A ARQUEOLOGIA LONGE DE SER EXCLUSIVAMENTE NA COLHER E PINCEL
Por: Márcia Jamille Costa[1]| 26/07/09

Talvez nossos predecessores do século XIX nem sequer imaginassem a extensão que ia chegar, mas a arqueologia progrediu muito nos últimos anos. Antes um desenho de uma estrutura arquitetônica ou de um artefato que deveria ser feito a punho por um artista está mais próximo de ser reproduzido por uma máquina após alguns cliques no computador. Em alguns casos nem é mais necessário passar anos escavando, pois um radar pode apontar a qualquer momento onde poderá estar uma estrutura enterrada ao longo de décadas. Os recursos hoje em dia são os mais variados, o que antes contava com a eficácia e/ou persistência do arqueólogo está agora dependendo de um bando de chips interligados e funcionando com bateria.

Algo aparentemente inusitado, mas que serve muito ao arqueólogo é uma das mais eficazes tecnologias da NASA: as imagens de satélites que nada mais são do que chapas fotográficas feitas do espaço que podem ser capturadas de dia ou de noite. Alguns se utilizam das chapas geradas pelo o Google Earth que são disponibilizadas gratuitamente, recentemente foi lançada uma versão onde aponta os artefatos humanos na Lua. Há também a aerofotografia que é tirada de aviões ou de balões. Por meio destas duas ferramentas olhos treinados pela experiência de trabalho conseguem identificar alinhamentos no terreno ou diferenças na coloração da vegetação que podem vir a indicar a presença de estruturas em negativo ou positivo no solo. Um fato curioso, apesar de trágico, é o caso da Amazônia, que devido a abertura da floresta provocada pelo o desmatamento de grandes áreas, imagens de satélite foram capazes de apontar supostos sítios arqueológicos.

Visto de cima o platô de Giza dá um panorama do sitio arqueológico que ele compõe desde as grandes pirâmides até as pequenas estruturas que as circunda. QuickBird Satellite Sensor. Fevereiro, 2002.  

O scanner de documentos e objetos ou estruturas, apesar de parecer incomum, no primeiro caso ajuda os pesquisadores que não podem ter fácil acesso ao artefato ( por estar em outra cidade ou ser uma peça muito frágil) a fazer seus estudos utilizando sua reprodução em 2D ou 3D que fica armazenado em um banco de dados. Já a cópia digital do local da escavação auxilia na a análise espacial do sitio. Sua eficácia se dá pelo o fato da cópia em 3D não subtrair detalhes da peça além de que, se algo ocorrer com o vestígio ao menos muita das informações dele estará gravadas no computador.

O uso de robôs não é algo mais exclusivo da ficção científica, eles são utilizados para adentrar estruturas que ainda estão enterradas por toneladas de terra, mas que possuem alguma abertura para o seu interior, infelizmente esta não é uma prática efetiva. O uso mais famoso foi em 2003 quando se iniciou a exploração em um corredor da Grande Pirâmide (Platô de Giza, Egito).

Robô utilizado para adentrar no corredor da Grande Pirâmide em 2002 e imagens capturadas dentro da estrutura. The Guardians. 2002

Há também o emprego de geofones que colocados no solo propagam ondas sonoras capazes de refletir quaisquer objetos no terreno. Um aparelho semelhante se utiliza da indução eletromagnética onde uma corrente elétrica é lançada no solo e assim que ocorrem mudanças em sua condução é sinal de que há algo enterrado. Seguindo o geofone, mas cumprindo sua missão na água, está o Sonar de Varredura Lateral que é muito eficaz para encontrar estruturas e artefatos.

Sonar de Varredura Lateral. Diretoria de Hidrografia e Navegação.

Já a fotomicroscopia auxilia na observação da complexidade de objetos ajudando no entendimento da composição de um artefato.

Observação de fotos ultravioleta acaba por passar informações que são cegas a olho nu sobre a peça, assim, com a devida avaliação, o arqueólogo ou restaurador pode propiciar ao artefato uma degradação mais lenta que o normal.

O único aparelho que faz parte efetivamente de nossas vidas é o tomógrafo que está sendo amplamente usado para escanear de forma extremamente precisa o interior de ataúdes ou de múmias. Inclusive aqui no Brasil há estudos no Museu Nacional com a utilização de tomografia computadorizada.

Todos estes aparatos são extremamente caros, mas ajudam muito a arqueologia. Há quem diga que futuramente não será nem necessário mais escavar, embora em algum momento, seja para salvaguardar os vestígios ou para uma análise presencial, esta ação precise ocorrer. A tecnologia sempre se aprimorará para melhorar o nosso cotidiano ou, como neste caso, tentar entender como foi os dos nossos antepassados.

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Fontes das imagens:

Diretoria de Hidrografia e Navegação, 26/07/09. < https://www.mar.mil.br/dhn/chm/levhidrograficos/levanta.html >
QuickBird Satellite Images, 26/07/09. < http://www.satimagingcorp.com/gallery-quickbird.html >
The Secret Doors Inside the Great Pyramid, 26/07/09. < http://www.guardians.net/hawass/articles/secret_doors_inside_the_great_pyramid.htm >

[1]Márcia Jamille Costa é estudante em arqueologia na Universidade Federal de Sergipe e administradora do A.E.  

 

2009 Por Arqueologia Egípcia
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