Partes de múmias roubadas há quase 100 anos retornam ao Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Na semana passada, o Departamento de Repatriamento do Ministério das Antiguidades do Egito anunciou que partes contrabandeadas de múmias (não foi confirmado se é o mesmo corpo ou pessoas diferentes) foram repatriadas. Os membros – um crânio e duas mãos – tinham sido resgatados por investigadores dos EUA na cidade de Manhattan. Eles evitaram que um negociante norte-americano vendesse as peças.

Foto: Repatriation Department/Ministry of Antiquities

Shaa’ban Abdel Gawad, diretor do Departamento de Repatriamento, afirmou que as peças foram roubadas e contrabandeadas ilegalmente para os EUA há 90 anos atrás. De acordo com ele “Em 1927, um turista americano comprou essas peças de vários trabalhadores depois de fazer obras de escavações ilegais em um sítio arqueológico localizado no Vale dos Reis, cidade de Luxor”.

Foto: Repatriation Department/Ministry of Antiquities

Não foram liberadas mais informações sobre como essas partes foram retiradas do Egito e como foram finalmente localizadas quase 100 anos depois. Nem qual será a punição do contrabandista atual.

Foto: Repatriation Department/Ministry of Antiquities

O historiador Bassam el-Shamaa também teceu algumas palavras sobre esse repatriamento falando ao Egypt Today que “Os egípcios devem parar de vender e contrabandear a herança do Egito” e acrescentou “É contra todos os direitos humanos vender partes desmembradas de corpos humanos, mesmo que sejam múmias” rememorando sobre os leilões atuais que ainda possuem essa prática.

Contrabando e venda de múmias têm sido uma ação comum desde o início da Arqueologia Egípcia, mas tornou-se ilegal com o passar das décadas. Hoje é visto não só como algo ilegal, mas antiético, afinal, trata-se do corpo de alguém.

 

Fonte:

Egypt restores parts of dismembered mummies. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/39285/Egypt-restores-parts-of-dismembered-mummies >. Acesso em 07 de janeiro de 2018.

Busto de Nefertiti solicitado novamente

De acordo com a Dawn.com, Dr. Zahi Hawass irá solicitar novamente o busto da rainha Nefertiti (XVIII Dinastia). Sua primeira tentativa este ano foi um dia antes de estourar os protestos no Egito, e no mesmo dia o pedido foi negado pela Alemanha.

Busto de Nefertiti que está na Alemanha desde 1912. Fonte Corbis. Disponível em Mail Online. Disponível em < http://www.dailymail.co.uk/news/worldnews/article-1165893/Why-legendary-Egyptian-beauty-Queen-Nefertiti-woman-airbrushed.html > Acesso em 26 de Janeiro de 2011.

México devolve artefato ao Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Em 27/04/2011 foi dada a notícia de que o governo mexicano está preparando para a devolução um artefato egípcio proveniente de Assuam. A peça foi datada como sendo do Médio Império.

De acordo com o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) e a Procuradoria Geral da República, a peça foi entregue para a embaixada egípcia no México a fim de que seja repatriada. O objeto mede 15,6 centímetros de altura, 15 centímetros de largura e 2,8 centímetros de espessura.

 

 

Peça devolvida pelo o México em Abril de 2011. Imagem disponível em < http://terraeantiqvae.com/group/egiptologa/forum/topic/show?id=2043782%3ATopic%3A110105&xg_source=msg > Acesso em 28 de Abril de 2011.

 

 

O artefato estava anteriormente no Museu Nacional de Antropologia e sua autenticidade foi verificada pelo o INAH e representantes do governo egípcio. O coordenador de Assuntos Internacionais, Guillermo Valls, explicou que a repatriação da estátua mostra o “elevado nível de cooperação judiciária entre os dois países e o respeito do México para os bens de todos os países [1]”.

No Egito o chefe do Departamento de Antiguidades Recuperadas, Ahmed Mostafa, declarou que quando a peça retornar para o país será restaurada e posta em exposição no Museu Egípcio, no Cairo.

 

Fonte:

 

[1] México devuelve a Egipto una valiosa pieza arqueológica. Disponível em < http://terraeantiqvae.com/group/egiptologa/forum/topic/show?id=2043782%3ATopic%3A110105&xg_source=msg > Acesso em 28 de Abril de 2011.

Press Release – Artifact to Return from Mexico. Disponível em < http://www.drhawass.com/blog/press-release-artifact-return-mexico > Acesso em 28 de Abril de 2011.

 

UNESCO quer resgatar peças roubadas

Texto retirado na integra do site defender.org.br. Recebido via twitter @patrimonio)

Unesco vai atuar com parceiros internacionais para resgatar peças roubadas de museu no Egito

 

Por  Silvana Losekann

 

A  Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) apelou ontem (15) para que o mundo preserve a herança cultural da humanidade presente no Egito. A reação é uma resposta aos roubos de pelo menos 18 peças do Museu Egípcio do Cairo, registrados durante a onda de protestos contra o governo. A Unesco informou que será feita uma força-tarefa com parceiros internacionais na tentativa de resgatar as peças roubadas.

A Unesco pretende atuar em conjunto com a Organização Internacional de Polícia Criminal (a Interpol), a Organização Mundial das Alfândegas, o Centro Internacional para Estudo e Restauração de Propriedade Cultural e o Conselho Internacional de Museus.

“[Apelamos para que] autoridades, comerciantes de arte e colecionadores de todo o mundo estejam atentos às relíquias desaparecidas”, diz o comunicado.

Na relação de peças roubadas do museu estão uma estatueta de madeira coberta de ouro do faraó Tutankhamon transportado por uma deusa, os braços e o dorso de uma estátua do rei Akneton, a cabeça de uma estátua de Aremisca, entre outras obras. As autoridades acreditam que o roubo ocorreu na noite do último dia 11.

“É particularmente importante verificar a origem da propriedade cultural que pode ser importada, exportada ou oferecida para venda, sobretudo na internet”, afirmou a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova,

“Essa herança é parte da história da humanidade e da identidade do Egito. Não podemos permitir que desapareça em mãos sem escrúpulos ou corra o risco de ser danificada ou mesmo destruída”, acrescentou.

Segundo a diretora, é fundamental que colecionadores e comerciantes colaborem no esforço de resgatar as peças. “Mas também chamo a atenção das forças de segurança, dos agentes aduaneiros, dos comerciantes de arte, dos colecionados e das populações locais para fazerem tudo para recuperar essas peças de valor inestimável”, afirmou Bokova.

 

Retirado de: Unesco vai atuar com parceiros internacionais para resgatar peças roubadas de museu no Egito. Disponível em < http://www.defender.org.br/unesco-vai-atuar-com-parceiros-internacionais-para-resgatar-pecas-roubadas-de-museu-no-egito/> Acesso em 16 de Fevereiro de 2011.

 

Alemanha nega pedido egípcio

Márcia Jamille Costa | @MJamille

No mesmo dia em que estava planejado o envio de uma solicitação formal do Egito para que a Alemanha devolvesse o busto de Nefertiti (exposto no Neues Museum de Berlim), o Ministério da Cultura alemão negou a existência de tal pedido oficial.

De acordo com o Correio do Minho, um porta-voz do ministério alemão teria informado que existe somente uma carta requerendo o objeto, mas esta é do secretario geral do SCA, Dr. Zahi Hawass e datada de 02 de janeiro deste ano e ainda que não está assinada por nenhum membro do Governo Egípcio. O ministério também recorda que o busto está de forma legal no país e que “não existe nenhum direito do Egito para reclamá-la”.

Busto de Nefertiti que está na Alemanha desde 1912. Fonte Corbis. Disponível em Mail Online. Disponível em < http://www.dailymail.co.uk/news/worldnews/article-1165893/Why-legendary-Egyptian-beauty-Queen-Nefertiti-woman-airbrushed.html > Acesso em 26 de Janeiro de 2011.

Fonte:

Arqueologia: Berlim nega pedido oficial do Egipto para devolver busto de Nefertiti. Disponível em < http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=42002 > Acesso em 26 de janeiro de 2011.

Veja também:

Nefertiti é solicitada formalmente. Disponível em < http://arqueologiaegipcia.com.br/2011/01/24/nefertiti-e-solicitada-formalmente/  > Acesso em 26 de janeiro de 2011.

Nefertiti é solicitada formalmente

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Hoje (24/01/2011) o Ministério da Cultura do Egito fez um pedido formal de repatriação do busto da rainha Nefertiti ao Museu Neues (Alemanha).

 

Depois de negociações que vem se arrastando há décadas o Ministério da Cultura do Egito resolveu fazer uma solicitação formal de devolução do busto da rainha Nefertiti, que saiu do país sob circunstâncias de teor duvidoso durante a triagem de artefatos realizados pelos egípcios e o arqueólogo alemão Ludwig Borchardt em 1912.

 

Rainha Nefertiti. Foto: M. Busing.

 

A solicitação foi transmitida através de uma carta destinada ao presidente da Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano, em Berlim, e o Ministério das Relações Exteriores do Egito para que o envie a embaixada egípcia na Alemanha e o da Alemanha no Cairo.

O busto de Nefertiti é uma das muitas peças requeridas pelo o Egito, mas está no topo da lista pela a luta do repatriamento por que, além de ser um ícone e única, a batalha para a sua devolução se arrasta desde meados do século passado.

 

Entenda o que aconteceu em 1912

 

Na época de Ludwig Borchardt os arqueólogos estrangeiros poderiam retirar artefatos encontrados em sua escavação e levá-los para fora do Egito, mas isto somente depois de que os achados passassem por uma avaliação onde os artefatos “mais bonitos” ficariam na África e os menos atraentes sairia do país.

Sabe-se que durante a triagem Borchardt teria já dividido os artefatos em dois grupos onde o lado egípcio estaria com artefatos montados já em uma base, o que chamou a atenção do fiscal que não teria prosseguido com a inspeção acreditando que Borchardt já teria feito todo o trabalho para ele e não examinou o lado que iria para a Alemanha. Logo, o busto saiu do Egito “legalmente”, embora, quando chegou a Alemanha tenha permanecido escondido e ser revelado somente anos depois. 

 

Até o próprio Hitler se recusou a devolver o busto

 

Durante o curso da Segunda Guerra acordos diplomáticos para se devolver o busto para o seu país de origem foram realizados, mas Hitler se recusou permanentemente a devolver o artefato. E desde que a Alemanha foi tomada ao final dos conflitos o busto mudou de endereço várias vezes.

 

Uma atitude que enfureceu os egípcios

 

Não bastasse a negação em se devolver o busto, em 2003, o Museu de Berlim permitiu que a base do artefato fosse furada para dar entrada a um parafuso para uma exposição do Little Warsaw, cujo projeto era composto por uma escultura feminina nua feita de bronze, a qual, no local de seu pescoço existia um vão que serviu para encaixar a cabeça de calcário da rainha.

 

Nefertiti / The Body of Nefertiti - 2003. Retirado de Acax.hu -Little Warsaw. Acesso em 24 de janeiro de 2011

Para poder encaixar com a estátua de bronze o busto precisou ser perfurado. Retirado de Little Warsaw. Acesso em 24 de janeiro de 2011

Nefertiti na obra do Little Warsaw. A imagem causou indignação em várias pessoas. Retirado de "The Body of Nefertiti". Acesso em 24 de janeiro de 2011

 

 

O governo egípcio diz que não foram consultados sobre este projeto e questionaram fortemente a capacidade do museu de Berlim para cuidar da coleção de artefatos egípcios e consideraram a atitude ofensiva para a imagem da rainha egípcia, além de perigosa, como comentou o embaixador do Egito em Berlim, Mohamed al-Orabi: ”Nós não aceitamos que essa importante estátua da rainha Nefertiti tenha sido posta em risco por esse projeto idiota”[1].

 

 

Quais as desculpas para não se repatriar?

 

Dentre várias justificativas estas foram algumas utilizadas não só pela a Alemanha, mas outros países europeus para não se devolver o busto:

– Países de terceiro mundo não têm capacidade financeira de manter um artefato tão valioso;

– Os egípcios atuais não têm nenhuma ligação com os egípcios da antiguidade, logo, a questão da “herança” ou “patrimônio” não é válida;

– O busto saiu do Egito legalmente;

– O artefato seria danificado durante o transporte;

– Usando o exemplo dos Budas destruídos no Afeganistão os países árabes de governo extremista podem destruir os seus próprios artefatos – mas não podemos esquecer que o busto de Nefertiti quase foi destruído em um bombardeio durante a 2ª Guerra Mundial -. 

 

 

Por que repatriar?

 

– As circunstancias as quais o artefato saiu do Egito sugere que o seu descobridor agiu de má fé com as autoridades egípcias ao esconder o busto da rainha por trás de vários objetos visivelmente menos atraentes do que o do lado egípcio;

– O Egito possui capacidade e tecnologia para guardar o busto no país;

– Embora o patrimônio egípcio seja herança do mundo, sua verdadeira casa é o seu país de origem.

 

Veja também:

 

◘ Documentário Nefertiti’s Odyssey (No Brasil “Nefertiti”)

 

Produzido em 2008 pela National Geographic, conta sobre a história de Ludwig Borchardt e como retirou fortuitamente do artefato do Egito, além de explanar sobre as documentações existentes relacionadas ao caso e o diário de Ludwig Borchardt, onde ele demonstra saber do valor incalculável do busto da rainha para os egípcios e o seu desejo de levá-lo para a Alemanha.  

 

◘  Matéria Nefertiti… Falsificada?

 

Le Buste de Nefertiti – une Imposture de l'Egyptologie. Autor: Henri Stierlin.

 

Um texto da minha autoria sobre a polêmica criada pelo suíço Henri Stierlin que publicou um livro em que sugere que o busto da rainha na verdade seria uma fraude.  

 

UPDATE

 

A Alemanha lança seu primeiro comentário sobre o assunto:  Alemanha nega pedido egípcio

 

Fonte da notícia:

Egipto reclama el regreso de Nefertiti  – Público.es. Disponível em < http://www.publico.es/culturas/357837/egipto-reclama-el-regreso-de-nefertiti> Acesso em 24 de Janeiro de 2011.

 

Fontes consultadas:

 

[1] Nefertiti’s Bust Gets a Body, Offending Egyptians Disponível em <http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9905EEDF163BF932A15755C0A9659C8B63> Acesso em 24 de Janeiro de 2011.

 

Fonte das imagens:

 

Nefertiti na obra do Little Warsaw. A imagem causou indignação em várias pessoas. Retirado de The Body of Nefertiti. Disponível em <http://www.theintellectualdevotional.com/blog/category/visual-arts/page/4/> acesso em 24 de janeiro de 2011

Nefertiti e Little Warsaw. Retirado de Acax.hu -Little Warsaw. Disponível em <http://www.acax.hu/index.php?pageid=221&language=en > acesso em 24 de janeiro de 2011

Para poder encaixar com a estátua de bronze o busto precisou ser perfurado. Retirado de Little Warsaw. Disponível em < http://www.littlewarsaw.com/displaced_history/img/united_nefertiti.jpg > acesso em 24 de janeiro de 2011

【Vídeo】Peças egípcias em cofre do Brasil

Abaixo está a matéria do Fantástico sobre as peças de obra de arte que estão retidas nos cofres da justiça brasileira. Dentre elas estão peças arqueológicas provenientes não só do Brasil, como do Egito.

Obras de arte estão esquecidas nos cofres da Justiça

 

São peças que valem milhões e saíram das mansões de empresários falidos e de narcotraficantes.

Um tesouro esquecido nos cofres da Justiça brasileira. São milhares de esculturas e quadros – apreendidos com bandidos e empresários envolvidos em escândalos. Obras de arte que valem milhões. Mas que são mantidas longe dos olhos do público.

“Nós temos obras de mais de 20 anos guardadas aqui”, diz a diretora do Museu de Belas Artes do Rio, Mônica Xexéo. “Os valores de mercado atingem entre US$ 30 e US$ 40 milhões”, calcula o administrador judicial do Banco Santos, Vânio Aguiar.

“A sociedade tem o direito de ver tudo isso”, defende a estudante Ana Régia.

A discussão envolve um acervo de seis mil obras de arte. São peças que saíram das mansões de empresários falidos e de narcotraficantes por ordem da Justiça e estão espalhadas por museus brasileiros.

Em setembro de 2007, a Polícia Federal conseguiu prender o chefe de um poderoso cartel do tráfico de drogas, o colombiano Juan Carlos Abadia. Com ele, descobre ainda um acervo de arte moderna: obras dos brasileiros Burle Marx e Cândido Portinari. São peças que nunca foram expostas, e o Fantástico mostra com exclusividade.

São R$ 3 milhões por ano para guardar e preservar esses quadros. “Limpeza e observação constante para ver se está havendo algum dano, porque a obra quietinha e parada também se danifica, depende do clima e da temperatura. Dá um trabalho”, explica Denise Emerich, diretora técnica do Museu de Arte Sacra de São Paulo.

O destino de toda arte sob custódia depende de decisão definitiva da Justiça. O juiz federal Fausto de Sanctis determinou a guarda provisória nos museus. Ele é contra a venda de obras em leilão para pagar dívidas. “A preocupação é quantificar não em valores monetários, mas em termos culturais as obras que são eventualmente apreendidas”, afirma o juiz.

As obras do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira ainda estão guardadas e podem servir para pagar a dívida de R$ 3 bilhões do falido Banco Santos. Enquanto isso, muitas permanecem trancadas a sete chaves.

Para chegar ao coração do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, é preciso atravessar uma área com ar-condicionado, luz moderada e um labirinto de portas. Por questões de segurança, não se pode mostrar onde ficam guardadas as obras apreendidas, porque estão no mesmo espaço do acervo definitivo.

Nem os funcionários autorizados sabem a senha desta espécie de cofre. Eles precisam chamar uma equipe ainda mais restrita, que tem a combinação dos números e faz o controle de quem entra no local.

O tesouro bem guardado é do artista plástico americano Roy Lichteinstein. Foi repatriado dos Estados Unidos e vale o equivalente R$ 4,2 milhões.

“Nada mais verdadeiro do que se torne vendável essas obras arrecadadas de modo que retornem aos investidores, de forma mais rápida possível, aquilo que eles perderam junto ao Banco Santos”, defende o administrador judicial do banco.

O quadro “Figuras sobre uma estrutura”, do uruguaio Joaquim Torres Garcia, e o quadro ‘Hannibal’, de Basquiat, não foram liberados pela Justiça de Nova York, avaliada em R$ 13,5 milhões.

O quadro “A cantora careca”, de Miró, pertenceu ao investidor Naji Nahas, preso em 2008. A suspeita é que as obras podem ter sido usadas para lavagem de dinheiro.

“Adquirem-se obras de arte de forma a mascarar e dificultar a fiscalização do estado e a futura apreensão do produto do crime”, afirmou o juiz Fausto de Sanctis.

A coleção de obras apreendidas pela Justiça tem ainda peças arqueológicas. Algumas estavam com o ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira e foi feita por índios que viviam há 600 anos à margem do Rio Tapajós, no Pará. E existe outras mais ousadas. Entre elas, um sarcófago de três mil anos atrás. Segundo o museu, existem apenas mais quatro exemplares desta época no mundo inteiro.

Cenas da reportagem “Obras de arte estão esquecidas nos cofres da Justiça”, exibida em 16/01/2011 no programa Fantástico (Rede Globo).

Uma porta egípcia de quatro mil anos atrás também era de Edmar e ainda há 23 armários cheios de outras esculturas que também estavam com ele. No Rio de Janeiro, há cinco quadros guardados há 24 anos. São do falido Grupo Coroa Brastel.

“Uma geração inteira que não tem contato e não conhece uma determinada fatia de uma produção artística”, observa a diretora do Museu de Belas Artes do Rio, Mônica Xexéo.

Cenas da reportagem “Obras de arte estão esquecidas nos cofres da Justiça”, exibida em 16/01/2011 no programa Fantástico (Rede Globo).

Algumas peças não correm o risco de leilão, como um Portinari. A Justiça determinou que a posse é agora do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio. Já uma escultura de bronze foi parar no meio da rua em São Paulo para todo mundo ver. Simboliza as musas da escultura e da engenharia e foi feita pelo premiado artista ítalo-brasileiro Galileu Emendabili. Ela também estava com o ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira. Agora, o governo discute com a Justiça e com o Congresso manter outras obras apreendidas ao alcance do público.

Retirado integralmente de:

 

Obras de arte estão esquecidas nos cofres da Justiça. Disponível em: < http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1641971-15605,00-OBRAS+DE+ARTE+ESTAO+ESQUECIDAS+NOS+COFRES+DA+JUSTICA.html#>. Acesso em 20 de Janeiro de 2011.