As 9 melhores descobertas arqueológicas de 2017 sobre o Egito Antigo

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Caso você tenha caído de paraquedas aqui neste post ou simplesmente não tem o habito de ler sites ou blogs: o Arqueologia Egípcia é um site dedicado a trazer textos, vídeos, fotos e notícias sobre as pesquisas relacionadas com o Egito Antigo. Aqui até existe uma aba especial dedicada às novidades. É lá onde se encontram as notícias sobre descobertas arqueológicas associadas com a história egípcia e foi de onde tirei as 9 pesquisas que foram tidas como as mais interessantes, chamativas e legais de 2017.

Contudo, antes de dar início a lista, devo explicar que usei o termo “melhores” no título para resumir as mais magnificas do ponto de vista não só dos acadêmicos, mas do público. Sou da turminha da Arqueologia que considera toda e qualquer descoberta arqueológica passível de ser interessante para o entendimento do passado. Abaixo, as descobertas selecionadas:

 

1: Descoberta de imagens de embarcações:

Uma equipe de arqueólogos encontrou, gravadas na parede de um fosso em Abidos, gravuras representando uma frota egípcia. No local, que fica próximo ao túmulo do faraó Sesostris III (Médio Império; 12ª Dinastia) foram contados nos desenhos 120 navios, desenhados sobre uma superfície de gesso. Alguns são bem detalhados, contendo informações como remos e timões.

Foto: Josef Wegner

Neste caso não se sabe quem fez estas gravuras, mas ao menos duas teorias foram levantadas: a de que foram feitas pelos próprios trabalhadores que construíram o fosso ou que tenha sido a ação de vândalos. É né… Vai que.

 

2: Sepulturas de crianças egípcias revelam desnutrição generalizada:

Esta provavelmente é uma das descobertas mais chocantes. Uma arqueóloga da Universidade de Manchester, em sociedade com a Missão Arqueológica Polaco-Egípcia, fez uma série de descobertas perturbadoras em Saqqara: eles encontraram corpos de crianças que parecem ter sofrido grave anemia, cáries dentárias e sinusite crônica.

Foto: Iwona Kozieradzka-Ogunmakin

Através dos seus estudos, a arqueóloga foi capaz de estabelecer que a criança mais jovem encontrada no cemitério tinha algumas semanas de idade e as mais velhas 12 anos, mas a maioria tinha entre três e cinco anos.

 

3: Fragmentos de uma estátua colossal:

Esta foi um hype! A historinha é a seguinte: Uma missão egípcia-alemã, que está trabalhando em El-Mataria (Cairo), antiga Heliópolis, desenterrou partes de duas estátuas colossais da época ramséssida, no sítio arqueológico de Suq el-Khamis. A princípio acreditou-se que se trataria de Ramsés II, da 19ª dinastia, Novo Império, mas não passou muito tempo até que descobrissem que na verdade era Psamético I, que reinou como rei do Egito durante a 26ª Dinastia, Baixa Época.

Foto: Reuters.

4: Descoberta de tumba de princesa egípcia:

A tumba de uma princesa egípcia foi identificada na pirâmide de Ameny Qemau (13ª Dinastia), na necrópole de Dashur. Nas escavações que revelaram a câmara funerária da princesa foram identificados um sarcófago mal preservado, bandagens e uma caixa de madeira contendo vasos canópicos. Inscrições na caixa indicam que os objetos pertenceram a ela, que por sua vez era uma das filhas do próprio Ameny Qemau.

Foto: MSA

Esta foi uma descoberta que não revelou para a imprensa tantos achados assim, somente informações básicas. Mas o público do site amou muito e compartilhou a notícia extensamente. Então ela está aqui marcando presença.

 

5: Descoberta de faraó pouco conhecido:

Na verdade, esta foi uma descoberta dupla em que a princípio tinha sido encontrada uma pirâmide datada do Segundo Período Intermediário, em Dashur e somente depois foi apontado que ela pertencia a um faraó praticamente desconhecido chamado Ameny Qemau.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Porém, esta história não acaba por aqui: uma outra pirâmide pertencente a esse mesmo governante foi descoberta em 1957, também em Dashur.

 

6: Os mais antigos hieróglifos egípcios:

Uma expedição conjunta entre a Universidade de Yale e o Museu Real de Belas Artes de Bruxelas, que está estudando a antiga cidade egípcia de El kab, descobriu inscrições hieroglíficas com cerca de 5200 anos. São as mais antigas conhecidas.

Foto: MSA.

Os arqueólogos também identificaram um painel de quatro sinais, criados por volta de 3250 aEC e escritos da direita para esquerda — é assim que usualmente os hieróglifos egípcios eram lidos — retratando imagens de animais tais como cabeças de touros em um pequeno poste, seguido por duas cegonhas com alguns íbis acima e entre eles.

 

7: Cabeça de faraó encontrada em Israel:

Uma cabeça de uma estátua retratando um faraó tem intrigado alguns pesquisadores. Isso porque ela foi encontrada em 1995 em Israel na área da antiga cidade de Hazor. Outrora fragmentada ela retrata uma típica imagem de um faraó contendo, inclusive, a serpente ureus, que é uma das insígnias reais egípcias, ou seja, um dos símbolos que demonstram realeza.

Divulgação/Gaby Laron/Hebrew University/Selz Foundation Hazor Excavations.

Em outros anos outras estátuas egípcias também foram encontradas em Hazor e todas fragmentadas no que os pesquisadores concluíram como uma destruição deliberada.

 

8: O maior fragmento de obelisco datado do Antigo Reino:

Uma missão arqueológica — encabeçada por franceses e suíços — que atua em Saqqara encontrou a parte superior de um obelisco datado do Antigo Reino, pertencente à rainha Ankhnespepy II, mãe do rei Pepi II (6ª Dinastia).

Foto: MSA

Ankhnespepy II foi uma das rainhas mais importantes da sua dinastia. Ela foi casada com Pepi I e quando ele morreu casou-se com Merenre, o filho que o seu falecido esposo tinha tido com sua irmã Ankhnespepy I.

 

9: Descoberta da localização de um templo de Ramsés II

A missão arqueológica egípcio-checa descobriu restos do templo do faraó Ramsés II (Novo Império; 19ª Dinastia) durante os trabalhos de escavações realizados em Abusir.

Foto: MSA

A missão já tinha encontrado em 2012 evidências arqueológicas de que existia um templo nesta área, fato que encorajou os pesquisadores a escavar nesta região ao longo dos últimos quatro anos.

 

Deliberadamente deixei a descoberta do “espaço vazio” da Grande Pirâmide de fora pelos motivos citados no vídeo “Espaço vazio dentro da Grande Pirâmide do Egito: Entenda!”:

Agora é a vez de vocês! Qual é a sua descoberta arqueológica do ano de 2017 favorita?

Templo da deusa Ísis é desenterrado por construtores em Banha (Egito)

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

As ruínas de um antigo templo egípcio votivo à deusa Ísis, divindade da magia e protetora do trono real, foram descobertas em medos de novembro (2017) por trabalhadores em um projeto residencial na cidade de Banha, capital da governança de Qalyubiya.

Death and All His Friends

Ísis é a segunda da esquerda para a direita. Imagem meramente ilustrativa.

Os trabalhadores notificaram o ocorrido ao Ministério das Antiguidades, que enviou uma equipe de arqueólogos ao local da descoberta para dar início aos trabalhos de Arqueologia. Tais pesquisas identificaram inscrições que descrevem antigos alimentos egípcios. Também foram identificadas imagens de Ísis e do seu filho, o deus-falcão Hórus.

Horus, Temple of Isis, Philae

Hórus. Imagem meramente ilustrativa.

De acordo com o Egypt Independent, essa descoberta tem a capacidade de colocar esse sítio arqueológico no mapa turístico.

Um historiador local, Ahmed Kamal, professor de História da Universidade de Banha, apontou o potencial histórico dessa área, declarando que é um sítio rico em antiguidades, apesar de ser negligenciado pelo Ministério das Antiguidades. Ele ainda acusou o Ministério de “sabotagem deliberada”, uma vez que, de acordo com ele, o órgão tem negligenciado o local, que possivelmente tem 4.500 anos.

Ísis é uma das divindades mais importantes da Antiguidade egípcia. Seu mito é apresentado quase que na integra na obra “Moralia”, de um grego chamado Plutarco (66 d.E.C.–67 d.E.C.), que visitou o Egito nos anos finais do faraônico. Se você tiver interesse em divindades egípcias no canal do Arqueologia Egípcia irá estrear uma série dedicada aos deuses do Egito Antigo. Fique de olho para conferir. Para saber quando o primeiro capítulo sairá inscreva-se no canal e ative o sino. Link: https://www.youtube.com/arqueologiaegipcia

 

Fonte:

Al-Youm, Al-Masry. Isis temple unearthed by builders in Banha. In: Egypt Independent. Disponível em < http://www.egyptindependent.com/isis-temple-unearthed-builders-banha/ >. Publicado em 17 de novembro de 2017. Acesso em 8 de dezembro de 2017.

 

Múmia praticamente intacta é descoberta em tumba de 3.500 anos no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

No início deste mês foi anunciada a abertura de mais alguns túmulos em Dra 'Abu el-Naga, Luxor (Egito). Os sepulcros, datados da 18ª Dinastia (Novo Império), pertencem a funcionários que atuavam na cidade de Tebas, na época capital do Egito.

Essas tumbas já tinham sido identificadas e numeradas pelo egiptólogo alemão Friederike Kampp-Seyfried na década de 1990. Um dos túmulos, denominado pelo pesquisador como “Kampp 161”, até então não tinha sido aberto por arqueólogos, enquanto o túmulo “Kampp 150” só teve a sua entrada escavada. Contudo, agora eles estão recebendo a devida atenção por parte de uma equipe de arqueólogos egípcios.

Foto: Nariman El-Mofty, Ap for National Geographic (2017)

Os nomes dos seus antigos donos ainda são desconhecidos. Entretanto, acredita-se que a Kampp 150 seja datada do reinado de Tutmés I e muitos selos funerários com os nomes de um homem chamado Maati e sua esposa Mohi foram encontrados na área do pátio. Isso pode sugerir a identificação do ocupante do túmulo. Os arqueólogos também encontraram estátuas de madeira colorida, máscaras funerárias e uma múmia ainda enrolada por suas bandagens, porém, sem a sua cabeça.

Foto: EPA

Foto: Stringer / AFP

A parede ocidental do túmulo apresenta uma imagem retratando um evento social, possivelmente um banquete, com um homem apresentando oferendas ao ocupante do túmulo e sua esposa. Máscaras funerárias de madeira, restos de móveis e um caixão decorado também foram descobertos no túmulo.

Foto: Nariman El-Mofty, Ap for National Geographic (2017)

Já a Kampp 161 acredita-se que seja datada do reinado de Amenhotep II ou Tutmés IV. Isso com base em comparações estilísticas e arquitetônicas com outras tumbas da região.

Fotos: Nariman El-Mofty, Ap for National Geographic (2017)

Ainda existem tumbas esperando ser pesquisas em Luxor, apesar de já conhecidas pelo Ministério de Antiguidades do Egito.

Foto: Stringer / AFP

Fontes:

El-Mofty, Nariman. 3,500-Year-Old Tombs Uncovered in Egypt. One Has a Mummy. In: National Geographic. Disponível em < https://news.nationalgeographic.com/2017/12/egypt-tomb-mummy-naga-archaeology-ancient/ >. Publicado em: 09 de Novembro de 2017. Acesso em 09 de novembro de 2017.

EFE. Encontrados nuevos tesoros egipcios en dos tumbas del Imperio Nuevo. In: La Vanguardia. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/cultura/20171209/433525385521/una-momia-mascaras-o-frescos-entre-los-tesoros-de-2-tumbas-del-imperio-nuevo.html >. Publicado em: 09 de Novembro de 2017. Acesso em 09 de novembro de 2017.

Egypt uncovers ancient tombs at Luxor. In: BBC. Disponível em < http://www.bbc.com/news/world-middle-east-42295162 >. Publicado em: 09 de Novembro de 2017. Acesso em 09 de novembro de 2017.

Artefatos da tumba do faraó Tutankhamon estão vindo para a América

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Como parte das comemorações que ocorrerão nos próximos anos em homenagem aos 100 anos da descoberta da tumba do faraó Tutankhamon, ocorrida em 1922, os artefatos provenientes de sua sepultura entrarão em mais uma turnê no ano de 2018.

Rosto de um dos sarcófagos do Faraó Tutankhamon. Foto pertencente ao acervo da National Geographic. Kenneth Garrett. Setembro de 1998.

A primeira parada da chamada “KING TUT: Treasures of the Golden Pharaoh” (Rei Tut: Tesouros do Faraó de Ouro) será a Califórnia (EUA), no Museu de Los Angeles, onde permanecerá por 10 meses a partir do mês de maio. Depois eles seguirão para a Europa em janeiro de 2019.

Dr. Diane Perlov, Diretora Adjunta de Exposições no Centro de Ciências da Califórnia, comentou que a exposição será “mais uma experiência de tipo imersiva”, pois cada artefato estará acompanhado por uma multimídia que contará como seria o pós vida de Tutankhamon.

Tutankhamun

De acordo com o museu, esta exposição representa a maior coleção de artefatos de Tutankhamon que será exposta para o público fora do Egito. 40% dos itens estão saindo pela primeira vez do pais.

Com o fim desta turnê internacional todos os artefatos do rei terão um novo lar, saindo definitivamente do centenário Museu Egípcio do Cairo, sendo exibidos permanentemente no Grand Museu Egípcio, cujo edifício foi construído perto das Pirâmides de Gizé.

 

Fonte: 

Artifacts from King Tut’s tomb are coming to LA. In: KPCC. Disponível em < http://www.scpr.org/news/2017/11/29/78274/artifacts-from-king-tut-s-tomb-set-for-internation/ >. Publicado em 29 de novembro de 2017. Acesso em 06 de dezembro de 2017.

Saiba mais: https://californiasciencecenter.org/exhibits/king-tut-treasures-of-the-golden-pharaoh

“Cabeça de cristal” foi encontrada em naufrágio próximo de antiga cidade da rainha Cleópatra VII

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Arqueólogos descobriram na Baía de Abu Qir, próximo a Alexandria, três naufrágios que remontam há cerca de 2.000 anos (COLLINS, 2017). Era neste local onde se encontrava a antiga cidade de Thonis–Heracleion (Thonis, como era conhecida pelos egípcios, e Heracleion, pelos gregos), uma das maiores da região e onde na atualidade estão sendo realizados vários descobrimentos arqueológicos.

As descobertas foram feitas durante as escavações do Departamento de Arqueologia Subaquática do Ministério das Antiguidades Egípcias em associação com o Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática.

Moedas de Augusto encontradas. Foto: MSA.

Dentre os artefatos encontrados estão três moedas de ouro que remontam ao primeiro imperador de Roma, Augusto, que governou de 27 a.E.C. a 14 d.E.C. e um busto de cristal que acredita-se representar o general romano Marco Antônio (COLLINS, 2017). Esse personagem histórico é bastante conhecido por sua aliança política e amorosa com a rainha Cleópatra VII. De acordo com os autores da antiguidade ele tirou a própria vida após uma grande derrota contra Octaviano, que mais tarde viria a ser conhecido como Augusto. Ainda de acordo com essas fontes sua morte antecedeu a de Cleópatra VII, que era a única pessoa no poder que conseguia efetivamente manter o Egito longe do domínio romano. Então, com o falecimento da rainha o país passou a ser colônia de Roma.

Cabeça feita em cristal provavelmente pertencente ao general romano Marco Antônio. Foto: MSA.

Existe uma grande possibilidade de que um novo naufrágio seja encontrado nas proximidades graças a presença de várias pranchas de madeira e cerâmicas. Certamente provenientes de outra embarcação da antiguidade (COLLINS, 2017).

 

O passado submerso de Alexandria:

Embora esta região do Egito seja conhecida graças a cidade submersa de Alexandria, ainda existem a já citada Thonis–Heracleion e a cidade de Canopus. As três foram cobertas pelas águas do Mar Mediterrâneo após uma série de catástrofes naturais — entre elas um maremoto — para serem redescobertas somente na década de 1990 (COLLINS, 2017). Foi neste período que as investigações arqueológicas de sítios submersos no Egito tiveram início, tendo como seu primeiro achado a descoberta do antigo porto de Pharos, em Alexandria (JONDET, 1912 apud KHALIL, 2008).

A Arqueologia Subaquática e a busca por… Tesouros?

Acreditar que a Arqueologia Subaquática preocupa-se em adquirir tesouros naufragados tais como baús com dobrões de ouro é um erro comum propagado por anos. E lendo as reportagens sobre esta descoberta em questão o que se nota é que de uma forma geral a visão que ainda se tem desta Arqueologia é que ela é exercida por mergulhadores aventureiros, além de ter como preocupação o resgate do que “estava perdido”. Isto não condiz com a realidade, já que ela deve ser praticada por arqueólogos com certificado de mergulho autônomo e especializados em pesquisas arqueológicas submersas (RAMBELLI, 2002: 32-3).

Cabeça de estátua encontrada em Thonis–Heracleion. Foto: Franck Goddio.

A arqueologia subaquática, independente do país em que é exercida, recebe menos destaque (principalmente em termos de preservação do patrimônio subaquático) que a arqueologia convencional — a realizada em terra —. Sempre confundida com atividades de caça ao tesouro ou vista como algo perigoso, por anos não foi reconhecida por muitos acadêmicos. No Egito a situação é mais complicada graças a uma visão muito “funerária” do país, cuja arqueologia está mais concentrada na limpeza e restauro de sepulturas de Período faraônico.

Contudo, os artefatos encontrados em sítios submersos possuem o mesmo potencial de análise que os encontrados em áreas secas. A diferença é a metodologia utilizada tanto durante as escavações como durante os trabalhos de preservação dos artefatos coletados.

6 missões de Arqueologia Subaquática serão realizadas no Egito este ano (2017)

(Márcia Jamille; Arqueologia Egípcia)

Para saber mais sobre os trabalhos da Arqueologia Subaquática e como ingressar nesta área:

Fontes:

COLLINS, Tim. 2,000-year-old Roman shipwrecks with stunning gold coins and a ‘royal head of crystal’ are discovered off the coast of Alexandria. In: Daily Mail. Disponível em < http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-5104297/Archeologists-Roman-shipwrecks-Egypts-north-coast.html >. Publicado em: 21 de Novembro de 2017. Acesso em 29 de novembro de 2017.

KHALIL, Emad K.Education in Maritime Archaeology: The Egyptian Case Study. Journal of Maritime Archaeology. v. 3, n. 2, 2008, p. 85–91.

RAMBELLI, G. Arqueologia até debaixo d’água. São Paulo: Ed. Maranta, 2002.

Novo livro do Zahi Hawass fala sobre as Pirâmides de Gizé

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

No início deste mês, dia 13, os arqueólogos Zahi Hawass e Mark Lehner realizaram uma cerimônia de assinatura do recém lançado livro “Giza and the Pyramids” (2017) na Universidade Americana no Cairo. Durante a ocasião Hawass aproveitou para comentar sobre a existência de um grande vazio na Grande Pirâmide de Khufu em Gizé, anunciado pelo time da Scan Pyramids. Ele explicou que este anúncio não é novo, nem mesmo uma descoberta.

— Saiba mais: A controvérsia diante do anúncio da descoberta de “espaços vazios” na Grande Pirâmide

Zahi Hawass. Retirado de: Jean-Claude Aunos Photographe. Disponível em < http://www.jca-photo.com/portraits.html> Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

Hawass acrescentou que o livro revela muitos segredos e responde questões relacionadas às pirâmides de Gizé, além das últimas teorias e estudos científicos sobre estes monumentos.

Na noite anterior ao lançamento ele recebeu um prémio da Euro-Mediterranean Partnership (EUROMED), concedido pela primeira vez a um egípcio. Esta homenagem é por seu papel na disseminação do conhecimento sobre o patrimônio egípcio em todo o mundo, incluindo a Europa e os países localizados em todo o Mar Mediterrâneo. Este é um dos grandes prêmios europeus dados a profissionais da área das artes e antiguidades, dentre outras.

Fonte:

Book signing of Zahi Hawass’ ‘Giza and the Pyramids’. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/32340/Book-signing-of-Zahi-Hawass%E2%80%99-%E2%80%98Giza-and-the-Pyramids%E2%80%99 >. Acesso em 13 de novembro de 2017.

Múmia intacta datada do Período Greco-Romano é encontrada em Fayum (Egito)

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Uma missão de arqueologia egípcio-russa, em Fayum, no Sítio Arqueológico de Deir al-Banat (Mosteiro de Al-Banat), descobriu um caixão de madeira com uma múmia datada do Período Greco-romano.

A múmia está em boas condições de preservação e ainda enrolada em linho. Ela também contém a sua máscara mortuária que é feita de cartonagem, pintada em azul e ouro. Na área do seu tórax está uma cena da deusa Ísis.

Apesar da conservação da múmia, o ataúde está em mau estado: além de não possuir inscrições, ele possui rachaduras que se espalham por todo o artefato.

A missão realizou uma conservação preliminar tanto no ataúde como na múmia, para que ela fosse transportada com mais segurança para um outro local, onde será submetida a mais trabalhos de conservação e documentação.

Sítio Arqueológico de Deir al-Banat (Mosteiro de Al-Banat)

A missão russa está trabalhando nesta área há cerca de 7 anos afiliada ao Russian Institute for Oriental Studies e está sob a liderança da Dra. Galina Belova.

Notícia e fotos via comunicado de imprensa do MSA.

464 artefatos arqueológicos egípcios foram recuperados pela polícia

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

No último dia 09/11 foi divulgada a notícia de que a Polícia de Turismo e de Antiguidades da cidade de Fayum (Egito) conseguiu frustar a ação de bandidos que tinham em sua posse centenas de artefatos arqueológicos. A ideia dos ladrões era contrabandear os objetos para comerciantes de antiguidades no exterior.

Durante a ação policial foram recuperados 464 artefatos que somam mais de trezentos ushabtis, 12 estatuetas, faces de madeira, potes cerâmicos e 66 fragmentos de ataúdes.

Não foi esclarecido a qual período histórico essas peças pertencem.

Fonte: 

464 historical artifacts seized by police in Fayoum. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/4/31709/464-historical-artifacts-seized-by-police-in-Fayoum >. Acesso em 13 de novembro de 2017.

 

A controvérsia diante do anúncio da descoberta de “espaços vazios” na Grande Pirâmide

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

No último dia 02/11 a Nature publicou uma matéria anunciando que físicos descobriram um espaço vazio dentro da Grande Pirâmide de Gizé, a última das 7 Maravilhas do Mundo Antigo de pé. De acordo com a matéria, esse espaço foi encontrado através da detecção de múons (MARCHANT, 2017).

Imagem 01: Pirâmide de Khufu. Foto: Nina Aldin Thune via Wikimedia Commons.

A Grande Pirâmide foi o túmulo do faraó Khufu (Queóps), que reinou durante a IV Dinastia (há cerca de 4500 anos) e foi feita com pedra calcária e granito. Em seu interior foram encontradas câmaras, que foram descobertas, na contemporaneidade, no século 19. Elas compreendem a “Câmara da Rainha” e a “Câmara do Rei” que fica abaixo de uma série de saletas chamadas de “câmaras de descarga” ou “câmaras de alívio”, feitas justamente para aliviar o peso da construção (Imagem 02).

Imagem 02: Planta lateral da Grande Pirâmide (Khufu). Foto: DODSON, Aidan. As Pirâmides do Antigo Império (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2007. pág. 78.

Não se sabe exatamente como esta estrutura de 138 ou 139 metros foi construída, mas indícios arqueológicos, inclusive um papiro encontrado em 2013 e exposto no Museu Egípcio do Cairo, dão algumas dicas.

— Saiba mais: Foi descoberta documentação que comenta construção da Grande Pirâmide

A pesquisa que encontrou esse espaço vazio foi realizada pelo Scan Pyramids Mission, um grupo de cooperação Internacional que entrou em ação no Egito no final de 2015.

— Saiba mais: Conheça a “Scan Pyramids Mission”

Em outra ocasião foi comentada aqui no AE que anomalias já tinham sido identificadas na Grande Pirâmide. Mas, que talvez não fosse uma nova câmara, como muitos gostariam, podendo ser uma rampa ou uma grande rachadura, na pior das hipóteses [1]. Por esse motivo o Ministério das Antiguidades do Egito deu a permissão para continuidade dos estudos:

A primeira fase do projeto já passou, onde os pesquisadores fizeram a calibragem dos equipamentos e identificaram algumas anomalias térmicas. Porém, não é possível interpretar corretamente o que são tais anomalias que tanto podem se tratar de uma possível câmara, talvez uma rachadura e ou até mesmo nada. É exatamente por este motivo que a equipe está empregando a união de diferentes ferramentas, pois, uma poderá complementar o “defeito” da outra, ou seja, unidas poderão disponibilizar dados mais consistentes (e consequentemente mais fáceis de interpretar) do que se fosse utilizado somente um equipamento.

Lembrando que já são conhecidas câmaras nas pirâmides, mas a ideia deste projeto é conhecer detalhes estruturais do edifício e se existem salas isoladas.

Conheça a “Scan Pyramids Mission”

 

No caso desse “grande vazio” identificado ser mesmo uma câmara dificilmente ela estaria abarrotada de artefatos arqueológicos. Entretanto, essa talvez seja uma oportunidade de saber mais sobre a construção das pirâmides do Platô de Gizé.

 

Como esta pesquisa foi realizada

Múons são partículas subatômicas semelhantes ao elétron, porém com uma massa maior. A identificação deles no ambiente que envolve uma estrutura arqueológica permite localizar espaços vazios. Isto porque as partículas de múons são parcialmente absorvidas pelas pedras, ou seja, seriam identificadas uma grande concentração de múons em um espaço como o de uma rachadura ou uma sala escondida desconhecida.

E foi esse tipo de concentração notada sobre o “Grande Corredor” (Também chamada de “Grande Galeria”), próximo a um condutor de ar (Imagem 03). A sugestão dada no artigo da Nature é que este espaço possui cerca de 30 metros de comprimento e que teria sido identificado por três análises diferentes.

Imagem 03: “Scan Pyramids Mission”

Controvérsia nos meios de comunicação

Após o artigo da Nature a mídia, em vários países, veiculou erroneamente que este achado se trata de uma “câmara oculta”. Entretanto, o Ministério das Antiguidades demostrou seu descontentamento com o artigo através de um comunicado de imprensa. A queixa é que os pesquisadores tinham dado o anúncio precipitadamente sem consultar o comitê científico do órgão: a preocupação tem relação com a forma desleixada do anuncio ser dado, já que espaços ocos na Grande Pirâmide há anos não é uma novidade (FORSSMANN, 2017).

De acordo com o arqueólogo Zahi Hawass, por exemplo, a Grande Pirâmide por si só é cheia de vazios. E a arqueóloga Kate Spencer, da Universidade de Cambridge, salientou que esse vazio identificado pela a equipe do Scan Pyramids Mission poderia ser uma rampa interna para mover os blocos na época da construção. Essas rampas já são conhecidas na Grande Pirâmide e elas tanto poderiam ser vazias ou ligeiramente preenchidas (FORSSMANN, 2017). Por isso, é precipitado lançar um anúncio sobre o que certamente já existiria como se fosse uma grande novidade e pior ainda já pressupor que são câmaras.

A pesquisa é real, os dados são reais, mas a mídia está criando uma situação desnecessária desenvolvendo a ilusão de que esta é a descoberta do século, única e revolucionária. Na mesma medida a pseudociência tem encarado isso como uma prova de que “câmaras ocultas” juntamente com “mistérios místicos” serão reveladas (KILLGROVE, 2017). Contudo, é uma ideia que sugere a existência de um “mistério” onde provavelmente não existe.

Em uma época de pós-verdade, em que cada usuário da internet cria suas próprias teorias sem se preocupar com as pesquisas feitas durante anos, muitos são os egiptólogos que salientaram sobre a existência de espaços vazios na Grande Pirâmide. Porém, escrever “espaços vazios” é menos instigante para o público do que “câmaras ocultas”.

Desta forma, o grande mérito dessa pesquisa não é a descoberta em si, mas o avanço das ferramentas que proporcionam estudos mais avançados em sítios arqueológicos (KILLGROVE, 2017).

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a construção das pirâmides.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fontes:

MARCHANT, Jo. Cosmic-ray particles reveal secret chamber in Egypt’s Great Pyramid. In: Nature. Disponível em < https://www.nature.com/news/cosmic-ray-particles-reveal-secret-chamber-in-egypt-s-great-pyramid-1.22939#/graphic >. Publicado em: 02 de Novembro de 2017. Acesso em 2 de novembro de 2017.

FORSSMANN, Alec. Controversia ante el hallazgo de “un gran vacío” en la Gran Pirámide de Gizeh. In: National Geographic España. Disponível em < http://www.nationalgeographic.com.es/historia/actualidad/controversia-ante-hallazgo-un-gran-vacio-gran-piramide-gizeh_12060 >. Publicado em: 03 de Novembro de 2017. Acesso em 3 de novembro de 2017.

KILLGROVE, Kristina. What Archaeologists Want You To Know About The Great Pyramid Void. In: Forbes. Disponível em < https://www.forbes.com/sites/kristinakillgrove/2017/11/04/what-archaeologists-want-you-to-know-about-the-great-pyramid-void/#3bc1e68baf9e >. Publicado em: 04 de Novembro de 2017. Acesso em 5 de novembro de 2017.


[1] Possibilidade não muito provável, dado ao tamanho, mas não impossível.

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. Ver imagens de bastidores disponíveis somente no “Descobrindo a Arqueologia”;

. Ter o seu nome incluso nos créditos dos vídeos;

. Ter acesso a textos sobre a antiguidade egípcia ou história mundial;

. Poder assistir a vídeos exclusivos sobre a antiguidade egípcia ou história mundial.

 

Nós esperamos que os fãs possam mostrar o seu suporte e interesse por esse projeto.

Foto de bastidores do vídeo “Arquitetura egípcia | Pirâmides, moradias e o Vale dos Reis

Como se inscrever no Descobrindo a Arqueologia?

É muito fácil! Você pode fazê-lo utilizando sua conta do Facebook ou o seu e-mail (precisa ser válido para poder confirmar a sua inscrição).

Com sua conta já pronta acesse o www.apoia.se/arqueologia e escolha uma das recompensas que estão do lado direito. Aqui você pode escolher pagar qualquer valor do seu interesse. Por exemplo, Atualmente temos cinco valores sugeridos que são R$1,00, R$5,00, R$15,00, R$25,00 e R$30,00 e cada um valendo uma série de recompensas. Entretanto, você pode escolher querer pagar R$7,00 (por exemplo). No ato da sua inscrição na recompensa em vez de deixar o valor de R$5,00, você poderá digitar o número “7”. Mas lembre-se que mesmo contribuindo com um pouco a mais as suas recompensas serão referentes as dos R$5,00.

 

Formas de pagamentos:

É possível pagar com cartão de crédito ou boleto bancário.

No caso do cartão estas são as bandeiras aceitas:

Já o boleto bancário tem um custo de R$2 que será adicionado ao valor do apoio. Então, se o seu apoio for no valor de R$7, seu boleto será gerado com o valor de R$9.

Você irá receber o boleto por e-mail logo após a confirmação do apoio, assim como nos meses seguintes.

Participem e serão recompensados porque novidades esperam por vocês.

www.apoia.se/arqueologia