Djet, o rei com o signo da serpente

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Djet (também chamado de Uadji) foi o terceiro rei da 1ª Dinastia​ (Período Arcaico, também chamado de Dinastia Tinita).  Seu reinado marca o ponto no qual as iniciativas dos governos de Aha e Djer — de organizar um Egito unificado poucos anos antes — começaram a dar frutos (RICE, 1999). O seu nome é representado com o signo da serpente: ele é escrito com o hieróglifo de uma cobra acima da fachada do palácio que forma as bases do serekh, estrutura em que os nomes dos reis eram representados nesse período (RICE, 1999).

O nome de Djet está do lado esquerdo, dentro do serekh. Foto: Creative Commons.

Governo e sociedade na época:

Igualmente a alguns outros reis do período tinita, Djet possui artefatos votivos a ele. Um exemplo é uma grande estela que traz o seu nome dentro de um serekh cobrindo quase toda a superfície (Imagem 1). Ela foi encontrada nas proximidades de sua tumba e atualmente está exposta no Museu do Louvre (RICE, 1999; HENDRICKX; FORSTER, 2010).

Estela com o nome de Djet. Foto: Creative Commons.

Outro é um pente de marfim com 8 centímetros de comprimento em que o serekh com o seu nome é protegido por um falcão e ladeado por três símbolos hieroglíficos: dois cetros uas, simbolo do poder real e uma ankh, simbolo da vida. Todos estes elementos estão sob uma embarcação que possui em sua base um par de asas, cujo único tripulante é também um falcão. Esta é uma provável alegoria do deus sol exercendo sua viagem diária, enquanto navega pelo céu (EINAUDI, 2009).

Pente votivo a Djet. Fonte: EINAUDI, 2009.

Não se conhece muito detalhes do seu reinado, contudo se sabe que um vinhedo foi dedicado ao seu uso e pelo menos duas substanciais mastabas de Saqqara e Gizé datam do seu governo (RICE, 1999).

Também não se sabe quantos anos duraram o seu reinado, mas cogita-se que foram poucos (RICE, 1999).

Sepultamento:

Acredita-se que Uaji tenha sido sepultado em uma grande tumba em Abidos, mais especificamente em Umm el-Qa’ab, na Tumba Z. A exemplo dos seus dois antecessores ele foi acompanhado por fileiras de corpos humanos provenientes de sacrifício; só não se sabe se estas pessoas se voluntariaram para a morte, a fim de seguir o seu líder, ou foram obrigadas (RICE, 1999; WILKINSON, 2010).

Fonte:

EINAUDI, Silvia. Coleção Grandes Museus do Mundo: Museu Egípcio Cairo (Tradução de Lúcia Amélia Fernandez Baz). 1º Título. Rio de Janeiro: Folha de São Paulo, 2009.

HENDRICKX, Stan; FORSTER, Frank. Early Dynastic Art and Iconography. In LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. Londres: Routledg. 1999.

WILKINSON, Toby. The Early Dynastic Period. In LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

Tumba do rei Narmer (B17 e B18)

 

 

Conhecido por ser um dos propensos unificadores do Egito, o rei Narmer provavelmente acompanhou ou participou deste importante momento que definiu o Egito Faraônico até o seu fim com a morte da rainha Cleópatra VII milênios depois.

Por ter sido representado em sua “Paleta de Narmer” (hoje em exposição no Egyptian Museum do Cairo) utilizando as coroas do Alto e Baixo Egito, alguns egiptólogos o adotaram não só como unificador do país, mas como o lendário Meni (Menés, em grego), embora esta não seja uma conclusão unanime.

De acordo com o arqueólogo inglês Flinders Petrie (1853 – 1942), Narmer foi sepultado no “Cemitério B”, em Abidos, mais especificamente em Umm el-Qa’ab, em uma tumba que compreende duas câmaras funerárias subterrâneas, tombadas como B17 e B18. Seus muros foram feitos com tijolos de barro e o teto com vigas de madeira.

Tumba de Narmer. Imagem disponível me < http://www.narmer.pl/abydos/qaab_en.htm >. Acesso em 19 de março de 2013.

Atualmente a disposição das paredes da sepultura é conhecida devido a presença de pedras que marcam o seu local.

Tumba do Rei Narmer (B17 e B18). Imagem disponível em BELMONTE, Juan Antonio; GARCÍA, Antonio César González; SHALTOUT, Mosalam; FEKRI, Magdi; MIRANDA, Noemi. From Umm al Qab to Biban al Muluk: The Orientation of Royal Tombs in Ancient Egypt. Archaeologia Baltica. n. 10, p. 226 – 233 , 2008.

Pelo o fato do túmulo ser pequeno, há quem discorde que foi aí onde Narmer teria sido sepultado, mas não é aconselhável empregar valores “atuais” (entre aspas, já que faraós do Antigo e Novo Império são conhecidos por sua busca por estruturas grandiosas) do que seria digno para um rei para a antiguidade.

Update – 19 de maio de 2013

Pergunta do Tenorio Figueredo na Pagina do A.E. em 27 de abril no Facebook e que é extremamente relevante para o post:

Tenorio Figueiredo: Márcia, como os egiptólogos atestaram que esta tumba é a do faraó Narmer? Existe inscrições?

Márcia Jamille – Arqueologia Egípcia: Sim Tenorio Figueiredo, foram encontrados selos e, posso estar enganada agora, plaquinhas com o nome dele. Acho que é no DREYER (1999), citado no post, que tem um pouquinho mais sobre o assunto. Porém, como citado no texto, alguns não concordam (talvez esperem que seja uma tumba no estilo Seti I). Existe também a possibilidade de ser uma “tumba simbólica”, o problema é que se for considerar esta como algo figurativo teremos que considerar as outras deste mesmo período e local da mesma forma, já que possuem elementos semelhantes.

 

Referências:

BELMONTE, Juan Antonio; GARCÍA, Antonio César González; SHALTOUT, Mosalam; FEKRI, Magdi; MIRANDA, Noemi. From Umm al Qab to Biban al Muluk: The Orientation of Royal Tombs in Ancient Egypt. Archaeologia Baltica. n. 10, p. 226 – 233 , 2008.

DREYER, Günter. “Abydos, Umm el-Qa’ab”. In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.

WILDUNG, Dietrich. O Egipto: da pré-história aos romanos (Tradução de Maria Filomena Duarte). Lisboa: Taschen, 2009.