Egito dará aulas de hieróglifos para alunos do ensino fundamental e médio

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

O Egito irá introduzir o estudo de hieróglifos egípcios nos currículos do ensino fundamental e médio, de acordo com um comunicado do Ministério da Educação egípcio esse mês.

A novidade será aplicada em 2021. A proposta é educar os alunos sobre a história do Egito Antigo e conscientizá-los sobre a importância de entender seu próprio passado e familiarizá-los com o estudo científico e assim colocar mais egípcios na carreira acadêmica de Egiptologia. De acordo com a proposta apresentada, o esperado é que existam mais estudantes preparados para a vida universitária em 2030.

Os professores de estudos sociais da quarta série do ensino fundamental já estão sendo treinados através de um programa de cooperação entre a Biblioteca Alexandrina (representada pelo Centro de Estudos da Caligrafia) e a Direção de Educação de Alexandria (representada pela Administração Geral da Educação).

Outro ponto importante é que o Centro de Estudos de Caligrafia da Biblioteca Alexandrina publicou um livro intitulado “Palavras da Vida no Antigo Egito: Hieróglifos para Crianças” tanto em árabe como em inglês. A obra é indicada para crianças de 9 a 14 anos. 

  • Para quem tem curiosidade em aprender um pouco sobre tradução de hieróglifos egípcios, um colega meu escreveu uma gramática super completa. E o melhor? Em português! trata-se de “Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico” (Ronaldo Guilherme Gurgel Pereira). Confira neste link: https://amzn.to/3bdre0Q

Fontes:

Egypt to introduce hieroglyphs into educational curricula next year. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/100553/Egypt-to-introduce-hieroglyphs-into-educational-curricula-next-year >. Acesso em 5 de abril de 2021. 

BA organizes hieroglyphics training courses for teachers of Egypt’s primary schools. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/100813/BA-organizes-hieroglyphics-training-courses-for-teachers-of-Egypt%E2%80%99s-primary >. Acesso em 12 de abril de 2021. 

[Evento] Ankhesenamon: O que já se descobriu sobre a esposa de Tutankhamon

Há mais de 3.000 uma intriga palaciana parece ter ocasionado o fim de uma dinastia: uma rainha viúva pode ter apelado para um país estrangeiro em busca de um príncipe para torná-lo rei; Essa história foi narrada pelos hititas, inimigos declarados dos egípcios durante a 18ª Dinastia. A rainha? Alguns pesquisadores acreditam se tratar de Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon, um faraó que morreu aos 18 ou 19 anos de idade.

E será a história dessa mulher o tema da minha palestra, “Ankhesenamon: O que já se descobriu sobre a esposa de Tutankhamon”.

Ankhesenamon em féretro dourado encontrado na KV-62

Aqui, além de saber todos os detalhes já descobertos sobre a vida e reinado dessa rainha, vocês conhecerão um pouco sobre a situação das mulheres no Egito Antigo:

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Quase 600 sepulturas de gatos e cães são encontradas próximas de porto egípcio no Mar Vermelho

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Recentemente foi a anunciada no Egito a descoberta de mais de 600 covas onde estavam sepultados cães e gatos. Para alguns leitores isso pode soar estranho e talvez até cruel, já que não é um pensamento incomum relacionar sepultamentos de tantos animais com sacrifícios. Porém, esse não é o caso.

Uma equipe de arqueologia da Academia de Ciências da Polônia, que estava trabalhando no porto romano de Berenice, costa do Mar Vermelho, desenterrou 585 animais, que compreendem principalmente cães e gatos.

O destaque em vermelho aponta a área do cemitério.

Eles já tinham encontrado esse cemitério sob um lixão romano, fora dos muros da cidade, em 2011. O que descobriram na época foi que o cemitério parece ter sido usado entre os séculos I e II d.E.C, quando o porto de Berenice era utilizado pelos romanos para o transporte e comércio de marfim, tecidos e outros produtos de luxo da Índia, Arábia e Europa.

O que se sabe atualmente é que essas sepulturas tratam-se de túmulos individuais para cada bichinho e vários deles estavam cobertos com tecidos ou pedaços de cerâmica, “que formavam uma espécie de sarcófago”, esclareceu a arqueóloga Marta Osypinska, coordenadora da equipe, ao portal Science. Outro detalhe é que nenhum dos animais foi mumificado: vale lembrar que a partir do século I o Egito já tinha saído da era dos faraós e muitos costumes estavam sendo deixados para trás.

As pesquisas arqueológicas foram conduzidas de 2011 a 2020 e no total foram descobertos 536 gatos, muitos usando colares de ferro ou colares com rosca de vidro e conchas. Um felino em especial foi colocado na asa de um grande pássaro. Já 32 são cães e o restante são restos de outros animais, especialmente dois macacos de espécies distintas (inclusive um deles, que foi sepultado na seção central do cemitério, foi acompanhado pelos corpos de três gatos).

(a) esqueleto de um cachorro; (b) gato; (c) macaco.

A forma de sepultamento foi praticamente semelhante: uma característica clara foi a colocação intencional do animal em uma posição que parecesse que ele estivesse dormindo.

Alguns gatos têm ossos fraturados o que pode ter sido causado por quedas ou por serem chutados por cavalos ou pessoas, por exemplo. Essas fraturas foram medicadas e saradas. Outros morreram jovens, possivelmente de doenças infecciosas. Já dentre os cães têm aqueles que padeceram graças a velhice, se encontrando sem a maioria dos dentes ou sofrido degeneração articular. Essa ausência dos dentes junto com idades tão avançadas são detalhes muito interessantes, uma vez que esses animais precisariam receber alimentos amassados ou líquidos para poder se alimentar. Ou seja, alguém, há mais de 2000, se preocupou em separar alguns minutos do seu dia para preparar a comida do seu bichinho idoso.

Coleiras e contas encontradas ao lado de gatos, bem como os acessórios de um enterro de macaco.

Outro detalhe interessante é que os cães descobertos até o momento eram de tamanho médio, corpo esguio e um crânio longo. Porém, uma descoberta única foi feita: um deles, o menor de todos, foi uma cadelinha de pequeno porte de tipo maltês. O “maltês” de Berenice foi a única cachorrinha de colo descoberta até hoje no Egito. Ela possivelmente veio de outro continente.

O arqueólogo Wim Van Neer, do Instituto Real Belga de Ciências Naturais, que estudou a relação entre pessoas e animais no mundo antigo, inclusive em Berenice, fez alguns adendos. Ele explicou ao Science que é possível que o povo de Berenice valorizasse seus cães e gatos por razões não sentimentais. Como pontuou, um porto com um forte comércio e trânsito de pessoas estaria repleto de ratos, tornando os gatos necessários. E embora alguns dos filhotes no local fossem cães médios, os maiores poderiam ter servido para a guarda. “Não acredito que tenha sido apenas um relacionamento amoroso”, explicou o pesquisador.

O conceito de animais de estimação é algo moderno, mas o sentimento de estima para com uma variedade de animais tem longa história. Sabemos que a relação de estima com os gatos e principalmente com os cães é longa, mas poder vê-la refletida nos cemitérios é como ver uma peça de um grande quebra-cabeças perdido há milênios. A descoberta de cada vez mais indícios antigos dessa relação é um retrato a mais para nós conhecermos e entendermos os nossos antepassados.

Fontes:

Graves of nearly 600 cats and dogs in ancient Egypt may be world’s oldest pet cemetery. Disponível em < https://www.sciencemag.org/news/2021/02/graves-nearly-600-cats-and-dogs-ancient-egypt-may-be-world-s-oldest-pet-cemetery >, acesso em 28 de fevereiro de 2021.

ANCIENT PETS. The health, diet and diversity of cats, dogs and monkeys from the Red Sea port of Berenice (Egypt) in the 1st-2nd centuries AD Disponível em < https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/00438243.2020.1870545 >, acesso em 3 de março de 2021.

[Evento] Entenda Saqqara: uma das mais antigas necrópoles do Egito

Há 5 mil anos existia no noroeste da África uma cidade chamada Ineb-Hedi. Cercada por uma muralha branca, ela foi a primeira capital do Egito unificado e assistiu nascer e morrer vários reis e rainhas. Alguns desses governantes foram sepultados em seus arredores, em locais que chamamos atualmente de “necrópoles” (Cidades dos mortos) e uma dessas necrópoles foi Saqqara.

Saqqara tem chamado a atenção nos últimos meses, graças a descoberta de um templo funerário e mais de 100 sarcófagos lacrados. Mas, ela não se resume a isso: lá é possível encontrar uma dezena de cemitérios para animais e ainda a pirâmide mais antiga do Egito.

Quer embarcar no mundo de uma das mais notáveis necrópoles egípcias? Ela será a protagonista do nosso encontro “Entenda Saqqara: uma das mais antigas necrópoles do Egito”:

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A análise da múmia de Seqenenre-Tao II: os aterrorizantes minutos finais de um faraó

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Essa foi uma notícia quente nas minhas redes sociais e a qual só estou trazendo agora para vocês aqui no Arqueologia Egípcia. Essa pesquisa foi iniciada em 2019, mas concluída agora no início de 2021. A questão é que finalmente saiu o resultado da tomografia da múmia do faraó Seqenenre-Tao II (tanto faz você escrever “Tao” ou “Taa”). E ela confirma o que já sabíamos, que ele teve uma morte muito violenta. Contudo, existe um adendo nessa história: ele foi executado enquanto indefeso!

Vamos por partes!

Seqenenre-Tao II foi esposo da rainha Ahhotep I e ambos governaram o sul do Egito, a partir de Tebas, durante o Segundo Período Intermediário, na 17ª Dinastia. O Segundo Período Intermediário é uma época histórica conhecida por dinastias que reinaram concomitantes. No caso da época de Seqenenre-Tao II, o qual pertencia a uma dinastia tebana, ele reinou ao mesmo tempo que uma dinastia de estrangeiros conhecidos como “heqau-khasut”.

“Heqau-khasut’ é um termo do egípcio antigo que significa “governantes das terras estrangeiras”. Essa palavra, séculos mais tarde, foi transformada pelos gregos em “hicso”. Os hicsos eram povos asiáticos, possivelmente pastores, que ocuparam o norte do Egito, especificamente Avaris, assumindo-a como capital do seu reino.

— Vocês podem conhecer um pouco sobre os Períodos Intermediários através desse vídeo:


Devido a força militar de seus oponentes, os governantes de origem egípcia deveriam pagar tributos aos hicsos. E sabemos, graças a um papiro chamado “The Sallier I; Papyrus I”, que existiam grandes hostilidades entre o rei hicso Apófis e o Seqenenre-Tao II. De acordo com o texto, o Apófis enviou uma mensagem agressiva para Seqenenre-Tao II insinuando que os hipopótamos da piscina de Tebas eram muito barulhentos e perturbavam seu sono em Aváris (a 644 km de distância). Na mensagem ele também exigia que a piscina fosse destruída.

Não sabemos como texto acaba (a parte final nunca foi encontrada), mas sabemos que Seqenenre-Tao II reuniu seu conselho e juntos decidiram que declarariam guerra aos hicsos.

Temos pouco, mas bons registros arqueológicos da época que relatam os passos dados pelos egípcios, pelos dos hicsos e até pelos núbios, que também se envolveram na guerra.

Entretanto, os textos históricos não nos dão uma luz acerca do que ocorreu exatamente com o Seqenenre-Tao II. Ele simplesmente some dos dados históricos, o que geralmente significa morte. E isso fica comprovado pelo fato de que o seu filho mais velho, Kamose, assume o trono, mas ele também não vive por muito tempo. Foi então que um outro filho de Seqenenre-Tao II, Ahhmose, subiu ao o trono, mas, devido a sua idade, é a rainha Ahhotep I quem assumiu o governo como regente e expulsa por fim os hicsos do Egito, abrindo assim o Novo Império.

O destino de Seqenenre-Tao II foi um completo mistério até 1881, quando o governo egípcio, após uma longa investigação acerca de uma família de saqueadores de tumbas, chega ao esconderijo de Deir el-Bahari, em Tebas, onde mais de 40 múmias foram encontradas, dentre elas, essa aqui:

Essa múmia foi desembrulhada anos mais tarde, em 9 de julho de 1886 por um arqueólogo chamado Gaston Maspero, que na época era diretor do Serviço de Antiguidades. Na ocasião ele estava acompanhado por um médico cirurgião chamado Daniel Fouquet.

Foi durante esse desenfaixamento que Maspero descobriu que essa múmia era ninguém mais, ninguém menos que Seqenenre-Tao II, porque o seu nome estava escrito entre as bandagens, as quais ainda eram as originais. E um detalhe importante foi relatado pelos dois: tanto Maspero como Fouquet relataram um odor de decomposição saindo da múmia, assim como lesões graves na cabeça.

— Sobre a descoberta das múmias no esconderijo de Deir el-Bahari:

Em 1906 a múmia foi analisada mais uma vez, porém agora por Grafton Elliot Smith, um professor de anatomia. Ele também pontuou a presença das terríveis feridas na cabeça, mais, complementou as informações alertando para a ausência de ferimentos nos braços e no resto do corpo.

Damos então um salto na história para a década de 1960, quando a múmia passou por um exame de raio-x, que confirmou cinco ferimentos graves na cabeça.

Olhando somente para essas informações, estava claro que algo terrível tinha ocorrido com ele, mas, o estado de suas mãos sempre foi uma incógnita.

Então, em 2019, o arqueólogo egípcio Zahi Hawass anunciou que estava trabalhando em uma análise da múmia, que passaria por uma tomografia computadorizada. Essa tomografia, esperava-se, daria uma visão mais ampla do estado da múmia, além das circunstâncias que circundam sua morte.

Atualmente a múmia está no Museu do Cairo e em breve será transferida para o Museu Nacional da Civilização Egípcia de Fustat. Um detalhe que pouca gente sabe é que por baixo do tecido que a cobre, a múmia está totalmente desarticulada. Ela foi destruída provavelmente na época de Maspero.

Ela passou pelo tomógrafo no dia 4 de maio de 2019, tomógrafo esse que estava em um caminhão estacionado no jardim do Museu Egípcio. Paralelamente, como já existia a desconfiança de que o rei tinha falecido em um contexto de batalha, por conta da aparência da sua múmia e o histórico da sua época, a equipe separou algumas armas que foram encontradas em um sítio arqueológico hicso no Egito e cuja a datação é de justamente da época de Seqenenre-Tao II.

Essas armas, que foram descobertas por uma equipe de arqueologia austríaca, e que hoje estão no Museu Egípcio do Cairo, são provenientes de Tell el Dabaa. Elas foram medidas e seus formatos foram analisados. O intuito era fazer um comparativo com as feridas do rei. Foram três punhais, um machado de batalha e uma ponta de lança. Vamos aos pontos principais descobertos pela pesquisa:

  • A tomografia aponta que ele tinha cerca de 40 anos quando morreu;
  • Alguns ferimentos do crânio já eram conhecidos, mas, com as imagens obtidas através da tomografia foram identificados outros ferimentos. Eles estavam ocultos por camadas de material de mumificação, os quais foram aplicados pelos embalsamadores para esconder as feridas;
  • A análise da posição e ângulo dos ferimentos possibilitou identificar que mais de uma pessoa atacou o rei e que em um dado momento ele estava sentado ou ajoelhado;
  • Os pesquisadores não conseguiram definir exatamente todas as armas usadas durante o ataque. Mas, ao menos a ferida da bochecha esquerda e a que está acima da sobrancelha direita, foram provocadas por um machado de batalha hicso; O ferimento da testa teria sido causado por uma arma com uma lâmina bem larga. Mas, essa não seria uma arma hicsa, mas, egípcia; O trauma no nariz do rei teria sido causado por uma vara grossa; Já a lesão no processo mastoide esquerdo e na base do crânio poderia ter sido causada por uma lança;
  • Embora tenha sido mais de um agressor, Seqenenre-Tao II não se defendeu dos ataques;
  • As mãos deformadas não seria nenhum problema congênito: a sua aparência seria um indicativo de que ele foi preso com elas atadas as suas costas e na hora da morte sofreu um “espasmo cadavérico”;
  • Alguns veículos de imprensa sugeriam que tratou-se de uma “execução cerimonial”, o que não é sugerido em momento algum no artigo original da pesquisa. A hipótese de “execução cerimonial” provavelmente surgiu por conta do contexto histórico: ela era amplamente propagada pela história do Egito (inclusive é representada na Paleta de Narmer) e tinha o intuito de demonstrar poder. Porém, reitero que em nenhum momento o artigo sugere isso;
  • Os embalsamadores só evisceraram o corpo, não removeram o cérebro;
  • Isso ocorreu porque o corpo, quando recuperado, já estava em meio ao processo de decomposição. O cérebro, por exemplo, estava desidratado e deslocado para o lado esquerdo: isso é um indício de que o corpo ficou deitado sobre o lado esquerdo por muito tempo, antes de recuperado pelos egípcios;
  • A sugestão é de que o rei morreu longe de casa, possivelmente em campo de batalha, por isso da demora para ser recuperado;
  • Porém, apesar de um cenário caótico de um campo de batalha, o rei não foi mal mumificado, pelo contrário, os indícios apontam que a mumificação foi realizada em uma oficina de mumificação da realeza.

Fonte:

Computed Tomography Study of the Mummy of King Seqenenre Taa II: New Insights Into His Violent Death. https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fmed.2021.637527/full?utm_source=fweb&utm_medium=nblog&utm_campaign=ba-sci-fmed-pharaoh-seqenenre-taa-CT-scan-cause-of-death

RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. Londres: Routledg. 1999.

Você quer estudar o Egito Antigo? Então, é uma boa ideia aprender a falar os nomes de sítios arqueológicos egípcios!

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Não faço ideia de quantos de vocês me seguem no Instagram e no YouTube, mas, a questão é que eu tenho tido aulas de árabe egípcio, justamente porque uma das minhas metas de 2021 é aprender árabe. Eu espero um dia ser coordenadora de escavações no Egito (uma meta um pouco mais distante, confesso) e não quero ir falando somente inglês, mas também quero o árabe em minha bagagem. E isso é coisa minha, porque, do meu ponto de vista, se estou indo analisar a cultura de um outro país, mesmo que tenha a ver com uma história tão pretérita, como é o caso do Egito Antigo, o mínimo que devo fazer é aprender ao menos o básico da língua dos descendentes.

Pirâmide de Khufu. Foto: Nina Aldin Thune via Wikimedia Commons.

E foi pensando em inspirar vocês que gravei um vídeo muito divertido com o meu professor, o Mostafa, que não só me ensinou como falar os nomes de vários sítios arqueológicos em árabe (o que revelou altas surpresas), como também contou algumas curiosidades sobre o país… Além de uma dica de viagem preciosa…

Quem assistir ao vídeo entenderá:

A experiência que estou tendo com as aulas são simplesmente únicas. E estou muito feliz que já comecei a reconhecer alguns termos em árabe durante as conferências de imprensa do Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito. Sério! Começar a entender, mesmo que pouquinho, o que é dito em árabe é bem emocionante!

Daí, igualmente a muitas das atividades as quais participo, sempre vejo o que posso estar trazendo para vocês. Pois bem, conversei com a escola onde estou estudando e eles ofereceram um código de desconto onde vocês poderão aplicar tanto para aulas de árabe, como para o inglês. É esse aqui: ARQUEOLOGIA35OFF

Vocês precisam aplica-lo nesse link:  https://www.englishathomeofficial.com/

Eu simplesmente estou amando a experiência e estou empolgada com o futuro… Será que meu primeiro projeto no Egito será escrito em árabe? Espero que sim!

Bom, nos vemos por aí! E para quem for se matricular: bons estudos!

Pesquisadora brasileira está em organização de evento internacional de Egiptologia

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Para quem frequenta esse site há muito tempo já está cansado de me ouvir falar que infelizmente aqui no Brasil não existe uma cadeira acadêmica de Egiptologia (ao menos não formalmente). Os alunos interessados na área e que não possuem condições de estudar fora do país, sempre precisam procurar alternativas para se especializar em Egito Antigo. Nessa pequena gama de alternativas está assistir a cursos de extensão, palestras e seminários para ir aos poucos complementando seu currículo, ou agregando conhecimento.

Então, para a nossa felicidade, as pesquisadoras Thais Rocha (Universidade de Oxford e Universidade de São Paulo) e Linda Hulin (Universidade de Oxford) estão organizando, com o apoio da Egypt Exploration Society, uma série de seminários intitulado Being Egyptian (Ser Egípcio). A Thais Rocha é a brasileira do time e faz parte do Amarna Project. Clique aqui e conheça o trabalho dela.

O Being Egyptian tem como objetivo explorar e discutir as experiências dos antigos egípcios em sua terra natal, assim como em outras partes do domínio egípcio. E sempre tendo em vista debates sobre a cultura material, mais especificamente as edificações domesticas (casas e o ambiente do lar). A proposta da iniciativa é lançar uma série de seminários voltados para estudantes, pesquisadores e curiosos.

Infelizmente os seminários serão em inglês, mas sempre que possível estou anunciando eventos em português sobre o Egito Antigo aqui no site. Então fiquem de olho! Vou até aproveitar para fazer um jabá: Sabem o English at Home? Então, essa escola está oferecendo um cupom de desconto para os seguidores que possuem interesse em aprender árabe ou inglês! Vocês só precisam aplica-lo nesse link:  https://www.englishathomeofficial.com/

O código é esse aqui: ARQUEOLOGIA35OFF

Voltando ao Being Egyptian, os seminários terão início agora em março e serão gratuitos. Veja abaixo os temas:

  1.   Expressing home: the emotional aspect of dwelling
  2.   The Egyptian house
  3.   What is domestic space?
  4.   Sensory approaches to domestic life
  5.   Ethnographies of houses
  6.   Summing up and moving on

Importante:

Todas as salas possuem capacidade limitada para ouvintes, portanto, inscrevam-se apenas se tiverem certeza de que poderão participar.

Para informações sobre inscrições, datas e seminaristas, acesse esse link: https://www.ees.ac.uk/News/being-egyptian

Bons estudos!

Dica de vídeo:

O Grande Museu Egípcio: 98% do edifício está pronto!

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Após uma longa espera, o governo egípcio já pode dizer que 98% do edifício do Grande Museu Egípcio está pronto, apesar da pandemia do coronavírus, que causou grande atraso nas obras. A notícia foi dada pelo Ministro Adjunto do Turismo e Antiguidades, Al-Tayeb Abbas, durante sua participação em um programa do canal Extra News.

Abbas ainda anunciou que artefatos pertencentes ao faraó Tutankhamon serão postos nos expositores nos próximos dias. Farão parte da exposição cerca de 5.000 artefatos pertencentes a Tutankhamon, sendo que 2.000 deles serão exibidos pela primeira vez.

Construído próximo às Pirâmides de Gizé o Grande Museu Egípcio, que possui aproximadamente 500.000 metros quadrados, abrigará a maior coleção de antiguidades do mundo pertencentes a uma única cultura.

O investimento total do projeto é de cerca de um bilhão de dólares, de acordo com relatos da imprensa local. O Egito projeta que a abertura do museu promoverá um salto notável no turismo.

Não se sabe ainda a data da inauguração do museu devido a pandemia, mas espera-se que ocorra durante esse ano de 2021.

Fonte:

Grand Egyptian Museum has finalized 98% of engineering facility construction, says official. Disponível em < https://www.egyptindependent.com/grand-egyptian-museum-has-finalized-98-of-engineering-work-says-official/ >, acesso em 14 de fevereiro de 2021.

Cervejaria de mais de 5.000 anos é encontrada no Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Uma equipe de arqueologia (composta por egípcios e norte-americanos) que está trabalhando em Abidos (Egito), mais especificamente em Sohag, descobriu evidências do que pode ser o mais antigo espaço de produção de cerveja em escala industrial do mundo [1]. Indícios de elaboração de cerveja já é encontrado no Egito datado de cerca de 6.000 anos, mas não em uma escala industrial como a dessa descoberta.

Essa cervejaria já era conhecida por arqueólogos britânicos que a escavaram no início do século 20, contudo, a localização exata foi perdida [1][2].

O secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Mostafa Waziri, esclareceu que a cervejaria consiste em, pelo menos, oito grandes instalações semi-subterrâneas e possui cerca de 5.000 anos (ou seja, pertencendo à Dinastia Tinita) [1].

Seu tamanho (cerca de 20 m de comprimento × 2,5 m de largura × 40 cm de profundidade) é sem precedentes para a época. Ela certamente produziu milhares de litros de cerveja (aproximadamente 22.000 litros por lote), que provavelmente era fornecida para os cultos funerários dos primeiros reis do Egito. Cada instalação da cervejaria continha cerca de 40 grandes cubas de cerâmica (cerca de 65-70 cm de diâmetro, 70 cm de profundidade), dispostas em duas filas e mantidas no lugar por anéis de escoras de barro (imagem 3)” [1]. Essas cubas eram usadas para aquecer a mistura de grãos e água em um processo chamado “maceração”, momento em que os ingredientes fermentavam para produzir a cerveja [1].

De acordo com a arqueóloga e egiptóloga Deborah Vischak, da Universidade de Princeton, essa cervejaria estava localizada em uma vasta área desértica reservada exclusivamente para o uso dos primeiros reis do Egito; incluindo Narmer, possível unificador do Egito (representado pelo mítico Menés). Esses antigos reis utilizaram Abidos para estabelecer sua necrópole real e seus templos funerários, os “recintos cúlticos” [1]. Outro ponto importante é que a equipe encontrou provas do uso de cerveja em rituais de sacrifício (o comunicado de impressa do Ministério de Turismo e Antiguidades não esclareceu se tratam-se de sacrifícios humanos ou de animais).

Caso tenham curiosidade em saber sobre a produção de cerveja na antiguidade egípcia, tenho um texto (e vídeo) sobre: http://arqueologiaegipcia.com.br/2017/03/06/a-cerveja-no-egito-antigo-desde-a-intoxicacao-ao-seu-uso-religioso/

Vale conhecer:

Fragmentos de cerâmica usados ​​pelos egípcios para fazer cerveja e datados de 5.000 anos foram descobertos em um canteiro de obras em Tel Aviv (Israel). A notícia foi dada pelas Autoridades de Antiguidades de Israel em 2015.[2]

Fonte:

[1] In Photos: The world’s oldest industrial-scale brewery may have been uncovered in Egypt. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/403976/Heritage/Ancient-Egypt/The-world%E2%80%99s-oldest-industrialscale-brewery-may-hav.aspx >, acesso em 13 de fevereiro de 2021.

[2] Egypt unearths ‘world’s oldest’ mass-production brewery. Disponível em < https://www.aljazeera.com/amp/news/2021/2/14/egypt-unearths-worlds-oldest-mass-production-brewery >, Acesso em 14 de fevereiro de 2021.

الكشف عن ما يعتقد أنه أقدم مصنع لصناعة الجعة بأبيدوس. Disponível em < http://www.antiquities.gov.eg/DefaultAr/pages/NewsDetails.aspx?newsid=2491 >, acesso em 14 de fevereiro de 2021.

Língua de ouro é encontrada onde acredita-se estar sepultada a rainha Cleópatra VII

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

E temos notícias da arqueóloga Kathleen Martinez, aquela que está há alguns anos procurando pela tumba da rainha Cleópatra VII em Taposiris Magna (Egito), que fica a uns 30 quilômetros de Alexandria. Não! Ela não encontrou a tumba de Cleópatra, mas encontrou restos humanos e artefatos datados do Período Greco-Romano.

Kathleen Martinez

Martinez é dominicana e comanda uma missão de arqueologia no Egito através da Universidade de Santo Domingo. O anúncio é de que ela encontrou na área da necrópole de Taposiris Magna o total de 16 catacumbas cortadas na rocha. O que esperamos é que esses corpos, que datam do período greco-romano, nos dê detalhes sobre a vida, saúde e alimentação durante o Período Ptolomaico.

Um dos detalhes mais interessantes dessa descoberta é que foram encontradas línguas feitas de ouro, na foto abaixo vocês poderão ver uma entre o maxila e mandíbula desse esqueleto. Esses artefatos faziam parte de um ritual para garantir que os falecidos pudessem falar na outra vida.

Esqueleto com língua de ouro.

A arqueóloga chegou a explicar que entre os achados mais importantes estão duas múmias que estão acompanhadas por restos de pergaminhos e partes de cartonagem (um material feito de gesso e linho) possuem a representação do deus Osíris, senhor do mundo do além vida. Uma das múmias está usando a Coroa Atef (que vocês podem ver nas representações do deus Osíris), acompanhada de chifres dourados e uma cobra na testa. Também usa um colar usekh e um peitoral retangular dourado. Imagens desse sepultamento não estão disponíveis.

Outro detalhe interessante que ela salientou é que todos os corpos encontrados tinham as cabeças orientadas a oeste, em direção ao templo. O oeste tinha uma conotação religiosa bastante importante para os antigos egípcios, já que era o território dos mortos.

Oito esculturas de retratos em mármore, representando características faciais, também foram descobertas. Todas também datam do período greco-romano.

Esculturas de retratos em mármore.

Vale ressaltar que durante a última década essa missão encontrou uma série de moedas com o nome e a imagem da rainha Cleópatra VII (encontradas dentro das paredes do templo), além de muitas partes de estátuas.

Dica de leitura:

☥ Cleopatra: The Search for the Last Queen of Egypt

Fonte:

New artefacts unearthed at Taposiris Magna in Alexandria. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/399915/Egypt/Politics-/New-artefacts-unearthed–at-Taposiris-Magna-in-Ale.aspx >. Acesso em 29 de janeiro de 2021.