Tumba de Maya na National Geographic

Esta matéria publicada em 2003 na revista National Geographic Brasil conta um pouco sobre a tumba de Maya, o tesoureiro real de Tutankhamon (e que provavelmente foi o responsável pela supervisão do encerramento da tumba do faraó).

Confira o texto com as palavras de Alain Zivie, o arqueólogo responsável pelas pesquisas no sepulcro:

O guardião do tesouro do deus-sol (Edição 43/Novembro de 2003)

A descoberta do túmulo do guardião das finanças do faraó Akhenaton intriga cientistas

 

Por Alain Zivie

Fonte: National Geographic Brasil

O túmulo do guardião do patrimônio dos templos do Egito, no reino do Deus-Sol Akhenaton, há mais de 3,3 mil anos

Muita experiência, intuição e um pouco de sorte fizeram com que eu chegasse até esse túmulo no antigo cemitério de Saqqara.

Com o apoio do Ministério de Assuntos Exteriores da França, eu já encontrara sítios funerários num penhasco da região, inclusive um que pertencera a um alto funcionário de Ramsés, o Grande (consulte “O enviado de paz do faraó”, outubro de 2002) e outro preparado para Maïa, ama-de-leite de Tutankhamon. À medida que minha equipe trabalhava, as pás iam revelando uma abertura na rocha. Assim que a areia foi removida, vi uma capela mortuária sustentada por uma colunata, com uma estela de pedra entalhada. Na escarpa atrás dela, descobrimos dois aposentos cobertos de relevos e uma escadaria levando a uma câmara sepulcral inacabada. Inscrições revelam que o proprietário tinha dois nomes: Raïay e Hatiay. Ele foi um importante administrador dos templos de Aton em Akhetaton (a nova capital) e em Mênfis (a antiga). Ou seja, esse homem cuidava do ouro e das oferendas para Aton em duas das principais cidades egípcias. Suas relações com Akhenaton eram próximas: relevos na tumba refletem a devoção de Raïay à religião extremista do faraó. Mas alguns deles foram modificados, e isso aconteceu provavelmente durante a vida de Raïay. Agora, a pergunta que fica no ar é: por quê?

Lindos relevos, executados pelos melhores artistas do país, enfeitam a tumba de Raïay. Mas sua função não é só decorativa. Envoltos em magia, facilitavam o caminho dele de volta à vida após a morte. Na cerimônia de “abrir a boca,” um sacerdote devolve os sentidos à múmia de Raïay, segura por um parente de luto. Esta imagem mostra que preparativos tradicionais para a vida eterna eram feitos mesmo durante o reinado nada ortodoxo de Akhenaton. Mas, como os textos que acompanham a cena estão de acordo com a adoração do faraó ao deus Aton, referências normais a Osíris, o deus da morte, foram omitidas. De fato, os relevos das paredes da tumba homenageiam apenas Aton.

A estela da entrada da tumba, porém, menciona diversos deuses egípcios. Num painel, Raïay e sua mulher fazem oferendas a Osíris. Inscrições mencionam deuses como Ptah, patrono de Mênfis, e Amon, a quem a esposa de Raïay ofereceu canções sagradas. Essa estela é fundamental para interpretar a tumba. Teria sido colocada depois que Akhenaton morreu, quando Raïay e seus contemporâneos retomaram antigos costumes, sob a autoridade de um novo faraó, Tutankhamon.

Raïay construiu essa tumba para sua mulher e para si mesmo. A esposa aparece sentada atrás dele ofertando flores. Mas ninguém foi enterrado nesse local.

A imagem de Raïay vigia a entrada de uma câmara mortuária inacabada. À medida que o povo deixou de lado as obsessões de Akhenaton, essa tumba provavelmente transformou-se numa ameaça, apesar das alterações feitas. Ao sentir o perigo iminente, Raïay parece ter abandonado o complexo funerário. Inscrições revelam que o nome de sua mulher era Maïa. Seria Maïa a que foi a ama-de-leite do rei Tutankhamon? Se for, será que a influência dela ajudou Raïay a recuperar a confiança real? E será que ele foi, afinal, enterrado em uma tumba ao lado da mulher? As respostas podem estar escondidas no penhasco de Saqqara.

Disponível em < http://viajeaqui.abril.com.br/materias/egito-tumba >. Acesso em 02/11/2011.

 

 

Reparos no Palácio Norte de Amarna

Tradução: Márcia Jamille Costa | @MJamille

Reparos no Palácio Norte – 2011

Em 1997, o Amarna Project iniciou um programa para registrar e restaurar um dos edifícios mais importantes da antiga cidade: O Palácio Norte. No início de outubro de 2011, nos retornamos ao local com o objetivo de trabalhar uma grande área: a conclusão dos reparos da Suíte Real, uma parte do trabalho que marcará o fim do trabalho de restauro do Palácio Norte, ao menos por enquanto.

O apoio financeiro para a campanha de 2011 veio via campanha de angariação de fundos através do Justgiving [1]. Muito obrigado a todos que doaram, seja pouco ou muito dinheiro [2], e nos torcemos para que vocês aproveitem as fotografias do trabalho que carregaremos aqui no final das próximas semanas.

Equipe Amarna Project

[1] Justgiving é um site para doações com um termômetro de porcentagem contando quanto foi doado.

[2] whether a few pounds or many. Resolvi mudar um pouco a tradução, mas o sentido é o mesmo.

Read more for English version

 

 

North Palace Repairs 2011

In 1997, the Amarna Project began a programme to record and restore one of the ancient city’s most important buildings: the North Palace. In early October 2011, we returned to the site with the aim of meeting a major milestone: the completion of repairs to the Royal Suite, a piece of work that will mark the end of restoration work at the North Palace, for now at least.

Financial support for the 2011 campaign came via a fundraising campaign through Justgiving. Many thanks to everyone who donated, whether a few pounds or many, and we hope you enjoy the photographs of the work that will be uploaded here over the next few weeks.

The Amarna Project Team

 

Algumas fotos já publicadas:

 

Reparos no Palácio Norte – 2011

 

Reparos no Palácio Norte – 2011

 

O funeral de Tutancâmon (comentários)

O funeral de Tutancâmon da National Geographic Brasil: uma idéia boa, mas mal direcionada.  

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Desde que a tumba de Tutankhamon foi encontrada em 1922 o frenesi sobre a sua descoberta despertou a curiosidade de vários espectadores, alguns dos quais simples curiosos que pouco sabiam sobre a Arqueologia ou de quem se tratava Tutankhamon, mas que estavam dispostos a visualizar aquele universo tão misterioso que era a de uma tumba milenar intacta e cheia de tesouros. Este faraó falecido em 1322 a. C. desperta ainda hoje o interesse de muitos por sua morte tão prematura e os artefatos (a maioria feito de ouro e pedras semipreciosas) encontrados na sua tumba. Esta curiosidade nada acanhada tem se tornado cada vez mais freqüente desde que as primeiras imagens de seu espólio funerário foram lançadas ao mundo, fazendo assim com que o interesse por esta figura antiga esteja cada vez mais gritante. Este fato está refletido mais fortemente nos muitos documentários veiculados por canais fechados onde uma simples menção ao nome do “faraó-menino” está sendo obrigatória. Indo de acordo com a moda da “Tutmania” é onde entra o documentário “O funeral de Tutancâmon” (“Burying King Tut” no original, ano de lançamento 2009) da National Geographic.

Embora realizado para a National Geographic Channel, o documentário em si é quase um fiasco, mas não no que diz respeito ao trabalho de alguns dos pesquisadores presentes, mas da forma como a história foi construída e organizada. O desconhecimento de aspectos da egiptologia por parte da produção da fita é visível a cada momento, principalmente nas montagens ligadas ao historiador Nicholas Reeves (Egiptólogo e autor de “The Conplete Tutankhamun”, sem tradução para o Brasil) que por sinal foi mal encaixado: suas falas além de polêmicas excluem o público de uma grande discussão que existe não só por trás deste, mas de outros documentários agraciados por sua participação, como, por exemplo, a sua teoria de que os pequenos esquifes que guardam as vísceras de Tutankhamon (VER IMAGEM) na verdade pertenciam a Nefertiti. De fato estas imagens não possuem o nome de Tutankhamon, e sim de Smenkará (Smenkaré), porém Reeves afirma categoricamente que neles está o nome da rainha Nefertiti, mas isto devido a uma de suas teorias desenvolvidas há alguns anos onde ele defende que Smenkará, que foi co-regente de Akhenaton e esposo de Meriaton (filha mais velha da rainha), na verdade seria Nefertiti, já que a governante possuía o mesmo sobrenome desta incógnita figura.

Mini esquife que apesar de ter guardado as vísceras de Tutankhamon é nominado em nome de seu antecessor Smenkara. Fonte da imagem: JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2005. P. 109.

Reeves sugere também que os vasos canopos (VER IMAGEM) não eram verdadeiramente de Tutankhamon porque os rostos presentes nas peças são femininos e ele ainda aponta que seriam também de Nefertiti. Esta é a hipótese dele e que particularmente não é possível concordar plenamente uma vez que : (a) em primeiro lugar ele está sendo muito simplista ao sugerir que “por se tratar de imagens femininas” automaticamente não foram encomendadas por Tutankhamon. Para levantar hipóteses poderiam ser a representação mágica das deusas que protegem as suas vísceras e que estão presentes na arca que guardavam outrora estes canopos ou até mesmo uma representação da sua esposa, a Ankhesenamon, que na tumba toma o papel de deusas funerárias ao conduzir em vários momentos o marido no além túmulo. (b) Em segundo Tutankhamon era um rapaz cuja morfologia craniana é grácil, ele possuía feições finas. O canopo possui um rosto um pouco andrógeno e apontar justamente para uma mulher pode acabar sendo mais uma vez simplista, mas, apesar de ser uma possibilidade, ainda sim a face nos canopos não parecem muito com ele, assim é algo que fica em aberto.

Outros apontamentos de Reeves são sobre a possibilidade de que Akhenaton também fosse o dono de algumas das peças encontradas, a exemplo do peitoral com a imagem de um abutre que ele suspeita ser deste rei devido a um título deste faraó presente na peça: “bom soberano, senhor das duas terras”. Caso este artefato tenha sido de fato pertencente a Akhenaton só o seria nos primeiros anos do seu reinado, já que nele está presente uma menção a deusa Nut (JAMES, 2005), que foi uma das muitas divindades excluídas do círculos de rituais anuais e cotidianos durante o ápice do reinado deste faraó.

Face dos canopos de Tutanlhamon. Foto: Acervo National Geographic. Kenneth Garrett. 1995.

Parte da teoria de Reeves – de que algumas das peças da tumba originalmente não são de Tutankhamon – tem como base a presença do “símbolo solar” nos aparelhos funerários, a exemplo dos férreos que guardavam os sarcófagos. Para o egiptólogo estes símbolos são exclusivos de Akhenaton, porém sabemos que até certo limite Tutankhamon seguia uma ideologia atoniana. Sobre esta situação é importante citar uma das falhas do documentário no momento em que Reeves está assinalando um dos “símbolos solares”, na cena o pesquisador está apontando para os hieróglifos que significam “eternidade”, o que não justifica de forma alguma ser uma assinatura atoniana. Reeves é um egiptólogo experiente e creio que não cometeria um erro tão primário, assim, imagino que foi um erro da edição da fita. O egiptólogo também aponta para a possibilidade de que um dos sarcófagos de Tutankhamon onde o rei é representado com um toucado cuja ponta lembra um motivo trançado seria de Akhenaton. Esta é outra idéia que não é possível sair do campo das hipóteses, uma vez que padroniza os toucados como se fossem uma identidade para determinados indivíduos. Um exemplo é uma antiga discussão sobre o sarcófago do indivíduo da KV-55 o qual já foi levantada a conjetura de que deveria ser da rainha Tiye, uma vez que o toucado do caixão lembrava as perucas que a soberana utilizava em vida. Sendo desta forma, o caixão seria também de Kiya, Nefertiti e assim por diante?

Máscara mortuária de Tutankhamon (Sem o tradicional cavanhaque). Foto: Acervo Griffith Institute, University of Oxford. Harry Burton. Disponível em < http://www.griffithinstituteprints.com/image/433271/harry-burton-the-gold-mask-of-tutankhamun-3-4-view > Acesso em 26 de setembro de 2011.

Outra crença de Reeves é de que a máscara funerária (VER IMAGEM) também não foi feita a princípio para Tutankhamon. Esta é mais uma história particular deste pesquisador: quando “O funeral de Tutancâmon” foi lançado pela primeira vez no Brasil fiquei impressionada em ver que desta vez Nicholas Reeves estava considerando que o rosto pertencia a Tutankhamon, porém não o toucado, já que anteriormente ele acreditava que a máscara também seria de Nefertiti (usando a mesma teoria dos canopos). Com este documentário ele mudou a abordagem, mas não deixa de ser inconsistente e reducionista já que desta vez argumenta que o toucado não seria do Tutankhamon pelo fato das pedras azuis da máscara em si e do toucado serem de materiais diferentes. Para aqueles que não assistiram ao documentário ou para quem não entendeu onde Reeves queria chegar é que provavelmente os rostos das máscaras mortuárias reais eram feitas separadamente do toucado em si e eram reunidos posteriormente. O problema da hipótese de Reeves é que ele desconsidera que os objetos poderiam ter sido encomendados em épocas diferentes ou feitos por ourives diferentes, não precisando necessariamente ter pertencido à outra pessoa e o responsável pela encomenda da tumba (no caso da proposta da fita ser este o Ay, vizir de Tutankhamon) ter simplesmente “por falta de tempo” resolvido saquear bens de terceiros, embora esta seja a idéia do documentário já que a muito tem sido impensável para alguns egiptólogos e amadores a possibilidade de que Tutankhamon, praticamente uma criança, ao menos para os nossos padrões ocidentais, ter tido tão pouco tempo para arrecadar tantos artefatos preciosos e de manufatura tão complexa. Ignora-se que Tutankhamon já era adulto a partir do momento que fora coroado e que o nosso conceito de infância é atual.

Um dos momentos mais interessantes do documentário, mas que deixou muito a desejar devido à metodologia aplicada, é quando o arqueólogo Denys Stocks (Arqueólogo Experimental) se questiona se o sarcófago de quartzito poderia ser feito em 70 dias (período tido como base para os preparativos funerários). Na época de Tutankhamon já existiam ferramentas de bronze que ilusoriamente adiantaria o trabalho, no caso do documentário eles utilizaram uma de pedra, que se mostrou mais eficiente. Com a ajuda do artista Dave Willett, Stocks chega à conclusão de que, a partir de uma estimativa com o auxílio de cálculos, uma pessoa sozinha levaria 06 anos para concluir todo o sarcófago, mas como estes trabalhos eram feitos em equipe (de 08 a 10 trabalhando, de acordo com a estimativa de Willett) levariam 08 meses (isto sem contar o tempo para se escavar o interior do bloco de quartzito que de acordo com Stocks levariam 18 meses), o que é inconcebível para quem tinha pouco mais de dois meses para sepultar o faraó. A falha no quesito metodológico se dá devido ao artista ter feito somente um rosto e só uma vez, esperando comparar este experimento com a técnica de pessoas já especializadas no assunto. O experimento foi válido, mas no sentido de Arqueologia Experimental possui falhas. Para sustentar a hipótese de que o sarcófago não teria terminado a tempo entra na fita Marianne Eaton-Krauss (Autora de “The Sarcophagus in the Tomb of Tutankhamun“, sem tradução para o Brasil) apontando que algumas das deusas que protegem o sarcófago estão incompletas já que enquanto partes delas estão entalhadas outras estão simplesmente pintadas. Marianne também aponta a possibilidade de que o sarcófago poderia ter sido reaproveitado, ou seja, não foi feito originalmente para Tutankhamon, uma vez que existem incoerências nos entalhamentos, a exemplo de hieróglifos que parecem terem sido suplantados ou ocultados pelas asas das deusas. Outra sugestão de que o funeral de Tutankhamon teria ocorrido às pressas é o fato das imagens da sua tumba terem sido feitas tão grandes (VEJA O VÍDEO NO FINAL DO TEXTO), na espera que sobrassem menos espaços para se ilustrar. Porém, imagens de tal tamanho não relatam nada incomum, a tumba da rainha Nefertari, conhecida por seu primor artístico, possuem imagens enormes, assim como a de Seti I, e ambos tiveram anos de vida para planejar seu sepulcro.

Salima Ikram no documentário “O funeral de Tutancâmon”. Captura da imagem: Márcia Jamille Costa.

A participação mais interessante parte da Dra. Salima Ikram onde vemos uma das raras vezes em que ela opina sobre o estado do corpo de Tutankhamon. Ikram é amplamente conhecida entre egiptólogos devido ao projeto Múmias de Animais e seus experimentos com conservação de corpos de animais. De acordo com a Dra. a múmia de Tutankhamon parece ter sofrido, aparentemente, uma mumificação deficiente e que antes do processo de conservação o corpo já teria começado a se deteriorar. Outro detalhe apontado é a ambulância de óleo e resina que acabou carbonizando a pele do faraó, a quantidade é tanta que explicaria a “ausência” do coração do rapaz nas chapas de Raios-X, uma vez que a substancia estaria ocultando o órgão. É importante citar que esta quantia excessiva já tinha sido notada quando a múmia de Tutankhamon começou a ser desenfaixada logo após a abertura do sarcófago. Tamanho foi o trabalho do médico responsável pela remoção que ele teve que esquentá-la para tentar desgrudar os artefatos do corpo do rei. Um detalhe importante (e que teria sido interessante se abordado no documentário) é que sabemos de histórias de faraós embebidos em resina através de um texto de relatos de ladrões de tumbas onde o saqueador explica que para soltar as jóias do corpo do falecido precisou atear fogo na múmia, desgrudando assim a resina.

A proposta do documentário é mostrar que Tutankhamon, que morreu jovem e sem filhos vivos, necessitava urgentemente de um herdeiro para o seu trono, desencadeando assim uma corrida pela sucessão por parte de Ay, seu até então vizir que, aproveitando-se da ausência do general do rei, Horemheb, se proclama faraó (a despeito dos inúteis esforços da rainha viúva, Ankhesenamon) se utilizando das mais variadas artimanhas para sepultar Tutankhamon o mais breve o quanto fosse possível. Seguindo este pensamento o Dr Kent R. Weeks (Diretor do Theban Mapping Project) e Dr Peter J. Brand (Egiptólogo da Universidade de Menphis) acreditam que a KV-62 não pertencia primordialmente a Tutankhamon, e sim a KV-23, onde Ay foi sepultado. Outra linha que o documentário segue é de que Tutankhamon teria transformado Horemheb em seu herdeiro, embora isto possa não ter sido verdade, já que Horemheb armou várias justificativas para estar no trono, se declarando, inclusive, herdeiro direto de Amenhotep III, avô de Tutankhamon, e excluindo tanto o seu jovem falecido amo, assim como Ay, Akhenaton (filho de Amenhotep III) e Smenkará da linhagem real.

 

 

A fita possui vários pontos negativos que embora atrativo para um espectador comum não será visto com bons olhos pela academia (a exemplo do fato do Dr. Zahi Hawass entrar no férreo de ouro, evento que poderia ser desastroso para o artefato). Este é um material relativamente ruim onde poucos aspectos podem salvá-lo, como a participação da Dra. Salima Ikram. Não ignoro o fato (ou possibilidade) de alguns dos artefatos da KV-62 terem sido “terceirizados”, mas pela forma como o documentário foi conduzido é difícil poder se levar muita coisa a sério, principalmente porque “O funeral de Tutancâmon” parece ser mais um dos afãs frutos da “moda Rei-Tut” que andam enchendo o currículo de vários pesquisadores. No final das contas, quando observamos as metodologias aplicadas pela maioria dos convidados da fita o documentário em si acaba não possuindo muito de substancial no final das contas.

Veja também:

Página Oficial do documentário: Burying King Tut: < http://natgeotv.com/asia/burying-king-tut >, Acesso 17/09/2011.

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2005.

Revista online com entrevista e artigos

Enviado por Rennan Lemos (Via Facebook):

 

Está disponível on-line a primeira edição da revista discente Plêthos, de História Antiga e Medieval. Nessa edição há dois artigos egiptológicos e uma entrevista com a arqueóloga Anna Stevens, do Amarna Project, sobre as escavações recentes que estão sendo realizadas na antiga cidade de Akhetaton.

 

 

Link para a revista online: www.historia.uff.br/revistaplethos

Entrevista com Anna Stevens (em português): http://www.historia.uff.br/revistaplethos/arquivos/numero1/annastevens%20portugues.pdf

 

Artigos:

Urbanismo e cidade no antigo Egito: algumas considerações teóricas: http://www.historia.uff.br/revistaplethos/arquivos/numero1/liliane.pdf

O senhor da ação ritual: um estudo da relação faraó-oferenda divina durante a reforma de Amarna (1353-1335 a.c): http://www.historia.uff.br/revistaplethos/arquivos/numero1/gisela.pdf

 

 

(Imagem) Busto de Nefertiti

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Nefertiti foi a Grande Esposa Real do Faraó Akhenaton e deu a este seis filhas, uma das quais casou com o meio-irmão Tutankhamon. Não se tem certeza de onde Nefertiti teria surgido e qual foi seu fim. Como o seu nome significa “A Bela que Chegou” alguns egiptólogos sugerem que ela seria estrangeira, outros acreditam que ela foi filha de um alto funcionário da corte chamado Ay, que anos depois viria a ser faraó.

A rainha Nefertiti desaparece dos registros escritos de sua época no 14º ano de reinado do seu esposo, e é substituída por sua filha mais velha Meriaton.

Hoje tida como dona de “uma beleza imortal”, a rainha é famosa principalmente devido ao seu busto encontrado em Amarna o que a tornou para nós um ícone da beleza egípcia. Abaixo imagens do busto:

Nefertiti. Imagem disponível em < http://www.csmonitor.com/World/Global-News/2009/1102/germany-time-for-egypts-nefertiti-bust-to-go-home >. Acesso em 17 de Julho de 2011.

Nefertiti. Imagem disponível em < http://www.artknowledgenews.com/germany_says_no.html >. Acesso em 17 de Julho de 2011.

Nefertiti. Imagem disponível em < http://www.allartnews.com/egypt-antiquities-chief-zahi-hawass-to-demand-nefertiti-bust/3300-year-old-bust-of-queen-nefertiti/ >. Acesso em 17 de Julho de 2011.

Nefertiti. Imagem disponível em < http://wallpapers.free-review.net/63_~_Nefertiti.htm >. Acesso em 17 de Julho de 2011.

[Imagem] Anel do faraó Akhenaton

 

Anel do faraó Akhenaton onde podemos ver escrito o seu pré-nome “Nefer-kheperu-Ra Setep-en-Ra”. Encontrado pela Egypt Exploration Society em Amarna. Foto divulgação do World Museum Liverpool.

 

Este anel foi encontrado durante escavações da Egypt Exploration Society em Amarna entre 1932 e 1933. O que está escrito pode ser lido como Nefer-kheperu-Ra Setep-[en]-Ra – Belas são as manifestações de Rá -, que era o pré-nome do faraó Akhenaton. Duas considerações importantes que devem ser feitas acerca do objeto: a primeira é sobre a presença do nome do deus “Rá” (uma das manifestações do deus Sol) e a segunda é que este também era o nome da última das filhas do faraó com a rainha Nefertiti, chamada Setepenrá.

As informações para esta postagem foram obtidas na página de divulgação do World Museum Liverpool no Facebook.

É achada grande imagem de Amenhotep III

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Neste dia 26/04/2011 foi encontrada uma grande estátua do faraó Amenhotep III (Amenófis, no grego), pai de Akhenaton (o chamado hoje de “faraó herege” por ter excluído o panteão de deuses egípcios para cultuar somente um, o Disco Solar, Aton). A imagem está em pedaços e embora a sua cabeça não tenha sido encontrada este grande artefato será restaurado com a esperança de que possa ficar em pé novamente.

A estátua possui 13 metros de altura e foi encontrada em Kom AL Hitan, no templo funerário do próprio Amenhotep III e a sua destruição se deu provavelmente devido a um terremoto ocorrido em 27 a.C. Tal terremoto teria danificado também os “Colossos de Memnon” que nada mais são que duas estátuas também do templo funerário de Amenhotep III.

Os fragmentos da estátua de 13 metros de Amenhotep III lendo limpos pelos trabalhadores da escavação. Foto: Abdel Ghaffar Wadgy. Retirado de: Press Release – Colossal Statue of Amenhotep III Found. Disponível em < http://www.drhawass.com/blog/press-release-colossal-statue-amenhotep-iii-found > Acesso em 28 de Abril de 2011

Como esta é uma imagem que adornava o portão norte do templo, então ainda existe uma segunda estátua que não foi encontrada. Os portões de templos normalmente são ladeados por uma estátua de cada lado.

A missão que está trabalhando no local também encontrou imagens do deus Thot na forma de babuíno e várias da deusa Sekmet que, dentre muitos fins, era usada para afastar as doenças. Como muitos acreditam que Amenhotep III estava sofrendo de alguma doença próximo ao fim do seu reinado [1] as imagens numerosas da deusa em seu templo funerário teriam sido usadas para ajudar a afastar a enfermidade do faraó.

Imagem de Sekment encontrada no local. Retirado de: Arqueólogos encontram estátua do faraó Amenófis III. Disponível em < http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/arqueologos-encontram-estatua-do-farao-amenofis-iii > Acesso em 28 de Abril de 2011.

 

Fonte:

Arqueólogos encontram estátua do faraó Amenófis III. Disponível em < http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/arqueologos-encontram-estatua-do-farao-amenofis-iii > Acesso em 28 de Abril de 2011.

[1] Press Release – Colossal Statue of Amenhotep III Found. Disponível em < http://www.drhawass.com/blog/press-release-colossal-statue-amenhotep-iii-found  > Acesso em 28 de Abril de

Estátua de Akhenaton encontrada?

Estátua de Akhenaton pode ter sido encontrada

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille 

De acordo com o blog Luxor News, escrito por Jane Akshar, Mansour Boraik teria afirmado que a estátua sumida de Akhenaton foi encontrada. Até agora esta é a única fonte de notícia disponível, não existe nada oficial ainda.

 

O trecho retirado do blog de Jane Akshar onde contém tal afirmação:

“A estátua de Akhenaton foi encontrada! Pelo o telefone e muito excitando Mansour Boraik estava muito feliz em dizer que a estátua tinha sido encontrada”.

 

Akshar postou esta texto hoje (16 de Fevereiro de 2011). Recebi a notícia via twitter por @archaeologynews  

UPDATE – 17 de Fevereiro de 2011

 

O leitor @leonardoborges, via twitter enviou para mim um updade feito por Jane Akshar com a mesma mensagem que a Thatyane postou aqui nos comentários:

 

“Sorry my mistake Mansour was saying they expected to find, whoops apologies”

“Perdão pelo meu erro Mansour disse que esperava encontrar, mil perdões”

 

No entanto já temos uma notícia diferente na mesma página de Akshar que confirma que de fato a estátua foi encontrada, ou melhor, devolvida, notícia que pode ser encontrada no link Egyptian family returns Pharaonic statue to Department of Antiquities, cuja tradução da primeira parte vocês podem conferir abaixo:

 

“Família egípcia devolve estátua faraônica ao Departamento de Antiguidades

O Departamento Egípcio de Antiguidades recebeu a estátua de Akhenaton, um dos oito itens roubado por ladrões do Museu Egípcio em 28 de Janeiro. Ela foi devolvida ao museu por Sabri Abdel-Rahman , um professor da Universidade Americana do Cairo, declarou o departamento.

A estátua foi encontrada perto de uma lata de lixo na Praça Tahrir durante os protestos pró-democracia pelo o filho de Abdel-Rahman. Abdel-Rahman imediatamente contatou o Ministro de Antiguidades e Turismo.”

(…)

Família egípcia devolve estátua faraônica ao Departamento de Antiguidades. Foto: المصري اليوم . Disponível em < http://www.almasryalyoum.com/en/news/egyptian-family-returns-pharaonic-statue-department-antiquities > Acesso em 17 de Fevereiro de 2011.

 

Ao todos então já são quatro peças encontradas.

Triste Notícia – Por Zahi Hawass

Tradução: Márcia Jamille Costa | @MJamille

Vendo o blog do Dr. Zahi Hawass agora temos uma notícia desconcertante sobre a invasão ao Museu Egípcio do Cairo. Fiz a tradução integral da mensagem e caso tenha alguma sugestão para a tradução, por favor, escreva para marcia@arqueologiaegipcia.com.br :

Triste Notícia

Os auxiliares do departamento de banco de dados do Museu Egípcio do Cairo me deram seu relatório do inventário dos objetos do museu após o arrombamento. Infelizmente, eles descobriram que objetos do museu estão sumidos. Os objetos desaparecidos são os seguintes:

1 – Estátua dourada de madeira de Tutankhamon sendo carregado por uma deusa;

2 – Estátua dourada de madeira de Tutankhamon com arpão. Apenas o torso e membros superiores do rei estão em falta;

3 – Estátua de calcário de Akhenaton segurando uma bandeja de oferendas;

4 – Estátua de Nefertiti fazendo oferendas;

5 – Cabeça de arenito de princesa de Amarna;

6 – Estátua de pedra de um escriba de amarna;

7 – Shabtis de madeira de Yuya (11 peças);

8 – Escaravelho do coração de Yuya.

Investigadores começaram a procurar pelas pessoas que roubaram estes objetos, e a polícia com o exército planejam ter com os criminosos já presos. Eu disse que se o Museu Egípcio é seguro, então o Egito é seguro. No entanto, eu agora temo que o Egito não é seguro.

Em outra terrível cadeia de acontecimentos, noite passada um depósito em Dahshur foi arrombado; ele chama-se De Morgan’s. Este depósito contém grandes blocos e pequenos artefatos.

 

Texto no original: Sad News. Disponível em < http://www.drhawass.com/blog/sad-news > Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

 Update

Desde ontem (14 de Fevereiro de 2011) estão rondando alguns boatos de que três das oito peças listadas foram encontradas dentro do próprio Museu Egípcio na área da bilheteria (provavelmente largadas durante a bagunça). Segundo os mesmos uma das peças são os pedaços faltosos da estátua de Tutankhamon e o escaravelho de Yuya.

Zahi Hawass. Retirado de: Jean-Claude Aunos Photographe. Disponível em < http://www.jca-photo.com/portraits.html> Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

【Imag. 】 Horemheb, aquele que se fez rei

 

 

General Horemheb. Fotografia: Stan Honda / AFP (15/11/2010). Retirado de UOL imagens da semana. Disponível em < http://entretenimento.uol.com.br/album/ap_apm_15112010_album.jhtm > Acesso em 26 de Janeiro de 2011.

Fotografia tirada durante a exposição “Haremhab, The General Who Became King” (Horemheb, o general que se tornou rei) que define bem quem foi este homem: a princípio era um serviçal da corte de Akhenaton, Tutankhamon e posteriormente Ay. Após a morte deste último acendeu ao trono e concentrou esforços para apagar estes seus três antecessores da história egípcia. Esta imagem hoje está no Museu Metropolitan, Nova York.