(Palestra online) Conhecendo o Período Amarniano

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Finalmente um velho desejo meu será realizado! O Arqueologia Egípcia passará a veicular palestras em um ambiente cibernético fechado. Isso é uma coisa que eu queria realizar faz muitos anos, que é criar um ambiente mais intimista voltado para a discussão de temas específicos. Então, é com muita felicidade que anuncio que no dia 29/08/2015 liberarei aqui mesmo no Arqueologia egípcia uma palestra online denominada Conhecendo o Período Amarniano, onde abordarei os aspectos gerais desta época e algumas das últimas descobertas arqueológicas relacionadas com a família real amarniana.

Estela amarniana. Foto: Kenneth Garrett. Abril de 2001.

O tema foi escolhido de propósito; adoro o Período Amarniano e embora eu o tenha deixado de lado durante a maior parte do meu tempo na Universidade é um assunto que espero me dedicar mais, inclusive neste momento estou escrevendo um artigo acerca para submeter para alguma revista científica.

Para quem ainda não conhece esse intervalo temporal na história do Egito antigo ele é icônico por conta da experimentação religiosa do faraó Akhenaton, que tentou estabelecer o culto ao deus solar Aton e colocar de lado os demais deuses. Também temos a sua arte única e de traços poderosos que possui um misto de realismo e excentricidade. Ambos estes aspectos naturalmente abordarei na palestra.

O link para o acesso será anexado neste post (e enviado via-e-mail para os participantes unido com a senha) no dia 28/08 e ficará disponível somente do dia 29 de agosto até o dia 05 de setembro.

Conhecimento anterior de Arqueologia não é necessário.

Abaixo mais detalhes:

Valor: R$ 24,00
Inscrições*: Serão feitas exclusivamente pela internet, através de cartão de crédito** ou depósito bancário (solicitar o dados por e-mail: sitearqueologiaegipcia@gmail.com) até o dia 27/08. Caso queira realizar sua inscrição agora é só usar o botão abaixo:




ATENÇÃO: Aquele que requerer cancelamento da inscrição antes ou no dia em que será veiculada a palestra receberá a devolução de 50% do valor pago. Aos pagantes com cartão de crédito passarão pelas regras do PayPal.

 


Informações importantes: 

* As inscrições levam de um a dois dias úteis para serem confirmadas;

** As inscrições feitas em cartão de crédito que não identificarem seu endereço de e-mail devem entrar em contato conosco através do sitearqueologiaegipcia@gmail.com para que possa receber sua senha no dia 28/08.

A palestra não será ao vivo. Esta decisão foi tomada para que todos possam ter uma ótima experiência visual e para evitar imprevistos de última hora.

Não emitirei certificado, mas darei uma declaração de participação para os ouvintes que no intervalo do dia 29 de agosto até o dia 05 de setembro enviarem para mim um resumo escrito de no mínimo uma lauda do que viram na palestra.

Imagens legais inspiradas em Nefertiti no Instagram

Por Márcia Jamille | @MJamille |@Instagram

 

Ultimamente uma das minhas ferramentas favoritas da web é o aplicativo Instagram. Para quem me segue lá já deve ter percebido que eu curto de tudo. Na verdade acho tão divertido quanto publicar fotos é passear pela rede vendo o que as pessoas andam compartilhando. É incrível como podemos encontrar muitas coisas criativas e algumas até mesmo inspiradoras.

No início de fevereiro (2014) eu estava navegando com a tag “Nefertiti” e encontrei algumas fotografias especiais que eu acho que vale mostrar para vocês:

 

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De acordo com reanálise de DNA a Rainha Tiye e o Faraó Amenhotep III eram primos

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

As investigações que se seguiram após as análises de DNA das múmias reais, publicadas em Fevereiro de 2010, proporcionaram materiais para uma nova árvore genealógica da Família Real do final da XVIII Dinastia.

Após debates acerca da confiabilidade das sugestões laçadas naquela época, um exame minucioso destes resultados levou este ano à conclusão de que alguns elos genéticos não foram notados pela a equipe responsável pelo exame em 2010.

Estátuas de Amenhotep III e Tiye. Salão principal do Museu Egípcio do Cairo. Retirado de: Chapter 20: Amenhotep the Magnificent. Disponível em: . Acesso em 12 de Janeiro de 2011.

Estátuas de Amenhotep III e Tiye. Salão principal do Museu Egípcio do Cairo. Retirado de: Chapter 20: Amenhotep the Magnificent. Disponível em: < http://www.answersingenesis.org/articles/utp/amenhotep-the-magnificent>. Acesso em 12 de Janeiro de 2011.

De acordo com a revisão do estudo, o fato mais significativo é que foi descoberto que Yuya, pai da Grande Esposa Real Tiye, compartilhou com seu genro, Amenhotep III, cerca de 1/3 de herança genética. Como consequência está sendo proposto que Yuya é um tio de Amenhotep III por parte de mãe, o que aponta que em verdade a rainha Tiye era prima de Amenhotep III e não uma plebeia, como muito se afirmou.

Faraó Amenhotep III. Imagem disponível em . Acesso em 12 de outubro de 2013.

Faraó Amenhotep III. Imagem disponível em < http://www.cis.nctu.edu.tw/~ whtsai/Egypt%20Trip/Summary %20of%20Trip/Part%20I%20—%20 Days%2001~04/Part%20I%20—%20By% 20Browsing/page_05.htm >. Acesso em 12 de outubro de 2013.

Rainha Tiye. Imagem disponível em . Acesso em 12 de outubro de 2013.

Rainha Tiye. Imagem disponível em < http://www.pinterest.com/pin/2476 2767948 4031042/ >. Acesso em 12 de outubro de 2013.

Outra sugestão da pesquisa é que a “Jovem Mulher”, encontrada com a múmia da rainha Tiye e já identificada como mãe do faraó Tutankhamon, trata-se de Nefertiti, já que possui um grau de parentesco próximo tanto com Yuya e sua esposa Tuya, como também com Tiye e Amenhotep III. Mas esta última teoria está mais baseada na possibilidade de que Nefertiti poderia ser filha de Ay, que por sua vez poderia ser filho de Yuya e Tuya.

A última conclusão da análise é que uma das mulheres encontradas na KV-21 se trataria de Mutemuiya, mãe de Amenhotep III.

Referência:

Marc Gabolde, « L’ADN de la famille royale amarnienne et les sources égyptiennes », ENiM 6, 2013, p. 177-203. Disponível em < http://www.osirisnet.net/news/n_09_13.htm  >. Acesso em 10 de Outubro de 2013.

Imagem das costas do busto de Nefertiti

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Nefertiti é uma das figuras mais icônicas para os (as) fãs do Antigo Egito e é tomada por muitos (as) como um exemplo da beleza egípcia antiga graças ao seu busto encontrado em 06 de dezembro de 1912 no ateliê do artista Tutmés, em Aketaton (atual Amarna).

 

Nefertiti. Fonte da imagem AFP. Disponível em . Acesso em 02 de Outubro de 2012.

Nefertiti. Fonte da imagem AFP. Disponível em <http://www.google.com/hostednews/afp/article/ ALeqM5hdhUI4kP9k3k4OlCPPxsxKIKID_Q>. Acesso em 02 de Outubro de 2012.

 

Já apresentei no post “(Imagem) Busto de Nefertiti” a imagem deste artefato propriamente dito e em “Alguns detalhes do busto da rainha Nefertiti” comento acerca de determinados pontos interessantes a serem observados neste objeto.

Porém, a curiosidade que trago hoje é acerca das costas do item, uma das partes deste artefato que raramente, ao menos para quem nunca viu esta peça pessoalmente, é possível dar uma olhada:

Costas do busto da rainha Nefertiti. Foto de Teresa Soria Trastoy.

Costas do busto da rainha Nefertiti. Foto de Teresa Soria Trastoy.

O busto de Nefertiti pode ser visitado atualmente no Neues Museum de Berlim.

 

Nefertiti viveu mais anos do que antes se supunha

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Notícia enviada por Robson Cruz, via Facebook.

Assim que um novo faraó assumia o trono, uma nova contagem de ano se iniciava. É possível fazer estas datações pela própria cultura material escrita em iconografias, documentos oficiais ou etiquetas de vinho (algumas cerâmicas que continham este líquido poderiam ter algo escrito como “vinho das uvas coletadas no ano 10 do reinado do faraó ‘x’”). É desta forma que muitas das datações do Período Amarniano, época do reinado do faraó Akhenaton até a morte de Tutankhamon (alguns Egiptólogos sugerem que este tempo poderia ser estendido até a morte de Ay) também são realizadas.

Ordem de sucessão: Ainda não está claro de que forma ocorreu o decurso de Akhenaton até Tutankhamon.

Alguns dos eventos ocorridos neste período podem ser afirmados, outros, no entanto, ainda são alegados com ressalvas. Um exemplo são aqueles ocorridos no ano 14 do reinado de Akhenaton, que é conhecido por ter sido a época em que seguramente a segunda filha do faraó, Meketaton, faleceu, já que a cerimônia relativa ao seu sepultamento é registrada na tumba da família real, localizada em Amarna. Porém, outro evento não desperta tanta certeza, é o ano de morte da rainha Nefertiti, a qual tem o seu nome substituído em edifícios por o de sua filha mais velha, Meriaton, também no ano 14. Pelo motivo de o seu nome torna-se ausente nos registros arqueológicos supôs-se que ela teria falecido.

Nefertiti. Imagem disponível em < http://www.csmonitor.com/World/Global-News/2009/1102/germany-time-for-egypts-nefertiti-bust-to-go-home >. Acesso em 17 de Julho de 2011.

No dia 06 de Dezembro (2012) foi anunciada a descoberta anterior, pelo Dayr al-Barsha Project de uma inscrição proveniente de uma pedreira de calcário datado do ano 16 do reinado de Akhenaton e que traz o nome da rainha Nefertiti e do esposo, o que abre novas interpretações para este período, principalmente porque Ankhenaton morre no seu 17º ano de reinado, para então ser substituído por sua filha Meriaton, casada com uma figura incógnita chamada Smenkhara.

Alguns arqueólogos e historiadores, dentre eles Nicholas Reeves, defendem que a rainha Nefertiti, em algum momento após do ano 14 teria mudado o seu nome e reinado como faraó, para depois ser substituída por Tutankhamon e outra de suas filhas, Ankhesenamon. Suas suposições, em alguns casos, são ligadas a artefatos pertencentes a KV-62 (tumba de Tutankhamon) que antes de mudar de dono foram dedicados a um indivíduo denominado Ankhkheperura, nome de batismo de Neferneferuaton. Porém “Ankhkheperura” e “Neferneferuaton” diz-se ter sido o nome de Smenkhara, enquanto o de Nefertiti era “Neferneferuaton Nefertiti”.

Provavelmente Nefertiti casou-se na sua infância e com o título de Grande Esposa Real deu a luz a seis meninas. Na ordem de nascimento (as com o nome em negrito tornaram-se rainhas): Meriaton, Meketaton, Ankhesenpaton (mais tarde Ankhesenamon), Neferneferuaton Tasherit, Neferneferura e Setepenra.

Alguns detalhes do busto da rainha Nefertiti

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Já discuti em outros posts acerca da rainha Nefertiti: em “O Sol e a Família Real de Amarna (IMAG.)” mostro uma imagem dela acompanhada por seu marido Akhenaton e três das suas seis filhas. Em “(Imagem) Busto de Nefertiti” o leitor pode visualizar algumas fotos do famoso busto da rainha que se encontra desde 1912 na Alemanha e que foi solicitado formalmente pelo o governo egípcio em 2011, tendo sido então o pedido negado.

Homenageada por uma marca de cigarros e ganhando até uma customização feita em uma boneca Barbie, pouco se sabe sobre a vida de Nefertiti, mas podemos ter uma ideia a partir das análises feitas da iconografia presente nos talatats encontrados em 1926 em Karnak.

Este busto foi encontrado no dia 06 de dezembro de 1912 no ateliê do artista Tutmés, em Aketaton, acompanhado por outras imagens igualmente realistas tanto da rainha Nefertiti como de alguns cidadãos da corte de Akenaton, os quais a identidade é desconhecida.

Nefertiti. Fonte da imagem AFP. Disponível em <http://www.google.com/hostednews/afp/article/ ALeqM5hdhUI4kP9k3k4OlCPPxsxKIKID_Q>. Acesso em 02 de Outubro de 2012.

Alguns pontos para a observação:

 

 

(1) O núcleo da imagem é feita em pedra calcária onde foi esculpido um rosto rebuscado da rainha e que foi coberto por uma camada de gesso, que serviu para retocar a imagem áspera e como a base para a tinta que imita a cor da pele e os adereços da rainha. No objeto não existe uma identificação nominal que indique que seja Nefertiti, mas o que a identifica como tal é a sua “Coroa Azul”, amplamente utilizada por esta governante.

(2) Outrora na parte frontal da “Coroa Azul” existia uma ureus, uma naja que simbolicamente protegia a divindade (neste caso a Nefertiti). Tanto a serpente, como parte das orelhas e a parte de trás da coroa foram danificadas devido o passar dos séculos.

(3) O olho esquerdo da rainha é inexistente, mas isto não aponta uma deficiência.  Teorias já foram levantadas para tentar justificar a ausência deste olho, uma delas é de que ele não teria sido posto no lugar devido a pressa em se abandonar Amarna (embora seja bem possível que com os reinados de Smenkhará e Tutankhamon o abandono tenha se dado de forma gradual e não imediato) ou de forma proposital, uma vez que o busto só seria uma escultura utilizada como modelo no lugar da rainha quando a presença dela não fosse possível no momento de se fazer outras imagens.

(4) Dependendo de que forma o busto é iluminado é possível ver as rugas da governante, principalmente próximo aos olhos e na área das bochechas, o que faz jus a definição de “realista”, quando definimos alguns dos momentos da arte amarniana.

Você possui uma sugestão de texto para o Arqueologia Egípcia? Entre em contato através de um dos perfis no twitter @ArqEgipciaInfo ou @MJamille, da página no Facebook ou pelo formulário de contato.

A análise dos talatats de Akhenaton

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

A análise dos talatats de Amenhotep IV: A resposta dada por um vestígio em contexto [1].

Akhenaton e sua filha Meriaton. Foto: Kenneth Garrett. Abril de 2001.

Em 1926, enquanto ocorria a reforma no complexo de Karnak, foi encontrado dentro de pilonos do Templo de Amon pedaços de pedra com figuras deformadas. Era de um santuário do faraó Amenhotep IV (em grego Amenófis IV) [2] que foi outrora desmontado para tornar-se entulho de preenchimento de obras posteriores a sua morte. Este achado acabou revelando o que foi uma destruição intencional e sistemática de todo o reinado de um governante pouco querido, mas ironicamente, esta atitude que procurava apagar de vez este rei da história foi o que o preservou para a posterioridade.

A obra de restauração encomendada pelo o Serviço de Antiguidades Egípcio, e patrocinada pela a França, estava sob a direção do arqueólogo Henri Chevrier, que durante a exploração recuperou do esconderijo cerca de 20.000 blocos que mediam quase três palmos, o que lhes proporcionou o nome de “talatat” (“três” em árabe). Logo se percebeu que estes artefatos, que continham várias imagens rituais e “cotidianas” retratadas, faziam parte de outra estrutura mais ampla, pois tinham cenas que pareciam poder se encaixar com alguma outra perdida.

Fonte: O’CONNOR, David; FORBES, Dennis; LEHNER, Mark. Grandes civilizações do passado: Terra de faraós. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2007. p. 81. Sobre o peso: Documentário “Expedições de Josh Bernstein: Amarna”, da Discovery Channel.

É fato que ninguém, a princípio, soube explicar o que afinal aquilo significava, mais vestígios com o nome de Amenhotep IV tinham sido encontrados em outros pontos, inclusive provas de que alguns colossos deste mesmo rei tinham sido adulterados de seus lugares. De acordo com a análise, as figuras que estavam ali tinham sido derrubadas de seus pedestais (O’CONNOR et al, 2007, p. 84). Até mesmo o rosto do faraó e sua esposa, retratados nas pedras encontradas nos pilonos, foram mutilados.

Apesar do ato de violência contra a figura de Amenhotep IV os talatats, segundo o escritor e egiptólogo Christian Jacq, foram guardados de forma sistemática, ele ainda afirma que se os arqueólogos que trabalharam no local fossem “(…) seguindo a lógica do sistema, teria sido fácil então reconstituir os tabiques pelos os quais os mesmos eram compostos” (JACQ, 2002, p. 217), e de acordo com O’Connor (et al) parece que ocorreu um especial interesse em arruinar a imagem da rainha, pois “Os retratos da rainha consorte de Amenhotep , Nefertiti, tinham sido sistematicamente mutilados; alguns deles, amontoados uns sobre os outros, tinham sido evidentemente colocados de modo que a rainha ficasse de cabeça para baixo” (O’CONNOR et al, 2007, p. 82).

O que motivou esta tentativa de esconder da memória egípcia o faraó Amenhotep IV? Esta questão pode ser explicada pelo o estudo dos dezessete anos de reinado do mesmo: Ele não foi criado a principio para ser rei, quem estava destinado a este cargo era o seu irmão mais velho, Tutmés (em grego Tutmoses), mas o rapaz faleceu ainda quando era um garoto. Amenhotep IV, que possivelmente estava treinando para ser sacerdote, já que não era príncipe regente, torna-se o próximo na sucessão. Quando ascendeu ao trono dando início ao seu primeiro ano de reinado, ele já estava começando a dar sinais de que não seguiria os passos dos seus predecessores e mandou que construíssem um templo a um deus pouco citado, mas de forma alguma desconhecido em Karnak [3], Aton.

Neste período de tempo algo ocorreu em Tebas causando consternação em Amenhotep IV [4] que então procurou como uma resposta pratica a criação de uma nova capital onde ele poderia cultuar o deus Aton e ignorar a existência das demais divindades.

Durante os anos de reinado de Amenhotep IV ocorreram muitas baixas na política interna e externa egípcia: a medida que o faraó se fechava na sua nova capital, o Egito perdia terreno para os seus inimigos, e os acordos diplomáticos iam enfraquecendo. Já entre os próprios nativos, nem todos estavam mais contentes com a nova ordem religiosa de Aton o que obrigou Amenhotep IV, que a esta altura já tinha modificado seu nome para “Akenaton”, a mandar que se apagassem o nome do deus rival Amon das paredes de Karnak.

Em duas décadas de reinado, a nova capital já estava pronta e fervilhante, isto se deu porque foram justamente os talatats o que compôs as paredes dos templos e parte dos palácios da cidade de Amenhotep IV e não os grandes blocos de pedra calcária comumente utilizada na construção dos templos egípcios. As casas populares eram feitas de adobe (o que já era totalmente normal em termos de construção). Pareceu que este novo lugar, de onde ele regeria o Egito, seria a brecha para coisas novas: a arte egípcia agora teria parâmetros diferentes, os templos eram feitos de forma nova [5] e até o rei mudou o seu nome para Akenaton no dia da inauguração do local como se fosse a abertura para um Egito totalmente novo. Outro motivo que causou descontentamento foi o fato de que Akenaton dava poucos donativos aos templos dos demais deuses, ao contrário dos templos de Aton que sempre recebia em estupores (CARREIRA, 2004).

Após a sua morte, porém, a sua capital que se chamava Aketaton (“Horizonte de Aton”) foi abandonada, os seus sucessores provavelmente tiveram problemas para manter a sua “revolução”. Primeiramente ele foi substituído por sua filha Meritaton e uma figura o qual pouco se sabe chamado Smenkhará, mas os dois somem dos registros e logo vemos surgir nas fontes documentais Tutankhaton e Ankhesenpaaton que eram crianças na época cuja coroação ofereceu a brecha para o restabelecimento dos antigos deuses. Assim, é erguida a “Estela da Restauração”, em que o novo faraó apresenta-se como apaziguador e critica a atitude do outro governante ao deixar os templos e deuses abandonados. Desta forma, para voltar a normalidade egípcia, os nomes das crianças são mudados para Tutankhamon e Ankhesenamon. De forma irônica, igualmente a Amenhotep IV, que optou por mudar o próprio nome para dar início a uma nova era, os seus filhos precisaram de semelhante atitude para dar um fim a mesma.

Agora os arqueólogos talvez tivessem uma explicação para a atitude de se querer apagar de vez um faraó da história do país, mas restava saber quem era o autor da ação contra Amenhotep IV.

As pesquisas com as pedras continuaram a decorrer até que em 1965 que um diplomata norte americano aposentado chamado Ray Winfield Smith utilizou um computador para tentar montar o grande quebra-cabeça, a ideia compunha-se de formar um banco de dados com fotos dos talatats, tanto quanto fosse possível, já que alguns estavam em coleções estrangeiras. Assim teve início o “Projeto Templo de Akenaton” que tempos depois sob a coordenação do egiptólogo canadense Donald Redford fez escavações em Karnak, onde encontrou mais estruturas que denunciavam os primórdios do monoteísmo em Tebas e claro, o esforço para erradicá-lo. As escavações arqueológicas revelaram que o Templo de Aton foi desmontado e preencheu os pilares do Grande Templo de Amon, e literalmente os limites deste último passa por cima do negativo do outro.

Planta do hipostilo e negativo do templo de Akhenaton. O’CONNOR, David; FORBES, Dennis; LEHNER, Mark. Grandes civilizações do passado: Terra de faraós. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2007. p. 84)

Funcionários egípcios trabalham em remoção dos talatats no 9º Pilone. Fonte: O’CONNOR, David; FORBES, Dennis; LEHNER, Mark. Grandes civilizações do passado: Terra de faraós. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2007. P. 85.

Exemplo de Talatats. Fonte: O’CONNOR, David; FORBES, Dennis; LEHNER, Mark. Grandes civilizações do passado: Terra de faraós. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2007. P. 87.

A Arqueologia apontou outro fato importante: a pessoa que ordenou a depredação do templo foi o sucessor de Ay, que por sua vez foi sucessor de Tutankhamon. Supõe-se que Ay poderia ser pai de Nefertiti [6], o que já seria uma desculpa para que ele pudesse acender ao trono, no entanto quem o substitui é o general Horemheb que não tem vínculos reais. Para tentar entender por que Horemheb pôde se tornar rei se sugeriu que sua esposa Mutnodjmet seria irmã de Nefertiti. Sabe-se que ele foi o responsável por tentar excluir Amenhotep IV da memória egípcia porque um pedaço de arremete com o seu selo foi encontrado dentre os talatats. Seus motivos podem ter sido semelhantes ao de Tutmoses III anos antes, que necessitou apagar a existência de Hatshepsut dos murais para proteger a acessão do seu filho ao trono [7], como pode ter sido também para “julgar” a faraó que abandonou a normalidade egípcia para recorrer as suas próprias convicções.

Assim sendo, o estudo com os talatats puderam revelar de forma inesperada ocorrências do passado. Não foi só unicamente feita a análise iconográfica ou medições das pedras, mas também a observação do contexto em que elas foram escondidas e até mesmo o olhar averiguador durante a retirada do material revelando assim o principal suspeito de ser o autor daquela obra incomum.

[1] Este texto de minha autoria foi publicado em meados de 2009 no Arqueologia Egípcia, mas foi arquivado posteriormente. Faço aqui uma publicação revisada com mudanças de nomes gregos para o egípcio faraônico.
[2] “Amenhotep” significa “Amon está satisfeito”.
[3] Amenhotep IV e a corte real egípcia já tinha contato com o deus Aton, ele era evidenciado em alguns cultos no palácio de Malqata, que foi construído por Amenhotep III, pai de Amenhotep IV.
[4] Não se sabe o que aconteceu, mas escritos sugerem quem o faraó se aborreceu com algo. O acadêmico da Universidade de Memphis Bill Murnane em entrevista comentou que “Akhenaton não diz com todas as letras o que aconteceu, mas foi algo que o enfureceu” e complementa com “Ele disse que nem ele nem seus ancestrais jamais haviam passado por algo pior” (MURNANE apud GORE, 2001, p. 31).
[5] Não tinham tetos, já que o alvo de culto estava no céu, e não em quartos escuros.
[6] Sua esposa Tey é a ama de leite da rainha Nefertiti, o que não quer dizer que era a sua mãe, já que era costume que as damas mais ricas contratassem mulheres para amamentar seus filhos.
[7] Foi descoberto que a negligência as imagens de Hatshepsut ocorreram cerca de vinte anos depois da sua morte, a dedução então é que Tutmés III precisava reforçar a legitimidade de seu filho Amenófis II. Hatshepsut era quem possuía mais proximidade com a “pureza” real, enquanto que o seu enteado era filho de uma esposa secundaria (BROWN, 2009).

 

Bibliografia:

Brown, Chip. “ O rei está nu(a)”. National Geographic Brasil. Editora Abril, Abril 2009.
CARREIRA, Paulo.Textos da religião de Aton. Revista lusófona de ciência das religiões. Ano III, nº 5/6 (2004), p. 231-262.
CHRISTIAN, Jacq. Nefertiti e Akhenaton (Tradução de Maria Alexandre). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002
Gore, Rick.“Os faraós do sol”. National Geographic Brasil. Editora Abril, Abril 2001
O’CONNOR, David; FORBES, Dennis; LEHNER, Mark. Grandes civilizações do passado: Terra de faraós. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2007.

100 Anos de Nefertiti

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

O Museu Egípcio (o site não explica qual) e o Papyrus Collection estão organizando a exposição “Amarna 2012 – 100 Years of Nefertiti” (“Amarna 2012 – 100 anos de Nefertiti”). Tal exposição busca comemorar o 100º Aniversário de descoberta do busto da rainha (ocorrida em 06 de Dezembro de 1912).

 

Nefertiti. Imagem disponível em < http://www.csmonitor.com/World/Global-News/2009/1102/germany-time-for-egypts-nefertiti-bust-to-go-home >. Acesso em 17 de Julho de 2011.

 

A exposição ocorrerá no Neues Museum de 07 de dezembro de 2012 até 13 de Abril de 2013 e apresentará várias peças do Período Amarna.

 

Veja também:

 

Imagens do busto de Nefertiti

Quatro imagens para os leitores poderem visualizar.

 

Nefertiti é solicitada formalmente

Este texto além de apontar sobre a tentativa do Egito em repatriar o busto da rainha mostra também porque sua saída do seu país natal levanta tanta polemica.

 

◘ Site do Neues Museum

 http://www.neues-museum.de/

 

Fonte da notícia disponível em < http://www.smb.museum/smb/kalender/details.php?lang=en&objID=29934 >. Acesso em 09 de Abril de 2012.

Futura página da exibição: http://berlin-meets-the-uk.com/en/event/amarna-2012-100-years-nefertiti . Acesso em 09 de Abril de 2012.

 

Camisetas do Arqueologia Egípcia

Por Márcia Jamille Costa | @Mjamille

 

Eu já tinha anunciado no Twitter @ArqEgipciaInfo  que o Arqueologia Egípcia traria algumas novidades para 2012, uma delas são as já divulgadas camisas daqui do site.

Todas são temáticas com alguns dos aspectos do site como o blog “AEgícia” ou a logomarca do próprio Arqueologia Egípcia. Por acaso todos os desenhos são meus, o que me permite dizer que foi pensado com muito zelo e obviamente faço questão de explicar de onde veio a inspiração para cada um:

 As camisas e o que significa cada tema:

Arqueologia Egípcia – Logomarca

Logomarca do Arqueologia Egípcia: Além da preta é possível encontrá-la em outras cores e está disponível tanto para homens como mulheres. O desenho mostra a ave Benu (símbolo do renascimento) em meio a duas formas onduladas que representam o mar primordial (local que os egípcios da antiguidade acreditavam ter surgido a vida). Toda a imagem da logo foi feita para que lembrasse um “Serekh”, símbolo que guardava o nome dos primeiros faraós. Clique aqui para ver o modelo tradicional (Feminino e masculino) e aqui para ver o Babylook.  Atrás tem o endereço do Arqueologia Egípcia.

AEgípcia

Imagem com o nome “AEgípcia” e perfil de deusa: É possível encontrá-la em outras cores e está disponível tanto para homens como mulheres. O desenho é uma logo especial contendo a imagem da personificação da deusa Amonet (contraparte feminina de Amon, um dos deuses padroeiros de Tebas) que estampa o topo do site Arqueologia Egípcia. Na minha opinião é uma deusa no mínimo bem interessante, tanto que dentre várias opções escolhi ela para identificar o site. Clique aqui para ver o modelo tradicional (Feminino e masculino) e aqui para ver o Babylook.  Atrás tem a logo do Arqueologia Egípcia.

Nefertiti

Rainha Nefertiti: Disponível somente em cor branca esta camiseta foi feita exclusivamente para as crianças. A imagem reproduz o famoso busto da rainha Nefertiti, esposa do faraó Akhenaton (acredita-se que era a madrasta de Tutankhamon) e foi retratada em varias cenas de família cuidando de suas filhas. Clique aqui e observe o modelo. Atrás tem a logo do Arqueologia Egípcia.

Bastet

Deusa Bastet: É possível encontrá-la em outras cores, porém só está disponível como Babylook. Este desenho mostra a deusa Bastet cuja figura desempenhava um papel importante para os egípcios da era faraônica, pois, além de representar a doçura ela também poderia combater o mal. Esta imagem na camisa foi utilizada em um papel de parede fornecido pelo Arqueologia Egípcia em 2011. Clique aqui para ver o modelo. Atrás tem a logo do Arqueologia Egípcia.

Especial

Uma especial: Somente na cor branca e disponível somente como Babylook, esta foi feita em homenagem ao twitter e a hashtag “EgyptianArchaeology” que normalmente utilizo no microblog quando quero falar especificamente do site. A princípio ela não estaria disponível, mas voltei atrás na decisão e a deixarei de modo temporário. Clique aqui para vê-la. Atrás tem a logo do Arqueologia Egípcia.

Elas são o fruto de uma parceria com a VitrinePix, a única loja que se enquadrou com as necessidades do Arqueologia Egípcia. Desta forma toda e qualquer dúvida quanto a forma de pagamento, qualidade/cor do produto e prazo de entrega deve ser reportada ao Vitine. Fique sempre de olho porque o site da empresa normalmente lança promoções.

E eu não poderia deixar de postar uma já pronta:

Foto: Márcia Jamille Costa

 

Como comprar:

– Primeiramente é necessário estar cadastrado na VitrinePix. Com este cadastro você poderá acompanhar o passo a passo da sua compra até o momento em que é expedida;

Ao efetuar sua compra você receberá um e-mail com o número do seu pedido e um link que te levará para uma página com as informações necessárias para que você possa acompanhar seu pedido.

– Ao escolher a camiseta selecione a cor do tecido na paleta de cores, o tamanho e a quantidade. Para saber o tamanho ideal consulte a tabelinha de medidas. Note que a largura não é a circunferência da sua barriga, mas a largura mesmo da camiseta (Para quem não entendeu: se estender alguma camiseta em superfície plana verá a largura dela).

Procure as opções de cores, tamanho e quantidade de camisas antes de efetuar a compra.

– Após efetuar o pagamento a loja enviará para o seu e-mail o status do seu pedido.

 

 

 

Reparos no Palácio Norte de Amarna

Tradução: Márcia Jamille Costa | @MJamille

Reparos no Palácio Norte – 2011

Em 1997, o Amarna Project iniciou um programa para registrar e restaurar um dos edifícios mais importantes da antiga cidade: O Palácio Norte. No início de outubro de 2011, nos retornamos ao local com o objetivo de trabalhar uma grande área: a conclusão dos reparos da Suíte Real, uma parte do trabalho que marcará o fim do trabalho de restauro do Palácio Norte, ao menos por enquanto.

O apoio financeiro para a campanha de 2011 veio via campanha de angariação de fundos através do Justgiving [1]. Muito obrigado a todos que doaram, seja pouco ou muito dinheiro [2], e nos torcemos para que vocês aproveitem as fotografias do trabalho que carregaremos aqui no final das próximas semanas.

Equipe Amarna Project

[1] Justgiving é um site para doações com um termômetro de porcentagem contando quanto foi doado.

[2] whether a few pounds or many. Resolvi mudar um pouco a tradução, mas o sentido é o mesmo.

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North Palace Repairs 2011

In 1997, the Amarna Project began a programme to record and restore one of the ancient city’s most important buildings: the North Palace. In early October 2011, we returned to the site with the aim of meeting a major milestone: the completion of repairs to the Royal Suite, a piece of work that will mark the end of restoration work at the North Palace, for now at least.

Financial support for the 2011 campaign came via a fundraising campaign through Justgiving. Many thanks to everyone who donated, whether a few pounds or many, and we hope you enjoy the photographs of the work that will be uploaded here over the next few weeks.

The Amarna Project Team

 

Algumas fotos já publicadas:

 

Reparos no Palácio Norte – 2011

 

Reparos no Palácio Norte – 2011