Imagem das costas do busto de Nefertiti

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Nefertiti é uma das figuras mais icônicas para os (as) fãs do Antigo Egito e é tomada por muitos (as) como um exemplo da beleza egípcia antiga graças ao seu busto encontrado em 06 de dezembro de 1912 no ateliê do artista Tutmés, em Aketaton (atual Amarna).

 

Nefertiti. Fonte da imagem AFP. Disponível em . Acesso em 02 de Outubro de 2012.

Nefertiti. Fonte da imagem AFP. Disponível em <http://www.google.com/hostednews/afp/article/ ALeqM5hdhUI4kP9k3k4OlCPPxsxKIKID_Q>. Acesso em 02 de Outubro de 2012.

 

Já apresentei no post “(Imagem) Busto de Nefertiti” a imagem deste artefato propriamente dito e em “Alguns detalhes do busto da rainha Nefertiti” comento acerca de determinados pontos interessantes a serem observados neste objeto.

Porém, a curiosidade que trago hoje é acerca das costas do item, uma das partes deste artefato que raramente, ao menos para quem nunca viu esta peça pessoalmente, é possível dar uma olhada:

Costas do busto da rainha Nefertiti. Foto de Teresa Soria Trastoy.

Costas do busto da rainha Nefertiti. Foto de Teresa Soria Trastoy.

O busto de Nefertiti pode ser visitado atualmente no Neues Museum de Berlim.

 

Detalhe da criação do cosmo no sarcófago de Butehamon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Embora não exista um texto teológico padrão, as sociedades egípcias do Período Faraônico produziram muitos objetos com finalidades religiosas, especialmente os ligados aos espólios funerários. Alguns destes artefatos contêm pequenas narrativas produzidas em textos ou imagens. Um exemplo são os sarcófagos que não raramente descreviam a jornada do falecido pelo o “Além-Vida”, somado a contos relacionados com algum acontecimento na existência dos deuses. Vejamos aqui os sarcófagos de Butehamon (21ª Dinastia; Terceiro Período Intermediário):

Sarcófagos de Butehamon atualmente no acervo do Museo Egizio di Torino. Imagem disponível em < http://www.flickr.com/photos/menesje/6778256608/in/set-72157606252833160 >. Acesso em 29 de junho de 2013.

 

Estes caixões foram descobertos em Deir el-Medina, no túmulo TT291, na necrópole tebana. Ele está repleto de figuras religiosas, tal como a que vem a seguir:

 

Detalhe da criação do cosmo no sarcófago de Butehamon. Fonte da imagem: MARIE, Rose; HAGEN, Rainer. Egipto. (Tradução de Maria da Graça Crespo) 1ª Edição. Lisboa: Editora Taschen, 1999. P 179

 

Nesta cena em questão é mostrada parte da criação do cosmo (entendido aqui como a “harmonia” do Universo) com a separação do céu (na figura da deusa Nuit) e da terra (representada pelo deus Geb).

 

Alguns pontos para a observação:

 

(1) Nuit, a deusa que representa a abóbada celeste, deita-se sobre a terra, mas é erguida por Shu.

(2) Shu, o ar, separa o céu e a terra. Tanto ao seu lado direito, como o esquerdo, estão  Heh, deidades com cabeça de carneiro.

(3) Geb, a terra, está deitado sobre o chão. Não raramente em cenas da criação do cosmo ele é representado tendo uma ereção, esperando manter o coito com Nuit.

(4) O Ba do falecido Butehamon assiste a cena com reverência.

 

(Imagem) Máscara mortuária de Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa | @Mjamille

Após a sua morte, durante os anos finais da XVIII Dinastia, o faraó Tutankhamon foi sepultado em uma pequena tumba no Vale dos Reis, necrópole real perto de Tebas.

Descoberto praticamente intacto em 1922 pelo arqueólogo inglês Howard Carter, o sepulcro ainda guardava a múmia do faraó com as suas bandagens e sua máscara mortuária, que o representa usando um toucado nemes com as deusas Nekhbet e Wadjyt em sua testa.

Feita em uma mistura de ouro e pedras semipreciosas, este objeto tinha como uma das suas funções além de proteger a cabeça do rei garantir a ele uma jornada tranquila para o além-mundo através das fórmulas sagradas cunhadas em seus ombros.

Imagem frontal da máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

As deusas Nekhbet e Wadjyt na testa da máscara mortuária de Tutankhamon. JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2005. pág. 95.

Face máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem pertencente ao acervo da National Geographic. Kenneth Garrett. Setembro de 1998.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág 234.

Costas da máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 174.

Alguns detalhes do busto da rainha Nefertiti

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Já discuti em outros posts acerca da rainha Nefertiti: em “O Sol e a Família Real de Amarna (IMAG.)” mostro uma imagem dela acompanhada por seu marido Akhenaton e três das suas seis filhas. Em “(Imagem) Busto de Nefertiti” o leitor pode visualizar algumas fotos do famoso busto da rainha que se encontra desde 1912 na Alemanha e que foi solicitado formalmente pelo o governo egípcio em 2011, tendo sido então o pedido negado.

Homenageada por uma marca de cigarros e ganhando até uma customização feita em uma boneca Barbie, pouco se sabe sobre a vida de Nefertiti, mas podemos ter uma ideia a partir das análises feitas da iconografia presente nos talatats encontrados em 1926 em Karnak.

Este busto foi encontrado no dia 06 de dezembro de 1912 no ateliê do artista Tutmés, em Aketaton, acompanhado por outras imagens igualmente realistas tanto da rainha Nefertiti como de alguns cidadãos da corte de Akenaton, os quais a identidade é desconhecida.

Nefertiti. Fonte da imagem AFP. Disponível em <http://www.google.com/hostednews/afp/article/ ALeqM5hdhUI4kP9k3k4OlCPPxsxKIKID_Q>. Acesso em 02 de Outubro de 2012.

Alguns pontos para a observação:

 

 

(1) O núcleo da imagem é feita em pedra calcária onde foi esculpido um rosto rebuscado da rainha e que foi coberto por uma camada de gesso, que serviu para retocar a imagem áspera e como a base para a tinta que imita a cor da pele e os adereços da rainha. No objeto não existe uma identificação nominal que indique que seja Nefertiti, mas o que a identifica como tal é a sua “Coroa Azul”, amplamente utilizada por esta governante.

(2) Outrora na parte frontal da “Coroa Azul” existia uma ureus, uma naja que simbolicamente protegia a divindade (neste caso a Nefertiti). Tanto a serpente, como parte das orelhas e a parte de trás da coroa foram danificadas devido o passar dos séculos.

(3) O olho esquerdo da rainha é inexistente, mas isto não aponta uma deficiência.  Teorias já foram levantadas para tentar justificar a ausência deste olho, uma delas é de que ele não teria sido posto no lugar devido a pressa em se abandonar Amarna (embora seja bem possível que com os reinados de Smenkhará e Tutankhamon o abandono tenha se dado de forma gradual e não imediato) ou de forma proposital, uma vez que o busto só seria uma escultura utilizada como modelo no lugar da rainha quando a presença dela não fosse possível no momento de se fazer outras imagens.

(4) Dependendo de que forma o busto é iluminado é possível ver as rugas da governante, principalmente próximo aos olhos e na área das bochechas, o que faz jus a definição de “realista”, quando definimos alguns dos momentos da arte amarniana.

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Observando um dos primeiros registros fotográficos da tumba de Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Exatamente 90 anos atrás, no dia 4 de novembro de 1922, após retomar a temporada de escavação no Vale dos Reis, Howard Carter tinha registrado em seu diário de campo a descoberta do item “433”, que tinha sido encontrado próximo ao túmulo de Ramsés VI. Aquela seria a sua última expedição ao Vale sob o patrocínio do seu mecenas Lorde Carnarvon, mas o item 433 demonstrava agora o contrário, uma vez que o tal objeto era o primeiro degrau que o levaria até a câmara sepulcral de Tutankhamon (JAMES, 2005, p. 48).

Após entrar na KV-62 (número tombo da tumba), Carter e seus colegas de trabalho, dentre eles o fotografo Harry Burton, encontraram uma mistura de artefatos em quase um completo caos. Como discípulo de Flinders Petrie (conhecido por ser um dos fundadores da Arqueologia com princípios cientificistas e um dos primeiros a adotar a fotografia como um importante registro arqueológico), Carter registrou o estado da tumba antes de remover algum artefato.

A imagem abaixo retrata qual foi a visão de Carter ao entrar na primeira câmara:

Imagem da primeira câmara da KV-62. Foto: Harry Burton.Disponível em < http://www.griffith.ox.ac.uk/gri/carter/gallery/p0686als.html >. Acesso em 20 de Novembro de 2011.

Alguns pontos para a observação:

(1) Além de artefatos ritualísticos, o faraó Tutankhamon foi sepultado também com objetos para o uso comum cotidiano, dentre eles roupas, brinquedos e mobílias como cadeiras e camas.

(2) Em meio aos artefatos exclusivamente para o fim funerário estavam as camas rituais. Exemplos delas só tinham sido encontrados anteriormente em modelos iconográficos ou fragmentadas em outros túmulos reais, porém na tumba de Tutankhamon foram descobertas três e todas em bom estado. Na imagem, a cama apontada é a que representa Isís-mehtet (Que embora seja ligada a imagem de uma leoa, ela neste objeto está com a face de uma vaca – JAMES, 2005, p. 138).

(3) Objetos para viagens também foram encontrados, a exemplo de uma cama dobrável e esta pequena mala no destaque.

(4) Como parte da crença egípcia, alimentos foram organizados e guardados na tumba em caixas ovais, na esperança de que Tutankhamon pudesse desfrutar de uma ótima alimentação no outro mundo.

(5) Caixas organizadoras e cofres também fazem parte do conjunto de artefatos encontrados na KV-62, em um destes pode ser visto uma inscrição falando que conteúdo tinha dentro e para onde ele deveria ser levado.

Fonte:

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2005.

Antigas imagens: Colossos de Memnon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Em 20 de Fevereiro anunciei aqui no Arqueologia Egípcia a pretensão do governo egípcio em por de pé o 3º Colosso de Memnon ao lado da já clássica dupla de estátuas conhecidas (clique aqui e veja a matéria). Neste sábado a terceira estátua já foi posta ereta.

Terceira estátua já de pé (Nota: não suba em artefatos arqueológicos, o que estes rapazes estão fazendo não é aconselhado). Foto: Miguel Ángel López. Disponível em < http://www.rtve.es/noticias/20120303/egipto-levanta-tercer-coloso-memnon/503959.shtml >. Acesso em 3 de Março de 2012.

Veja mais notícias acerca da terceira estátua encontrada:

 

Egypt: International Conference in Luxor to Mark Restoring Amenhotep III Statue. Disponível em < http://allafrica.com/stories/201203021243.html >. Acesso em 3 de Março de 2012.

Egipto levanta el tercer coloso de Memnon. Disponível em < http://www.rtve.es/noticias/20120303/egipto-levanta-tercer-coloso-memnon/503959.shtml >. Acesso em 3 de Março de 2012.

The third colossus of Memnon, rescued from the waters, is already standing. Disponível em < http://www.deltaworld.org/international/The-third-colossus-of-Memnon-rescued-from-the-waters-is-already-standing/ >. Acesso em 3 de Março de 2012.

Grafite de Djedefre filho de Khufu

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

 

Grafite de Djedefra filho de Khufu. Imagem disponível em < http://www.flickr.com/photos/pyramidtexts/5893436562/in/photostream > Acesso em 13 de fevereiro de 2012.

Esta imagem mostra inscrições transmitidas por grafites assinados pelo cartucho do faraó Djedefra, filho e sucessor de Quéops (V Dinastia). Elas podem ser encontradas no 20º bloco de calcário que guardava o primeiro barco de Khufu (Quéops em grego) descoberto em 1954 ao lado da pirâmide também do mesmo faraó.

Djedefra também construiu para si uma pirâmide, mas em Abu Rawash, porém ela não resistiu e ruiu, restando atualmente somente sua estrutura.

Saiba mais sobre a pirâmide de Abu Rawash clicando aqui e aqui (Vídeo em português).

(Imagem) Busto de Nefertiti

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Nefertiti foi a Grande Esposa Real do Faraó Akhenaton e deu a este seis filhas, uma das quais casou com o meio-irmão Tutankhamon. Não se tem certeza de onde Nefertiti teria surgido e qual foi seu fim. Como o seu nome significa “A Bela que Chegou” alguns egiptólogos sugerem que ela seria estrangeira, outros acreditam que ela foi filha de um alto funcionário da corte chamado Ay, que anos depois viria a ser faraó.

A rainha Nefertiti desaparece dos registros escritos de sua época no 14º ano de reinado do seu esposo, e é substituída por sua filha mais velha Meriaton.

Hoje tida como dona de “uma beleza imortal”, a rainha é famosa principalmente devido ao seu busto encontrado em Amarna o que a tornou para nós um ícone da beleza egípcia. Abaixo imagens do busto:

Nefertiti. Imagem disponível em < http://www.csmonitor.com/World/Global-News/2009/1102/germany-time-for-egypts-nefertiti-bust-to-go-home >. Acesso em 17 de Julho de 2011.

Nefertiti. Imagem disponível em < http://www.artknowledgenews.com/germany_says_no.html >. Acesso em 17 de Julho de 2011.

Nefertiti. Imagem disponível em < http://www.allartnews.com/egypt-antiquities-chief-zahi-hawass-to-demand-nefertiti-bust/3300-year-old-bust-of-queen-nefertiti/ >. Acesso em 17 de Julho de 2011.

Nefertiti. Imagem disponível em < http://wallpapers.free-review.net/63_~_Nefertiti.htm >. Acesso em 17 de Julho de 2011.

[Imagem] Anel do faraó Akhenaton

 

Anel do faraó Akhenaton onde podemos ver escrito o seu pré-nome “Nefer-kheperu-Ra Setep-en-Ra”. Encontrado pela Egypt Exploration Society em Amarna. Foto divulgação do World Museum Liverpool.

 

Este anel foi encontrado durante escavações da Egypt Exploration Society em Amarna entre 1932 e 1933. O que está escrito pode ser lido como Nefer-kheperu-Ra Setep-[en]-Ra – Belas são as manifestações de Rá -, que era o pré-nome do faraó Akhenaton. Duas considerações importantes que devem ser feitas acerca do objeto: a primeira é sobre a presença do nome do deus “Rá” (uma das manifestações do deus Sol) e a segunda é que este também era o nome da última das filhas do faraó com a rainha Nefertiti, chamada Setepenrá.

As informações para esta postagem foram obtidas na página de divulgação do World Museum Liverpool no Facebook.