Zahi Hawass estreará novo programa de TV

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Se você é um avido consumidor de documentários, revistas e programas sobre a Antiguidade egípcia provavelmente já ouviu falar de Zahi Hawass. Arqueólogo, egiptólogo, escritor, já foi diretor do Supremo Conselho de Antiguidades e Ministro das Antiguidades do Egito. Este homem conseguiu arrecadar uma legião de fãs e desafetos. Ficou mundialmente famoso quando protagonizou a divulgação da Arqueologia realizada no Egito e a importância de repatriar artefatos arqueológicos notáveis para a Egiptologia tais como a Pedra de Roseta (que permitiu a tradução dos hieróglifos egípcios) e o busto da Rainha Nefertiti, retirado do país em circunstancias pouco admiráveis.

Zahi Hawass. Via.

Em 2011 Hawass foi o foco de um “reality” (entre aspas mesmo porque anos mais tarde, em entrevista, ele revelou que algumas das situações ocorridas na série foram plantadas pela a equipe de produção) intitulado “Caçador de Múmias” (Chasing Mummies, no original), para a The History Channel. O programa tinha o objetivo de levar os espectadores para o incrível mundo de descobertas que era a vida de Hawass, mas suscitou em opiniões divergentes entre o público.

Contudo, para a nossa surpresa, o famoso arqueólogo revelou no último dia 29 de setembro (2016) que protagonizará mais uma vez um programa de TV: o Kashef Al-Asrar, em português “Revelador de Segredos”.

A ideia é que o ex-ministro das antiguidades use sua influência para promover o turismo e aumentar a consciência sobre a importância cultural do Egito. O programa contará com a colaboração de egiptólogos de renome e será lançado no canal egípcio de satélite Al-Ghad e posteriormente lançado no exterior.

Divulgação do programa em conferência de imprensa. Foto: Ahram.

Falando de uma forma mais pessoal, o que notei é que ao contrário de “Caçador de Múmias” aparentemente teremos a oportunidade de ver um Zahi Hawass verdadeiramente acadêmico, e não um showman de um programa excêntrico e apelativo, como foi o caso da produção da The History. Com “Revelador de Segredos” ele falará curiosidades sobre a cultura egípcia tais como costumes e cotidiano.

A ideia e conceito do programa partiu do próprio Hawass. Em uma conferência de imprensa ele disse que tinha tido o vislumbre em 2007, mas por conta do alto custo precisou deixar sua proposta de lado.

Oito episódios já foram gravados e dependendo da receptividade do público Hawass gravará mais temporadas, mas, desta vez, expandindo os temas da Arqueologia egípcia, mostrando para o público a história das sociedades copta e islâmica.

O programa estreará já este mês, no dia 20 (outubro/2016). Ainda não fui informada sobre o interesse de alguma emissora brasileira em transmiti-lo.

Fonte:

‘Revealer of Secrets’: Zahi Hawass’s new TV show on archaeology to launch in October. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/244857/Heritage/Ancient-Egypt/Revealer-of-Secrets-Zahi-Hawasss-new-TV-show-on-ar.aspx >. Acesso em 29 de setembro de 2016.

 

Ramsés III foi morto durante um ataque de mais de um assassino, diz pesquisadores

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Dada a proteção palaciana e a existência de um corpo de guardas especial dedicado a cuidar da integridade física dos faraós que viveram durante o Novo Império é difícil imaginar que um destes governantes poderia ser assassinado. Entretanto, existe um documento judicial dos tempos faraônicos que chegou até nós que explica detalhes de um complô para matar o faraó Ramsés III. Este episódio atualmente é chamado de forma romanceada como “A conspiração do harém” e trata da rainha Tiye, que com o auxílio de cúmplices arquiteta um plano para dar fim a vida do rei.

Ramsés III. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/cultura/20121218/54358078686/ ramses-iii-murio-golpe-estado-rajaron-garganta.html >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

O papiro não está completo, estando faltando justamente a parte que contaria se o plano deu certo. Em complemento, a múmia de Ramsés III já é conhecida deste o século XIX e suas primeiras análises não apontaram nenhum tipo de violência.

Múmia de Ramsés III. Imagem disponível em < http://www.bmj.com/content/345/bmj.e8268#aff-4 >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

Contudo, em 2012 escrevi um post explicando que uma equipe de bioarqueologos tinha descoberto, através de tomografias computadorizadas, que ele teria sido morto com um corte na garganta que alcançou sua traqueia.

Leia mais detalhes aqui: — Ramsés III foi assassinado com corte na garganta.

Neste ano de 2016 uma publicação no livro “Scanning the Pharaohs: CT Imaging of the New Kingdom Royal Mummies”, escrito pelo arqueólogo egiptólogo Zahi Hawass e o radiologista Sahar Saleem, aponta que reanalisando o corpo de Ramsés III foi possível encontrar mais evidências de ataques. Um deles está em um dos pés, que possui fraturas, além de um dos dedos, que foi decepado.

Ainda de acordo com a publicação, Saleem destaca indícios que o levou a acredita que as feridas no pé foram feitas por um machado, e que o rei também foi atacado de frente por uma espada e um outro assassino o atacou pelas costas com uma faca.

Fonte:

Pharaoh Ramesses III Killed by Multiple Assailants, Radiologist Says. Disponível em < http://www.livescience.com/54100-pharaoh-ramesses-iii-killed-by-multiple-assailants-egyptologists-say.html >. Acesso em 21 de março de 2016.

(Resenha – Artigo em revista) “Os Mistérios de Tutancâmon”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Neste mês (novembro), foram comemorados 91 anos de descoberta da tumba do faraó Tutankhamon e para solenizar a revista História Ilustrada publicou o texto “Os Mistérios de Tutancâmon” (Ano 2, n°5 – 2013). Em comemoração ao evento, esta edição veio com uma capa com um desenho ilustrando o faraó através da sua polêmica reconstituição facial lançada em 2005.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013.

Para discutir o tema “Tutankhamon”, o editorial dedicou oito páginas para ele, com os pontos de debates bem distribuídos e bem confortáveis para ler, porém, em termos de conteúdo, a matéria possui alguns problemas e são eles:

▸ O artigo inicia com uma chamada equivocada (página 26), afirmando que a tumba do faraó foi encontrada no dia 26 de novembro de 1922, mas neste dia o que ocorreu foi a abertura da parede que levava para a primeira câmara e o pronunciamento da famosa frase do arqueólogo Howard Carter, “Vejo coisas maravilhosas”, quando ele observou o que existia dentro do túmulo pela primeira vez. Em verdade, a tumba foi descoberta semanas antes, no dia 04 de novembro.

▸Tutankhamon não foi o faraó mais jovem a assumir o trono, mas provavelmente Pepi II (VI Dinastia), o qual acredita-se que começou a reinar aos seis anos.

▸ Ao contrário do que a matéria apresenta, a tumba estava perfeitamente identificada já na parede inicial que lacrava o sepulcro. A princípio Carter não sabia a quem pertencia porque não tinha retirado todo o entulho que cobria a primeira parede antes do dia 24 de Novembro.

▸ O resultado dos trabalhos de Hawass, citado na página 30, não saíram em 2012, mas em Fevereiro de 2010.

▸ A múmia da KV-21, no relatório original da pesquisa, não foi confirmada como sendo Ankhesenamon, a esposa de Tutankhamon, mas como alguém de vínculo sanguíneo próximo.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013.

▸ Somente uma das crianças encontradas na KV-62 foi confirmada como sendo filha de Tutankhamon, a outra não tinha material genético suficiente para a análise.

 

Para quem ficou na curiosidade:

▸ Na página 27, no quadro “A Maldição do Faraó”, a lenda da frase com o agouro foi inventada pelos veículos de imprensa, que queriam tirar lucros vendendo histórias sobre a tumba.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013.

Revista História Ilustrada, “Os Mistérios de Tutancâmon”. 2013. Foto: Márcia Jamille. 2013.

▸ Na página 28 o Vale dos Reis é descrito como o local de sepultamento dos reis, mas isto foi somente durante um período (especificamente durante o Novo Império), posteriormente, nos tempos mais tardios, algumas das tumbas seriam reutilizadas por plebeus. Em complemento, mesmo no Novo Império, o local serviu para sepultar também outros membros da realeza e pessoas da nobreza.

▸ Na página 29, a cama ritual apresentada (chamada no texto de “baú”) embora tenha ligação com a deusa Hathor ela é referente a outra divindade chamada Mehet-Weret.

No geral, embora possua estes equívocos, a matéria visualmente é bem convidativa. Alguns dos nomes egípcios não foram convencionados para a grafia adotada no Brasil, o que pode gerar um grande estranhamento. Por fim, vale ressaltar que já surgiram novas teorias de como se deu a morte do faraó e o grau de parentesco das múmias utilizadas nos exames para identificar membros da sua família. Muitas das propostas lançadas por Hawass e sua equipe de 2010, as quais os resultados da pesquisa foram listados na matéria, não são aceitas unanimemente pela a academia e inclusive existe uma série de artigos questionando a viabilidade das conclusões apresentadas. Infelizmente tais réplicas não ganharam espaço na imprensa.

 

Revistas de novembro que serão comentadas:

Dr. Zahi Hawass diz se arrepender de ter assumido Ministério em 2011

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Mais de dois anos após assumir o Ministério das Antiguidades Egípcias e ser exonerado semanas depois, o Dr. Zahi Hawass finalmente comentou acerca da sua decisão de assumir o cargo oferecido pelo ex-ditador Hosni Mubarak, “O posto de Ministro do Estado para as Antiguidades foi a pior coisa que aconteceu na minha vida” afirmou nesta terça-feira (09 de julho de 2013).

Acusado de crimes de corrupção e contrabando de peças arqueológicas, Dr. Zahi Hawass foi inocentado pela justiça egípcia, mas ainda sofre por ter sido partidário do ex-ditador e por ter sonegado informações acerca dos artefatos roubados no Museu Egípcio do Cairo durante as manifestações de 2011.

Dr. Zahi Hawass está livre para sair do Egito

Por Márcia Jamille Costa | @Mjamille

 

Depois de ter passado por turbulências judiciais, onde recebeu acusações por corrupção e fraude, o Dr. Zahi Hawass, ex-secretário do Supremo Conselho de Antiguidade e ex-ministro do Ministério das Antiguidades Egípcias está livre para sair do Egito.

Devido a estas acusações Hawass estava impedido de sair do país até que os fatos fossem esclarecidos.

No mês de Junho ele estará realizando uma palestra em Toronto. Para mais informações clique aqui.

 

Ramsés III foi assassinado com corte na garganta

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Notícia enviada por Fernando Rocha e Marcelo Hessel via página do Arqueologia Egípcia no Facebook.

Muitos são capazes de lembrar-se de Ramsés III (20ª Dinastia) graças ao famoso episódio da “Conspiração do Harém”, em que Tiye, a segunda esposa do faraó, com o auxílio de cúmplices, arquiteta um plano para assassinar o governante. Esta história é conhecida devido a um papiro (hoje localizado em Turim, Itália) que narra o julgamento dos traidores, mas que infelizmente não deixa claro se afinal Ramsés III foi morto ou não.

Ramsés III. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/cultura/20121218/54358078686/ ramses-iii-murio-golpe-estado-rajaron-garganta.html >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

O objetivo de Tiye era por no trono seu filho Pentawer, porém, a primeira esposa de Ramsés III, Isís, também possuía um filho, o qual era o principal herdeiro do trono.

Embora para muitos um harém seja considerado um espaço para o prazer sexual, no Egito estes lugares funcionavam como qualquer outro edifício político, com a diferença de que neles eram realizadas parte da educação das princesas e príncipes reais, além de acordos administrativos.

O corpo preservado de Ramsés III foi redescoberto em 1881*, no esconderijo das múmias reais (TT320), em Deir el Barahi. Anos depois, durante a década de 1960, a múmia foi submetida a uma radiografia, porém não foi encontrado nada que indicasse violência [1].

Mais um exame não invasivo na múmia:

Este ano, a múmia foi submetida a outro exame, desta vez com um aparelho de tomografia computadorizada (CT-Scan). A interpretação das imagens foi realizada pelo professor de radiologia Albert Zink (que também já analisou a múmia “Otzi”, da Itália) e uma equipe com outros radiologistas, além de especialistas em análise molecular e um paleopatologista. O único profissional da área de humanas é o arqueólogo egiptólogo Zahi Hawass.

Múmia de Ramsés III. Imagem disponível em < http://www.bmj.com/content/345/bmj.e8268#aff-4 >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

A conclusão da equipe parece indicar que os antigos conspiradores conseguiram alcançar o intento: A garganta de Ramsés III apresenta um corte abaixo da laringe que perfurou a traqueia em tal profundidade que provavelmente ocasionou uma morte imediata [1], o esôfago e algumas artérias também foram comprometidas, dificilmente alguém sobreviveria a um ferimento destes. Na ferida foi encontrada um objeto no formato do “Olho de Hórus”[1][2], amuleto com fins curativos e que deve ter sido posto no local para que a lesão fosse curada e o faraó pudesse desfrutar de uma boa saúde física no “Além”.

Figura da tomografia de Ramsés III. A legenda “Olho de Hórus” é uma alteração posterior do Arqueologia Egípcia. As setas e estrelas são do artigo original mostrando áreas de fratura e intervenção da resina durante a mumificação. Imagem disponível em < http://www.bmj.com/content/345/bmj.e8268#aff-4 >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

Figura retirada da tomografia de Ramsés III. Devido ao formato foi deduzido que se trata de um ‘Wedjat’, ou seja, um “Olho de Hórus”. Imagem disponível em < http://www.bmj.com/content/345/bmj.e8268#aff-4 >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

Exemplos de Wedjat (Olho de Hórus) encontrados em outros sítios arqueológicos. Estes artefatos eram encontrados em estilos diferentes, mas sempre com a mesma ideia em relação a forma. Imagem disponível em ANDREWS, Carol. Amulets of Ancient Egypt. Londres: British Museum Press, 1994. Pág. 39

No mesmo esconderijo em que foi encontrada a múmia de Ramsés III estava o do “Homem Desconhecido E”, conhecido no Brasil como “A Múmia que Grita”, graças ao programa “Egito Revelado”, da Discovery Channel. Uma análise de DNA, também realizada durante esta pesquisa, apontou que ele era filho de Ramsés III e devido a forma desonrosa como foi sepultado (coberto com uma pele de carneiro e com uma mumificação deficiente) arqueólogos e historiadores acreditam que se trata de Pentawer.

O “Homem Desconhecido E”. A cor da fotografia foi alterada em respeito a alguns dos leitores. Imagem disponível em < http://anubis4_2000.tripod.com/UnknownManE/ManE.htm >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

A conclusão do trabalho:

Durante a discussão no artigo publicado pela a equipe, é dado a entender que de fato os conspiradores conseguiram matar Ramsés III, porém é importante que fique claro aqui para os leitores que não existe a certeza de que foi justamente este grupo que assassinou o faraó. O papiro da conspiração pode estar narrando só um evento isolado.

Os resultados da pesquisa foram publicados no British Medical Journal, um dos periódicos mais importantes do Reino Unido.

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* Este é o ano oficial, mas o esconderijo real tinha sido encontrado anteriormente por ladrões de tumbas e só posteriormente o governo egípcio teve conhecimento do local.

[1]  Sale a la luz un asesinato de hace 3.000 años: a Ramsés III lo degollaron. Disponível em < http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5jRyz9S3tVD3G5WCsq4sAfBcDP6Dg?docId=CNG.555d7b219611e73447652f3bdad00f78.631 >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

[2] Ramses III murió tras un golpe de Estado en el que le rajaron la garganta. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/cultura/20121218/54358078686/ramses-iii-murio-golpe-estado-rajaron-garganta.html >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

Tomografia revela que faraó egípcio teve garganta cortada. Disponível em < http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/12/tomografia-revela-que-farao-egipcio-teve-garganta-cortada.html >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

Tomografia inédita revela que faraó Ramsés 3º teve garganta cortada. Disponível em < http://noticias.br.msn.com/mundo/tomografia-in%C3%A9dita-revela-que-fara%C3%B3-rams%C3%A9s-3%C2%BA-teve-garganta-cortada  >. Acesso em 18 de Dezembro de 2012.

O funeral de Tutancâmon (comentários)

O funeral de Tutancâmon da National Geographic Brasil: uma idéia boa, mas mal direcionada.  

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Desde que a tumba de Tutankhamon foi encontrada em 1922 o frenesi sobre a sua descoberta despertou a curiosidade de vários espectadores, alguns dos quais simples curiosos que pouco sabiam sobre a Arqueologia ou de quem se tratava Tutankhamon, mas que estavam dispostos a visualizar aquele universo tão misterioso que era a de uma tumba milenar intacta e cheia de tesouros. Este faraó falecido em 1322 a. C. desperta ainda hoje o interesse de muitos por sua morte tão prematura e os artefatos (a maioria feito de ouro e pedras semipreciosas) encontrados na sua tumba. Esta curiosidade nada acanhada tem se tornado cada vez mais freqüente desde que as primeiras imagens de seu espólio funerário foram lançadas ao mundo, fazendo assim com que o interesse por esta figura antiga esteja cada vez mais gritante. Este fato está refletido mais fortemente nos muitos documentários veiculados por canais fechados onde uma simples menção ao nome do “faraó-menino” está sendo obrigatória. Indo de acordo com a moda da “Tutmania” é onde entra o documentário “O funeral de Tutancâmon” (“Burying King Tut” no original, ano de lançamento 2009) da National Geographic.

Embora realizado para a National Geographic Channel, o documentário em si é quase um fiasco, mas não no que diz respeito ao trabalho de alguns dos pesquisadores presentes, mas da forma como a história foi construída e organizada. O desconhecimento de aspectos da egiptologia por parte da produção da fita é visível a cada momento, principalmente nas montagens ligadas ao historiador Nicholas Reeves (Egiptólogo e autor de “The Conplete Tutankhamun”, sem tradução para o Brasil) que por sinal foi mal encaixado: suas falas além de polêmicas excluem o público de uma grande discussão que existe não só por trás deste, mas de outros documentários agraciados por sua participação, como, por exemplo, a sua teoria de que os pequenos esquifes que guardam as vísceras de Tutankhamon (VER IMAGEM) na verdade pertenciam a Nefertiti. De fato estas imagens não possuem o nome de Tutankhamon, e sim de Smenkará (Smenkaré), porém Reeves afirma categoricamente que neles está o nome da rainha Nefertiti, mas isto devido a uma de suas teorias desenvolvidas há alguns anos onde ele defende que Smenkará, que foi co-regente de Akhenaton e esposo de Meriaton (filha mais velha da rainha), na verdade seria Nefertiti, já que a governante possuía o mesmo sobrenome desta incógnita figura.

Mini esquife que apesar de ter guardado as vísceras de Tutankhamon é nominado em nome de seu antecessor Smenkara. Fonte da imagem: JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2005. P. 109.

Reeves sugere também que os vasos canopos (VER IMAGEM) não eram verdadeiramente de Tutankhamon porque os rostos presentes nas peças são femininos e ele ainda aponta que seriam também de Nefertiti. Esta é a hipótese dele e que particularmente não é possível concordar plenamente uma vez que : (a) em primeiro lugar ele está sendo muito simplista ao sugerir que “por se tratar de imagens femininas” automaticamente não foram encomendadas por Tutankhamon. Para levantar hipóteses poderiam ser a representação mágica das deusas que protegem as suas vísceras e que estão presentes na arca que guardavam outrora estes canopos ou até mesmo uma representação da sua esposa, a Ankhesenamon, que na tumba toma o papel de deusas funerárias ao conduzir em vários momentos o marido no além túmulo. (b) Em segundo Tutankhamon era um rapaz cuja morfologia craniana é grácil, ele possuía feições finas. O canopo possui um rosto um pouco andrógeno e apontar justamente para uma mulher pode acabar sendo mais uma vez simplista, mas, apesar de ser uma possibilidade, ainda sim a face nos canopos não parecem muito com ele, assim é algo que fica em aberto.

Outros apontamentos de Reeves são sobre a possibilidade de que Akhenaton também fosse o dono de algumas das peças encontradas, a exemplo do peitoral com a imagem de um abutre que ele suspeita ser deste rei devido a um título deste faraó presente na peça: “bom soberano, senhor das duas terras”. Caso este artefato tenha sido de fato pertencente a Akhenaton só o seria nos primeiros anos do seu reinado, já que nele está presente uma menção a deusa Nut (JAMES, 2005), que foi uma das muitas divindades excluídas do círculos de rituais anuais e cotidianos durante o ápice do reinado deste faraó.

Face dos canopos de Tutanlhamon. Foto: Acervo National Geographic. Kenneth Garrett. 1995.

Parte da teoria de Reeves – de que algumas das peças da tumba originalmente não são de Tutankhamon – tem como base a presença do “símbolo solar” nos aparelhos funerários, a exemplo dos férreos que guardavam os sarcófagos. Para o egiptólogo estes símbolos são exclusivos de Akhenaton, porém sabemos que até certo limite Tutankhamon seguia uma ideologia atoniana. Sobre esta situação é importante citar uma das falhas do documentário no momento em que Reeves está assinalando um dos “símbolos solares”, na cena o pesquisador está apontando para os hieróglifos que significam “eternidade”, o que não justifica de forma alguma ser uma assinatura atoniana. Reeves é um egiptólogo experiente e creio que não cometeria um erro tão primário, assim, imagino que foi um erro da edição da fita. O egiptólogo também aponta para a possibilidade de que um dos sarcófagos de Tutankhamon onde o rei é representado com um toucado cuja ponta lembra um motivo trançado seria de Akhenaton. Esta é outra idéia que não é possível sair do campo das hipóteses, uma vez que padroniza os toucados como se fossem uma identidade para determinados indivíduos. Um exemplo é uma antiga discussão sobre o sarcófago do indivíduo da KV-55 o qual já foi levantada a conjetura de que deveria ser da rainha Tiye, uma vez que o toucado do caixão lembrava as perucas que a soberana utilizava em vida. Sendo desta forma, o caixão seria também de Kiya, Nefertiti e assim por diante?

Máscara mortuária de Tutankhamon (Sem o tradicional cavanhaque). Foto: Acervo Griffith Institute, University of Oxford. Harry Burton. Disponível em < http://www.griffithinstituteprints.com/image/433271/harry-burton-the-gold-mask-of-tutankhamun-3-4-view > Acesso em 26 de setembro de 2011.

Outra crença de Reeves é de que a máscara funerária (VER IMAGEM) também não foi feita a princípio para Tutankhamon. Esta é mais uma história particular deste pesquisador: quando “O funeral de Tutancâmon” foi lançado pela primeira vez no Brasil fiquei impressionada em ver que desta vez Nicholas Reeves estava considerando que o rosto pertencia a Tutankhamon, porém não o toucado, já que anteriormente ele acreditava que a máscara também seria de Nefertiti (usando a mesma teoria dos canopos). Com este documentário ele mudou a abordagem, mas não deixa de ser inconsistente e reducionista já que desta vez argumenta que o toucado não seria do Tutankhamon pelo fato das pedras azuis da máscara em si e do toucado serem de materiais diferentes. Para aqueles que não assistiram ao documentário ou para quem não entendeu onde Reeves queria chegar é que provavelmente os rostos das máscaras mortuárias reais eram feitas separadamente do toucado em si e eram reunidos posteriormente. O problema da hipótese de Reeves é que ele desconsidera que os objetos poderiam ter sido encomendados em épocas diferentes ou feitos por ourives diferentes, não precisando necessariamente ter pertencido à outra pessoa e o responsável pela encomenda da tumba (no caso da proposta da fita ser este o Ay, vizir de Tutankhamon) ter simplesmente “por falta de tempo” resolvido saquear bens de terceiros, embora esta seja a idéia do documentário já que a muito tem sido impensável para alguns egiptólogos e amadores a possibilidade de que Tutankhamon, praticamente uma criança, ao menos para os nossos padrões ocidentais, ter tido tão pouco tempo para arrecadar tantos artefatos preciosos e de manufatura tão complexa. Ignora-se que Tutankhamon já era adulto a partir do momento que fora coroado e que o nosso conceito de infância é atual.

Um dos momentos mais interessantes do documentário, mas que deixou muito a desejar devido à metodologia aplicada, é quando o arqueólogo Denys Stocks (Arqueólogo Experimental) se questiona se o sarcófago de quartzito poderia ser feito em 70 dias (período tido como base para os preparativos funerários). Na época de Tutankhamon já existiam ferramentas de bronze que ilusoriamente adiantaria o trabalho, no caso do documentário eles utilizaram uma de pedra, que se mostrou mais eficiente. Com a ajuda do artista Dave Willett, Stocks chega à conclusão de que, a partir de uma estimativa com o auxílio de cálculos, uma pessoa sozinha levaria 06 anos para concluir todo o sarcófago, mas como estes trabalhos eram feitos em equipe (de 08 a 10 trabalhando, de acordo com a estimativa de Willett) levariam 08 meses (isto sem contar o tempo para se escavar o interior do bloco de quartzito que de acordo com Stocks levariam 18 meses), o que é inconcebível para quem tinha pouco mais de dois meses para sepultar o faraó. A falha no quesito metodológico se dá devido ao artista ter feito somente um rosto e só uma vez, esperando comparar este experimento com a técnica de pessoas já especializadas no assunto. O experimento foi válido, mas no sentido de Arqueologia Experimental possui falhas. Para sustentar a hipótese de que o sarcófago não teria terminado a tempo entra na fita Marianne Eaton-Krauss (Autora de “The Sarcophagus in the Tomb of Tutankhamun“, sem tradução para o Brasil) apontando que algumas das deusas que protegem o sarcófago estão incompletas já que enquanto partes delas estão entalhadas outras estão simplesmente pintadas. Marianne também aponta a possibilidade de que o sarcófago poderia ter sido reaproveitado, ou seja, não foi feito originalmente para Tutankhamon, uma vez que existem incoerências nos entalhamentos, a exemplo de hieróglifos que parecem terem sido suplantados ou ocultados pelas asas das deusas. Outra sugestão de que o funeral de Tutankhamon teria ocorrido às pressas é o fato das imagens da sua tumba terem sido feitas tão grandes (VEJA O VÍDEO NO FINAL DO TEXTO), na espera que sobrassem menos espaços para se ilustrar. Porém, imagens de tal tamanho não relatam nada incomum, a tumba da rainha Nefertari, conhecida por seu primor artístico, possuem imagens enormes, assim como a de Seti I, e ambos tiveram anos de vida para planejar seu sepulcro.

Salima Ikram no documentário “O funeral de Tutancâmon”. Captura da imagem: Márcia Jamille Costa.

A participação mais interessante parte da Dra. Salima Ikram onde vemos uma das raras vezes em que ela opina sobre o estado do corpo de Tutankhamon. Ikram é amplamente conhecida entre egiptólogos devido ao projeto Múmias de Animais e seus experimentos com conservação de corpos de animais. De acordo com a Dra. a múmia de Tutankhamon parece ter sofrido, aparentemente, uma mumificação deficiente e que antes do processo de conservação o corpo já teria começado a se deteriorar. Outro detalhe apontado é a ambulância de óleo e resina que acabou carbonizando a pele do faraó, a quantidade é tanta que explicaria a “ausência” do coração do rapaz nas chapas de Raios-X, uma vez que a substancia estaria ocultando o órgão. É importante citar que esta quantia excessiva já tinha sido notada quando a múmia de Tutankhamon começou a ser desenfaixada logo após a abertura do sarcófago. Tamanho foi o trabalho do médico responsável pela remoção que ele teve que esquentá-la para tentar desgrudar os artefatos do corpo do rei. Um detalhe importante (e que teria sido interessante se abordado no documentário) é que sabemos de histórias de faraós embebidos em resina através de um texto de relatos de ladrões de tumbas onde o saqueador explica que para soltar as jóias do corpo do falecido precisou atear fogo na múmia, desgrudando assim a resina.

A proposta do documentário é mostrar que Tutankhamon, que morreu jovem e sem filhos vivos, necessitava urgentemente de um herdeiro para o seu trono, desencadeando assim uma corrida pela sucessão por parte de Ay, seu até então vizir que, aproveitando-se da ausência do general do rei, Horemheb, se proclama faraó (a despeito dos inúteis esforços da rainha viúva, Ankhesenamon) se utilizando das mais variadas artimanhas para sepultar Tutankhamon o mais breve o quanto fosse possível. Seguindo este pensamento o Dr Kent R. Weeks (Diretor do Theban Mapping Project) e Dr Peter J. Brand (Egiptólogo da Universidade de Menphis) acreditam que a KV-62 não pertencia primordialmente a Tutankhamon, e sim a KV-23, onde Ay foi sepultado. Outra linha que o documentário segue é de que Tutankhamon teria transformado Horemheb em seu herdeiro, embora isto possa não ter sido verdade, já que Horemheb armou várias justificativas para estar no trono, se declarando, inclusive, herdeiro direto de Amenhotep III, avô de Tutankhamon, e excluindo tanto o seu jovem falecido amo, assim como Ay, Akhenaton (filho de Amenhotep III) e Smenkará da linhagem real.

 

 

A fita possui vários pontos negativos que embora atrativo para um espectador comum não será visto com bons olhos pela academia (a exemplo do fato do Dr. Zahi Hawass entrar no férreo de ouro, evento que poderia ser desastroso para o artefato). Este é um material relativamente ruim onde poucos aspectos podem salvá-lo, como a participação da Dra. Salima Ikram. Não ignoro o fato (ou possibilidade) de alguns dos artefatos da KV-62 terem sido “terceirizados”, mas pela forma como o documentário foi conduzido é difícil poder se levar muita coisa a sério, principalmente porque “O funeral de Tutancâmon” parece ser mais um dos afãs frutos da “moda Rei-Tut” que andam enchendo o currículo de vários pesquisadores. No final das contas, quando observamos as metodologias aplicadas pela maioria dos convidados da fita o documentário em si acaba não possuindo muito de substancial no final das contas.

Veja também:

Página Oficial do documentário: Burying King Tut: < http://natgeotv.com/asia/burying-king-tut >, Acesso 17/09/2011.

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2005.

Alaaeldin Shaheen substituiu Hawass

Por Márcia Jamille N. Costa | @MJamille

 

Antes só eram conversas vagas saídas do Supremo Conselho de Antiguidades, principalmente depois de uma reunião do Prof. Dr. Alaaeldin M. Shaheen como o Primeiro Ministro no dia 12 de Março. Mas já está confirmado, Shaheen é o novo nome que irá substituir o do Dr. Zahi Hawass.

Não saiu nenhuma nota para a impressa ainda, mas alguns egiptólogos no Egito mencionaram que é certeza de que o cargo já foi preenchido por Shaheen.

 

UPDATE – 14 de Março de 2011 – 08h50

Fui procurar saber se o SCA realmente oficializou o cargo de Shaheen: o SCA não confirmou nada ainda e nem mencionou que Shaheen foi o escolhido embora a comunidade de egiptologia esteja acreditando que será ele. Outro nome que foi dado é o de Mohamed Abdel Maksoud.

Devo lembrá-los que o Ministério de Assuntos de Antiguidades não existe mais, ou seja, o SCA voltou a existir e continua agregado ao Ministério da Cultura que agora está sob a liderança de Emad Abou-Ghazi (um historiador).

 

Estejam atentos a esta página porque eu posso fazer um UPDATE a qualquer momento.      

 

 

Alaaeldin Shaheen. Retirado de Prof. Dr. Alaa El-Din Abd el-mohsen Shaheen. Disponível em http://www.alaashaheen.com/ Acesso em 14 de março de 2011.

Hawass fora do Ministério?

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille 

  

Desde ontem (3 de Março de 2011) pela manhã está rolando na internet especulações que apontam para a saída do Dr. Zahi Hawass do Ministério de Assuntos das Antiguidades. Até o momento em que escrevo este texto não ocorreu nenhuma confirmação oficial vinda do próprio Ministério. 

  

  

Dr. Zahi Hawass. Foto retirada de “Shaking Up the Land of the Pharaohs”. Disponível em < http://www.archaeology.org/online/features/hawass/index.html >Acesso em 04 de Março de 2011.

  

Hoje (4 de Março de 2011) o Al Jazeera publicou em seu site em inglês que Hawass teria dito que não irá participar do novo governo que será liderado por Essam Sharaf, o novo Primeiro-Ministro egípcio. Hawass teria dito também que não se sente capaz de exercer seu trabalho em meio a campanha que tem sido desenrolada por seus colegas de gabinete que querem a sua saída do ministério. 

  

Caso Hawass seja dispensado de seu cargo uma das razões seria a motivação política, uma vez que existem planos de uma “limpeza” do antigo gabinete egípcio em prol das mudanças exigidas pelo o povo. 

  

Hawass tem sido ministro desde 31 de Janeiro, tendo sido nomeado por Mubarak, mas o próprio arqueólogo afirmou que quando foi nomeado primeiro Ministro de Assuntos das Antiguidades pensava que “o mandato poderia ser muito curto, dada a situação política”, em suas próprias palavras. 

  

Sem nenhuma confirmação oficial não foi dado também algum nome que poderá substituir Hawass. 

Fonte: 

New Egypt PM at Tahrir rally.  Disponível em < http://english.aljazeera.net/news/middleeast/2011/03/20113483827365222.html > acesso em 04 de Março de 2011. 

UPDATE 04 de Março de 2011 (14h11 – horário de Brasília)  

Via Twitter acabei de ler que Hawass teria sido convidado a permanecer no ministério (notícia não confirmada): 

Primeira mensagem via Twitter que afirma que Hawass permaneceria no Ministério. Captura: Márcia Jamille N. Costa.

UPDATE 05 de Março de 2011 (13h26– horário de Brasília)  

  

Alguns jornais online estão afirmando que é Dr. Zahi Hawass que está se recusando a permanecer no cargo de ministro. Ele planeja o mais breve possível apresentar um pedido oficial de abandono do cargo. De acordo com as notícias este seria um ato de protesto em relação aos saques que estão ocorrendo. Em determinado momento ele afirmou que em alguns sítios os seguranças estão desarmados e assim são rendidos facilmente, “é impossível trabalhar desta forma”, se queixou. 

Os únicos que estão comemorando sua saída são aqueles que defendem uma Arqueologia de pensamento imperialista, os mesmos que não são a favor do repatriamento de peças arqueológicas, algumas pessoas que acham que ele tem mais preocupação com um apelo midiático e os que acham que ele ficou “tempo de mais”. A verdade é que muitos na comunidade de egiptologia e arqueologia não observam com bons olhos a saída de Hawass. Seus apelos midiáticos (embora várias vezes exagerados) foram o que justamente despertou ainda mais o interesse do público não só para os faraós e múmias, mas para os estudos realizados pela a própria Arqueologia Egípcia em si. 

Hawass nas últimas semanas foi acusado de contrabando de peças arqueológicas, mas não ocorreu nenhuma investigação sobre o assunto e as acusações ainda estão sendo levadas com pouco crédito. São denuncias feitas justamente para a imprensa, a mesma imprensa que no estopim das manifestações no Egito vendeu para o mundo a notícia de que a máscara mortuária de Tutankhamon foi roubada. Por este motivo eu peço prudência para quem está propagando este assunto, muitos de nós só está recebendo as notícias mastigadas.       

  

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Abaixo alguns links (em língua estrangeira. Todos acessos entre os dias 04 e 05 de Março de 2011): 

  

Seventh Day: http://www.youm7.com/News.asp?NewsID=362383&SecID=94 

Tradução parcial por Thomas Schuler:  “He will not return to the ministry in case of assigning him again, and apologize for its acceptance, because it will not be able to operate in accordance with the current conditions of the country, especially as it can not protect the effects of theft and looting, destruction, and exploration of random.” 

 

 

Egyptian Antiquities Chief Says He Will Resign: http://artsbeat.blogs.nytimes.com/2011/03/03/egyptian-antiquities-chief-resigns/

Egypt’s minister of antiquities threatens to resign: http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/6964/Heritage/Ancient-Egypt/%D9%90Egypts-minister-of-antiquities-threatens-to-resig.aspx

Egypt’s Chief of Antiquities Says He’s Not Staying On: http://www.nytimes.com/2011/03/04/world/middleeast/04antiquities.html?_r=2

La dimisión de Zahi Hawass, el señor de la arqueología egipcia: http://www.hechosdehoy.com/articulo.asp?idarticulo=6627&utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter&utm_campaign=hechosdehoy

Zahi Hawass abandona su trono: http://hoyesarte.com/politica/internacional/9368-zahi-hawass-abandona-su-trono.html

VOLVERA NEFERTITI A EGIPTO?: http://ushebtisegipcios.blogia.com/2011/030502-volvera-nefertiti-a-egipto-.php?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

EXPERTA QUE BUSCA A CLEOPATRA CREE PERJUDICIAL PARA EGIPTO LA RENUNCIA DE ZAHI HAWASS: http://ushebtisegipcios.blogia.com/2011/030503-experta-que-busca-a-cleopatra-cree-perjudicial-para-egipto-la-renuncia-de-zahi-h.php?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter
 

 

UPDATE 07 de Março de 2011 (13h06– horário de Brasília)

Já é oficial, Hawass renunciou ao cargo. Muitos já estão fazendo suas apostas de quem vai substituí-lo.

Fiz ontem pela manhã um breve comentário “extra-site” sobre o assunto. Quem tiver Facebook pode ver neste link, e quem tem Orkut pode observar neste.

Hawass se reúne com arqueólogos

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

O Dr. Zahi Hawass abriu um dialogo com os representantes dos protestos dos recém formados em Arqueologia que ocorreu em frente a cede do Supremo Conselho de Antiguidades. A reunião foi feita de improviso e acompanhada por um pedido de desculpas por parte dos arqueólogos que levaram flores ao recém nomeado ministro. Durante a reunião que ocorreu nesta segunda feira, 21 de fevereiro de 2011, Dr. Hawass anunciou que em março desde ano abrirá nomeações para cargos que deverão atender a cerca de 900 pessoas, dentre arqueólogos e restauradores.

De acordo com a fonte Dr. Hawass já antes de tornar-se ministro tinha planos no Supremo Conselho de Antiguidades para dar emprego aos recém-graduados do país abrindo um pedido de financiamento para a causa. Em seu blog Hawass comentou:

“Eu também gostaria de esclarecer a situação dos muitos jovens que tem protestado em frente ao escritório do Ministério de Assuntos de Antiguidades, exigindo trabalho. Por um lado, eu estou emocionado de ver quantos jovens estão obtendo gral em arqueologia ultimamente; Eu vejo isto como uma homenagem a forma como a conscientização entre os egípcios acerca da importância do patrimônio cultural egípcio tem aumentado nas últimas décadas. Por outro lado, assim como não foi possível para o Ministério da Cultura contratar todos estes recém graduados, ainda não é possível para o nosso novo Ministério de Assuntos de Antiguidades contratar todos com um diploma em Arqueologia.  A realidade é que pessoas de todas as profissões, e de todo o mundo, precisam de trabalho. Como todo mundo sabe, obtenção de um gral em um determinado assunto nunca é uma garantia de um trabalho nesta área”.

No sentido de cursos de capacitação de Arqueólogos Hawass de fato deve receber o seu crédito, afinal, o Supremo Conselho de Antiguidades sob sua direção fez anteriormente alguns cursos de formação de arqueólogos, e faz parte do projeto deles, inclusive, a integração de arqueólogos nacionais no campo de trabalho do país, uma vez que é um número absurdamente pequeno ainda de profissionais da área nativos do próprio Egito.

Dr. Hawass também se explicou sobre aceitar o cargo de Ministro dado por Mubarak:

Quando eu fui nomeado primeiro Ministro de Assuntos das Antiguidades, eu pensei que meu mandato poderia ser muito curto, dada a situação política. Eu não me importava; Eu estava apenas feliz que o serviço de antiguidades tinha finalmente recebido a independência, e que não seria mais do Ministério da Cultura.

Abaixo fotos da reunião:

Arqueólogos se reúnem no dia 21 de fevereiro de 2011 com dr. Zahi Hawass. Fotos disponibilizadas pelo próprio Hawass em seu Facebook. Acesso em 22 de Fevereiro de 2011.

Arqueólogos se reúnem no dia 21 de fevereiro de 2011 com dr. Zahi Hawass. Fotos disponibilizadas pelo próprio Hawass em seu Facebook. Acesso em 22 de Fevereiro de 2011.

Arqueólogos se reúnem no dia 21 de fevereiro de 2011 com dr. Zahi Hawass. Fotos disponibilizadas pelo próprio Hawass em seu Facebook. Acesso em 22 de Fevereiro de 2011.

Arqueólogos se reúnem no dia 21 de fevereiro de 2011 com dr. Zahi Hawass. Fotos disponibilizadas pelo próprio Hawass em seu Facebook. Acesso em 22 de Fevereiro de 2011.

Arqueólogos se reúnem no dia 21 de fevereiro de 2011 com dr. Zahi Hawass. Fotos disponibilizadas pelo próprio Hawass em seu Facebook. Acesso em 22 de Fevereiro de 2011.

Fonte:

Apologies from, and good news for, the protesters. Disponível em < http://www.youtube.com/watch?v=l8C8M335cJE&feature=player_embedded > acesso em 22 de Fevereiro.

Uplifting News. Disponível em < http://www.drhawass.com/blog/uplifting-news > acesso em 22 de Fevereiro.