglifos por Jean-François Champollion, em 1824, analisando a Pedra da Roseta, ao mesmo tempo que deu novo impulso ao estudo da história do Egito, reforçou o fascínio e o mistério que alimentaram a Egiptomania.

A Egiptomania, definida pela egiptóloga brasileira Margaret Bakos como re-interpretação e re-uso de aspectos da cultura do antigo Egito, atingiu todas as artes: a arquitetura (obeliscos, colunas, monumentos funerários até a denominação de edifícios), a escultura (esfinges), a música (como a ópera Aída, de Verdi, 1871), a pintura e até mesmo a moda. A maçonaria adotou a pirâmide como símbolo, que também foi impresso na moeda americana de 1 dólar.

A história do Egito antigo invadiu outros setores. Teatros e circos europeus anunciavam a exibição de múmias “autênticas”. Cartomantes consultavam o “tarot oculto” que diziam ter vindo diretamente do Egito. Imagens e símbolos egípcios apareciam em louças, talheres, móveis, objetos de decoração e até na criação de logotipos na publicidade.

Em 1912, o busto de Nefertiti, desenterrado próximo da cidade real de Amarna, reforçou a Egiptomania exercendo decisiva influência sobre os novos ideais de beleza feminina no século XX.

A Egiptomania continua nos nossos dias, especialmente na arquitetura monumental. Em 1978, o Museu Metropolitano de Arte, de Nova York, reconstruiu o Templo de Dendur dentro de suas próprias instalações. Em 1989, o Louvre, em Paris, ergueu uma pirâmide de vidro para servir de entrada monumental do museu. Em 1993, foi inaugurado o luxuoso Hotel Luxor, em Las Vegas, Estados Unidos, exibindo uma gigantesca esfinge e uma réplica do túmulo de Tutancâmon.

Fachada de edifício na Praça do Cairo, Paris.

Ponte Egípcia, São Petesburgo, Rússia.

Hotel Luxor, em Las Vegas, Estados Unidos.

O Egito Antigo na literatura de terror

Na literatura, a Egiptomania deu especial destaque às múmias e os mistérios que elas evocam: o retorno à vida, mortos vivos, reencarnação, túmulos e a terrível maldição contra aqueles que perturbam seu sono eterno.

É sob esta inspiração que a autora inglesa Jane Wells Webb Loudon (1807-1858), escreveu The Mummy!, em 1827, onde um espírito vingativo volta à vida e ameaça matar o protagonista da história.

O escritor estadunidense Edgard Allan Poe (1809-1849) foi na mesma direção com o conto satírico, Some words with a mummy, de 1845.

Em 1869, foi a vez da escritora estadunidense Louisa May Alcott (1832-1888) publicar seu conto Lost in a pyramid ou A maldição da múmia. Um explorador usa a múmia de uma sacerdotisa como tocha para iluminar o interior de uma sepultura e encontra uma caixa de ouro contendo três sementes estranhas. Leva-as para os Estados Unidos e entrega-as a sua noiva. A jovem enterra as sementes no jardim e delas nascem umas flores estranhas cujo perfume faz com que a moça caia em coma e se transforme em uma múmia viva.

“The Jewel of Seven Stars”, 1903, de Bram Stoker.

A ficção mais influente foi publicada em 1903, The Jewel of Seven Stars, do escritor irlandês Bram Stoker, o mesmo autor de Dracula (1897). A obra explora temas como possessão e reencarnação que fariam enorme sucesso. O professor Julian Fuchs encontra a tumba da múmia da Rainha Tera, chamada de “rainha das trevas” por seu envolvimento com poderes malignos. Dizia uma lenda que ela fora assassinada por sacerdotes e trazia, na mão direita decepada, um misterioso anel cujo brilho cintilante formava uma constelação de sete estrelas (daí o título da obra). A rainha Tera volta do além e assombra o professor e sua família.

Outra ocorrência literária da época é o romance policial Death on the Nile, de Agatha Christie, de 1936. Apesar de não explorar o gênero terror com múmias vingativas, a obra vale-se do clima de mistério do Egito para descrever o suspense causado por um crime.

Tuntancâmon e a maldição da múmia

As obras literárias inspiradas pela Egiptomania impregnaram no inconsciente coletivo a ideia de espíritos malignos que se vingavam daqueles que perturbassem seu sono eterno. Isso explica a comoção mundial provocada pela noticia da descoberta do faraó Tutancâmon.

A tumba intacta de Tutancâmon com seus fabulosos tesouros foi descoberta em novembro de 1922 pelo arqueólogo Howard Carter e seu patrocinador, o nobre inglês Lord Carnavon. A câmara funerária foi aberta de forma oficial no dia 16 de fevereiro de 1923 diante das autoridades egípcias. Menos de dois meses depois, em 5 de abril, Lord Carnavon morreu vitimado pela infecção causada por um corte de navalha quando fazia a barba. O corte foi acima de uma picada de mosquito que ele levara no Egito.

A imprensa explorou o caso como sendo a maldição da múmia do faraó e a história se tornou uma lenda de renome internacional. Seguiram-se relatos de outras mortes prematuras e de uma suposta inscrição na tumba dizendo “A morte vai atacar com seu tridente aqueles que perturbarem o repouso do faraó”.

O Egito Antigo nos filmes de terror

A literatura de terror plena de mistérios, mortos vivos e reencarnações de espíritos malignos, bem como os rumores divulgados pela mídia sobre a maldição do faraó, foram usados pelo cinema em numerosas produções.

O primeiro filme de terror a tratar do Egito Antigo foi The Mummy, 1932, dirigido por Karl Freund. O célebre ator Boris Karloff interpreta Imhotep, um sacerdote do Egito Antigo, cuja múmia é ressuscitada acidentalmente por um dos membros da expedição arqueológica. A múmia de Imhotep ronda o Cairo a procura de sua antiga amada da qual fora separado sofrendo a pena de ser mumificado vivo. Atraído pelos encantos de uma jovem mulher, que pensa ser sua amada, tenta mumificá-la. Ao final, Imhotep é destruído pelos arqueólogos que queimam o papiro que continha o feitiço que lhe devolvera a vida e sua múmia se transforma em pó.

“The Mummy”, filme de 1932.

Em 1940, o filme The Mummy’s Hand, dirigido por Harold Young, segue na mesma linha. O sucesso estimula a produção de outras três sequências, com o mesmo diretor: The Mummy’s Tomb (1942), The Mummy’s Ghost (1944) e The Mummy’s Curse (1944).

The Mummy (traduzido, no Brasil, como A múmia de Ananka), de 1959, dirigido por Terence Fisher, conta a história de um pesquisador e seu filho que viajam ao Egito em busca de relíquias arqueológicas do túmulo da princesa Ananka. Ignorando os riscos, eles profanam a tumba, acordando de seu sono milenar o sacerdote Kharis (Christopher Lee), que deveria vigiar eternamente o túmulo. A maldição da múmia desencadeia terríveis acontecimentos.

A obra The Jewel of seven stars, de Bram Stoker inspirou três filmes: Blood from the mummy’s tomb (1971), dirigido por Seth Holt; The Awakening  (1980), dirigido por Mike Newell que ambienta a história na década de 1960; The Tomb (1986), dirigido por Fred Olen Ray, uma versão mais livre.

The Mummy, de 1999, dirigido por Stephen Sommers, é uma refilmagem do clássico de 1932. Com locações em Marrakech, Marrocos e no deserto do Saara, as filmagens foram quase uma maldição devido às tempestades de areia diárias e as picadas sofridas pela equipe de cobras, escorpiões e aranhas.

“The Mummy”, filme de 1999.

Apesar dos transtornos, o filme foi um enorme sucesso e teve sequência em The Mummy returns, de 2001, também dirigido por Stephen Sommers. Novamente a múmia de Imhotep volta à vida e vaga pela Terra determinada em concretizar sua busca pela imortalidade. Porém, outra força também está à solta no mundo, o Escorpião Rei e seu exército, que nasceu dos obscuros rituais do misticismo egípcio e tem mais poderes, segredos e força que o temível Imhotep,

Mais recente, o filme The Pyramid, 2014, dirigido por Grégory Levasseur, inova ao dar vida a um vingativo deus egípcio: Anúbis, o terrível deus chacal.  Uma equipe de arqueólogos norte-americanos encontra uma rara pirâmide de três lados enterrada no deserto egípcio. Perdidos nas escuras catacumbas, eles são aterrorizados por Anúbis e, desesperados, buscam uma saída antes que seja tarde demais.

Frankenstein x the Mummy, 2015, dirigido por Damien Leone é um delírio ficcional que coloca frente a frente dois monstros clássicos do terror. As criaturas ganham vida pelas mãos de Dr. Victor Frankenstein e da egiptóloga Naihla Khalil, professores de uma importante universidade médica. O primeiro, consegue reanimar o corpo de um louco sádico, enquanto Naihla faz o mesmo com a múmia amaldiçoada de um faraó maligno. Os dois monstros se enfrentam em um combate épico.

O monstruoso Anúbis de “The Pyramid”, filme de 2014.

O cinema brasileiro também produziu seu filme de temática egípfilcia: O segredo da múmia, de 1982, dirigido por Ivan Cardoso. É considerado um filme trash pois, apesar de ser de terror, ao invés de causar medo ou tensão, acaba sendo engraçado. Conta a história de um cientista que ridicularizado por seus colegas, tenta provar que sua maior descoberta, o “elixir da vida”, realmente funciona. Para isso, ele decide ressuscitar uma recém descoberta múmia egípcia.

O exotismo de uma civilização de tempos longínquos, com uma arquitetura monumental cercada de mistérios sobre sua relação com a morte continua exercendo um forte fascínio sobre as mentes das pessoas comuns. Fascínio que certamente, continuará alimentando as artes e as mídias de entretenimento.

(Guest Post) Produção Científica de História sobre “Vivenciando o Egito Antigo em Sala de Aula”

Nas últimas semanas a profa. Lorena Mendonça Aleixo contou para mim sobre as atividades que estava realizando com os alunos dela, onde estava incluso uma sala temática sobre o Antigo Egito. Os seus relatos acerca das atividades são muito interessantes e podem servir como inspiração para outros educadores, então fiz um convite pedindo um Guest Post. A Lorena é graduada do Curso de Licenciatura em História da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) e Professora do Município de Rio Bonito e Município de Tanguá. Seu projeto foi realizado com as turmas do 6º ano (turmas A, B e C) da Escola Municipal Maurício Kopke, localizada no município de Rio Bonito-RJ. A atividade foi realizada no dia 05 de Julho de 2013 e nela os alunos puderam vivenciar fatos históricos, caracterizando-se de acordo com os personagens da época específica. A profa. teve o apoio da direção da Instituição de Ensino a Srª Lenita Carvalho da Silva e a Srª Franciane Lurdes Mendonça. Quem também tiver interesse em escrever um Guest Post é só enviar uma mensagem pelo formulário de contato. Abaixo confiram o texto:

INTRODUÇÃO

“Uma escola que tem História, sabe levar o aluno a construir a História de sua vida”.
Maurício Hanna Badr.

Ensinar História nos dias de hoje tem se tornado um verdadeiro desafio, pois em uma sociedade onde as crianças lêem cada vez menos, passam o dia jogando video-game, assistindo televisão e usando o Facebook, ensiná-los a importância da História e a construção de um pensamento crítico, muitas das vezes é frustrante. São raros os alunos que se interessam pelo estudo da História, pois, segundo eles, “é uma matéria chata que fala sobre coisas do passado onde a professora fala coisas difíceis, é necessário decorar textos enormes”.

Lecionar História não é copiar textos no quadro com linguajar rebuscado e no final da aula solicitar aos alunos que respondam a uma série de perguntas no qual se trabalha somente a capacidade de memorização e não o entendimento e o raciocínio crítico. Não queremos dizer que copiar textos no quadro não tenha sua importância, entretanto, o ensino-aprendizagem vai muito mais além do que isso, é necessário que o aluno vivencie e se interesse pelo que esta sendo ensinado, é preciso aguçar a curiosidade do aluno, trazer a História para a realidade deles, fazer com que os mesmos se sintam parte da História e vivenciem aquele momento como se estivessem na época dos Faraós, dos Reis e Rainhas, da Ditadura Militar, enfim, é necessário viver a História.

Lorena Aleixo e seus alunos.

Aprender, portanto, não significa recitar um número cada vez maior de conceituações formais, mas elaborar modelos, articular conceitos de vários ramos da ciência, de modo a cada conhecimento apropriado pelo sujeito ampliar-lhe a rede de informações e lhe possibilitar tanto a atribuição de significados com o uso dos conceitos como instrumentos de pensamento. Enfim, a aprendizagem promove uma transformação cognitiva no individuo que envolve reflexão, análise e síntese, ou seja, o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer (Sforni e Galuch, 2006).

Através da experiência como professora de História do 6º ano, podemos perceber que a dificuldade em compreender a História aumenta nesta etapa, em comparação aos outros anos do Ensino Fundamental do segundo seguimento. Pois, é durante este período que a maturidade do aluno está sendo desenvolvida, juntamente com o seu conhecimento e capacidade de questionar. No conteúdo de História do 6º ano se trabalha Pré-História e História Antiga, conteúdos que, muitas das vezes, se torna distante demais do entendimento do aluno. Não basta somente explicar que na Pré-História o homem que era nômade tornou-se sedentário, é necessário que além do significado da palavra, o aluno entenda a razão do acontecido, ou seja, o que levou o homem a se tornar sedentário, o que mudou, e por que o aluno precisa saber isso.

Em virtude disto, usamos como estratégia, o método construtivista, passando a realizar encenações durante algumas das aulas, tentando trazer um pouco mais da vivência da história para os alunos. Assim, formatou-se a idéia de um Projeto. Quando esta idéia foi apresentada para a turma, os alunos mostraram-se entusiasmados e interessados rapidamente, dando inicio ao “Projeto Sala Egípcia”. Uma Sala Temática sobre o Egito Antigo, no qual os alunos seriam os personagens principais deste evento.

O Egito Antigo está muito mais disseminado no imaginário popular, seja por conta dos filmes como, por exemplo, “A Múmia”, “Moisés: O Príncipe do Egito”, entre outros, ou até mesmo por conta de todo o esoterismo que ele atrai e através de vídeos games, podendo ir muito mais além. Ao participar do Projeto, os alunos puderam aprender muito mais sobre o Egito Antigo de uma maneira lúdica e divertida.

Consideramos como uma experiência efetiva e gratificante, pois o objetivo em trazer a História para a vida dos alunos além da vivência deste momento foi alcançado. Vale à pena ressaltar, que alunos de outras turmas de diferentes seguimentos também tiveram contato com a “atmosfera egípcia” onde puderam interagir, tornando-se personagens, como se não estivessem mais em uma sala de aula, e sim no Antigo Egito as margens do Rio Nilo.

OBJETIVO GERAL

Nosso maior objetivo como educador é incentivar a criança a gostar de História, a entender que é um direito de todo o ser humano ter acesso a informação. Além disso, ao instigar a curiosidade dos alunos, vemos que eles buscam mais informações na internet assim como em livros e através dos questionamentos realizados aos pais e aos professores. Acabamos por atuar como agentes catalizadores de motivação e interesse por História e pelas demais disciplinas.

ESPECÍFICOS

Levar os alunos a vivenciar a partir de encenações, fatos históricos de diversas épocas.

Buscar através de caracterizações de personagens históricos a interação do aluno no processo ensino-aprendizagem.

Contribuir de maneira efetiva para o ensino-aprendizagem dos alunos utilizando o método construtivista.

METODOLOGIA

Para a realização do referido projeto, tivemos como metodologia a utilização do Método Construtivista, por considerar ser uma estratégia que auxilia sobremaneira o ensino-aprendizagem, além de colaborar na integração e sociabilização dos alunos.

Os trajes foram confeccionados tendo como referência, pesquisa realizada na Internet pelos alunos participantes do Projeto.

RESULTADO

Para a realização deste Projeto os alunos se dividiram em grupos, onde cada grupo tinha uma função importante na realização do evento, havendo uma interdependência entre eles.

Grupos de alunos caracterizados. Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora.

O primeiro grupo de alunos representou a sociedade egípcia, sendo trajados de Faraó, Esposa Real, Servo, Escravo, Militar, Escriba e Sacerdote. O segundo grupo, representando a riqueza da religião egípcia, caracterizaram-se de Deusa Maat (a Deusa do Equilíbrio e Justiça) e a Deusa Ísis (Esposa do Deus Osíris, deusa da maternidade e fertilidade), além de mais duas alunas, uma que representou os Rituais Fúnebres caracterizada de Múmia, e outra representando a cultura através da arte da música e dança, trajada de dançarina egípcia. Os trajes foram confeccionados de TNT e EVA, e os demais adereços como coroas e braceletes foram feitos de cartolina e papel laminado, o cetro, chicote e lança foram confeccionados com cano de PVC envolvidos com fita dupla-face e papel laminado, somente a espada do militar que foi feita de madeira trabalhada e envolvida com o papel laminado e durex.

A “Sala Egípcia” foi montada no refeitório da escola e transformada numa sala improvisada com uma imensa cortina para separar os ambientes, dentro desta sala foram montadas estandes com diversos materiais, onde cada grupo de alunos era responsável pelo seu setor, informando e ensinando que se aproximasse para observar os trabalhos expostos.

Sala Egípcia. Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora.

Em uma dessas estantes havia livros didáticos, “pop-up” de literatura sobre o Egito Antigo, além de revistas. Todo material exposto estava disponível para ser manuseado e examinado por todos que visitavam a exposição.

Material de consulta do Egito. Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora.

Também foram confeccionados pelos alunos estatuetas de argila para representar os Shauabtis (estatueta funerária egípcia de aspecto mumiforme, designada a substituir o falecido na execução dos trabalhos agrícolas após a morte), material que ficou exposto e um grupo de alunos disponível para tirar dúvidas dos curiosos que se aproximavam deste estante.

Estande dos Shauabtis. Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora.

Outro grupo de alunos ficou responsável pela confecção das vestimentas egípcias, onde bonecos foram vestidos com roupinhas feitas de restos de tecido e paetês pelos próprios alunos (com uma ajuda especial dos pais e avós) e expostos na Sala.

O mini-museu foi montado com os trabalhos realizados pelos alunos e pelos materiais que eu mesma levei (fotos, papiros, amuletos, panos e estatuetas).

Mini-Museu. Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora.

Os alunos se maquiavam como egípcios e apresentavam o trabalho para as turmas que chegavam na sala para visitar a exposição, cada aluno que visitava esta estande além de se informar sobre as técnicas de maquiagem egípcia, também tinha os seus olhos e rostos pintados pelos alunos responsáveis por este setor da Sala. O material utilizado pelos alunos foi lápis de olho, delineadores, batom e sombras.

Produção da maquiagem egípcia com a diretora Srª Lenita. Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora.

Além dos cartazes de trabalhos sobre o Egito Antigo, Mumificação e Deuses Egípcios expostos nas paredes da sala, também foram expostas maquetes das Pirâmides de Gizé na entrada da Sala Egípcia.

Alguns alunos que não estavam participando dos estandes e nem estavam trajados, atuaram como monitores da Sala Egípcia, cuidando da iluminação da sala, do som, da localização dos alunos trajados, da organização dos estandes e dos demais alunos que visitavam a sala, enfim, colaboraram para uma perfeita organização e funcionamento da Sala Egípcia.

Todo o material necessário para a realização deste Projeto foi fornecido pela Escola Municipal Maurício Kopke e pelas Diretoras Srª Lenita Carvalho da Silva e Srª Franciane Lurdes Mendonça que foram de fundamental importância para a realização deste Projeto.

Não houve um aluno que não se surpreendeu ao entrar na sala egípcia, as janelas foram tapadas com cartolina preta e a luz ficou apagada, apenas a luz de um abajur dava o clima de mistério e aguçava a curiosidade, o som ficava ligado tocando músicas egípcias e um leve aroma de incenso pairava no ar, o visitante da Sala Egípcia logo que entrava era recepcionado pelas Deusas Ísis e Maat, que guardavam os portais da Sala Egípcia, logo em seguida se deparava com uma múmia repousando no meio da sala sob o olhar vigilante do Sacerdote, ao lado o Faraó acompanhado de sua Esposa Real, seu Servo, Militar, Escriba e Escrava observavam os visitantes que por alí passavam em direção os estandes, onde podia-se observar os inúmeros trabalhos expostos nas paredes e nas mesas, bem como a Biblioteca do Egito, onde o visitante poderia ler e manusear as obras, observar as peças egípcias no Mini-Museu e admirar os Shauabtis feitos de argila. Monitores atentos a todo o instante, prontos e capacitados para tirar qualquer dúvida dos visitantes acerca dos materiais expostos. No final da exposição uma dançarina egípcia dança ao som ambiente que impregnava magicamente a Sala com a atmosfera egípcia. Ao lado uma equipe de alunas maquiavam os visitantes com a maquiagem egípcia, além de ensiná-los as técnicas e a história por trás deste costume. Na televisão passava ininterruptamente documentários sobre o Egito Antigo, e no computador tocava a música egípcia acompanhado de belíssimas imagens (vídeos extraídos do youtube), no final da sala, ao sair, o visitante mais uma vez era cumprimentado pelas Deusas e guiado pelos monitores.

O “Projeto Sala Egípcia” não só despertou a paixão pelo Egito Antigo, como também por todos aqueles que a visitaram. Todos os alunos participaram voluntariamente e foram fundamentais para o sucesso deste Projeto, assim como os pais que visitaram a sala, prestigiando seus filhos e a direção da Escola que foi de grande apoio e incentivo para a realização do Projeto.

A Sala Egípcia aconteceu no dia 05 de Julho de 2013, tendo início às 9 horas e término às 16 horas (com intervalos). Todas as turmas da Escola Municipal Maurício Kopke visitaram a exposição, assim como alguns pais de alunos, demais funcionários da escola e coordenadores do município, que ficaram encantados com o Projeto e a competência dos alunos do 6º ano ao executá-lo.

CONCLUSÃO

Através deste Projeto, foi possível despertar a paixão e a curiosidade pela História, em especial pelo Egito Antigo. Os alunos passaram a gostar mais de História, se tornaram mais participativos em sala de aula, podemos observar inclusive, uma sensível melhora no aproveitamento dos alunos participantes. Sabemos que este Projeto ficará para sempre registrado na mente destes alunos, contribuindo para que haja um grande diferencial no futuro e na formação dos mesmos. Sendo extensivos também aos demais alunos que visitaram a Sala Egípcia.

Isto foi percebido claramente em alguns depoimentos de alunos que participaram do Projeto, como poderemos observar logo abaixo.

“Eu gostei da Sala Egípcia que retratou bem o Egito que é um dos lugares que eu gostaria de conhecer!(…)”. (Dâmaris – 11 anos)

“Eu amei a Sala Egípcia, é educativa e divertida. Eu amei quando eu fui a rainha”. (Helena – 11 anos).

“Eu gostei da Sala Egípcia por que foi muito legal e eu aprendi um monte de coisas legais e interessantes. Eu vi a dançarina e também gostei quando as crianças entraram na Sala Egípcia para ver as coisas e se maquiar. Foi a melhor coisa que eu já fiz na Escola toda! (Ludmila – 12 anos)

“Eu adorei a Sala Egípcia por que eu fui a Deusa Maat(…)”. (Edielli – 11 anos).

“Eu gostei muito da Sala Egípcia, foi bom para avaliar a capacidade de cada um. A parte que eu mais gostei foi quando a múmia levantou e as crianças menores morreram de medo(…)”. (Aline – 11 anos)

“O que eu mais gostei foi do faraó e seus criados, servo, serva, escravo, escriba, militar e muito mais. Achei realista e muitos também acharam bem feito.” (Maria Pilar – 11 anos)

“Eu gostei de muitas coisas: a múmia, os trabalhos, a Deuses, as pessoas fantasiadas. Porque eu gostei por causa do trabalho em equipe, eu pude interagir.” (Lucas – 12 anos)

“Eu gostei da Sala Egípcia porque eu achei muito legal e também por participar e colaborando com o que era os Shabbits, explicando para quem não sabia o que era e eu até tinha ficado muito interessada. Eu adoro minha professora Lorena, porque ela explica muito bem e isso me faz ficar mais interessada pela História.”(Kássia – 11 anos)

“Sim, gostei muito, pois consegui aprender melhor sobre o Egito e me diverti muito. Agora se alguém perguntar eu saberei bastante sobre o Egito.”(Sylviane – 12 anos)

“Eu gostei da Sala Egípcia, por que tava muito legal e também por que minha mãe, meu pai e meu irmão estavam lá. O que eu mais gostei foi a decoração.”( Thalia – 11 anos)

A partir dos depoimentos podemos perceber o quanto a participação dos alunos neste Projeto foi importante para a construção do ensino-aprendizagem.

Vale a pena mencionar, a importância da participação dos pais para a construção do ensino-aprendizagem, considerando que esta interação entre a escola e os pais, certamente contribuirá efetivamente para que estes alunos que possuem a orientação, carinho e apoio em casa e na escola vislumbrem um futuro brilhante.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SFORNI, M. S. F. GALUCH, M.T. B. Aprendizagem conceitual nas séries iniciais do ensino fundamental. Educar, Curitiba, n. 28, p. 117-229, 2006.

Sites:

Wikipédia, enciclopédia virtual, http://pt.wikipedia.org/wiki/aprendizagem, acessado em 29 de junho de 2013
http://www.smartkids.com.br/especiais/egito-antigo.html , acessado em 29 de junho de 2013

http://antigoegito.org/antigo-egito-para-as-criancas-2/ ,acessado em 01 de julho de 2013

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=8960, acessado em 01 de julho de 2013

(Guest Post) Oficina sobre o Antigo Egito para Crianças

Convidei a Beatriz Moreira, um dos membros do grupo de estudo Gekemet e estudante de História para escrever um post contando como foi a experiência dela realizando uma oficina de educação sobre o Antigo Egito para crianças. Ela não somente aceitou na hora como o fez no mesmo dia. Quem também tiver interesse em escrever um Guest Post é só enviar uma mensagem pelo formulário de contato. No texto a seguir ela discorre os principais acontecimentos da oficina e suas reflexões acerca das atividades realizadas:

Olá, queridos leitores do Arqueologia Egípcia.
Meu nome é Beatriz Moreira, faço parte do Grupo de Estudos Kemet do Laboratório de História Antiga (LHIA) / UFRJ e sou leitora assídua do Arqueologia Egípcia. A queridíssima Márcia Jamille me convidou para escrever aqui no site sobre uma ótima experiência pela qual passei no dia 30 de maio de 2014: a realização de uma oficina pedagógica – intitulada “Indo além de Indiana Jones & Lara Croft: a Arqueologia do século XXI” – no Museu Nacional (MN) / UFRJ (FOTO 1), cujos principais objetivos foram apresentar o trabalho de um arqueólogo e expor características funerárias da religião egípcia para crianças do 6º ano do Ensino Fundamental.

FOTO 1: Beatriz Moreira, coordenadora da oficina “Indo além de Indiana Jones & Lara Croft: a Arqueologia do século XXI”. Foto: Célia Palacios. Maio de 2014.

Para tanto, foi formada uma equipe (FOTO 2):

FOTO 2: Em pé, da esquerda para direita: Professoras. Céli Palacios e Regina Bustamante, licenciandas Beatriz Moreira (bolsista PIBIC), Natália Seixas e Geórgia Albuquerque (bolsista PIBIC). Abaixados: Prof. João Luiz Corrêa Gomes e licencianda Luisa Tavares (bolsista PIBIC). Foto: Equipe de Filmagem da Oficina. maio de 2014.

Houve a orientação de Regina Bustamante (professora de História Antiga na UFRJ) e Céli Palacios (professora de Teatro da Escola Britânica do Rio de Janeiro). Como equipe de apoio, tivemos a colaboração de colegas do Curso de História da UFRJ (Natália Seixas, Luisa Tavares e Geórgia Albuquerque) e também do Prof. João Luiz Corrêa Gomes. A compra do material da oficina foi financiada pelo Programa de Consolidação das Licenciaturas da CAPES (PRODOCÊNCIA).
O trabalho de elaboração da oficina foi gratificante, pois como bolsista de Iniciação Científica da Profª Regina Bustamante, participo de disciplinas eletivas ministradas pela referida docente na UFRJ – onde curso História –, cujo produto final de cada período é a criação de uma oficina pedagógica a partir do acervo do Museu Nacional. Com esta atividade, objetiva-se tornar a cultura material da Antiguidade, exposta em museus cariocas, mais acessível a professores e estudantes da Educação Básica, propiciando maior efetividade na interação Museu-Escola através da mobilização de conhecimentos acadêmicos para a produção de um saber histórico escolar.
A oficina pedagógica em questão foi elaborada em 2013 com o intuito de ressignificar a exposição de Egito Antigo do Museu Nacional. E, após a realização, posso afirmar que, de fato, conseguimos. Contamos com o apoio da Seção de Assistência ao Ensino (SAE) do Museu Nacional, que disponibilizou dois mediadores para nos ajudar na oficina e entrou em contato com a Escola Municipal Portugal, que se mostrou muito interessada em participar, já que seria uma ótima forma de trabalhar o conteúdo de História Antiga.
A turma tinha 30 alunos, que foram divididos em dois grupos de 15: enquanto um grupo visitava a sala de Egito Antigo acompanhado pelos mediadores do Museu, o outro participava da oficina. Eu, como coordenadora da oficina, me dirigi ao grupo da vez, comunicando que estava acontecendo uma escavação arqueológica no Auditório Roquette Pinto do MN – sempre levantando questionamentos sobre o assunto: por exemplo, se eles sabiam o que um arqueólogo fazia ou se já tinham ouvido falar sobre o que era uma escavação arqueológica – e que naqueles sítios arqueológicos havia indícios de que se encontrariam artefatos egípcios antigos. Estavam dispostos pelo ambiente três “sítios arqueológicos” e, em cada sítio, estava um “arqueólogo” que ajudaria os alunos nessa parte da oficina (FOTO 3).

FOTO 3: “Arqueólogo” João Luiz Corrêa Gomes em um dos “sítios arqueológicos”. Foto: Beatriz Moreira. maio de 2014.

Enquanto os alunos procuravam artefatos egípcios (FOTO 4), os arqueólogos davam informações sobre as etapas de uma escavação arqueológica: catalogação das peças encontradas, identificação do artefato (FOTO 5), análise iconográfica da estatueta, a diferenciação entre a arqueologia do século XIX e início do XX e a do século XXI, e definição de cultura material, pois também havia objetos do cotidiano contemporâneo em cada “sítio arqueológico”.

FOTO 4: Alunos em busca de artefatos egípcios no “sítio arqueológico”. Foto: Beatriz Moreira. maio de 2014.

FOTO 5: Aluno identificando o artefato egípcio. Foto: Beatriz Moreira. maio de 2014.

Após todos terem encontrados as estatuetas (Ísis, Osíris, Hórus, Anúbis e olho de Hórus), os alunos tiveram que explicar aos colegas de turma o que tinham aprendido sobre cada deus representado, assim como realizar uma breve análise iconográfica (FOTO 6). Reforcei, nesse momento, a diferença entre a arqueologia do século XXI e a arqueologia de quando as peças do acervo egípcio do Museu Nacional foram encontradas (século XIX), além da importância do Museu em que eles estavam presentes. Houve uma imensa dificuldade por parte desses alunos ao exporem aos colegas a iconografia de cada deus, mas não foi por displicência ou por não terem prestado atenção na explicação, mas sim porque era o primeiro contato que tinham com a figura do deus e tudo ali era muito novo para eles. Esses alunos saíram do ambiente expositivo da sala de aula, ao qual estão acostumados, e lidaram diretamente com o trabalho manual, em que eram eles o centro das atenções e não o professor. Essa dinâmica é muito nova, porém extremamente enriquecedora para os alunos.

FOTO 6: Explicação da aluna aos colegas sobre a estatueta que encontrou. Foto: Céli Palacios. maio de 2014.

Após essa etapa, houve a apresentação da história do Mito de Osíris utilizando a técnica do teatro de sombras (FOTO 7). Foi uma etapa importante da oficina, pois, além de ter deixado mais claro quem eram os deuses que eles tiveram contato através das estatuetas encontradas nos “sítios arqueológicos”, foi explicitada a relação entre esses deuses e os alunos definitivamente entraram no jogo e se entregaram ao teatro de sombras. Ficaram extremamente curiosos também sobre como tínhamos elaborado o material.

FOTO 7: O Mito de Osíris narrado através do teatro de sombras. Foto: Beatriz Moreira. maio de 2014.

No final da oficina, fiz algumas perguntas aos alunos: o que mais chamou sua atenção na história? Quem eram os personagens da história? Quais eram as crenças sobre a pós-morte na religião egípcia antiga? E nas religiões atuais? Há alguma semelhança da religião egípcia com as religiões atuais? De acordo com o que aprenderam na oficina, o que um arqueólogo faz? Qual a relação entre o trabalho do arqueólogo e um museu? Estas perguntas objetivavam fixar o aprendizado e trabalhar a noção de alteridade.
Nós passamos um questionário de avaliação para ser preenchido por cada aluno com perguntas fáceis, tais como “o que você aprendeu de novo?”, e pedimos para que eles avaliassem a oficina. Todos avaliaram a oficina como “ótima” e responderam apontaram diversos aspectos que lhes chamaram atenção. A partir da análise das respostas, podemos perceber como diante da realidade de um país multicultural, a Educação Patrimonial torna-se um objeto de reflexão relevante no processo educacional. Os museus, enquanto espaços não formais de produção de saberes escolares, são campos privilegiados para a Educação Patrimonial. A atividade lúdica, todo tipo de jogo pedagógico, assim como as oficinas pedagógicas, são de extrema utilidade para o Ensino de História, pois os alunos afastam-se da “decoreba” do conteúdo para “passar na prova” e compreendem, de fato, o que está sendo “construído”. Assim, conseguimos aguçar a curiosidade e a vontade de estudar. E isso ficou muito claro quando a professora de Português da turma – que também dá aula de História por conta do regime de polivalência do município do Rio de Janeiro – nos disse “Eles são uns pestinhas! Não sei como aqui eles estão sendo uns anjinhos!”. E eles estavam sim sendo anjinhos, pois estavam interessados em aprender. E pasmem: o aluno mais indisciplinado da turma foi o que mais participou!
Enfim, espero que a descrição da minha experiência tenha sido de alguma valia para os professores e futuros professores que possam vir a lê-la. Se alguém quiser entrar em contato comigo para solicitar mais informações ou até ajuda para a elaboração de alguma oficina pedagógica, podem entrar em contato via e-mail: beatrizmoreira@ufrj.br.

(Guest Post) Entrevista com Howard Carter

Recentemente recebi este texto do leitor Paulo Eduardo Michelotto, que é entusiasta da Arqueologia e é autor do livro “A crônica inca proibida”. Trata-se de uma entrevista fictícia com o Howard Carter, arqueólogo responsável pela descoberta da tumba do faraó Tutankhamon. Não mudei muita coisa no texto, já que ele não é da minha autoria, exceto incluir algumas imagens. Quem também tiver interesse em escrever um Guest Post é só enviar uma mensagem pelo formulário de contato. Abaixo segue o texto “Entrevista com Howard Carter”: 

 

Howard Carter.

Chegando na KV (King’s Valley) 62, pedi licença em meio aos trabalhos, cumprimentei Lorde Carnavon, que também estava lá e Carter. Mas Carnavon, que parecia ainda pior, recebeu-me bem e já me apresentou ao arqueólogo.
— Você veio de muito longe para falar comigo e mostrar as novas descobertas ao seu país e teve a boa proteção da Companhia de Navegação Fantástica. – disse-me Carter, apertando firmemente a minha mão e olhando nos meus olhos.
Carter era um homem um pouco gordo, de bigode e óculos, narigudo, com cabelo penteado à moda antiga e trajava roupas de trabalho. Como toda pessoa importante, cuja fama atravessa séculos, não era muito dado à conversas, era sério e reservado.
Quanto à empresa Fantástica, naquele tempo, a Companhia era de navegação porque era o único meio de transporte intercontinental. Hoje, com certeza, a Companhia Fantástica trata de aviação, como o principal meio de transporte.
— Não quero tomar o tempo do Senhor, sei que o Senhor está trabalhando, mas agradeço a recepção. Podemos começar?
— Sim senhor. A sua Companhia me paga bem e patrocina parte das minhas escavações. Fique o tempo que precisar.
— O Senhor foi o primeiro arqueólogo a trabalhar no Egito?
— Não sou arqueólogo formado em universidade. Os primeiros arqueólogos a trabalharem aqui, no Egito, datam do século XVIII, eram expedições europeias que iniciavam o trabalho científico. Antes eram ladrões de tumbas e aventureiros, séculos que se seguiram ao sepultamento dos faraós.
— Onde e quando o Senhor nasceu?
— Carter me encarou e respondeu:
— Em Kensigton, Londres, Inglaterra, em 09 de maio de 1874.
— Como o Senhor iniciou o trabalho aqui?
— Eu fazia desenhos encontrados nas escavações para as comunidades científicas, desde jovem. Fui assistente de um renomado arqueólogo inglês, o Sr. Flinders Petrie, um dos maiores arqueólogos de todos os tempos e também meu mentor. Com 27 anos, fui inspetor-chefe dos monumentos de Alto Egito e Núbia, e o fato que me ajudou foi eu conhecer vários dialetos árabes. Depois fui trabalhar na Inspetoria do Baixo e Médio Egito.
— Como o Senhor aprendeu a desenhar?
— Meu pai, Samuel Carter, era pintor de retratos de família da região, um artista excepcional. Com ele, aprendi o ofício da pintura.
— Como o Senhor chegou ao Egito?
— Como eu não pretendia seguir os negócios da minha família, aproveitei uma oportunidade para ir ao Egito e trabalhar para a Egyptian Exploration Fund, a fim de fazer cópias dos desenhos e inscrições de documentos para os cientistas desta época. Em outubro de 1891, se não me falha a memória, com 17 anos, cheguei a Alexandria.
— Onde foi o primeiro trabalho, em Alexandria, mesmo?
— Não. Foi em Bani Hassan. Fiquei tão entusiasmado que chegava a trabalhar o dia inteiro e depois dormia com os morcegos em uma tumba” (risos). “ Foi neste momento em que identifiquei minha verdadeira vocação. Como sei que vai me perguntar, trabalhei após nas escavações Deir el Babri, templo da Hatshepsut, onde meus desenhos ficaram famosos, pelos níveis de detalhes e técnicas de restauração de monumentos e também por minhas escavações.
— O Senhor poderia citar outra descoberta importante realizada pelo Senhor?
— Sim, as tumbas de Amen-hotep IV e Tutmés IV, de Hatshepsut, a poderosa mulher faraó, além de ter restaurado outros monumentos.

Faraó Tutancâmon.

— Qual a pista principal que te levou ao faraó Tutancamon?
— Uma das minhas aspirações foi encontrar a tumba de um rei desconhecido, cujas poucas peças encontradas tinha o seu nome gravado. Então desconfiei que ele estava enterrado aqui, no Vale. Alguns potes de cerâmica contendo materiais utilizados durante o funeral de Tutancamon foram encontrados aqui perto, deduzindo que local do túmulo estava perto. Sugeri para o Lorde Carnavon, a quem você já conhece, tomar como ponto de partida, um triângulo formado pelas tumbas de Ransés II, o Grande, Merenptah e Ransés VI”.
— Como foi o trabalho no verão?
— Impossível às escavações. Não conseguimos trabalhar no verão, devido ao calor, então as escavações só foram feitas no inverno.
— Quantos trabalhadores o Senhor utilizou?
— Vinte e seis.
— Quanto tempo durou?
— Sete anos de intenso trabalho, até encontrar este degrau esculpido em rocha viva, ao pé da tumba de Ransés VI. – e Carter mostrou o degrau, que levava para baixo da terra, numa escada de pedra.
— Este degrau era o início desta escada, que levava a um corredor que acabava numa porta selada. De lá, encontramos um corredor cheio de entulho que levava até a uma outra porta. Venha ver, Aventura.

Esquema da tumba de Tutancâmon.

Desci e vi as portas e o corredor. Era realmente emocionante ver tudo aquilo. Imaginem só, na data de hoje, ver tudo que teria embaixo, se não tivessem retirado todo os objetos de ouro achados. Ah, meu Deus, eu veria a tumba do faraó! Minhas pernas tremeram. A tumba de Tutancamon possuía uma escada de dezesseis degraus, um corredor que levava a antecâmara, um anexo atrás da antecâmara, a câmara funerária, onde ficava o sarcófago e a câmara de tesouros. A câmara funerária era a única decorada com desenhos na parede.
E Carter, continuou:
— Descobrimos dezesseis degraus que levavam a um corredor que acabava numa porta selada. Como Carnavon estava na Inglaterra, esperei a sua chegada para abrir a tumba. Encontramos o corredor cheio de entulho, como lhe falei, que levava até outra porta, a dez metros da primeira. Ambas as portas eram seladas. Os selos era de Tutancamon e da necrópole real. Com as mãos trêmulas, abri um pequeno buraco no canto superior esquerdo. Lá introduzi uma barra de ferro que não tocava em nada e olhei o buraco. Carnavon me perguntou o que eu via e eu disse coisas maravilhosas.
— Isto é demais. O que o Senhor viu?
— Vi objetos de ouro, muitos. Onde eu conseguia avistar, era tudo dourado e estátuas de animais e de guardiões, muitos utensílios, brinquedos, estátua de deuses. – disse o arqueólogo, se empolgando – vamos descer para dar uma olhada rápida?
— Demorou – respondi.
— Como? – indagou-me o arqueólogo.
— Vamos, eu quis dizer. – achando que Carter não havia entendido muito bem as gírias do mundo moderno.
Neste momento Lorde Carnavon que nos acompanhava parou e disse:
— Amigos, vou parar por aqui. Pode descer, Paulo, fique à vontade com o nosso cientista e com o rei Tut. Vou dar umas baforadas no meu charuto, por aqui mesmo.
Eu não acreditava que iria conhecer tudo aquilo de perto, bem pouco tempo da descoberta da tumba do rei menino.
Carter segurou numa lanterna, abaixou-se e iniciou a descida e, eu, o acompanhei para ver a tumba recém descoberta.
Os degraus não eram grandes e a porta também não era alta, estava tudo muito escuro e Carter focava para baixo. Minha curiosidade aumentava a cada degrau. Ele estabilizou-se no terreno e eu cheguei junto. Acabaram os degraus e passamos pelo corredor até a porta da antecâmara. Ele focou a parede e o dourado refletido do local e ofuscou-me a vista. Como não pude me conter, exclamei:
— Também vejo coisas maravilhosas.

Imagem da primeira câmara da KV-62.

Havia muitos objetos de ouro, muitos mesmos. De estatuetas a objetos como taças, jarros, enfeites, joias, ornamentos, vasos, esculturas, armas e objetos pessoais, que depois no total, apurou-se mais de cinco mil peças.
Na antecâmara, o primeiro cômodo de 8 por 3,6 metros, havia três divãs ornamentados com cabeças de animais e mais de 700 objetos. Baús, vasos, flechas, tronos, tudo para auxiliar a o faraó no pós-morte, inclusive vinho tinto que o faraó adorava. Havia quatro bigas e três camas funerárias.
Havia dois guardiões, estátuas idênticas ao rei Tut com lança, que cercavam a porta selada, que era realmente de arrepiar e Carter disse-me que ficou impressionado com a sua perfeição.
— O túmulo foi violado apenas aqui, na antecâmara onde os ladrões penetraram ali por duas vezes, quinze anos depois do funeral do rei Tut – disse-me Carter.
Aprofundamos na câmara mortuária, que era o próximo cômodo e ela estava preenchida por quatro capelas em madeira dourada encaixadas umas nas outras, que protegiam um sarcófago em quartzito de forma retangular, próprio de sua dinastia. Em cada um dos cantos do sarcófago estão representadas as deusas Ísis, Néftis, Neit e Selket.
Ísis, a mais conhecida das deusas, é a deusa da maternidade, das mulheres e da magia, deusa do Sul, protetora de Imset (o filho de Hórus que vigiava o frasco canópico contendo o fígado).
Néfis, outra deusa que protege os mortos, deusa do Norte, protetor de Hapi (o filho de Hórus que vigiava o frasco canópico contendo os pulmões).
Neit, deusa da caça e da guerra, deusa do oriente, protetora de Duametef. (o filho de Hórus que vigiava o frasco canópico contendo estômago).
Selket, deusa dos escorpiões, cura e magia e do Ocidente, protetora de Qebhesenuf (o filho de Hórus que vigiava o frasco canópico contendo os intestinos).
Vaso ou frasco canópico ou canopo eram os vasos usados pelos antigos egípcios para guardar as vísceras embalsamadas dos mortos.
— Veja isto, Aventura – disse-me Carter – apontando para a pintura da parede da câmara mortuária – isto é o ritual da abertura da boca, um ritual praticado pelo sacerdote de Anúbis e pelo sucessor do falecido, normalmente o filho mais velho, mas aqui é o sacerdote Ai, vestido de pele de leopardo, que o sucede e que faz o ritual. Mesmo sendo Ai bem mais velho do que Tutancamon.
— Para que servia o ritual?

Ay na KV-62.

Ay na KV-62.

— Acreditavam que poderiam devolver os sentidos da múmia, por isso os olhos e boca da estátua ou caixão e eram tocados com um objeto, um boi era sacrificado e a pata dianteira direita era colocado junto ao falecido.
Carter prosseguiu e eu o acompanhei até onde se encontrava o sarcófago. Dentro dele, havia três caixões antropomórficos, encontrando-se a múmia no último deste caixões e sobre a face da múmia do rei Tut a mais famosa máscara funerária do mundo, toda de ouro, aliás, 11 quilos de ouro. Tut ainda calçava sandálias de ouro e vinte dedais do mesmo metal. Pude observar tudo com o facho da lanterna de Carter.
— Nossa! É incrível! – fiquei todo emocionado. Decorados com o símbolo da realeza (a cobra e o abutre, símbolos do Alto e Baixo Egito, a barba postiça retangular e os cetros reais). O terceiro caixão era todo de ouro.

Múmia de Tutankhamon ainda com sua máscara mortuária.

Carter ia percorrendo com a luz da lanterna todo o sarcófago e eu observava as coisas maravilhosas. Passou a luz sobre três ânforas que posteriormente identificaram como recipientes de três tipos de vinho: tinto, um outro vinho tinto mais doce e vinho branco.
Após, a luz da lanterna foi passada na câmara do tesouro, que nós passamos a última porta selada e adentramos, onde havia estátua de Anúbis, com um xale na cabeça, várias jóias, roupas e uma capela, de novo em madeira dourada, onde foram colocados os vasos canópicos do rei. Também havia duas pequenas múmias correspondentes a dois fetos do sexo feminino, que poderiam ser filhas do rei, nascidas prematuramente.
— Olha, eles embalsamavam até feto!
— Sim. – respondeu Carter, mas à meu modo de ver era horripilante .
Observei com atenção todo detalhe que pude, ele ofereceu a lanterna que carregava e pude dar uma olhada melhor na tumba. Fiquei o tempo que pude, sentido aquele cheiro de mofo até que Carter sinalizou que havia terminado a visita e fez sinal para subirmos.
Dei uma última olhada na tumba, meio horrorizado com a visão dos embalsamentos dos fetos e olhei para a estátua de Anúbis, com o xale na cabeça. Carter acabara de atravessar a porta e fiquei sozinho com o deus dos mortos. Tive a impressão dele ter movimentado os olhos em minha direção e ter um leve movimento de cabeça. Foi o bastante para eu sair de lá.

(…)

「fim」

Trecho extraído do livro “Nas escavações com os arqueólogos”, a ser publicado.
Paulo Eduardo Michelotto é advogado, escritor, autor do livro “A crônica inca proibida”, fã de arqueologia e do site “Arqueologia egípcia”.