Márcia abril 28th, 2010
Saiu no jornal da UFS uma matéria com o meu orientador que vale (e muito) a pena colocar aqui:
Arqueólogos trazem à tona riquezas culturais esquecidas (Matéria do Jornal da UFS: Ano II – nº3 – Novembro 2009)
Por: Luiz Amaro – Juacy Júnior
A escrita de documentos não foi o único meio de se registrar a história da humanidade. Vestígios materiais deixados pelo homem em diferentes tempos são indícios da existência de civilizações passadas. São esses vestígios o objeto de estudo da arqueologia.
No entanto, muitos desses objetos podem estar submersos nos rios, lagos e oceanos sendo preciso ir até o fundo das águas para estudá-los. Arqueologia aliada ao mergulho abre um novo campo de formação: a arqueologia subaquática.
A especialidade surgiu no Brasil apenas na década de 1990. O seu trabalho vem literalmente trazendo à tona uma parte importante do passado do país, mapeando riquezas até então perdidas sob as águas, inclusive da costa sergipana.
“Em nosso país, estima-se que exista mais de três mil navios naufragados. Por isso, podemos dizer que, embaixo da água, o Brasil não se conhece. Em Sergipe, temos cerca de 60 navios afundados em nossa pequena costa, além de sítios pré-históricos e há também um trabalho desenvolvido na [represa de] Xingó”, diz o professor Gilson Rambelli, do Núcleo de Arqueologia do campus de Laranjeiras e um dos fundadores do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática (CEANS), entidade para defesa do patrimônio cultural submerso.
A arqueologia subaquática atua com a idéia de gestão sustentável do patrimônio cultural. “Evitamos retirar peças dos sítios submersos”, explica. “Isso só é feito quando acabam as possibilidades para o seu estudo ou quando o patrimônio está em risco. A meta é a preservação desses locais, para que possam ser vistos por outras gerações e como fonte de renda em programas sustentáveis de turismo cultural subaquático”.
Arqueólogos Subaquáticos?
Os arqueólogos subaquáticos não são caçadores de tesouros. “Somos pesquisadores que exploram, com fins científicos, os restos de materiais deixados pelo homem ao longo de sua história no fundo do mar, de rios, lagos ou represas”, esclarece Rambelli, autor do livro “Arqueologia até debaixo d’água”.
“Nossos objetos de pesquisa podem ser vestígios de naufrágios, acampamentos pré-históricos, cidades ou áreas portuárias. Somos arqueólogos que mergulham”. No caso dos caçadores de tesouros, Rambelli explica que eles se “divertem” retirando peças de navios afundados.
“Os artefatos arqueológicos servem para eles como troféus de suas aventuras”, lamenta. “Com isso, muita informação se perde, pois objetos extraídos de seu contexto ficam destituídos de significado. Um sítio arqueológico saqueado é como um livro que teve suas páginas arrancadas”.
Atuação da UFS
A UFS também promove projetos para serem desenvolvidos debaixo d’água. Sob coordenação do professor Rambelli, o campus de Laranjeiras possui o laboratório de Arqueologia e Ambientes Aquáticos, que, dentre outras ações, elabora cursos de extensão. “Em breve terá início o projeto Inventário do Patrimônio Cultural Subaquático de Sergipe”, diz o docente.
Atualmente, Rambelli também ocupa o cargo de vice-presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira [1] e a convite da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, o professor participou no início de setembro de audiência pública destinada a instruir o projeto de lei da Câmara nº45 de 2008, que dispõe sobre o patrimônio cultural subaquático brasileiro.
“A legislação em vez de coibir ou controlar, estimula a prática de exploração dos sítios, sendo prejudicial ao trabalho dos arqueólogos”, esclarece Rambelli. A lei 10.166, de 27 de dezembro de 2000, libera a comercialização de artefatos retirados de dentro da água. “Um convite oficial à degradação de nossos sítios e incentivo para que os bens culturais partam para coleções particulares”.
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Confira dicas do CEANS, Centro de Estudos de Arqueologia Náutica:
O artigo 216 da Constituição do Brasil de 1988 protege, entre outros, os sítios arqueológicos subaquáticos.
Por isso, ao encontrar um sítio arqueológico emerso ou submerso, saiba o que fazer para não destruir nossos patrimônios culturais:
1º – Não remova nada.
2º – Faça alguma marcação do local (posicionamento), embaixo d’água e na superfície, para saber voltar ao ponto encontrado.
3º – Comunique imediatamente à Autoridade Marítima e ao Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN).
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[1] Atualmente quem está com o cargo de vice-presidente é Silvia M. Copé (UFRS)