Possível destruição da pirâmide de Saqqara: entenda o caso

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde o mês de setembro (2014) uma grande polêmica está rondando a Pirâmide Escalonada, locada em Saqqara. Um grupo de ativistas e egiptólogos tem denunciado para a imprensa a suposta rápida degradação do edifício causada por uma empresa de construção que deveria cuidar do restauro do monumento.

A Pirâmide de Saqqara é a percussora de todas as outras pirâmides do país, sendo o edifício edificado deste tipo mais antigo do Egito, mas o que era uma estrutura bem distinguível, com o tempo perdeu sua camada exterior e sua base interna sofreu com uma grande rachadura, o que pode um dia levá-la ao seu colapso. Dado aos seus problemas estruturais foi iniciado em 2006 os trabalhos de restauro no monumento, ocasião em que uma empresa de Gales, a Cintec, trabalhou no local para tentar assegurar a sua integridade. “Nós enfrentamos um problema pouco comum: contar com toneladas de pedras irregulares aparelhadas na pressão da abertura de 8 metros quadrados que forma o teto da câmara funerária” explicou na época o diretor da Cintec, Peter James, ao jornal EL Mundo. “A questão era como proteger os blocos sem mover nem modificar nenhuma das forças que agem sobre ela. Qualquer mudança poderia ter provocado um colapso imediato”, concluiu.

Pirâmide de Djoser. Imagem disponível em < http://www.elmundo.es/la-aventura-de-la-historia/2014/09/16/54180bc5ca4741fc178b457c.html >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

Para segurar toda a estrutura e aliviar a pressão foi adotado então o uso de airbags, que consistem em bolsas de água, cada uma fabricada de acordo com a forma da câmara funerária para não deformar o edifício.

Bolsões de água foram usados para estabilizar a pressão na pirâmide. Foto retirada de < http://www.walesonline.co.uk/news/need-to-read/2011/07/13/airbags-to-the-rescue-of-egypt-s-oldest-pyramid-91466-29041624/ >. Acesso em 15 de julho de 2011.

Uma das estruturas mais antigas do mundo está sendo restaurada para não entrar em colapso. Foto retirada de < http://estaticos04.cache.el-mundo.net/elmundo/imagenes/2011/07/13/ciencia/1310579192_extras_ladillos_2_0.jpg >. Acesso em 15 de julho de 2011.

No entanto, com a chegada da primavera árabe em 2011 e os protestos pela saída do ditador Hosni Mubarak os trabalhos sofreram uma pausa, uma breve retomada e novamente uma pausa em fevereiro de 2013 por “motivos administrativos” o que, de acordo com o engenheiro Mishiar Farid, não conferiram risco algum de desmoronamento do edifício, exceto no caso da ocorrência de um terremoto [1][2].

Pirâmide de Djoser. Foto: Mohamed El-Shahed. Disponível em < http://www.rtve.es/noticias/20140917/ong-egipcias-denuncian-danos-restauracion-piramide-saqqara-gobierno-niega/1013261.shtml >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

Então em meados de setembro (2014) o porta-voz da associação egípcia Non-stop Robberies (cujo objetivo é a proteção dos monumentos do país) lançou um comunicado onde denunciou que a empresa de construção Al-Shorbagy, que deveria cuidar da restauração da pirâmide, em verdade está acelerando o seu processo de degradação, além de ter adicionado mais de 5% de novas estruturas a ela, que vai contra os padrões internacionais de conservação de patrimônios. Ainda de acordo com o documento a empresa nunca antes tinha trabalhado com a conservação de monumentos arqueológicos (PARRA, 2014). Para variar, egiptólogos também questionaram a forma de trabalho da empresa, a exemplo de José Miguel Parra, que falou ao EL Mundo:

“O resultado, tenho que reconhecer, era um pouco chocante, porque estavam preenchendo as brechas com cal branco… É certo que atualmente se fazem todos os esforços para que as modificações e o monumento original se diferenciem, mas tanto?” (PARRA, 2014 – Tradução nossa)

E ainda mencionou um acontecimento inusitado que ocorreu com um amigo da área:

“(…) um professor universitário amigo meu comentou para mim acerca de uma viagem por estes lugares e que, enquanto levava um grupo de alunos para visitar a pirâmide, um dos “capatazes” que se encarregava da obra se aproximou dele e lhe perguntou com tristeza se sabia como encontrar os cantos teóricos do monumento… Inacreditável, mas verdadeiro!” (PARRA, 2014 – Tradução nossa)

Contudo, mesmo com as criticas, Kamal Wahid, Diretor das Antiguidades de Saqqara e Gizé, afirmou que a empresa está qualificada como classe A pelo governo e ainda complementou que os trabalhos estavam indo de acordo com o que foi aprovado pela UNESCO e o Ministério de Antiguidades (PARRA, 2014), ou seja, todos estariam sabendo do que estava ocorrendo em Saqqara. Para variar, o trabalho estaria sendo supervisionado por consultores do Ministério de Antiguidades sob a coordenação do arquiteto Hassan Fahmy e revisada por um comitê de arquitetura dirigido por Mustafa Al-Ghamrawi e cinquenta professores de arquitetura das Universidades do Cairo e Ain Shams (PARRA, 2014). Mas o que dá para perceber por esta primorosa lista de arquitetos renomados? Que, como bem salientou Parra (2014), não estão inclusos na equipe arqueólogos com especialização em Egiptologia ou mesmo restauradores, que seriam o suporte principal para subsidiar e fazer o trabalho funcionar.

Pirâmide de Djoser. Foto: AFP.

Para rebater as críticas o ministro das antiguidades, Mamduh al Dalmati, defendeu os trabalhos citando a corroboração da UNESCO e a existência da supervisão tanto no lado externo como interno da pirâmide e ainda sugeriu, para não restar mais nenhuma dúvida acerca dos trabalhos realizados, que se criasse uma “comissão de peritos internacionais independentes” para avaliar se a pirâmide está em perigo ou não[1][2]. No vídeo abaixo é possível ver mais imagens:

Referências:

PARRA, José Miguel. La destructiva restauración de la pirámide de Sakkara. Disponível em < http://www.elmundo.es/la-aventura-de-la-historia/2014/09/16/54180bc5ca4741fc178b457c.html >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

[1] ONG egipcias denuncian daños en la restauración de la pirámide de Saqqara que el Gobierno niega. Disponível em < http://www.rtve.es/noticias/20140917/ong-egipcias-denuncian-danos-restauracion-piramide-saqqara-gobierno-niega/1013261.shtml >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

[2] Polémica en Egipto sobre el estado de la pirámide de Saqqara. Disponível em < http://www.abc.es/cultura/20140917/abci-peligro-piramide-saqara-201409161956.html >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

‘Airbags’ para salvar a la madre de las pirámides de Egipto. Retirado de <http://www.elmundo.es/elmundo/2011/07/13/ciencia/1310579192.html>. Acesso em 14 de Julho de 2011.

Welsh technology helps save Egypt’s oldest pyramid. Retirado de <http://www.bbc.co.uk/blogs/waleshistory/2011/07/welsh_technology_helps_save_eg.html>. Acesso em 15 de Julho de 2011.

Polícia egípcia recupera três múmias roubadas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

 

A Polícia Turística e de Antiguidades recuperou uma coleção de 11 artefatos faraônicos furtados de um sítio arqueológico em Fayum. Os itens estavam em posse de uma gangue especialista neste tipo de crime.

A crença de que estes objetos saíram diretamente de um sítio arqueológico está no fato de as peças não estão registradas nos documentos do Supremo Conselho de Antiguidades, ou seja, saíram de alguma escavação clandestina.

Coleção recuperada pela Polícia Turística e de Antiguidades. 2014.

Em meio à coleção apreendida estão três múmias datadas do Período Greco-Romano: duas mulheres e um homem, todos adultos.

Os demais artefatos compreendem rostos de sarcófagos arrancados do seu lugar original.

Os saques a sítios arqueológicos têm sido um problema endêmico no Egito desde a chegada dos europeus no país e a popularização dos antiquários e dos gabinetes de curiosidade. A prática atualmente é considerada crime, mas o comércio destes tipos de itens movimentam milhões no mercado negro.

Fonte:

Egyptian police confiscate three mummies from smuggling gang. Disponívem em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/98836/Heritage/Ancient-Egypt/Egyptian-police-confiscate-three-mummies-from-smug.aspx >. Acesso em 13 de abril de 2014.

Vandalismo em sítios arqueológicos no Egito: Ding Jinhao não é o único caso

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

No dia 26/05 (2013) viralizou na internet o caso de um ato de vandalismo em Luxor. Alguém chamado Ding Jinhao escreveu em um baixo relevo os dizeres em mandarim “Ding Jinhao esteve aqui”, despertando a revolta de milhares de internautas, especialmente entre os egípcios e chineses.

 

Palavras em mandarim “Ding Jinhao esteve aqui” escritas em parede do templo de Luxor. Foto: Kong You Wu Yi. Imagem Disponível em < http://egyptianstreets.com/2013/05/26/chinese-tourist-damages-3000-year-old-temple-in-luxor/ >. Acesso em 27 de maio de 2013.

 

O caso foi a público depois que uma fotografia do ato foi publicada por um chinês envergonhado na internet. Imediatamente a mídia identificou o infrator como um adolescente de 15 anos da província de Nanjing. Depois do escândalo, os pais do garoto emitiram um comunicado para a imprensa. “Nós queremos nos desculpar com o povo do Egito e com o povo de toda a China”, disse a mãe.

De acordo com a matéria do Egyptian Streets, blogueiros chineses postaram que a marca branca na assinatura de Ding é o resultado da tentativa de turistas chineses em apagar as inscrições.

O Ministério das Antiguidades ainda não lançou um comunicado oficial sobre o assunto, nem deu declarações se a imagem, que se localiza no Santuário de Amon construído por Alexandre Magno (356 – 323 a. E.C), poderá ser restaurada.

Russos tiram foto no topo da pirâmide e depois pedem desculpas ao povo egípcio. Imagem disponível em < http://www.kptv.com/story/21813574/russian-photographer-apologizes-for-pyramid-photos >. Acesso em 27 de maio de 2013.

Embora tenha sido um ato chocante, especialmente devido a antiguidade das paredes e sua relevância para a história da politica na antiguidade, casos de depredações proporcionados por turistas não é incomum, afinal, todos querem um pedaço da história, seja rasurando paredes ou pegando peças de cerâmicas do chão do sítios, e estes são só dois simples exemplos. Para variar este incidente demonstrou mais uma vez não só a falta de segurança nos sítios, mas a ausência de zelo por parte dos próprios turistas. O caso do garoto Ding Jinhao não foi o único, nem isolado. No início do ano turistas russos, aproveitando o recolhimento dos guardas de turismo e escalaram uma das pirâmides do platô de Giza para tirar fotos. As fotografias rodaram o mundo e eles foram tratados em parte como heróis, independente do risco que infringiram a própria vida e ao desrespeito as determinações de segurança geradas para o patrimônio arqueológico egípcio. Hoje fala-se mais das fotografias tiradas, mas pouco se comenta acerca do pedido de desculpas por terem subido em um Patrimônio da Humanidade de forma tão inconsequente.

Ontem (26/05) também rodou pelo Facebook o anuncio da demolição de um dos últimos portões do Velho Cairo, o Bab Al Wazir, construído no início do século 19. O motivo? A construção de um novo prédio a mando da neta do Sheikh Abdel Rahman Kara’a, responsável pela construção do edifico ao qual pertencia o portão. Porém, ser herdeira do construtor daria mesmo a ela o direito de destruição de um patrimônio arqueológico? O Bab Al Wazir não constava no registro de edifícios históricos do Egito, mas não temos sempre que depender do governo para enxergar o que é patrimônio arqueológico ou não.

 

Bab Al Wazir antes da sua destruição. Imagem disponível em < http://egyptianchronicles.blogspot.com.br/2013/05/save-our-heritage-save-our-history-for.html >. Acesso em 27 de maio de 2013.

O Bab a Wazir destruído. Imagem disponível em < http://egyptianchronicles.blogspot.com.br/2013/05/save-our-heritage-save-our-history-for.html >. Acesso em 27 de maio de 2013.

O Bab a Wazir destruído. Imagem disponível em < http://egyptianchronicles.blogspot.com.br/2013/05/save-our-heritage-save-our-history-for.html >. Acesso em 27 de maio de 2013.

O Bab a Wazir destruído. Imagem disponível em < http://egyptianchronicles.blogspot.com.br/2013/05/save-our-heritage-save-our-history-for.html >. Acesso em 27 de maio de 2013.

 

No final de 2012 outro problema relacionado com a derrubada de edifícios arqueológicos para a construção de edifícios foi levantado entre arqueólogos, porém, aparentemente não caiu na mídia (se ocorreu não vi): Existe um baixo relevo de Akhenaton, Aton e Amenhotep III em Assuão. Ele pertenceu a um escultor chamado Bek e estava para ser retirado do seu lugar original para ser posto em um museu na Núbia ou no Grand Museum ASAP. Este não é um caso de vandalismo ou destruição, mas a necessidade de retirar este artefato do seu lugar original já deve ser levada a debate. Não sei informar o status da obra.

 

Imagem do mural de Bek no Sul do Egito. Foto: Peter Lacovara. 2012.

Mural de Bek. Imagem disponível em < http://ib205.tripod.com/bek.html >. Acesso em 27 de maio de 2013.

 

Outro caso que fiquei sabendo foi no final de 2011 e tem relação com a frequente deterioração da cabeça de um colosso de Ramsés II em el-Hawawish (Akhmim). Além de ter sido coberta por lixo e cascalho, os homens locais estavam urinando nela. Observe a diferença das datas nas legendas das fotos. Atualmente também não sei informar como está a situação deste artefato.

 

Ramsés II em el-Hawawish (Akhmim). Foto: Peter Allingham. 08 de Abril de 2011.

Ramsés II em el-Hawawish (Akhmim). Foto Victor Solkin. 18 de Outubro de 2011.

 

Observando o caso de Ding e os demais é possível notar que esquecemos de observar a Arqueologia Egípcia de uma forma mais ampla, levando para as nossas discussões a falta de tato não só de parte da população egípcia, mas também mundial em relação ao Patrimônio Arqueológico. Muito se fala acerca da necessidade de proteção tanto aos sítios como os artefatos, mas pouco está sendo feito.

Update – 29 de maio de 2013

Hoje saiu uma nova notícia acerca do ocorrido: foi anunciada a remoção do grafite. Para saber mais clique aqui.

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Mais um exemplo de vandalismo em sítios arqueológicos egípcios. Esta fotografia é de Gizé em 2009:

Grafite em Gizé. Foto: Robert Bauval (2009).

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 De acordo com esta matéria do Ahram Online (12 de maio de 2013) a cabeça de Ramsés II de Akhmim e os demais artefatos encontrados na região foram removidos e armazenados em um local seguro.

Cabeça de Ramsés II em Akhmim após denuncias na internet em 2012, mas só salva em 2013. Imagem disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/71270/Heritage/Ancient-Egypt/Head-of-Ramses-II-in-Akhmim-removed-and-stored.aspx >. Acesso em 29 de maio de 2013.

Cabeça de Ramsés II em Akhmim após denuncias na internet em 2012, mas só salva em 2013. Imagem disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/71270/Heritage/Ancient-Egypt/Head-of-Ramses-II-in-Akhmim-removed-and-stored.aspx >. Acesso em 29 de maio de 2013.

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O islã quer destruir as pirâmides?

Por Márcia Jamille Costa| @MJamille

 

No dia 11 de julho (2012) o site http://frontpagemag.com lançou uma matéria perturbadora de autoria de Raymond Ibrahim, que acusa lideres muçulmanos de apelarem para que os seus fieis destruíssem as pirâmides do platô de Gizé, as quais seriam o “símbolo do paganismo”. De acordo com a denúncia o atual presidente do Egito, Muhammad Morsi (que faz parte da Irmandade Muçulmana e cujo slogan de campanha é “Islã é a solução”), teria sido convocado a realizar a destruição.

 

Pirâmides do platô de Gizé. Fonte: Papel de parede. Disponível em. Acesso em 27 de janeiro de 2011.

 

A matéria cita alguns exemplos de estragos feitos em artefatos egípcios por parte dos primeiros invasores muçulmanos e aponta justamente a Grande Esfinge, cujo nariz teria sido destruído por fieis e não por Napoleão como a história Ocidental corriqueiramente descreve (Em verdade não se sabe quando e por quem o nariz teria sido destruído, desta forma fica difícil apontar um culpado).

O autor argumenta que esta ânsia em destruir monumentos antigos seria uma necessidade por parte dos crentes em aniquilar o seu passado “não islâmico” e pela a “não identificação” destas pessoas em relação a história antiga, uma vez que o país só tinha sido dominado por muçulmanos a partir do ano 600 da nossa era, centenas de anos após os romanos implantarem ali sua república.

 

Esfinge e uma das pirâmides do platô de Gizé. Imagem disponível em SILIOTTI, Alberto. Egito. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2006. p. 135.

O texto é finalizado por um apelo velado para as instituições internacionais, as quais prezam pela não crítica ao islã para assim evitar a “Islãfobia” (que se tornou popular após o ataque aos Estados Unidos em 11 de Setembro de 2011), e recrimina esta imparcialidade enquanto os artefatos faraônicos estão para ser destruídos.

Se a ideia do autor era chamar a atenção para a questão ele conseguiu imediatamente, e isto é visível pelos mais de oitocentos comentários que a matéria recebeu. A reação internacional foi imediata não só pelo teor grave das acusações, mas pelo o fato do nome do atual presidente estar envolvido.

Dias antes, em 26 de Junho, o site http://eagulf.net já tinha emitido, em árabe, um comunicado negando tais alegações por parte dos islâmicos, texto que aparentemente não tinha sido consultado por Ibrahim.

Como as acusações contra o povo muçulmano tornaram-se fortes após a vitória de Muhammad Morsi, que tinha sido eleito no dia 24 de junho (2012), foi chegada a conclusão que os textos só estavam buscando difamar a imagem do Islã, tocando no que era mais sensível as comunidades internacionais que é o patrimônio arqueológico. Apesar de tal conclusão, as denúncias de Ibrahim já tinham sido transmitidas para outras línguas, a exemplo do espanhol.

Em resposta a controvérsia, no dia 23 de julho o New York Times lançou uma matéria que buscou esclarecer os fatos. De acordo com o jornal, o inicio das especulações se deu no dia 30 de junho, após uma nota ser publicada na revista Rose el-Youssef, uma antiga partidária do ex ditador do país, Hosni Mubarak. A nota teria ganhado como base uma declaração dada pelo sheik Abdellatif al-Mahmoud em seu suposto twitter no dia 12 de julho onde ele teria firmado tal ordem de destruição dos monumentos, mensagem a qual o próprio usuário da conta afirmou ser falsa, fabricada em photoshop por alguém que quis se passar por ele. O jornal procurou pelo o sheik, mas ele não foi encontrado para dar uma declaração.

Em 2011, cita ainda o New York Times, outro sheik, o Abdel Moneim el-Shahat, teria sugerido que o rosto das estátuas egípcias fossem cobertas por cera, uma vez que o Islã repudia reproduções de imagens humanas.

Verdadeira ou não, estas matérias têm reacendido o pavor Ocidental pelo o Islã, e isto é visível através dos inúmeros comentários em sites, blogs e redes sociais. Algumas mensagens, infelizmente, acharam estes acontecimentos como uma justificativa para continuar a difamar o islã e tudo o que ele representa. Da mesma forma, não foi impossível encontrar comparações com a destruição de sítios arqueológicos em Timbuktu e os Budas de Bamiyan, no Afeganistão, ambos realizados por extremistas muçulmanos.

Apesar de muitos estarem comentando tais declarações, o atual presidente não se pronunciou, e sim o seu porta-voz, Ahmed Sobeai, que declarou ao New York Times que Morsi não se explicaria sobre o pedido do sheik, uma vez que isto jamais aconteceu e acrescentou que os monumentos egípcios e em especial o foco de toda a discussão, as Grandes Pirâmides, permanecem seguros.

 

Fonte:

Pirâmides do platô de Gizé. Fonte: Papel de parede. Disponível em <http://www.opapeldeparede.com.br/wallpapers-9993/> Acesso em 27 de janeiro de 2011.

Matéria com o comunicado negando as alegações por parte dos islâmicos (em árabe. No meu caso usei o Google Tradutor). Disponível em <  http://eagulf.net/archives/104018 > Acesso em 11 de Julho de 2012.

Calls to Destroy Egypt’s Great Pyramids Begin. Disponível em < http://frontpagemag.com/2012/raymond-ibrahim/muslim-brotherhood-destroy-the-pyramids/ > Acesso em 11 de Julho de 2012.

El extremismo islámico pone en peligro las Pirámides de Egipto. Disponível em < http://www.cubadebate.cu/noticias/2012/07/11/el-extremismo-islamico-pone-en-peligro-a-las-piramides-de-egipto/ > Acesso em 12 de Julho de 2012.

Contrary to Gossip, Pyramids Have No Date With the Wrecking Ball. Disponível em < http://www.nytimes.com/2012/07/24/world/middleeast/in-egypt-rumor-of-pyramids-demise-proves-flimsy.html > Acesso em 29 de Julho de 2012.

Mursi vence eleições no Egito com slogan “Islã é a solução”. Disponível em <  http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5856529-EI17615,00-Mursi+vence+eleicoes+no+Egito+com+slogan+Isla+e+a+solucao.html > Acesso em 29 de Julho de 2012.

 

Alerta: Instituto do Egito queimado

Texto original: CairObserver

Tradução e adaptação: Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Este é um texto referente ao incêndio do Institut d’Egypte citado neste post: Mais uma perda para a Egiptologia

 

Alerta de Destruição: Institut d’Egypte (Instituto do Egito) queimado

Incêndio no L’Institut d’Egypte. Imagem disponível em < http://cairobserver.com/post/14358165423/destruction-alert-institut-degypte-burned?c98230e8 >. Acesso em 18/12/2011.

Em meio aos confrontos de hoje entre o pessoal do exército e manifestantes um coquetel molotov foi lançado em um edifício histórico na esquina das ruas Qasr el Aini e Sheikh Rihan. O edifício envolto em chamas foi a casa do Conselho de Pesquisa Egípcio – Egyptian Research Council –  (المجمع العلمي المصري) também conhecido como Institut d’Egypte. A biblioteca do prédio continha publicações originais datadas de 1798 incluindo o famoso Description de l’Egypte.

Este vídeo surreal mostra um artista pintando um retrato de Emad Effat, o pesquisador Azahar morto ontem [1]. Atrás dele o prédio do Instituto está em chamas.

Dados das Coleções [2]: A coleção consiste tanto de livros como manuscritos encadernados. Estas publicações são datadas de 1500 e vêm de doadores ilustres.   O escritor observou vários livros plates [?] de Yacub Artin Pasha, Nubar Artin Pasha, e capas estampadas indicando que alguns livros foram originalmente um presente de Muhammad Ali ou um dos seus sucessores.

Como se pode imaginar, a coleção é muito relevante em termos de obras do século XIX. Uma característica interessante é que cartas e manuscritos foram encadernados e arquivados como livros. Às vezes, estes pequenos volumes caem por trás das prateleiras, e deve-se ficar atento para encontrá-las. Vários são os trabalhos inéditos relacionados à invasão francesa em 1798, e que são dignos de estudos futuros.

A Escola Internacional de Ciência da Informação – School of Information Science (ISIS) -, um instituto de pesquisa fundada pela Biblioteca Alexandrina – Bibliotheca Alexandrina (BA).

Website: http://www.bibalex.org/ISIS/ProjectDetails.aspx?Status=ongoing&id=19

“A Biblioteca Alexandrina está tomando a iniciativa de reviver a organização do  L’Institut d’Egypte construído no Cairo por Napoleão Bonaparte há mais de 200 anos atrás. Os primeiros pesquisadores do Instituto eram responsáveis pela pesquisa, estudo e publicação dos fatos físicos, construídos e históricos sobre o Egito [3], publicando descobertas que fizeram frente com suas atividades como membros deste corpo. Eles mais tarde produziram o Description de l’Egypte. Eventualmente, o L’Institut d’Egypte se tornou o ponto de foco para trabalhos acadêmicos e busca intelectual no Egito, fornecendo tanto um espaço real  e estrutural para os discursos acadêmicos. Ele é também reconhecido como uma antiga academia de ciências e artes na Europa. L’Institut possui uma grande coleção (mais de 35 000 volumes) de raras e antigas referências, livros e periódicos em 5 línguas (árabe, francês, inglês, alemão e russo).  BA tem sugerido nove projetos para seu renascimento, entre o quais está um projeto de digitalização de toda a coleção, preservado-a e tornando-a acessível para o público. Os esforços iniciaram com a digitalização de 10 volumes do Description de l’Egypte. Outras coleções especiais foram digitalizadas como os obras completas de Voltaire (69 volumes), Des Mille Nuits et Une Nuit – Dez mil e uma Noites – (16 volumes), e Geographie Universelle – Geografia Universal – (15 volumes). Eventualmente, toda a biblioteca do instituto será digitalizada e disponibilizada para o público. Esta é a primeira tentativa de digitalizar e publicar uma coleção de tamanha raridade e valor”.

L’Institut d’Egypte. Imagem disponível em < http://cairobserver.com/post/14358165423/destruction-alert-institut-degypte-burned?c98230e8 >. Acesso em 18/12/2011.

L’Institut d’Egypte. Imagem disponível em < http://cairobserver.com/post/14358165423/destruction-alert-institut-degypte-burned?c98230e8 >. Acesso em 18/12/2011.

Para um ensaio sobre o Institut d’Egypte da Sociedade Internacional Napoleônica – International Napoleonic Society -, clique aqui. Informação em francês, aqui.

[1] Acho que este texto foi escrito no dia 17/12/2011.

[2] O link original não explica, mas creio que esta parte em questão foi retirada de outro site, possivelmente o da Bibliotheca Alexandrina.

[3] “study and publication of physical, industrial and historical facts about Egypt”

Fonte: Destruction Alert: Institut d’Egypte burned. Disponível em < http://cairobserver.com/post/14358165423/destruction-alert-institut-degypte-burned?c98230e8 >. Acesso em 18/12/2011.

 

 

Museu Egípcio do Cairo invadido

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille 

Acabei de receber estas imagens via Twitter. Relutei em publicar antes sobre a invasão do edifício, já que não era oficial, mas de fato o Museu Egípcio do Cairo foi invadido.

Museu Egípcio do Cairo invadido. Fonte jornal online Al Jazeera.

Museu Egípcio do Cairo invadido. Fonte jornal online Al Jazeera.

Museu Egípcio do Cairo invadido. Fonte jornal online Al Jazeera.

Museu Egípcio do Cairo invadido. Fonte jornal online Al Jazeera.

Museu Egípcio do Cairo invadido. Fonte jornal online Al Jazeera.

UPDATE 30 de Janeiro de 2011 (04h00 – horário de Brasília)

Como prometido estou fazendo um update. Infelizmente eu fraquejei hoje quando recebi as imagens do que aconteceu no Museu Egípcio do Cairo, pensei em desistir de repassar as informações e me retirar da ajuda nos protestos. O difícil é tentar compreender o que aconteceu, no entanto não adianta ficar lamentando, o jeito é seguir a diante, tentar salvar os artefatos e claro punir os culpados. Agora é confiar naqueles que ainda estão firmes tentando proteger o museu.

Primeiramente tenho que alertar que a invasão do edifício não tem a ver com o protesto para retirar o Mubarak do poder, muito pelo contrário, algumas pessoas fizeram uma “corda humana” em frente ao museu para evitar entradas de mal intencionados, mas isto não impediu que no sábado (dia 29/01/2011) um grupo de pessoas (acredita-se que nove homens) entrasse no Museu Egípcio pelo o teto e danificasse alguns artefatos.

As notícias que estão sendo veiculadas estão extremamente confusas, já que a internet e telefones só foram liberados no Egito ontem, o que sei recebi via twitter (que está sendo a ferramenta usada em apoio aos protestos) e vendo a CNN e BBC World News. A seguir vou repassar o que tenho até agora:

◘ Na sexta-feira, 28/01/2011, no Cairo se espalharam rumores de que incendiários queriam atacar o Museu Egípcio, outras notícias que estavam circulando era de que uma turba planejava invadir para quebrar algumas das peças.

◘ No mesmo dia, protestantes se reuniram na frente do museu e formaram uma “corda humana” para evitar qualquer ataque ao edifício. Uma das pessoas que tentavam proteger teria dito “Eu estou aqui para defender e proteger o nosso tesouro nacional” (Em breve colocarei a fonte).

◘ Segundo dizem, a “corda humana” foi agredida por algumas pessoas que tentavam invadir o museu, mas não sei ainda se esta informação foi confirmada, mas sabe-se que o exército também começou a patrulhar a área.

◘ Na madrugada de sábado manifestações ainda ocorriam nas ruas. O horário ainda não me foi confirmado, mas antes da chegada da tarde foram descobertos os estragos nas peças do museu.

◘ Neste meio tempo os boatos começaram a rondar. Pela tarde Dr. Zahi Hawass confirmou ao Reuters o acontecido e disse que duas múmias reais foram danificadas e a bilheteria saqueada.

◘ Os demais jornais não possuíam tal informação, criando rumores de que seria uma notícia falsa.

◘ Mais ou menos dentre as 14h00 e 15h00 (horário de Brasília) eu recebi as imagens via twitter de alguns dos objetos destruídos (Al Jazeera). O que foi para mim uma situação extremamente desanimadora, já que acompanhava todo o drama do museu desde ontem.

◘ Começaram a rodar boatos de que algumas pessoas roubaram coisas da área do museu, mas os próprios civis teriam recuperado e devolvido ao edifício. Tal boato não foi confirmado.

◘ Neste momento muitos já lamentavam a situação e começaram a apontar que agora será impossível recuperar peças que o Supremo Conselho de Antiguidades planeja ter de volta. Pelo o mundo falam que o sonho da repatriação de artefatos acabou para o Egito. A Alemanha – que esta semana negou mais uma vez o pedido de repatriação do busto de Nefertiti – prometeu fazer uma doação em dinheiro para os egípcios se reerguerem, assim que terminar tudo isto (notícia ainda não confirmada).

◘ Neste meio tempo, muitas pessoas pelo o mundo reconheceram nas imagens veiculadas partes que supostamente eram de artefatos de Tutankhamon.

A imagem ilustra quais são os artefatos de Tutankhamon que se acredita está destruído. Fonte das imagens dos artefatos inteiros: JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2005. P. 178 e 179.

◘ Somente horas depois a Nile TV enviou um vídeo para a CNN.

◘ Agora pela noite a CNN começou a veicular que nenhuma peça do Museu Egípcio do Cairo foi levada.

◘ Dr. Zahi Hawass fez mais um pronunciamento em que teria dito que a suspeita é de que nove homens invadiram o museu com a intenção de danificar algumas peças e roubar outras. Ele confirmou que tentaram roubar duas múmias, mas por algum motivo desconhecido desistiram e abandonaram os corpos no chão, o que as danificou. A identidade das múmias não foi liberada. Hawass confirmou também que grande parte do estrago foi feito ao acervo de Tutankhamon, mas não liberou a notícia de quais peças foram quebradas, mas alertou que será possível recuperá-las. Informou também que vai abrir um processo na esperança de punir os invasores. Desde a tarde a parte interna do museu está sendo vigiada por soldados armados com metralhadoras.

◘ Também pela tarde liberaram que o platô de Giza foi isolado e está sitiado por tanques, mas não sei informar como está a segurança nos demais sítios arqueológicos.

◘ Não está confirmado, mas alguns dizem que o Dr. Zahi Hawass agora está acampando dentro do museu para tentar também proteger as peças.

Clique aqui e veja um vídeo mostrando os estragos no interior do Museu do Cairo.

Se possível em breve trarei mais um update. Por favor, ajudem a espalhar este post para outras pessoas. Só resolvi publicar aqui por que recebi mensagens pedindo esclarecimentos e confirmações. Acredito que este texto será de alguma utilidade. As informações que tenho aqui vieram via twitter durante as trocas de informações sobre o protesto e via CNN TV  (que por sua vez recebe informações da Nile TV e os correspondentes egípcios) e BBC World News.

UPDATE 30 de Janeiro de 2011 (11h18 – horário de Brasília)

◘  Algumas mídias na internet estão falando que peças do espólio de Tutankhamon foram roubadas, mas ainda não vi nenhuma confirmação oficial.

◘ Esta manhã o express.co.uk noticiou que o Vale dos Reis agora está cercado por tropas do governo para guardar a segurança das tumbas faraônicas.

◘ O site Ancient Egypt Online fez um esquema das salas atacadas. Olhando a disposição das áreas agredidas alguns pela internet começaram a sugerir que as duas múmias danificadas seriam do casal Yuia e Tuya (pais de Tiye), mas é só especulação. O Supremo Conselho de Antiguidades não liberou ainda a identidade das múmias.

Esquema da destruição no Museu do Cairo. O museu foi invadido no sábado (29/01/2011) apesar da proteção feita por civis e soldados.

Abaixo a foto da “corda humana” para proteger o Museu egípcio do Cairo:

Corda humana feita em frente ao Museu Egípcio do Cairo na sexta-feira passada (28/11/2011). Fonte temporariamente desconhecida.

Foto da ocupação do exército no Museu Egípcio do Cairo:

Ocupação do exército no Museu Egípcio do Cairo.

Fotos da ocupação do exército no platô de Gizé:

Ocupação do exército no platô de Gizé.

Obrigada a @vintage69br por disponibilizar o update anterior em seu blog. Outras pessoas estão sendo especialmente maravilhosas também pelo o twitter dando RT nas notícias. O Arqueologia Egípcia tem um sistema de envio de mensagem via e-mail também (é o botão “Share This” que vocês encontram logo abaixo).

UPDATE 30 de Janeiro de 2011 (16h30 – horário de Brasília)

◘ Hoje foi dito que a TV Al-Jazeera – que está repassando detalhes do conflito – provavelmente irá sair do ar por determinação de Mubarak. Al-Jazeera está fazendo toda a cobertura dos eventos.

◘ Muitas pessoas estão sendo presas e armas caseiras apreendidas. Saques estão ocorrendo não só a lojas, mas também hospitais. Um hospital responsável em tratar crianças com câncer foi saqueado.

◘ A imprensa internacional já começou a reconhecer que o Egito ficou dividido: de um lado está a população que luta por reformas e no outro estão os vândalos sem compromisso algum com o protesto.

◘ Ás 14h30 (horário de Brasília) Dr. Zahi Hawass fez uma declaração para a CNN. Ele descreveu o que as primeiras análises indicaram que os invasores ingressaram por cima do museu, abriram a fechadura e entraram no pátio principal. Mencionou que adentraram na sala de Tutankhamon e “quebraram algumas coisas”. De acordo com ele quando o exército entrou no museu encontrou duas múmias danificadas e vários artefatos espalhados. Hawass anunciou que 10 artefatos foram lesados, mas que poderão ser restaurados. Disse também que vários jovens continuam em frente ao museu assim como o exército e garantiu que o edifício agora está salvo. Falou também da reação dos egípcios “Quando passo na rua todas as pessoas estão me perguntando se o museu está salvo” e deixou claro que os criminosos que o invadiram agora estão presos.

◘ Sobre o suposto roubo das peças do acervo de Tutankhamon: não foi declarado oficialmente roubo de peças. Este é um boato que está rondando na internet.

[cincopa AYOAMdqs_4Ky]

Dr. Hawass já conseguiu enviar uma mensagem para ser postada em seu blog. Infelizmente não posso fazer a tradução agora, mas Dr. Hawass fez uma colocação que eu acho importante por aqui:

Sinto que tudo o que tenho feito nos últimos nove anos foi destruído em um dia, mas todos os inspetores, jovens arqueólogos e administradores em sítios e museus em todo o Egito estão me chamando para me dizer que eles vão dar a vida para proteger as nossas antiguidades. Muitos egípcios jovens estão nas ruas tentando parar os criminosos (HAWASS).

E abaixo um vídeo que eu gostaria de compartilhar com vocês. Não fiz a tradução também, mas dá para notar a emoção e tristeza destas pessoas que passaram a noite para proteger o Museu Egípcio do Cairo.

[cincopa AQPAsfarAZtN]

UPDATE 31 de Janeiro de 2011 (22h30 – horário de Brasília)

◘ Os boatos de que as duas múmias danificadas seriam de Yuia e Tuya (pais de Tiye) em fim foram se mostraram falsos. Esta manhã foi liberada a foto das múmias danificadas. Veja abaixo:

Nesta foto, tirada na madrugada de sábado, 29 de janeiro de 2011, se tornou disponível de segunda, 31 de janeiro. Museu Egípcio, no Cairo, Egito. Fonte: AP

◘ Os egípcios estão irritados com a mídia porque ela está pintando uma imagem negativa deles, declarou uma egípcia para a CNN internacional. Em outro momento um homem falou que os vizinhos estão desesperados porque estão sem água, sem comida e sem dinheiro. Os caixas eletrônicos no Cairo estão sem funcionar.

◘ Vários sítios arqueológicos estão sendo saqueados por quadrilhas armadas.

UPDATE 3 de Fevereiro de 2011 (20h00 – horário de Brasília)

SOS EGITO, por Dalton Maziero:

Um grande amigo e administrador do site Arqueologia Americana (parceiro de longa data do Arqueologia Egípcia), fez uma postagem sobre o apelo que está rondando a internet para a UNESCO intervir contra a destruição do patrimônio egípcio. Clique aqui e leia.

Lista do de notícias do Yahoo sobre os confrontos:

Vandalismo danifica 70 peças arqueológicas em museu egípcio

http://br.noticias.yahoo.com/s/02022011/40/politica-vandalismo-danifica-70-pecas-arqueologicas.html

 

Premiê egípcio pede desculpas pelos incidentes da véspera

http://br.noticias.yahoo.com/s/03022011/40/politica-premie-egipcio-pede-desculpas-pelos.html

 

Cronologia dos protestos no Egito

http://br.noticias.yahoo.com/s/03022011/40/politica-cronologia-dos-protestos-no-egito.html

 

Exército tenta separar manifestantes após novas mortes no Egito

http://br.noticias.yahoo.com/s/03022011/48/manchetes-exercito-separar-manifestantes-apos-novas.html

 

Repórteres brasileiros são detidos no Egito e obrigados a voltar para o Brasil

http://br.noticias.yahoo.com/s/03022011/48/manchetes-reporteres-brasileiros-sao-detidos-no.html

 

Mubarak diz à ABC que teme caos no Egito se renunciar

http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/110203/manchetes/manchetes_egito_abc_mubarak

[ATENÇÃO] 

Falsificações de informação

 

◘ Alguns blogs e pessoas que se dizem profissionais da área da egiptologia estão divulgando notícias falsas sobre o que está acontecendo com os artefatos no Egito. Cuidado com o que estão lendo.

◘ Esta semana ocorreu uma discussão sobre a falsificação da foto das múmias do Museu Egípcio do Cairo já que algum individuo de fora do Egito fez uma multiplicação das múmias que aparecem na foto (publicada no update anterior). Não se sabe os motivos de uma pessoa destas, mas é lamentável que ocorra algo assim numa situação tão caótica como a que está o Egito.

◘ Abaixo uma foto da múmia que pode ser a que foi destruída. Prestem a atenção ao fato de que esta dedução foi feita por pessoas de fora do Egito.

Suposta múmia que foi destruída. Autor da foto desconhecido.

Hoje, 05 de fevereiro, tenho ótimas notícias e saliento que os egípcios estão se dedicando muito para proteger o próprio patrimônio.

Muitos pesquisadores da área estão dando relatos de arrombamentos, mas os inspetores do Supremo Conselho de Antiguidades estão negando. Isto está criando a maior confusão, mas temos que levar em conta que a situação para fiscalização lá não está fácil e para a comunicação pior ainda.

UPDATE 5 de Fevereiro de 2011 (18h50 – horário de Brasília) 

◘ Além da barreira humana em frente ao Museu Egípcio, um grupo também está a proteger a biblioteca de Alexandria.

◘ Dia 04/02 Salima Ikram enviou uma mensagem (ela está sendo simplesmente maravilhosa, está enviando várias mensagens para os egiptólogos de fora do país com todas as informações que recebe e desmentiu inclusive alguns boatos sobre saques). Uma tradução parcial da mensagem dela:

“Até agora tudo bem (…). As novidades sobre as antiguidades no sul do Egito continuam encorajadoras. Os inspetores do SCA e ghaffirs* (*?) continuam a defender sítios no sul e na área de Memphis. O exército continua a montar guarda na área de Saqqara. Pode-se dizer que… O sítio pode ser aberto para o público no domingo”.  

◘ Profa. Salima também explicou um pouco sobre as múmias destruídas no Museu Egípcio do Cairo em outra mensagem:

“As múmias que são mostradas destruídas são múmias fragmentadas do Período Tardio que foram usadas para testar a máquina CT* (*tomógrafo) e estavam guardadas próximas a maquina. Quando as pessoas que atacaram o museu entraram na área da loja de presentes, etc eles também violaram o quarto em que os fragmentos de múmias para teste estavam, e estes são os fragmentos que são mostrados nas imagens. Elas já estavam em fragmentos”.

◘ Acho que foi a uma equipe alemã que desistiu de ir escavar nesta temporada, mas os nossos irmãos do México, independente da situação irá continuar seus trabalhos desta temporada (fevereiro 2011).

◘ Em Amarna, apesar dos relatos de saques, de acordo com o Amarna Project nada foi roubado.

Espero continuar a trazer notícias boas.