(Livro) Religiões que o mundo esqueceu

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille 

 

 

Não há evidência… de que qualquer outro animal seja movido por preocupações religiosas, como o ser humano é desde os seus primórdios”, assim fala o Prof. Dr. Pedro Paulo A. Funari ao iniciar o livro “As religiões que o mundo esqueceu: como os egípcios, celtas, astecas e outros povos cultuavam seus deuses.” (Editora Contexto) que está sob sua organização. Tal material aborda justamente o que mais nos distingue dos demais seres vivos da terra e que nos torna tão únicos: a crença. 

 

 

Capa do livro "As religiões que o mundo esqueceu".

 

Funari define a fé como algo característico da humanidade. Como pensamos de forma variada e vivemos em ambientes tão distintos as manifestações religiosas acabam sendo as mais diversas, principalmente ao longo dos séculos. Assim, este livro trata justamente das religiões que já deixaram de existir, mas que de alguma forma podem lembrar um pouco alguns quesitos da nossa própria cultura. A definição de Ka, advindo do pensamento egípcio e  que é algo próximo do que denominamos de “alma”, é um exemplo.      

O Prof. Dr. Pedro Paulo A. Funari é natural do Brasil, atualmente leciona como professor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e fez diversas colaborações para a área da Arqueologia no país principalmente no que diz respeito à Arqueologia Histórica. Fez graduação em História pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado em Antropologia Social também na USP e doutorado e pós-doutorado em Arqueologia na Illinois State University

O livro está dividido em várias partes que apontam as diferentes culturas que um dia existiu. O primeiro capítulo é dedicado aos egípcios e está sob a autoria do Prof. Dr. Julio Gralha. Esta parte em questão faz um apanhado de forma geral da religião egípcia onde há um breve destaque ao mito da criação.

“As religiões que o mundo esqueceu” é cativante e isto porque traz justamente a palavra de vários acadêmicos de diferentes áreas que, embora denotando culturas tão distintas, tocam em um assunto tão interessante e que nos mexe tanto como é o da crença na existência de forças sobrenaturais.  

 

Fixa técnica: 

Título: As religiões que o mundo esqueceu – Como os egípcios, celtas, astecas e outros povos cultuavam seus deuses. 

Autor: Pedro Paulo A. Funari (Org), Alexandre Navarro, Ana Donnard, Betty Mindlin, Flavia Galli Tatsch, Johnni Langer, Julio Cesar Magalhães, Julio Gralha, Leandro Karnal, Luiz Alexandre Rossi, Paulo Nogueira, Renata Senna e Sergio Alberto.   

Ano de publicação: 2009 

Editora: Contexto 

Cidade: São Paulo 

ISBN: 978-85-7244-431-6 

Palavras chaves: Deuses, sagrado, religião, História 

 

Para quem quer saber mais: 

Em 2008 realizei uma entrevista com o Prof. Funari que está disponível aqui no A.E.

(Livro) “As Egípcias” de Christian Jacq

Por Márcia Jamille Costa

 

“As Egípcias: retratos de mulheres do Egito Faraônico” (Les Egyptiennes) é um dos livros mais populares sobre a antiguidade egípcia no Brasil no que diz respeito ao tema de gênero, e também um dos poucos indicados. O seu autor é Christian Jacq e ele já escreveu romances de renome como a série Ramsés e outros materiais como “A Sabedoria viva do antigo Egito”.

Christian Jacq possui formação em egiptologia, contando inclusive com um doutorado em Sorbonne, mas mesmo com uma formação completa ele é acusado de banalizar a cultura egípcia em seus livros, embora estes possuam várias descrições de aspectos sociais. Em verdade os textos de Jacq se destacam na divulgação de um Egito místico, fantasioso, e o mais interessante: mascarado pela a descrição de fatos reais. Este é o Jaqc romancista, mas o Jacq historiador parece se perder um pouco entre a redação científica e a redação de vulgarização (não em um termo pejorativo, mas em um termo em que fala do que é feito para ser lido pelo o público de fora da academia), mais neste sentido acho que posso interceder por ele. Seus livros são para a massa e não para algo seleto como o corpo de egiptólogos em uma universidade, parece que o autor, com os anos de experiência como romancista, aprendeu a segurar a atenção dos comuns para algumas pesquisas arqueológicas. Este é o caso de parte dos seus livros de levantamento histórico onde está incluso “As Egípcias: retratos de mulheres do Egito Faraônico”.

 

 

Conheci este livro já faz alguns anos, li uma parte e não gostei, até que um parente o deu para mim e resolvi reler. Em um contexto geral ele tem uma escrita bonita e confortável, mas não é bom para usar em sala de aula, mesmo assim, para quem não conhece o assunto ou quiser algumas bibliografias referentes a gênero no antigo Egito pode ler para coletar referencias. Quem sabe, no final, não se interesse por Christian Jacq.

Eu o aconselharia para o público leigo, ou para quem gosta da cultura egípcia faraônica. As descrições que ele faz das mulheres reais e comuns (inclusive as dos campos) são fortes e envolventes, o que mostra claramente a falta de neutralidade científica de Christian Jacq, o que, a meu ver, não é um grande problema, ainda mais porque o seu público de interesse não quer saber de dados arqueológicos como medições de cerâmica ou picos de DNA, querem saber de histórias contadas da forma mais confortável e clara possível.   

Mesmo assim, acredito, ele acaba falhando em outros livros, mas isto já são outros carnavais. 

Fixa técnica:

Titulo original: Les Egyptiennes

Autor: Christian Jacq

Tradução: Maria D. Alexandre

Ano de publicação (Brasil): 2002

Editora: Bertrand Brasil

Cidade: Rio de Janeiro

ISBN: 85-286-0777-1

Palavras-chave: Mulheres, Egito, condições sociais.

 

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(Livro) Egito: um olhar amoroso

Por Márcia Jamille Costa

 

Robert Solé é natural do Egito, mas só foi após ter ido morar na França, aos dezessete anos de idade, que percebeu o fascínio que sua terra natal estava exercendo no Ocidente. “Egito: um olhar amoroso” (Dictionnaire Amoureux de l’Egypte no original) não foi publicado somente para reparar os anos de desatenção de Solé em relação ao Egito, mas para atestar uma declaração de amor do autor ao seu país de origem.

A publicação nos mostra muito além do Egito faraônico, ela refere-se às várias manifestações e desejos contemporâneos como a curiosidade que o continente americano exerce sob o imaginário egípcio ou os jogos de futebol nos vilarejos. Solé retrata os fatos com um ar bucólico e nostálgico remetendo várias vezes a sua infância.

 

 

Este livro, em verdade, é um dicionário, mas é escrito de uma forma extremamente pessoal, o que acaba transformando-o não só em um guia, mas em uma obra de literatura com alguns requintes quase autobiográficos. A linguagem é simples, o que possibilita ser lido por aqueles que tenham interesse em conhecer um Egito muito além das pirâmides e faraós.

A introdução da edição brasileira foi feita pelo o Prof. Dr. Antonio Brancaglion Júnior do Museu Nacional do Rio de Janeiro e o corpo do livro foi traduzido pela Dra. Bluma Waddington Vilar, que possui licenciatura em português-francês pela a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Fixa técnica:

Título original: Dictionnaire Amoureux de l’Egypte

Autor: Robert Solé

Tradução: Bluma Waddington Vilar

Ano de publicação (Brasil): 2003

Editora: Ediouro

Cidade: Rio de Janeiro

ISBN: 85-00-01302-8

Palavras-chave: Egito, civilização, dicionário

 

Para quem quer saber mais:

No dia 22/07/2010, as 14h00, estarão disponíveis através do meu Twitter algumas das citações do livro, para receber as atualizações é só se cadastrar no twitter.com, entrar na minha página e clicar em “seguir” (follow).