(Comentários) Trailer do filme “Deuses do Egito” (2016)

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Irá estrear no dia 24 de fevereiro (2016) o filme “Deuses do Egito” (“Gods of Egypt“, no original), que está estrelando Nikolaj Coster-Waldau (Game of Thrones) e que cujo o enredo é inspirado na luta entre os deuses Seth e Hórus, um dos mitos mais famosos da Antiguidade egípcia.

Quando o primeiro trailer saiu várias pessoas enviaram mensagens para mim perguntando a minha opinião e eu a dei de forma bem concisa na página do Arqueologia Egípcia no Facebook, até que eu arranjasse um tempinho para poder sentar e escrever mais acerca. Bom, o momento chegou. Abaixo o trailer (legendado):

Porém, antes de apresentar para vocês os meus comentários, preciso conta-lhes antes o mito das batalhas entre Hórus e Seth.

Ísis e Hórus versus Seth

Tudo tem início com o nascimento dos irmãos Ísis (protetora do trono real e senhora da magia), Osíris (senhor da vegetação e fertilidade), Néftis (protetora do palácio) e Seth (senhor do caos e deserto), que casam entre si, sendo que o casal Ísis e Osíris assumem o trono do Egito. Ambos eram extremamente amados pela população, mas não por Seth, que tinha muita inveja e rancor dos dois, em especial por Osíris.

Fonte dos desenhos: Jeff Dahl.

Seth então prepara uma audaciosa cilada para matar o irmão: ele o convida para um banquete onde pede para que cada um dos convidados entrem em uma maravilhosa e grande caixa. Aquele indivíduo que nela coubesse a ganharia como prêmio.

Todos experimentaram a tal caixa, mas ninguém coube perfeitamente, exceto Osíris, o último a prová-la e que se encaixou impecavelmente. Contudo, o que o rei não sabia é que ela tinha sido confeccionada exatamente com as suas medidas e assim que entrou Seth o trancou e jogou a grande caixa no Nilo, onde morreu afogado.

Ísis descobre o ocorrido e recupera a caixa, despertando a ira de Seth que a rouba e esquarteja o corpo do deus falecido, jogando suas partes por toda a extensão do Nilo. Ísis mais uma vez sai em busca do marido e em uma longa jornada recupera uma a uma as partes do seu corpo, exceto o pênis, que foi comido por um peixe. Usando da sua magia e após longas rezas a deusa se transfigura em um falcão fêmea e com o bater das suas asas dá o sopro de vida necessário para ressuscitar o esposo. Ao mesmo tempo faz surgir o pênis e engravida do seu primeiro e único filho, Hórus, uma divindade com corpo humano e cabeça de falcão.

Neste meio tempo, Seth já tomou para si o trono do Egito, fazendo com que Ísis, protegida por sua irmã Néftis e o deus Anúbis, esconda-se nos juncos do Nilo com o recém-nascido Hórus, onde ela lhe ensina tudo o que é importante para reinar e o prepara para o futuro embate com o tio por seu trono de direito.

Após alguns anos, Hórus vai enfrentar o tio, que por sua vez o acusa de não ser filho de Osíris, afinal, Ísis não estava grávida quando ele estava vivo. Mas com a intervenção dos demais deuses é imposto que Hórus e Seth devem batalhar em uma série de atividades e o vencedor ficaria com a coroa.

Seth usa sempre da sabotagem para tentar vencer o sobrinho, mas todas as vezes é desmascarado por Ísis. Porém, em uma das lutas, Seth arranca um dos olhos de Hórus. A visão lhe é devolvida pelo o deus Thot ou a deusa Hathor, que põe um olho substituto no lugar, enquanto o original torna-se o “Wedjat”, que é oferecido a Osíris como um amuleto para a regeneração.

Voltando ao filme “Deuses do Egito”: observando o trailer

Como dito no início, o enredo baseia-se na luta entre estas duas divindades, mais especificamente na batalha em que Hórus perde o seu olho, séculos antes da unificação do Egito, em algum momento do Pré-Dinástico (que é tipo a “Pré-História” egípcia). No entanto, como nos mostra bem o trailer, no filme Seth arrancará ambos os olhos. Mais tarde um deles será recuperado por um humano. Já vemos então a primeira diferença aí, além de que ambos os deuses serão retratados em uma forma humana.

Hórus.

Seth.

O amuleto “Wedjat” incorporado no filme.

Em termos de roupas senti certa inspiração em “Fúrias de Titãs” e um leitor também citou “300”. Praticamente não há roupagem alguma egípcia. Vi alguns toucados nemes estilizados em um figurante ou outro (muitas produções insistem em por estes toucados em cidadãos comuns sendo que era de uso exclusivo do faraó), uma inspiração na Coroa Azul da rainha Neferiti e uma coroa com um elemento da deusa Hathor. É um dos filmes inspirados no Egito que menos possui fortes elementos egípcios. Conseguiu ganhar até mesmo da série TUT.

Eu acho que consigo ver um indiano e um árabe…

Num futuro (espero não muito distante) pretendo fazer um post detalhado falando sobre as roupas egípcias. Vocês verão que não tem nada a ver com isso.

Na testa dela estão os chifres da deusa Hathor.

Na minha humilde opinião, em termos de narrativa cinematográfica não foi ruim incluir armaduras nos deuses, adicionar monstros enormes e bizarros, batalhas surreais, etc. Isto vai levar os amantes de aventura e ficção para o cinema e quem sabe fazê-los pesquisarem mais tarde. Eu, por exemplo, aprendi a gostar de assuntos relativos às constelações graças aos “Cavaleiros do Zodíaco”, porém, o que achei de péssimo gosto e de grande ignorância, foi incluir alguns artefatos claramente inspirados no universo grego e até mesmo mesoamericano, duas culturas totalmente diferentes da egípcia.

Outro grande problema e que enfureceu muitas pessoas levando aos produtores do filme pedirem desculpas, foi a escolha de um elenco quase exclusivamente caucasiano para representar o Egito Antigo. Entretanto, falar que o Egito era totalmente negro, como os críticos mais ferrenhos apontam, também não é condizente com a realidade. O Egito foi um território que recebeu povos de diferentes lugares ao longo da sua formação, apesar do seu “isolamento” geográfico, que tornava difícil a invasão de exércitos, mas não a entrada de grupos de nômades. Está mais para uma civilização “mestiça”, mas é pouco provável que encontraríamos um Nikolaj Coster-Waldau andando em uma rua do faraônico, muito menos ainda em tempos anteriores a época de unificação, como seria o caso do filme.

Mas também tem uns momentos bacanas que servem como curiosidade para vocês, como a cena abaixo, que mostra um tipo de arquitetura que lembra a egípcia faraônica, mas que não existia no Pré-Dinástico, toda via. Apesar do anacronismo, foi legal eles utilizarem elementos egípcios, mesmo que com leves modificações, porque a arquitetura egípcia é tão bonita e combina muito com o deserto.

A seguinte cena também é interessante. Se eu estiver correta trata-se de uma sepultura. Caso seja, tirando o sarcófago de pedra, uma sepultura de alguém com posses durante o Pré-Dinástico era bem assim. Clicando aqui vocês serão levados para um post onde tem a fotografia de uma.

Mais uma curiosidade para vocês tirarem nota é que no período do filme a escrita hieroglífica ainda não existia. Ela só é desenvolvida durante ou após a unificação do Alto e Baixo Egito.

Outra coisa bem legal, e que espero que tenham mantido no filme, é que eles retratarem Hórus enorme. Na iconografia egípcia deuses ou faraós usualmente eram retratados maiores do que o restante da população, então foi uma ótima sacada.

Dito tudo isso, espero que quem assistir este filme e ficar interessado pela história egípcia que leia este post com carinho. A ideia aqui é ensinar aos interessados em aprender. Se você é fã do filme não sinta-se atacado. E caso algum de vocês creditem que não tem nada a ver uma acadêmica discutir entretenimento, leiam então este meu post: — Arqueologia e ficção: tudo vale em nome do entretenimento?

Ademais, bom filme! E não conversem na sala de cinema.

P.S: Se não gostou do filme não precisa descarregar sua frustração aqui. Não faço parte da produção e nem sou obrigada a ler os mais criativos palavrões. 

Leituras interessantes:

SANTOS. P. V. Religião e sociedade no Egito antigo: uma leitura do mito de Ísis e Osíris na obra de Plutarco (I d.C.). Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, São Paulo.

O Antigo Egito e os primórdios do cinema. Disponível em <http://arqueologiaegipcia.com.br/2014/07/13/antigo-egito-primordio-do-cinema/>.

(Vídeo) O Egito Antigo nos filmes de terror

Neste vídeo convido vocês a fazerem um passeio comigo por algumas das obras cinematográficas de terror que tiraram inspiração da antiguidade egípcia. Naturalmente não citei alguns filmes, mas em breve liberarei em um segundo post mais detalhes sobre o tema e mais alguns títulos para vocês darem uma olhada.

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(Comentários) Novela “Os 10 Mandamentos” (Brasil)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde o início deste ano a Rede Record está veiculando a novela “Os Dez Mandamentos”, cujo enredo baseia-se no mito bíblico do êxodo hebreu, que narra os passos de Moisés, um escravo hebreu que é adotado por uma princesa egípcia e que anos depois liberta o seu povo e os lidera em uma fuga pelo Deserto Oriental. Eu assisti a obra em suas primeiras semanas e ao contrário de “José do Egito” o roteiro me agradou muito, ocorreram até alguns momentos de piadas com termos egípcios, misturando com os nossos, como uma fala da personagem de Yunet, “eu não nasci quando Rá nasceu na manhã de ontem”. Entretanto, com o tempo a história ficou um pouco massante e se estava difícil acompanhar tantos erros históricos, pior ainda estava ter que ver o núcleo feminino dos hebreus falando da importância de casar… Todo o tempo. Abandonei a novela e desde então não tive vontade de voltar a assistir.

Cena da coroação do personagem Ramsés II, interpretado por Sergio Marone. Imagem: Reprodução.

Porém, resolvi escrever este post porque a novela está fazendo um grande desserviço para a Egiptologia; é impressionante o número de gente que está escrevendo para mim com as mais variadas perguntas, algumas sem muito sentido. Vale lembrar que esta novela, assim como “José do Egito” trata-se de uma obra de ficção e que muita coisa apresentada não corresponde com a realidade do Egito faraônico. O próprio mito do Êxodo já é um ponto complicado, porque há alguns anos alguns pesquisadores e teólogos resolveram encaixa-lo no início da 19ª Dinastia, porém esta proposta trata-se de especulação, arqueologicamente falando não existe indícios de escravidão hebreia no Egito (para saber mais leia o texto Êxodo hebreu no Egito: aconteceu ou não?). Mas, ignorando a ausência de indícios, entre esses pesquisadores convencionou-se a encaixar a vida de Moisés no reinado de Seti I e Ramsés II, ponto de vista que foi popularizada por obras cinematográficas, inclusive a própria novela em questão.

Então, para fazer um resumo simples, abaixo estão as atrizes e os atores e os respectivos personagens inspirados em figuras históricas que estão representando (por favor, não caiam no erro da achar que todos os atos deles na trama realmente aconteceram):

Com o enredo planejado com a 19ª Dinastia como plano de fundo, vemos então em “Os Dez Mandamentos” uma série de equívocos na trama, são alguns deles:

☥ Coroação de Seti I: no início da novela temos Seti I reinando enquanto, se não me falha a memória, Ramsés era só uma criança de colo. A realidade é que quando ele foi coroado o príncipe já tinha cerca de nove anos de idade;

☥ Filhas de Seti I: Henutmire não é filha única do casal real (embora alguns pesquisadores nem sequer achem que ela era de fato filha deles), existia ainda outra conhecida, Tyie;

☥ Os pais de Nefertari: Este foi mais um devaneio da obra, já que não conhecemos os nomes e os cargos dos seus pais. Esclarecendo: os personagens Yunet e Paser não existiram;

☥ Dança do Ventre: Esta é uma visão orientalista e anacrônica, totalmente irreal. A Dança do Ventre não tem relação alguma com a antiguidade egípcia;

☥ A Grande Esposa Real e a coordenação de trabalhos domésticos: Checar se a limpeza do quarto do rei estava em ordem não era o trabalho de uma rainha.

☥ Coroação e casamento de Ramsés II: Antes de ser coroado faraó, Ramsés II já possuía duas esposas e vários filhos. Inclusive já era casado com Nefertari.

☥ Quando ocorria o casamento real? O Casal Real casava no dia da coroação.

Outra questão problemática são as roupas, as quais a maioria são casos anacrônicos (não esquecerei tão cedo os biquínis e as roupas de Dança do Ventre), com cores que não eram usadas, cortes e costuras inexistentes na época. Acredito que estes erros grosseiros relacionados com o vestuário tem uma explicação: acho que a ideia era criar uma variedade de imagens, “Os Dez Mandamentos” nunca teve uma finalidade educativa, esta é a realidade, os produtores não estão servindo a um propósito de Educação Patrimonial, é entretenimento. Entretanto, por mais que as roupas egípcias ao longo do faraônico não tenham tido uma variedade de cores, existia uma boa variedade de cortes que poderiam ter sido aproveitados, mas que ironicamente nem sequer aparecem na obra. Uma pena, porque esta seria uma ótima oportunidade de mostrar para as pessoas que a moda egípcia não era monótona. Abaixo alguns exemplos absurdos:

A personagem Nefertari (Camila Rodrigues) e sua mãe Yunet (Adriana Garambone). A roupa da Nefertari tem um corte irreal, mas a da Yunet desconsidere totalmente; do corte a cor, nada disso existia. Imagem: Reprodução.

A princesa Henutmire (Vera Zimmermann) e seu pai e faraó Seti I (Zécarlos Machado). Principalmente nela: ignore toda a roupa. Imagem: Reprodução.

Yunet e Seti I. A roupa dele ainda vai, mas a roupa dela é totalmente século XX, desde a roupa de Dança do Ventre ao chador. Puro orientalismo. Imagem: Reprodução.

Um segurança da guarda real e Seti I. Ainda não sei porque insistem em por armaduras nos soldados, enfim. Já a roupa de Seti I… Esta capa já diz tudo. Imagem: Reprodução.

Mais uma vez tudo errado. Sem brincadeira, o que se salva mesmo aí são os leques de pena. Imagem: Reprodução.

Mais uma vez uma capa, mas não bastava, tinha que ser azul. Meus olhos de arqueóloga verteram lágrimas de sangue. Destaque também para estes arbustos que me lembram árvores de festa natalina. Imagem: Reprodução.

As maquiagens femininas também deprimem. O uso de sombras coloridas provavelmente foi inspirado no Egito Hollywoodiano do filme “Cleópatra” de 1963.

Em relação as joias eu devo tecer alguns elogios; nos primeiros dias da novela eu senti uma pobreza em termos de ligação com a antiguidade e até um erro no mínimo engraçado, onde Seti I aparece usando uma tiara igual ao do Tutankhamon, o que é irônico, visto que Seti I o excluiu da lista de faraós, e ver a personagem do faraó usando um artefato réplica de alguém que ele desvinculou da linhagem real é até cômico. Contudo, com o passar da trama a produção começou a por mais elementos ricos, como peitorais com imagens de deuses, tiaras representando flores, etc. Nesse sentido até que fizeram um bom trabalho.

Esse peitoral usado pelo Ramsés II é perfeito. Ele representa o deus Hórus segurando o símbolo “ouro” em ambas as suas patas. Imagem: Reprodução.

Outro aspecto que foi modificado e para o qual também deixo o meu elogio é sobre a tolerância religiosa: No início era retratado um maniqueísmo entre o povo egípcio e os hebreus, mas com o passar da trama o enredo começou a ficar mais brando e até a explicar um pouco sobre a religião egípcia. Achei ótimo, isto mostra para o público deles que nem todos seguem a mesma religião e que isso não é justificativa para destratar uns aos outros.

Eu tentei assistir a novela mais algumas vezes, mas sinceramente não dá mais. O enredo começou a ficar tolo e nem mesmo os personagens mais cômicos salvam do desastre que são os diálogos sexistas, figurinos e cenários que parecem ter saído de algum filme de gosto duvidoso da década de 1930 a 60 e tantas idéias orientalistas que merecem serem analisadas em algum artigo científico.

O Antigo Egito e os primórdios do cinema

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Este texto é uma tradução minha do artigo The sands of time: ancient Egypt and early film (As areias do tempo: o Antigo Egito e os primórdios do cinema) de Bryony Dixon, curador do cinema mudo no British Film Institute. Ele é interessante, dentre tantos motivos, por abordar alguns dos principais aspectos orientalistas que influenciaram na criação e manutenção dos gêneros que utilizavam como ambiente o Antigo Egito tanto na literatura como – e principalmente – no cinema. Vale a pena dar uma conferida, especialmente para entender de onde surgiu alguns dos nossos pensamentos mais cimentados desta antiga civilização:

As areias do tempo: o Antigo Egito e os primórdios do cinema
Bryony Dixon, curador do cinema mudo, British Film Institute

From Cairo to the Pyramids [Do Cairo às Pirâmides] ( Pathé, 1905).

From Cairo to the Pyramids [Do Cairo às Pirâmides] ( Pathé, 1905).

A nova exibição Ancient lives, new discoveries do British Museum usa a mais recente tecnologia de imagem para nos ajudar a entender as realidades da vida e da morte no Egito Antigo. Todos nós já vimos imagens geradas em computador de múmias trazidas à vida no cinema e na TV, por exemplo na franquia de filmes A Múmia que produziu 6 filmes* entre 1998 e 2012. Mas se voltarmos atrás para o século 19 e início do 20, o visitante do museu teria tido semelhante preparação. Quando o cinema surgiu na década de 1890, o público que veio ver a última novidade já tinha familiaridade com imagens do Antigo Egito depois de um século de Egiptomania — a conquista do Egito por Napoleão em 1798, as escavações de alto perfil, dissecação pública de múmias e a divulgação da decifração dos hieróglifos da pedra da Roseta na década de 1820 por Champollion.

Ilustrações das pirâmides e tumbas preencheu a imprensa ilustrada e múmias e outros artefatos expostos em museus significavam que a iconografia do Antigo Egito era instantaneamente reconhecível, justamente como é atualmente. Elementos como palmeiras, esfinges, hieroglifos, flores de lótus, o Olho de Hórus, leques de penas, camelos e rolos de papiros foram infinitamente reciclados para a decoração de interiores, de palcos e sets de filmes. A imagem é muito adaptável e muito redutível. Um simples pano de fundo de areia, uma pirâmide e uma palmeira e você está lá! Na década de 1890, o Antigo Egito era uma fonte de fascínio em todo o mundo ocidental, mas particularmente nos Estados Unidos, que adotou isto para representar uma continuidade entre a antiga civilização e o estado emergente com uma superpotência: Egito era preferível à iconografia da Antiga Grécia e Roma, uma vez que nitidamente contornou o legado das posteriores civilizações da Europa; os EUA desejaram qualquer coisa nova e desconhecida e assim o Antigo Egito um pouco ironicamente começa a ser associado com a modernidade. A Western Electric Company construiu uma fachada de templo egípcio, completo com incandescentes luzes elétricas na Chicago World’s Fair (Feira Mundial de Chicago) de 1893, completo com troca de telefone operado por empregadas domésticas egípcias seminuas e um grupo de homens do mesmo período implantando linhas telefônicas. Os antigos egípcios teriam sido abençoados (ou amaldiçoados) com o poder da jornada pelo tempo por cetenas de anos. Na Inglaterra, a conexão entre Antigo Egito e antigos filmes está bem encapsulada no fato de que o primeiro edifício na Inglaterra a ser influenciado pelo estilo egípcio — o legendário Egyptian Hall (“Salão Egípcio”) em Piccadilly (finalizado em 1812, demolido em 1905) — foi o espaço de apresentações públicas da maioria dos antigos filmes.

The Haunted Curiosity Shop [A loja de curiosidades assombrada ] (R.W. Paul, 1901)

The Haunted Curiosity Shop [A loja de curiosidades assombrada ] (R.W. Paul, 1901)

The Haunted Curiosity Shop [A loja de curiosidades assombrada ] (R.W. Paul, 1901)

Não somente como um esquema decorativo, o Antigo Egito é repleto de histórias com grande potencial para a literatura e a tela: Histórias bíblicas sobre faraós e o Êxodo, mas particularmente o poder de rainhas, tal como a figura de Cleópatra incorporando o exótico, o erótico e um certo nível de nudez permitida. Outras narrativas teve um elemento de horror: talentosos arquitetos (tal como Imhotep) que acabam emparedados dentro de tumbas, reis excessivamente poderosos, escravos, a obsessão com a morte e o além-vida (reservado para poderosos), mumificação e reencarnação. Um tema recorrente é o da mágica e transformação — múmias retornam à vida e se transformam em outras coisas, escaravelhos e joias de princesas egípcias são amaldiçoadas e mudam as pessoas ou controlam as pessoas ao longo do tempo. A propriedade única do cinema é a habilidade de mostrar essas transformações e visualizar histórias de civilizações passadas como se elas estivessem realmente acontecendo.

O Antigo Egito foi descoberto através dos seus remanescentes arqueológicos, é por isto que as histórias que temos são muito focadas na arquitetura e particularmente na arquitetura da morte, que se presta bem a adaptações para o cinema. A habilidade dos filmes de reavivar cenas perdidas no tempo, tanto no passado e futuro, pode repovoar um ambiente que está geralmente falando de dessecações. O Antigo Egito é a maior civilização que o homem do século 19 poderia voltar em termos históricos — o ponto onde a história conhece o mito. O romance sombrio destas frias areias do tempo — em que a pegada de um homem deixa uma impressão que é instantaneamente destruída pelo vento — emprestou umas gravitas às histórias que poderiam ser exploradas pela cultura popular, incluindo cinema ecoando os próprios faraós, que sem a história linear de sua civilização, apenas uma sucessão continua de histórias repetidas, cada rei tentando destruir o passado do seu antecessor imediato. Apenas com um esforço supremo de um excessivamente poderoso governante com milhares de escravos poderiam causar alguma impressão permanente na paisagem a ser construída.

Estátua de Ramsés II, o “Jovem Memnon”. A cabeça inspirou o poeta Percy Bysshe Shelley a escrever Ozymandias: … Meu nome é Ozymandias, rei dos reis: Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos! Nada resta: ao redor à decadência Destas ruínas colossais, sem limites e vazias As areias solitárias e planas estendem-se à distância.

Esta grandeza e melancolia sobre o Egito que nós encontramos no Ozymandias de Shelley empresta um gravitas para filmes locados no Egito, como ele desempenha a longo prazo nossa preocupação com nossas origens, o ressurgir e a queda das civilizações e o medo de que tudo o que nos são caros um dia será poeira. Esta qualidade épica é provavelmente apenas igualada por histórias ambientadas num futuro distante, no espaço.

A razão para que Antigo Egito seja infinitamente reciclado através do cinema, a partir desses antigos exemplos, é que ele desempenha a favor dos pontos fortes do cinema em si; a condução próxima da paisagem real vista em viagens e relatórios noticiando e o maior truque de mágica do cinema, tornando reconhecíveis as histórias familiares através da iconografia instantaneamente e a visualização do passado romantizado.

Texto original:
The sands of time: ancient Egypt and early film. Disponível em < http://blog.britishmuseum.org/2014/06/23/the-sands-of-time-ancient-egypt-and-early-film/ >. Acesso em 25 de junho de 2014.

*Acredito que o autor cometeu um engano, acho que neste período especifico foram somente 3 filmes.

Katy Perry lança clipe com tema egípcio

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No dia 20/02/2014 anunciei na página do Arqueologia Egípcia, no Facebook, o vídeo promocional da música “Dark Horse” (abaixo), da cantora Katy Perry. Nele é contada a história do futuro clipe: “De acordo com a lenda, existiu uma rainha feiticeira em Mênfis, Egito. Durante as eclipses, reis viajavam do Brooklyn à Babilônia para tentar ganhar seu coração. Se ela cair de amores, você seria o cara. Se não, sua ira iria deixá-lo choramingando. Seu nome é Katy-Patra”.

 

 

Hoje anuncio aqui o clipe propriamente dito:

 

 

Este vídeo, assim como muitos outros que possuem como tópico a antiguidade egípcia, serve para os teóricos da Egiptomania conhecer o que o senso comum recebe, entende ou interpreta como “Antigo Egito”. Existem vários elementos para a discussão neste caso, desde a clara referência visual da personagem Cleópatra, interpretada em 1963 pela atriz Elizabeth Taylor,  ou do filme Stargate (1994), até a idealização de um Egito fabuloso.

Desenho animado com o tema “Antigo Egito”: Tutenstein

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Baseado na criação de Jay Stephens, “Tutenstein” é uma produção do Porchlight Entertainment para o Discovery Kids. O desenho foi estreado em 2003 e tem como personagem principal a múmia de um garoto chamado Tut-ankh-en-set-amun que desperta milênios após a sua morte acidental ocorrida na época do Egito Faraônico.

Em vida Tut-ankh-en-set-amun deveria ser faraó, por isto herdou o Cetro do Poder, artefato responsável por sua ressurreição. Com este cetro ele pode invocar feitiços, mas dada a sua inexperiência ele sempre acaba se metendo em confusão.

Irão surgindo ao longo da série deuses egípcios, seja para ajudar o pequeno governante ou para destruí-lo.

Pôster Tutenstein

Pôster Tutenstein

“Tutenstein” não veio para o Brasil (não possuo informações acerca de Portugal), mas determinados capítulos estão disponíveis em inglês no Youtube oficial da série. Assisti alguns deles e achei divertidíssimo. Naturalmente faz várias alusões ao Antigo Egito (até no nome da protagonista feminina, a Cleo, e do seu gato, o Luxor), desde artefatos até deuses. O interessante é que apesar do tom lúdico de fato ocorreu uma preocupação em deixar vários aspectos próximo ao real, como na cerimônia de pesagem do coração, onde o Tut-ankh-en-set-amun de fato fala uma fórmula egípcia.

Tutenstein

Tutenstein

Tutenstein e Cleo

Tutenstein e Cleo

Cena de Tutenstein

Cena de Tutenstein

 

Abaixo o Capítulo 1 da primeira temporada (em inglês):

 

 

A produção possui 3 temporadas e em 2008 estreou o filme “Tutenstein: Clash of the Pharaohs”, também para o Discovery Kids.

 

Fonte:

Tutenstein TV Episode Guide. Disponível em < http://www.bcdb.com/cartoons/Other_Studios/P/PorchLight_Entertainment/Tutenstein/ >. Acesso em 25 de dezembro de 2013.

Tutenstein Official (Youtube). Disponível em < http://www.youtube.com/channel/UCAVE9d_1tsU6Arwpiw8UONw?feature=watch >. Acesso em 25 de dezembro de 2013.

(Comentários) Série de TV “José do Egito” (Brasil)

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Lançada em 30 de janeiro de 2013, a minissérie “José do Egito”, veiculada pela Rede Record, trata-se de uma adaptação de uma das mais famosas narrativas bíblicas presente no livro dos Gênesis (Antigo Testamento). Eu já tinha comentado ano passado acerca da produção, que na época ainda chamava-se “José: De Escravo a Governador”.

Quando anunciei estar assistindo a “José do Egito” aparentemente foi uma surpresa para algumas pessoas, teve quem, inclusive, se preocupasse em tecer propagandas negativas sobre, mas além de ser uma produção brasileira ela está sendo transmitida em um canal aberto, ou seja, se ela fizesse parte da grade de um canal ao estilo de Arte 1 só estaria disponível para uma pequena parcela privilegiada da população. Porém é em um dos grandes canais formadores de opinião do Brasil e, independente do horário em que está sendo transmitida, é esta série quem está levando imagens – idealizadas, todavia – da antiguidade egípcia para milhares de famílias.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

Considero de grande imaturidade acadêmica ignorar qualquer material, independente dos absurdos que está sendo veiculado, já que a sua análise nos mostra o que está sendo transmitido ao grande público e de que forma isto influi na construção da antiguidade por parte do senso comum. O próprio “José do Egito” nos dá espaço para podemos levantar debates acerca dos discursos Orientalistas presentes na série, desde a roupa dos personagens até sua aparência física e atitudes.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

Nas semanas em que a série começou a ser veiculada li três críticas acerca. A primeira estava associada com a falta de precisão histórica em relação a alguns dos artefatos, especialmente o figurino e no que diz respeito a este último de fato existem grandes erros, com direito a peças que nem sequer existiam na época sugerida e as vestes dos próprios egípcios que na minha visão como arqueóloga é de doer os olhos, mas nada que me faça escrachar a série, que está seguindo erros semelhantes de outros materiais, inclusive os tão aclamados documentários que raramente alguém de digna a criticar. Eu sinceramente gostaria muito que as séries, documentários, livros e filmes fossem perfeitos, mas não são, por isto se consigo assistir “A Múmia” (1932, 1999 e 2001), “O Egípcio” (1954) e “Cleópatra” (1963) porque não posso assistir a uma produção paulatinamente brasileira?

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

A segunda critica é em respeito ao conteúdo religioso que de fato está presente, mas é o natural, afinal, tratasse de uma adaptação de uma narrativa bíblica. Eu não esperaria menos de, por exemplo, uma adaptação do Bhagavad Gītā.

A terceira critica, e que concordo plenamente, é o roteiro. As falas normalmente são extremamente melosas – especialmente as da rainha Tany (Bianca Rinaldi) que beiram a cafonice – e em alguns momentos nada convincentes, é até um desperdício utilizar algumas atrizes e atores tão bons e um recurso visual lindo com um roteiro tão ruim.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

Outro problema, mas desta vez não cheguei a ler nenhum protesto acerca, é em relação aos estereótipos. No capítulo 05 (27/02/2013), episódio em que o personagem principal, o José (Ricky Tavares), foi jogado na caverna por seus irmãos mais velhos e seguidamente vendido como escravo pelos mesmos, miseravelmente retrata um estilo já batido para os mercadores, pertencentes aos ismaelitas, que de acordo com as tradições islâmica e judia são antepassados dos Árabes. Além de retratar roupas que não existiam na época, demonstra uma perspectiva Orientalista, baseando a imagem destes personagens naquele velho estereótipo da aparência e personalidade ditada e reproduzida pelo Ocidente para os árabes, com direito ao lenço enrolado na cabeça, feição e atitudes rudes e a tendência a animalizar a vida alheia [1], como no caso desta série onde o mercador além de negociar humanos, constantemente os humilha com agressões psicológicas e físicas.

Mais um ponto infeliz e ainda com preceitos Orientalistas são as representações das prostitutas ou as “mulheres fáceis”. Elas são mostradas usando roupas que lembram as otomanas as quais algumas foram representadas em pinturas de dançarinas em haréns, com direito a um véu cobrindo o rosto, ao estilo das idealizadas odaliscas. Para variar, também no capitulo 5, durante a cena em que estão trabalhando elas puxam alguns passos que lembram a atual Dança do Ventre, algo que a meu ver pegou muito mal, principalmente porque as dançarinas hoje lutam muito para mostrar que o que elas fazem é uma arte e não uma ferramenta de sedução ou prostituição.

A Dança do Ventre também está “presente” (entre aspas porque deu para reconhecer alguns passos que foram baseados nesta arte) na dança das egípcias. Vale deixar claro que este tipo de bailado não surgiu no Período Faraônico. Isto é mito.

Outra coisa que incomoda muito é a misoginia presente na trama e que se mostra mais fortemente no 26ª capítulo, quando Namar (Camila Rodrigues) é acusada de adultério mesmo sendo viúva e não tendo recebido o terceiro filho de Judá (Vitor Hugo) como esposo, ou quando Zilpa (Andréa Avancini) culpa somente Bila (Carla Cabral), mas não Ruben (Guilherme Winter), pelo adultério. Também quando os filhos de Jacó desmoralizam as mulheres que tenham tido mais de um parceiro sexual. Estes são somente alguns exemplos e será uma pena se a Azenate (Maytê Piragibe) aceitar renegar a sua fé nos deuses egípcios só para atender o gosto religioso de José (Ângelo Paes Leme).

Contexto histórico da série e alguns pontos para a observação:

Arqueologicamente não existem indícios no Egito [2] que comprovem a existência de José. Ele somente faz parte da cultura material advindas dos devotos da Bíblia, o que o caracteriza como um mito. Porém, nos primórdios da Arqueologia no país e até meados do século XX não era incomum a busca por artefatos que comprovassem a existência de José, porém equívocos foram identificados, o que tem dado pouca seriedade aos estudos. Dentre eles jaz a antiga sugestão de que as pirâmides do platô de Giza se tratavam dos celeiros de estocagem de alimentos para os sete anos de seca alertados por José (GRIMAl, 2012), previstos através da interpretação dos sonhos do faraó. O que atualmente sabemos que não corresponde com a realidade.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

Porém para a série foi escolhido um contexto histórico interessante para encaixar o mito de José. Embora no Velho Testamento o faraó não seja nomeado, foi escolhido o faraó Aphopi, que reinou durante a 15ª Dinastia (Segundo Período Intermediário).

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

O que torna o encaixe interessante é que Aphopi viveu durante a época de divisão do país, quando o Egito era governado por dois poderes, estando o povo nativo ao Sul, em Tebas, e os invasores hicsos, o qual Aphopi fazia parte, ao norte, em Aváris. Historicamente esta cidade foi o centro de culto ao deus da desordem Seth e para variar as divindades advindas de populações estrangeiras que se assentavam no Egito eram assimiladas ao deus do caos e chamadas de “Enviadas de Seth”. Dentre algumas destas divindades estavam Baal e Astarte (DAVID, 2011).

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

Tirando o contexto histórico escolhido para integrar a trama o restante é fictício, me vejo na posição de escrever isto porque na página do Arqueologia Egípcia no Facebook ao postar a imagem do funcionário Mitri (que viveu entre a 5ª e 6ª Dinastia) fui questionada se se tratava do escriba de Potifar. Eu nunca imaginei, mas a série está dando uma péssima aula de História Antiga. Porém algumas coisas são relevantes para serem discutidas. Seguem alguns pontos para observações:

– Escravidão: Esta força de trabalho, tal qual a conhecemos, só surge no Egito durante a Era Greco-Romana. Para os períodos anteriores não é correto utilizar desta definição já que toda a população egípcia tinha um débito de trabalho para com o Faraó em que era uma obrigação de todo e qualquer individuo atender estas expectativas e se elas não fossem atendidas existiam castigos corporais. Este era o sistema social do Egito, o que poderia causar estranhamento entre os mercenários estrangeiros.

– Prisão egípcia: Particularmente não consigo lembrar-me de nenhum artigo que tenha mencionado um espaço ou edifício que tenham servido como prisões permanentes, mas algumas pessoas tidas como “não quistas” eram exiladas. Em minha dissertação (2013) comento rapidamente acerca do uso dos oásis como abrigos para pessoas consideradas subversivas.

– Roupas: Na série alguns cortes para roupas utilizadas pelo o lado egípcio da trama não existiram no faraônico. Então o espectador deve manter cuidado em relação a isto.

– Maquiagem: O mesmo vale para a maquiagem da série, especialmente as das mulheres, que foram baseadas na de Elizabeth Taylor no filme “Cleópatra” (1963).

– Perucas: Embora até agora nos capítulos somente as mulheres apareçam usando perucas, os homens também as usavam.

– Casas: Não sabemos bem como eram os interiores das casas, mas em alguns casos elas provavelmente eram coloridas com desenhos, alguns dos quais com motivos da natureza e com colunas. Para a residência dos mais abastados poderiam existir um lago artificial.

– Ruas: É um dos poucos pontos que mais gosto na série. Algumas ruelas lembram muito as reconstituições arqueológicas de Deir el-Medina.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

José do Egito. Rede Record. Imagem Divulgação. 2013.

[2] Só posso comentar acerca da Arqueologia Egípcia, talvez os interessados possam procurar mais acerca na Arqueologia Bíblica.

 

Facebook oficial: https://www.facebook.com/JoseDoEgitoOficial
Site Oficial: http://entretenimento.r7.com/jose-do-egito

 

Referências:

DAVID, Rosalie. Religião e Magia no Antigo Egito (Tradução de Angela Machado). Rio de Janeiro: Difel, 2011.

GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas. Revisão Técnica Manoel Barros de Motta). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

[1] HAYDOCK, Nickolas. RISDEN, Edward (Org.). Hollywood in the Holy Land: Essays on Film Depictions of the Crusades and Christian-Muslim Clashes. North Carolina: McFarland & Company. 2009.

Egiptolizando: Walk Like An Egyptian

 

Temas ligados ao Egito da era faraônica têm inspirado muitas gerações de cantores. Nos anos oitenta surgiu um hit que fez sucesso por sugerir que seus ouvintes “caminhassem como os egípcios”, Walk Like an Egyptian, cantado pela a banda feminina The Bangles.

The Bangles – Walk Like an Egyptian.

Integrantes da banda The Bangles em Walk Like an Egyptian.

 

Walk Like an Egyptian hit do álbum Different Light (lançado em 1985) foi na época a música número um nas paradas de sucesso. A inspiração para Liam Sternberg, autor da canção, seria um passeio aquático onde teria observado as pessoas tentando se equilibrar em pé nos barcos o que o fez se lembrar justamente das imagens das pinturas funerárias do Egito. O clipe foi muito celebrado na época em que foi lançado. Confira abaixo o vídeo-clipe na integra:

 

Duas, dentre tantas, curiosidades ligadas a esta música é que ela foi um dos temas do filme Astérix & Obélix: Missão Cleópatra e em 2001, após o ataque terrorista a Nova York em 11 de Setembro, teria sido considerada uma música inadequada por um documento intitulado 2001 Clear Channel memorandum.

The Bangles – Walk Like an Egyptian. Capa de 1990.

 

A letra não é lá grande coisa, na verdade não fala nada com nada, mas a melodia é bem interessante, o que explica parte do sucesso da música na década de 80.

Fonte:

Best of the 80s. Disponível em http://bestofthe80s.wordpress.com/2011/02/09/walk-like-an-egyptian/ Acesso em 15 de Fevereiro 2011.

The Bangles. Disponível em < http://www.thebangles.com/bio/bio.asp > Acesso em 15 de Fevereiro 2011.

The Bangles – Walk Like An Egyptian. Disponível em < http://www.rockandpop80s.com/index.php?main_page=product_info&cPath=9&products_id=1229> Acesso em 15 de Fevereiro 2011.

 

O Segredo da Múmia (1982)

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Ao contrário do que muitos imaginam, o Brasil já produziu filmes com temática antiguidade egípcia, e embora eu tenha achado o trailer de “O Segredo da Múmia” de um mau gosto infernal estou aqui divulgando o material para vocês.

  

Cartaz (Brasil)

 

Dirigido por Ivan Cardoso, “O Segredo da Múmia” é um dos muitos filmes produzidos no Brasil e que saiu do conhecimento popular. Ele conta o drama do Dr. Vitus, um cientista que é ridicularizado por seus colegas acadêmicos após ter inventado o que ele chama de “Elixir da Vida”. Em uma viajem ao Egito descobre a tumba de Runamb e utiliza na múmia deste o seu elixir trazendo-o então de volta a vida.

Runamb, sendo um insaciável apreciador de mulheres, começa a raptar moças até encontrar uma radialista chamada Miriam, a reencarnação da egípcia Nadja, aquela que outrora foi a mulher que ele mais amou.

 

Cartaz (Portugal)

 

Em termos de make a melhor escolha foi Anselmo Vasconcelos como Runamb (uma das poucas coisas que me chamou a atenção para o filme, além da idéia do roteiro).

 

O filme não foi lançado em DVD. Provavelmente você só verá no Canal Brasil.

Como o trailer é +18 não vou publicá-lo aqui, mas no Youtube é possível encontrá-lo.  

Sobre o filme:

Ano: 1982
País: Brasil
Temp: 85 min 
Género: Terror/Comédia (Terrir) 
Idioma original: Português brasileiro
Direção: Ivan Cardoso
Roteiro: Rubens Francisco Luchetti

Elenco:

Wilson Grey: Expedito Vitus
Anselmo Vasconcelos: Runamb
Clarice Piovesan: Gilda
Evandro Mesquita: Everton Soares
Regina Casé: Regina
Felipe Falcão: Igor
Tânia Boscoli: Nadja
Júlio Medaglia: Rodolfo
Jardel Filho: Almir Gomes 

 

Para ver mais: Pé em Quadro: O Segredo da Múmia, de Ivan Cardoso, 02/04/2010 <http://www.peemquadro.com/2008/01/o-segredo-da-mmia-de-ivan-cardoso.html>