Chamada para trabalhos: XIII Colóquio do Centro do Pensamento Antigo (CPA) – IFCH (SP)

Ainda está aberta a temporada de submissão de trabalhos para o evento “Tempo, crise e oportunidade no mundo Antigo: XIII Colóquio do Centro do Pensamento Antigo (CPA) – IFCH”, que ocorrerá durante a IV Semana de Estudos Clássicos do CEC – IEL, entre o dia 3 a 5 de novembro de 2015. Abaixo o texto disponibilizado pela divulgação:

Uma tumba Ramséssida em Luxor. Luxor Times.

Ao tratarmos das antigas Grécia e Roma, deparamo-nos com diversas representações de tempo. O tempo enquanto dado, concedido ao homem e às coisas, ou o que lhes é tirado; o que os seres aumenta ou destrói. O tempo como momento que ora coloca homens, obras, civilizações e seus legados em cheque, em crise, ora oferece a oportunidade de mudanças ou de luta por manutenção.

Estudiosos de textos, monumentos, eventos da Antiguidade grega ou romana não têm como se esquivar da lida com várias facetas do tempo, que define mesmo seu objeto de estudo, situando-o em vulneráveis demarcações (datas, etapas, idades, eras). O tempo marca também, como é notório, os próprios estudiosos e seus métodos, na lida com tais objetos e na história de sua ciência.

Levando em conta tais reflexões, o Centro de Estudos Clássicos e o Centro do Pensamento Antigo convidam os colegas interessados à submissão de trabalhos nas áreas de História Antiga, Arqueologia Antiga, Letras Clássicas e Filosofia Antiga para seu evento bienal que realizam em conjunto.

Este ano, o evento se realizará nos dias 3, 4, e 5 de novembro (dias dedicados a História Antiga, Letras Clássicas, Filosofia Antiga, respectivamente), e seu tema gira em torno da questão do “tempo”, envolvendo também dois aspectos a ele mais concretamente associáveis, os temas da crise e da oportunidade, que poderão ser desenvolvidos por meio de abordagens diversas dentro de cada área.

Inscrições abertas para apresentação de comunicações, pôsteres, ou para ouvintes.
Valores e demais informações, ver site do evento: tempusceccpa.wordpress.com

(Resenha – Livro) A vida no Antigo Egito, de Eugen Strouhal

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A vida no Antigo Egito, de Eugen Strouhal. 2007.

A vida no Antigo Egito (Life in the Ancient Egypt, no original) é um dos livros que eu mais cito em artigos, embora ele não seja do meu agrado. Ele apresenta de forma linear aspectos da vida no Egito faraônico como a concepção da vida, o nascimento, a educação infantil, as brincadeiras, o amor, sexo, trabalho e a morte. O seu autor, o Eugen Strouhal, estudou medicina, arqueologia e antropologia em Praga e Bratislava.  Trabalhou no Egyptological Institute e no Naprstek Museum em Praga e já escavou na Núbia com uma missão checa e no Egito na cidade de Abusir. Também trabalhou com uma missão anglo-holandesa.

Em um contexto geral a obra não decepciona, mas existem algumas questões problemáticas. Uma delas é o aparente machismo do autor, que descreve a vida das mulheres como parte da preocupação econômica dos homens, adotando o discurso de que elas não precisavam trabalhar para se sustentar, embora saibamos que esta é uma ideia equivocada e que leva a diante os discursos propagados por egiptólogos de séculos passados. Em complemento embora sustente o discurso da inferioridade feminina no Egito Antigo, ele consegue contradizer-se em outras sentenças ao falar da liberdade das mulheres egípcias, como escrever contratos de emprego, exercer diferentes cargos desde camponesas a supervisoras e até disponibilizar empréstimos.

Eugen Strouhal.

Da mesma forma é a afirmação da existência de escravidão: ele usa esta definição, embora o conceito de escravidão para o Antigo Egito precise ser revisado porque também foi pensado no início da Arqueologia Egípcia, quando o seu estudo era influenciado ao máximo pelas fontes clássicas e bíblicas.

Outra grande questão identificada são os erros de digitação (letras em falta, palavras escritas com as sílabas separadas) e de ortografia de alguns nomes próprios. A escrita em si também não é muito animadora, sendo por vezes um pouco confusa (como no 1º Capítulo) ou não linear, o que pode confundir até mesmo os leitores mais inteirados na antiguidade egípcia.

Existe também a ausência de referências em meio aos textos para a confirmação de alguns dados, exceto pela lista bibliográfica ao final. Logo, a única fonte de informação acerca de determinados assuntos é o próprio Strouhal, mas este não é um problema único dele, podemos notar isso em muitas outras obras estrangeiras (o que é bem irritante).

Contudo, um dos pontos positivos é justamente a presença de várias informações acerca da vida cotidiana no Egito faraônico, todavia, reiterando, algumas informações são equivocadas e frutos de estereótipos. O outro são os registros fotográficos, o livro é muito bem ilustrado e as fotografias contém em suas legendas informações parciais sobre o sítio de onde se localiza (ou se localizava) o objeto retratado e a datação dele de acordo como período histórico ou dinastia.

Ele também apresenta muitos termos do egípcio antigo, o que pode enriquecer um pouco o conhecimento linguístico dos leitores.

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Reafirmo que no geral ele não decepciona, mas eu aconselho aos interessados a lerem obras de teoria da Arqueologia e criticas ao Orientalismo antes de se dedicar a este livro porque assim será possível entender alguns dos posicionamentos adotados ao longo dos capítulos.

Dados do livro:

Título: A vida no Antigo Egito

Gênero: Egiptologia

Autor: Eugen Strouhal

Tradutores: Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves

Editora: Folio

Ano de Lançamento (Brasil): 2007

 

(Comentários – Livro) Uma viagem pelo Nilo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Seria bem injusto e contraditório eu escrever uma resenha do meu próprio livro, então realizei somente comentários acerca da publicação, detalhes e curiosidades da obra. Aqueles que tiverem interesse em ler a introdução ela está disponível neste link.

Uma viagem pelo Nilo. Márcia Jamille. 2014.

Lançado no início de 2014, Uma viagem pelo Nilo é uma apresentação de vários aspectos da sociedade egípcia, como o pensamento base da “dualidade” entre Osíris e Seth e a Maat versus o caos, e que nos auxilia a entender parte do pensamento politico-religioso do Egito faraônico. Comento também as teorias de quem teria sido o unificador do país e proporciono uma imagem do mundo religioso, com direito a um glossário de deuses, a explicação dos diferentes tipos de múmias de animais, comentários sobre o Período Amarniano e até mesmo sobre a ligação transcendental entre as sociedades egípcias com o meio aquático, que vai muito além do seu uso para a subsistência. Acerca deste capítulo devo reconhecer que está muito curto, especialmente porque foi o tema da minha monografia e dissertação. Entretanto, acredito que passei o assunto bem, mostrando os principais pontos que tornavam a água um ambiente especial para os egípcios. Sinceramente é um dos meus tópicos favoritos do livro.

Claro que todas as ciências-humanas são politicas e a Arqueologia e a Egiptologia não estão fora disto: nos dois últimos capítulos apresento um pouco do mundo da Egiptologia como a sua história, que não pode ser dissociada das praticas imperialistas da Europa e que ainda está ligada aos trabalhos realizados atualmente no país, uma posição que necessita urgentemente ser revista.

No livro está incluso um QR code para acesso rápido para o Arqueologia Egípcia através do seu smartphone, tablet ou iPhone. Claro que um livro inspirado em um site teria que ter uma ligação até ele. 😀

Um dos temas os quais fiquei acanhada em citar é acerca dos receios de alguns dos interessados em ganhar a vida com a Arqueologia Egípcia ou a Egiptologia. Explicando de forma simples ambas as disciplinas são extremamente tradicionais e relativamente fechadas — a tal ponto que alguns pesquisadores sentem orgulho em contar nos dedos quantos profissionais podem ser encontrados no seu país —, desta forma, para algumas pessoas pode ser desestimulador tentar seguir a profissão. Escrevi sobre este assunto inspirada na minha própria experiência e escutando relatos de alguns alunos.

Vídeos:

Curiosidades:

☥ Inicialmente a capa iria retratar um Benu, que é um dos animais mitológicos que mais gosto, além de ser um dos temas de uma tattoo que tenho no braço. Contudo no último instante surgiu esta maravilhosa foto de um gato egípcio com um escaravelho na testa. Foi amor à primeira vista porque une dois animais que amo muito (o gato e o escaravelho). Quem assina a fotografia é o Nic MC Phee;

☥ Para ser lançado e divulgado este livro teve três investidores anjos que atuaram em esferas diferentes;

☥ Graças a este livro acabei sendo citada em um jornal espanhol, o “La Vanguardia”, de Barcelona (Espanha).

Links que podem ser do interesse de vocês:

Como comprar: http://arqueologiaegipcia.com.br/umaviagempelonilo/ondecomprar.html
Facebook do Livro: https://www.facebook.com/umaviagempelonilo
Site: http://arqueologiaegipcia.com.br/umaviagempelonilo/
Tumblr: http://umaviagempelonilo.tumblr.com/

【Artigo】 Entre sarcófagos e templos: a cultura material do Egito ptolomaico

Entre sarcófagos e templos: a cultura material do Egito ptolomaico | Thiago do Amaral Biazotto | Português

Ao longo das últimas décadas, o estudo da História Antiga tem sido renovado a partir de duas prerrogativas básicas: uma preocupação cada vez mais aguçada com o contexto de formulação de seus cânones, admitindo no mais das vezes que os saberes acerca do Mundo Antigo têm sido reconstruídos de forma a atestar e sustentar uma irrefutável superioridade européia sobre os demais territórios e, igualmente, pelo diálogo mais contíguo entre esta disciplina e a Arqueologia, pela incorporação, cada vez mais intensa, do estudo dos vestígios materiais (…)

Obtenha o artigo: Entre sarcófagos e templos: a cultura material do Egito ptolomaico

(Resenha – Artigo em Revista) “Os Faraós Negros”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No mês de novembro, a revista Superinteressante lançou uma edição especial denominada “Coleção Grandes Mistérios: Civilizações Perdidas (Edição 3)”, com uma capa bem diferente que mostra a deusa Athena de duas formas, uma como “humana” e outra transformada em uma ruína arqueológica submersa (clique aqui para ver em vídeo). Dentre várias matérias que apresentam conclusões, palpites de teorias e apresentações de sítios arqueológicos, está o texto “Faraós Negros”, de Iuri Ramos.

Revista Superinteressante, Coleção Grandes Mistérios Civilizações Perdidas (Edição 3). Os Faraós Negros. 2013.

Revista Superinteressante, Coleção Grandes Mistérios. “Os Faraós Negros”. 2013.

A matéria fala sobre os faraós kushitas, também chamados de “Faraós Negros”, que reinaram durante o Terceiro Período Intermediário. Estes homens, advindos de Napata (na Núbia; atual Sudão) e que abriram a 25ª Dinastia, como bem salienta a matéria, por muito tempo foram ignorados dos debates egiptólogos não só por pertencerem a um período histórico com muitas lacunas, mas por justamente não terem sido tratados seriamente, especialmente devido à visão racista que preferia ignorar estes anos a estudar uma dinastia de faraós de pele escura.

O artigo é curto, sendo somente uma página, mas resume bem este momento, embora teria sido também interessante ao menos comentar um pouco acerca da importância do papel das “Divinas Adoradoras” para o estabelecimento de núbios no poder.

Acredito que não existe o que se dizer do texto – é afirmado que o faraó Taharqa foi citado na Bíblia, mas como não tenho informações não posso comentar acerca -. Sinceramente está ótimo e em complemento acredito que a imagem que ilustra a matéria ficou sensacional.

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Revista Superinteressante, Coleção Grandes Mistérios. “Os Faraós Negros”. 2013.

Revistas de novembro que serão comentadas:

(Resenha – Artigo em revista) “Os Mistérios de Tutancâmon”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Neste mês (novembro), foram comemorados 91 anos de descoberta da tumba do faraó Tutankhamon e para solenizar a revista História Ilustrada publicou o texto “Os Mistérios de Tutancâmon” (Ano 2, n°5 – 2013). Em comemoração ao evento, esta edição veio com uma capa com um desenho ilustrando o faraó através da sua polêmica reconstituição facial lançada em 2005.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013.

Para discutir o tema “Tutankhamon”, o editorial dedicou oito páginas para ele, com os pontos de debates bem distribuídos e bem confortáveis para ler, porém, em termos de conteúdo, a matéria possui alguns problemas e são eles:

▸ O artigo inicia com uma chamada equivocada (página 26), afirmando que a tumba do faraó foi encontrada no dia 26 de novembro de 1922, mas neste dia o que ocorreu foi a abertura da parede que levava para a primeira câmara e o pronunciamento da famosa frase do arqueólogo Howard Carter, “Vejo coisas maravilhosas”, quando ele observou o que existia dentro do túmulo pela primeira vez. Em verdade, a tumba foi descoberta semanas antes, no dia 04 de novembro.

▸Tutankhamon não foi o faraó mais jovem a assumir o trono, mas provavelmente Pepi II (VI Dinastia), o qual acredita-se que começou a reinar aos seis anos.

▸ Ao contrário do que a matéria apresenta, a tumba estava perfeitamente identificada já na parede inicial que lacrava o sepulcro. A princípio Carter não sabia a quem pertencia porque não tinha retirado todo o entulho que cobria a primeira parede antes do dia 24 de Novembro.

▸ O resultado dos trabalhos de Hawass, citado na página 30, não saíram em 2012, mas em Fevereiro de 2010.

▸ A múmia da KV-21, no relatório original da pesquisa, não foi confirmada como sendo Ankhesenamon, a esposa de Tutankhamon, mas como alguém de vínculo sanguíneo próximo.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013.

▸ Somente uma das crianças encontradas na KV-62 foi confirmada como sendo filha de Tutankhamon, a outra não tinha material genético suficiente para a análise.

 

Para quem ficou na curiosidade:

▸ Na página 27, no quadro “A Maldição do Faraó”, a lenda da frase com o agouro foi inventada pelos veículos de imprensa, que queriam tirar lucros vendendo histórias sobre a tumba.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013.

▸ Na página 28 o Vale dos Reis é descrito como o local de sepultamento dos reis, mas isto foi somente durante um período (especificamente durante o Novo Império), posteriormente, nos tempos mais tardios, algumas das tumbas seriam reutilizadas por plebeus. Em complemento, mesmo no Novo Império, o local serviu para sepultar também outros membros da realeza e pessoas da nobreza.

▸ Na página 29, a cama ritual apresentada (chamada no texto de “baú”) embora tenha ligação com a deusa Hathor ela é referente a outra divindade chamada Mehet-Weret.

No geral, embora possua estes equívocos, a matéria visualmente é bem convidativa. Alguns dos nomes egípcios não foram convencionados para a grafia adotada no Brasil, o que pode gerar um grande estranhamento. Por fim, vale ressaltar que já surgiram novas teorias de como se deu a morte do faraó e o grau de parentesco das múmias utilizadas nos exames para identificar membros da sua família. Muitas das propostas lançadas por Hawass e sua equipe de 2010, as quais os resultados da pesquisa foram listados na matéria, não são aceitas unanimemente pela a academia e inclusive existe uma série de artigos questionando a viabilidade das conclusões apresentadas. Infelizmente tais réplicas não ganharam espaço na imprensa.

 

Revistas de novembro que serão comentadas:

(Resenha – Livro) “Egito Antigo”, de Sophie Desplancques

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Eu tenho este livro fazem quase dois anos pensando em realizar uma resenha para o Arqueologia Egípcia, mas nunca me animei de fato para lê-lo. Creio que isto se deu por meu preconceito com os formatos pockets ao acreditar que livros de verdade precisam ter um tamanho A5 ou superior e mais de oitenta páginas, mas estou tentando trabalhar este meu problema.

Egito Antigo. Sophie Desplancques. 2011.

Egito Antigo. Sophie Desplancques. 2011.

Apesar deste quesito, fui capaz de entender que a principal vantagem deste livro está em seu tamanho, que o faz mais portátil e possível de ser levado para qualquer lugar e ser lido tranquilamente por quem está interessado em conhecer mais acerca da civilização egípcia, mas não tem muito espaço para guardar um livro na bolsa ou mesmo não tem interesse ou disposição física para levar o peso extra de um livro na bagagem. A ideia dos pockets são tentar influenciar os mais variados indivíduos a ter uma proximidade com a leitura (por isto tantos clássicos foram convertidos para tal formato), mas é onde surge o problema do livro “Egito Antigo” (L’égypte Ancienne, título original): ele não é para o deleite, mas sim para realmente fazer uma introdução sem meias palavras do pensamento político e religioso do Egito Faraônico. Ele, definitivamente, é uma tentativa satisfatória de realizar uma apresentação dos principais aspectos das antigas comunidades que viviam no território egípcio, mas sem se aprofundar em individualidades, ou seja, a autora apresenta o Egito Antigo em termos generalistas.

O material foi escrito por Sophie Desplancques, que além de jornalista possui um doutorado em Egiptologia e ensina História da Civilização Egípcia na Associação Papyrus em Lille, na França. Não conheço nenhum outro material dela, mas com este livro sua capacidade em repassar a história faraônica em poucas linhas foi comprovada.

Sophie Desplancques.

Sophie Desplancques.

A leitura não é extenuante, mas para algumas pessoas pode tornar-se confusa com uso de termos que podem soar estranhos para um leigo, a exemplo do uso da definição “Baixa Época”, ou pelo o fato das informações serem tão condensadas. Para se ter uma ideia, na Introdução, que se consiste de três páginas, a autora comenta a ideologia que sustentava a base discursiva por trás da cronologia faraônica e cita como exemplo a queda do Período Amarniano; explica o uso, por parte dos antigos, do passado como um modelo de conduta; identidade egípcia; as fases históricas, a divisão por impérios e as dinastias locais durante os períodos de instabilidade política.

Enquanto que no capítulo 1º ela faz uma abordagem geral da história egípcia, no 2º ela comenta acerca dos estudos da Pré-História e História egípcia: em relação a Pré-História ela realiza um passeio pelo o que até então se sabia sobre as culturas badarianas, Naqada I e Naqada II.

No capítulo 3º ela comenta alguns dos acontecimentos ocorridos a partir da 3ª Dinastia até a invasão hicsa no Segundo Período Intermediário. Acerca deste capítulo é uma pena que ela cite o reinado da faraó Nitócris como o sinal de uma crise pelo o motivo de ter sido uma mulher quem assumiu o trono. Vemos irregularidades dinásticas ocorrerem em períodos antes e depois do reinado desta faraó, com militares ou sacerdotes assumindo o trono em épocas de crises politicas e sucessórias. Além do mais, outras mulheres assumiram as Duas Coroas, mas foram em momentos dispares da história, tanto em épocas intermediarias como durante o Império egípcio.

L’égypte Ancienne. Sophie Desplancques.

L’égypte Ancienne. Sophie Desplancques.

No capítulo 4º ela introduz o início de fato do Império Egípcio e o começo do auge de Karnak e do deus Amon. Aqui ela explica o papel das figuras principais que constituíram este período: os tutméssias, Akhenaton e os raméssidas. Acerca do Período Amarniano ela, ao contrário de muitos outros materiais, cita as intervenções do faraó Akhenaton em outros países, especialmente os da Ásia ocidental (usualmente os materiais especializados tendem a descrever o governo deste como apático em relação às questões da política externa).

No capítulo 5º, Desplancques explica o estado social que se encontrava o Egito a partir do final da 20ª Dinastia e que o levou para os domínios dos governantes estrangeiros na Baixa Época. O leitor deve notar o breve ensaio que a autora faz acerca do cargo da Divina Adoradora de Amon, muito importante na história faraônica (surgida efetivamente no Novo Império), mas que ainda é pouco discutido.

Considerações:

Este não é um livro para quem espera realizar uma leitura despreocupada, mas para aqueles que realmente possuem interesse em tentar começar a entender o que de fato foi a civilização egípcia, como ela começou a surgir, do que se constituiu e quando se deu o seu fim. Porém, de forma semelhante ao Grimal, ela denota pontos elitistas da história egípcia, tradicionalmente utilizados como parâmetro, narrando o passado do ponto de vista da realeza, e raramente comentando acerca da vida do povo comum, que era a maioria e em grande parte iletrada.

Minha ressalva negativa é que em todos os capítulos Desplancques introduz o tema a ser abordado com um resumo, depois, através de subcapítulos, ela comenta os principais aspectos do período abordado e não raramente repete informações que ela já tinha dados em outros pontos.

Em termos gerais o livro é bem escrito e embora seja um pocket ele não decepciona e cumpre o prometido, que é apresentar a história faraônica em termos gerais. Embora seja menor e tenha menos conteúdo, é um bom investimento, visto o preço, que é mais acessível que muitos livros acerca do mesmo tema que são encontrados no mercado.

Este é um dos poucos livros que dou nota máxima (inclusive no Skoob). E em pensar que antes eu não estava dando muita ressalva para ele simplesmente pelo o fato de se tratar de um pocket.

Dados do livro:

Título: Egito Antigo

Gênero: Egiptologia, História Antiga.

Autor: Sophie Desplancques

Tradutora: Paulo Neves

Editora: L&PM Pocket

Ano de Lançamento (Brasil): 2011

Edição: 2ª Edição

Valor do livro impresso: R$ 14,00

Valor do livro digital:  R$ 9,00

Semana de História da UFF

Enviado por Rennan de Souza Lemos (Via e-mail):

 

Semana de História da UFF. 2012.

 

Semana de História da UFF

 

Entre 26 e 30 de março de 2012 ocorrerá a Semana de História da UFF. O evento é organizado por discentes do curso de História da universidade e conta com o apoio do Departamento de História, da Coordenação do Curso de Graduação, do PPGH, do Centro Acadêmico de História (CAHis) e da revista discente de História Antiga e MedievalPlêthos.

A Semana vem resgatar o debate como fator importante no desenvolvimento intelectual do historiador. O objetivo é debater publicamente temas importantes da historiografia produzida na UFF, bem como abrir um espaço privilegiado ao debate das pesquisas que vêm sendo desenvolvidas na graduação e na pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense e de outras instituições.

Os quatro dias da Semana dividem-se de acordo com as tardes de debates entre os professores da UFF: História Antiga, História Medieval, História do Brasil, História da América e História Contemporânea. Além disso, pela manhã, ocorrerão mesas de comunicações, para as quais esperamos receber resumos de discentes de graduação e pós-graduação e também daqueles já formados.

O debate de abertura do evento, a ocorrer na noite do dia 26/03/2012, será entre Ciro Flamarion Cardoso e Ronaldo Vainfas: “Os novos domínios da História”. O debate vem no encalço do livro Novos domínios da História, organizado pelos dois professores, prestes a ser lançado.

Haverá também oficinas, exposições e lançamento de livros, dentre os quais um livro de graduandos da área de Contemporânea sobre História Oral, organizado pela professora Denise Rollemberg.

O período de submissão de resumos de comunicações e propostas de mesas coordenadas via e-mail está aberto: até 31 de janeiro. O objetivo é publicar posteriormente (na dependência de disponibilidade de verbas) os textos apresentados na Semana.

As inscrições de ouvintes podem ser feitas por meio do e-mail ou presencialmente na ocasião.

Para maiores informações e programação, ver: semanadehistoriadauff.wordpress.com. E-mail para dúvidas e inscrições: semanadehistoriadauff@gmail.com. O cartaz do evento segue anexo.

Cordialmente,

Rennan de Souza Lemos

(Graduando em História/UFF – Comissão organizadora)

 

Aos leitores que não são da academia: vale ir também para conhecer um pouco o trabalho do pessoal.

 

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