Dr. Zahi Hawass está livre para sair do Egito

Por Márcia Jamille Costa | @Mjamille

 

Depois de ter passado por turbulências judiciais, onde recebeu acusações por corrupção e fraude, o Dr. Zahi Hawass, ex-secretário do Supremo Conselho de Antiguidade e ex-ministro do Ministério das Antiguidades Egípcias está livre para sair do Egito.

Devido a estas acusações Hawass estava impedido de sair do país até que os fatos fossem esclarecidos.

No mês de Junho ele estará realizando uma palestra em Toronto. Para mais informações clique aqui.

 

Ramsés III foi assassinado com corte na garganta

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Notícia enviada por Fernando Rocha e Marcelo Hessel via página do Arqueologia Egípcia no Facebook.

Muitos são capazes de lembrar-se de Ramsés III (20ª Dinastia) graças ao famoso episódio da “Conspiração do Harém”, em que Tiye, a segunda esposa do faraó, com o auxílio de cúmplices, arquiteta um plano para assassinar o governante. Esta história é conhecida devido a um papiro (hoje localizado em Turim, Itália) que narra o julgamento dos traidores, mas que infelizmente não deixa claro se afinal Ramsés III foi morto ou não.

Ramsés III. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/cultura/20121218/54358078686/ ramses-iii-murio-golpe-estado-rajaron-garganta.html >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

O objetivo de Tiye era por no trono seu filho Pentawer, porém, a primeira esposa de Ramsés III, Isís, também possuía um filho, o qual era o principal herdeiro do trono.

Embora para muitos um harém seja considerado um espaço para o prazer sexual, no Egito estes lugares funcionavam como qualquer outro edifício político, com a diferença de que neles eram realizadas parte da educação das princesas e príncipes reais, além de acordos administrativos.

O corpo preservado de Ramsés III foi redescoberto em 1881*, no esconderijo das múmias reais (TT320), em Deir el Barahi. Anos depois, durante a década de 1960, a múmia foi submetida a uma radiografia, porém não foi encontrado nada que indicasse violência [1].

Mais um exame não invasivo na múmia:

Este ano, a múmia foi submetida a outro exame, desta vez com um aparelho de tomografia computadorizada (CT-Scan). A interpretação das imagens foi realizada pelo professor de radiologia Albert Zink (que também já analisou a múmia “Otzi”, da Itália) e uma equipe com outros radiologistas, além de especialistas em análise molecular e um paleopatologista. O único profissional da área de humanas é o arqueólogo egiptólogo Zahi Hawass.

Múmia de Ramsés III. Imagem disponível em < http://www.bmj.com/content/345/bmj.e8268#aff-4 >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

A conclusão da equipe parece indicar que os antigos conspiradores conseguiram alcançar o intento: A garganta de Ramsés III apresenta um corte abaixo da laringe que perfurou a traqueia em tal profundidade que provavelmente ocasionou uma morte imediata [1], o esôfago e algumas artérias também foram comprometidas, dificilmente alguém sobreviveria a um ferimento destes. Na ferida foi encontrada um objeto no formato do “Olho de Hórus”[1][2], amuleto com fins curativos e que deve ter sido posto no local para que a lesão fosse curada e o faraó pudesse desfrutar de uma boa saúde física no “Além”.

Figura da tomografia de Ramsés III. A legenda “Olho de Hórus” é uma alteração posterior do Arqueologia Egípcia. As setas e estrelas são do artigo original mostrando áreas de fratura e intervenção da resina durante a mumificação. Imagem disponível em < http://www.bmj.com/content/345/bmj.e8268#aff-4 >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

Figura retirada da tomografia de Ramsés III. Devido ao formato foi deduzido que se trata de um ‘Wedjat’, ou seja, um “Olho de Hórus”. Imagem disponível em < http://www.bmj.com/content/345/bmj.e8268#aff-4 >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

Exemplos de Wedjat (Olho de Hórus) encontrados em outros sítios arqueológicos. Estes artefatos eram encontrados em estilos diferentes, mas sempre com a mesma ideia em relação a forma. Imagem disponível em ANDREWS, Carol. Amulets of Ancient Egypt. Londres: British Museum Press, 1994. Pág. 39

No mesmo esconderijo em que foi encontrada a múmia de Ramsés III estava o do “Homem Desconhecido E”, conhecido no Brasil como “A Múmia que Grita”, graças ao programa “Egito Revelado”, da Discovery Channel. Uma análise de DNA, também realizada durante esta pesquisa, apontou que ele era filho de Ramsés III e devido a forma desonrosa como foi sepultado (coberto com uma pele de carneiro e com uma mumificação deficiente) arqueólogos e historiadores acreditam que se trata de Pentawer.

O “Homem Desconhecido E”. A cor da fotografia foi alterada em respeito a alguns dos leitores. Imagem disponível em < http://anubis4_2000.tripod.com/UnknownManE/ManE.htm >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

A conclusão do trabalho:

Durante a discussão no artigo publicado pela a equipe, é dado a entender que de fato os conspiradores conseguiram matar Ramsés III, porém é importante que fique claro aqui para os leitores que não existe a certeza de que foi justamente este grupo que assassinou o faraó. O papiro da conspiração pode estar narrando só um evento isolado.

Os resultados da pesquisa foram publicados no British Medical Journal, um dos periódicos mais importantes do Reino Unido.

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* Este é o ano oficial, mas o esconderijo real tinha sido encontrado anteriormente por ladrões de tumbas e só posteriormente o governo egípcio teve conhecimento do local.

[1]  Sale a la luz un asesinato de hace 3.000 años: a Ramsés III lo degollaron. Disponível em < http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5jRyz9S3tVD3G5WCsq4sAfBcDP6Dg?docId=CNG.555d7b219611e73447652f3bdad00f78.631 >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

[2] Ramses III murió tras un golpe de Estado en el que le rajaron la garganta. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/cultura/20121218/54358078686/ramses-iii-murio-golpe-estado-rajaron-garganta.html >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

Tomografia revela que faraó egípcio teve garganta cortada. Disponível em < http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/12/tomografia-revela-que-farao-egipcio-teve-garganta-cortada.html >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

Tomografia inédita revela que faraó Ramsés 3º teve garganta cortada. Disponível em < http://noticias.br.msn.com/mundo/tomografia-in%C3%A9dita-revela-que-fara%C3%B3-rams%C3%A9s-3%C2%BA-teve-garganta-cortada  >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

O funeral de Tutancâmon (comentários)

O funeral de Tutancâmon da National Geographic Brasil: uma idéia boa, mas mal direcionada.  

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Desde que a tumba de Tutankhamon foi encontrada em 1922 o frenesi sobre a sua descoberta despertou a curiosidade de vários espectadores, alguns dos quais simples curiosos que pouco sabiam sobre a Arqueologia ou de quem se tratava Tutankhamon, mas que estavam dispostos a visualizar aquele universo tão misterioso que era a de uma tumba milenar intacta e cheia de tesouros. Este faraó falecido em 1322 a. C. desperta ainda hoje o interesse de muitos por sua morte tão prematura e os artefatos (a maioria feito de ouro e pedras semipreciosas) encontrados na sua tumba. Esta curiosidade nada acanhada tem se tornado cada vez mais freqüente desde que as primeiras imagens de seu espólio funerário foram lançadas ao mundo, fazendo assim com que o interesse por esta figura antiga esteja cada vez mais gritante. Este fato está refletido mais fortemente nos muitos documentários veiculados por canais fechados onde uma simples menção ao nome do “faraó-menino” está sendo obrigatória. Indo de acordo com a moda da “Tutmania” é onde entra o documentário “O funeral de Tutancâmon” (“Burying King Tut” no original, ano de lançamento 2009) da National Geographic.

Embora realizado para a National Geographic Channel, o documentário em si é quase um fiasco, mas não no que diz respeito ao trabalho de alguns dos pesquisadores presentes, mas da forma como a história foi construída e organizada. O desconhecimento de aspectos da egiptologia por parte da produção da fita é visível a cada momento, principalmente nas montagens ligadas ao historiador Nicholas Reeves (Egiptólogo e autor de “The Conplete Tutankhamun”, sem tradução para o Brasil) que por sinal foi mal encaixado: suas falas além de polêmicas excluem o público de uma grande discussão que existe não só por trás deste, mas de outros documentários agraciados por sua participação, como, por exemplo, a sua teoria de que os pequenos esquifes que guardam as vísceras de Tutankhamon (VER IMAGEM) na verdade pertenciam a Nefertiti. De fato estas imagens não possuem o nome de Tutankhamon, e sim de Smenkará (Smenkaré), porém Reeves afirma categoricamente que neles está o nome da rainha Nefertiti, mas isto devido a uma de suas teorias desenvolvidas há alguns anos onde ele defende que Smenkará, que foi co-regente de Akhenaton e esposo de Meriaton (filha mais velha da rainha), na verdade seria Nefertiti, já que a governante possuía o mesmo sobrenome desta incógnita figura.

Mini esquife que apesar de ter guardado as vísceras de Tutankhamon é nominado em nome de seu antecessor Smenkara. Fonte da imagem: JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2005. P. 109.

Reeves sugere também que os vasos canopos (VER IMAGEM) não eram verdadeiramente de Tutankhamon porque os rostos presentes nas peças são femininos e ele ainda aponta que seriam também de Nefertiti. Esta é a hipótese dele e que particularmente não é possível concordar plenamente uma vez que : (a) em primeiro lugar ele está sendo muito simplista ao sugerir que “por se tratar de imagens femininas” automaticamente não foram encomendadas por Tutankhamon. Para levantar hipóteses poderiam ser a representação mágica das deusas que protegem as suas vísceras e que estão presentes na arca que guardavam outrora estes canopos ou até mesmo uma representação da sua esposa, a Ankhesenamon, que na tumba toma o papel de deusas funerárias ao conduzir em vários momentos o marido no além túmulo. (b) Em segundo Tutankhamon era um rapaz cuja morfologia craniana é grácil, ele possuía feições finas. O canopo possui um rosto um pouco andrógeno e apontar justamente para uma mulher pode acabar sendo mais uma vez simplista, mas, apesar de ser uma possibilidade, ainda sim a face nos canopos não parecem muito com ele, assim é algo que fica em aberto.

Outros apontamentos de Reeves são sobre a possibilidade de que Akhenaton também fosse o dono de algumas das peças encontradas, a exemplo do peitoral com a imagem de um abutre que ele suspeita ser deste rei devido a um título deste faraó presente na peça: “bom soberano, senhor das duas terras”. Caso este artefato tenha sido de fato pertencente a Akhenaton só o seria nos primeiros anos do seu reinado, já que nele está presente uma menção a deusa Nut (JAMES, 2005), que foi uma das muitas divindades excluídas do círculos de rituais anuais e cotidianos durante o ápice do reinado deste faraó.

Face dos canopos de Tutanlhamon. Foto: Acervo National Geographic. Kenneth Garrett. 1995.

Parte da teoria de Reeves – de que algumas das peças da tumba originalmente não são de Tutankhamon – tem como base a presença do “símbolo solar” nos aparelhos funerários, a exemplo dos férreos que guardavam os sarcófagos. Para o egiptólogo estes símbolos são exclusivos de Akhenaton, porém sabemos que até certo limite Tutankhamon seguia uma ideologia atoniana. Sobre esta situação é importante citar uma das falhas do documentário no momento em que Reeves está assinalando um dos “símbolos solares”, na cena o pesquisador está apontando para os hieróglifos que significam “eternidade”, o que não justifica de forma alguma ser uma assinatura atoniana. Reeves é um egiptólogo experiente e creio que não cometeria um erro tão primário, assim, imagino que foi um erro da edição da fita. O egiptólogo também aponta para a possibilidade de que um dos sarcófagos de Tutankhamon onde o rei é representado com um toucado cuja ponta lembra um motivo trançado seria de Akhenaton. Esta é outra idéia que não é possível sair do campo das hipóteses, uma vez que padroniza os toucados como se fossem uma identidade para determinados indivíduos. Um exemplo é uma antiga discussão sobre o sarcófago do indivíduo da KV-55 o qual já foi levantada a conjetura de que deveria ser da rainha Tiye, uma vez que o toucado do caixão lembrava as perucas que a soberana utilizava em vida. Sendo desta forma, o caixão seria também de Kiya, Nefertiti e assim por diante?

Máscara mortuária de Tutankhamon (Sem o tradicional cavanhaque). Foto: Acervo Griffith Institute, University of Oxford. Harry Burton. Disponível em < http://www.griffithinstituteprints.com/image/433271/harry-burton-the-gold-mask-of-tutankhamun-3-4-view > Acesso em 26 de setembro de 2011.

Outra crença de Reeves é de que a máscara funerária (VER IMAGEM) também não foi feita a princípio para Tutankhamon. Esta é mais uma história particular deste pesquisador: quando “O funeral de Tutancâmon” foi lançado pela primeira vez no Brasil fiquei impressionada em ver que desta vez Nicholas Reeves estava considerando que o rosto pertencia a Tutankhamon, porém não o toucado, já que anteriormente ele acreditava que a máscara também seria de Nefertiti (usando a mesma teoria dos canopos). Com este documentário ele mudou a abordagem, mas não deixa de ser inconsistente e reducionista já que desta vez argumenta que o toucado não seria do Tutankhamon pelo fato das pedras azuis da máscara em si e do toucado serem de materiais diferentes. Para aqueles que não assistiram ao documentário ou para quem não entendeu onde Reeves queria chegar é que provavelmente os rostos das máscaras mortuárias reais eram feitas separadamente do toucado em si e eram reunidos posteriormente. O problema da hipótese de Reeves é que ele desconsidera que os objetos poderiam ter sido encomendados em épocas diferentes ou feitos por ourives diferentes, não precisando necessariamente ter pertencido à outra pessoa e o responsável pela encomenda da tumba (no caso da proposta da fita ser este o Ay, vizir de Tutankhamon) ter simplesmente “por falta de tempo” resolvido saquear bens de terceiros, embora esta seja a idéia do documentário já que a muito tem sido impensável para alguns egiptólogos e amadores a possibilidade de que Tutankhamon, praticamente uma criança, ao menos para os nossos padrões ocidentais, ter tido tão pouco tempo para arrecadar tantos artefatos preciosos e de manufatura tão complexa. Ignora-se que Tutankhamon já era adulto a partir do momento que fora coroado e que o nosso conceito de infância é atual.

Um dos momentos mais interessantes do documentário, mas que deixou muito a desejar devido à metodologia aplicada, é quando o arqueólogo Denys Stocks (Arqueólogo Experimental) se questiona se o sarcófago de quartzito poderia ser feito em 70 dias (período tido como base para os preparativos funerários). Na época de Tutankhamon já existiam ferramentas de bronze que ilusoriamente adiantaria o trabalho, no caso do documentário eles utilizaram uma de pedra, que se mostrou mais eficiente. Com a ajuda do artista Dave Willett, Stocks chega à conclusão de que, a partir de uma estimativa com o auxílio de cálculos, uma pessoa sozinha levaria 06 anos para concluir todo o sarcófago, mas como estes trabalhos eram feitos em equipe (de 08 a 10 trabalhando, de acordo com a estimativa de Willett) levariam 08 meses (isto sem contar o tempo para se escavar o interior do bloco de quartzito que de acordo com Stocks levariam 18 meses), o que é inconcebível para quem tinha pouco mais de dois meses para sepultar o faraó. A falha no quesito metodológico se dá devido ao artista ter feito somente um rosto e só uma vez, esperando comparar este experimento com a técnica de pessoas já especializadas no assunto. O experimento foi válido, mas no sentido de Arqueologia Experimental possui falhas. Para sustentar a hipótese de que o sarcófago não teria terminado a tempo entra na fita Marianne Eaton-Krauss (Autora de “The Sarcophagus in the Tomb of Tutankhamun“, sem tradução para o Brasil) apontando que algumas das deusas que protegem o sarcófago estão incompletas já que enquanto partes delas estão entalhadas outras estão simplesmente pintadas. Marianne também aponta a possibilidade de que o sarcófago poderia ter sido reaproveitado, ou seja, não foi feito originalmente para Tutankhamon, uma vez que existem incoerências nos entalhamentos, a exemplo de hieróglifos que parecem terem sido suplantados ou ocultados pelas asas das deusas. Outra sugestão de que o funeral de Tutankhamon teria ocorrido às pressas é o fato das imagens da sua tumba terem sido feitas tão grandes (VEJA O VÍDEO NO FINAL DO TEXTO), na espera que sobrassem menos espaços para se ilustrar. Porém, imagens de tal tamanho não relatam nada incomum, a tumba da rainha Nefertari, conhecida por seu primor artístico, possuem imagens enormes, assim como a de Seti I, e ambos tiveram anos de vida para planejar seu sepulcro.

Salima Ikram no documentário “O funeral de Tutancâmon”. Captura da imagem: Márcia Jamille Costa.

A participação mais interessante parte da Dra. Salima Ikram onde vemos uma das raras vezes em que ela opina sobre o estado do corpo de Tutankhamon. Ikram é amplamente conhecida entre egiptólogos devido ao projeto Múmias de Animais e seus experimentos com conservação de corpos de animais. De acordo com a Dra. a múmia de Tutankhamon parece ter sofrido, aparentemente, uma mumificação deficiente e que antes do processo de conservação o corpo já teria começado a se deteriorar. Outro detalhe apontado é a ambulância de óleo e resina que acabou carbonizando a pele do faraó, a quantidade é tanta que explicaria a “ausência” do coração do rapaz nas chapas de Raios-X, uma vez que a substancia estaria ocultando o órgão. É importante citar que esta quantia excessiva já tinha sido notada quando a múmia de Tutankhamon começou a ser desenfaixada logo após a abertura do sarcófago. Tamanho foi o trabalho do médico responsável pela remoção que ele teve que esquentá-la para tentar desgrudar os artefatos do corpo do rei. Um detalhe importante (e que teria sido interessante se abordado no documentário) é que sabemos de histórias de faraós embebidos em resina através de um texto de relatos de ladrões de tumbas onde o saqueador explica que para soltar as jóias do corpo do falecido precisou atear fogo na múmia, desgrudando assim a resina.

A proposta do documentário é mostrar que Tutankhamon, que morreu jovem e sem filhos vivos, necessitava urgentemente de um herdeiro para o seu trono, desencadeando assim uma corrida pela sucessão por parte de Ay, seu até então vizir que, aproveitando-se da ausência do general do rei, Horemheb, se proclama faraó (a despeito dos inúteis esforços da rainha viúva, Ankhesenamon) se utilizando das mais variadas artimanhas para sepultar Tutankhamon o mais breve o quanto fosse possível. Seguindo este pensamento o Dr Kent R. Weeks (Diretor do Theban Mapping Project) e Dr Peter J. Brand (Egiptólogo da Universidade de Menphis) acreditam que a KV-62 não pertencia primordialmente a Tutankhamon, e sim a KV-23, onde Ay foi sepultado. Outra linha que o documentário segue é de que Tutankhamon teria transformado Horemheb em seu herdeiro, embora isto possa não ter sido verdade, já que Horemheb armou várias justificativas para estar no trono, se declarando, inclusive, herdeiro direto de Amenhotep III, avô de Tutankhamon, e excluindo tanto o seu jovem falecido amo, assim como Ay, Akhenaton (filho de Amenhotep III) e Smenkará da linhagem real.

 

 

A fita possui vários pontos negativos que embora atrativo para um espectador comum não será visto com bons olhos pela academia (a exemplo do fato do Dr. Zahi Hawass entrar no férreo de ouro, evento que poderia ser desastroso para o artefato). Este é um material relativamente ruim onde poucos aspectos podem salvá-lo, como a participação da Dra. Salima Ikram. Não ignoro o fato (ou possibilidade) de alguns dos artefatos da KV-62 terem sido “terceirizados”, mas pela forma como o documentário foi conduzido é difícil poder se levar muita coisa a sério, principalmente porque “O funeral de Tutancâmon” parece ser mais um dos afãs frutos da “moda Rei-Tut” que andam enchendo o currículo de vários pesquisadores. No final das contas, quando observamos as metodologias aplicadas pela maioria dos convidados da fita o documentário em si acaba não possuindo muito de substancial no final das contas.

Veja também:

Página Oficial do documentário: Burying King Tut: < http://natgeotv.com/asia/burying-king-tut >, Acesso 17/09/2011.

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2005.

Alaaeldin Shaheen substituiu Hawass

Por Márcia Jamille N. Costa | @MJamille

 

Antes só eram conversas vagas saídas do Supremo Conselho de Antiguidades, principalmente depois de uma reunião do Prof. Dr. Alaaeldin M. Shaheen como o Primeiro Ministro no dia 12 de Março. Mas já está confirmado, Shaheen é o novo nome que irá substituir o do Dr. Zahi Hawass.

Não saiu nenhuma nota para a impressa ainda, mas alguns egiptólogos no Egito mencionaram que é certeza de que o cargo já foi preenchido por Shaheen.

 

UPDATE – 14 de Março de 2011 – 08h50

Fui procurar saber se o SCA realmente oficializou o cargo de Shaheen: o SCA não confirmou nada ainda e nem mencionou que Shaheen foi o escolhido embora a comunidade de egiptologia esteja acreditando que será ele. Outro nome que foi dado é o de Mohamed Abdel Maksoud.

Devo lembrá-los que o Ministério de Assuntos de Antiguidades não existe mais, ou seja, o SCA voltou a existir e continua agregado ao Ministério da Cultura que agora está sob a liderança de Emad Abou-Ghazi (um historiador).

 

Estejam atentos a esta página porque eu posso fazer um UPDATE a qualquer momento.      

 

 

Alaaeldin Shaheen. Retirado de Prof. Dr. Alaa El-Din Abd el-mohsen Shaheen. Disponível em http://www.alaashaheen.com/ Acesso em 14 de março de 2011.

Hawass fora do Ministério?

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille 

  

Desde ontem (3 de Março de 2011) pela manhã está rolando na internet especulações que apontam para a saída do Dr. Zahi Hawass do Ministério de Assuntos das Antiguidades. Até o momento em que escrevo este texto não ocorreu nenhuma confirmação oficial vinda do próprio Ministério. 

  

  

Dr. Zahi Hawass. Foto retirada de “Shaking Up the Land of the Pharaohs”. Disponível em < http://www.archaeology.org/online/features/hawass/index.html >Acesso em 04 de Março de 2011.

  

Hoje (4 de Março de 2011) o Al Jazeera publicou em seu site em inglês que Hawass teria dito que não irá participar do novo governo que será liderado por Essam Sharaf, o novo Primeiro-Ministro egípcio. Hawass teria dito também que não se sente capaz de exercer seu trabalho em meio a campanha que tem sido desenrolada por seus colegas de gabinete que querem a sua saída do ministério. 

  

Caso Hawass seja dispensado de seu cargo uma das razões seria a motivação política, uma vez que existem planos de uma “limpeza” do antigo gabinete egípcio em prol das mudanças exigidas pelo o povo. 

  

Hawass tem sido ministro desde 31 de Janeiro, tendo sido nomeado por Mubarak, mas o próprio arqueólogo afirmou que quando foi nomeado primeiro Ministro de Assuntos das Antiguidades pensava que “o mandato poderia ser muito curto, dada a situação política”, em suas próprias palavras. 

  

Sem nenhuma confirmação oficial não foi dado também algum nome que poderá substituir Hawass. 

Fonte: 

New Egypt PM at Tahrir rally.  Disponível em < http://english.aljazeera.net/news/middleeast/2011/03/20113483827365222.html > acesso em 04 de Março de 2011. 

UPDATE 04 de Março de 2011 (14h11 – horário de Brasília)  

Via Twitter acabei de ler que Hawass teria sido convidado a permanecer no ministério (notícia não confirmada): 

Primeira mensagem via Twitter que afirma que Hawass permaneceria no Ministério. Captura: Márcia Jamille N. Costa.

UPDATE 05 de Março de 2011 (13h26– horário de Brasília)  

  

Alguns jornais online estão afirmando que é Dr. Zahi Hawass que está se recusando a permanecer no cargo de ministro. Ele planeja o mais breve possível apresentar um pedido oficial de abandono do cargo. De acordo com as notícias este seria um ato de protesto em relação aos saques que estão ocorrendo. Em determinado momento ele afirmou que em alguns sítios os seguranças estão desarmados e assim são rendidos facilmente, “é impossível trabalhar desta forma”, se queixou. 

Os únicos que estão comemorando sua saída são aqueles que defendem uma Arqueologia de pensamento imperialista, os mesmos que não são a favor do repatriamento de peças arqueológicas, algumas pessoas que acham que ele tem mais preocupação com um apelo midiático e os que acham que ele ficou “tempo de mais”. A verdade é que muitos na comunidade de egiptologia e arqueologia não observam com bons olhos a saída de Hawass. Seus apelos midiáticos (embora várias vezes exagerados) foram o que justamente despertou ainda mais o interesse do público não só para os faraós e múmias, mas para os estudos realizados pela a própria Arqueologia Egípcia em si. 

Hawass nas últimas semanas foi acusado de contrabando de peças arqueológicas, mas não ocorreu nenhuma investigação sobre o assunto e as acusações ainda estão sendo levadas com pouco crédito. São denuncias feitas justamente para a imprensa, a mesma imprensa que no estopim das manifestações no Egito vendeu para o mundo a notícia de que a máscara mortuária de Tutankhamon foi roubada. Por este motivo eu peço prudência para quem está propagando este assunto, muitos de nós só está recebendo as notícias mastigadas.       

  

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Abaixo alguns links (em língua estrangeira. Todos acessos entre os dias 04 e 05 de Março de 2011): 

  

Seventh Day: http://www.youm7.com/News.asp?NewsID=362383&SecID=94 

Tradução parcial por Thomas Schuler:  “He will not return to the ministry in case of assigning him again, and apologize for its acceptance, because it will not be able to operate in accordance with the current conditions of the country, especially as it can not protect the effects of theft and looting, destruction, and exploration of random.” 

 

 

Egyptian Antiquities Chief Says He Will Resign: http://artsbeat.blogs.nytimes.com/2011/03/03/egyptian-antiquities-chief-resigns/

Egypt’s minister of antiquities threatens to resign: http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/6964/Heritage/Ancient-Egypt/%D9%90Egypts-minister-of-antiquities-threatens-to-resig.aspx

Egypt’s Chief of Antiquities Says He’s Not Staying On: http://www.nytimes.com/2011/03/04/world/middleeast/04antiquities.html?_r=2

La dimisión de Zahi Hawass, el señor de la arqueología egipcia: http://www.hechosdehoy.com/articulo.asp?idarticulo=6627&utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter&utm_campaign=hechosdehoy

Zahi Hawass abandona su trono: http://hoyesarte.com/politica/internacional/9368-zahi-hawass-abandona-su-trono.html

VOLVERA NEFERTITI A EGIPTO?: http://ushebtisegipcios.blogia.com/2011/030502-volvera-nefertiti-a-egipto-.php?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

EXPERTA QUE BUSCA A CLEOPATRA CREE PERJUDICIAL PARA EGIPTO LA RENUNCIA DE ZAHI HAWASS: http://ushebtisegipcios.blogia.com/2011/030503-experta-que-busca-a-cleopatra-cree-perjudicial-para-egipto-la-renuncia-de-zahi-h.php?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter
 

 

UPDATE 07 de Março de 2011 (13h06– horário de Brasília)

Já é oficial, Hawass renunciou ao cargo. Muitos já estão fazendo suas apostas de quem vai substituí-lo.

Fiz ontem pela manhã um breve comentário “extra-site” sobre o assunto. Quem tiver Facebook pode ver neste link, e quem tem Orkut pode observar neste.

Hawass se reúne com arqueólogos

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

O Dr. Zahi Hawass abriu um dialogo com os representantes dos protestos dos recém formados em Arqueologia que ocorreu em frente a cede do Supremo Conselho de Antiguidades. A reunião foi feita de improviso e acompanhada por um pedido de desculpas por parte dos arqueólogos que levaram flores ao recém nomeado ministro. Durante a reunião que ocorreu nesta segunda feira, 21 de fevereiro de 2011, Dr. Hawass anunciou que em março desde ano abrirá nomeações para cargos que deverão atender a cerca de 900 pessoas, dentre arqueólogos e restauradores.

De acordo com a fonte Dr. Hawass já antes de tornar-se ministro tinha planos no Supremo Conselho de Antiguidades para dar emprego aos recém-graduados do país abrindo um pedido de financiamento para a causa. Em seu blog Hawass comentou:

“Eu também gostaria de esclarecer a situação dos muitos jovens que tem protestado em frente ao escritório do Ministério de Assuntos de Antiguidades, exigindo trabalho. Por um lado, eu estou emocionado de ver quantos jovens estão obtendo gral em arqueologia ultimamente; Eu vejo isto como uma homenagem a forma como a conscientização entre os egípcios acerca da importância do patrimônio cultural egípcio tem aumentado nas últimas décadas. Por outro lado, assim como não foi possível para o Ministério da Cultura contratar todos estes recém graduados, ainda não é possível para o nosso novo Ministério de Assuntos de Antiguidades contratar todos com um diploma em Arqueologia.  A realidade é que pessoas de todas as profissões, e de todo o mundo, precisam de trabalho. Como todo mundo sabe, obtenção de um gral em um determinado assunto nunca é uma garantia de um trabalho nesta área”.

No sentido de cursos de capacitação de Arqueólogos Hawass de fato deve receber o seu crédito, afinal, o Supremo Conselho de Antiguidades sob sua direção fez anteriormente alguns cursos de formação de arqueólogos, e faz parte do projeto deles, inclusive, a integração de arqueólogos nacionais no campo de trabalho do país, uma vez que é um número absurdamente pequeno ainda de profissionais da área nativos do próprio Egito.

Dr. Hawass também se explicou sobre aceitar o cargo de Ministro dado por Mubarak:

Quando eu fui nomeado primeiro Ministro de Assuntos das Antiguidades, eu pensei que meu mandato poderia ser muito curto, dada a situação política. Eu não me importava; Eu estava apenas feliz que o serviço de antiguidades tinha finalmente recebido a independência, e que não seria mais do Ministério da Cultura.

Abaixo fotos da reunião:

Arqueólogos se reúnem no dia 21 de fevereiro de 2011 com dr. Zahi Hawass. Fotos disponibilizadas pelo próprio Hawass em seu Facebook. Acesso em 22 de Fevereiro de 2011.

Arqueólogos se reúnem no dia 21 de fevereiro de 2011 com dr. Zahi Hawass. Fotos disponibilizadas pelo próprio Hawass em seu Facebook. Acesso em 22 de Fevereiro de 2011.

Arqueólogos se reúnem no dia 21 de fevereiro de 2011 com dr. Zahi Hawass. Fotos disponibilizadas pelo próprio Hawass em seu Facebook. Acesso em 22 de Fevereiro de 2011.

Arqueólogos se reúnem no dia 21 de fevereiro de 2011 com dr. Zahi Hawass. Fotos disponibilizadas pelo próprio Hawass em seu Facebook. Acesso em 22 de Fevereiro de 2011.

Arqueólogos se reúnem no dia 21 de fevereiro de 2011 com dr. Zahi Hawass. Fotos disponibilizadas pelo próprio Hawass em seu Facebook. Acesso em 22 de Fevereiro de 2011.

Fonte:

Apologies from, and good news for, the protesters. Disponível em < http://www.youtube.com/watch?v=l8C8M335cJE&feature=player_embedded > acesso em 22 de Fevereiro.

Uplifting News. Disponível em < http://www.drhawass.com/blog/uplifting-news > acesso em 22 de Fevereiro.

Hawass fala sobre os artefatos furtados

Tradução: Márcia Jamille Costa | @MJamille

Publicado blog do Dr. Zahi Hawass (no dia 16 ou 17 de fevereiro de 2011, infelizmente as mensagens do site dele não são mais datadas) temos mais um texto com dados dos trabalhos do SCA para averiguar os danos realizados por quaisquer atividades de furtos de antiguidades e a busca pelas peças sumidas do Museu Egípcio. Abaixo a tradução integral, mas caso tenha alguma sugestão para o texto, por favor, escreva para marcia@arqueologiaegipcia.com.br:

 

Atualização sobre o estado atual das antiguidades

Dr. Zahi Hawass, Ministro do Estado para as Antiguidades, anunciou hoje que uma comissão de arqueólogos completou uma busca preliminar no Museu Egípcio e seus arredores. O desaparecido Escaravelho do Coração de Yuya foi encontrado na zona oeste dos jardins do museu perto da livraria nova. Fragmentos de madeira pertencente ao danificado sarcófago do Novo Império, repousado no segundo piso do museu, também foram encontrados nesta mesma área. A equipe de busca também encontrou um dos onze shabts faltosos de Yuya e Tuya debaixo de uma vitrine. Fragmentos pertencentes a estátua de Tutankhamon sendo transportado pela deusa Menkaret foram encontrados; Todos os fragmentos localizados pertencem à figura de Menkaret. A pequena figura do rei não foi encontrada.

Dr. Zahi Hawass disse que ao que parece os saqueadores deixaram cair objetos durante a fuga, e cada centímetro do museu deve ser vasculhado antes do Registro, Gestão de Coleção, e Departamento de Catalogação, que está supervisionando o inventário, pode produzir um relatório final completo do que está faltando exatamente. A equipe do museu não está ainda em condições de deslocar-se livremente dentro do museu, e tem, até agora, que andar em grupos de 10 – 15 pessoas, acompanhados por soldados. Infelizmente, isto tem deixado as buscas lentas, e tornado muito difícil a realização de um inventário final. O exército está permitindo pouquíssimas pessoas entrar no museu, e a primeira vez que o pessoal do escritório do museu foi permitido entrar foi em 6 de Fevereiro de 2011. A lista anunciada em um comunicado a impressa em 12 de Fevereiro, 2011, é preliminar e continuará a ser atualizada a medida que novas informação vêm à luz. Como o Dr. Zahi Hawass declarou anteriormente até que a completa e exaustiva busca no museu e seus arredores esteja completa e todas as vitrines danificadas inventariadas, a lista de objetos desaparecidos não estará finalizada.

Um dos onze shabti ausentes pertencentes a Yuya. Foto: Museu Egípcio do Cairo. Retirado de dr.Hawass. Disponível em < http://www.drhawass.com/blog/update-current-state-antiquities > Acesso em 17 de fevereiro de 2011.

Dr. Zahi Hawass gostaria de esclarecer suas declarações anteriores de que nada estava faltando. Durante a primeira passagem do grupo de busca pelo o museu, objetos que primeiramente pensava-se que estavam faltando foram encontrados jogados dentro de latas de lixo e cantos mais distantes de seu local original, e ele tinha sido levado a acreditar que uma varredura completa do museu poderia ter sucesso em localizar os objetos desaparecidos. Contrabandistas* normalmente seriam cuidadosos para não danificar os objetos que planejam tomar. Assim a impressão inicial era de que os atacantes eram vândalos em vez de ladrões. Ele foi também mal informado por um dos funcionários do museu sobre a estátua de Akhenaton com uma bandeja de oferendas; foi-lhe dito que ela foi somente danificada enquanto, de fato, desaparecida. Em acréscimo para expressar o que ele então firmemente acreditava, que a equipe do museu continuaria** a localizar os objetos desaparecidos. Suas intenções com estas declarações anteriores foram para tranqüilizar o mundo de que o dano no museu, apesar de trágico, foi muito menos terrível do que o temido de início, e para deixar claro que a maioria das maiores obras-primas do museu, incluindo a máscara de outro de Tutankhamon, estavam salvas.

AFP (não, como reportado na impressa egípcia, CNN) veiculou que a famosa máscara de ouro de Tutankhamon foi roubada. Isto é totalmente falso. Semana passada, Dr. Zahi Hawass levou vários representantes da impressa, incluindo ABC World News, NBC, Associated Press, e Reuters, dentre outros, para o Museu Egípcio, Cairo. Todos os repórteres e jornalistas puderam ver, fotografar, e filmar a máscara situada segura em sua galeria que está atrás de um portão de ferro que os ladrões foram incapazes de adentrar. Em acréscimo, os dois sarcófagos de ouro e os itens encontrados por Howard Carte na múmia em 1925, todos os quais estão na mesma galeria, estão bem seguros. Dr. Hawass expressou seu desapontamento com a AFP por anunciar uma história tão sensacionalista sem antes verificar os fatos. As 13h30 de ontem, Dr. Hawass recebeu uma ligação do Sr. Riad Abu Awad, o chefe do escritório da AFP no Egito. Ele negou que sua agência negligenciou a história. No entanto, muitos jornais online parecem ter citado diretamente a AFP (North Korean News, Caribbean News, All Voices, Nvision UG Monitr, Nevada State News). Hoje, Dr. Zahi Hawass levou membros da impressa para o museu para mostrar que a máscara está salva.

No domingo, Dr. Hawass recebeu o relatório preparado pelo comitê que ele tinha enviado para verificar o depósito De Morgan em Dahshur; de acordo com este relatório todos os grandes e pequenos blocos estão salvos. Os únicos itens que faltam parecem ser pequenos amuletos. Arqueólogos no local tinham instalado previamente um portão de ferro e garantiu que vigias guardassem o depósito. Apesar destas precauções, Dr. Hawass anunciou que o depósito foi atacado pela segunda vez segunda-feira à noite, e os ladrões foram capazes de dominar e amarrar os guardas. Dr. Hawass nominou um novo comitê para averiguar o atual estado do depósito.

Um comitê para revisar o depósito de Qantara Oeste no Sinai, também foi nomeado pelo Dr. Hawass. Este depósito sofreu um arrombamento na noite de 28 de Janeiro, 2011; ladrões roubaram caixas cheias de objetos, dos quais, até a data, 298 foram devolvidos***. O comitê conduzirá um inventário completo e comparará com o inventário anterior para determinar se tudo ou não foi devolvido.

Dr. Hawass disse que as notícias mais importantes de hoje foi a que o Escaravelho do Coração e o shabit foram encontrados nas dependências do museu ele tem fé que o comitê que ainda fazem a busca no museu possam localizar mais dos objetos perdidos.

 *Professionals out to steal would (…)” Não entendi o que ele quis passar com a frase, “contrabandistas” parecia fazer sentido.

** “ (…) which was that museum staff would continue (…)”.

*** Não sei julgar se é a mesma história, mas um boato que rondou na época dos protestos era de que tuaregues teriam entregado cerca de 200 artefatos, que segundo dizem teriam sido roubados outrora, ao conselho de antiguidades.

Zahi Hawass. Retirado de: Jean-Claude Aunos Photographe. Disponível em < http://www.jca-photo.com/portraits.html> Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

A revolta virou contra Hawass

Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Discovery Channel, BBC, The History Channel National Geographic, estas são só algumas das emissoras que já receberam Dr. Zahi Hawass para lhes dar algumas de suas palavras. Famoso por suas investidas em nome da repatriação de peças arqueológicas já foi dado como uma das pessoas mais influentes do mundo. Polêmico e arrogante, Hawass ao nível que ganhava uma legião de fãs embolsava detratores.

 

Historicamente o Supremo Conselho de Antiguidades era regido por estrangeiros. Quando Mostafa Amer tornou-se o primeiro egípcio a tomar a posição de diretor do SCA o acontecimento tornou-se notório, desde então somente egípcios têm assumido o cargo, e uma Arqueologia Imperialista deu lugar a uma Arqueologia Nacionalista desesperada pelos fundos retirados do turismo e preocupada com a preservação do passado dos faraós. Hawass – ou Big Boss como anos atrás era chamado – surgiu neste cenário primeiramente recatado e com o objetivo maior de levar de volta ao Egito as peças arqueológicas tidas como “únicas” como a Pedra de Roseta e o busto de Nefertiti, esta sua determinação o tornou famoso e requisitado, principalmente com a descoberta do sepulcro das chamadas “múmias douradas”. Em menos de dez anos Hawass tornou-se o arqueólogo mais conhecido do mundo e era o favorito para aparecer em programas de TVs e entrevistas.

 

 

Dr. Zahi Hawass. Foto: Meghan E. Strong. Retirado de: Dr. Hawass. Disponível em: < http://www.drhawass.com/blog/press-release-pieces-amenhotep-iii-and-tiye-statue-found>. Acesso em 13 de Janeiro de 2011.

 

 

Hoje sua popularidade o coloca na berlinda, muitos acadêmicos ligados a área da Arqueologia Egípcia olham com repudia suas freqüentes aparições na impressa que não raramente são seguidas por algum comentário polêmico. O apelido Big Boss hoje foi substituído por recriminações ligadas ao seu “estrelismo”, críticos começaram a surgir de todos os lados, inclusive de pessoas que nunca sequer trabalharam em escavações no país. Mas a crítica maior surgiu esta semana no próprio Egito saindo dos seus próprios conterrâneos: jovens arqueólogos preocupados com o desemprego na sua área de atuação.

 

Um dos grandes problemas no Egito é a falta de emprego que atinge também vários arqueólogos do país, profissionais que na teoria deveriam trabalhar para o governo, mas que na prática, alegam, nunca receberem uma oportunidade por parte de Hawass. “Ele não quer saber de nós”, disse o recém formado Gamal El-Hanafy de 22 anos – que se formou na Universidade do Cairo em 2009 – carregando em uma pasta seus certificados, “Ele só se preocupa com a propaganda”. Gamal El-Hanafy, assim como cerca de 150 formandos em arqueologia se reuniram nesta segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011, em frente a cede do Supremo Conselho de Antiguidades onde Hawass tem um escritório. Eles argumentam que a indústria de turismo alimenta a economia, mas não sabem como é que este dinheiro é gasto e assim acusam o Ministério de corrupção.

 

Embora não exista afirmações que confirmem, sugere-se que parte da revolta tem amarração com a ligação de Hawass com Mubarak. Hawass aceitou o cargo de Ministro das Antiguidades durante a paralisação quando o ex-presidente tentava amenizar os ânimos dos protestantes demitindo o antigo conselho e criando um novo. Outro problema está em alguns dos comentários de Hawass que pareciam apoiar Mubarak a exemplo do último dado após a saída do ditador e Hawass constatar que peças do Museu Egípcio do Cairo estariam sumidas: “Eu disse que se o Museu Egípcio é seguro, então o Egito é seguro. No entanto, eu agora temo que o Egito não é seguro” frase que acabou coincidido com algumas das afirmações de Mubarak de que manteria o Egito protegido. Especulações à parte, muitas das críticas contra Hawass são de cunho pessoal, mas que tomaram carona na onda de protestos que cercaram o Egito. Não se sabe ainda qual a posição dos demais trabalhadores da área da arqueologia que estão espalhados pelo o resto do país, mas o grupo reunido da segunda-feira, e que foi disperso, prometeu retornar para frente do Supremo Conselho de Antiguidades e protestar de forma pacifica pelo o direito a uma oportunidade de trabalho.

 

[cincopa A4CA-c6znaQQ]

 

Fonte:

Protesters target Egypt’s antiquities chief. Disponível em: http://www.google.com/hostednews/ap/article/ALeqM5gNv6IKRhurEYPmjAzVk86a0tsX8g?docId=d818e386afeb449d988b51bc767e96d7 Acesso em 15 de Fevereiro de 2011.

 

  

Triste Notícia – Por Zahi Hawass

Tradução: Márcia Jamille Costa | @MJamille

Vendo o blog do Dr. Zahi Hawass agora temos uma notícia desconcertante sobre a invasão ao Museu Egípcio do Cairo. Fiz a tradução integral da mensagem e caso tenha alguma sugestão para a tradução, por favor, escreva para marcia@arqueologiaegipcia.com.br :

Triste Notícia

Os auxiliares do departamento de banco de dados do Museu Egípcio do Cairo me deram seu relatório do inventário dos objetos do museu após o arrombamento. Infelizmente, eles descobriram que objetos do museu estão sumidos. Os objetos desaparecidos são os seguintes:

1 – Estátua dourada de madeira de Tutankhamon sendo carregado por uma deusa;

2 – Estátua dourada de madeira de Tutankhamon com arpão. Apenas o torso e membros superiores do rei estão em falta;

3 – Estátua de calcário de Akhenaton segurando uma bandeja de oferendas;

4 – Estátua de Nefertiti fazendo oferendas;

5 – Cabeça de arenito de princesa de Amarna;

6 – Estátua de pedra de um escriba de amarna;

7 – Shabtis de madeira de Yuya (11 peças);

8 – Escaravelho do coração de Yuya.

Investigadores começaram a procurar pelas pessoas que roubaram estes objetos, e a polícia com o exército planejam ter com os criminosos já presos. Eu disse que se o Museu Egípcio é seguro, então o Egito é seguro. No entanto, eu agora temo que o Egito não é seguro.

Em outra terrível cadeia de acontecimentos, noite passada um depósito em Dahshur foi arrombado; ele chama-se De Morgan’s. Este depósito contém grandes blocos e pequenos artefatos.

 

Texto no original: Sad News. Disponível em < http://www.drhawass.com/blog/sad-news > Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

 Update

Desde ontem (14 de Fevereiro de 2011) estão rondando alguns boatos de que três das oito peças listadas foram encontradas dentro do próprio Museu Egípcio na área da bilheteria (provavelmente largadas durante a bagunça). Segundo os mesmos uma das peças são os pedaços faltosos da estátua de Tutankhamon e o escaravelho de Yuya.

Zahi Hawass. Retirado de: Jean-Claude Aunos Photographe. Disponível em < http://www.jca-photo.com/portraits.html> Acesso em 12 de Fevereiro de 2011.

Dr. Zahi Hawass irá para Portugal

Agora em 2011 o Dr. Zahi Hawass irá pela primeira vez para Portugal e receberá no dia 19/01 o doutoramento Honoris Causa pela Universidade Nova de Lisboa (UNL). Em nota ao jornal online Lusa a Universidade se justifica “A UNL reconhece, deste modo, a profícua atividade científica deste arqueólogo e investigador que dedicou toda a sua vida à causa da egiptologia e à defesa do patrimônio egípcio”. Somente a UNL possui uma concessão para trabalhar com escavações no Egito.   

 

 

Dr. Zahi Hawass. Foto: Meghan E. Strong. Retirado de: Dr. Hawass. Disponível em: < http://www.drhawass.com/blog/press-release-pieces-amenhotep-iii-and-tiye-statue-found>. Acesso em 13 de Janeiro de 2011.

 

Fonte:

Lusa. Disponível em: < http://www.lusa.pt/lusaweb/user/showitem?service=310&listid=NewsList310&listpage=1&docid=11968880>. Acesso em 13 de Janeiro de 2011.