Múmia praticamente intacta é descoberta em tumba de 3.500 anos no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

No início deste mês foi anunciada a abertura de mais alguns túmulos em Dra 'Abu el-Naga, Luxor (Egito). Os sepulcros, datados da 18ª Dinastia (Novo Império), pertencem a funcionários que atuavam na cidade de Tebas, na época capital do Egito.

Essas tumbas já tinham sido identificadas e numeradas pelo egiptólogo alemão Friederike Kampp-Seyfried na década de 1990. Um dos túmulos, denominado pelo pesquisador como “Kampp 161”, até então não tinha sido aberto por arqueólogos, enquanto o túmulo “Kampp 150” só teve a sua entrada escavada. Contudo, agora eles estão recebendo a devida atenção por parte de uma equipe de arqueólogos egípcios.

Foto: Nariman El-Mofty, Ap for National Geographic (2017)

Os nomes dos seus antigos donos ainda são desconhecidos. Entretanto, acredita-se que a Kampp 150 seja datada do reinado de Tutmés I e muitos selos funerários com os nomes de um homem chamado Maati e sua esposa Mohi foram encontrados na área do pátio. Isso pode sugerir a identificação do ocupante do túmulo. Os arqueólogos também encontraram estátuas de madeira colorida, máscaras funerárias e uma múmia ainda enrolada por suas bandagens, porém, sem a sua cabeça.

Foto: EPA

Foto: Stringer / AFP

A parede ocidental do túmulo apresenta uma imagem retratando um evento social, possivelmente um banquete, com um homem apresentando oferendas ao ocupante do túmulo e sua esposa. Máscaras funerárias de madeira, restos de móveis e um caixão decorado também foram descobertos no túmulo.

Foto: Nariman El-Mofty, Ap for National Geographic (2017)

Já a Kampp 161 acredita-se que seja datada do reinado de Amenhotep II ou Tutmés IV. Isso com base em comparações estilísticas e arquitetônicas com outras tumbas da região.

Fotos: Nariman El-Mofty, Ap for National Geographic (2017)

Ainda existem tumbas esperando ser pesquisas em Luxor, apesar de já conhecidas pelo Ministério de Antiguidades do Egito.

Foto: Stringer / AFP

Fontes:

El-Mofty, Nariman. 3,500-Year-Old Tombs Uncovered in Egypt. One Has a Mummy. In: National Geographic. Disponível em < https://news.nationalgeographic.com/2017/12/egypt-tomb-mummy-naga-archaeology-ancient/ >. Publicado em: 09 de Novembro de 2017. Acesso em 09 de novembro de 2017.

EFE. Encontrados nuevos tesoros egipcios en dos tumbas del Imperio Nuevo. In: La Vanguardia. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/cultura/20171209/433525385521/una-momia-mascaras-o-frescos-entre-los-tesoros-de-2-tumbas-del-imperio-nuevo.html >. Publicado em: 09 de Novembro de 2017. Acesso em 09 de novembro de 2017.

Egypt uncovers ancient tombs at Luxor. In: BBC. Disponível em < http://www.bbc.com/news/world-middle-east-42295162 >. Publicado em: 09 de Novembro de 2017. Acesso em 09 de novembro de 2017.

Esposa de Tutankhamon talvez foi sepultada em tumba recém-descoberta

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O arqueólogo e ex-ministro das Antiguidades do Egito, Zahi Hawass, com a sua equipe de pesquisadores, afirma ter evidências de que encontrou uma tumba que possivelmente pertenceu a rainha Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon — cuja sepultura foi descoberta praticamente intacta em 1922 — e filha do casal Nefertiti e Akhenaton.

Ankhesenamon e Tutankhamon e Ankhesenamon. Foto: Fonte: STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

A tumba, que está localizada no Vale dos Reis, próximo a sepultura do faraó Ay [1] (a qual alguns egiptólogos acreditam que a priori pertenceria a Tutankhamon), ainda não foi escavada, mas existe um projeto para tal.

Ankhesenamon em Luxor. Foto: Lionel Leruste. 2007.

Em 7 de julho a National Geographic italiana publicou um artigo que sugere que uma equipe liderada por Hawass tinha encontrado uma nova tumba no Vale dos Reis e agora o pesquisador confirmou esta descoberta. “Nós estamos crentes que existe uma tumba lá, mas nós não sabemos com certeza a quem pertence”, disse Hawass ao site Live Science. Apesar disso ele afirmou que acredita se tratar da tumba de Ankhesenamon dada a proximidade com a tumba de Ay[1], com quem ela possivelmente foi casada após a morte de Tutankhamon.

“Nós estamos certos de que é uma tumba escondida naquela área porque eu encontrei quatro depósitos de fundações” e complementou explicando que estas fundações seriam “caches ou furos no chão que foram preenchidos com objetos votivos como vasos de cerâmica, restos de comida e outras ferramentas como um sinal de que uma construção de uma tumba foi iniciada”. Um contexto parecido já foi encontrado em outros lugares, como o próprio Hawass explica: “Os antigos egípcios usualmente faziam quatro ou cinco fundações depósitos sempre que iniciavam a construção de um túmulo”[1].

 

Quem foi Ankhesenamon?

Não é tarefa fácil saber o que ocorreu durante os anos finais da vida da rainha Ankhesenamon: sabemos que ela sobreviveu a Tutankhamon e que o sepultou. Com ele teve certamente um bebê que só viveu alguns dias e um possível natimorto (ambas as crianças foram sepultadas com Tutankhamon) (DAVID; DAVID, 1992; BUNSON, 2002; HAWASS et al, 2010). Um anel encontrado na década de 1920 mostra o nome dela ao lado do nome de Ay, sucessor do seu marido, o que propõe uma co-regencia ou que ela casou-se com ele. Contudo, na tumba dele não há indícios dela como sua esposa, mas sim Ty, sua mulher desde a época do reinado de Akhenaton (CARTER; MARCE, 1977; GRIMAL, 2012).

— Saiba mais: Ankhesenamon e Tutankhamon

A busca pela tumba desta rainha já perdura há alguns anos. A priori acreditou-se que ela poderia ter sido sepultada na KV-63, sugestão que foi abandonada após se descobrir que o local era um cache de mumificação [2]. Depois que teria sido na KV-21 (PÉREZ-ACCINO, 2003; PARRA, 2011). Agora temos esta possível KV-65. A resposta? Teremos que esperar mais algum tempo para descobrir.

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). Barcelona: Folio, 2005.

Fontes:

[1] King Tut’s Wife May Be Buried in Newly Discovered Tomb. Disponível em < https://www.livescience.com/59840-king-tut-wife-tomb-possibly-found.html >. Acesso em 19 de julho de 2017.

[2] Documentários: King Tut’s Mystery Tomb Opened (Discovery Channel; 2006); Egypt’s Mystery Chamber (Discovery Channel; 2009).

BUNSON, Margaret R. Encyclopedia of Ancient Egypt. New York: Facts on File, 2002.

CARTER, Howard; MACE, Arthur. The Discovery of the Tomb of Tutankhamen. London: Dover Publications, 1977.

DAVID, Rosalie; DAVID, Antony. A Biographical Dictionary of Ancient Egypt. London: Steaby, 1992.

GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

HAWASS, Zahi;  GAD, Yehia Z;  ISMAIL, Somaia; KHAIRAT, Rabab; FATHALLA, Dina; HASAN, Naglaa; AHMED, Amal; ELLEITHY, Hisham; BALL, Markus; GABALLAH, Fawzi; WASEF, Sally; FATEEN, Mohamed; AMER, Hany; GOSTNER, Paul; SELIM, Ashraf; ZINK, Albert; PUSCH, Carsten M. Ancestry and Pathology in King Tutankhamun’s Family. JAMA. 303(7):638-647, 2010.

PARRRA, José Miguel. El verdadero origen del faraón niño: La familia de Tutankamón. Historia National Geographic. Nº 83.

PÉREZ-ACCINO, José Ramón. “Primeros cuerpos, primeras tumbas. En torno a los orígenes del valle de los Reyes”. In: POLO, Miguel Ángel Molinero. Arte y sociedad del Egipto antiguo. Encontro, 2000.

Arqueólogos encontram tumba de princesa egípcia em Dashur

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

A tumba de uma princesa egípcia foi identificada na pirâmide de Ameny Qemau (13ª Dinastia), na necrópole de Dashur, cuja descoberta foi anunciada mês passado (abril/2017). No local foram encontrados uma inscrição religiosa e um nome em um fragmento de vaso de cerâmica que guardou outrora cerveja.

Entrada para a sepultura. Foto: MSA.

— Saiba mais: A cerveja no Egito Antigo: desde a intoxicação ao seu uso religioso.

Nas escavações que revelaram a câmara funerária da princesa foram identificados um sarcófago mal preservado, bandagens e uma caixa de madeira contendo vasos canópicos. Inscrições na caixa indicam que os objetos pertenceram a ela, que por sua vez era uma das filhas do próprio Ameny Qemau.

Caixa de vasos canópicos. Foto: MSA

— Saiba mais: Vasos canópicos + Vídeo

Não se conhece muito sobre Ameny Qemau e sua filha. Ele reinou por dois anos como o 5º faraó da sua dinastia e era possivelmente o pai do faraó seguinte.

Fonte:

Archaeologists uncover ancient Egyptian princess’s tomb in Dahshur. Disponível em < https://www.historyofroyalwomen.com/the-royal-women/archaeologists-uncover-ancient-egyptian-princesss-tomb-dahshur/ >. Acesso em 12 d maio de 2017.

Egypt Continues Its Discoveries With a 3,700-Year Burial Chamber in Dahshur. Disponível em < https://egyptianstreets.com/2017/05/11/egypt-continues-its-discoveries-with-a-3700-year-burial-chamber-in-dahshur/ >. Acesso em 12 d maio de 2017.

Nome encontrado em pirâmide da 13ª Dinastia é do faraó Ameny Qemaw

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

No último dia 03/04/17 anunciei aqui no A.E. a descoberta de restos de uma pirâmide datada do Segundo Período Intermediário em Dashur. Também noticiei que o nome do dono da tumba era desconhecido. Contudo, ele já foi identificado: chamava-se Ameny Qemau.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Essa conclusão foi alcançada após o site Live Science entrar em contato com dois egiptólogos e apresentar a foto do bloco de alabastro com as inscrições: James Allen, professor de egiptologia da Universidade Browne e Aidan Dodson, pesquisador da Universidade de Bristol.

Ambos disseram que a inscrição no bloco é um tipo de texto religioso usado nas paredes das pirâmides e que o nome escrito é do faraó Ameny Qemau, quinto rei da 13ª Dinastia e que governou somente por dois anos. Outro egiptólogo, Thomas Schneider, professor de egiptologia e estudos do Oriente Próximo na Universidade da Colúmbia Britânica, também concordou com a conclusão dos colegas.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Porém, esta história não acaba por aqui: uma outra pirâmide pertencente a esse mesmo governante foi descoberta em 1957, também em Dashur.

Os motivos para Ameny Qemau ter duas pirâmides é um mistério, mas Dodson, que é coautor de um artigo sobre a descoberta de 57, sugeriu que talvez ele tenha usurpado a segunda pirâmide encontrada. Ele se apoia na baixa qualidade das inscrições hieroglíficas que estão nos cartuchos, indicando que o escultor teve que escrevê-los sobre uma área que foi cinzelada (possivelmente para apagar o que existiu anteriormente lá).

O Ministério das Antiguidades do Egito anunciou que pesquisas ainda estão sendo realizadas na área.

Fonte:

[1] 2nd Pyramid Bearing Pharaoh Ameny Qemau’s Name Is Found. Disponível em < http://www.livescience.com/58531-second-pyramid-pharaoh-ameny-qemau-discovered.html >. Acesso em 05 de abril de 2017.

Studies on newly discovered pyramid point to 13th Dynasty King Kamaw. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/262348.aspx >. Acesso em 05 de abril de 2017.

Restos de pirâmide egípcia da 13ª Dinastia são descobertos

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Foi divulgada hoje (03/04/2017) a descoberta de uma pirâmide egípcia até então desconhecida datada da 13ª Dinastia (Médio Reino), em Dashur, próxima a uma das pirâmides de Snefru.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

— Saiba mais sobre as pirâmides de Snefru: Arquitetura egípcia | Pirâmides, moradias e o Vale dos Reis 

A tumba está sem a sua estrutura exterior, deixando sua parte interna exposta. Ela compreende um corredor que leva para uma câmara.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

No local também foi encontrado uma inscrição em um bloco de alabastro de 15 cm por 17 cm. Os hieróglifos ainda serão traduzidos e por foto já é possível ver que um nome de um(a) faraó está presente, mas os símbolos estão danificados.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

As pesquisas, realizadas por uma equipe egípcia, continuarão a ser feitas, inclusive para desenterrar mais estruturas.

Fonte:

Remains of 13th Dynasty pyramid discovered in Dahshur Necropolis. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/262156.aspx >. Acesso em 03 de fevereiro de 2017.

Tumba de um escriba é descoberta no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

No último dia 31 de janeiro foi anunciada a descoberta de uma tumba do Periodo Ramsessida, pertencente a um homem chamado Khonsu, identificado na sepultura como “Escriba Real”.

Localizada em El Khokha, Luxor, ela foi encontrada por uma equipe de arqueologia da Universidade de Waseda, coordenada pelo professor Jiro Kondo, responsável pela limpeza de um túmulo de um homem chamado Userhat. “Durante a limpeza da parte oriental do pátio da frente da tumba de Userhat, um grande buraco esculpido na parte norte foi encontrado. Depois de rastejar pelo buraco, foi descoberto que ele levava à parede sul da saída do túmulo de Khonsu.”[1], comentou o arqueólogo ao Luxor Times.

Entrada da tumba. Foto: Divulgação.

O locar possui uma forma de “T”, sendo composto por um corredor que leva à câmara funerária. Ele está ricamente adornado com textos e imagens religiosas, a exemplo da Barca Solar precedida por quatro babuínos, que remete a passagem do dia.

Barca Solar e babuínos. Foto: Divulgação.

Khonsu, em outra decoração, é identificado como “Verdadeiro escriba de renome”. A sua esposa também aparece em uma das imagens do sepulcro, o acompanhando em uma reverência aos deuses Osíris e Ísis.

O casal representado na tumba. Foto: Divulgação.

A tumba ainda se encontra coberta com pedras, então certamente mais iconografias serão reveladas no futuro.

Fontes:

[1] Royal scribe tomb discovered in Luxor. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/01/royal-scribe-tomb-discovered-in-luxor.html?m=1 >. Acesso em 03 de fevereiro de 2017.

Tomb of Ramesside-era royal scribe uncovered in Luxor. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/257292.aspx >. Acesso em 03 de fevereiro de 2017.