“Memórias de amor, crime e morte”: conheça o filme “A Múmia” de 1932

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Quando muitos escutam a palavra “A Múmia” provavelmente lembram das aventuras cinematográficas hollywoodianas dos personagens fictícios Rick O’Connell (Brendan Fraser) e Evelyn Carnahan (Rachel Weisz), para destruir o vilão Imhotep (Arnold Vosloo), uma múmia egípcia ressuscitada cujo único objetivo é fazer o mal. Entretanto, o que os menos aficionados por esta franquia sabem é que O’Coonell não foi o primeiro a enfrentar um semimorto chamado Imhotep no cinema, ele é só o fruto de uma série de filmes da Universal Studios que traz o monstro “A Múmia”, cujo o último representante no momento é a princesa Ahmanet, de “A Múmia” de 2017.

— Saiba mais: A franquia de filmes “A Múmia” da Universal Studios

Imhotep (Boris Karloff) e Ankhesenamon (Zita Johann). Universal Studios.

O primeiro filme da franquia foi lançado em 1932, estrelando Boris Karloff, como Imhotep e depois dele, até o momento, se somam nove filmes. São os seguintes:

☥ “A Mão da Múmia” (1940);

☥ “A Tumba da Múmia” (1942);

☥ “O Fantasma da Múmia” (1944);

☥ “A Praga da Múmia” (1944);

☥ “Abbott e Costello caçando múmias no Egito” (1955);

☥ “A Múmia” (1999);

☥ “O Retorno da Múmia” (2001);

☥ “A Múmia: tumba do Imperador Dragão” (2008)

☥ “A Múmia” (2017)

 

O “A Múmia” de 32 tem um enredo bem simples: o corpo mumificado de um homem chamado Imhotep e uma misteriosa caixa são descobertos por uma missão britânica de arqueologia. Após uma rápida análise os pesquisadores descobrem que este homem foi sepultado vivo e sem direito as fórmulas mágicas necessárias para a sua viagem pelo além. Já a caixa possui um breve texto com a promessa de mau agouro para quem ousar abri-la.

— Foi gravado para o canal do Arqueologia Egípcia um vídeo supercompleto e cheio de curiosidades sobre esta obra:

Um estagiário curioso ignora a maldição e a abre encontrando em seu interior o Pergaminho de Thot cujas inscrições o rapaz traduz. O texto em questão é um poderoso feitiço que acaba ressuscitando Imhotep, que, por sua vez, foge do local levando consigo o pergaminho.

Anos mais tarde Imhotep reaparece, mas agora se chamando Ardath Bey. Ele tem em sua posse a localização da tumba de uma princesa chamada Ankhesenamon e a passa para um jovem arqueólogo que a encontra em pouco tempo.

Entretanto, o plano de Imhotep é ter acesso a múmia recém encontrada da Ankhesenamon para trazê-la de volta a vida, uma vez que ela foi seu antigo amor. A princesa foi o motivo do cruel fim de Imhotep, já que foi por tentar ressuscitá-la ainda na época do Egito Antigo — fazendo uso do Pergaminho de Thot — que ele recebeu a punição máxima, que era ser sepultado vivo, sem formulas sagradas para protegê-lo e sem oferendas mortuárias.

A execução deste plano seria tranquila se não fosse um problema: a princesa Ankhesenamon reencarnou e agora é uma jovem chamada Helen Grosvenor (Zita Johann). Passando a saber disso Imhotep fará de tudo para recuperar a sua amada.

Ankhesenamon (Zita Johann). Universal Studios.

Este “A Múmia” tornou-se o parâmetro para os demais filmes da temática na Universal Studios (e mesmo de outras produtoras). Se não fosse ele provavelmente nossa visão de maldições egípcias seria um pouco diferente e a presença de fantasias e enfeites retratando múmias na época do Halloween certamente não seria corriqueira.

Helen Grosvenor (Zita Johann). Universal Studios.

Quando assistimos a esta obra e comparamos com o que estava sendo lançado na época é de se admirar com o nível de criatividade. Quantos roteiristas hoje pensariam em ressuscitar uma múmia, seja lá de qual cultura, e fazê-la caminhar pelas ruas modernas? Não é à toa que esta fórmula foi usada e reusada tantas vezes pela Universal sem nenhuma preocupação.

Clique aqui para ler um spoiler

Outro ponto interessante é o desenrolar do filme: preste a sofrer um sacrifício para ser mumificada e libertar a alma de Ankhesenamon a Helen está totalmente indefesa. Em uma história clássica comum ela seria salva pelo mocinho do filme, mas o enredo vai para um outro lado. Ela, em prece a deusa Ísis, pede para que a divindade lhe ensine os antigos encantamentos que esqueceu, graças a reencarnação e é assim que ela consegue dar fim a Imhotep dando um desfecho a trama.

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Existem pontos do filme que são orientalistas, como alguns dos comentários da personagem Helen em relação ao Egito moderno: ela o trata quase como uma doença. O que é perfeito, aos seus olhos, é a antiguidade do país. Parece uma visão romântica do passado, mas também faz parte do discurso imperialista da época que, inclusive, era usado para justificar porque só os europeus podiam praticar a arqueologia no Egito e cuidar dos seus artefatos. Uma visão que assombra a Egiptologia e a Arqueologia Egípcia até os dias atuais.

Imhotep (Boris Karloff) e Helen Grosvenor (Zita Johann). Universal Studios.

Curiosidades:

☥ O nome “Imhotep” é uma homenagem ao arquiteto que construiu a primeira pirâmide egípcia: a “Pirâmide de Djoser”;

☥ O filme teve grande inspiração na descoberta da tumba do faraó Tutankhamon, ocorrida em 1922. É tanto que o nome da princesa, Ankhesenamon, é o nome da esposa desse rei;

☥ “Ardath Bey” é um anagrama que significa “morte por Rá”;

☥ Algumas cenas mostrando outras reencarnações da princesa Ankhesenamon foram gravadas, mas jamais foram utilizadas e se perderam com o tempo;

☥ Em “A Mão da Múmia” algumas cenas de “A Múmia” foram reaproveitadas;

☥ Na série mexicana “Chaves”, no episódio “Filme de Terror”, Chaves e Chiquinha assistem a essa obra;

☥ Na série “Bones” ele é exaustivamente citado no capítulo quinto da quita temporada, “A Night at the Bones Museum”,traduzido no Brasil como “O menino do coração que sangra”.

☥ A personagem Cleo de Nile de “Monster High” foi inspirada no monstro “A Múmia”.

 

Fotos de bastidores:

 

 

Fontes das curiosidades de bastidores:

The Mummy (1932) | UMDB. Disponível em < http://www.imdb.com/title/tt0023245/ >. Acesso em 08 de agosto de 2017.

Mummy Dearest: A Horror Tradition Unearthed (1999; Universal Studios).

A Múmia (2017): poder antigo e a sexualização de um monstro (Comentários com SPOILER)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Este é o primeiro filme da Dark Universe, da Universal Studios, que nada mais é que uma franquia de filmes inspirados nos Monstros Clássicos da própria Universal e que incluem “A Múmia”, Drácula, Lobisomem e etc. “A Múmia”, por exemplo, teve o seu primeiro filme em 1932, e que foi a base para os demais onde estão inclusos os grandes sucessos “A Múmia” (1999) e “O Retorno da Múmia” (2001). Ambos estrelando Brendan Fraser.

Todos os “A Múmia” se aproveitaram da ideia de um arqueólogo ou egiptólogo que em busca de conhecimentos acaba despertando um mal antigo. Porém, aqui não existe tempo para acadêmicos: a nossa nova múmia não é desperta por meio de encantamentos lidos por um profissional, mas por um soldado, o Nick Morton (Tom Cruise), que faz bico como contrabandista e que de modo pouco sutil retira o ataúde — ou melhor: a prisão — de uma princesa egípcia maligna, a Ahmanet (Sofia Boutella), de um poço de mercúrio.

A história do nosso novo monstro é simples: Ahmanet era a herdeira do trono do Egito, mas com o nascimento de um menino vê seu futuro como faraó arruinado. Então, ela toma como única solução fazer um pacto com o deus Set (Seth) pedindo por poder e assassina a sua própria família, inclusive o recém-nascido. No entanto, para que o pacto seja válido, ela ainda precisa entregar um homem em sacrifício, que deve ser morto com a Adaga de Set[1], para que ele receba o poder do deus. É aí que tudo dá errado: Na fase final do ritual a princesa é impedida por guardas, o rapaz escolhido para o sacrifício executado e ela sepultada viva.

Ahmanet. Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

A personagem da Ahmanet despertou a curiosidade de uma parcela do público, que ficou ansiosa em saber se ela de fato existiu. A resposta é curta e simples: não. Entretanto, o seu nome parece ser inspirado no da deusa Amonet, a contraparte feminina do deus Amon.

 

Os equívocos:

E como era de se esperar, uma série de equívocos foram realizados, como a afirmação de que o mercúrio era utilizado pelos antigos egípcios para afastar os “maus espíritos” — isso é irreal [2]— ou que o deus Set é a divindade da morte; em verdade era do caos e do deserto. E ao contrário dos demais filmes que fizeram algum esforço para se inspirar em artefatos egípcios, aqui inspiração é a mínima possível. A Egiptomania ganha destaque e a Egiptologia é pouco levada a sério.

A Arqueologia também não tem muito espaço: o filme é aberto com uma imagem que está cada vez mais comum, que é a de radicais destruindo artefatos arqueológicos. Neste sentido a arqueóloga Jenny Halsey (Annabelle Wallace) era quem supostamente deveria catalogar estes objetos e salvar o que pudesse para manter ao menos algum registro histórico. Contudo, ela só tem olhos para o sarcófago de Ahmanet — o que perpetua a ideia de que o profissional arqueólogo está sempre em busca de coisas particulares que são, em poucas palavras, “a pesquisa da sua vida” — e ainda o transporta da forma mais questionável possível, com o uso de cabos e um helicóptero.

As roupas, penteados e maquiagem têm um apelo estético levemente voltado para a antiguidade egípcia. Nós entendemos que o Egito Antigo está ali, mas ele foi modificado para hora parecer visualmente mais agradável ao espectador (como é o caso da maquiagem da princesa que apesar de linda seu design só tenta se associar a antiguidade egípcia), hora para parecer grotesco (como as cabeças com um toucado nemes[3] que estão no topo da prisão de Ahmanet).

Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

Foto de bastidor: Divulgação.

Os acertos:

Apesar de terem errado ao classificar Set como deus da morte, acertaram ao associar o poder de Ahmanet com pragas, a exemplo do bando de aves que atacam o avião ou os ratos em Londres da alucinação do Nick.

Personagens Jenny e Nick. Foto: Divulgação.

Figura feminina egípcia com marcas que provavelmente são tatuagens. Museu do Louvre.

Já quando Ahmanet recebe o poder de Set tatuagens passam a cobrir o seu corpo. Em entrevista um dos membros da equipe de gravação afirmou que isso era para dar um ar mais bizarro para a personagem, mas, tatuagens muito parecidas eram utilizadas por mulheres na antiguidade egípcia. Existem registros arqueológicos que retratam corpos femininos com pontinhos espalhados pelo corpo, figuras geométricas, imagens de deuses ou formas amuléticas. Tatuagens no Egito Antigo é um tema um pouco nebuloso, mas, caso queira saber mais sobre este assunto assista ao vídeo “Tatuagens no Egito Antigo” clicando aqui.

Outro ponto são os cruzados possuírem um artefato egípcio. O Egito era um ponto estratégico para o domínio do Levante, então é plausível que esses soldados carregassem consigo algo do país.

E por fim existem casos de mulheres ter o poder supremo do Egito, no vídeo Mulheres Faraós comento brevemente sobre elas. Se a personagem Ahmanet não fosse inclinada para o mal ela provavelmente teria tornando-se regente do irmão e se tivesse uma boa rede política assumiria como faraó tendo o seu irmão como herdeiro. Foi esse o caso da Hatshepsut, a diferença é que o seu herdeiro foi o seu enteado, Tutmés III.

 

Referências aos demais filmes:

A Múmia é uma franquia com quase 100 anos com um filme inspirando ou alimentando os outros. Neste de 2017 as maiores inspirações vieram dos de 1999 e 2001. Desta forma, fiquem de olho nas cenas de luta, porque ao menos duas delas foram inspiradas nas desses dois títulos. Prestem também atenção no som emitido pelas múmias, são os mesmos das que aparecem nesses dois filmes. O rosto do monstro na tempestade de areia foi novamente utilizado e os famosos escaravelhos carnívoros foram substituídos por aranhas-camelos venenosas. Mas, a melhor referência, sem dúvida, foi o aparecimento do Livro de Ouro de Amon-rá.

O Livro de Ouro de Amon-Rá no filme de 1999. Captura.

Ser sepultada viva é um ingrediente presente em todos os outros filmes. A única diferença, como já foi citado, foi ela não ser despertada por meio de encantamentos.

Ser sepultado vivo faz parte de todas as tramas do monstro “A Múmia” da Universal.

A tempestade de areia: uma das referências a outros dois títulos da franquia.

Um monstro mulher foi o grande trunfo, mas sua sexualização o desvinculou do restante da franquia. Enquanto tínhamos um Imhotep ou um Kheris com o objetivo de despertar a amada, Ahmanet vê em seu “escolhido” a chave para o poder com um discurso sexual nas entrelinhas. Mas, isso não para aí: enquanto que o Imhotep de 1999 e 2001 suga a vida das suas vítimas pelo ar a Ahmanet se utiliza do beijo. Isso nos remonta ao texto de Craig Barker, Friday essay: desecration and romanticisation – the real curse of mummies — que foi traduzido aqui no A.E. — onde ele faz a seguinte pontuação:

Um número de estudiosos, especialmente Jasmine Day, têm investigado o papel das múmias na ficção do século XIX e um aspecto interessante é o número de escritoras femininas desses contos.

Uma das, se não a mais antiga, história de múmia é The Mummy!: Or a Tale of the Twenty Second Century (1827) de Jane Webb (Loudon), que mostra o avivamento de Quéops no ano 2126. Outras escritoras apresentaram um interessante subtexto e perspectiva.

Os túmulos de múmias egípcias da realeza haviam sido violados e explorados por saqueadores, e uma analogia com o estupro é clara dentre as antigas ficções de maldição de múmias escritas por mulheres. Em contraste, escritores masculinos, como o Gautier, apresentavam muitas visões mais romantizadas ou eróticas dos mortos.

E de fato. “A Múmia” passou pelas mãos de quatro roteiristas, todos homens: Jon Spaihts, Christopher McQuarrie, David Koepp e Dylan Kussman.

Ahmanet e o seu “escolhido”.

O futuro da Dark Universe e de “A Múmia”:

O futuro para a franquia parece incerto, ao menos para alguns veículos de imprensa que apontam o “fracasso” e o prejuízo financeiro gerado pela bilheteria baixa. O objetivo do A.E. é falar principalmente da Arqueologia, Egiptologia e o uso do Egito Antigo em obras de ficção e não de questões que envolvam roteiro, efeitos especiais, etc. Entretanto, observando com um olhar mais crítico, não é difícil notar as grandes falhas de “A Múmia” em parte do seu roteiro e construção de alguns dos seus personagens. Especialmente como fã da franquia este é um filme divertido, mas com problemas que podem comprometer suas futuras continuações… Se existirem.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas recria um momento durante a mumificação.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

 


Notas:

[1] A Adaga de Set é um artefato plenamente fictício inventado unicamente para o enredo do filme.

[2] Para quem tem curiosidade: existe um pequeno verbete sobre o raro uso de mercúrio no Egito no livro “Ancient Egyptian Materials and Technology” editado por Paul T. Nicholson e Ian Shaw (Cambridge University Press).

[3] Nemes: toucado listrado representado na cabeça de faraós.

(Resenha – filme) As Múmias do Faraó (2010)

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Este texto não contém spoiller.

Lançado em meados de 2010, “As Múmias do Faraó” (Les Aventures extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec, no original) é um filme francês inspirado nas HQs “As Múmias Loucas”, “Adèle e o Monstro” e “O sábio louco” do quadrinista Jacques Tardi. A trama é baseada na tentativa da Adèle Blanc-Sec (Louise Bourgoin) de curar a sua irmã, que sofreu um acidente que a deixou em uma espécie de coma. Para tal, a protagonista rouba uma múmia de um médico egípcio na esperança de ressuscitá-lo, para que ele utilize o seu avançado conhecimento para salvar a moça. Contudo, para que isso ocorra, Adèle precisa da ajuda do professor Marie-Joseph Espérandieu (Jacky Nercessian), um estudioso que descobriu como devolver a vida a pessoas e animais mortos há milênios. O problema é que em um dos treinos da sua técnica ele ressuscita um pterodáctilo (Sim! Um dinossauro!), que agora voa livre pelos os céus da França, levando o pânico à população.

O filme pode não agradar a muitos fãs da Antiguidade egípcia, até porque, apesar do título, o foco da trama está na bagunça proporcionada pelo despertar do dinossauro e nas tentativas da Adèlede de ter acesso a Espérandieu. A múmia roubada é um pequeno fio em toda a trama e o título brasileiro foi pensando totalmente fora do contexto [1]. Exatamente por isso que o título original, cuja a tradução é “As aventuras extraordinárias de Adèle Blanc-Sec”, teria feito muito mais sentido. Inclusive, o homem que aparece na capa brasileira não tem relação alguma com o restante da história, sendo praticamente um mero figurante.

“As Múmias do faraó”, a exemplo de outras produções cinematográficas, apela para a ideia de que o Egito Antigo é um lugar com poderes mágicos ocultos e ciência avançada (em um dado momento, por exemplo, é sugerido que nos tempos dos faraós eram realizados estudos de energias moleculares, o que é um equívoco).

Somado a isso, com a desculpa do entretenimento alguns absurdos, do ponto de vista da Arqueologia, são apresentados. O primeiro é a “máquina de mumificar”, um aparelho presente no início do filme e que, embora divertido, nunca existiu. Todo o processo de mumificação era realizado manualmente. O outro é o de que uma tumba teria uma entrada e uma saída, o que é totalmente errado; uma sepultura possuía somente uma porta que deveria ser lacrada. Em um vídeo para o canal do Arqueologia Egípcia listei e comentei mais algumas incoerências presentes no filme. Assista abaixo:

Uma sacada interessante do filme – e a qual não tenho muita certeza se foi proposital – é que a Adèle, em um momento de fuga, encontra um remo dentro de um sarcófago. Isso realmente poderia ocorrer, já que em espaços funerários egípcios não era incomum por artefatos de cunho aquático, tais como embarcações, desenhos de barcos e mesmo remos. Outra curiosidade, mas que não tem a ver com a Arqueologia, e sim com a história dos HQs na França: em um dado momento do filme alguns rapazes estão vendendo jornais e um deles é o “Excélsior”, que, na vida real, publicava história em quadrinhos. Claramente uma homenagem.

Considerações finais:

“As Múmias do Faraó” foi um filme que demorei para gostar. O assisti em 2010 ou 2011 e não foi do meu agrado. Precisei assisti-lo novamente em 2016 (para realizar esta resenha e gravar o vídeo para o Cine Arqueológico) para ele finalmente se mostrar um bom divertimento, apesar das suas peculiaridades. A Belle Époque, período em que se passa o filme, é apresentada de uma forma detalhada e quase nostálgica. O espectador se sente de fato como se pudesse vivenciar esse período. A direção de arte e figurino realmente fez um trabalho primoroso.

Adéle não é uma personagem feminina habitual. Não espere ver uma mulher dócil e introspectiva. Em verdade a personagem é desbocada, feroz e apaixonada por seus ideais (apesar de as vezes passar por cima da lei para alcançá-los). Suas atitudes acabam passando o recado de “ame-me ou odeia-me”, o que a torna humana, no final das contas. Em contrapartida, temos o personagem Andrej (com “j” de “jardim”, quem assistiu ao filme entenderá), um acadêmico modesto, esperto e correto, uma lufada de ar fresco entre tantos personagens com índole duvidosa (onde a própria Adèle está inclusa).

Por fim, não espere ver um filme de ação ao estilo “A Múmia” de 1999. “As múmias do faraó” está mais para uma comédia com um pouco de humor negro e personagens caricatos. A minha dica é que assistam a esse filme totalmente desprendidos de qualquer realidade histórica, divirtam-se, mas, claro, depois retornem para esse post para aprender um pouco.

Fotos de Bastidores:

Agradecimentos:

Ao Lucas Pimenta, fã das revistas da Adèle, por disponibilizar o seu tempo me auxiliando ao esclarecer alguns pontos sobre a personagem.


[1] ATENÇÃO, clicando no botão abaixo você lerá um spoiler:

Clique aqui para ler o spoiler

As tais múmias referem-se a uma exposição que está ocorrendo no Museu do Louvre. Elas são ressuscitadas pelo o professor e fecham o filme caminhando livres por Paris.

 

(Filme – Resenha) “A pirâmide” (2014)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Este texto não contém spoiller.

O filme “A Pirâmide” (“The Pyramid”, no original) é uma ficção de terror cuja trama se baseia na ideia da descoberta de uma misteriosa pirâmide de três paredes encontrada no deserto do Egito no auge da Primavera Árabe. Sua estreia ocorreu em dezembro de 2014.

Filmado em uma mistura de found footage e gravação em terceira pessoa, o enredo nos traz os arqueólogos Nora (Ashley Hinshaw) e Holden (Denis O’Hare), que descobrem uma pirâmide de construção incomum no meio do deserto egípcio através de imagens de satélite. O que chama a atenção da cinegrafista Sunni (Christa Nicola) e o câmera Fitzie (James Buckley) que vão até o sítio arqueológico para poder gravar um especial com a equipe abrindo a tumba pela primeira vez. Porém, assim que eles adentram o local descobrem que sair de lá não será nada simples.

Apesar de algumas loucuras cinematográficas (é de praxe, dificilmente algum filme que queira vender fugirá disso), “A Pirâmide” é um dos pouquíssimos longas que conseguiram usar elementos tão reconhecíveis do Antigo Egito e dos trabalhos de Arqueologia. Dois bons exemplos é a própria descoberta da pirâmide, que me lembra os estudos realizados na pirâmide de Djedfra, que também está localizada no deserto e que cuja pesquisa inspirou um documentário para a The History Channel com mais de duas horas de duração. Outro é a descoberta de sítios arqueológicos com o uso de imagens de satélites ou fotografias aéreas, ferramentas que têm sido utilizadas já há muitos anos. Mas certamente a inclusão desta metodologia no filme foi inspirada por algumas notícias que rolaram na internet e em alguns programas de TV de que pirâmides teriam sido descobertas no deserto egípcio. Infelizmente, tais notícias beiravam ao equívoco.

Foto: Divulgação.

Porém, o filme propõe que alguns arqueólogos são avessos a tecnologia. De fato alguns usam metodologias demasiadamente defasadas, mas isso não é geral. Muitos são extremamente receptivos a novas ferramentas que possam auxiliar na interpretação arqueológica. O problema é saber usar. Aí já é uma outra questão. A desculpa do filme é que usar novas metodologias e ter resultados totalmente diferentes dos alcançados em outras ocasiões implicaria questionar trabalhos de uma vida. Acreditem, existe gente realmente assim, mas novamente este pensamento não é unanime e muitos são ansiosos por novas descobertas.

Sobre o robozinho, o Shorty, há anos pesquisadores tentam utilizar robores com câmeras para entrar em estruturas arqueológicas. Isso, inclusive, foi realizado na pirâmide de Khufu e as imagens foram transmitidas ao vivo para os espectadores em casa pela National Geographic. A pena é que não encontraram nada [1].

Retornando para o enredo, a princípio a pirâmide é associada com o faraó Akhenaton, mas depois corrigem explicando que ela seria de um outro período. Mas só aproveitando a deixa; na época de Akhenaton, o Novo Império, reis não estavam mais sendo sepultados em pirâmides, mas em hipogeus. Somente em duas épocas a alta nobreza foi inumada em pirâmides: durante o Antigo Reino e durante a Baixa Época, quando o Egito esteve sob domínio núbio.

Foto: Divulgação.

E eles fazem um brevíssimo comentário tecendo um paralelo entre o Aspergillus e maldições: Bem no início do filme, quando todos estão esperando a abertura da pirâmide, ocorre uma explosão de um pó verde, que mais tarde nos é revelado que se trata do Aspergillus. Em outro momento, quando todos estão calmos, o Holden, um pouco irritado, diz que nem quer ouvir falar de uma sugestão de maldição. A fala dele tem relação com um acontecimento real; a proposta de que o Lord Carnarvon, patrocinador da descoberta da tumba do faraó Tutankhamon, teria morrido graças a infecção do seu sangue pelo o Aspergillus, isso após ter sido picado por um mosquito e ter machucado o local ao se barbear (- Saiba mais assistindo: “A Maldição de Tutankhamon”). Aqui no Arqueologia Egípcia já até citei a morte de uma turista pelo Aspergillus no texto “(Resenha – Documentário) A Maldição de Tutankamon, da Discovery”.

Foto: Divulgação.

E foi interessante ver no filme o Ministério das Antiguidades do Egito (MSA) ser citado porque ele foi criado justamente na época da Primavera Árabe de uma forma relâmpago. O Ministério é mencionado porque no enredo ele estava retirando todas as equipes de Arqueologia do país. Porém, na realidade os poucos arqueólogos que estavam trabalhando no Egito foram justamente utilizados como propaganda pelo governo para passar para o mundo que estava tudo sob controle no país. Por outro lado, algumas regiões desérticas estão sob o auspício de militares, então os roteiristas do filme podem ter realizado esta relação, embora, mesmo antes da Primavera, pesquisas nessas regiões eram proibidas devido as próprias manobras do exército.

Na cena do arsenal que eles encontraram dentro da tumba vê-los utilizar o luminol foi no mínimo peculiar. Posso estar errada, mas acredito que esta ferramenta não funciona em artefatos arqueológicos. Deixo em aberto aí para quem tem realmente uma boa experiência na área responder.

Foto: Divulgação.

E claro, temos os anacronismos. Nenhum filme que cite algum assunto histórico está de todo imune a esse tipo de erro. Existiam vários tipos de textos funerários, mas o Livros dos Mortos, que é citado no filme, passou a ser popularizado no Novo Império. Na época das pirâmides os que eram utilizados são os chamados hoje de “Textos das Pirâmides”. Também é dito que os Gatos Esfinges são da Antiguidade egípcia, mas a verdade é que eles não existiam no Egito, esta foi uma licença poética do longa. Este tipo de raça surgiu somente na década de 1960 aqui na América.

Também é citado os maçons como ladrões de tumbas. Não sei exatamente de onde eles tiraram esta ideia, mas creio que deve ter alguma relação com o fato de que alguns maçons eram membros da nobreza dos séculos XVIII, XIX e XX, que, por sua vez, costumavam ser colecionistas.

Considerações finais:

Ao contrário das várias críticas negativas que este filme ganhou em alguns sites, em um sentido muito geral (e ignorando alguns efeitos especiais de um gosto bem questionável) gostei do enredo. A pena é que apesar de ter casado, na medida do possível, tão bem com a Arqueologia e a cultura egípcia faraônica, o final, ao menos para mim com o meu olhar de arqueóloga, foi bem decepcionante. Não posso falar do que se trata, porque é um spoiller, mas eu o cito na conclusão do vídeo que gravei para o canal do Arqueologia Egípcia no YouTube, onde também comento sobre este filme:

Dicas de leituras:

Sobre a pesquisa com robôs dentro da pirâmide de Khufu:

The Secret Doors Inside the Great Pyramid. Disponível em <http://www.guardians.net/hawass/articles/secret_doors_inside_the_great_pyramid.htm>. Acesso em 04 de junho de 2016.

Robot to Expose Hidden Secrets of the Pyramids. Disponível em <http://www.livescience.com/6860-robot-expose-hidden-secrets-pyramids.html>. Acesso em 04 de junho de 2016.

Acerca de presença do Aspergillus em sítios arqueológicos:

(Resenha – Documentário) A Maldição de Tutankamon, da Discovery. Disponível em <http://arqueologiaegipcia.com.br/2014/05/08/resenha-documentario-a-maldicao-de-tutankamon-da-discovery/>. Acesso em 04 de junho de 2016.


[1] Somente posteriormente conseguiram ver que no pequeno espaço tenham inscrições hieroglíficas ao estilo das que existem em uma das câmaras da própria pirâmide, que apontam os nomes das equipes de trabalhadores que a construiu.

(Comentários) Trailer do filme “Deuses do Egito” (2016)

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Irá estrear no dia 24 de fevereiro (2016) o filme “Deuses do Egito” (“Gods of Egypt“, no original), que está estrelando Nikolaj Coster-Waldau (Game of Thrones) e que cujo o enredo é inspirado na luta entre os deuses Seth e Hórus, um dos mitos mais famosos da Antiguidade egípcia.

Quando o primeiro trailer saiu várias pessoas enviaram mensagens para mim perguntando a minha opinião e eu a dei de forma bem concisa na página do Arqueologia Egípcia no Facebook, até que eu arranjasse um tempinho para poder sentar e escrever mais acerca. Bom, o momento chegou. Abaixo o trailer (legendado):

Porém, antes de apresentar para vocês os meus comentários, preciso conta-lhes antes o mito das batalhas entre Hórus e Seth.

Ísis e Hórus versus Seth

Tudo tem início com o nascimento dos irmãos Ísis (protetora do trono real e senhora da magia), Osíris (senhor da vegetação e fertilidade), Néftis (protetora do palácio) e Seth (senhor do caos e deserto), que casam entre si, sendo que o casal Ísis e Osíris assumem o trono do Egito. Ambos eram extremamente amados pela população, mas não por Seth, que tinha muita inveja e rancor dos dois, em especial por Osíris.

Fonte dos desenhos: Jeff Dahl.

Seth então prepara uma audaciosa cilada para matar o irmão: ele o convida para um banquete onde pede para que cada um dos convidados entrem em uma maravilhosa e grande caixa. Aquele indivíduo que nela coubesse a ganharia como prêmio.

Todos experimentaram a tal caixa, mas ninguém coube perfeitamente, exceto Osíris, o último a prová-la e que se encaixou impecavelmente. Contudo, o que o rei não sabia é que ela tinha sido confeccionada exatamente com as suas medidas e assim que entrou Seth o trancou e jogou a grande caixa no Nilo, onde morreu afogado.

Ísis descobre o ocorrido e recupera a caixa, despertando a ira de Seth que a rouba e esquarteja o corpo do deus falecido, jogando suas partes por toda a extensão do Nilo. Ísis mais uma vez sai em busca do marido e em uma longa jornada recupera uma a uma as partes do seu corpo, exceto o pênis, que foi comido por um peixe. Usando da sua magia e após longas rezas a deusa se transfigura em um falcão fêmea e com o bater das suas asas dá o sopro de vida necessário para ressuscitar o esposo. Ao mesmo tempo faz surgir o pênis e engravida do seu primeiro e único filho, Hórus, uma divindade com corpo humano e cabeça de falcão.

Neste meio tempo, Seth já tomou para si o trono do Egito, fazendo com que Ísis, protegida por sua irmã Néftis e o deus Anúbis, esconda-se nos juncos do Nilo com o recém-nascido Hórus, onde ela lhe ensina tudo o que é importante para reinar e o prepara para o futuro embate com o tio por seu trono de direito.

Após alguns anos, Hórus vai enfrentar o tio, que por sua vez o acusa de não ser filho de Osíris, afinal, Ísis não estava grávida quando ele estava vivo. Mas com a intervenção dos demais deuses é imposto que Hórus e Seth devem batalhar em uma série de atividades e o vencedor ficaria com a coroa.

Seth usa sempre da sabotagem para tentar vencer o sobrinho, mas todas as vezes é desmascarado por Ísis. Porém, em uma das lutas, Seth arranca um dos olhos de Hórus. A visão lhe é devolvida pelo o deus Thot ou a deusa Hathor, que põe um olho substituto no lugar, enquanto o original torna-se o “Wedjat”, que é oferecido a Osíris como um amuleto para a regeneração.

Voltando ao filme “Deuses do Egito”: observando o trailer

Como dito no início, o enredo baseia-se na luta entre estas duas divindades, mais especificamente na batalha em que Hórus perde o seu olho, séculos antes da unificação do Egito, em algum momento do Pré-Dinástico (que é tipo a “Pré-História” egípcia). No entanto, como nos mostra bem o trailer, no filme Seth arrancará ambos os olhos. Mais tarde um deles será recuperado por um humano. Já vemos então a primeira diferença aí, além de que ambos os deuses serão retratados em uma forma humana.

Hórus.

Seth.

O amuleto “Wedjat” incorporado no filme.

Em termos de roupas senti certa inspiração em “Fúrias de Titãs” e um leitor também citou “300”. Praticamente não há roupagem alguma egípcia. Vi alguns toucados nemes estilizados em um figurante ou outro (muitas produções insistem em por estes toucados em cidadãos comuns sendo que era de uso exclusivo do faraó), uma inspiração na Coroa Azul da rainha Neferiti e uma coroa com um elemento da deusa Hathor. É um dos filmes inspirados no Egito que menos possui fortes elementos egípcios. Conseguiu ganhar até mesmo da série TUT.

Eu acho que consigo ver um indiano e um árabe…

Num futuro (espero não muito distante) pretendo fazer um post detalhado falando sobre as roupas egípcias. Vocês verão que não tem nada a ver com isso.

Na testa dela estão os chifres da deusa Hathor.

Na minha humilde opinião, em termos de narrativa cinematográfica não foi ruim incluir armaduras nos deuses, adicionar monstros enormes e bizarros, batalhas surreais, etc. Isto vai levar os amantes de aventura e ficção para o cinema e quem sabe fazê-los pesquisarem mais tarde. Eu, por exemplo, aprendi a gostar de assuntos relativos às constelações graças aos “Cavaleiros do Zodíaco”, porém, o que achei de péssimo gosto e de grande ignorância, foi incluir alguns artefatos claramente inspirados no universo grego e até mesmo mesoamericano, duas culturas totalmente diferentes da egípcia.

Outro grande problema e que enfureceu muitas pessoas levando aos produtores do filme pedirem desculpas, foi a escolha de um elenco quase exclusivamente caucasiano para representar o Egito Antigo. Entretanto, falar que o Egito era totalmente negro, como os críticos mais ferrenhos apontam, também não é condizente com a realidade. O Egito foi um território que recebeu povos de diferentes lugares ao longo da sua formação, apesar do seu “isolamento” geográfico, que tornava difícil a invasão de exércitos, mas não a entrada de grupos de nômades. Está mais para uma civilização “mestiça”, mas é pouco provável que encontraríamos um Nikolaj Coster-Waldau andando em uma rua do faraônico, muito menos ainda em tempos anteriores a época de unificação, como seria o caso do filme.

Mas também tem uns momentos bacanas que servem como curiosidade para vocês, como a cena abaixo, que mostra um tipo de arquitetura que lembra a egípcia faraônica, mas que não existia no Pré-Dinástico, toda via. Apesar do anacronismo, foi legal eles utilizarem elementos egípcios, mesmo que com leves modificações, porque a arquitetura egípcia é tão bonita e combina muito com o deserto.

A seguinte cena também é interessante. Se eu estiver correta trata-se de uma sepultura. Caso seja, tirando o sarcófago de pedra, uma sepultura de alguém com posses durante o Pré-Dinástico era bem assim. Clicando aqui vocês serão levados para um post onde tem a fotografia de uma.

Mais uma curiosidade para vocês tirarem nota é que no período do filme a escrita hieroglífica ainda não existia. Ela só é desenvolvida durante ou após a unificação do Alto e Baixo Egito.

Outra coisa bem legal, e que espero que tenham mantido no filme, é que eles retratarem Hórus enorme. Na iconografia egípcia deuses ou faraós usualmente eram retratados maiores do que o restante da população, então foi uma ótima sacada.

Dito tudo isso, espero que quem assistir este filme e ficar interessado pela história egípcia que leia este post com carinho. A ideia aqui é ensinar aos interessados em aprender. Se você é fã do filme não sinta-se atacado. E caso algum de vocês creditem que não tem nada a ver uma acadêmica discutir entretenimento, leiam então este meu post: — Arqueologia e ficção: tudo vale em nome do entretenimento?

Ademais, bom filme! E não conversem na sala de cinema.

P.S: Se não gostou do filme não precisa descarregar sua frustração aqui. Não faço parte da produção e nem sou obrigada a ler os mais criativos palavrões. 

Leituras interessantes:

SANTOS. P. V. Religião e sociedade no Egito antigo: uma leitura do mito de Ísis e Osíris na obra de Plutarco (I d.C.). Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, São Paulo.

O Antigo Egito e os primórdios do cinema. Disponível em <http://arqueologiaegipcia.com.br/2014/07/13/antigo-egito-primordio-do-cinema/>.

Hermanoteu no Egito: uma sátira ao Êxodo

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Um grupo de comédia do Brasil chamado “Os Melhores do Mundo” (nome para provocar um deboche, já que mesmo eles falam que ninguém é melhor que ninguém) possui uma peça chamada “Hermanoteu na terra de Godah” que conta a história de um homem que peregrina em nome de Deus em busca da terra de Godah, e assim pregar a palavra do Senhor aos seus habitantes, mas ele se depara com inúmeros problemas após encontrar o Diabo.

 

Hermanoteu na terra de Godah. Adriana Nunes como Cleópatra.

Recheada de humor negro e muitos palavrões “Hermanoteu na terra de Godah” ainda consegue uma comédia de qualidade, para o deleite de muitos dos seus espectadores.

Durante a sua busca pela a terra de Godah, Hermanoteu passa pelo o Egito, e encontra Isaac, o último hebreu escravizado [1]. Abaixo o vídeo :

“Os Melhores do Mundo” são realmente muito bons, caso queira ver a peça completa (e de acordo com o DVD – que também está à venda – de “Os Melhores do Mundo”) clique nos links abaixo:

Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 1/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 2/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 3/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 4/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 5/9) (Egito)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 6/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 7/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 8/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 9/9)

[1] Não foi encontrada pistas de escravização de hebreus no Egito. Um hieróglifo encontrado na “Estela de Merneptah” pode ser a única prova de que ao menos os egípcios tiveram um contato bélico com os israelitas, embora nem mesmo isto seja conclusivo.

O Segredo da Múmia (1982)

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Ao contrário do que muitos imaginam, o Brasil já produziu filmes com temática antiguidade egípcia, e embora eu tenha achado o trailer de “O Segredo da Múmia” de um mau gosto infernal estou aqui divulgando o material para vocês.

  

Cartaz (Brasil)

 

Dirigido por Ivan Cardoso, “O Segredo da Múmia” é um dos muitos filmes produzidos no Brasil e que saiu do conhecimento popular. Ele conta o drama do Dr. Vitus, um cientista que é ridicularizado por seus colegas acadêmicos após ter inventado o que ele chama de “Elixir da Vida”. Em uma viajem ao Egito descobre a tumba de Runamb e utiliza na múmia deste o seu elixir trazendo-o então de volta a vida.

Runamb, sendo um insaciável apreciador de mulheres, começa a raptar moças até encontrar uma radialista chamada Miriam, a reencarnação da egípcia Nadja, aquela que outrora foi a mulher que ele mais amou.

 

Cartaz (Portugal)

 

Em termos de make a melhor escolha foi Anselmo Vasconcelos como Runamb (uma das poucas coisas que me chamou a atenção para o filme, além da idéia do roteiro).

 

O filme não foi lançado em DVD. Provavelmente você só verá no Canal Brasil.

Como o trailer é +18 não vou publicá-lo aqui, mas no Youtube é possível encontrá-lo.  

Sobre o filme:

Ano: 1982
País: Brasil
Temp: 85 min 
Género: Terror/Comédia (Terrir) 
Idioma original: Português brasileiro
Direção: Ivan Cardoso
Roteiro: Rubens Francisco Luchetti

Elenco:

Wilson Grey: Expedito Vitus
Anselmo Vasconcelos: Runamb
Clarice Piovesan: Gilda
Evandro Mesquita: Everton Soares
Regina Casé: Regina
Felipe Falcão: Igor
Tânia Boscoli: Nadja
Júlio Medaglia: Rodolfo
Jardel Filho: Almir Gomes 

 

Para ver mais: Pé em Quadro: O Segredo da Múmia, de Ivan Cardoso, 02/04/2010 <http://www.peemquadro.com/2008/01/o-segredo-da-mmia-de-ivan-cardoso.html>